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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

LUCRO E SPREAD DOS BANCOS.

A soma do lucro líquido de oito dos maiores bancos brasileiros atingiu R$ 44,7 bilhões, em 2010, contra R$ 34,9 bilhões, em 2009, segundo os balanços anuais divulgados nos últimos dias. É salutar que os bancos tenham lucros, até porque prejuízos acabam levando a vultosas operações de socorro e parte da conta acaba recaindo sobre a esfera pública e sobre os correntistas.


O problema não é, portanto, o lucro dos bancos, mas a maneira pela qual eles estão obtendo a rentabilidade deste ano: o aumento do já escandalosamente alto spread, a diferença entre a taxa de captação (que pagam aos aplicadores) e a taxa de aplicação (que cobram dos tomadores).

Como mostrou reportagem do Estado (23/2, B7), o crescimento dos lucros dos bancos, no ano passado, veio, sobretudo, das operações de crédito - o que significa que a economia foi bem irrigada e isso estimulou o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Mais lucros também vieram da diminuição das provisões para devedores duvidosos. E o aumento das receitas com serviços completou a explicação dos bons balanços bancários de 2010.

Entre dezembro de 2008 e dezembro de 2010, o spread bancário acusou redução de 16,5 pontos porcentuais (de 45% para 28,5%), para as pessoas físicas, e de 1,4 ponto porcentual (de 18,4% para 17%), para as pessoas jurídicas, cujos juros sempre foram menores, conforme as estatísticas do Banco Central (BC).

A queda do spread, nos últimos dois anos, contribuiu muito para reduzir o custo dos empréstimos e, assim, estimular o consumo, a tomada de capital de giro das empresas e os investimentos. Foi, portanto, decisiva para o aumento do ritmo da economia, estimulando a oferta de emprego e o aumento da renda dos trabalhadores.

Mas, neste ano, os spreads voltarão a aumentar. Reportagem do jornal Valor de quarta-feira mostra que no Itaú Unibanco - no primeiro lugar do ranking por lucro líquido - o spread começou a subir em dezembro, disse o diretor corporativo de controladoria, Rogério Calderon.

No segundo mais lucrativo, o Banco do Brasil, o spread deverá aumentar de 16% para 20%, neste ano, enquanto o crédito deverá crescer entre 17% e 20%; no Bradesco, segundo o vice-presidente Domingos Figueiredo de Abreu, a margem financeira deverá crescer de 18% para 22%, mais do que a expansão do crédito, calculada entre 17% e 20%.

Em janeiro, segundo nota distribuída pelo BC, já houve uma combinação perversa de spreads mais elevados (+2,9 pontos porcentuais para as pessoas físicas e +1,1 ponto porcentual para as pessoas jurídicas, em um único mês), com menor expansão do crédito. Os agentes econômicos já têm menos recursos - e mais caros - para movimentar seus negócios ou consumir.

É possível que nem o próprio governo se preocupe com o aumento do spread nos bancos sob seu controle, a começar do maior deles, o Banco do Brasil, pois parece convencido da necessidade de desaquecer a economia para melhor enfrentar o surto inflacionário crescente.

Custos mais elevados dos empréstimos já foram uma decorrência da decisão do Banco Central, no final do ano passado, de aumentar o recolhimento compulsório dos bancos e exigir mais capital das instituições que financiam o consumo em prazos superiores a 24 meses. A tendência de elevação dos juros básicos, iniciada em 2010 e que deverá prosseguir, agora, agrava esses custos, repercutindo tanto sobre as taxas de captação como sobre as de aplicação dos bancos.

O que não se justifica é que os bancos privados e públicos aumentem spreads já muito altos em comparação com os cobrados nos países desenvolvidos e na maioria dos emergentes, uma vez que o aumento das operações de crédito por eles mesmos previsto para este ano já asseguraria alta rentabilidade para as instituições financeiras.

Numa economia pouco capitalizada, como a brasileira, o aumento do spread só atende à voracidade dos bancos, já recordistas em lucros.

Fonte: O Estadão - http://bit.ly/gfOjjT

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

ALERTA: O PANAMERICANO PODE NÃO TER SIDO CASO ISOLADO.

Já existem fortes temores no mercado financeiro a respeito da saúde dos bancos brasileiros de porte médio, porque continuam insondáveis as verdadeiras dimensões do rombo no Banco PanAmericano.


O governo Lula meteu-se numa armadilha ao entrar de sócio no banco de Silvio Santos, ao autorizar a compra de 49% do seu controle por parte da Caixa Federal.

O governo Lula já tinha feito algo semelhante no caso do Banco Votorantim, mas neste caso a vítima foi o Banco do Brasil.

Na época, foram duas operações típicas de socorro a bancos privados. Eles receberam dinheiro público, mas seus donos privados prosseguiram fazendo e acontecendo. O governo decidiu intervir diretamente. No governo FHC, foi o Banco Central quem coordenou todo o programa do Proes.

Ao contrário do governo FHC, que percebeu o risco sistêmico oferecido pelos defaults do Banco da Bahia, Nacional e Bamerindus e criou o Proes, o governo do PT parece não se dar conta da gravidade do problema atual e tenta transferir dinheiro público para bancos privados em crise, sem mandar o Banco Central vasculhar e diagnosticar o alcance de tudo o que está acontecendo no sistema financeiro brasileiro.

Os problemas na banca internacional, com ênfase para Estados Unidos e Europa, inclusive com a quebradeira generalizada de bancos americanos, mostraram que a festa com créditos fáceis pode acabar mal. Nos EUA foi o caso dos créditos imobiliários, mas no Brasil o problema pode ter começado com os créditos consignados.

Os bancos brasileiros anunciam que criarão auto-regulamentação para administrar o trânsito de carteiras inteiras de créditos consignados. Isto é insuficiente.

Fonte: http://bit.ly/dMxTMO