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domingo, 7 de julho de 2013

GOVERNO NÃO SE ENTENDE SOBRE REFORMA POLITICA


Foto: ABR
 ABR
Cardozo e Temer, junto com Ideli Salvatti, se reuniram com líderes da base aliada para discutir plebiscito

A oposição e até partidos da base aliada criticaram ontem a indefinição do governo Dilma Rousseff de levar adiante a proposta de fazer um plebiscito para alterar as regras do sistema político para as próximas eleições. O vice-presidente Michel Temer disse pela manhã que é “temporalmente impossível” fazer essas mudanças, mas quatro horas depois recuou da posição e, em nota, disse que o “governo mantém a posição de que o ideal é a realização do plebiscito em data que altere o sistema político-eleitoral já nas eleições de 2014”.

“Nunca senti firmeza na manifestação do Temer e queria que ele tivesse mantido a posição que os líderes interpretaram”, afirmou o presidente nacional do DEM, senador Agripino Maia (RN), sobre o encontro do vice-presidente com ministros e líderes partidários da base aliada do Congresso ontem, em que, inicialmente, ficou clara a impossibilidade de aprovar a matéria. Integrante de legenda da base aliada, o líder do PSB no Senado, Rodrigo Rollemberg (DF), classificou como impressionante o “nível de improvisação” da administração federal: “Estamos percebendo a fragilidade das ações do governo”.

Sintonia

De acordo com Rollemberg, entusiasta da candidatura presidencial do governador de Pernambuco e presidente nacional da sigla, Eduardo Campos, o debate sobre a realização do plebiscito não está em sintonia com os anseios manifestados pela população nos protestos que tomaram conta das cidades nas últimas semanas.

Segundo ele, qualquer cidadão “bom senso” sabe que é “impossível” realizar a consulta popular a fim de reformar o sistema político-eleitoral para as eleições de 2014.



Antes do recuo do Poder Executivo, o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, havia classificado como um “engodo” a proposta de levar adiante o plebiscito: “Era um engodo, era uma forma de desviar a atenção da população das questões centrais. O governo erra muito e quem perde é a população brasileira”, disse.

Referendo

Pela manhã, o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB), chegou a sinalizar apoio ao referendo após o Legislativo, eventualmente, aprovar uma reforma política. “Se houver dificuldade para aprovação do plebiscito na Câmara, é óbvio que, a partir daí, todo mundo vai tentar construir uma alternativa para votar a reforma. Na medida em que se vota a reforma e quer ouvir a sociedade, a única maneira de fazê-lo é o referendo”, disse.

O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB), afirmou no fim do dia que é preciso persistir na reforma. “Só saberemos tentando, não podemos desistir de tentar”, afirmou. (AE)

Senado pode recuar no voto aberto

Depois de ser aprovado por votação simbólica na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, o projeto que determina o fim do voto secreto no Legislativo para todas as modalidades em que ele é previsto na Constituição será afrouxado quando for apreciado pelo plenário do Senado, na próxima semana. A proposta deverá manter o sigilo das opiniões dos parlamentares sobre vetos e indicações de algumas autoridades.

Dilma diz acreditar na “inteligência do povo”

A presidente Dilma Rousseff disse ontem, em Salvador (BA), acreditar na “inteligência, sagacidade e esperteza do povo brasileiro” para responder às perguntas de um plebiscito sobre reforma política.

No último dia 24, ela sugeriu ao Congresso uma consulta popular para a elaboração de legislação para renovar os sistemas político e eleitoral.

Dilma afirmou que “gostaria” de ver a reforma política aprovada a tempo para a eleição do ano que vem. O ministro Gilberto Carvalho disse que, se a reforma sair depois de 2014, “será mais que uma decepção”.

“Eu acredito muito na inteligência, na sagacidade, na esperteza do povo brasileiro. Acho que o povo brasileiro sempre mostrou ao longo de toda a nossa história que suas escolhas sempre foram acertadas. Eu não sou daqueles que acredita que o povo é incapaz de entender porque as perguntas são complicadas. Não é verdade”, declarou a presidente em discurso na cerimônia de lançamento do Plano Safra Semiárido e na entrega de máquinas do programa PAC 2 para 269 municípios baianos.

Para Dilma, “o povo brasileiro tem aquela inteligência que nos foi dada porque graças a Deus somos feitos de várias correntes e de vários veios”.


Fonte: A Gazeta

sexta-feira, 28 de junho de 2013

OPERAÇÃO SUICIDA













O movimento do Partido dos Trabalhadores para escapar do furacão em que se transformou a crise política é uma ode à hipocrisia. Usando a tese do plebiscito como escudo, a presidente Dilma Rousseff escalou alguns dos assessores para tratar do tema.
Um dos escolhidos é o secretário-geral da Presidência,Gilberto Carvalho, que ao falar sobre o plebiscito tem destacado o financiamento público de campanha. A defesa que Carvalho faz do tema só convence os que desconhecem a história recente do País. Para quem não se recorda, Gilberto Carvalho era secretário municipal de Santo André, na gestão de Celso Daniel, quando o PT montou um esquema criminoso de cobrança de propinas, principalmente de empresários de ônibus.
Inicialmente, o dinheiro da corrupção deveria apenas alimentar o caixa da campanha presidencial de Lula, em 2002, mas o desvio de parte dos recursos provocou uma cizânia no partido. Ao discordar da destinação dada ao dinheiro, Celso Daniel arrumou alguns inimigos dentro do próprio partido e acabou covardemente assassinado, após ser sequestrado.
Antes da consumação do assassinato, Celso Daniel foi submetido a sessões de tortura, com direito à prática medieval da empalação. Fora isso, o corpo do ex-prefeito de Santo André apresentava ferimentos provocados por estilhaços de munição de arma de fogo, além de um tiro na boca, o que denota o crime de encomenda.
Por esse motivo bárbaro o petista Gilberto Carvalho não deveria empunhar a bandeira do financiamento público de campanha, pois o dinheiro imundo da corrupção de Santo André financiou parcialmente a campanha de Lula. (Confira ao final da matéria as gravações telefônicas do caso Celso Daniel)
Caixa 2 petista em Londrina
O segundo motivo para Carvalho não pegar carona na tese absurda do plebiscito repousa em Londrina, reduto político-eleitoral do secretário-geral da Presidência e interlocutor de primeira hora de Dilma Rousseff. Há anos, policiais apreenderam documentos da contabilidade paralela de campanha do PT na cidade paranaense. Em um dos documentos (clique para visualizar) do caixa 2 petista há vários registros de movimentação financeira, um deles curioso. Trata-se de pagamento no valor de R$ 30 mil para “Paulo B.”. Não custa lembrar que o atual ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, é integrante da cúpula do PT e tem a cidade de Londrina como reduto político.
Em organograma sobre o esquema ilegal de campanha (clique para visualizar) é possível conferir depósitos feitos em dinheiro na conta do agora deputado federal André Vargas (PT-PR), vice-presidente da Câmara.
Duda Mendonça desmascara Mercadante
Outro escalado para defender o plebiscito – e que derruba a tese chicaneira de Gilberto Carvalho – é o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, que como senador pouco ou nada fez pelo estado de São Paulo. Mercadante, que se elegeu ao Senado com pouco mais de 10,5 milhões de votos e apresentou à Justiça Eleitoral contabilidade irrisória, foi desmascarado pelo publicitário Duda Mendonça durante depoimento à CPI dos Correios.
Acuado por conta dos ataques de petistas que queriam livrar o partido de um escândalo ainda maior, Duda Mendonça não se intimidou com as acusações de Mercadante e desafiou o então senador a revelar os reais gastos de sua campanha ao Senado. A saia justa foi tamanha, que dias depois o agora ministro da Educação tentou se explicar, sem sucesso, na mesma CPI, mas o assunto foi prontamente abafado pelos aliados.
Delúbio e os empréstimos fictícios do Mensalão
Gilberto Carvalho, assim como qualquer membro do PT, não tem moral para defender o financiamento público de campanha, pois nos últimos anos o partido deixou evidente a sua volúpia pelo dinheiro ilegal do caixa 2. Prova maior é o escândalo do Mensalão do PT, que, além do dinheiro utilizado para a compra de parlamentares, amealhou fortunas ilegais que a Justiça preferiu não investigar.
A sanha do PT pelo dinheiro ilícito ficou comprovada em documento (clique para visualizar) assinado por Delúbio Soares de Castro e enviado ao Banco BMG, em que o petista assume a responsabilidade pelos empréstimos concedidos a empresas do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza.
Resumindo, o melhor que Gilberto Carvalho e seus sequazes podem fazer é sair de cena silenciosamente, antes que o mar de lama venha à tona.
Confira abaixo os principais trechos das gravações telefônicas do caso Celso Daniel, divulgadas à época com exclusividade pelo ucho.info. Em uma delas, o atual ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República, e Ivone Santana tratam a morte de Celso Daniel com frieza.

Fonte: Ucho.Info

sábado, 15 de junho de 2013

O FETICHE PSEUDORREVOLUCIONÁRIO

Gabriel Tebaldi                                                     

Os protestos de tarifas de ônibus compõem uma bela equação: manifestantes à flor da pele + desorganização – inteligência x despreparo policial = caos. A expressão social põe a democracia em conflito: de um lado o direito de manifestação. Do outro, o de ir e vir e a ordem social.

Os atuais movimentos estudantis são instigantes. Diante dos aumentos salariais nas Câmaras, obras sem licitação para a Copa e escândalos de corrupção que envolvem direita, esquerda e ambidestros, os jovens politizados dedicam o mais poético silêncio. Mas, sabe-se lá por que, os ônibus exercem um fetiche no imaginário pseudorrevolucionário, fazendo com que centavos valham sangue, suor e lágrimas justamente de quem, muitas vezes, tem passe livre. Os scripts são os mesmos: o início pacífico logo se converte em abusos gerais e a inteligência foge de táxi. Os anos passam, as manifestações ligam o nada a lugar nenhum e, na oportunidade seguinte, os antirroletas repetem a estratégia falida: param o trânsito, são dispersos pela polícia e vão para casa postar fotos na internet, como bons cidadãos engajados.

São Paulo e Rio têm protagonizado praças de guerra, perdendo mais tempo com balas de borracha do que com propostas e debates sobre o tema. Não é preciso ser gênio para entender que a forma de manifestação é ineficiente e que arremessar pedras na polícia não reduz o preço de nada. A insistência no erro é como tocar sempre a mesma nota musical e esperar um som diferente.

É verdade que os militares agem de modo desproporcional e desnecessário. Porém, até isso alguns militantes têm colocado em xeque. Em São Paulo, jovens quebraram lixeiras, pontos de ônibus, vidros de bancos e até lançaram uma bomba caseira numa estação de metrô. Ora, são estudantes ou bandidos?

As lideranças, definitivamente, passam longe das salas de aula e expõem o oportunismo das bandeiras partidárias. Em São Paulo, entre o inexpressivo PSTU e o barulhento PSOL, a estrela do PT brilhava ofuscada pelo estranho fato de protestar contra o governo do próprio partido.

A condução das legendas e participação de radicais deixou clara a falta de espontaneidade dos atos, revelando que os confrontos são esperados, orquestrados e, porque não, desejados. No Rio, a polícia deteve 241 pessoas e encontrou coquetéis Molotov, álcool, fósforos, bombas caseiras, machados, lança-chamas e facas. É difícil crer que a população comum e pacífica saia de casa armada, com o rosto coberto e pronta para depredar o patrimônio público que ela mesma sustenta.

Enquanto isso, em Vitória, o silêncio do Movimento Estudantil é apenas uma questão de negócios. Durante três anos, parar a cidade foi quase uma tradição dos “estudantes”, que juravam que a tarifa era apenas uma de suas reivindicações. Diziam que os transtornos eram em nome da melhoria do transporte, da segurança nos coletivos e até mesmo da reativação do aquaviário. Bastou o governo conceder passe livre e pronto: os jovens encerraram suas tão complexas articulações.

A incoerência nas ações não escolhe capital: em 2012, um ônibus Transcol foi incendiado em Vitória. Nessa semana, coletivos foram pichados, janelas quebradas e pneus furados nas grandes metrópoles. Novamente, não é preciso consciência de classe para concluir que serão justamente as tarifas que pagarão pela depredação, dando ainda mais argumentos para as companhias de transportes.

Em meio à Copa das Confederações, o país vive a inconsequência de manifestantes capazes de incendiar barricadas ao lado de postos de gasolina. E também o despreparo policial para lidar com as movimentações. Assim, jornais de todo o mundo noticiam a guerra urbana, que já anunciou novos atos.

A consequência de tais eventos é como a ilógica equação dos protestos: imprevisível. Mas o resultado geral é um só: no fim, todos perdem. Só quem ganha é a história, que acumula mais um capítulo caótico que expõe erros profundos e cria um palco que poderia ter sido evitado com pequenas doses de bom senso e inteligência.

Gabriel Tebaldi, 20 anos, é estudante de História da Ufes

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

NA FESTA DA INDEPENDÊNCIA, PAÍS MARCHA CONTRA A CORRUPÇÃO.

Marcha contra a corrupÁâ??o que reuniu cerca de 25 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios. Foto: Wilson Pedrosa.AE

A maior mobilização ocorreu em Brasília: cerca de 25 mil pessoas se reuniram pela faxina ética na política


Convocadas pelas redes sociais, manifestações contra a corrupção atraíram pelo menos 30 mil pessoas em várias cidades do país, como Brasília, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. O maior ato foi em Brasília, onde a Marcha Contra a Corrupção surpreendeu e reuniu na Esplanada dos Ministérios cerca de 25 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, durante o desfile cívico-militar em comemoração ao Dia da Pátria.

Os manifestantes apareceram com faixas, cartazes, vassouras representando a faxina na política, nariz de palhaço e roupa preta. Entre os alvos do protesto, o Congresso Nacional, criticado pela absolvição da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), flagrada recebendo propina. O movimento cobrou punição dos envolvidos no mensalão do PT. O ato, pacífico e apartidário, ocorreu na pista paralela à do desfile oficial do Sete de Setembro e poupou a presidente Dilma Rousseff. Faixas e gritos de guerra cobravam a continuidade da faxina nos ministérios, com a demissão dos envolvidos em escândalos.

A presidente, ministros e autoridades não viram nem ouviram os protestos. Eles ficaram na outra metade da Esplanada - onde cerca de 40 mil pessoas assistiram ao desfile oficial, e onde o esquema foi montado para impedir manifestações antigovernistas.

O presidente da OAB, Ophir Cavalcante, discursou em cima do caminhão e parodiou o bordão que marcou a passagem do senador José Sarney (PMDB-AP) pelo Planalto: "Brasileiros e brasileiras, sem parodiar qualquer político, do que este país precisa é de vergonha na cara. O povo tem que ir para as
ruas, como nas Diretas Já e no impeachment de (Fernando) Collor. Ladrão tem que ir para a cadeia."

Fonte: A Gazeta