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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

CAPANGA POLITICO DO CLÃ SARNEY, DEPUTADO GASTA A RODO.



Haja verba – O deputado Francisco Luiz Escórcio Lima (PMDB-MA), o Chiquinho Escórcio, é daquele político cujo perfil se enquadra no estereótipo à moda antiga. Truculento e com pouca notoriedade, busca holofotes com oportunismo desmedido. E gasta sem parcimônia. No próprio site Transparência da Câmara se surpreende com os gastos perpetrados pelo nobre deputado. Com locação de veículos e serviços gráficos o montante despendido é expressivo.

É possível, desde que o parlamentar abasteça de informações, consultar no site da Câmara os gastos de cada deputado mensalmente. Na página em que se encontra “Cota para Exercício Parlamentar” há discriminação das despesas do deputado. No caso de Chiquinho, acusou-se na seção Assinatura de Publicações, no mês de agosto, um gasto de R$ 25.000,00 com a gráfica brasiliense Renovação Gráfica e Editora Ltda., na classificação de despesas.

Em julho, Chiquinho utilizou o dinheiro público na locação de automóveis num total de R$ 24 mil. Divididos entre as locadoras Galman Empreendimentos Ltda., localizada em São Luís, capital do Maranhão, e na Impercar C. A. dos Santos, de Brasília, respectivamente R$ 17,1 mil e R$ 7,8 mil, totalizando R$ 24.180,00. Vale lembrar que o mês é de recesso.

Os gastos do parlamentar saltam aos olhos no mês de maio. Existe um gasto relativo à Divulgação da Atividade Parlamentar e na página encontra-se a Renovação Gráfica e Editora novamente. E novamente há a despesa de R$ 25 mil. Quantia idêntica à realizada em agosto com a mesma gráfica.
No mesmo mês de maio, a verba referente à locação de veículos, Chiquinho gastou R$ 12.570,00 com a Impercar C. A. dos Santos e R$ 12.360,00. As mesmas empresas verificadas em julho. Nesse mês o
total de despesas atingiu R$ 64.454,94.

Chiquinho assumiu como suplente o mandato de deputado federal (na Legislatura 2011-2015), a partir de 5 de abril de 2011, por conta da licença do deputado Pedro Fernandes (PTB-MA), puxado pela governadora do Maranhão, Roseana Sarney, para ocupar a secretaria de Cidades. Como suplente, Chiquinho Escórcio também obteve o mandato de deputado federal na legislatura 2003-2007, e permaneceu na Câmara entre de 3 de abril a 15 de julho de 2006. No Senado, Chiquinho, então no PFL, exerceu o mandato entre 1996 a 2002.

Truculento e de pavio curto, Chiquinho já bateu boca com o líder do governo na Câmara dos Deputados, Candido Vaccarezza (SP), quando este dava uma entrevista. E tudo acontece porque o parlamentar maranhense busca holofotes. Conhecido por protagonizar discussões bastante acaloradas com seus pares durante sessões na Casa, Chiquinho Escórcio ganhou fama por atividades sinistras

Arapongagem

No ano de 2007, como assessor do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), foi acusado de promover espionagem contra os senadores goianos Demóstenes Torres (DEM) e Marconi Perillo (PSDB). Chiquinho Escórcio confessou que também buscava munição para ser utilizada contra o então governador Jackson Lago (PDT).
Escórcio confirmou que viajou a Goiânia e que falou com Pedro Abrão, um ex-deputado peemedebista, dono de um hangar do aeroporto de Goiânia. Chiquinho foi acusado de tentar, supostamente a serviço de Renan Calheiros, convencer Abrão a instalar câmeras no hangar para espionar Demóstenes e Perillo, quando eles fossem utilizar seus aviões. Entretanto, Abrão não concordou com a ação de espionagem.

Abrão avisou por telefone ao amigo Demóstenes Torres, como forma de interromper a jogada de Escórcio. À época, Renan Calheiros queria a presidência do Senado e receava perder a cadeira, por isso lançou mão de estratégias nada republicanas, como comprometer adversários em busca de apoio.
Recentemente, Escórcio foi acusado de emprestar um funcionário de seu gabinete para trabalhar como motorista da esposa do então ministro do Turismo, o deputado Pedro Novais (PMDB-MA). O que provocou o último suspiro de Novais como ministro. Depois desse episódio, Novais foi obrigado a pedir demissão. O PSol entrou com representação contra Escórcio por quebra de decoro parlamentar

Fonte: Ucho.Info

sábado, 27 de agosto de 2011

GLÓRIA ESTÁ NAS ALTURAS

Em tempos de orçamento curto, o município de Glória, na Bahia, é um canteiro de obras com dinheiro federal. O segredo? A prefeita é a mulher do ministro das Cidades


Reforma do balneário de Glória, na Bahia (Foto: MG Fotos)


A estrada que liga Aracaju, em Sergipe, ao município de Glória, no norte da Bahia, é uma coleção de buracos. Os 280 quilômetros não são vencidos em menos de quatro horas. A exceção é um trecho de 32 quilômetros, reformado, que passa pela entrada de Glória. Até as placas de acesso a Glória estão tinindo de novas. Glória tem um balneário na beira do Rio São Francisco, que está em reforma. Na “prainha” serão erguidos cinco quiosques, para os quais o Ministério do Turismo destinou quase R$ 1 milhão. Também custarão R$ 1 milhão a ciclovia e a pista de cooper de 4 metros de largura, da entrada da cidade ao balneário. A Praça da Juventude, um projeto do Ministério dos Esportes, com quadras, anfiteatro, salas e pista de skate, está orçada em R$ 1,5 milhão. Nada disso estaria acontecendo, segundo a prefeita Ena Vilma Negromonte (PP), sem a ajuda “de Mário”. Mas que Mário? Mário Negromonte, seu marido e ministro das Cidades.

O ministro das Cidades, Mário Negromonte. O ministério foi o que mais sofreu cortes, mas a cidade governada pela mulher dele não perdeu (Foto: André Lessa/AE)

Como deputado federal até 2010, Negromonte fez emendas ao Orçamento da União para a cidade governada por sua mulher. Neste ano, os ministérios do Turismo e das Cidades, agora tocado por Negromonte, liberaram 100% dos valores acertados nos convênios. As verbas destinadas a Glória passaram incólumes ao corte de R$ 50 bilhões no Orçamento, que tirou R$ 8,5 bilhões do Ministério das Cidades. Poucos municípios tiveram a mesma sorte. Com 15 mil habitantes, Glória tem ruas pequenas e malconservadas, onde há pouca movimentação de comércio. Nas esquinas, há placas de “Pare” novinhas. Só faltam carros para obedecê-las. Metade da população é pobre. “Nada foi feito na área de saúde. Convênios foram cancelados por falta de pagamento”, diz o vereador Alex Almeida (PTN).

A prefeita Ena Vilma é uma dentista aposentada de 60 anos, casada há 34 com Negromonte, mãe de três filhos e avó de uma menina de 9 meses. Ela foi derrotada duas vezes antes de virar prefeita. Eleita, carrega a fama de ficar pouco na cidade, apesar de manter uma casa alugada. “Aquilo é fachada”, diz o ex-prefeito José Policarpo. A casa da família Negromonte fica em Paulo Afonso, um município vizinho e distante 10 quilômetros. Na última quinta-feira, Ena Vilma estava em Glória e recebeu a reportagem de ÉPOCA em seu gabinete.“Se você viesse à tarde, não me encontraria porque eu gosto da zona rural. Ando por aí”, diz. “Ontem, se você viesse, não me encontrava. Peguei uma virose. Estava péssima.” Na aparência, Ena Vilma estava ótima. “Jura? Ah, deve ser o blushizinho.” Ela é uma senhora esguia e alta. Seus cabelos bem cuidados e a maquiagem combinam com os óculos Chanel e a bolsa Louis Vuitton.



Uma mesma empresa executa as quatro obras feitas na cidade com dinheiro federal

Responsável pela liberação de recursos para as obras, a Caixa Econômica Federal afirma que os projetos em Glória estão no início e vêm sendo pagos de acordo com o andamento das obras. O empreiteiro, no entanto, reclama. “Era um bom negócio e está ficando inviável”, diz José Moreira Pinto Netto, proprietário da Caaba Engenharia. Pelo menos a Caaba pode ter a esperança de ganhar com a escala. A empresa executa as quatro obras feitas na cidade com verbas federais. A Caaba venceu três licitações. O secretário de Obras, Francisco Alves de Araújo, diz que a TCLOC, empresa ganhadora da licitação da Praça da Juventude,“terceirizou ou fez uma parceria” com a Caaba.

Glória se prepara para um crescimento em ritmo chinês. No dia 7 de junho, a prefeitura contratou por R$ 205.965 a Evereste Consultoria e Marketing para elaborar o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano. “Precisamos saber para onde Glória vai crescer”, diz Ena Vilma. A Evereste pertence ao veterinário Antonio Almeida Júnior, aliado de Negromonte. Atual diretor de Desenvolvimento da Secretaria da Agricultura da Bahia, ele já ocupou cargos públicos por indicação de Negromonte.

Enquanto Glória progride, o Ministério das Cidades traz dissabores a Negromonte. Em oito meses de gestão, ele ainda não conseguiu nomear seus assessores. Seu ministério foi o mais afetado pelo corte de gastos, decidido no começo do ano pela presidente Dilma Rousseff. A falta de cargos e dinheiro causou problemas em seu partido, o PP, a ponto de desestabilizar o ministro.

A bancada do PP na Câmara é um desafio. Dos 41 deputados, 18 respondem ou já responderam a processos judiciais. O mais conhecido é Paulo Maluf (SP), acusado de desvio de recursos públicos e procurado pela Interpol por lavagem de dinheiro nos Estados Unidos. Outro caso que chama a atenção é Beto Mansur (SP), processado por exploração de trabalho escravo. Os pepistas estão em guerra. Uma ala, da qual fazem parte Maluf e Esperidião Amin (SC), se insurgiu contra a turma ligada a Negromonte. Eles conseguiram derrubar o líder Nelson Meurer (PR) para instalar Aguinaldo Ribeiro (PB). Escolhido líder, Ribeiro procurou Negromonte no ministério há duas semanas. Foi recebido pelo ministro, mas na sala do chefe de gabinete. O gabinete de Negromonte estava ocupado por outros quatro deputados do PP, que pressionavam um colega a não aderir à turma de Ribeiro. Em encontros semelhantes com outros deputados, teriam inclusive feito ofertas em dinheiro, segundo uma versão disseminada pelos adversários internos do ministro.

Quando os conflitos da bancada abalroaram o ministério, na semana passada, Montenegro mandou recados por meio de afirmações fortes. “Em briga de família, irmão mata irmão e morre todo mundo”, disse em entrevista ao jornal O Globo. “Imagine se começar a vazar o currículo de alguns deputados. Ou melhor, folha corrida.” No Palácio do Planalto, a entrevista foi considerada um desastre. Em Glória, ninguém vai reclamar.

Com Leandro Loyola