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sábado, 18 de fevereiro de 2012

TERRA SEM LEI



 Semanas antes da abertura dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007, o então presidente Luiz Inácio da Silva vestiu o uniforme do messianismo e anunciou, ao lado do fanfarrão Sérgio Cabral Filho (PMDB), que encerrado o evento esportivo a capital fluminense e seu entorno teriam o melhor e mais eficiente sistema de segurança pública do País. Uma bobagem descomunal, pois a Cidade Maravilhosa, assim como muitas importantes capitais brasileiras, continua refém da criminalidade.
Repetindo o que ocorreu com as muitas promessas feitas por Lula durante os oito anos em que esteve no poder central, a questão da segurança pública do Rio de Janeiro ultrapassou com folga os limites do bom senso, como crimes bárbaros ocorrendo horas antes da abertura da maior festa popular do planeta, o Carnaval.

Contrariando as profecias boquirrotas de Lula e do governador Cabaral Filho, um estuprador violentou uma menina de doze anos dentro de um ônibus que fazia o trajeto Glória-Leblon, na última quarta-feira (15).
Ao entrar no ônibus – que tinha, além do motorista, a cobradora e duas mulheres, além da vítima –, o acusado, segurando uma arma, exigiu que a menina sentasse na parte traseira do ônibus, violentou-a e mudou de lugar. Consumado o crime, o estuprador acariciou outra mulher, que reagiu com um grito. Em seguida, o suposto criminoso fugiu do coletivo e embarcou em outro ônibus no Jardim Botânico, rumo ao bairro de São Conrado.

Como essa ópera bufa em que se transformou o Rio de Janeiro não pode ser privilégio de Lula e Cabral, faz-se necessário trazer ao olho do furacão o prefeito Eduardo Paes, que por ocasião da escolha da capital fluminense como sede provisória da FIFA durante a Copa, disse que o Rio havia dado “uma chinelada na paulistada”. Não que a cidade de São Paulo seja a mais tranquila do mundo, mas estupros em ônibus e à luz do dia não acontecem.

Para a sorte de Sérgio Cabral Filho, o Congresso Nacional só volta a funcionar no próximo dia 28 de fevereiro, quando o estupro já terá caído na vala do esquecimento. Em qualquer país minimamente civilizado e responsável, o governador e o secretário de Segurança já teriam pedido demissão.
Muito estranhamente, os palacianos que tanto falaram em direitos humanos e criticaram a reintegração de posse de área conhecida como “Pinheirinho”, em São José dos Campos, no interior paulista, até agora não se manifestaram sobre o absurdo que é o estupro de uma jovem dentro de um ônibus. E isso dificilmente acontecerá, pois o PMDB, partido do governador Cabral Filho, é o principal pilar da base de sustentação do governo de Dilma Rousseff.

Com a palavra, os ministros Gilberto Carvalho, crítico ácido da ação no Pinheirinho, e Eleonora Menicucci, defensora contumaz do aborto

Fonte: Ucho.Info

domingo, 11 de julho de 2010

A "CONJUNÇÃO CARNAL" DO DELEGADO DE SC.

No dia 14 de maio, uma garota de 13 anos encontrou-se com um amigo num shopping de Florianópolis e foi ao seu apartamento, onde vive com a mãe e o padrasto. Ele tem 14 anos e é filho de Sérgio Sirotsky, diretor do Grupo RBS de comunicação em Santa Catarina. A empresa, pertencente à sua família, controla 46 emissoras de televisão e rádio e oito jornais diários no Sul do país.


O que aconteceu no apartamento do garoto, não se sabe com precisão, pois o inquérito policial e o processo correm em segredo de Justiça. Durante a investigação, quem devia preservar o sigilo permitiu que ele vazasse.

A jovem contou em seu depoimento que foi estuprada por um ou dois rapazes, ambos menores. Além do dono do apartamento, denunciou o filho de um delegado. Medicada num hospital, deu queixa à polícia e submeteu-se a um exame de corpo de delito. Nos últimos dez dias, o caso explodiu na internet.

A família Sirotsky publicou um comunicado informando a ocorrência do "lamentável episódio", lembrando que "confia integralmente nas autoridades policiais".

Para que se possa confiar mais nessas autoridades, o secretário de Segurança de Santa Catarina deve exonerar o delegado Nivaldo Rodrigues, diretor da Polícia Civil de Florianópolis. Numa entrevista gravada ele disse o seguinte:

"Eu não posso dizer que houve estupro. Houve conjunção carnal. Houve o ato. Agora, se foi consentido ou não, se foi na marra, ou não, eu não posso fazer esse comentário, porque eu não estava presente".

A declaração do delegado é uma repetição da protofonia das operetas que começam investigando casos de estupro e terminam desgraçando quem os denuncia. Noutra entrevista, com o inquérito concluído, o doutor informou que "o caso investigado é de estupro", mas ao especular (indevidamente) sobre a motivação do ocorrido informou: "Amizade, se encontraram, resolveram fazer uma festa. Se foi na marra, não sei."

Falta o delegado definir "marra". É crime manter relações sexuais com menores. Se isso fosse pouco, segundo a denúncia, podem ter sido dois os rapazes que usufruíram a "conjunção carnal". Se o delegado não podia dizer se o ato foi "consentido ou não", devia ter ficado calado. Afirmar que não pode opinar porque "eu não estava presente" beira o deboche.

Existe uma razoável literatura sobre estupros de grupo. Em geral, ocorrem quando a vítima está alcoolizada ou drogada, o que torna despicienda a questão do consentimento. Se o doutor Nivaldo sair virgem do episódio, os catarinenses perderão um pouco de sua segurança, triunfarão as teorias conspirativas sobre a impunidade do andar de cima e prevalecerá uma racionalização do crime: não há estupros, há mulheres que não sabem se comportar. (Exceção feita às mães dos defensores dessa doutrina, e que Santa Maria Goretti proteja suas filhas.)

Elio Gaspari