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domingo, 21 de julho de 2013

MAZELAS DA SAÚDE PÚBLICA

O Estado de S.Paulo
Há um dado que serve muito bem para demonstrar por que o Sistema Único de Saúde (SUS), cuja situação se torna cada dia mais precária, não tem condições para atender os milhões de brasileiros que a ele recorrem, e que passam horas ou mesmo dias em filas diante de hospitais ou centros de saúde. Segundo levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM), com base em dados do Ministério da Saúde, 42 mil leitos de internação do SUS foram desativados entre outubro de 2005 e junho de 2012.
Em números absolutos, os Estados mais populosos foram os mais afetados. Em São Paulo houve uma redução de 10.278 leitos e em Minas Gerais, de 5.177. E não é verdade, como se alega, que isso tenha sido compensado pela criação de novos leitos no Pará (723), Rondônia (622) ou Amazonas (360). O quadro só não é mais grave por causa do papel decisivo desempenhado pelas Santas Casas e hospitais filantrópicos.
A questão central é o subfinanciamento do SUS. Como as verbas alocadas à saúde são insuficientes, os serviços prestados por hospitais e postos médicos públicos são aqueles minimamente recomendados. O fornecimento de remédios gratuitos é limitado. O paciente deve, portanto, arcar com gastos adicionais, inclusive para exames clínicos mais abrangentes, se tiver meios para tanto. Os pacientes atendidos pelo SUS em hospitais privados têm tratamento algo melhor, mas o reembolso das despesas fica muito aquém dos custos, além de ser feito com atraso.
Os planos do governo nada mencionam sobre a falta de infraestrutura física, ou seja, de hospitais, casas de saúde ou, pelo menos, unidades capazes de funcionar também como prontos-socorros. Nada também sobre as condições de trabalho e remuneração dos profissionais da rede pública. Reportagem do Estado (14/7) mostrou que a reivindicação de muitos municípios, em diversas regiões do País, não é de mais médicos, mas de uma estrutura para atendimento local, de forma a evitar o deslocamento para os grandes centros em emergências. Em muitos casos, as prefeituras não dispõem nem de ambulâncias e o transporte de pacientes tem de ser feito por ônibus.
Em cidades menores, não existe nem o atendimento básico. O que diz a prefeita Daniela Brito, do município paulista de Monteiro Lobato (5 mil habitantes), mostra o descompasso entre os planos do governo e os anseios da população: "Não queremos hospitais nem médico estrangeiro. O que nós precisamos é de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e recursos para pagar melhor".
Quanto ao aumento proposto de 11 mil novas vagas nos cursos de Medicina, nada se falou sobre a qualificação dos futuros médicos. O anúncio dos planos do governo praticamente coincidiu com a divulgação de um documento de coordenadores de faculdades de Medicina, criadas nos últimos dez anos, em universidades federais, e que não dispõem de hospitais-escola. As residências são feitas em hospitais da região, às vezes localizados em cidades próximas à faculdade, sem preceptores capacitados.
No texto, encaminhado ao Ministério da Educação, os coordenadores afirmam que cursos médicos podem ser cancelados em 2014 ou simplesmente fechados por falta de condições adequadas de funcionamento, se o governo não tomar medidas urgentes para aperfeiçoar a formação dos profissionais. "Nas condições atuais", diz o documento, "só é possível a gestão dos cursos de medicina sem hospital por meio de práticas de gestão negligentes e irregulares, se não legalmente questionáveis". O documento considera inviável colocar em prática a proposta de aumento da oferta de vagas para graduação médica no País por aquelas faculdades, criadas nos últimos dez anos como forma de interiorização do ensino médico.
Os planos do governo, porém, não contemplam a construção de hospitais-escola nas novas faculdades federais localizadas em cidades do Centro-Sul, Nordeste e Norte. Implantar escolas de Medicina por decreto, sem lhes dar a infraestrutura indispensável, não pode dar certo.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

A SAÚDE POSSÍVEL PRESIDENTA, SEM DEMAGOGIAS

Acabei de ver a Presidente Dilma em mais um dos seus pronunciamentos, que tentam dar uma resposta à sociedade, não porque se preocupa com os anseios da população, mas por estar apavorada com a queda de popularidade e consequente risco à sua reeleição.

Depois da Constituinte exclusiva e do plebiscito sobre a reforma política, ambos pulverizados pela própria base governista e o TSE, mira agora na saúde e anuncia pomposamente o programa MAIS MÉDICOS, como se fosse o remédio para os males da saúde. Mais uma vez, pessimamente assessorada pelo Ministro Padilha, lança um programa que já nasce sem a menor possibilidade de florescer, até porque os problemas da saúde pública no Brasil não passa só pela falta de médicos e sim pelo total sucateamento dos hospitais públicos e da inexistência de um mínimo de condições para que médicos, enfermeiros e demais profissionais da saúde desenvolvam com dignidade o atendimento à população carente do país.

Obrigar os médicos a trabalharem dois anos exclusivamente no interior e áreas carentes, na Atenção Básica é de um desconhecimento total da realidade, explico porque: A Atenção Básica, entenda-se Estratégia de Saúde da Família é o modelo implantado no Brasil para o setor primário no atendimento ao cidadão, que funciona baseado em territórios demarcados onde o médico fica responsável por todos os agravos e riscos à saúde dos moradores do referido território. 

Isso inclui atendimento em pediatria, saúde da mulher, hipertensão e diabetes, saúde do homem, saúde dos idosos, tuberculose, hanseníase, doenças sexualmente transmissíveis, doenças regionais, enfim requer amplo conhecimento em Clinica Médica e experiência do profissional, isso sem falar no perfil necessário a esse tipo de programa. Reconhecimento dos fatores de risco que acometem a comunidade e ações na prevenção dos mesmos, isso é, agir para evitar que as pessoas adoeçam, não me parece tarefa a ser defendida por jovens médicos, recém saídos da faculdade.

Ademais, o programa exige uma carga horária de 08 horas diárias, e a maioria dos Municípios oferecem salários acima do propalado salário de 10 mil reais que o programa pretende pagar e não conseguem os profissionais, já que a carga horária exigida praticamente limita o médico a fazer um plantão de fim de semana se quiser melhorar sua remuneração, e não podemos deixar de considerar que esses ganhos estão sujeitos a tributação de 27% do Imposto de renda, mais o desconto para a previdência social.

Estamos aqui falando de pequenos Municípios do interior desse país, grande parte na região norte/nordeste, desprovidos de infra-estrutura necessária à prática de uma boa medicina, que no mínimo se exige um laboratório para exames de urgência tais como hemograma completo, dosagem de enzimas cardíacas, função renal e hepática, ex. de urina para  citar os mais comuns, uma sala de radiologia para  se diagnosticar pneumonias e fraturas, aparelhos de ultrassonografia e aparelhos de tomografia computadorizada ou ressonância magnética é um sonho inimaginável.

Então Presidenta, o buraco é muito mais embaixo do que os imaginados pelos seus açodados assessores, a saúde precisa de investimentos, os pequenos e distantes municípios precisam de pelo menos um hospital de pequeno porte, onde poderiam se internar pacientes com pneumonia, infecções do aparelho genito-urinário, quadros infecciosos e viroses, inclusive dengue, afecções cardíacas de menor gravidade, pacientes terminais que dependam de suporte para se evitar sofrimentos maiores. Pronto-socorro que funcione 24 horas para o atendimento dos casos de urgência e emergência com leitos de retaguarda, associados a um programa de Estratégia da Família bem feito seria um grande avanço.

Um hospital geral regional como referência para os pacientes mais graves e cirurgias  oriundos dos pequenos hospitais já seria um passo enorme na direção de um melhor atendimento à população. Hoje a internet possibilita inclusive comunicação entre médicos de diversas referência, inclusive já dispomos de eletrocardiograma com laudo à distância que proporciona um rápido e importante diagnóstico para doentes com distúrbios cardíacos diversos o que tem salvado muitas vidas e um suporte valioso para plantonistas de todo os serviços de urgência onde não se tem equipe cardiológica de plantão.

Prefeitos comprometidos com a saúde, que participem efetivamente com uma contra-partida correspondente, que não deixem faltar medicamentos essenciais à população, que se associem a Consórcios intermunicipais de saúde para se possibilitar exames como usg e tomografias completariam o que considero o mínimo necessário para que se dê condições de trabalho aos profissionais de saúde e dignidade aos que necessitam do serviço público.

É POSSÍVEL PRESIDENTA, DESDE QUE SE TENHA VONTADE POLÍTICA E NÃO ELEITOREIRA, CERTAMENTE DINHEIRO NÃO FALTA!!!

Dr. Marco Sobreira
37 anos dedicados exclusivamente à saúde pública.