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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

MINISTRO PADILHA APOIANDO O DONATO

O entusiasmo do ministro Padilha com Donato, o secretário defenestrado por causa da proximidade com fiscais da máfia

Façam aí uma cópia antes que tirem do ar. O que vai abaixo, como diria o rei da censura, é coisa mesmo de “amigo de fé, irmão, camarada”. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, pede entusiasmadamente votos para Antônio Donato, secretário de governo da gestão Haddad, na Prefeitura de São Paulo, demitido nesta terça-feira por conta da, como chamar?, proximidade com membros da máfia dos fiscais. Vejam. Volto em seguida.
Como se nota, não é apenas a recomendação de um “companheiro” de partido. Nada disso! O que se vê acima é entusiasmo mesmo, recomendação franca, de coração, de companheiros de longa data. Há engajamento pessoal. Padilha, que vai disputar o governo de São Paulo pelo PT, está dando o seu testemunho da honorabilidade do outro.
Como vocês leem em post na home, o fiscal Eduardo Barcellos também fez um acordo de delação premiada. Segundo disse em depoimento ao Ministério Público, entre dezembro de 2011 e setembro do ano passado, pagou R$ 20 mil mensais a Donato, em dinheiro vivo. A grana, afirmou, era entregue no gabinete no vereador. Barcellos diz que Ronilson também fazia repasses ao petista. Padilha certamente está entre os que não acreditam em nada disso.
Por Reinaldo Azevedo

sábado, 9 de novembro de 2013

HADDAD É RUIM DE DOER


Finalmente eu e Lula concordamos numa coisa: Haddad é muito ruim! Ex-presidente chama prefeito em seu instituto duas vezes para lhe dar pitos

Supercoxinha - Boopo
O “Rei do Camarote” fica para depois, talvez para este domingo. Vou falar um pouco do “Rei do IPTU”. Escrevi aqui alguns textos criticando a atuação do prefeito Fernando Haddad (PT), que tem se mostrado bastante desastrado. Sua equipe também não se entende. Se os repórteres que cobrem a política municipal apurarem bem os ouvidos, verão que Antônio Donato, secretário de governo, e Jilmar Tatto, dos Transportes, tocam músicas distintas. O prefeito meteu os pés pelas mãos no aumento do IPTU. A questão foi parar na Justiça. Lançou a estrepitosa operação caça-larápios — em si, necessária — como uma espécie de manobra diversionista. Nesta sexta, teve outra grande ideia: afirmou que a quadrilha pode ter fraudado também o IPTU. Vale dizer: o prefeito anuncia que há roubalheira na área, mas pretende impor um reajuste escorchante. Não é do ramo. Muito bem. Reportagem de Marina Dias e Márcio Falcão na Folha deste sábado informa que Lula se encontrou duas vezes com Haddad nesta semana para criticar a ação do prefeito.
O alcaide teve de ir ao instituto comandado pelo ex-presidente para levar os pitos. Os encontros aconteceram na segunda e nesta sexta. Um vexame. No PT, informou o jornal, discute-se uma espécie de “intervenção” na Prefeitura. O temor é que a gestão Haddad prejudique a campanha eleitoral de Alexandre Padilha ao governo de São Paulo. Há quem veja risco de que a própria Dilma acabe arranhada.
Da forma como Haddad detonou a operação para pegar os auditores fiscais corruptos, o principal atingido, obviamente, é Gilberto Kassab (PSD), que pretendia — pretende ainda? — se candidatar ao governo de São Paulo. Dá-se como certo que o PSD estará com Dilma no ano que vem. Mas a coisa não pode azedar muito. Eduardo Campos (PSB), ainda sem aliados, adoraria contar com um tempinho a mais de TV e é interlocutor do ex-prefeito.
O PT contava com Kassab como linha auxiliar de Padilha em São Paulo. O presidente do PSD, obviamente, não tem condições de vencer, e seu apoio pode — poderia? — ser importante num eventual segundo turno. Agora, a receita desandou. Hoje ao menos (e não parece que esse assunto vá morrer tão cedo), as circunstâncias são bastante adversas mesmo para se lançar nessa aventura eleitoral. A base principal do ex-prefeito é a capital. Deixou a gestão com a rejeição nas alturas, como é sabido. Com quase um ano de Haddad no poder, é bem possível que estivesse em curso um processo de recuperação da sua imagem. Se havia, foi para o brejo.
De volta a Lula
É evidente que Lula não está nada satisfeito com o resultado. Haddad lidera uma gestão impopular e ainda detonou uma bomba no quintal de um fidelíssimo aliado do governo federal, que tem — ou tinha — importância estratégica em São Paulo. Ainda que Kassab consiga fazer o cálculo vencer o rancor, há um problema: o eleitor.  Sabe que, nas ruas, nos táxis e nos ônibus, é a sua gestão que está na berlinda.
À Folha, declarou o deputado Carlos Zarattini (PT-SP): “Essa questão do IPTU tem pouco efeito eleitoral. Estamos longe das eleições, e Haddad vai conseguir explicar que esse aumento é para a parte mais rica”. Pois é… Sempre há um petista para tentar resolver tudo pelo arranca-rabo de classes. Lula já viveu o bastante para saber que as coisas não são bem assim. O diabo é diabo porque é velho, não porque é sábio. A indisposição de camada considerável da cidade que vai arcar com a elevação do IPTU pode, sim, contaminar setores que não serão diretamente atingidos pelo reajuste. Ora, tome-se o caso da tarifa dos ônibus: ganhou o coração mesmo dos que andam de carro. De resto, quem está sendo chamado de “rico” por Zarattini? Não é um caminho prudente.
Assim, os petralhas que ficaram inconformados com as críticas que fiz ao prefeito nos últimos dias devem agora enviar as suas reclamações a Lula. Eis um tema em que os dois concordamos: Haddad é ruim de doer.
Por Reinaldo Azevedo

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

EXONERAÇÃO É "ABSURDA", DIZ FISCAL QUE CITOU PETISTA


Paula Nagamati perdeu cargo de confiança após afirmar ao MPE que secretário de Haddad recebeu dinheiro de bando acusado de fraudes

Após acusar o secretário municipal de Governo, Antonio Donato, de receber dinheiro da quadrilha responsável por fraudar a arrecadação do Imposto sobre Serviços (ISS), Paula Sayuri Nagamati classificou de "absurda" sua demissão de um cargo de confiança na Prefeitura de São Paulo. Ao Ministério Público Estadual (MPE), ela disse que o bando financiou a campanha de Donato para vereador em 2008. Hoje, ele é o homem forte da gestão Fernando Haddad (PT).
Abordada ontem à tarde pelo Estado quando chegava de carro em sua casa em Moema, zona sul da capital, Paula não quis se estender no assunto. De dentro do veículo, a ex-chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Finanças na gestão Gilberto Kassab (PSD) afirmou: "O que eu tinha para dizer foi dito ao Ministério Público. É o que eles estão dizendo".
Anteontem, a coluna Direto da Fonte revelou o teor do depoimento de Paula ao MPE no dias de outubro. Aos promotores, a auditora fiscal disse ter ouvido do ex-subsecretário da Receita Ronilson Bezerra Rodrigues, apontado como líder da quadrilha que teria desfalcado a Prefeitura em até R$ 500 milhões, que o grupo "apoiou a campanha" de Donato com "dinheiro fruto da fiscalização". O secretário nega.
A exoneração de Paula do cargo de supervisora técnica da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social foi publicada no Diário Oficial da Cidade de ontem, em portaria assinada por Donato. A pasta é comandada pela secretária Luciana Temer, filha do vice-presidente Michel Temer (PMDB).
Perfil. Descrita como elegante e discreta pelos vizinhos, a auditora era subordinada a Rodrigues. Em 2012, o ex-secretário de Finanças Mauro Ricardo recebeu uma denúncia anônima sobre o esquema de sonegação de ISS mediante pagamento de propina a fiscais, mas mandou arquivar por falta de provas.
A relação de Paula com Rodrigues e Ricardo, que foi secretário estadual da Fazenda no governo do tucano José Serra (2007-2010), foi usada por Haddad para desqualificar a acusação. O prefeito chegou a dizer que a auditora é uma das investigadas, mas o MPE a ouviu apenas como testemunha.
Ontem, Haddad justificou a exoneração de Paula, terceiro servidor que perde cargo em comissão da Prefeitura após a revelação do esquema. Os outros foram Fábio Camargo Remesso e Moacir Fernando Reis. Os quatro auditores apontados como membros da quadrilha ainda não perderam seus cargos. Três continuam presos.

"Se o secretário está desconfortável com a situação, em função da proximidade dela (Paula, com os acusados), dos conhecimentos que ela tem sobre o assunto, mesmo que não tenha envolvimento direto, o fato de não ter informado antes isso (a fraude no ISS) faz com que a pessoa se retraia, é natural", disse Haddad.
Segundo ele, Paula "poderia ter evitado muitos transtornos à Prefeitura se tivesse contado o que sabia antes". Haddad disse que "todas as pessoas muito próximas do grupo estão perdendo cargo de chefia". Ele defendeu Donato e afirmou que outros servidores devem ser exonerados por causa do escândalo do ISS. / ARTUR ROBRiGUES, BRUNO RiBEIRO, DIEGO ZANONETTA e FÁBiO LEITE 

TRÊS PERGUNTAS PARA...
Mário Vinícius SpineUi, controlador-geral do Município
1- Como começou a se desenhar para o senhor que existia uma quadrilha?
Quando fui convidado pelo prefeito Fernando Haddad para assumir a Controladoria-Geral do Município, ele disse que eu teria carta branca para combater a corrupção. Passamos então a analisar o patrimônio dos servidores e a verificar incompatibilidade.
2- Como vai funcionar a denúncia da Prefeitura a autoridades americanas?
Primeiro precisamos entender se as construtoras foram vítimas ou corruptoras. Se for comprovado que elas pagaram para obter benefício, vamos notificar as autoridades de países onde essas empresa atuam, porque é necessário que haja esse pacto global de combate à corrupção.
3- O senhor acredita que esse dinheiro voltará para os cofres municipais?
Se as empresas não comprovarem o pagamento do que deviam, terão de recolher os impostos. Também queremos que o dinheiro decorrente dos bens que estão com os servidores volte para os cofres.
Fonte: O Estado de São Paulo

sábado, 3 de dezembro de 2011

SERRA VOLTA AO JOGO

Tucanos e democratas que conversaram com José Serra nos últimos dias dizem que ele não rejeita mais a possibilidade de se candidatar a prefeito de São Paulo no ano que vem.

O governador do Estado, Geraldo Alckmin, avalia que Serra aceitará concorrer em outubro de 2012. Essa é a principal razão para Alckmin jogar pelo adiamento de uma decisão do PSDB paulistano. Na visão do governador, o partido não tem hoje outro postulante com chance de vitória.
Desde a derrota presidencial no ano passado, Serra alimenta o desejo de concorrer pela terceira vez ao Palácio do Planalto. Ele foi o candidato tucano em 2002 e 2010. Mas o PSDB nacional está cada vez mais fechado com o projeto de lançar o senador mineiro Aécio Neves em 2014.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acredita que a vez é de Aécio. Muitos outros caciques do tucanato paulista passaram a pensar o mesmo. Até aliados do governador paulista dizem que o caminho natural de Alckmin é a reeleição.

Trocando em miúdos: a pista presidencial no PSDB está interditada para Serra.
Nesse cenário, perde força o argumento de aliados de Serra de que a candidatura a prefeito o tiraria da corrida pelo Palácio do Planalto. Na prática, ele está fora desse páreo.

Na opinião de serristas mais aguerridos, se o ex-governador optar pela prefeitura paulistana, dará o passo definitivo para encerrar a carreira. Mas, como Aécio é o virtual candidato a presidente, ficar sem mandato seria um fim a carreira pior ainda.

Um terceiro argumento tem sido apresentado a Serra: se não concorrer em 2012, será grande a chance de eleição do atual pré-candidato do PT a prefeito, o ministro da Educação, Fernando Haddad.
Na oposição, Serra tem sida a voz mais dura contra o governo Dilma e o PT. Enfrentar Haddad permitiria continuar nesse nicho. Mais: o ex-governador teria o apoio de Alckmin, do PSDB, do DEM e do PSD do prefeito Gilberto Kassab. Formaria uma aliança forte, com gás para tentar impedir o avanço petista na maior cidade do país.

Por último, pesaria o imponderável. Faltam três anos para a próxima disputa presidencial. É tempo suficiente para reviravoltas. Uma raposa tucana diz que a fortuna sorriria mais facilmente para um prefeito de São Paulo do que para alguém entrincheirado num blog.

*
OBSTÁCULOS

No Palácio dos Bandeirantes, gente importante faz a seguinte avaliação: será um erro desprezar Haddad. Com taxa de rejeição na faixa dos 10%, o ministro da Educação terá o apoio de um ex-presidente popular e de uma presidente bem avaliada nas pesquisas.

A candidatura de Serra teria de responder com eficácia à crítica de que ele poderia usar novamente a Prefeitura de São Paulo como trampolim. Eleito em 2004, Serra deixou a prefeitura em 2006 para concorrer ao governo de São Paulo. Em 2010, saiu do Palácio dos Bandeirantes para disputar contra Dilma. A rejeição no patamar dos 30% será outro desafio do tucano.

Kennedy Alencar - Folha de São Paulo