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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

EM FRANCO DA ROCHA (SP) VEREADOR DO PT MATA COLEGA DO PV.

O vereador de Franco da Rocha, Rodrigo da Cruz França (PV), foi morto por seu colega Leozildo Aristaque Barros (PT) na tarde desta sexta-feira, 5. Segundo a Polícia Militar, os dois se desentenderam e Leozildo acabou dando um tiro em seu colega, que não resistiu aos ferimentos. Outras duas pessoas ficaram feridas. As vítimas foram encaminhadas ao Hospital Regional de Cajamar, mas não correm risco de vida.

 

Célio Campos/Divulgação
Célio Campos/Divulgação
Vereador Rodrigo da Cruz França (PV)

De acordo com a assessoria de imprensa da Câmara de Franco da Rocha, os vereadores participavam de uma romaria que acontece há 68 anos de Franco da Rocha até Pirapora do Bom Jesus. A comitiva parou em Cajamar para fazer uma pausa, e a briga aconteceu após o almoço. A PM foi acionada por volta das 15h. Rodrigo da Cruz França estava em seu terceiro mandato na Câmara.

O caso será investigado pela delegacia seccional de Franco da Rocha. Por volta das 17h30, as equipes da polícia estavam no local do crime para averiguar a situação. Leozildo fugiu após o disparo e ainda não havia sido localizado no final da tarde. A assessoria de imprensa da Câmara informou que um dos assessores de Rodrigo França foi preso, mas não soube informar o motivo, apenas que ele estava com o carro do vereador. A assessoria de imprensa do PT ainda não se manifestou sobre o caso.

Caso a responsabilidade de Leozildo pelo crime seja confirmada na investigação policial, ele poderá perder seu mandato.

O corpo de Rodrigo França deverá ser velado na Câmara. Às 17h45, o hospital de Cajamar informou que o corpo já havia sido liberado e seria levado para a cidade do parlamentar.

Fonte: O Estadão

sexta-feira, 13 de maio de 2011

ZONA DE RISCO.

Os líderes do governo, do PT e do PMDB na Câmara, deputados Cândido Vaccarezza, Henrique Eduardo Alves e Paulo Teixeira, oficializaram no início da madrugada de ontem sua condição de meninos de recados do Palácio do Planalto.


Ignorando a autonomia dos mandatos, os mandamentos do Congresso e o preceito da respeitabilidade pessoal, os três mudaram de posição em pleno encaminhamento de votação do novo Código Florestal e passaram a defender o descumprimento de acordo assinado horas antes.

Por quê? Porque o governo mandou, diante da possibilidade real de vitória do destaque da oposição que retirava do texto a prerrogativa de o Executivo comandar o setor agrícola por decreto.

Não foi um recuo qualquer. O processo de votação havia sido iniciado com o exame de requerimento do PSOL e do PV pedindo a retirada do projeto de pauta.

Todos os líderes partidários, à exceção dos signatários, orientaram suas bancadas a votar "não" porque havia sido feito um acordo no gabinete do presidente da Câmara para que a votação ocorresse naquela noite.

Bastou um telefonema de Antonio Palocci, da Casa Civil, para que com a mesma cara lisa de quem antes defendera o acordo, o líder do governo, Cândido Vaccarezza, voltasse à tribuna para denunciar o acordo. Alegou a existência de pontos obscuros e passou a orientar as bancadas a - como as manadas - caminhar no rumo oposto e votar "sim" ao adiamento.

Não havia nada de obscuro, apenas o governo percebeu que perderia no voto e resolveu desrespeitar a maioria.

Constrangidos e enredados na falta de argumentos, Henrique Alves e Paulo Teixeira também foram à tribuna contar a mesma mentira a respeito da obscuridade dos termos do acordo, impassíveis diante da exibição do documento que haviam assinado. Manobra tosca.

Diante do que aconteceu no plenário da Câmara dos Deputados em matérias de conduta parlamentar, francamente, a votação do Código Florestal chega a ser o de menos.

A não ser pela revelação do real objetivo do governo: assegurar e ampliar seu poder de mando absoluto sobre vida e obra dos agricultores brasileiros.

É óbvia a vontade da maioria de aprovar o texto resultante do acordo entre lideranças a partir do parecer do relator, Aldo Rebelo. Portanto, mais cedo ou mais tarde essa questão estará resolvida. Da pior ou da melhor maneira.

O que restou daquela sessão, porém, não se revolve facilmente: o fato de que a República no Brasil está capenga. Há o Poder Judiciário na vanguarda, há o poder discricionário do Executivo, mas não há Legislativo.

Uma coisa é a articulação de maioria, outra bem diferente é a imposição da hegemonia de poder ao custo do equilíbrio entre os Poderes. Institucionalmente imperfeito e entrando numa área de risco, passa da hora de o Brasil dar a devida atenção a isso.

Chumbo trocado. Com semblante de santa, a ex-senadora Marina Silva, postou-se ao fundo do plenário da Câmara para viver uma noite incomum. Acostumada a homenagens, Marina ouviu o deputado Aldo Rebelo acusar seu marido, Fábio Vaz de Lima, de contrabandista de madeira.

Rebelo reagia à acusação que havia recebido pouco antes da ex-senadora via twitter, de ter alterado o texto do acordo depois de sacramentado.

"Fraudador é o marido dela, contrabandista de madeira", bradou o deputado ao microfone do plenário, acrescentando, sem medir as consequências da confissão, que quando era líder do governo evitou pessoalmente a convocação ao Congresso de Vaz de Lima para falar do assunto.

Essas brigas servem para o público ficar sabendo que na política pode haver de tudo, menos vestais e querubins.

O líder do PV, Alfredo Sirkis, chamou Rebelo de "canalha traidor", outro deputado verde pediu que se retratasse, mas como Marina Silva também não retirou a acusação de fraude feita pelo relator, virou uma conta de soma zero.

Marina, por ter tido o marido envolvido em algo que carecia de esclarecimento exatamente na área de militância dela, e Rebelo, por ter interferido em prol do acobertamento.

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo


sábado, 23 de outubro de 2010

VERMELHO, AZUL E VERDE.

Eduardo Jorge Alves Sobrinho

Folha de São Paulo


A bem sucedida campanha no 1º turno de Marina Silva do PV, recebeu um apoio extraordinário. Isto significa responsabilidade extraordinária.

Tendo respeitado todo o processo de decisão do PV quero explicar por que fui um dos solitários votos na Plenária de 17/10, que discordou da posição da quase totalidade dos delegados pelo não posicionamento no 2º turno das eleições presidenciais.

Preliminarmente para limpar a discussão vamos afastar duas posições muito prejudiciais aos hábitos políticos nacionais. De um lado a visão messiânica de que existe uma única opção capaz de “salvar“ o país e que ela não pode se comprometer com qualquer outra força política, todas elas “sujas” e “corruptas”. De outro lado o crônico fisiologismo de alguns políticos brasileiros que tudo que querem são os cargos que possam conseguir nos governos. Quaisquer governos!

Superando estas armadilhas chega-se nas opções que a direção do PV cogitou quando preparou uma plataforma oferecida aos dois candidatos que passaram para o 2º turno. São elas a independência, o apoio a candidata do PT e o apoio ao candidato do PSDB.

É preciso ter em conta a novidade que é a proposta do PV surgida no último quarto do século XX. Ela não é de direita, nem de esquerda. Ela não é capitalista ou socialista. Na verdade ela vem para reformar tanto o capitalismo quanto o socialismo, irmãos siameses no desprezo aos cuidados com o meio ambiente e que por isso chegaram ao século XXI criando a crise do aquecimento global que ameaça a civilização humana no planeta. Este é hoje o maior problema ambiental, social e econômico em todos os países, o Brasil incluído.

É preciso ter em conta que os dois partidos que disputam o 2º turno pertencem a uma mesma matriz, a social democrata, que é típica criação do século XIX e XX que procura equilibrar o social e o econômico e não leva em consideração meio ambiente.

Vejamos primeiro a comparação entre a opção independência e as opções candidata PT/candidato PSDB. Todas estas possibilidades poderiam ser em tese igualmente idealistas, programáticas e pragmáticas se bem conduzidas e justificadas. Não existe uma superioridade ética entre independência e as outras. Apenas a independência significa um calculo político que aposta num futuro mais ou menos remoto, onde a alternativa verde, continuando sua ascensão, se tornaria hegemônica na sociedade e poderia impor com mais força suas teses inovadoras. É uma hipótese. Pode se verificar ou não.

Escolher a indicação no 2º turno de candidato A ou B significa uma postura de dar total conseqüência ao objetivo desta fase da eleição que é aprofundar o debate e dar mais legitimidade ao governo escolhido. Significa escolher não adiar nossa influência no dia a dia do povo e dos problemas ambientais para um distante 2014 e sim exercê-la hoje.

Antes que os apressadinhos me critiquem, escolher a indicação de voto no candidato A ou B não significa que o PV está aceitando participar do futuro governo eleito, por exemplo, com a Marina a frente de um Ministério de Educação ou um Gabeira a frente do Ministério do Meio Ambiente. Não. Isto poderia até ocorrer como também poderíamos preferir ser uma força de oposição autônoma mesmo se nosso indicado no 2º turno fosse vitorioso.

Isto é uma discussão para um momento posterior.

O importante é esta disposição para interferir com todas nossas forças nos rumos do Brasil hoje e agora.

Vejamos então qual deveria ser, em minha opinião, os parâmetros de escolha entre os candidatos A ou B.

Vamos comparar.

Resposta a nossa plataforma. Empate.

“Más companhias políticas”. Empate. Vou poupá-los dos exemplos.

No constrangedor campeonato para quem se passa por mais cristão. Empate. E vamos deixar Cristo fora disto, pois ele é totalmente inocente neste teatro.

Economia. Empate. O Governo Lula é a continuação do Governo FHC.

Social. Empate. Tanto o PT quanto o PSDB tem bons exemplos para apresentar e certamente darão continuidade e melhorarão o que vem sendo feito por governos federal, estaduais e municipais.

Meio Ambiente. O PSDB é melhor. As leis municipal e estadual de São Paulo sobre o aquecimento global são muito avançadas e o PT nesta questão essencial reluta em superar a sua visão antiga e reacionária.

Finalmente o item democracia do Brasil. A alternância de poder neste momento é altamente benéfica para o país. O PT precisa voltar a ser oposição por um período. A cada eleição vem se reforçando suas tendências a confundir o espaço estatal com interesses específicos, privados, coorporativos de grupos, filiados e afilhados. Movimentos sociais e sindicais são domesticados ou comprados e empresas estatais são loteadas para benefícios políticos e privados dos que apóiam o governo.

Pior, existem, dentro do PT pulsões autoritárias que se negam a aceitar o batismo da democracia que não hesitarão em esmagar qualquer força que no horizonte ameace sua hegemonia ideológica atual. O PV, por exemplo, será a vítima preferencial. Quem viver verá. O fantasma da volta do “lider máximo” em 2014 dará um poder desmedido a estas forças política dentro do PT. Um período de oposição fará bem ao PT e ao Brasil.

O momento é decisivo e vai impactar por um bom período a vida dos brasileiros. Assim no segundo turno o apoio ao candidato José Serra é uma escolha que leva em conta a emergência ambiental e principalmente a consolidação democrática do Brasil.