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quinta-feira, 22 de março de 2012

HACKERS INVADEM URNAS ELETRÔNICAS E PROVAM QUE SÃO VULNERÁVEIS



Castelo de areia – Há ao redor do planeta um sem fim de pessoas elogiando as urnas eletrônicas utilizadas nas eleições brasileiras, mas essa festejada excelência pode desmoronar. Tudo porque professores e estudantes da Universidade de Brasília (UnB) conseguiram violar o sistema das urnas usadas pela Justiça Eleitoral. O fato ocorreu durante de testes públicos feitos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta semana, em parceria com profissionais e estudantes da área de tecnologia da informação.

Durante a simulação, o grupo da UnB conseguiu descobrir quais foram os candidatos votados em determinada urna, mas não identificaram os autores dos votos, ou seja, o sigilo do voto não foi quebrado. De acordo com o TSE, os nove grupos que participaram dos testes receberam o código-fonte utilizado nas urnas eletrônicas, dado que facilitou a atuação dos “hackers” durante o teste, mas que não é liberado para o público em geral.

O presidente do TSE, ministro Ricardo Lewandowski, declarou nesta quinta-feira (22) que os eleitores devem ficar tranquilos em relação ao sistema, considerado confiável. “O objetivo do teste é esse mesmo, ver como aprimorar o sistema. Em uma situação real, seria impossível violá-lo sem o código-fonte”.

De acordo com o secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Giuseppe Dutra Janino, o resultado do teste já era esperado e foi uma “contribuição extremamente positiva”. A secretaria informou que o resultado será usado como base para o aperfeiçoamento do sistema eletrônico de votação.

Professor da UnB, Diego Freitas Aranha afirmou em entrevista que conseguiu quebrar o embaralhamento dos votos registrados nas urnas eletrônicas. Aranha disse que durante os testes foi possível montar a sequência dos votos dados por 485 eleitores. Isso significa que o sigilo do voto eletrônico fica comprometido, podendo ser quebrado por quem anotar a ordem dos eleitores.

A alegação de que as urnas eletrônicas são confiáveis é temerária, pois o correto seria o eleitor ter o seu voto impresso, algo que o TSE insiste em descartar. Há em São Paulo casos em que candidatos não conseguiram encontrar os próprios votos nas respectivas seções eleitorais. Há anos, durante o período de campanha, alguns candidatos foram procurados por estrangeiros especialistas em burlar as urnas eletrônicas utilizadas pelo TSE. Dois desses candidatos conversaram com o ucho.info sob a condição do anonimato e detalharam o que lhes foi oferecido. E se alguma palavra pode traduzir a operação, impressionante é a mais adequada.

Fonte: Ucho.Info

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

DEVE A URNA ELETRÔNICA USAR SOFTWARE LIVRE?

O código-fonte do sistema usado na UE não é propriedade do egrégio Tribunal, e portanto não pode ser livremente divulgado para a sociedade


Quero responder de imediato: sim!

Confesso que não sei se a comunidade do software livre já se perguntou sobre o sistema adotado nas urnas eletrônicas (UE) brasileiras. Gostaria de lembrar um ponto crucial: esse sistema não é um software de código aberto e para justificar isso a autoridade responsável — o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — lançou mão de argumentos já conhecidos por sua inconsistência. Na Resolução 20.714/00 do TSE são dois os motivos apresentados: 1) propriedade intelectual, o código-fonte do sistema usado na UE não é propriedade do egrégio Tribunal, e portanto não pode ser livremente divulgado para a sociedade e, em especial, para a auditoria dos partidos; 2) segurança, isto é, não se pode mostrar o código-fonte desse software, pois assim supostamente as pessoas não-autorizadas conheceriam os segredos e minúcias do sistema, e seria possível fraudá-lo facilmente.

Esse tipo de procedimento e crença, francamente ingênuos, é chamado em geral de "segurança por obscurantismo". Trata-se da crença em que criptografia proprietária, código-fonte fechado e sistemas operacionais igualmente fechados e proprietários garantem por si sós que um sistema digital seja mais seguro diante das tentativas de fraude e invasão. Isso não é um fato, e já tive a oportunidade, em outro artigo da Revista do Linux, de tentar debater essas falsas suposições. O "obscurantismo" pode até ser útil, não quando aplicado a um produto, mas sim na maneira como usamos um produto: aí devemos ocultar nossa topologia de rede, nosso roteador, as versões de nossos daemons etc. Também não se devem ter ilusões quanto a esse "obscurantismo no uso", ajuda sim, mas nada além disso...

Segurança

Sem dúvida, a Internet tem problemas de segurança, buracos no TCP/IP têm sido divulgados até pela imprensa não-especializada, mas não é algo inviável, longe disso. Ela é um fato social incontornável em nossos dias... Imaginem então se conhecer o código-fonte do servidor Web mais usado no planeta, o Apache, significasse uma catástrofe. Mas isso não ocorre. Certamente qualquer hacker pode ter acesso ao código do Apache, e também toda a comunidade interessada pode ter conhecimento, e estou falando de milhões de pessoas. Um bug pode passar desapercebido para um grupo de 10 técnicos muito competentes, mas não passará para uma comunidade formada por milhões de pessoas. Por isso o servidor Web chamado IIS da Microsoft, obviamente fechado e proprietário, é de certa forma um fracasso, mas o Apache não.

Vale a pena repetir: ter o seu código aberto não torna um software vulnerável, ou ainda: pôr o código-fonte de um software num cofre no Pólo Norte não o faz mais seguro — a vulnerabilidade de um sistema está assentada num conjunto de variáveis.

O posicionamento oficial do TSE sobre esse pormenor está na Decisão para o Mandado de Segurança nº 2.914, no qual o Tribunal assevera a restrição ao código do sistema.

Se o TSE assim procede é porque:

"(...) demonstra uma preocupação com a própria segurança, pois é fato que se menos pessoas tiverem acesso a tais informações, menor a possibilidade de risco à segurança das eleições."

Em artigo no jornal Estado de Minas (21/4/2001), Evandro Oliveira, auditor da Prodabel (BH), qualificou com correção e certa dose de ironia as "máquinas de votar" brasileiras de "sistemas eleitorais obscurantistas". Já que os princípios que as regem são claramente a "segurança por obscurantismo".

O leitor que desejar aprofundar esse tema deve procurar os relatórios técnicos dos engenheiros Amilcar Brunazo e Márcio C. Teixeira, que fizeram a devida avaliação técnica do sistema eleitoral brasileiro para o Senado, conforme rígidos critérios de segurança, bem documentados e bastante atualizados. Todo esse material está disponível para consulta e download no portal Página do Voto Eletrônico.

Código aberto e UE

Amilcar Brunazo é agora o responsável (foi nomeado pelo Presidente da Subcomissão do Voto Eletrônico, Senador Roberto Requião) por organizar e assessorar um seminário técnico e sugestões para a UE, e assim enriquecer a futura votação do Projeto de Lei do Senado 194/99, que cria condições para a auditoria nas UEs brasileiras. Brunazo viu aí uma boa oportunidade para divulgar a importância do software de livre distribuição e defender que um SO com código aberto poderia ser usado na confecção do sistema eleitoral brasileiro. Contatou-me e pediu que eu elaborasse uma proposta com essa diretriz.

Essa proposta insere-se numa luta maior para a implementação do software livre em toda a administração pública. O uso do kernel dos sistemas GNU/Linux seria feito por custo zero no Brasil — visto que é distribuído sob licença GNU (a GNU Public License) — e seria tecnologicamente superior ao VirtuOS, sistema usado na UE. O novo sistema seria pago por máquina instalada, como faz qualquer outra licença proprietária.

O Linux tem as características fundamentais que se esperam de um sistema operacional, e também para ser aplicado a um sistema de uso específico, como o da UE. Todos sabemos que é um sistema de código aberto, por isso tem a maleabilidade necessária de ser adaptável a diferentes cenários.

Por último, mas não menos importante, ele não é propriedade de uma única empresa, pertence a toda a comunidade, o que facilitaria os processos de auditoria pelos partidos políticos.

O kernel do Linux é pequeno e cabe num disquete, se forem necessários algumas outras funções e programas, um ou dois disquetes podem fazê-lo. Diferentes projetos nasceram nesse sentido. Por exemplo, o importante Linux Router Project (LRP) compõe o kernel num disquete de 1.44 Mb, uma minidistribuição voltada para as funções típicas de rede, como um roteador ou um terminal-servidor. Já vi administradores segurar uma rede inteira apenas num boot pelo disquete... Após o boot os arquivos essenciais são carregados num disco de RAM, que é montado como root, e todo o sistema roda de maneira estável a partir desse disco de RAM. É importante notar, também, que só o kernel Linux tem acesso completo ao hardware, o que lhe confere estabilidade e segurança. Qualquer peça de software maliciosa para ter acesso às áreas sensíveis do sistema precisará ascender a este estado ou modo privilegiado.

O LRP pode usar ainda outros tipos de disco lado a lado com o disquete, tais como LS-120, o ZipDisk da Iomega e flash disks ou flash cards. Cabe lembrar que o último edital de concorrência do TSE (1999) estruturou o sistema eleitoral em flash cards, onde estão o sistema operacional e outros dados, e em unidades de disquetes, onde são armazenadas as informações coletadas durante a votação. Por outro lado, faço aqui referência ao LRP apenas como exemplo de um projeto bem-sucedido no Brasil e no mundo, não sugerindo sua simples "transferência" para o sistema operacional da UE! O que não faria sentido. No entanto, é bom lembrar que o kernel Linux roda em máquinas com poucos requisitos, e mesmo com pouco espaço de disco, e o faz com incrível eficiência. Quanto aos discos flash, já encontramos no mercado — sem pesquisa exaustiva, não sou especialista no assunto — soluções para Linux de empresas conhecidas como M-Systems ou Datalight.

Outro dado relevante são as características intrínsecas ao sistema GNU/Linux. Trata-se de um sistema multiusuário, uma vez que é originalmente um sistema de rede e para redes. Isso permite que áreas da memória e do disco sejam protegidas de gravação indevida: todos sabemos que sob Linux determinadas áreas só podem ser alteradas pelo superusuário. Isso é fundamental numa máquina de votar. O Linux é sabidamente um SO com ótimo histórico no quesito "segurança". Não é resposta definitiva e pronta, nunca vai fazer milagres. Sobretudo porque um sistema eleitoral tem suas especificidades: segundo as palavras de Brunazo — é um "sistema de alto risco de fraude". Assim, será preciso adaptá-lo a essa nova aplicabilidade. Creio que tem todos os pré-requisitos para ter sucesso e para a montagem de uma política de segurança sólida e confiável, desejadas numa máquina de votar.

Quero tocar num ponto ainda. O Edital citado exige no seu módulo de segurança um criptossistema — o que é bastante previsível. Foi dito que o software usado na UE não podia ser revelado por razões de copyright. O mesmo se passa com a biblioteca criptográfica usada. O Linux possui uma gama de aplicativos distribuídos sob Licença GNU para diversos intentos, e mundialmente usados e consagrados. Não poderia ser diferente na criptografia. O GNUPG (GNU Privacy Guard) e a biblioteca GPGME (GNUPG Made Easy), atualmente em pleno desenvolvimento, são programas que podem dar o suporte necessário a um criptossistema, elemento indispensável numa UE. A qualidade desses produtos levou o Ministério da Economia e Tecnologia alemão (BMWi) a decisivamente patrocinar o projeto. Portanto, o GNUPG é uma ferramenta de criptografia de chave-pública, desenvolvida sem algoritmos patenteados, suporta diferentes algoritmos e funções hash. Paralelamente desenvolve-se o GPGME (GPGME), uma biblioteca que torna mais fácil aos aplicativos usar as funções do GNUPG. É uma API criptográfica de alto nível e que provê suporte a encriptação, assinatura digital, verificação de assinatura e gerenciamento de chaves.

Fonte: Revista do Linux. http://bit.ly/e31uFF

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

VOCÊ ACHA AS URNAS ELETRÔNICAS SEGURAS? VEJA ISSO.

Perito quebra sigilo e descobre voto de eleitores em urna eletrônica do Brasil


Especialista ganha prêmio do TSE por registrar interferência da urna sobre rádio, o que permitiria romper segredo por meio de receptores baratos.

Durante os testes promovidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para testar a segurança da urna eletrônica a ser usada nas eleições de 2010, um perito teve sucesso em quebrar o sigilo eleitoral e descobrir, por meio de radiofrequência, o candidato escolhido pelo eleitor.

O consultor Sérgio Freitas da Silva compôs o grupo de 32 especialistas convocados pelo TSE e compareceu à sede do órgão na terça-feira (10/11), primeiro dia dos testes, com a estratégia de detectar a interferência eletromagnética que a urna exerce sobre as ondas de rádio.

“Fiz meu experimento em 29 minutos e obtive sucesso no escopo que estava proposto: rastrear a interferência e gravar arquivos para comprovar a materialidade do fenômeno”, que sintonizam ondas longas e curtas e estações em AM e FM.

Segundo Sérgio, o equipamento usado é encontrado em rádios convencionais vendidos nas lojas, “destes que custam 10 reais”. A técnica acabou dando a Sérgio a primeira posição no concurso de melhorias para urna promovido pelo TSE, o que lhe rendeu prêmio de cinco mil reais.

“Enquanto eu digitava na urna, rastreava através do rádio pra ver se detectava alguma interferência. Consegui rastrear a interferência que isto provocava na onda, gravando um arquivo WAV com estes sons”, explica.

Sérgio explica que após gravar os ruídos que os botões da urna eletrônica exercem sobre a onda é possível decodificar os sons, o que levaria à descoberta dos candidatos escolhidos pelo eleitor, quebrando seu sigilo.

“É como se o teclado da urna eletrônica se transformasse em um teclado musical, conseguindo rastrear a tonalidade da interferência neste arquivo WAV que gravei”, compara.

A técnica descrita por Sérgio é chamada de Van Eck Phreaking, segundo o especialista em segurança Marco Canut, que confirma a possibilidade de quebra do sigilo eleitor caso o método seja aplicado à urna eletrônica brasileira.

Canut é diretor geral da Tempest, consultoria de segurança contratada tanto pela iniciativa privada como pelo Governo para realizar testes de segurança em sistemas computacionais, mesmo intuito do TSE ao convocar os 32 especialistas que atacariam a urna eletrônica.

“Todo computador é uma pequena estação de rádio, emitindo ondas eletromagnéticas”, explica Canut. Enquanto os humanos notam como um chiado, a interferência pode ser “entendida” por máquinas, demonstrando qual a tecla escolhida pelo eleitor.

No experimento realizado no TSE, o perito precisava estar a até 20 centímetros da urna para que sua interferência fosse sentida no receptor do rádio.

É o próprio Sérgio, porém, quem esclarece que o uso de antenas mais potentes podem fazer com que a captação seja feita a até dezenas de metros da urna, como demonstraram os pesquisadores Martin Vaugnoux e Sylvain Pasini.

No experimento, gravado em vídeo no Vimeo, o apertar de botões em teclados convencionais poderiam ser interceptados e decifrados a até 20 metros de distância de onde a suposta vítima usava seu computador.

Se aplicássemos o modelo para seções eleitorais brasileiras, a distância seria suficiente não apenas para eleitores ou acompanhantes longe das salas onde as urnas estão, mas também para imóveis vizinhos aos prédios onde acontecem as votações.

Sérgio explica que seriam necessárias antenas mais potentes que melhorem a recepção do sinal no sistema. A estratégia quebra o sigilo do eleitor, não podendo ser aplicada para alterar os resultados de votações.

Durante a Guerra Fria, o exército dos Estados Unidos descreveu os perigos da interceptação de ondas eletromagnéticas em documentos conhecidos como Tempest, nome que acabou se tornando o apelido da técnica, explica Canut.

Desde então, as instalações militares norte-americanas usam técnicas que as blindam do vazamento eletromagnético. O especialista não vê a blindagem da urna eletrônica como uma saída plausível já que a “tornaria mais cara, mais pesada e de manutenção mais díficil”.

Possíveis alterações que poderiam minimizar a emissão de onda pela urna, sugere Canut, incluiriam o uso de teclados sensíveis a toque, menos invasivos que os mecânicos usados atualmente pelo TSE.

Procurado pela reportagem, o TSE confirmou que, ao contrário do que havia confirmado anteriormente, quando disse que nenhuma estratégia de ataque havia tido sucesso, que o teste de Sérgio foi bem sucessido, mas fez ressalvas.

“Nas condições que ele conseguiu, a repetição durante uma eleição é impraticável. Seria necessário que a pessoa ficasse a centímetros da urna, o que não é permitido. A cabine é vigiada pelos mesários. Ninguém pode ficar próximo”, afirmou o o secretário de tecnologia do TSE, Giuseppe Gianino.

Questionado sobre a possibilidade de uso de equipamento mais potente, levantada pelo próprio Sérgio, Gianino afirmou que se trata “do campo teórico”. “Se tivesse realmente a possibilidade, ele (Sérgio) teria apresentado um aparelho que faria isto”.

fonte: www.idgnow.com.br

sábado, 17 de julho de 2010

FRAUDE NAS URNAS ELETRÔNICAS.

Aconteceu em Santa Bárbara/MG uma eleição muito estranha. O resultado divergiu totalmente da realidade de campanha. Após as Eleições 2008, começamos a pesquisar e detectamos, através dos logs, algumas inconsistências assustadoras. Desde o ocorrido, iniciamos uma pesquisa sobre o assunto. Tudo era novo. Ninguém conhecia nada a respeito: nem a equipe, nem o povo. Confirmamos as inconsistências e começamos a divulgar. Fomos chamados de loucos até o dia que saiu uma reportagem sobre o caso Caxias (MA) na TV Bandeirantes. Daquele dia em diante, tivemos a certeza que não tinha acontecido somente conosco. Na mesma semana, encontramos um grupo de 32 cidades no Sul de Minas que também estavam denunciando a fraude nas urnas. Semanas mais tarde, organizamos o 1o. Encontro Nacional de Cidades com Suspeita de Fraude. Foi um sucesso, contamos com a presença de representantes de 48 municípios, totalizando 6 estados brasileiros.


Foi assim que nasceu o Movimento Nacional pela Transparência e Segurança do Voto Eletrônico e o Site Fraude Urnas Eletrônicas : pessoas que tinham certeza que alguma coisa de anormal aconteceu dentro das urnas eletrônicas.

O próximo passo foi o convite para participar do debate sobre fraude em urnas na Assembléia Legislativa de São Paulo. Ficamos completamente assustados com tudo que presenciamos lá - tanto que cheguei a concluir que se trata é de uma quadrilha nacional. Voltamos a nos reunir no Sul de Minas. Participaram os candidatos fraudados - estávamos dispostos a iniciar uma briga judicial. Entretanto, após ver o laudo parcial da Polícia Federal e o posicionamento do TSE no caso Caxias MA, concluimos que a Justiça Eleitoral JAMAIS iria assumir a fraude, afinal de contas, são 14 anos de voto eletrônico. Diante da ineficiência da via judicial, partimos para a via popular.

Na época que iniciamos, já existia os Grupos de Discussão Voto Seguro e Voto Eletrônico, coordenados pelo engenheiro Amilcar Brunazo. Ambos possuem como foco a análise técnica do tema e alguns membros, inclusive o coordenador, prestar serviços para partidos políticos. Entretanto, o Site Fraude Urnas Eletrônicas surgiu como forma diferenciada em relação a estes.

a) Priorizamos a popularização do tema, evitando o uso de complexas explicações técnicas, afinal a possibilidade de fraude é indiscutível, menos com o TSE;

b) Procuramos identificar a sensibilidade da população para o assunto: acreditamos que se uma pessoa duvida do sistema, ela tem o direito de duvidar e de querer que este sistema seja adaptado para proporcionar o seu melhor entendimento. Em se tratando de democracia, não é o cidadão que deve aprender todas as teorias de segurança de dados e sim o sistema se adaptar à realidade do eleitorado;

c) Acreditamos na possibilidade de sucesso de nosso trabalho, atraves da divulgação do tema e possível projeto de lei de iniciativa popular.

d) E, por fim, temos certeza absoluta que ocorreram várias fraudes durante as Eleições Municipais de 2008 - não pela teoria, mas pela prática vivenciada.

A nossa primeira grande vitória, foi a aprovação em 2009 da Lei Nº 12.034/2009 que obrigará o TSE a adaptar as urnas eletrônicas para, a partir de 2014, imprimir o comprovante do voto - essa lei ficou conhecida por Lei do Voto Impresso. Ressalto que a mídia está tentando deturpar o entendimento da lei. Principalmente o artigo 5º, que trata diretamente do voto impresso. O termo "comprovante de votação" tem contribuído negativamente, já que estão fazendo analogia direta com os comprovantes bancários, em que o cidadão leva para casa.

Como será o voto impresso: [a] o eleitor vota [b] confere o voto no visor da urna eletrônica [c] confere o voto impresso, através de um visor transparente, sem contato com o papel [d] se correto, confirma o voto - ele cairá dentre de uma urna lacrada [e] se errado, inicia novamente. O eleitor não terá contato físico direito com o voto impresso - este servirá apenas para conferência posterior dos resultados.

Vendo o crescimento Movimento Nacional pela Transparência e Segurança do Voto Eletrônico, o TSE forjou, em 2009, um suposto teste de segurança nas urnas eletrônicas. Este assunto está melhor explicado nos artigos O Teste de Segurança das Urnas, os hackers e o TSE (Parte 1) e O Teste de Segurança das Urnas, os hackers e o TSE (Parte 2). Durante os testes promovidos pelo TSE, um especialista ganhou o prêmio por descobrir os votos que estavam sendo digitados na urna eletrônica apenas utilizando um receptor de rádio barato.

Acredito que, infelizmente, vivenciamos uma falsa democracia, onde a esmagadora maioria dos cidadãos brasileiros desconhecem a realidade do nosso sistema eleitoral. Isso se deve à blindagem deste assunto: seja pela falsa imagem transmitida pelo TSE ou mesmo pela ineficência da mídia de contestar estas informações (veja O antes e o depois das reportagens sobre fraudes nas urnas eletrônicas).

Outro fator muito importante a ser destacado é a imagem das urnas eletrônicas brasileiras no exterior. Holanda, Alemanha e vários estados norte-americanos aboliram seu uso na constituição. Por outro lado, mais de 50 países vieram conhecer nosso sistema eleitoral eletrônico e nenhum deles utilizou. Aliás, o Paraguai recebeu 15 mil urnas eletrônicas emprestadas pelo Brasil para que fossem testadas. Após comprovada fraude, o sistema foi proibido no país e as urnas devolvidas ao Brasil.

Fica aqui o convite para a participação em nossas discussões. Estamos a disposição para união de forças e resgate da democracia brasileira. Lembro que este movimento é autônomo, sem vinculos partidários. Nosso único objetivo é a causa popular e nossa maior ferramenta é a informação.

Luciano Arcanjo de Melo

Coordenador da Equipe FUE-Fraude Urnas Eletrônicas

sexta-feira, 16 de julho de 2010

FRAUDE NAS URNAS. DEPOIMENTO EM UM TRIBUNAL



A resposta clara é não. O que o Brasil ganhou em velocidade perdeu, e muito, em confiabilidade dos resultados - comparando-se o voto eletrônico com as antigas cédulas de papel contadas uma a uma. Hoje o voto dos brasileiros foi reduzido a um registro eletrônico na memória de um microcomputador sem que seja possível recontá-los ou realizar qualquer tipo de auditoria. O voto do brasileiro tornou-se virtual, não existe mais materialmente, e eleição inauditável é sinônimo de eleição inconfiável.