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domingo, 4 de maio de 2014

DILMA E AÉCIO EMPATADOS NO ESPIRITO SANTO, PRESIDENTE TEM A MAIOR REJEIÇÃO


Candidata à reeleição, petista tem 23,1% das intenções no Estado, e o tucano marca 22,5%

Os capixabas estão divididos quanto à corrida eleitoral pela Presidência da República. Pesquisa realizada pelo Instituto Futura mostra que, no Estado, a presidente Dilma Rousseff (PT) tem vantagem sobre o segundo colocado, o senador mineiro Aécio Neves (PSDB), mas os dois estão tecnicamente empatados. 

Dilma tem 23,1% das intenções de voto entre os entrevistados, enquanto Aécio Neves registra 22,5%. Em terceiro lugar aparece o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), com 14,3%. 

Os dados são da pesquisa estimulada. Foram ouvidas 1,4 mil pessoas, em todas as regiões do Espírito Santo, entre os dias 22 e 28 de abril.

Na versão espontânea – na qual os nomes dos candidatos não são informados aos consultados –, Dilma assume a dianteira na preferência, com 11,7%. Na sequência está Aécio, com 7,3%, e até mesmo a ex-senadora Marina Silva (PSB) – que nem irá disputar o Palácio do Planalto – é citada, ocupando a terceira colocação (6,4%). 

Em seguida, o público ouvido apontou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com 5,1% das intenções de voto. Em último lugar na lembrança dos capixabas está Eduardo Campos, com 3,4%.

Em um cenário estimulado com a candidatura de Lula e sem a presença de Dilma, o ex-presidente lidera com 36,8%. Aécio surge na segunda posição, com 20,9%, seguido de Eduardo Campos, com 12,4%.

Rejeição

O candidato mais rejeitado – no qual os entrevistados não votariam em nenhuma hipótese – é a presidente Dilma Rousseff, citada por 42,9% das pessoas. Na sequência está Lula, com 15,9% de rejeição. Na terceira posição vem Eduardo Campos, com 14,4%. Quem tem a menor rejeição no Estado é Aécio Neves: 13,7%. 

Eleitorado

Dilma possui a maior intenção de voto entre os mais jovens, que têm de 16 a 19 anos, com 37,8% das menções. Já o tucano Aécio Neves é o predileto dos abordados pelo Instituto Futura que estão acima de 60 anos, com 27,9%. 

Campos registra a maior intenção de votos entre as pessoas que estão entre os 20 e 29 anos, com 18,6%. O socialista detém a maior preferência entre os entrevistados das classes A e B, com 23,4%, enquanto o senador mineiro tem melhor desempenho na classe C, com 27,2%, e Dilma se sai melhor nas classes D e E no Estado, com 25,5%. 

Em relação à escolaridade, a presidente é mais mencionada pelos entrevistados que têm o ensino fundamental, com 25,3%. O senador Aécio e o ex-governador de Pernambuco têm a predileção dos eleitores entrevistados com nível superior, com 24,9% e 27,4% das intenções de voto, respectivamente.
 
Presidente tira votos de Casagrande
 
O Instituto Futura perguntou aos entrevistados se, caso o governador Casagrande e a presidente Dilma fizessem campanha juntos, qual seria o reflexo na hora de decidir o voto: 35,4% disseram que não votariam em nenhum dos dois, 21,1% votariam apenas no governador, outros 14,9% votariam em ambos e 10,6% disseram que isso não interferiria na decisão.

Fonte: A Gazeta

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

DE TODOS OS PICARETAS

Fernando Gabeira* - O Estado de S.Paulo
O intenso fim de semana na política foi um dos temas do Twitter. Dois candidatos da oposição uniram forças e foram muito comentados, perdendo apenas para temas como um quadro do Programa Raul Gil (SBT). As eleições presidenciais estão chegando e cada um, de acordo com suas limitações de tempo e restrições profissionais, tem a missão de fazer alguma coisa.
Individualmente, tentei fazer o PV e Marina Silva se entenderem e o partido ser o plano B caso a Rede não conseguisse registro no TSE, o que considerava altamente provável. Achava que o campo grosseiramente definido como socioambiental precisava apresentar-se como alternativa. Ele ainda é muito fraco. Dependia de uma união interna para disputar a simpatia do conjunto da oposição. Nos meus cálculos, o campo precisaria também rever alguns de seus dogmas para sair do gueto ecológico. Um é o de se fixar só na defesa de um Código Florestal abstrato, lutando contra ruralistas, que defendem outra abstração.
Minha proposta, em primeiro lugar, é introduzir o elemento científico para definir quanto de uma área deve ser preservado e quantos metros da margem de um rio serão resguardados para protegê-lo. No caso específico dos rios, considerava que a discussão em Brasília era muito limitada e deveria contar com os comitês de bacia, que conhecem o tema e trabalham diariamente com ele. Isso no caso de comitês de bacia que trabalham e venceram a etapa do faz de conta.
O mais importante para fortalecer o campo socioambiental seria reconhecer a importância da alimentação num planeta que brevemente chegará aos 9 bilhões de habitantes. Posso discorrer muito tempo sobre a importância política desse tema, mas a Primavera Árabe e revoltas em países africanos revelam como ele pode desestabilizar governos incapazes, momentaneamente, de financiar alimentos a preços acessíveis. Dentro dessa visão planetária, não tem sentido hostilizar o agronegócio, mas sim dialogar com ele e levá-lo, quando possível, a uma convergência com as propostas de sustentabilidade.
No meu caso particular, aprendi muito sobre a realidade agrícola discutindo com ex-ministro Alysson Paulinelli, ou sobre a produção de carne ouvindo o também ex-ministro Pratini de Moraes. Não tenho medo de ser chamado de velho conciliador, desde que acrescentem o adjetivo curioso. Colocar o tema dos alimentos numa projeção ecológica não só aumenta a credibilidade da proposta, como indica pé no chão, contato com a dura realidade cotidiana.
Meus esforços para reaproximar Marina e o PV foram em vão e as razões do fracasso não cabem numa análise política. Talvez num outro suporte, um romance psicológico, conseguisse explicar o que aconteceu. Os dois lados estavam irredutíveis.
Por baixo desse esforço havia outra divergência: a necessidade de um plano B. A realidade tem desmentido minha análise de que o plano B é tão importante quanto uma capa de chuva em Bruxelas. A insistência em não tê-lo significa confiar em certos resultados que podem falhar. Não me parece oportunista um candidato a presidente que tenha planos B. Em caso de vitória, terá de se acostumar com eles.
Com os rumos da oposição já traçados, mais a escolha de reduzir candidaturas, e não ampliar o leque, como pedia minha análise, só me resta agora tentar contribuir de outra maneira, dentro de minhas limitações. Uma forma de contribuir com uma alternativa para o Brasil foi ler 1.200 páginas dos debates da chamada esquerda democrática e produzir uma síntese para a Fundação Astrojildo Pereira, do PPS.
Quando os atores são tão imprevisíveis, é importante concentrar-se no roteiro. Apesar do apelo eleitoral, não basta condenar o PT e conseguir com isso um vínculo de simpatia em escala nacional. É preciso dizer como seria o Brasil pós-PT. De que forma impulsionar o crescimento econômico, como estabelecer políticas institucionais mais respeitosas, como se situar no mundo sem arroubos bolivarianos - há muitas coisas que precisam ser definidas com clareza.
O senso comum nos garante que acompanhando e participando da política podemos transformá-la. Mas o universo político brasileiro move-se com tanta independência e autonomia que parece uma galáxia distante. O balcão de negócios está instalado com toda a franqueza. Deputados vendem emendas, votos e, agora, o próprio mandato aos partidos em competição por bancadas numerosas.
O governo do PT contempla isso tudo com a maior tranquilidade porque acha que, no fundo, a desagregação vai ajudá-lo a permanecer no poder, sua obsessão. Não importa se seu reino se transformou num pântano, o importante é sentar na cadeira presidencial, distribuir cargos, verbas, enfim, o combustível que move essa sórdida engrenagem. Os marqueteiros ensinam o caminho do coração popular. Basta reservar para a propaganda uma boa parte dos recursos.
Espionado freneticamente pelos americanos, salvo pelos médicos cubanos e marchando triunfalmente para o topo da economia mundial, apesar do pessimismo dos próprios economistas, o PT vai construindo sua fantástica narrativa. Tudo pode acontecer num país imprevisível, onde os presidentes nem se preocupam mais em fazer sentido. As respostas desconexas de Dilma são apenas a continuidade hesitante da sólida ignorância de Lula, que sonhava com uma Terra quadrada para atenuar a poluição e com um mundo mais justo onde as mães não nascessem analfabetas. Tudo isso com penteado produzido por um cabeleireiro japonês, que deve prestar também seus serviços à Coreia do Norte, a julgar pelo estilo de Kim Jong-un.
Parece ironia, mas se a oposição deixar também de fazer sentido, seja por uma tardia descoberta dos encantos da literatura ou pela recusa a analisar friamente os problemas nacionais, aí, então, estaremos perdidos. Só nos restará escolher entre o bom humor dos comediantes e o mau humor dos manifestantes, mas até neste caso um tipo de síntese conciliatória é desejável. Um bom exercício seria completar a frase: Brasil, um país de todos...

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

SERRA PREGA UNIÃO DAS OPOSIÇÕES

Fernanda Nascimento
FREDY VIEIRA/JC
Ex-governador tucano chega para almoço com empresários
Ex-governador tucano chega para almoço com empresários
O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) garante que nada está definido no cenário eleitoral de 2014, especialmente depois do ingresso da ex-senadora Marina Silva no PSB, do governador de Pernambuco e pré-candidato à presidência da República, Eduardo Campos. O tucano, que foi derrotado nas eleições presidenciais de 2002 e de 2010 pelos petistas Lula e Dilma Rousseff, respectivamente, não descartou uma terceira tentativa ao afirmar que “o PSDB vai escolher o candidato em março”. As declarações ocorreram durante a reunião-almoço Tá na Mesa, da Federasul, ontem, em Porto Alegre.

Serra evitou falar sobre uma futura disputa interna pela indicação do PSDB para a corrida presidencial contra o senador e presidente nacional da sigla, Aécio Neves. “Vou estar com o candidato do meu partido”, desconversou. A possível candidatura de Aécio fez com que vários partidos assediassem Serra, oferecendo espaço para que se candidatasse. Sem entrar no assunto, Serra disse que a escolha por permanecer no PSDB “foi uma decisão pela não decisão de sair do partido” e que os “convites são naturais”. 

O tucano preferiu adotar o discurso de que a oposição precisa se unificar para construir uma “alternativa para derrotar o PT e oferecer um novo rumo ao Brasil”. Ele afirmou que essa será uma de suas principais tarefas durante a campanha eleitoral e avalia que o momento é positivo, pois “o Brasil quer mudar”. Ao analisar o papel da oposição no governo petista, Serra disse que “não é fácil fazer oposição no Brasil, com uma minoria”, mas não negou erros estratégicos. “Não dou nota 100, mas não dou nenhuma nota. Poderia ser melhor, mas essas são questões subjetivas.” O ex-governador avaliou ainda o ingresso de Marina Silva no PSB como “surpreendente”. 

As críticas ao governo federal foram o pano de fundo de todos os comentários. “O quadro eleitoral está indefinido, mas a herança dos problemas está bem definida. Temos pelo menos dez grandes problemas que precisarão ser resolvidos pelo futuro presidente”, disse. Entre as dificuldades elencadas por Serra, está a política externa brasileira e a carência de infraestrutura. Serra também criticou o que chamou de “partidarização do Estado” e “loteamento de cargos” na gestão do governo petista.

PDT acena para aliança com PSB

Fernanda Bastos

O PDT estadual se reúne na próxima segunda-feira com o PSB para debater possibilidade de coligação em 2014. O objetivo do encontro é estabelecer diálogo com potenciais aliados para o pleito, sinalizando a intenção dos pedetistas de encabeçarem uma chapa ao governo. O DEM também confirmou presença na reunião.

O presidente do PDT de Porto Alegre, deputado federal Vieira da Cunha, que colocou seu nome à disposição para ser o candidato pedetista ao Piratini, é quem está agendando o encontro com os partidos. As outras legendas convidadas - que Vieira ainda não quis revelar - devem confirmar presença até amanhã.

Fora do governo Tarso Genro (PT) há menos de um mês, o PSB seguiu orientação do diretório nacional, que pediu a saída dos governos petistas em prol da candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, à presidência da República. O PDT pode seguir o mesmo caminho no Estado, esvaziando a coalizão montada por Tarso. A sigla decidirá se deixa os cargos no Executivo em 7 de dezembro, em pré-convenção.


FONTE  Jornal do Comércio

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

E SE APARECER A BANDA "FORA PT"?

Marina Silva está no PSB. Está? Disputará a vice (mas pode não disputar) de Eduardo Campos, que até o mês passado estava na base de apoio do governo. Marina tomou uma decisão imperial e fechou o acordo com o senhor do PSB em menos de 24 horas. Disse que fez uma “aliança pragmática” mas logo corrigiu-se: “programática”. Em torno do quê, não se sabe. Se disso resultar apenas uma chapa, tem tudo para ser nova parolagem. Se dessa aliança nascer uma tentativa de frente antipetista, o caminho e a conversa serão outros.

Em matéria de chapa esquisita, ninguém superará a de Tancredo-Sarney. No entanto, aquilo era uma frente contra o que a rua chamava de “isso que está aí”, e Tancredo foi eleito (indiretamente) sem ter apresentado programa. Precisava?
Mário Covas, Ulysses Guimarães e Leonel Brizola não podiam imaginar que o segundo turno da eleição de 1989 seria disputado por Lula e Fernando Collor. Eram dois candidatos contra aquilo que estava ali.

Quem foi para a rua em junho saberá nos próximos meses que o Supremo está pronto para diluir as sentenças do mensalão. Aquilo que Marina Silva exageradamente classificou de “chavismo” é apenas um aspecto do jogo bruto do comissariado petista. Ele foi sentido nos tribunais, nos bancos oficiais, na porta giratória das agências reguladoras e na monumental trapalhada da proposta de Constituinte exclusiva. Isso para não se falar nos grandes circos com padrão Fifa.

A aliança dos dois ex-ministros do governo de Lula tanto pode acabar numa pirueta movida a palavrório como em algo maior. Sinal de seu anacronismo é a notícia de que Fernado Bezerra Coelho harmonizará a aliança “pragmática”, ou “programática”. Até outro dia ele era ministro da doutora Dilma. Faz parte do clã que controla Petrolina há meio século. O PT respondeu às ameaças mais encorpadas com a voz das urnas e prevaleceu porque o eleitorado preferiu “o que está aí”.

O comissariado buscará em 2014 a extensão do seu mandato para até 2018. Serão dezesseis anos corridos. Jamais na história brasileira um partido conseguiu essa marca dentro de um só regime constitucional. Os conservadores do império tiveram catorze anos (1848-1862). Getúlio Vargas teve quinze (1930-1945), com três regimes e uma ditadura. Os militares tiveram 21, com quatro ordens constitucionais. No 16º ano de vida, seu partido, a Arena, estava estilhaçado. Já o PT, vai bem, obrigado, sonhando com uma reforma política que criaria o financiamento público das campanhas (dinheiro na mão do comissariado) e a instituição do voto de lista (o mesmo comissariado alinha os candidatos). Não se tratará apenas de uma tentativa de espichar o tempo de mando. O que há na mesa é um projeto explícito. Jogo jogado.

Para os costumes brasileiros, a longevidade petista seria uma novidade. Contudo, nas quatro maiores democracias do mundo (Estados Unidos, Alemanha, França e Inglaterra), a sociedade deu o poder a blocos de poder longevos que fizeram grandes reformas.

O marqueteiro João Santana acha que Dilma Rousseff será reeleita graças a uma oposição viciada pela “antropofagia de anões”. Marina Silva com Eduardo Campos tanto podem representar isso, devorando o tucanato, como podem formar uma banda tocando “Fora PT”. Os eleitores decidirão quem dança.

Elio Gaspari

sábado, 23 de março de 2013

OS TRUNFOS DO PSDB

 



MERVAL PEREIRA17.3.2013 10h33m
 
O senador Aécio Neves também vem se movimentando nos bastidores para pavimentar possíveis acordos partidários quando sua candidatura à presidência da República for confirmada oficialmente pelo PSDB. Ele joga com os mesmos descontentamentos que seu provável adversário Eduardo Campos vem tentando explorar na aliança governista, e ambos dependem também da economia para viabilizar suas candidaturas.
Campos mais que Aécio, pois terá que romper com o governo para lançar-se candidato, enquanto o senador mineiro é a escolha natural dos tucanos em 2014. Além disso, o PSDB tem sido o repositório da votação oposicionista nas últimas três eleições, por pior que seja sua situação interna ou a fraqueza de sua atuação no Congresso.
Na hora decisiva, ainda é a sigla que une os que não querem um governo petista, tendo tido uma média de 40% dos votos nacionais no segundo turno, fosse qual fosse o candidato. Na eleição de 2010 o PSDB chegou a ter 45% dos votos, mais devido à fragilidade da candidata Dilma do que por seus próprios méritos. Passar desse nível para desbancar o PT do governo depende, sobretudo, da situação do país e da campanha que fizer.
As circunstâncias das últimas campanhas levaram o PSDB para uma posição mais conservadora do que seria necessário para ampliar essa votação no segundo turno, a tal ponto que o hoje governador Geraldo Alckmin teve menos votos no segundo turno de 2006 do que no primeiro.
É ponto pacífico entre os políticos que um acordo formal entre os candidatos no segundo turno não é tão importante quanto o candidato classificado encarnar uma proposta capaz de ser aceita pelos eleitores que, no primeiro turno, votaram contra a candidatura oficial. No caso de 2014, a se confirmarem as candidaturas de Marina Silva, Eduardo Campos e Aécio Neves, não é provável que todos estejam juntos no segundo turno.
No momento, o PSB não admite apoiar Marina Silva, por exemplo, considerando-a uma fundamentalista que prejudicaria o país com suas ideias. É provável até mesmo que já no primeiro turno os dois divirjam mais do que concordem.
Tanto Campos quanto Aécio têm mais possibilidades de receberem apoio mútuo, mas o PSDB não tem tantas divergências assim com Marina e poderia receber o apoio dela e de Campos num segundo turno, sendo claro que Aécio tem um perfil conciliador que facilita os acordos. Campos quase certamente receberia o apoio de Aécio, e de parte do eleitorado de Marina que busca uma alternativa nova, independente do radicalismo das ideias ambientais.
O senador Aécio Neves pretende dar a sua campanha um ar mais progressista, evitando a armadilha petista de colocar os tucanos como reacionários na política e entreguistas na economia. O que Aécio Neves teria a mais que seus companheiros oposicionistas é a estrutura partidária do PSDB espalhada pelo país. Devido a isso, o PSDB considera que no momento decisivo, parceiros tradicionais como o PPS e o DEM permanecerão coligados.
Aécio vem conversando nas mesmas áreas em que o governador de Pernambuco está testando suas possibilidades, como o PDT, mas também com o PTB e o PP, presidido pelo senador Francisco Dornelles, de quem é muito próximo. Mas só aceitará concorrer se estiver convencido de que a seção paulista do PSDB ficará ao seu lado, mesmo que Serra não seja persuadido a aderir ao projeto.
Assim como o governador de Pernambuco Eduardo Campos, também o senador Aécio Neves trabalha com a hipótese de o PMDB do Rio romper com o governo devido não apenas à questão dos royalties do petróleo como também à candidatura de Lindbergh Farias pelo PT ao governo do Rio. Nesse caso, Aécio tem a vantagem do relacionamento estreito que mantém não apenas com o governador Sérgio Cabral, mas com o prefeito do Rio Eduardo Paes, ambos vindos dos quadros do PSDB.
Além disso, Aécio pretende explorar sua ligação pessoal com o Rio de Janeiro, e também trabalha para conseguir um acordo sobre os royalties. Ele sabe, porém, que o partido terá pela frente, provavelmente no ano da eleição, que encarar o julgamento do chamado “mensalão mineiro”, que envolve o hoje deputado federal Eduardo Azeredo, à época presidente nacional do partido.
A partir da decisão do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do mensalão do PT, de que não há caixa 2 com desvio de dinheiro público, as chances de Azeredo escapar de uma condenação são mínimas. Ele já foi avisado de que, ao contrário do PT, o PSDB não pretende assumir sua defesa, e se não se desligar do partido, será expulso se condenado.
 
Fonte: O Globo

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

O NÓ POLITICO DE EDUARDO CAMPOS EM DILMA E LULA

Radanezi Amorim

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), vai dando um nó político em Lula e no PT nacional. No momento em que o maior líder petista articula a reeleição da presidente Dilma, Campos rouba todas as atenções na imprensa nacional. E surge como o aliado rebelde que ousa peitar os planos do ex-presidente.

Já vimos um filme parecido por aqui. Guardadas as devidas proporções, em 2010 o então senador Renato Casagrande e o mesmo PSB de Campos furaram a “fila” para o Palácio Anchieta, estabelecida pelo governador Paulo Hartung (PMDB). O final da história é bem conhecido.

Não quer dizer que Campos necessariamente será candidato a presidente e enfrentará Dilma e Lula nas urnas. Até a campanha de 2014, muita água ainda vai passar por baixo e por cima da ponte, como diz um líder petista do Estado.

Há quem acredite, por exemplo, que na verdade o governador e o PSB tentam tomar a vaga de vice de Dilma na corrida pela reeleição. Hoje o espaço está reservado para o PMDB. Outros veem os movimentos como uma forma de o PSB emplacar mais espaços no governo federal.

Mas, a despeito dessas especulações, vale a pena prestar um pouco mais de atenção no que Campos vem dizendo e fazendo. Numa reunião recente do partido em Brasília, o pernambucano anunciou: entregará os cargos no governo federal, no final do ano, se for mesmo candidato a presidente.

Mais do que isso: avaliou que o PSB marcou um novo discurso contra o PMDB, o PT e o PSDB.

“A presença do PMDB no imaginário popular, da dupla Renan e Sarney, e agora o Henrique (Alves), é o do envelhecimento da forma de fazer política. O projeto de poder do PSDB se resumiu a uma primeira-secretaria na Mesa. E o discurso do PT, da transferência de renda já incorporada, também já está vencido”, disse Campos, após a eleição da Mesa Diretora da Câmara, há uma semana.

Aliás, deputados socialistas chegaram a ironizar o comportamento “escorregadio” do PSDB e do senador Aécio Neves na eleição dos presidentes do Senado e da Câmara.

Assim, Campos constrói com habilidade o discurso de que a possível candidatura dele representa o novo e ética de fato na política, se contrapondo às práticas atrasadas de setores do PMDB e ao batido antagonismo entre PT e PSDB. Aonde tudo isso vai dar, não se sabe. Mas o governador segue ganhando musculatura eleitoral e causando dores de cabeça à cúpula do PT.

Cautela

Ao contrário de outros líderes nacionais do PSB, o governador Renato Casagrande adota um discurso mais cuidadoso ao tratar da possível candidatura a presidente de Eduardo Campos. “De forma objetiva, ele está fortalecendo o nome dele na política do país. Mas não tem nenhuma decisão tomada”, disse Casagrande à coluna.

Reeleição

O governador acrescentou que a presidente Dilma Rousseff tem plenas condições de ser reeleita em 2014. “Ele (Campos) sabe disso”, afirmou Casagrande, pontuando que o presidente do PSB trabalha também para fortalecer o partido.

Impacto

O fato é que se Eduardo Campos partir mesmo para o tudo ou nada contra a presidente Dilma, poderá complicar a relação do governador Renato Casagrande (PSB) com o governo federal. E justo num momento em que o Estado tem temas de peso em jogo em Brasília, como os royalties do petróleo e mudanças na alíquota do ICMS.

Planos

O PSB vai fazendo os planos para crescer como mais uma força no país. Em 2014, a sigla terá pelo menos 12 candidatos a governador. Além do Espírito Santo, com Casagrande, os socialistas terão nomes no páreo em Estados como Amapá, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Sul, Sergipe e Tocantins. A legenda vai fazer acordos com aliados onde as candidaturas não se mostrarem viáveis.


Fonte: A Gazeta

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

CORONEL EDUARDO CAMPOS, O NOVO SARNEY DO NORDESTE.



Em política, qualquer tropeço pode ser fatal. Cadoca estava eleito prefeito do Recife em 2004, veio a mancada de Brasília Teimosa e perdeu a eleição. Humberto Costa já era apontado como o futuro governador de Pernambuco em 2006.

Foi indiciado pela Operação Vampiro e seu projeto veio abaixo como um castelo de areia. Reeleito, o governador Eduardo Campos não está em campanha. Seu mandato só acaba em 2014.

Mas, vive em peregrinação pelo País como pré-candidato a presidente da República. Sonha acordado num voo nacional. Até então dar uma demonstração cabal de poder, elegendo a mãe ministra do Tribunal de Contas da União, o governador parecia firmar no cenário nacional uma imagem sólida de bom gestor e político moderno, uma proposta renovadora.

Não imaginava, porém, que exibir força seria cometer um erro que arranhou a popularidade e pode comprometer o seu futuro. O jovem governador está sendo apontado pela mídia nacional como um político moderno, mas de práticas antigas, coronelescas.

Em editorial, ontem, o jornal o Estado de São Paulo, um dos mais importantes do País, assim o definiu: ”Contrastando com o fortalecimento do caráter republicano da instituição, a operação filial desencadeada por Eduardo Campos – que chegou a se instalar com armas e bagagens em Brasília – foi uma exibição de coronelismo à moda antiga, cultive ele quanto queira o perfil de gestor moderno e político de novos costumes”.

Maurílio Ferreira Lima tem razão: a eleição da mãe fez de Eduardo o novo “Sarney do Nordeste”.

do Blog do Magno Martins