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quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A OPOSIÇÃO MAIS VIGOROSA QUE O PAÍS JÁ VIU

Tucano se reuniu com representantes de seis partidos e foi aclamado, mas disse que oposicionistas não precisam de um líder

Gabriel Castro, de Brasília
 O senador Aécio Neves (PSDB-MG) participa da reunião da Executiva Nacional do PSDB, no Auditório Nereu Ramos, em Brasília
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) participa da reunião da Executiva Nacional do PSDB, no Auditório Nereu Ramos, em Brasília (Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)
 "Pelo menos cumpriram a palavra: disseram que iriam fazer o diabo nessas eleições. O diabo se envergonharia de muitas coisas que foram feitas nessas eleições", Aécio Neves
Em um ato com a presença de políticos do PSDB e de mais seis partidos, o senador Aécio Neves prometeu nesta quarta-feira fazer uma oposição firme ao governo da presidente Dilma Rousseff. Ele encerrou seu discurso conclamando os aliados fazer "a mais vigorosa oposição a que esse país já assistiu". O evento, realizado em um auditório da Câmara dos Deputados, foi organizado para marcar o papel do tucano na função de líder inconteste do bloco oposicionista ao governo Dilma Rousseff.  O próprio Aécio, entretanto, disse que a oposição não precisa ser liderada.
Depois de ouvir vários pronunciamentos em que foi saudado como comandante do bloco oposicionista, o tucano adotou um discurso diferente: "A oposição brasileira hoje não precisa de um líder. Ela tem viva na alma e no sentimento de milhões de brasileiros sua mais importante essência, que é a indignação com tudo o que vem acontecendo no Brasil nesses últimos anos, mas também uma esperança forte e enraizada em relação àquilo que podemos mudar", afirmou. 
Ao citar um conselho que recebeu do avô Tancredo Neves, o tucano deixou subentendido que sua ação como opositor no Congresso é um caminho essencial para pleitear uma nova candidatura à Presidência: "Voto você nunca tem, voto você teve. E você tem que trabalhar muito para manter viva, nessas pessoas que lhe depositaram através do voto sua confiança, a mesma chama que as fez acordar num domingo e ir às urnas tentar mudar o Brasil".
Aécio criticou os ataques desferidos pela campanha petista contra seus adversários e lembrou a frase em que Dilma Rousseff afirmou ser possível fazer "o diabo" nas eleições. "Pelo menos cumpriram a palavra: disseram que iriam fazer o diabo nessas eleições. O diabo se envergonharia de muitas coisas que foram feitas nessas eleições", afirmou.
O tucano também ironizou o aumento na taxa de juros e o reajuste na gasolina, anunciados logo após as eleições: "Perguntavam: 'Aécio e as medidas amargas quais serão?' Estão aí".
No evento, onde foi aplaudido por diversas vezes, Aécio ouviu promessas de lealdade de líderes do DEM, do SD, do PPS e do PSC, além da senadora Ana Amélia (PP-RS) e do vice-governador eleito de Pernambuco, Raul Henry (PMDB). Entre os tucanos, estavam o governador reeleito do Pará, Simão Jatene, o governador eleito do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, e o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio. "Política é fascinante porque o suposto derrotado é aplaudido todos os dias e a suposta vencedora se enclausura num mausoléu", disse Virgílio em seu discurso.
Durante a tarde, Aécio fará seu primeiro discurso no plenário do Senado após a derrota nas eleições presidenciais.
Fonte: Revista Veja

sábado, 7 de dezembro de 2013

CARTEL DOS TRENS, POR QUE O PSDB COBRA A INVESTIGAÇÃO?

O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) e segundo homem mais importante no PT elogiou a cobertura que o Estadão vem fazendo do “cartel de trens” em São Paulo. E ainda deu pito no resto da imprensa. Quer o jornal como um modelo a ser seguido. Atende a seus critérios rigorosos do que seja bom jornalismo. Entendo.
Acabo de ler no Estadão Online a seguinte notícia. Segue em vermelho. Prestem bastante atenção. Volto depois:
O PSDB pedirá ao Ministério Público Federal investigação sobre suspeitas de formação de cartel no consórcio entre as empresas Alstom e CAF para fornecimento de trens para os metrôs de Belo Horizonte e Porto Alegre. Na capital gaúcha, o consórcio FrotaPoA venceu o leilão pelo valor de R$ 243,8 milhões. Em Minas, o FrotaBH, também formado por essas empresas, ganhou a licitação por R$ 171,9 milhões.
As licitações das quais participaram o FrotaPoA e o FrotaBH foram feitas por empresas mistas, ligadas ao Ministério das Cidades. A concorrência para o metrô de Belo Horizonte foi aberta pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), do governo federal. Já na capital gaúcha, a licitação ficou a cargo da Trensurb, também ligada ao governo federal. A Alstom e a CAF são investigadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público pois foram citadas no acordo de leniência feito pela Siemens com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em maio. Todas elas também são acusadas de formação de cartel no setor de trens e metrô paulista.
Voltei
E é tudo. Pergunto:
1: você entendeu alguma coisa até aqui, leitor amigo?;
2: por que, afinal, o PSDB cobra a investigação?;
3: notem que se fala em cartel com empresas federais, mas o texto termina com uma referência ao metrô… paulista.
Ficou curioso?
Ficou curioso, leitor? Quer saber por que o PSDB está pedindo a investigação? Já contei aqui, mas conto de novo. Abro com uma imagem:
Então… Um mesmo consórcio, formado pela Alstom e pela CAF, venceu a licitação para a fornecimento de trens para o metrô de Belo Horizonte, comandado pela estatal federal CBTU, e para o metrô de Porto Alegre, comandado por outra estatal federal, a Trensurb. No da capital gaúcha, a Alstom ficou com 90% do contrato, e a CAF, com 10%. No da capital mineira, foi o contrário. Em ambos os casos, o consórcio formado pelas duas empresas não teve concorrentes: foi o único a se apresentar.
Outra curiosidade: apenas 13 dias separam o comunicado da comissão de licitação de Belo Horizonte do anúncio da assinatura de contrato em Porto Alegre, conforme se pode ver abaixo.
Imagem lá do altoE a imagem lá do alto? É a presidente Dilma assinando pessoalmente a ordem de serviço para a compra dos trens de Porto Alegre, a tal licitação de um consórcio só.
O Cade, como se supõe, não vê nada de estranho.
Em maio, a CPTM, empresa de trens urbanos do Estado de São Paulo, cancelou uma licitação porque compareceu apenas um consórcio para fornecer trens. Já a estatal federal Trensurb, que responde pelo metrô de Porto Alegre, não teve esse problema. E vejam que coisa bonita! A estatal federal — cuja chefe, então, em último caso, é mesmo a presidente Dilma Rousseff — ainda se orgulha do feito. Tanto é assim que, em sua página na Internet, exalta o feito, como revela a imagem abaixo.
Também a Alstom, em seu site, comemora o feito.
A CBTU também glorifica a si mesma.
EncerroNããão! É claro que não estou aqui a acusar irregularidades. Não sei de nada. O que sei é que, em São Paulo, ao se apresentar um único consórcio para a compra de trens, a licitação foi cancelada. As duas estatais federais, a Trensurb e a CBTU, não veem mal nenhum nisso. Celebram contratos, respectivamente, de R$ 243,75 milhões e R$ 171,9 milhões com o mesmo consórcio, que não teve de concorrer com ninguém. Como existe uma espécie de fraternidade universal entre essas empresas, no primeiro, uma fica com 90%, e a outra, com 10%; no segundo, invertem-se as porcentagens.
Mas por favor, leitores! Façam como o Cade de José Eduardo Cardozo, o garboso da Justiça: não suspeitem jamais de que isso possa ser cartel. Como se vê, o governo de São Paulo precisa aprender com o governo federal, do PT, como é que se estimulam a concorrência e o preço mais baixo…
Por Reinaldo Azevedo

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

JOSÉ EDUARDO CARDOZO, MORALISTA DE OCASIÃO



jose_eduardo_29Pau mandado – Qualquer denúncia de corrupção, se procedente, deve ser investigada sob o manto da legalidade, sem que qualquer autoridade ou partido político se beneficie do processo investigatório ou dos seus resultados. O cenário político nacional do momento está marcado pela disputa que surgiu a partir dos imbróglios envolvendo a Siemens e a Alstom, acusadas de integrar cartel para fornecimento de material metroferroviário ao governo de São Paulo.
Abusando da ironia, o ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo tem atuado como humorista ao tratar do assunto. Cardozo é acusado pelo PSDB de desrespeitar a legislação vigente ao não entregar ao Ministério Público Federal os documentos relativos a suposta denúncia de pagamento de propina a integrantes do governo paulista, em sua maioria do PSDB. A tradução do documento é tão pífia e matreira que qualquer inocente seria capaz de identificar a fraude, que trouxe palavras inexistentes no documento original e, além disso, continha nomes de políticos adversários do PT, que não constavam do mesmo.
José Eduardo Cardozo entregou o caso à Polícia Federal, depois de receber documentos do “companheiro” Simão Pedro, deputado estadual licenciado e secretário do prefeito Fernando Haddad, de São Paulo. Pedro foi chefe de Vinícius Carvalho, atual presidente do Cade, que iniciou a investigação do suposto cartel formado em São Paulo.
Gazeteiro conhecido e sempre se valendo da oratória, Cardozo cometeu um erro gravíssimo, que em qualquer país democrático e com governantes minimamente responsáveis já teria culminado com sua demissão. O ministro agora tenta inverter o jogo sórdido que seu partido iniciou e tem afirmado que o PSD e o PPS o querem transformar em réu. José Eduardo pode dizer o que bem quiser, mas nem sempre suas declarações devem ser levadas a sério. Quem acompanhou o trabalho de Cardozo na CPI dos Correios, em 2005, sabe a forma como o ministro interpreta documentos de acordo com a necessidade do seu partido.
Nesta quinta-feira (28), durante evento do Prêmio Innovare, na sede do STF, Cardozo disse que o Ministério da Justiça não se deixará intimidar diante das acusações feitas pela cúpula do PSDB. O ministro classificou de “lamentável” o ataque tucano, mas é preciso lembrar que o petista mudou de postura depois que a tropa de choque do Palácio do Planalto impediu a no Congresso a sua convocação para prestar esclarecimentos.
“Acho lamentável que queiram transformar quem cumpre a lei em réu apenas pelo fato de que existe uma investigação. A maior parte dos países em que houve esse escândalo já investigou, já puniu pessoas envolvidas. O Brasil ainda caminha lentamente. Pedi à Polícia Federal que apurasse, recebi uma denuncia e pedi que avaliasse, nada mais do que isso. Há pessoas que parece que não querem investigar, que querem descontar as coisas”, disse Cardozo, como se o PT não fosse o partido responsável pelo período mais corrupto da história brasileira. Querer posar de incente a essa altura dos acontecimentos é no mínimo excesso de ousadia.
Como mencionamos acima, qualquer denúncia de corrupção deve ser investigada, o que deve valer em qualquer situação, não importando a bandeira política dos acusados. Se há de fato provas de que existiu pagamento de propina em São Paulo, que o caso seja apurado e os responsáveis sejam punidos, sem privilégios de qualquer natureza.
Considerando que José Eduardo Cardozo vive um momento moralista e de retidão impar, que a mesma Polícia Federal abra investigação para apurar o relacionamento nada ortodoxo da Siemens e da Alstom com a Usina Hidrelétrica de Itaipu, o que não acontece porque o castelo de areia do PT desmoronaria em questão de dias. A PF deve investigar também o superfaturamento do Metrô de Salvador, assunto que tem sido abafado porque o governo da Bahia está sob a batuta do “companheiro” Jaques Wagner. Apenas para lembrar, a empresa responsável pelo Metrô de Salvador é a mesma Siemens que o ministro petista da Justiça acusa no caso de São Paulo.
José Eduardo Cardozo não pode balbuciar moralismos de encomenda apenas para ajudar o mais novo poste inventado por Lula, o ministro Alexandre Padilha (Saúde), pois debaixo do tapete tem poeira de sobra para ser varrido e criar uma nuvem considerável. Basta que alguém decida contar o que sabe. O que o PT busca com essa estratégia pouco inteligente é tentar desviar o foco do escândalo em que se transformou a prisão dos mensaleiros José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares, que querem ser tratados como celebridades em um SPA à beira do Mar Egeu.
Fonte Ucho.Info

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

A OPOSIÇÃO DESCONECTADA

O Estado de S.Paulo
Perto de 2/3 dos entrevistados na mais recente pesquisa eleitoral do Ibope querem que o próximo presidente mude "totalmente" ou "muita coisa" na maneira de governar o País. Mas, no menos favorável dos cenários para Dilma Rousseff, apenas 1/3 votaria em candidatos oposicionistas se a eleição fosse agora. Com a agravante de que, só por uma mudança a esta altura inconcebível do quadro sucessório, nenhum deles estará nas urnas eletrônicas em outubro do ano que vem. São os adversários da candidata de Lula em 2010, José Serra e Marina Silva, ele com 17% das intenções de voto, ela com 15%, indicando que devem a sua relativa popularidade ao recall - a lembrança da eleição passada.
Já o cenário mais provável é também o mais animador para Dilma. Ante o tucano Aécio Neves e o socialista Eduardo Campos, ela subiu dois pontos da sondagem anterior, em outubro, para a atual, em que aparece com 43%, acentuando o seu favoritismo e a possibilidade de se reeleger no primeiro turno. A aprovação ao seu governo também se sustenta. O senador mineiro continua onde estava, com 14%, e o governador pernambucano caiu de 10% para 7%. O tropeço nem serve de alento para Marina, que se filiou ao PSB quando não conseguiu registrar como partido a sua Rede Sustentabilidade e há de guardar em algum recanto da "aliança programática" com Eduardo Campos o sonho de vir a ser ela, afinal, a encarnação da nova política que anunciam.
Isso porque, na hipótese em que a ambientalista substitui o governador (e Serra toma o lugar de Aécio), o seu desempenho sofreu em um mês um tombo de 6 pontos - de 21% para 15%. A razão só pode ser uma: Marina deixou a ribalta do noticiário, onde foi parar ao aderir à sigla de Campos e onde parecia se firmar ao se tornar a crítica mais audível da gestão Dilma, a ponto de carimbá-la como "retrocesso". Superada, aparentemente, a fase de "sabor do mês" de Marina, o eleitorado de que a amostra seria representativa voltou ao ponto de partida: Dilma em viés de crescimento, Aécio estável.
À parte o fato ofuscante de que 11 meses ainda separam os brasileiros do dia em que irão exercer o mais importante dos seus direitos políticos - tempo de sobra, antes de tudo, para reduzir às devidas proporções o prognóstico de vitória de Dilma já na primeira rodada -, o que mais chama a atenção nos números do Ibope é o paradoxo que deles emerge: de cada 10 eleitores que querem que muito ou tudo mude no governo, 3 associam a preferência pela presidente ao seu desejo de mudança; ou, dito de outro modo, de cada 10 "votos" de Dilma, 4 lhe foram dados pelos mudancistas. E isso numa quadra do mandato da presidente em que sobressai a sua incapacidade de promover mudanças - a não ser para pior.
Não se diga que o povo é bobo. O povo simplesmente olha em volta e não vê na oposição quem assuma a sua demanda: dos insatisfeitos com o modo como o Brasil é conduzido, 44% não têm candidato. Ou, pior ainda, o povo não identifica a oposição como motor de mudanças. O que os oposicionistas dizem e fazem está desconectado da população. Anteontem, numa reunião em que os oito governadores do PSDB e o ex-presidente Fernando Henrique declararam a céu aberto apoio à candidatura Aécio, ele proclamou que o partido "está pronto no ano que vem (sic) para apresentar ao Brasil uma nova proposta". O eleitor que espere, enquanto a presidente toca a todo vapor a sua campanha.
Os tucanos deram ao evento um nome - "Federação Já, Poços de Caldas+30" - que não dispensa explicações. De um lado, trata-se de uma convocação, capaz de sensibilizar somente os conhecedores, pela desconcentração fiscal do País. De outro, não menos hermeticamente, alude ao encontro em que os então governadores Tancredo Neves e Franco Montoro, na mesma cidade, deram a largada à campanha das Diretas Já, em 1983.
Tamanha a distância entre o que aglutina os tucanos e o que interessa ao cidadão comum, que a sempre referida parcela não desprezível do eleitorado reage como se lesse na bandeira oposicionista a inscrição "Nada a declarar" - e, abaixo, em letras miúdas, "que você consiga entender".

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

AÉCIO TRAÇA DIRETRIZES ECONÔMICAS E SOCIAIS

Tucano começa a definir o programa que o PSDB levará a debate em dezembro

BRASÍLIA - Um grupo de economistas da Fundação Getúlio Vargas e do Ipea, comandado pelo ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga e por Edmar Bacha, um dos pais do Plano Real, começou a fechar ontem com o presidente do PSDB, Aécio Neves, o pacote de diretrizes que os tucanos vão apresentar para debate com a sociedade em dezembro.
O embrião do programa de governo do PSDB tem um conjunto de medidas que Aécio considera as mais urgentes para o enfrentamento do que chama de crise econômica do governo Dilma Rousseff. Mas terá também um gancho social para, segundo dirigentes do partido, acabar com a pecha colada pelo PT de que o PSDB é um partido de elite.  — Vamos disputar o terreno e recuperar as ações do PSDB na área social, mostrar o que significa o S do PSDB.
Nós que fizemos a emenda 29 (vinculação de recursos orçamentários para a Saúde), buscamos o fim da inflação, iniciamos os programas de transferência de renda, criamos o Fundef, medicamentos genéricos, tratamento da Aids e criamos as equipes de saúde da família. Vamos mostrar que o PT não  tem o monopólio da luta pela igualdade — disse líder Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). 
O programa Mais Médicos, marca que Dilma tenta emplacar para sua reeleição, é um dos alvos do PSDB. Os tucanos conseguiram aprovar no Senado, quarta-feira, um requerimento para incluir na proposta do Orçamento Impositivo emenda destinando mais dinheiro para a Saúde. Enquanto a proposta do governo significa R$ 64 bilhões a mais para o setor em cinco anos, a do PSDB propõe o dobro, R$ 128 bilhões em quatro anos. No plenário, Aécio comandou a articulação junto com Aloysio Nunes e o autor da emenda, Cícero Lucena (PSDB—PB). 
— O governo quer mais médicos e menos recursos para a Saúde — discursou Aécio, cunhando a frase que pretende repisar até terça-feira, quando a matéria volta ao plenário.  Os tucanos pretendem incluir no debate medidas que complementam a questão da renda. As propostas foram coordenadas pelo deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG) e começam agora a ser analisadas pelos economistas que ajudam Aécio a fechar o “Decálogo como está sendo chamando o embrião do programa do PSDB. 
— O Aécio, pessoalmente, vai definir o que indicar como compromisso para o debate com a sociedade. Vamos trabalhar muito o foco na família. A política de assistência é que vai ser a grande articuladora das outras políticas setoriais — definiu Eduardo Barbosa.
Maria Lima - O Globo

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

SÃO PAULO DEFINE (Merval Pereira )

“Se vencer a eleição em São Paulo por um voto, venço a eleição presidencial”. Essa frase do senador Aécio Neves explica bem a prudência que toda a cúpula do PSDB está tendo para manter a união partidária em seu principal reduto eleitoral. A declaração que deu ontem a favor da ação política do ex-governador José Serra, que supostamente o estava incomodando, foi combinada, para restabelecer no partido a unidade de pensamento depois que alguns partidários de sua candidatura começaram a se enervar com a demora da oficialização.
Depois de uma rodada de conversas em São Paulo, primeiro com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e com o governador Geraldo Alckmin, e no dia seguinte com o próprio Serra, Aécio decidiu aliviar o ambiente tucano, desaconselhando as críticas que têm sido feitas a Serra por suas palestras e viagens pelo país na roupagem de também candidato à presidência.
Quanto mais forte a figura de Serra estiver em São Paulo, reflexo de uma imagem nacional que ele está cultivando nos últimos dias, melhor será para o desempenho do PSDB a nível nacional. A diferença a favor dos candidatos tucanos em São Paulo vem se reduzindo nas últimas eleições, reflexo do fortalecimento do PT no Estado.
Fernando Henrique nas duas eleições em que venceu Lula no primeiro turno, tirou uma vantagem de cerca de 5 milhões de votos em 1994 e 1998. Alckmin venceu em 2006 por 3,8 milhões e Serra em 2010 por 1.846.036. A questão é que perderam para Lula e Dilma em Minas e no Rio. Os três estados juntos representam cerca de 40% do eleitorado.
Em 2010, Dilma venceu em Minas por 1,7 milhão de votos de diferença, e em 2014 a expectativa dos tucanos é que Aécio coloque uma frente de 3 a 4 milhões de votos, o que transformaria Minas em sua São Paulo em termos de performance eleitoral.
No Rio de Janeiro, ela também abriu 1,7 milhão de votos de vantagem, neutralizando a derrota de São Paulo. Aécio acha que na próxima eleição tem condições de equilibrar a disputa no Rio, pelo menos reduzindo a diferença em favor de Dilma, se houver.
A vantagem final de Dilma se deveu basicamente à diferença obtida no Nordeste (38 pontos) e Norte (15 pontos), o que somou mais de 11 milhões de votos de diferença. As diferenças de votos a favor da Dilma nos quatro Estados de maiores eleitorados no Nordeste ampliaram sua vitória em 9.146.751 votos: Bahia (2.788.495), Pernambuco (2.344.718), Ceará (2.325.841) e Maranhão (1.687.697).
Na avaliação do comando do PSDB, hoje a questão se resume a perder de pouco no nordeste e manter a hegemonia nas regiões onde o PSDB tradicionalmente vence. O cenário político hoje é diferente do 2010, mais favorável à oposição no Nordeste, apesar da prevalência governista.
A simples presença da candidatura de Eduardo Campos, governador de Pernambuco, já retira de Dilma boa parte de sua vantagem na região. Na Bahia, o prefeito de Salvado ACM Neto está montando um palanque competitivo com a candidatura dissidente de Geddel Vieira Lima. No Ceará o PSDB terá a volta de Tasso Jereissatti favorito para o Senado fazendo um palanque forte. 
No Amazonas, com a presença vitoriosa hoje do prefeito de Manaus Arthur Virgilio, dificilmente Dilma conseguirá repetir a façanha de ganhar pela diferença de 866.274 votos, uma frente que compensou a vitória que o PSDB teve no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
Por isso é fundamental para o PSDB manter a hegemonia em São Paulo, dando espaço para uma liderança política com votos como o ex-governador José Serra, que pode concorrer ao Senado em 2014 ou, como é a preferência das bases tucanas, à Câmara, puxando uma bancada federal importante.
A possibilidade de compor a chapa com Aécio na qualidade de vice, embora não o atraia no momento, pode vir a ser uma estratégia vitoriosa, aproveitando inclusive sua presença nacional. Seria uma maneira engenhosa de ter uma ação sincronizada durante a campanha eleitoral, assim como Lula fará com Dilma e Marina com Eduardo Campos.
De qualquer maneira, um vice de São Paulo pode ser a prioridade tucana para 2014, como maneira de preservar a hegemonia nos dois maiores colégios eleitorais do país


Merval Pereira

sábado, 23 de março de 2013

OS TRUNFOS DO PSDB

 



MERVAL PEREIRA17.3.2013 10h33m
 
O senador Aécio Neves também vem se movimentando nos bastidores para pavimentar possíveis acordos partidários quando sua candidatura à presidência da República for confirmada oficialmente pelo PSDB. Ele joga com os mesmos descontentamentos que seu provável adversário Eduardo Campos vem tentando explorar na aliança governista, e ambos dependem também da economia para viabilizar suas candidaturas.
Campos mais que Aécio, pois terá que romper com o governo para lançar-se candidato, enquanto o senador mineiro é a escolha natural dos tucanos em 2014. Além disso, o PSDB tem sido o repositório da votação oposicionista nas últimas três eleições, por pior que seja sua situação interna ou a fraqueza de sua atuação no Congresso.
Na hora decisiva, ainda é a sigla que une os que não querem um governo petista, tendo tido uma média de 40% dos votos nacionais no segundo turno, fosse qual fosse o candidato. Na eleição de 2010 o PSDB chegou a ter 45% dos votos, mais devido à fragilidade da candidata Dilma do que por seus próprios méritos. Passar desse nível para desbancar o PT do governo depende, sobretudo, da situação do país e da campanha que fizer.
As circunstâncias das últimas campanhas levaram o PSDB para uma posição mais conservadora do que seria necessário para ampliar essa votação no segundo turno, a tal ponto que o hoje governador Geraldo Alckmin teve menos votos no segundo turno de 2006 do que no primeiro.
É ponto pacífico entre os políticos que um acordo formal entre os candidatos no segundo turno não é tão importante quanto o candidato classificado encarnar uma proposta capaz de ser aceita pelos eleitores que, no primeiro turno, votaram contra a candidatura oficial. No caso de 2014, a se confirmarem as candidaturas de Marina Silva, Eduardo Campos e Aécio Neves, não é provável que todos estejam juntos no segundo turno.
No momento, o PSB não admite apoiar Marina Silva, por exemplo, considerando-a uma fundamentalista que prejudicaria o país com suas ideias. É provável até mesmo que já no primeiro turno os dois divirjam mais do que concordem.
Tanto Campos quanto Aécio têm mais possibilidades de receberem apoio mútuo, mas o PSDB não tem tantas divergências assim com Marina e poderia receber o apoio dela e de Campos num segundo turno, sendo claro que Aécio tem um perfil conciliador que facilita os acordos. Campos quase certamente receberia o apoio de Aécio, e de parte do eleitorado de Marina que busca uma alternativa nova, independente do radicalismo das ideias ambientais.
O senador Aécio Neves pretende dar a sua campanha um ar mais progressista, evitando a armadilha petista de colocar os tucanos como reacionários na política e entreguistas na economia. O que Aécio Neves teria a mais que seus companheiros oposicionistas é a estrutura partidária do PSDB espalhada pelo país. Devido a isso, o PSDB considera que no momento decisivo, parceiros tradicionais como o PPS e o DEM permanecerão coligados.
Aécio vem conversando nas mesmas áreas em que o governador de Pernambuco está testando suas possibilidades, como o PDT, mas também com o PTB e o PP, presidido pelo senador Francisco Dornelles, de quem é muito próximo. Mas só aceitará concorrer se estiver convencido de que a seção paulista do PSDB ficará ao seu lado, mesmo que Serra não seja persuadido a aderir ao projeto.
Assim como o governador de Pernambuco Eduardo Campos, também o senador Aécio Neves trabalha com a hipótese de o PMDB do Rio romper com o governo devido não apenas à questão dos royalties do petróleo como também à candidatura de Lindbergh Farias pelo PT ao governo do Rio. Nesse caso, Aécio tem a vantagem do relacionamento estreito que mantém não apenas com o governador Sérgio Cabral, mas com o prefeito do Rio Eduardo Paes, ambos vindos dos quadros do PSDB.
Além disso, Aécio pretende explorar sua ligação pessoal com o Rio de Janeiro, e também trabalha para conseguir um acordo sobre os royalties. Ele sabe, porém, que o partido terá pela frente, provavelmente no ano da eleição, que encarar o julgamento do chamado “mensalão mineiro”, que envolve o hoje deputado federal Eduardo Azeredo, à época presidente nacional do partido.
A partir da decisão do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do mensalão do PT, de que não há caixa 2 com desvio de dinheiro público, as chances de Azeredo escapar de uma condenação são mínimas. Ele já foi avisado de que, ao contrário do PT, o PSDB não pretende assumir sua defesa, e se não se desligar do partido, será expulso se condenado.
 
Fonte: O Globo

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

UM FUTURO PARA O PSDB?

José Augusto Guilhon Albuquerque e Elizabeth Balbachevsky

Na noite das eleições municipais, a mensagem de uma jovem universitária chegou com lágrimas na voz: "A oposição vendeu São Paulo para o governo". Tão desafiadora que merece uma resposta igualmente franca.

A derrota do PSDB na cidade onde nasceu, e no Estado que domina há 20 anos, se deve exclusivamente ao próprio partido. Não pode ser atribuída a intuições geniais do adversário, pois o candidato tucano - um dos mais expressivos nomes do partido - obteve menos de 30% do eleitorado contra um mar de 33% de votos não válidos.
É triste admitir, mas José Serra não precisou de adversários para ser derrotado.

O PSDB foi vítima de seu próprio sucesso. Nascido como uma federação de dissidências regionais do PMDB e do antigo PFL, logrou conquistar o eleitorado de centro graças ao gênio político de Franco Montoro, que lhe deu voz e horizonte político, reunindo um leque admirável de lideranças regionais com experiência e capacidade governativa.

Com a vitória de Fernando Henrique Cardoso em 1994 e, sobretudo, com sua reeleição, em 1998, o PSDB cresceu demais e desordenadamente, mas não o bastante para garantir uma maioria governativa. As vacas gordas transmitiram doenças crônicas: o esgarçamento das bandeiras, o caciquismo e uma crise de identidade que o impede de entender o seu próprio eleitorado e definir rumos coerentes.

Fernando Henrique, o líder de maior sucesso eleitoral e político na história tucana, jamais foi unanimidade no próprio partido. Seções inteiras do PSDB repudiaram o Plano Real, que não teria passado sem o apoio do PFL. Seções inteiras apoiaram Lula nas eleições de 1994. Em 1998, além de Lula, também apoiaram outro candidato. Lideranças expressivas renegam até hoje a maior fonte da popularidade e da base eleitoral do partido - o reconhecimento da estabilidade econômica e da robustez financeira conquistadas sob sua liderança. Alinhando-se à visão míope do PT, as candidaturas tucanas à Presidência no pós-FHC esmeraram-se em tratar seu legado como a vergonha da família - abertura da economia, privatizações, responsabilidade fiscal, reforma bancária, moeda forte -, permitindo que Lula e o PT fossem os únicos beneficiários do sucesso dessas políticas.

A perda da identidade abre as portas para o caciquismo: setores inteiros do PSDB preferem perder para o adversário a ter de dividir a vitória com o rival no próprio partido. Os caciques regionais bloqueiam a ascensão de futuros rivais nas capitais, tática que explica como lideranças fortes em 30 anos de domínio político - se contarmos desde Mário Covas como prefeito de São Paulo - só conseguiram emplacar um candidato em condições realmente competitivas em 2004, com Serra.

Sua quintessência é a coalizão de vetos, em vigor desde a sucessão de FHC em 2002. Diferentes lideranças, por diferentes razões, embora minoritárias, reúnem recursos de resistência suficientes para frustrar a eleição do eventualmente consagrado pela maioria do partido.

Foi assim em 2002 com Serra, que chegou a ser derrotado em Estados onde a coalizão tucana obteve vitória incontestável. Foi assim em 2006 com Geraldo Alckmin, que chegou ao segundo turno para ser hostilizado publicamente por seu próprio partido. Foi assim em 2010 com Serra, que, em que pesem seus erros de percurso, foi indiscutivelmente hostilizado por seus próprios pares antes, durante e depois da campanha.

O esgarçamento das bandeiras resulta diretamente da extensão das coalizões tucanas, para além do útil e do desejável. Para dar conta desse esgarçamento basta deixar uma pergunta no ar: quem sabe quais as posições da oposição tucana sobre a matriz energética brasileira desde o ministério Dilma Rousseff; sobre o atual modelo de crescimento; sobre a missão do Banco Central, sua tolerância com a inflação e o gasto público; sobre o desmantelamento da Petrobrás e a paralisia da política de exploração do pré-sal; sobre a política federal para enfrentar as mudanças climáticas; sobre o nacionalismo comercial e cambial; sobre o "controle social" da liberdade de imprensa?

Vivemos uma década de despolitização graças à capacidade do ex-presidente Lula para manipular corações e mentes. Os partidos, as ideias, os anseios de parte significativa do eleitorado foram ofuscados pelo culto à personalidade e pelo maniqueísmo do "nós contra eles".

Em artigo publicado em Opinião Pública (vol. 13, n.º 2, 2007), Elizabeth Balbachevsky e Denilde Holzhacker mostraram que o eleitor de Lula em 2006 diferiu significativamente do seu eleitor em 2002. Naquela eleição o voto em Lula não foi determinado, como nas eleições anteriores, pela identidade do eleitor com o PT nem por sua inclinação ideológica. Variáveis demográficas, como o nível de renda e de escolaridade, foram mais importantes na propensão para votar em Lula. Uma controvérsia foi criada sobre a emergência de uma nova realidade social e política, o "lulismo", capaz de alterar definitivamente a matriz do sistema partidário nacional.

As últimas eleições municipais, entretanto, evidenciam a perda de fôlego do personalismo. Lula considerou questão de honra bater seus adversários em dúzia e meia de cidades. Venceu em pouco mais de meia dúzia. É visível, ademais, um realinhamento do voto nacional, com as administrações municipais concentradas novamente em três grandes partidos, um ao centro (PSDB), outro à direita (PMDB) e outro à esquerda (PT). Com isso os tucanos precisam tomar algum rumo, pois há dois partidos emergentes prontos para ocupar o seu lugar ao centro (PSB) e à direita (PSD).

domingo, 9 de setembro de 2012

PIZZA AMARGA

O Estado de S.Paulo

A CPI que investiga as relações do contraventor Carlinhos Cachoeira com políticos e empresários decidiu suspender seus trabalhos até 9 de outubro - menos de um mês antes de sua conclusão, em 4 de novembro. A comissão, disse o vice-presidente da CPI, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), não pode se deixar "contaminar" pelas eleições municipais de 7 de outubro. O fato, porém, é que a decisão praticamente sepulta a comissão, sem que ela tenha analisado dados que poderiam esclarecer a amplitude do esquema que envolve a Delta Construtora e outras empreiteiras.

O cheiro de "pizza" ficou mais forte em meados do mês passado, quando a CPI adiou a votação de requerimentos para a quebra do sigilo bancário de empresas de fachada que receberam cerca de R$ 220 milhões da Delta, a principal empreiteira envolvida nas obras do governo federal no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento. Segundo investigações da Polícia Federal, essas empresas, no Rio e em São Paulo, teriam intermediado o repasse ilegal de recursos públicos para campanhas eleitorais. A retomada dos trabalhos da comissão, em 9 de outubro, não deixaria tempo útil para a quebra do sigilo, uma vez que o prazo para que as informações bancárias cheguem à CPI é de cerca de um mês.

Todo o esforço dos integrantes governistas da CPI foi no sentido de limitar o caso somente às relações da Delta com Cachoeira, e apenas no Centro-Oeste - para atingir o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, cujo nome aparece nas escutas telefônicas referentes ao escândalo. Cachoeira seria o "sócio oculto" da Delta e teria distribuído propinas para favorecê-la em Goiás, e Perillo é acusado de ter cobrado uma "comissão" da Delta para que seu governo pagasse o que devia à construtora, numa transação intermediada pelo contraventor. Esse deverá ser o enredo do relatório final da comissão.

Com a suspensão de suas atividades, a CPI confirma sua irrelevância. As duas consequências mais importantes da investigação do escândalo até aqui não nasceram das sessões inquisitivas do Congresso. Carlinhos Cachoeira está preso graças exclusivamente ao trabalho da Polícia Federal (PF); e Demóstenes Torres - o parlamentar que vituperava contra corruptos no plenário do Senado enquanto recebia mimos de Cachoeira em troca de sua influência política - teve seu mandato cassado em vista do que a PF descobriu.

Em favor da CPI, diga-se que ela teve ao menos um momento esclarecedor, quando Luiz Antonio Pagot, ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), contou, com a maior sem-cerimônia, que arrecadou para a candidatura de Dilma Rousseff à Presidência cerca de R$ 6 milhões em doações de empresas contratadas pelo órgão. Pagot admitiu que não foi lá muito "ético" em sua empreitada.

Não se esperava mesmo grande coisa de uma CPI que nasceu em boa medida graças ao desejo petista de fazer um contraponto à exploração política do caso do mensalão no Supremo. A ideia era constranger os tucanos, por meio do cerco a Perillo, e desacreditar o autor da acusação do mensalão no Supremo, o procurador-geral da República Roberto Gurgel, ao dizer que ele ajudou a atrasar o processo contra Cachoeira e Demóstenes.

Para o PT, uma parte de seus objetivos foi atingida, porque provavelmente um dos poucos "graúdos" a serem citados no relatório final da CPI será o governador do PSDB - poupando o PMDB, que por muitos anos governou o Estado onde já operava Cachoeira, e outros aliados que também têm negócios e relações íntimas com a Delta, como o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.

Diante disso, o vexame de uma CPI onde quase todos entram mudos e saem calados não é surpresa. Com tão inequívocas evidências de ilegalidades manufaturadas com dinheiro público, numa rede de corrupção cuja superfície foi apenas arranhada pelas investigações, saber que graças a um conluio político nada disso será objeto de escrutínio dá a esta "pizza" um sabor especialmente amargo.

terça-feira, 12 de junho de 2012

ÓPERA BUFA - CPI DA VERGONHA



A forma como o Partido dos Trabalhadores vem conduzindo os trabalhos da CPI do Cachoeira é ultrajante e vai além dos limites máximos do bom senso. Criada sob a pressão do ex-presidente Luiz Inácio da Silva, que tinha nessa manobra dois objetivos claros – atingir o governador Marconi Perillo e desqualificar o procurador da República Roberto Gurgel, a CPI foi transformada em ferramenta partidária, uma vez que a ordem do ex-metalúrgico é deixar o PSDB em má situação, o que em tese poderia ajudar o ex-ministro Fernando Haddad, candidato petista à prefeitura paulistana, com pífios 3% de intenção de voto.

Fora do palco do cotidiano político após a trapalhada com o ministro Gilmar Mendes (STF), Lula passou a disparar ordens a partir dos bastidores, as quais têm sido cumpridas de maneira tão submissa quanto irresponsável.

Ligado ao ex-ministro e deputado cassado José Dirceu, o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), é reconhecidamente despreparado para a função, pois não apenas desconhece detalhes do assunto investigado, como está direcionando as investigações com o intuito de poupar os muitos petistas envolvidos nos esquema criminoso comandado por Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Ao perguntar se o governador aceitava abrir mão do seus sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático, Odair Cunha, um inepto confesso, disse que Perillo estava na CPI na condição de investigado, quando na verdade sua participação se dá como testemunha. E nessa condição, a de testemunha, não há razão para pedir a quebra de sigilos. Isso mostra que Cunha está a serviço de seus verdadeiros mentores, o ex-presidente Lula e o ex-ministro José Dirceu, que tentam a todo custo esvaziar o julgamento do caso do Mensalão do PT.

Esse escorregão proposital de Odair Cunha foi suficiente para que os oposicionistas que integram a Comissão partissem em defesa do depoente, sendo que o relator foi obrigado a ouvir calado uma precisa carraspana técnica proferida pelo deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP), membro licenciado do Ministério Público paulista.

Antes desse ruidoso entrevero, o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) fez questão de destacar que a sessão desta terça-feira não passa de um massacre ao governador encomendado pelo PT. “É importante que conste dos anais dessa CPI que o massacre em cima da figura Marconi Perillo ocorreu pelo papel que ele desempenhou nas denúncias do escândalo do Mensalão, quando procurou o ex-presidente Lula para alertá-lo”, afirmou o senador paranaense.

Essa missa encomendada por Lula ganhou reforço na fala do deputado petista Dr. Rosinha (PR), que questionou a evolução patrimonial do tucano Marconi Perillo. Se no patrimônio do governador de Goiás há algo suspeito, que as autoridades investiguem a fundo, mas que o PT não se esqueça da evolução patrimonial de alguns diletos companheiros, como Antonio Palocci Filho, Fernando Pimentel, Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), ou, então, explique a origem do dinheiro que seria utilizado pelos aloprados de Lula para pagar o chamado Dossiê Cuiabá, conjunto de documentos apócrifos contra candidatos do PSDB.

Outra questão que poderia ser elucidada nessa lufada de moralismo que sopra a partir do PT é a contabilidade da campanha do então senador Aloizio Mercadante, cujos números foram contestados durante a CPI dos Correios pelo marqueteiro Duda Mendonça, que recebeu em conta bancária no exterior parte dos honorários referentes à campanha presidencial petista de 2002. Se esses poucos escândalos aqui descritos são poucos para esses moralistas de ocasião, que se investigue o crescimento meteórico da Delta Construção durante a era Lula. Só não o fazem porque a empreiteira pagou caro por esse crescimento e fez doações à campanha de Lula e de Dilma Rousseff. Fora isso, a Delta será poupada ao máximo porque um de seus lobistas junto ao governo federal atendia pelo nome de José Dirceu de Oliveira e Silva, popularmente conhecido nos subterrâneos da subversão como camarada Daniel.

Os integrantes da CPI do Cachoeira, começando por esses patrulheiros de plantão que ostentam estrela no peito, deveriam poupar o povo brasileiro de um espetáculo tão pífio e vergonhoso, facilmente considerado um atentado contra a democracia e também uma ode à corrupção, pois é sabido que os culpados sairão ilesos pela abundância do dinheiro e a manipulação do tempo.

Fonte: Ucho.Info

sábado, 2 de junho de 2012

LUIZ PAULO (PSDB) LIDERA EM VITÓRIA - ES

De acordo com o Instituto Futura o tucano se fortaleceu com a ausência do ex-governador.

Com Paulo Hartung (PMDB) de fora do tabuleiro eleitoral em Vitória, o tucano Luiz Paulo Vellozo Lucas fortalece seu nome. Aliado do ex-governador, Luiz Paulo cresce seis pontos percentuais e, nesse primeiro momento, é o principal beneficiado dos votos que eram destinados a Hartung. O tucano sobe para 31,2% e lidera o jogo na Capital.

De acordo com a pesquisa Futura para A Gazeta, o deputado Luciano Rezende (PPS), outro aliado do ex-governador, aparece na segunda posição, com 21,3%, seguido da petista Iriny Lopes (13,3%). Nesse cenário, a indicação é de que haja segundo turno. Os três pré-candidatos a prefeito oscilaram positivamente após a pesquisa realizada em abril, quando Hartung apareceu na frente, com 42,5% das intenções estimuladas de voto.

Na última segunda-feira, o ex-governador pôs fim às especulações e descartou se lançar na disputa.Os dados da pesquisa estimulada mostram ainda que os deputados Lelo Coimbra (PMDB) e José Esmeraldo (PR) se mantiveram praticamente do mesmo tamanho, com 6,2% e 6%, respectivamente. O resultado completo da pesquisa você confere no jornal A Gazeta deste domingo (03).


Fonte: A Gazdta

terça-feira, 13 de março de 2012

A PESCARIA DE AÉCIO

Aécio Neves vai aproveitar a sucessão municipal para desfilar ao lado de aliados de Dilma coligados com os tucanos em várias capitais do país. Assim, faz seus comerciais pelo Brasil e ajuda a colocar mais uma cunha entre os partidos e o PT

No ano passado, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) comentava com amigos que, tão logo passasse a eleição municipal, a extensa base do governo se desintegraria. Era impossível para qualquer gestor político administrar tantas cobranças, insatisfações e frustrações decorrentes da disputa eleitoral. Ele então, teria caminho livre para coletar aliados. Tudo parece ter se antecipado, em meio à interminável reforma ministerial da presidente Dilma Rousseff.


Por isso, antes de embarcar para Washington, onde foi tratar de assuntos de Minas Gerais, Aécio teve várias conversas. Suas andanças incluíram conversas com representantes de Pernambuco e Amazonas, e passaram também pelo Centro-Oeste. Não por acaso, o senador Blairo Maggi (PR-MT), sempre cotado para assumir o Ministério dos Transportes no governo Dilma, teve publicada uma frase dizendo que votará em Aécio para presidente, só não sabe se em 2014 ou em 2018.

Por falar em Blairo...
A frase pegou mal entre os caciques petistas e a turma do Planalto. Há quem tenha anotado a declaração para fazer a presidente Dilma perceber que fica esquisito ela chamar para compor o seu governo alguém que declara o voto futuro no adversário. Ou seja, um aliado que não é lá muito fã do modus operandi. Senão de Dilma, do PT.

Vale lembrar que, no ano passado, o então ministro da Defesa, Nelson Jobim, terminou saindo do governo por criticar a interlocução política de Dilma e, ao mesmo tempo, declarar que havia votado em José Serra na corrida presidencial. Blairo, pelo visto, "queimou esta segunda largada" para o ministério. (De outra vez, ele, convidado, recusou).

Por falar em José Serra...
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, trabalha silenciosamente a ida do PSB para a campanha de Serra à prefeitura de São Paulo. Faz isso mesmo depois de o presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, ter deixado claro que não abandonará Lula — e não dá para esquecer que o ex-presidente coloca a conquista de São Paulo como um projeto pessoal.

Kassab, que de bobo não tem nada, já percebeu que a fresta capaz de levar o PSB a apoiar Serra é o PT. Os petistas têm feito tantos desaforos para com o PSB paulista que podem terminar construindo um discurso que leve Eduardo Campos a tomar a seguinte atitude: "Fiz a minha parte, mas o PT não nos estendeu o tapete vermelho".

Por falar em PSB...
O fato de o PT tripudiar em cima dos socialistas paulistas pode até não ser suficiente hoje para tirar Eduardo Campos do lado do PT. Mas termina por deixar parte do PSB mais próxima de uma carreira solo em parceira com Gilberto Kassab ou mesmo dos tucanos. Afinal, PSDB e PSB são parceiros no Paraná, em Minas Gerais, em São Paulo, na Paraíba e por aí vai. Este mês, Campos estreita os laços com Teotônio Vilela (PSDB-AL) para a construção de um aeroporto comum, que sirva ao turismo do sul de Pernambuco e do norte de Alagoas.

Não é à toa que Aécio vai aproveitar a sucessão municipal para desfilar ao lado de aliados de Dilma coligados com os tucanos em várias capitais do país. Especialmente, o PSB. Assim, enquanto faz seus comerciais pelo Brasil, ajuda a colocar mais uma cunha na base governista. E, do jeito que base balança, essa tarefa está cada vez mais fácil.

Fonte:
Denise Rothenburg
Correio Braziliense

terça-feira, 6 de março de 2012

AÉCIO QUER PSB COM SERRA

Cerimônia de posse dos novos ministros da Educação, Aloizio Mercadante, e da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, no Palácio do Planalto com as presenças da Presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula
Aécio Neves alega que, hoje, a identidade do PSB em São Paulo é com o PSDB

São Paulo


O senador Aécio Neves (PSDB-MG) assumiu ontem um discurso de defesa da candidatura de José Serra a prefeito de São Paulo.

Ao participar de uma reunião com aliados políticos em Belo Horizonte para discutir parcerias para a eleição de outubro, Aécio defendeu o apoio do PSB a Serra, em São Paulo, e disse que tem conversado sobre isso com o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos.

Para o senador, deve prevalecer o "sentimento" do PSB, que é de adesão a Serra. Mas a cúpula do PSB ameaça com intervenção, porque a ordem nacional é se aliar a candidatos do PT, como Fernando Haddad em São Paulo.

"Acho que deveria prevalecer o sentimento da base do partido em São Paulo. Tanto do ponto de vista municipal, da cidade de São Paulo, quanto no Estado, o PSB é nosso parceiro em São Paulo. Não tenho dúvida que a identidade hoje em São Paulo do PSB é muito maior com o PSDB", disse Aécio Neves.

Ele alertou: "Qualquer decisão a fórceps pode não trazer o resultado que se busca na base. E uma decisão tomada de cima para baixo pode até garantir minutos de televisão para a candidatura do PT, mas pode não levar junto o apoio efetivo da militância e das bases do PSB".

Aécio disse saber que o PSB participa da base de sustentação da presidente Dilma Rousseff, que o partido tem "seus compromissos com ela". "A eventual eleição do Serra fortalece muito o projeto do PSDB, independentemente de quem seja o candidato do PSDB. Portanto, todos vamos estar unidos, à disposição, para, da forma que pudermos, ajudá-lo nesta eleição. E ele já mostra um enorme potencial desde a sua largada", disse.

Aécio avaliou que a candidatura de Fernando Haddad a prefeito de São Paulo, se não crescer nas pesquisas, poderá sofrer resistências dentro do PT, por ter sido imposta pela cúpula.

"Acho até que, mais uma vez, a imposição da qual foi vítima o PT, inclusive o de São Paulo, na definição de um candidato que não era o candidato das bases, pode levar o PT ainda a ter percalços neste caminho. Então, são coisas da política: um quadro que parecia, para nós, adverso, poucas semanas atrás, hoje, a meu ver, é extremamente adverso para o PT".

Pré-candidato a presidente em 2014, Aécio disse que a eleição municipal e a eleição para presidente não estão "tão ligadas" como se avalia. Ele disse que a eleição de 2014 só deve começar a ser pensada a partir de julho de 2013.

Campos
Já Eduardo Campos negou ontem que os diretórios estadual e municipal da legenda tenham fechado questão em torno da eventual aliança com o PSDB em São Paulo.

E garantiu que esta definição não sairá antes de junho - mês em que serão realizadas as convenções partidárias.

"A eventual eleição do Serra fortalece muito o projeto do PSDB, independentemente de quem seja o candidato do PSDB. Portanto, todos vamos
estar unidos"

Fonte: A Gazeta
 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

PSDB: APÓS AEROPORTOS, PT DEVE DESCULPAS POR PRIVATIZAÇÕES

 
Após o governo federal ter feito o leilão para a exploração dos terminais aéreos de Cumbica, em Guarulhos, Viracopos, em Campinas, e Juscelino Kubitschek, em Brasília, o PSDB defendeu nesta terça-feira a bandeira da privatização e disse que pretende levar o legado da venda da mineradora Vale e da telefonia às próximas eleições, tanto no pleito municipal de outubro quanto na corrida presidencial de 2014.

"Vai ser uma bandeira nas eleições municipais, estaduais, presidenciais, o que quer que seja. (Se não defender) não será candidato do PSDB. Nossa política, enquanto governo, legado, trajetória, não foi devidamente valorizada por nós e foi apropriada pelo PT e apropriada da forma mais cínica possível", disse o presidente nacional tucano, deputado Sérgio Guerra (PSDB-PE).
"Faltou defender (as privatizações) na campanha e na sua vida. A falta de defesa do nosso legado foi uma grande falta nossa. Não valorizamos como devíamos. Um partido que não valoriza sua história vive com dificuldades", admitiu o dirigente.

"Mais que desculpas ao PSDB, o PT deve desculpas à sociedade brasileira. Apregoou que a privatização é um mal e cedeu. O PT deve desculpas à sociedade brasileira como um todo", completou o líder tucano na Câmara dos Deputados, Bruno Araújo (PSDB-PE).

No leilão realizado na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) nesta segunda, o aeroporto de Brasília foi o que teve o maior valor acima da oferta mínima exigida pelo governo. O consórcio Inframerica Aeroportos levou a concessão na capital federal com a oferta de R$ 4,5 bilhões, ante preço mínimo de R$ 582 milhões - um ágio de 673%.

O consórcio formado por Invepar, OAS e a sul-africana ACSA, apresentou a melhor oferta econômica pela concessão do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP), no valor de R$ 16,2 bilhões, com ágio de 375% sobre o preço mínimo de R$ 3,4 bilhões. Já o consórcio que inclui a Triunfo Participações e a francesa Egis Airport Operation fez a proposta financeira mais elevada pelo aeroporto de Viracopos (SP), de R$ 3,8 bilhões. O preço mínimo era de R$ 1,47 bilhão - ágio de 159%. Os três aeroportos respondem, conjuntamente, pela movimentação de 30% dos passageiros, 57% da carga e 19% das aeronaves do sistema aéreo brasileiro.

Na avaliação do PSDB, que disse que, por ora, faz apenas uma "crítica política" à privatização dos aeroportos no governo Dilma, o Partido dos Trabalhadores (PT), que comanda o Executivo federal pelo terceiro mandato consecutivo, não teve "coragem política" de rever as críticas que fez às privatizações tucanas.

"Fiz uma crítica política às privatizações. Para uma crítica técnica vamos esperar os elementos. O filé foi cedido, o osso não. O problema (do PT) é não ter coragem política pelo que está fazendo. Houve a demonização de um processo que teve muito mais acertos do que erros. Estamos mais uma vez no caminho certo de uma forma obscura. A presidente assume um governo com o discurso contra as privatizações, (dizendo que é) 'coisa de tucano' e já devia ter feito a privatização dos aeroportos", declarou Sérgio Guerra.

Investimentos

Até o final da concessão de cada aeroporto estão previstos investimentos da ordem de R$ 4,6 bilhões em Guarulhos, R$ 8,7 bilhões em Viracopos e R$ 2,8 bilhões em Brasília. Os três aeroportos têm prazo de concessão diferentes. São 20 anos para Guarulhos, 25 anos para Brasília e 30 anos para Viracopos. Além da outorga, os concessionários terão que ceder um percentual da receita bruta ao governo, dinheiro que irá para um fundo cujos recursos serão destinados ao fomento da aviação regional. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai financiar até 80% do investimento total previsto no edital do leilão para os três aeroportos.

Copa 2014

As concessionárias também têm investimentos mínimos estabelecidos para obras concluídas até a Copa de 2014. Para Brasília, estão previstos R$ 626,5 milhões, que devem ir para um novo terminal de passageiros para pelo menos dois milhões de pessoas por ano. Em Viracopos, a vencedora do leilão terá que colocar R$ 873 milhões, incluindo um terminal para 5,5 milhões de passageiros por ano. Já em Cumbica, a empresa deverá construir um terminal para sete milhões e fazer investimento de R$ 1,38 bilhão. Além disso, estão previstas obras de ampliação de pistas, pátios, estacionamentos, vias de acesso. Os contratos assinados determinam o estabelecimento de padrões internacionais de qualidade de serviço.

O que muda na operação

- A estatal Infraero é responsável pela operação dos aeroportos no Brasil
- Agora, nos aeroportos concedidos, a Infraero será sócia dos concessionários privados, com participação de 49%

- A partir do contrato, haverá um período de transição de seis meses no qual a concessionária administrará o aeroporto em conjunto com a Infraero. Após esse período, que pode ser prorrogado por mais seis meses, o novo controlador assume o controle das operações do aeroporto

- A Infraero continuará operando 63 aeroportos no País, responsáveis pela movimentação de cerca de 67% do total de passageiros

- Não há previsão de aumento ou diminuição das tarifas
Fonte: Terra noticias

domingo, 8 de janeiro de 2012

TODOS "JAPONESES"

A eleição para a prefeitura de São Paulo, conforme está se desenhando até o momento, mais parece a perfeita tradução da mediocridade da política brasileira. Todos os candidatos até aqui apresentados são "japoneses", diz-se na gíria política, isto é, são todos igualmente desconhecidos do eleitorado e semelhantes nos seus anonimatos.

Diante desse quadro, não restou ao PSDB alternativa que não fosse a prévia, uma maneira de a direção partidária lavar as mãos na escolha de seu candidato, deixando que a militância decida o destino do partido que, pela primeira vez em muitos anos, ela, direção, não conseguiu definir.
Ao mesmo tempo, as prévias podem impulsionar uma revitalização da militância tucana na capital paulista, o que daria novo fôlego ao partido.

Os tucanos estão à frente do governo do estado de São Paulo há nada menos que 16 anos e retomaram o controle da prefeitura em 2004, quando José Serra, derrotado em 2002 para a Presidência da República por Lula, venceu a petista Marta Suplicy, tendo como vice Gilberto Kassab, àquela altura no DEM, que assumiria o posto para Serra disputar (e vencer) o governo do Estado em 2006.
O único nome forte para o PSDB tentar manter a hegemonia política na prefeitura seria o do próprio Serra, que até o momento mostra-se firme na disposição de não concorrer, guardando-se para uma hoje improvável candidatura presidencial em 2014 pelo PSDB.

Mas ainda há setores do partido que alimentam a esperança de que Serra venha a se candidatar no último momento, que seria entre março e abril.
O adiamento das prévias para março foi feito de comum acordo entre o governador Geraldo Alckmin e Serra. O governador espera dar tempo para Serra se decidir. Serra diz que ganhou tempo para tentar um acordo entre os partidos aliados.

Na sua visão, o ideal seria que cada um dos partidos potencialmente aliados - PSDB, PSD, DEM e PPS - indicasse seu candidato, e as pesquisas e negociações decidiriam a chapa mais forte.
Há, no entanto, quem acredite, inclusive no PT, que Serra deixou a decisão para março para ganhar mais tempo. Desta vez, a famosa indecisão de Serra tem sua razão de ser: se anunciar que disputará a Prefeitura, estará ao mesmo tempo anunciando que abandonou de vez seu sonho de vir a presidir o Brasil.

Isso porque, para dissipar qualquer dúvida de que ficará na prefeitura até o final do mandato se eleito, uma de suas principais fontes de rejeição hoje, teria que também anunciar seu apoio à candidatura de Aécio Neves à Presidência pelo PSDB em 2014.
Mesmo que sua candidatura à Presidência continue inviável no PSDB, Serra sempre teria a opção de tentar seu sonho presidencial por outra legenda, o PSD de Kassab ou o PPS, numa manobra radical.

O fato é que para disputar a prefeitura paulistana de forma competitiva será necessário ter um discurso coerente, o que fica difícil para o PSDB em relação à gestão de Kassab. se os dois partidos forem para a disputa desunidos.
Este foi o problema de Alckmin em 2008: não podia atacar a prefeitura, pois Kassab completara, de modo absolutamente fiel, o mandato de Serra na cidade, e também não podia defendê-la.

Neste ano, separados, nem o PSDB nem o PSD terão discurso na campanha, e o mais provável é que, sem a aliança, Kassab opte por não lançar candidato próprio, para não virar o grande saco de pancada da campanha, além do mais com pouco tempo de TV.

Para uma aliança, o PSD tem um candidato mais forte politicamente que os pré-candidatos do PSDB: o vice-governador Afif Domingos, que entra bem na classe média paulistana e tem a rede das Associações Comerciais como suporte a um discurso de defesa do consumidor, que marca sua vida política, levando-o a quase se eleger para o Senado. A outra opção de Kassab, o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, peca pela falta de apoio político.

Se a aliança do PSD de Kassab com o PSDB se mostrar inviável - e tudo indica que o será, pela distância que separa Alckmin do prefeito - , o mais provável é que o PSD se aproxime do PT, o que poderia dar vitória ao candidato de Lula, o hoje ministro da Educação Fernando Haddad, até mesmo no primeiro turno, pois traria para ele parte da classe média paulistana.

Mesmo com a impopularidade do prefeito em baixa neste momento, ele tem ainda recursos para reverter essa imagem. Além do mais, será difícil para o PSDB atacar sua gestão, pois ele tem se mantido fiel às diretrizes da gestão de Serra, e um ataque à sua gestão pode reverter contra o próprio PSDB.

O governador Geraldo Alckmin tem na reeleição seu objetivo principal, e considera que a eleição para a prefeitura não é determinante para o resultado da eleição de governo do estado.
Em conversas com aliados, ele tem lembrado que perdeu a prefeitura em 2000, mas ganhou o estado em 2002.

Num quadro mais amplo, Jânio ganhou de Fernando Henrique em 1985, e o PMDB ganhou o estado em 1986 com Quércia; Erundina ganhou em 1988 pelo PT, mas Quércia fez o sucessor em 1990. Maluf ganhou em 1992, mas Covas venceu em 1994. Serra perdeu em 1996, mas Covas se reelegeu em 1998.

Desta vez, no entanto, com a disposição de Lula de desbancar o PSDB do controle político de São Paulo, o quadro é diferente: o PT está entrando no décimo ano no governo central, com uma máquina política funcionando a pleno vapor e Lula no auge de seu prestígio político, mesmo que sua capacidade de influir na eleição de São Paulo seja reduzida, como mostraram as derrotas de Marta Suplicy e de Mercadante.

Se obtiverem o apoio da prefeitura, com Gilberto Kassab à frente do PSD, terão também uma máquina local para alavancar a candidatura de Haddad, e o prefeito se livrará da principal fonte de críticas a seu governo.
Os demais candidatos, tanto Gabriel Chalita pelo PMDB quanto eventualmente Celso Russomano pelo PRB e Soninha pelo PPS, não têm cacife político para transformar as críticas à prefeitura paulistana em elemento catalisador da campanha.

Fonte: Merval Pereira - O Globo

domingo, 25 de dezembro de 2011

UM ANO PARA SER ESQUECIDO

O governo Dilma Rousseff é absolutamente previsível. Não passa um mês sem uma crise no ministério. Dilma obteve um triste feito: é a administração que mais colecionou denúncias de corrupção no seu primeiro ano de gestão. Passou semanas e semanas escondendo os "malfeitos" dos seus ministros. Perdeu um tempo precioso tentado a todo custo sustentar no governo os acusados de corrupção. Nunca tomou a iniciativa de apurar um escândalo - e foram tantos. Muito menos de demitir imediatamente um ministro corrupto. Pelo contrário, defendeu o quanto pôde os acusados e só demitiu quando não era mais possível mantê-los nos cargos.

A história - até o momento - não deve reservar à presidente Dilma um bom lugar. É um governo anódino, sem identidade própria, que sempre anuncia que vai, finalmente, iniciar, para logo esquecer a promessa. Não há registro de nenhuma realização administrativa de monta. Desde d. Pedro I, é possível afirmar, sem medo de errar, que formou um dos piores ministérios da história. O leitor teria coragem de discutir algum assunto de energia com o ministro Lobão?

É um governo sem agenda. Administra o varejo. Vê o futuro do Brasil, no máximo, até o mês seguinte. Não consegue planejar nada, mesmo tendo um Ministério do Planejamento e uma Secretaria de Assuntos Estratégicos. Inexiste uma política industrial. Ignora que o agronegócio dá demostrações evidentes de que o modelo montado nos últimos 20 anos precisa ser remodelado. Proclama que a crise internacional não atingirá o Brasil. Em suma: é um governo sem ideias, irresponsável e que não pensa. Ou melhor, tem um só pensamento: manter-se, a qualquer custo, indefinidamente no poder.

Até agora, o crescimento econômico, mesmo com taxas muito inferiores às nossas possibilidades, deu ao governo apoio popular. Contudo, esse ciclo está terminando. Basta ver os péssimos resultados do último trimestre. Na inexistência de um projeto para o País, a solução foi a adoção de medidas pontuais que só devem agravar, no futuro, os problemas econômicos. Em outras palavras: o governo (entenda-se, as presidências Lula-Dilma) não soube aproveitar os ventos favoráveis da economia internacional e realizar as reformas e os investimentos necessários para uma nova etapa de crescimento.

Se a economia não vai bem, a política vai ainda pior. Excetuando o esforço solitário de alguns deputados e senadores - não mais que uma dúzia -, o governo age como se o Congresso fosse uma extensão do Palácio do Planalto. Aprova o que quer. Desde projetos de pouca relevância, até questões importantes, como a Desvinculação de Receitas da União (DRU). A maioria congressual age como no regime militar. A base governamental é uma versão moderna da Arena. Não é acidental que, hoje, a figura mais expressiva é o senador José Sarney, o mesmo que presidiu o partido do regime militar.

Nenhuma discussão relevante prospera no Parlamento. As grandes questões nacionais, a crise econômica internacional, o papel do Brasil no mundo. Nada. Silêncio absoluto no plenário e nas comissões. A desmoralização do Congresso chegou ao ponto de não podermos sequer confiar nas atas das suas reuniões. Daqui a meio século, um historiador, ao consultar a documentação sobre a sessão do último dia 6, lá não encontrará a altercação entre os senadores José Sarney e Demóstenes Torres. Tudo porque Sarney determinou, sem consultar nenhum dos seus pares, que a expressão "torpe" fosse retirada dos anais. Ou seja, alterou a ata como mudou o seu próprio nome, sem nenhum pudor. Desta forma, naquela Casa, até as atas são falsas.

Para demonstrar o alheamento do Congresso dos temas nacionais, basta recordar as recentes reportagens do Estadão sobre a paralisação das obras da transposição das águas do Rio São Francisco. O Nordeste tem 27 senadores e mais de uma centena de deputados federais. Nenhum deles, antes das reportagens, tinha denunciado o abandono e o desperdício de milhões de reais. Inclusive o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra, que representa o Estado de Pernambuco. Guerra, presumo, deve estar preocupado com questões mais importantes. Quais?

Falando em oposição, vale destacar o PSDB. Governou o Brasil por oito anos vencendo por duas vezes a eleição presidencial no primeiro turno. Nas últimas três eleições chegou ao segundo turno. Hoje governa importantes Estados. Porém, o partido inexiste. Inexiste como partido, no sentido moderno. O PSDB é um agrupamento, quase um ajuntamento. Não se sabe o que pensa sobre absolutamente nada. Um ou outro líder emite uma opinião crítica - mas não é secundado pelos companheiros. Bem, chamar de companheiros é um tremendo exagero. Mas, deixando de lado a pequena política, o que interessa é que o partido passou o ano inteiro sem ter uma oposição firme, clara, propositiva sobre os rumos do Brasil. E não pode ser dito que o governo Dilma tenha obtido tal êxito, que não deixou espaço para a ação oposicionista. Muito pelo contrário. A paralisia do PSDB é de tal ordem que o Conselho Político - que deveria pautar o partido no debate nacional - simplesmente sumiu. Ninguém sabe onde está. Fez uma reunião e ponto final. Morreu. Alguém reclamou? A grande realização da direção nacional foi organizar um seminário sobre economia num hotel cinco estrelas do Rio de Janeiro, algo bem popular, diga-se. E de um dia. Afinal, discutir as alternativas para o nosso país deve ser algo muito cansativo.

Para o Brasil, 2011 é um ano para ser esquecido. Foi marcado pela irrelevância no debate dos grandes temas, pela desmoralização das instituições republicanas e por uma absoluta incapacidade governamental para gerir o presente, pensar e construir o futuro do País.

Marco Antônio Villa - O Estado de S.Paulo

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

ATÉ TU, BRUTUS



Tudo dominado – Está cada vez mais evidente que a política é a arte da incoerência. Desde que o Partido dos Trabalhadores desembarcou no Palácio do Planalto, os agora partidos de oposição tentam sem sucesso retornar ao poder. Para tal têm tentado investidas das mais diversas, as quais são vergonhosamente aniquiladas pela força que emerge da base aliada, que no Congresso Nacional vota de acordo com as vontades palacianas.

Por questões históricas e numéricas quem lidera a oposição é o PSDB, partido que durante oito anos esteve no poder central com Fernando Henrique Cardoso e companhia bela. Recentemente, o PSDB tentou, sem sucesso, convocar o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), para que explicasse suas milionárias consultorias econômicas prestadas após a saída do petista da prefeitura de Belo Horizonte.

Entre os tantos argumentos elencados pelo tucanato está a questão da ética pública, algo raro de se encontrar nos dias atuais. Acontece que o discurso do PSDB cai por terra quando o líder do partido na Câmara dos Deputados, Duarte Nogueira, é flagrado em transgressão primária. De acordo com reportagem publicada na edição desta quinta-feira (22) do jornal “Folha de S. Paulo”, Duarte Nogueira “paga com dinheiro público um motorista particular que atende a seus filhos no interior paulista”.

Contratado desde julho passado como secretário particular do deputado tucano, com salário que pode chegar aos R$ 1.900 mensais, José Paulo Alves Ferreira, conhecido como Paulo Pedra, foi escalado para dirigir para os filhos de Duarte Nogueira em Ribeirão Preto, próspera cidade do interior paulista e reduto eleitoral do líder do PSDB.

O parlamentar entende que nada existe de anormal no caso, mas o Ministério Público Federal considera desvio de função a atuação de servidores em tarefas particulares. Em setembro, o Ministério Público do Distrito Federal do DF abriu inquérito para investigar o ex-ministro do Turismo e deputado federal Pedro Novais (PP-MA) por conta de transgressão idêntica.

Duarte Nogueira alega que o motorista presta serviços à família somente após o horário de expediente. Mesmo que essa seja a realidade dos fatos, Duarte Nogueira, que na Câmara representa um partido político que estoca insistentemente o governo atual e sonha com a volta ao poder, poderia evitar vexames dessa natureza, algo que no dito popular é conhecido como “coisa de larápio de penosas”.

Diante do mais novo escárnio, o PSDB deveria rever as cobranças que faz em relação aos atuais donos do poder, pois não importa o valor do delito cometido, mas o ato em si.
O grande enigma que ainda paira sobre a classe política é a questão dos altos investimentos nas campanhas eleitorais. Para se ter ideia da extensão do absurdo, um candidato a deputado federal por um estado do Nordeste, por exemplo, só alcança a seara da elegibilidade se aceitar que cada voto lhe custará R$ 50. Eleito por um partido de média expressão nacional, um candidato com 160 mil votos terá gasto, em três meses de campanha, R$ 8 milhões para chegar à Câmara. Acontece que nos quatro anos de mandato o eleito auferirá perto de R$ 1,5 milhão em salários. Até hoje ninguém ousou explicar esse delta financeiro, que no exemplo acima é de R$ 6,5 milhões

Fonte: Ucho.Info