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domingo, 4 de maio de 2014

DILMA E AÉCIO EMPATADOS NO ESPIRITO SANTO, PRESIDENTE TEM A MAIOR REJEIÇÃO


Candidata à reeleição, petista tem 23,1% das intenções no Estado, e o tucano marca 22,5%

Os capixabas estão divididos quanto à corrida eleitoral pela Presidência da República. Pesquisa realizada pelo Instituto Futura mostra que, no Estado, a presidente Dilma Rousseff (PT) tem vantagem sobre o segundo colocado, o senador mineiro Aécio Neves (PSDB), mas os dois estão tecnicamente empatados. 

Dilma tem 23,1% das intenções de voto entre os entrevistados, enquanto Aécio Neves registra 22,5%. Em terceiro lugar aparece o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), com 14,3%. 

Os dados são da pesquisa estimulada. Foram ouvidas 1,4 mil pessoas, em todas as regiões do Espírito Santo, entre os dias 22 e 28 de abril.

Na versão espontânea – na qual os nomes dos candidatos não são informados aos consultados –, Dilma assume a dianteira na preferência, com 11,7%. Na sequência está Aécio, com 7,3%, e até mesmo a ex-senadora Marina Silva (PSB) – que nem irá disputar o Palácio do Planalto – é citada, ocupando a terceira colocação (6,4%). 

Em seguida, o público ouvido apontou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com 5,1% das intenções de voto. Em último lugar na lembrança dos capixabas está Eduardo Campos, com 3,4%.

Em um cenário estimulado com a candidatura de Lula e sem a presença de Dilma, o ex-presidente lidera com 36,8%. Aécio surge na segunda posição, com 20,9%, seguido de Eduardo Campos, com 12,4%.

Rejeição

O candidato mais rejeitado – no qual os entrevistados não votariam em nenhuma hipótese – é a presidente Dilma Rousseff, citada por 42,9% das pessoas. Na sequência está Lula, com 15,9% de rejeição. Na terceira posição vem Eduardo Campos, com 14,4%. Quem tem a menor rejeição no Estado é Aécio Neves: 13,7%. 

Eleitorado

Dilma possui a maior intenção de voto entre os mais jovens, que têm de 16 a 19 anos, com 37,8% das menções. Já o tucano Aécio Neves é o predileto dos abordados pelo Instituto Futura que estão acima de 60 anos, com 27,9%. 

Campos registra a maior intenção de votos entre as pessoas que estão entre os 20 e 29 anos, com 18,6%. O socialista detém a maior preferência entre os entrevistados das classes A e B, com 23,4%, enquanto o senador mineiro tem melhor desempenho na classe C, com 27,2%, e Dilma se sai melhor nas classes D e E no Estado, com 25,5%. 

Em relação à escolaridade, a presidente é mais mencionada pelos entrevistados que têm o ensino fundamental, com 25,3%. O senador Aécio e o ex-governador de Pernambuco têm a predileção dos eleitores entrevistados com nível superior, com 24,9% e 27,4% das intenções de voto, respectivamente.
 
Presidente tira votos de Casagrande
 
O Instituto Futura perguntou aos entrevistados se, caso o governador Casagrande e a presidente Dilma fizessem campanha juntos, qual seria o reflexo na hora de decidir o voto: 35,4% disseram que não votariam em nenhum dos dois, 21,1% votariam apenas no governador, outros 14,9% votariam em ambos e 10,6% disseram que isso não interferiria na decisão.

Fonte: A Gazeta

PESQUISA FUTURA PARA O GOVERNO DO ESPIRITO SANTO


A cinco meses da eleição, cenário indica empate técnico

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O ex-governador Paulo Hartung (PMDB) tem 34,1% das intenções estimuladas de voto e o governador Renato Casagrande (PSB) 30% na disputa pelo Palácio Anchieta. É o que aponta pesquisa realizada pelo Instituto Futura a pedido de A GAZETA


Largada embolada com Dilma e Aécio

Para o Senado, Rose tem 21,9% e Coser 18,9%

Os dois estão tecnicamente empatados, segundo o instituto, se levarmos em conta a margem de erro,que é de 2,6 pontos percentuais para mais ou para menos. O resultado se refere a um dos cenários estimulados da pesquisa, em que os nomes dos possíveis candidatos são informados aos entrevistados.
Em terceiro lugar na disputa pelo Palácio Anchieta aparece o senador Magno Malta (PR), com 15,2%, seguido pelo ex-prefeito de Colatina Guerino Balestrassi (PSDB), que tem 1,9% das intenções de voto. O republicano ainda não confirmou se estará nessa disputa, mas também não retirou o nome do páreo.
Um segundo cenário, sem o nome de Magno, também foi testado entre os eleitores. Nesse caso, Hartung aparece com 39,4% das intenções estimuladas de voto, seguido de Casagrande, com 35% – novamente, segundo o instituto, ocorre empate técnico. Guerino tem 2,2% das intenções. A Futura ouviu 1,4 mil eleitores entre 22 e 28 de abril.
A pesquisa 
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Espontânea
Na pesquisa espontânea, Hartung foi mencionado por 24% das pessoas abordadas, enquanto Casagrande foi lembrado por 18%. Nesse recorte, chama a atenção o percentual de pessoas que se dizem indecisas: 40,1%.
“Eu diria que a eleição começa embolada. O percentual de indecisos na espontânea é quase o dobro da soma do percentual dos dois candidatos que estão à frente”, afirma um dos diretores da Futura, o economista José Luiz Orrico.
Hartung, no último dia 12, entregou uma carta ao PMDB em que se coloca à disposição para concorrer ao governo. Casagrande é nome certo para tentar a reeleição, embora ainda não tenha falado abertamente sobre o assunto.
Já Magno também é autor de uma carta, enviada, em fevereiro, à direção nacional do PR. Mas o pedido era para ser candidato à Presidência da República. Ainda sem resposta positiva, o senador pretende ser candidato ao Palácio do Planalto, mas não descarta o Anchieta.
Rejeição
O nome mais rejeitado na corrida ao governo do Espírito Santo é justamente o de Magno: 27,9% dos entrevistados disseram que não votariam nele “em nenhuma hipótese”. O segundo mais rechaçado é Balestrassi, com 22,9%. Casagrande tem 12,2% de rejeição e Hartung, 8,3%.
Orrico lembra que Hartung e Casagrande fazem parte do mesmo grupo político. “A disputa entre os dois seria um racha no grupo que está no poder há 11 anos. Vai ser difícil para o eleitor compreender isso. Mas se o primeiro sentimento será de surpresa, depois o eleitor vai comparar o passado dos dois. Claro que a campanha será voltada para o futuro, para o que eles pretendem fazer no governo, mas o que o eleitor vai comparar mesmo é o passado”, prevê o diretor do instituto.
A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) sob o número 00005/2014.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

AS AGRURAS DA PRESIDENTE

O Estado de S.Paulo
Em política, nunca se deve dizer nunca, ressalvou dias atrás o ex-presidente Lula, antes de reiterar a lealdade à candidatura de sua afilhada Dilma Rousseff à reeleição. Ela mesma invocou o termo ao responder à inescapável pergunta sobre o "Volta, Lula" que lhe foi feita por jornalistas esportivos em um jantar - cujo prato de resistência deveriam ser os preparativos para a Copa e os protestos contra o evento - segunda-feira, no Alvorada. "Nada me separa dele e nada o separa de mim", entoou. "Sei da lealdade dele a mim, e ele da minha lealdade a ele."
Menos por isso, decerto, do que por saber que Dilma não tem a mais remota intenção de desistir da chance de passar mais quatro anos no Planalto e por pressentir que a operação da troca de nomes poderá não ser, nas urnas, o sucesso que a justificaria, Lula há de calcular que, para si, melhor do que ter elegido um poste será reeleger o poste que, em vez de iluminar, estorva. Se der errado, a culpa, naturalmente, será de Dilma. Se der certo, será a consagração de sua trajetória como o maior líder de massas da história nacional. Guardadas as diferenças, ele já rodou esse filme.
Em 2009, desistiu de buscar o terceiro mandato consecutivo não necessariamente por reverenciar a regra do jogo, que o proíbe, mas por intuir que talvez não pudesse pagar o preço político da tentativa de mudá-la. Antes fazer e tornar a fazer o sucessor, e se guardar para 2018. Não obstante o "nunca", a sua tendência é de permanecer leal a esse traçado. Ocorre que, por si só, o alarido em torno do "Volta, Lula" - resultado do desgosto dos aliados com o desempenho da presidente, do seu fracasso em construir uma coalizão de interesses da qual fosse ela a líder e do receio petista de perder o poder em 2015 - agrava a sua avitaminose política e acentua a sua vulnerabilidade eleitoral.
Um episódio deixa isso claro. Horas antes da entrevista de Dilma, o líder do PR na Câmara, Bernardo Santana, da base governista, se fez fotografar pendurando na parede o retrato de Lula. Segundo ele, 20 dos 32 membros da bancada preferem que o ex-presidente seja o candidato. "Só Lula tem condição de enfrentar qualquer crise", alegou. Pouco importa que tenha se recusado a identificar os supostos 20 lulistas. Pouco importam também as divisões internas no partido que possam ter parte com o anúncio. O ponto é que, estivesse Dilma nadando de braçada nas pesquisas, Santana não se sentiria inseguro do que o espera nas urnas a ponto de aprontar-lhe tamanha desfeita.
A cena de um político aliado afixando a imagem de um Lula com a faixa presidencial é o símbolo mais contundente das agruras de Dilma. É inevitável a comparação com o hino da vitoriosa campanha a presidente do ex-ditador Getúlio Vargas, em 1950. "Bota o retrato do velho outra vez / Bota no mesmo lugar", dizia a marcha que arrebatou o carnaval daquele ano. Eis o carma da presidente. Um dia lhe perguntam o que acha do "Volta, Lula". No outro, ontem cedo, numa entrevista a rádios baianas, o que acha da fidelidade dos partidos alinhados com o Planalto. A resposta é pura Dilma sem açúcar: "Gostaria muito que, quando for candidata, eu tivesse o apoio da minha base, da minha própria base. Agora, não havendo esse apoio, a gente vai tocar em frente".
Falta tocar o eleitor. Por mais que os resultados dos levantamentos de intenção de voto devam ser vistos com cautela - a três meses do início da campanha na TV e a cinco da ida às urnas, quando a disputa ainda não entrou no radar da grande maioria dos brasileiros -, o fato é que a mera coerência dos números da queda da candidata acelera o processo de seu desgaste. Sinal disso é que a equipe da reeleição, segundo uma inconfidência, já se dará por feliz se a chefe parar de cair nas próximas sondagens. A expectativa de vitória no primeiro turno se dissipou. Era, de resto, uma fantasia: nem Lula, apesar de toda a sua popularidade, conseguiu liquidar a fatura logo de saída na reeleição.
Já a aprovação a Dilma - a sua bagagem para as urnas - se aproxima perigosamente do nível que, para os especialistas, conduz antes à derrota do que à vitória eleitoral, sejam quais forem os adversários

domingo, 9 de março de 2014

UMA ELEIÇÃO CHEIA DE "POSTES"

GAUDÊNCIO TORQUATO - O Estado de S.Paulo
A ideia lançada por Lula pegou: a eleição de outubro deverá ser a mais povoada de "postes" nestes tempos cheios de surpresas, reviravoltas e maquinações no terreno político. No Maranhão, no Ceará, em Pernambuco e na Bahia, candidatos tirados do bolso do paletó dos chefes do Poder Executivo começam a "iluminar" o ambiente regional, na esteira da nova liturgia que se instala na paisagem: a elevação de perfis ao altar de governador de Estado sem os escolhidos passarem pelo longo corredor de mandatos parlamentares e, na maioria dos casos, sem terem obtido um voto popular sequer em sua trajetória.
O fato não chega a ser uma novidade, eis que tanto a chefe da Nação como o prefeito da maior cidade do País tomaram seus assentos sem nunca se terem submetido ao sufrágio universal. Coisas novidadeiras numa cultura política escrita com o lápis de caciques e sob a tradição de costumes passados de pais para filhos, cuja expressão de modernidade é mais a idade dos novos coronéis do que pensamento comprometido com reformas na seara política.
Nos férteis terrenos eleitorais do PT, feitos extraordinários costumam ser creditados ao feeling do ex-presidente Luiz Inácio, que escolhe e impõe nomes ao partido, como ocorreu com a presidente Dilma Rousseff e o prefeito Fernando Haddad. Maior liderança popular e mais forte cabo eleitoral do País, "respirando política por todos os poros", como dele se costuma dizer, sua vontade é ordem e sua orientação, lei. Não sobra perfil capaz de contrariá-lo. Seguindo essa vereda, os governadores Cid Gomes, Roseana Sarney, Eduardo Campos - pré-candidato à Presidência - e Jaques Wagner, entre outros, dão mostras de que o modo lulista de escolher candidato é a "invenção da vez". Pode ser até uma forma menos democrática, por privilegiar o recorrente mote "quem é dono da flauta dá o tom". Mas, inegavelmente, é medida prática. Evita discussões prolongadas entre aliados, acelera a formação de parcerias, antecipa o jogo eleitoral, na medida em que os preteridos passam a seguir outros rumos, enquanto eventuais dissabores passam a ser administrados no balcão de recompensas. Afinal de contas, qual o significado desse novo modus faciendi?
Sobressai, primeiro, a sensação de um sopro de renovação na esfera política. Algo como, se a reforma política está emperrada no Congresso, a sociedade à sua maneira pavimenta o caminho de novas lideranças, elegendo perfis assépticos, não contaminados pelo vírus da corrupção, particularmente quadros técnicos com experiência na administração pública. À inércia do poder centrífugo (Legislativo, Executivo) reage o poder centrípeto (a força social organizada), que identifica na planilha de nomes aqueles com capacidade de representar as demandas populares. Portanto, o novo ordenamento condiz com o clima social. Há muito se clama por partidos com programas claros e consistentes; representantes mais próximos das comunidades; um sistema de votação que contemple quadros de maior expressão eleitoral, sem puxar para a Câmara candidatos de parca votação; figuras que desfraldem os valores republicanos.
As imagens são inescapáveis: o copo de água suja transbordou. Ou, ainda, não há mais como jogar para debaixo do tapete o lixo acumulado pela velha política. O eleitor mostra-se cansado de ouvir as mesmas lorotas. A cada legislatura se recorre à pregação da reforma política. Às vésperas do pleito, o saldo é zero. Como ir às urnas respirando os ares poluídos que há décadas contaminam os pulmões da República? Pouca coisa muda e, ante a inação do Poder Legislativo em matéria eleitoral, as decisões, mesmo homeopáticas e de pouco empuxo na escala dos avanços, acabam sendo tomadas pelo Judiciário. Os últimos retoques no reboco do velho casarão das urnas acabam de ser dados pelo Tribunal Superior Eleitoral, que proibiu o uso de telemarketing em campanhas eleitorais, obrigando, ainda, à adoção de legenda ou à língua de sinais (Libras) nos debates a serem promovidos pela TV. Por falta de densidade (responsabilidade do Legislativo), a Justiça Eleitoral usa o pincel para uma rápida camada cosmética. Mais uma questão de lana-caprina.
E assim as frustrações das camadas sociais se vão acumulando e disparando os mecanismos de cognição dos conjuntos eleitorais. O primeiro movimento é na direção das caras novas no palco da política. Na parede dos velhos retratos a atenção se volta para a última foto, a figura desconhecida, o sinal diferenciado no painel da mesmice. "Quem sabe esta pessoa não faria melhor do que o fulano (quem foi mesmo?) em quem votei na última vez (quando mesmo)?" - essa é a dúvida do eleitor. Portanto, os dirigentes tirados da cartola por Lula e os "postes" que tentarão exibir sua luz nos próximos meses são, na verdade, extensões simbólicas do ciclo que se abre na política por força de uma nova disposição social, cuja inspiração é querer romper com velhos paradigmas. Para chegar à Presidência não há mais necessidade de longa carreira política, como a que teve Jânio Quadros. Eleito suplente de vereador em 1947, assumiu o mandato com a cassação de vereadores; depois, foi o deputado estadual mais votado (1951) e, em seguida, prefeito de São Paulo (1953), governador do Estado (1955), deputado federal pelo Paraná (1958, mas não exerceu o mandato), presidente da República (1961) e novamente prefeito de São Paulo (1985).
A par dos traços de assepsia política presentes nos perfis dessa nova geração de dirigentes, o feitio técnico complementa a identidade, a denotar sua agregação à esfera da administração planejada e consequentes programas com foco em prioridades, ações balizadas por critérios racionais e de pouco comprometimento com populismo eleitoreiro. Esse é o dilema que enfrentam, pois a modelagem técnica das gestões nem sempre resulta em urnas fartas. O consolo é constatar que o voto começa a deixar o coração do brasileiro para chegar à cabeça

segunda-feira, 22 de julho de 2013

A VOZ DAS RUAS E OS RUMOS DE 2014


Em carta enviada à direção nacional do PT, reunida no sábado, a presidente Dilma afirma ter ouvido, “desde o início”, a voz das ruas. Mas não é isso que pensa o cidadão, a julgar pelas últimas pesquisas.

Os números apontaram queda na popularidade da petista. E isso indica que ela reagiu mal ao movimento que foi para as ruas do país, cometeu erros em série e se tornou um dos principais alvos da insatisfação popular.

Na última pesquisa do Ibope, Dilma registrou a maior rejeição. O índice mais que dobrou em quatro meses: era de 20% em março, e agora 43% dizem que não votariam nela. É o maior percentual entre os cinco candidatos testados na pesquisa (Marina Silva, Aécio, Neves, Eduardo Campos e Joaquim Barbosa, além de Dilma).

Outros números são desfavoráveis à presidente, embora ela ainda lidere a corrida eleitoral e tenha o governo aprovado por 55% (a aprovação era de 63% em março).

Em paralelo, Marina foi quem mais aproveitou a queda livre dos índices de Dilma. O potencial de voto dela subiu de 40% para 50%. A ex-ministra também empata com Dilma nas simulações de segundo turno (Dilma marcou 35%, para 34% de Marina).

Até aqui, os resultados confirmam a leitura de alguns observadores da política, de que as manifestações de junho mudaram a lógica eleitoral. A insatisfação demonstrada nas ruas indica que o eleitor tende a ser mais crítico em 2014. Mas não apenas isso.

A tendência por ora parece ser a do voto mais crítico, na oposição e naqueles que não são políticos, ou contra todos identificados com o sistema atual. Isso ajuda a explicar por que Marina vem capitalizando intenções de voto com a rejeição a Dilma.

A ex-senadora tenta criar um partido que, no conceito, se propõe a oferecer uma renovação ao sistema político atual, anacrônico e claramente repudiado pelo eleitor. E ela própria não parece ser vista pelos cidadãos como alguém da política.

Aliás, o momento se mostra ruim para todos com mandato, mesmo aqueles de viés mais progressista e sem histórico de corrupção e desvios. Por isso é que, para algumas lideranças, as manifestações de junho trouxeram um “mundo novo” no país, que abre espaço para a renovação na política e para o surgimento de “terceiras vias”.

Mas o outro lado dessa rejeição aos políticos e ao poder é que isso também pode levar ao messianismo e ao despontar de figuras de perfil conservador e discurso fácil, mas convincentes para setores do eleitorado.


Fonte: Praça Oito - A Gazeta