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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

EM 2001 LULA E O PT APOIARAM A GREVE DOS PMS DA BAHIA, AGORA SE CALAM



Quem te viu… – O silêncio do PT diante da greve de policiais militares da Bahia já era esperado. A missão de enfrentar a opinião pública ficou a cargo do governador Jaques Wagner, a quem compete dar as devidas explicações sobre o caos que se instalou na terra de todos os santos.

O acanhamento petista, que não aconteceu por ocasião da reintegração de posse de área conhecida como Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), se deve ao fato de que ilustres petistas patrocinaram greve da mesma PM baiana em 2001. É o caso do próprio Jaques Wagner.

Além do governador baiano, o ex-presidente Luiz Inácio da Silva patrocinou e incentivou a greve dos policiais militares da Bahia, em 2001. Na ocasião, Lula, que engrossava o estridente discurso oposicionista, acusou o então governador baiano César Borges de ter incitado a violência, saques e arrastões durante a greve da PM para, de acordo com o ex-metalúrgico, enfraquecer o movimento grevista.

Durante a Caravana da Agricultura Familiar, realizada em julho de 2001 na cidade gaúcha de Santa Maria, Lula disparou contra o Palácio de Ondina, sede do Executivo baiano. “Acho que, no caso da Bahia, o próprio governo articulou os chamados arrastões para criar pânico na sociedade. O que o governo tentou vender? A impressão que passava era a de que, se não houvesse policial na rua, todo baiano era bandido. Não é verdade. Os arrastões na Bahia me lembraram os que ocorreram no Rio em 92, quando a Benedita [da Silva, petista e atual vice-governadora do Rio] foi para o segundo turno [nas eleições para a prefeitura]. Você percebeu que, na época, terminaram as eleições e, com isso, acabaram os arrastões?”, disse o agora situacionista Lula da Silva.

Sobre o direito de greve dos servidores públicos, matéria que aguarda aprovação por parte do Congresso Nacional há mais de duas décadas, Lula defendeu a tese de que todo trabalhador tem o direito de cruzar os braços. “A PM pode fazer greve. Minha tese é que todas as categorias de trabalhadores que são consideradas atividades essenciais só podem ser proibidas de fazer greve se tiverem também salário essencial. Se considero a atividade essencial, mas pago salário mixo, esse cidadão tem direito a fazer greve. Na Suécia, até o Exército pode fazer greve fora da época de guerra”, declarou Luiz Inácio.

É sabido que a incompetência de Lula leva a discursos vazios e oportunistas, mas  queremos  saber se o ex-presidente continua agarrado ao discurso de então ou mais uma vez jogará a coerência na vala do descarte. Como bem disse o próprio Lula, para alfinetar sues adversários políticos, “nunca antes na história deste país”.

Fonte: Ucho.Info

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

JAQUES WAGNER DIZ QUE NÃO NEGOCIA COM PM BANDIDO MAS FOI A CUBA BAJULAR DITADOR ASSASSINO



Dois pesos – A greve dos policiais militares da Bahia, que reivindicam melhores salários, caminha cada vez mais na direção do impasse. Enquanto os representantes dos grevistas continuam amotinados na Assembleia Legislativa baiana, o governador Jaques Wagner disse, em entrevista concedida no domingo (5), que não negocia com bandido e que não concederá anistia aos líderes do movimento.

A habilidade de Wagner para lidar com grevistas parece que ficou estacionada nos tempos em que o Partido dos Trabalhadores, partido do qual o governador é um dos fundadores, incitava greves em todo o País. Em 2001, quando a Bahia era governada por César Borges, então afilhado político do finado ACM e agora na base de apoio ao governo Dilma Rousseff, o mesmo PT de Jaques Wagner incentivou e financiou parcialmente a greve dos policiais militares. Na ocasião, os petistas baianos doaram dinheiro aos grevistas e disponibilizaram alguns veículos para o comando de greve. O movimento, deflagrado pelo mesmo motivo, durou dez dias e também provocou onda de terror no estado.

É sabido que os governantes têm contra si a Lei de Responsabilidade Fiscal, que impede gastos extras, a começar por reajustes salariais, mas governar é algo que exige talento e bom senso, pois a população não pode ser refém de uma queda de braços sem fim.
Antes de viajar para Cuba a convite da residente Dilma Rousseff, o governador da Bahia já sabia da possibilidade de uma greve por parte dos policiais militares e de suas desastrosas consequências. Wagner pode dizer o que quiser a respeito dos grevistas, menos chamá-los de bandidos, mesmo que os revoltosos estejam agindo como tal. Esse impedimento se deve ao fato de Jaques Wagner ter deixado o povo baiano à deriva, enquanto beijava a mão do sanguinário ditador cubano Raúl Castro.

Não se trata de defender a greve que transformou Bahia em faroeste a céu aberto, mas de reconhecer o direito de cada trabalhador de buscar o melhor para si. Entre um bandido que pleiteia melhores salários e outro que prende e endossa a morte lenta dos dissidentes, o primeiro é menos criminoso.


Fonte: Ucho.Info

CLIMA EXPLOSIVO NA BAHIA, O PT PROVANDO DO PRÓPRIO VENENO

Presidente da Assembleia pede a Exército retirada de PMs, e grevistas prometem resistir

Mais de 80 homicídios, o pedido formal de desocupação da Assembleia Legislativa, feito pelo presidente da Casa ao Exército, e a chegada de uma tropa especial da Polícia Federal a Salvador reforçaram ontem o clima de tensão que domina a capital baiana, desde o início da greve dos policiais militares. No início da noite, a luz foi cortada no prédio, e o líder do movimento, o ex-bombeiro Marco Prisco, conclamou os grevistas a resistirem, recomendando que não usassem armas de fogo. No local, além dos grevistas havia filhos e mulheres dos policiais amotinados.

Quarenta homens do Comando de Operações Táticas, a "tropa de elite" da Polícia Federal (PF), chegaram à cidade por determinação do governo federal. A missão do grupo é cumprir 11 dos 12 mandados de prisão expedidos contra alguns grevistas e levar os detidos para presídios federais. Quatro blindados do Exército circulavam pelas ruas de Salvador ontem. Os veículos, do tipo Urutu, foram enviados de Recife.

O presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Marcelo Nilo (PDT), pediu ao general Gonçalves Dias, comandante das forças de segurança na Bahia, na 6a Região Militar do Exército, apoio para a retirada dos grevistas do prédio da Assembleia, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), até a meia-noite de ontem, sexto dia de paralisação da Polícia Militar do Estado. Nilo afirmou que não admite que o prédio seja usado para "abrigar fugitivos da Justiça com mandado de prisão em aberto": — A Assembleia está funcionando de forma precária, os funcionários estão faltando ao serviço, há homens armados pelos corredores, pelas rampas de acesso e utilizando os banheiros. Já perdi a paciência, desde sexta-feira tentamos uma maneira pacífica para desocupar o local.

Por volta das 21h de ontem, Prisco desceu a rampa da Assembleia e disse aos manifestantes ter recebido uma contraproposta do "coronel Castro".
Segundo ele, a proposta contemplava anistia para todos os policiais, pagamento parcelado de dois tipos de gratificação e a revogação de 11 dos 12 mandados de prisão expedidos pela Justiça, menos o dele. A proposta foi rejeitada pelos grevistas.

Desde que a greve começou, terçafeira passada, foram registrados 82 homicídios em Salvador e Região Metropolitana, de acordo com boletins da Superintendência de Telecomunicações das Polícias (Stelecom).
Ontem foram registrados oito casos de assassinatos, seis deles cometidos em bairros de Salvador: três em Valéria, um em Marechal Rondon, um em Itinga e um em Pau da Lima. Os outros dois ocorreram em cidades vizinhas da capital, Madre de Deus e Candeias.

Nos seis primeiros dias de greve, o número de homicídios na capital e Região Metropolitana aumentou 129% em comparação ao mesmo período da semana anterior. Das 21h de terça-feira às 13h de ontem, foram registrados 78 homicídios pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA). No mesmo período da semana anterior, ou seja, das 21h do dia 24 de janeiro às 13h do dia 29, foram registrados 34 homicídios, segundo os dados da secretaria.

Escolas em férias forçadas

Cerca de 450 escolas da rede privada no estado devem continuar em férias forçadas. O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia (Sinep-BA), Natálio Dantas, confirmou ter emitido recomendação para que as escolas particulares da Bahia só retornem às aulas após o fim do motim de policiais militares. O grupo educacional que reúne os colégios São Paulo, Anchieta e as unidades Anchietinhas confirmou que acatará a orientação do sindicato, suspendendo as atividades amanhã.

— Os pais devem usar o nosso site como canal de comunicação. Nossa preocupação é a segurança dos alunos durante o trânsito deles — afirmou Antônio Bamberg, diretor técnico e pedagógico das escolas que somam 4,5 mil estudantes na capital.

Na rede pública estadual, cerca de um milhão de estudantes e 40 mil professores voltam às aulas hoje, em meio ao cenário conturbado da segurança pública, devido à paralisação de parte de efetivo de 32 mil policiais militares. O secretário estadual da Segurança Pública, Maurício Teles Barbosa, garantiu que o retorno escolar ocorrerá normalmente, garantido pela presença de homens do Exército e de policiais militares não amotinados.

Não informou, contudo, quantos homens atuarão na segurança dos colégios estaduais: — Há um centro de operações à disposição das forças, e o gabinete emergencial já está funcionando. Temos uma parcela ínfima de grevistas, bem menor que o número do início.

A estimativa inicial do governo é que um terço (pouco mais de dez mil policiais) do total de PMs tenha parado.
Sem dar detalhes da distribuição do efetivo pela capital e pelo interior, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general José Nardi, afirmou que mais de três mil homens estão na Bahia, "a maior massa" já empregada nessas operações.

O primeiro integrante do movimento grevista preso, na madrugada de ontem, é Alvin dos Santos Silva, lotado na Companhia de Policiamento de Proteção Ambiental (COPPA).
Segundo nota do governo, ele foi detido pelo comandante da própria companhia, major Nilton Machado, por formação de quadrilha e roubo de patrimônio público (viaturas).
O policial também responderá a um processo administrativo na corporação. Alvin foi encaminhado para a Polícia do Exército. Com a prisão dele, a polícia cumpre o primeiro dos 12 mandados de prisão expedidos pela Justiça.

Marco Prisco, líder da greve e presidente da Associação dos Policiais, Bombeiros e dos seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra), passou mal na noite de sábado e precisou ser acompanhado por uma enfermeira. Ele sofre de problemas de coração e recebeu medicação intravenosa.
O governador Jaques Wagner, por intermédio de sua assessoria de imprensa, negou que tenha ajudado, em 2001, a greve dos policiais militares, acusação feita sábado por Prisco.
— Essa informação é absurda. O governador tem uma carreira política amplamente conhecida pela sociedade.
A responsabilidade e o compromisso com a democracia são alguns dos seus princípios de ação na vida pública — disse o porta-voz Ipojucã Cabral.
Sábado, a secretaria de Segurança recuperou as 16 viaturas que estavam em poder dos grevistas.

Fonte: O Globo

sábado, 3 de dezembro de 2011

LUPI AO AZEITE DE WAGNER

A caminho de São Paulo para uma visita ao ex-presidente Lula - amigo e companheiro de antigas lutas sindicais, governo e disputas eleitorais em tratamento de saúde -, o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), deu uma parada em Brasília no melhor estilo da gente do Candomblé no cumprimento de "obrigação".

No Planalto, antes de seguir viagem para São Bernardo, aproveitou para jogar quase uma garrafa inteira de azeite de dendê na enorme frigideira na qual o ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), vem sendo fritado há mais de um mês.
Para jornalistas e quem entende de signos da comunicação, do poder ou das coisas de santo dos terreiros, Wagner não poderia ter sido mais claro em suas previsões e expectativas quanto ao destino de Lupi.

O governador está convencido de que, com o relatório da Comissão de Ética Pública entregue à presidente da República esta semana, criou-se "uma situação de esquina" para o ministro do Trabalho. "Uma situação quase insustentável", concluiu o governador em Brasília. O aviso mais que explícito, dado na quinta-feira, seguia ontem com a ressonância nacional de um tambor de candomblé, mesmo sendo o tocador um judeu de origem.

O "toque" repercutia em diferentes ambientes do poder, a ponto de começar a causar estragos sérios nas sempre frágeis e complicadas relações do PT com o PDT desde o tempo do polêmico ex-governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola. Mas qual um "João Teimoso", o ministro do Trabalho segue renitente e de ouvido moucos, apesar de já praticamente não ter mais em que e em quem se segurar. Salvo, diga-se a bem da verdade, alguns poucos como o deputado Paulinho da Força, que até ofendeu preconceituosamente os integrantes da Comissão de Ética, para defender a permanência do parceiro de partido no ministério de Dilma.

Bastante parecido (até como figura física) com aquele boneco vendido nas feiras do Nordeste em épocas natalinas como agora, Lupi balança mas não cai. Segue pulando na frigideira quente. Isso - é preciso ressaltar em razão da velocidade dos fatos e das subidas e quedas na política do País -, pelo menos até a sexta-feira em que escrevo estas linhas.

Enquanto Lupi e muita gente mais na política, no governo e no jornalismo esperam a volta da presidente Dilma da Venezuela, para ver o que acontece, o governador da Bahia aproveitou para seguir à risca o ditado sobre o poder, que ensina: "Espaço vazio é espaço ocupado".

Antes de seguir viagem no voo da rota Bahia-Brasilia-São Paulo que o levaria ontem à presença de Lula, o governador deu uma entrevista ao programa "Poder e Política" da TV UOL (grupo Folha), conduzido pelo jornalista Fernando Rodrigues. Uma conversa destas que prometem render por muitos dias ainda.

Sobre o caso Carlos Lupi, Jaques Wagner falou bem ao seu jeito. Às vezes um petista de raiz, às vezes um pessedista desde criancinha. Considerou "insustentável" a situação do ministro do Trabalho depois da sentença da Comissão de Ética Pública da presidência da República, mas ao mesmo tempo admitiu a possibilidade de não ser ainda o desenlace. Dilma, segundo ele, pode decidir que o ministro ficará no governo até a reforma ministerial prevista para janeiro, e assim haverá ainda muito desconforto até 2012.

"Seria melhor sair logo e deixar o secretário executivo (do ministério) assumir interinamente", recomendou Wagner. Com o trânsito que ele aparenta desfrutar no Planalto desde que sentava ao lado da atual presidente no ministério do primeiro mandato de Lula, ninguém melhor que o atual governador da Bahia para dar o aviso, ou cumprir a "obrigação". Jaques Wagner disse muito mais na entrevista ao jornalista da UOL/Folha, mas não vem ao caso agora nas linhas finais deste artigo.

A não ser registrar o que Jaques Wagner - amigo do peito de Mãe Stella, a mais acatada Yalorixá da Bahia desde a falecida Menininha do Gantois - revelou que estava levando para a visita ontem, primeira sexta-feira de dezembro de 2011, ao amigo Lula, em São Paulo: "oferendas, energias positivas".

Ah, e uma imagem da beatificada Irmã Dulce dos Pobres, porque na Bahia a mistura faz bem, sempre foi assim. E o pernambucano Lula, que não cansa de afirmar que em outra geração foi baiano, entende muito bem.

Vitor Hugo Soares - Bahia em pauta