Este espaço se destina a discutirmos qualquer assunto de interesse de seus visitantes. Politica, esportes, economia, segurança,relações humanas, ação social,religião, educação, cultura e principalmente saúde, de uma forma simples, direta e sincera para que todos se sintam encorajados a participar.
Documento de diplomata americano foi revelado pelo site WikiLeaks esta semana
A diplomacia americana considera que a corrupção durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva era "generalizada e persistente" e atingia todos os Três Poderes. A avaliação foi revelada em uma carta enviada há um ano e meio pelo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, ao procurador-geral americano, Eric Holder.
Na carta, que servia como uma preparação para a visita de Holder ao Brasil, Shannon fez ainda um raio X da Justiça brasileira, acusando-a de "despreparada" e "disfuncional". O documento foi revelado esta semana pelo WikiLeaks.
Essa não é a primeira revelação sobre os comentários da diplomacia americana sobre a corrupção no Brasil. Documentos de 2004 e 2005 revelaram a mesma preocupação e mesmo o risco de os escândalos do mensalão acabarem imobilizando o governo.
Mas o que fica claro é que, mesmo no último ano do governo Lula, a percepção americana não havia mudado sobre a presença da corrupção na administração. E o fenômeno não se limitaria aos Três Poderes. Segundo Shannon, as forças de ordem também seriam prejudicadas por "falta de treinamento, rivalidades burocráticas, corrupção em algumas agências e uma força policial muito pequena para cobrir um país com 200 milhões de habitantes".
Outra constatação da diplomacia americana foi sobre os problemas enfrentados pela Justiça no Brasil. "Apesar de muitos juristas serem de alto nível, o sistema judiciário brasileiro é frequentemente descrito como sendo disfuncional, permeado por jurisdições que se acumulam, falta de treinamento, burocracia e atrasos", escreveu o embaixador.
Para Shannon, "polícia, procuradores e juízes precisam de treinamento adicional" no Brasil. "Procuradores e juízes, em especial, precisam de treinamento básico para ajudá-los a caminhar em direção a um sistema acusatório mais eficiente", escreveu.
O delator do Wikileaks, Bradley Manning, está sendo sujeitado a uma tortura brutal na prisão militar dos EUA, como parte de um esforço para silenciar e intimidar qualquer futuro delator. O governo está dividido em relação ao abuso de Manning. O Presidente Obama se preocupa com a reputação global dos EUA -- uma petição massiva poderá pressioná-lo a parar a tortura:
Agora mesmo Bradley Manning, o delator do Wikileaks, está sendo torturado em uma prisão militar nos Estados Unidos. O Manning está sendo sujeitado ao isolamento absoluto, tática que pode enlouquecer a pessoa, com curtos períodos por dia onde ele é totalmente despido e abusado verbalmente pelos outros presos.
O Manning está aguardando julgamento por liberar documentos militares secretos ao Wikileaks, incluindo o vídeo dos soldados americanos massacrando civis iraquianos. Este tratamento brutal parece ser parte de uma campanha de intimidação para silenciar qualquer delator e derrubar o Wikileaks. O governo dos EUA está dividido sobre este assunto com diplomatas criticando publicamente o exército pelo tratamento do Manning, mas com o Presidente Obama ainda alheio ao caso.
O Obama se preocupa com a reputação global dos EUA -- nós precisamos mostrar para ele o que está em jogo. Vamos gerar um chamado global massivo ao governo dos EUA pedindo o fim da tortura de Manning e observação da lei. Assine a petição abaixo -- a nossa mensagem será entregue através de anúncios ousados e atos públicos em Washington DC assim que conseguirmos 250.000 assinaturas:
No papel, os EUA são contra a tortura. A constituição do país proíbe “punições cruéis e incomuns”. E junto com outras centenas de países, os EUA assinaram a convenção internacional que promete tratar todos os prisioneiros “com humanidade e respeito pela dignidade inerente da pessoa humana”. Mas hoje o Bradley Manning está completamente isolado na sua cela, sem lençóis, sem poder se exercitar e sendo sujeito à humilhação brutal que está causando danos psicológicos sérios. Isso viola a lei internacional e dos Estados Unidos.
Bradley está sendo mantido sob o status de “prevenção de danos” apesar de 16 relatos de profissionais de saúde mental do exército declararem que ele deve ser removido destas condições severas. Os seus advogados estão tentando garantir os seus direitos humanos e constitucionais básicos nos tribunais, mas por enquanto o tribunal militar responsável pelo destino do Bradley ignorou o seu sofrimento.
Desde as revelações explosivas dos crimes militares dos EUA no Afeganistão e Iraque, e outros numerosos cabos diplomáticos, houve uma perseguição ao Wikileaks. Muitos especulam que esta pressão brutal sobre o Bradley tem a intenção de forçá-lo a comprometer o fundador do Wikileaks Julian Assange. Porém, o Obama prometeu ao mundo e aos EUA que ele iria proteger e não perseguir delatores:
"Geralmente a melhor fonte de informação sobre desperdício, fraúde e abuso nos governos vem de um funcionário do governo comprometido com a integridade pública que está disposto a fazer uma denúncia. Estes atos de coragem e patriotismo, que às vezes salvam vidas e geralmente economizam verbas públicas, deverão ser incentivados e não amordaçados.”
O tratamento cruel do Bradley é o contrário, ele manda uma mensagem tenebrosa a outros que queiram expor informações importantes. Vamos agir rapidamente para colocar pressão internacional sobre os Estados Unidos, para eles honrarem o seu compromisso com os direitos humanos e a proteção de delatores, acabando com este tratamento cruel e chocante de seu próprio cidadão. Assine a petição agora:
O Bradley Manning diz que é um patriota e admite ter liberado informações que ele sentiu que o mundo tinha o direito de saber. Mesmo para as pessoas que discordam com o Wikileaks e os méritos ou deméritos daqueles que entregam informações para eles, a tortura ilegal do Bradley Manning, que ainda não foi a julgamento nem foi condenado por nenhum crime, é uma violação vergonhosa dos direitos e dignidade humana.
Com esperaça e determinação,
Emma, Ricken, Pascal, Janet e toda a equipe da Avaaz.org
Fontes:
“Caso Manning”: Ameaça para Liberdade de Expressão nos Estados Unidos
Telegramas secretos da diplomacia norte-americana revelam que, sob o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, países sul-americanos se incomodaram com a liderança brasileira e chegaram a pedir aos Estados Unidos que “contivessem” as ambições do Brasil na região. Os despachos foram divulgados pelo grupo WikiLeaks. Entre os que solicitaram à diplomacia norte-americana que atuasse contra o aumento da influência do Brasil estão Colômbia, Chile e Paraguai.
Em 11 de fevereiro de 2004, numa conversa entre o então presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, e uma delegação do alto escalão da diplomacia dos EUA, o incômodo com as ambições de Lula ficou claro. “Uribe disse que sua relação com Lula é complicada”, relata o telegrama. O ex-líder de Bogotá e forte aliado de Washington alertou na ocasião para a agenda externa de seu colega brasileiro: “Lula se esforça para construir uma aliança antiamericana na América Latina”, teria dito Uribe.
“Lula é mais pragmático e mais inteligente do que (Hugo) Chávez, mas é conduzido por seu histórico de esquerda e pelo ‘espírito imperial’ do Brasil para se opor aos EUA”, acusou o ex-presidente colombiano. Em outro trecho, Uribe ainda acusa o presidente brasileiro de não ter cumprido sua promessa de lutar contra o narcotráfico.
Em telegrama de 19 de maio de 2005, a então chanceler do Paraguai, Leila Rachid, queixou-se ao embaixador americano em Assunção, Dan Johnson, sobre o comportamento de seu colega brasileiro, Celso Amorim, e sua ideia de convocar uma cúpula entre países árabes e sul-americanos. Johnson, por sua vez, disse que o evento promoveria “gratuitamente tensões entre a comunidade árabe e judaica no Brasil”. Ele pediu ainda que, na declaração final, elogios ao Sudão fossem evitados. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Percebemos que Hugo Chávez foi fazendo tudo o que Fidel o instrui na carta.
Primeira Etapa
“Os pobres são maioria e têm pouca memória. Injeta-lhes esperança e acusa o passado, à Democracia de todos os seus males. Mantém-te em linha permanente com teu povo. Identifica-te com eles. Teu verbo tem de ser simples; isso lhes chega muito bem, pois tens o tempero que faz falta. Emociona-os, leva-os em consideração. Aprende a manipular a ignorância. O verbo deve ser inflamado, de autoridade e poder; não te preocupes com os ricos e a classe média, [pois] não são mais que 80% de pobres o que tu necessitas. Os ricos saem correndo se lhes fazes "Buu!!!"
Os católicos adoram menções da Bíblia ou de Cristo. Os católicos, em que pese ser a grande maioria na Venezuela, não fazem nada. Rezar, sem ações, não vão chegar a parte alguma; são uns bobalhões. Enquanto a igreja está adormecida, aproveita. Quando decidirem mover-se, já estarás instalado. Lembra que a igreja é “escorregadia”. Segue fustigando. Os católicos sem liderança não são ninguém. Nenhum padreco vai reagir. Há dois ou três que querem rebelar-se, porém seus superiores os encurralam. Se vês um sacerdote católico alvoroçado, compra-o, chama-o, ganha-o para ti; se o povo cristão se te rebela, esse será teu último dia... porém, dificilmente esse dia virá. Os judeus na Venezuela não contam, os Evangélicos são uns pobres coitados e as demais religiões para que nomeá-las? Cita o Cristo, sempre, fala em seu nome, lembra que isto a mim me deu excelentes resultados.
Inclui bandeiras e Simón Bolívar quando possas. Gera um novo nacionalismo. Desperta o ódio, divide os venezuelanos. Esta etapa te dará bons dividendos... Se eliminarão uns aos outros, a violência te ajudará também a instalar-te mais tarde à força. Entretanto, fale-lhes de Democracia. Tens dinheiro, compra a fidelidade enquanto cumpres os teus objetivos. Quando consegues o que queres se se opõem ou te aconselham, despreza-os. Envia-os a embaixadas, dá-lhes dinheiro para que se calem ou tira-os do país para que a imprensa não os utilize. Os que se oponham “planta-lhes” delitos; isso desqualifica para sempre. Por todos os meios mantém maioria na Assembléia. Mantém a teu lado no mínimo a Procuradoria e o Tribunal. Compre todos os militares com comando de tropa e equipamentos. Põe-os onde há bastante dinheiro. Compra banqueiros. Grandes comerciantes e construtores. Dá-lhes contratos, trabalhos e facilidades para esta primeira etapa.
Segunda Etapa
Para a segunda etapa tens que haver formado Comitês de Defesa sa Revolução que os podes chamar de “Bolivarianos”. Faz trabalho comunitário com eles para que te defendam agradecidos. Paga-lhes para que sigam teus alinhamentos (marchas, concentrações). Dos comitês seleciona os mais agressivos para uma força de choque armada que podem necessitar se a coisa se põe difícil. Controla a Polícia, destrói-a. Ponha-na à tua disposição. Na segunda etapa tens que aprofundar a visão da Revolução. Deve-se mencionar muito a palavra revolução. Isto emociona os pobres.
Aqui tens que fraturar as uniões de trabalhadores e de empresários que podem fazer oposição. Aqui temos que conseguir com que os trabalhadores estejam filiados a uma central paralela. Com dinheiro se consegue. Do mesmo modo, tens que armar uma central de empresários paralela. Ataca os empresários. Acusa-os de famintos, fascistas e particularmente acusa-os de golpistas; faz-te de fraco.
A mente dos homens se situa no mais fraco e na injustiça. Se não o podes comprá-los, fecha os meios de comunicação radial, impressos e televisoras. Tua empresa de petróleo é quem te produz o dinheiro do projeto. Põe uma Junta Diretora Revolucionária. Demite os técnicos e acaba com essa chamada meritocracia.
Terceira Etapa
Se tens tudo nesta etapa podes seguir para a terceira. Na terceira etapa podes violar a Constituição porque ninguém vai te impedir. Ordena invasões. Distribui armas, drogas e dinheiro. Acusa-os de espiões e corruptos. Desprestigia-os. Prende muitos jornalistas, empresários, líderes trabalhistas. Os demais escaparão do país ou serão punidos.
Reestrutura o Gabinete. Aqui podes desfazer-te de teus colaboradores. A alguns podes premiá-los e outros desprezá-los pois já não há oposição. Tens que pôr camaradas. Estabelece o chamado constitucionalmente. Estado de Exceção; Suspende garantias. Lança o toque de recolher. Apura-te, olha se o povo te está achando excelente. Fecha todos os meios de comunicação. Destrói Prefeitos e Governadores da oposição.
Anuncia a reestruturação de todas as áreas do Estado e a elaboração de uma nova Constituição. Forma um Conselho de Governo com 500 membros. No Conselho Assessor do Governo estarei eu. Há que fuzilar os opositores que não aprendem. Isso é a única coisa que os silencia e é mais econômico.
Nunca deixes que se organizem, nem deixes que conheçam tuas intenções. Seremos respeitados novamente com o Marxismo-Leninismo. Brasil, Equador, Venezuela e Cuba a passos indestrutíveis. Se vejo que não tens colhões, recolho todo o meu pessoal; podem me matar os militares, quando se te ergam, se não me fazes caso. Que estás esperando, Hugo?”
Nota: Todas estas “orientações” mereciam destaque em negrito, pela monstruosidade aí contida, por isso privilegiei apenas algumas palavras e o trecho final que fala claramente no Eixo do Mal, tão veementemente negado por “seu” Lula, pelos “intelectuais orgânicos”, imprensa “amiga” e “companheiros de viagem” do Brasil e do mundo. Que isto nos sirva de alerta vermelho, pois a Venezuela está muito próxima de efetivar esta Terceira Etapa e nós já demos muitos passos dentro desta perspectiva medonha e criminosa.
Comentários e traduções: G. Salgueiro - Notalatina
La precariedad económica en la isla favorece la corrupción, según la legación de EEUU
Pagan sobornos de miles de dólares para poder trabajar en una gasolinera y traficar con el combustible.
La corrupción en Cuba es un fenómeno generalizado que alcanza tanto a la cúpula del Partido Comunista como a profesionales sin adscripción política, según los cables de la Sección de Intereses de Estados Unidos en La Habana filtrados por WikiLeaks. Los nuevos datos revelados muestran que las prácticas corruptas “reinan” en un régimen depauperado, señala el diario El País de Madrid. Según estos cables, “las prácticas corruptas incluyen el soborno, la malversación de los recursos estatales y los chanchullos contables”, incluida la compra por cientos o miles de dólares de puestos de trabajo que más tarde derivarán en pingües tráficos de influencias. Los mensajes subrayan que el robo y la corrupción “de supervivencia” son prácticas generalizadas en la Policía, el sector turístico, el transporte, la construcción y la distribución de alimentos.
En los cables se hace referencia a las comisiones ilegales que cobran los funcionarios de la isla a través de cuentas bancarias abiertas en el extranjero a su nombre o al de testaferros.
Un informe de 2006, pero cuyo contenido es confirmado en líneas generales por cables de años posteriores, cita a un empresario suizo que afirmaba que “como en cualquier lugar en el mundo, un contrato de un millón de dólares supone [para el comisionista cubano] 100.000 dólares en el banco”.
Los papeles de la legación estadounidense apuntan que muchos de los empleos estatales que ofrecen mayores oportunidades de lucrarse, se obtienen sorbornando al funcionario responsable del nombramiento. “Un trabajo con acceso a una gasolinera puede costar miles de dólares, pues permitirá al beneficiario traficar con el combustible”, cita El País , que refiere que un em- pleo en el sector turismo, con posibilidades de recibir propinas, vale cientos de dólares.
En cuanto a los Comités de Defensa de la Revolución, los cables indican que a la hora de asignar a los ciudadanos los bienes más cotizados (televisores, neveras, etc) aplican un doble criterio: “las credenciales revolucionarias [de los peticionarios]… y su capacidad adquisitiva”.
Según la legación estadounidense, las autoridades cubanas toleran las corruptelas de supervivencia hasta cierto punto, aunque pueden actuar con severidad cuando los desvíos de dinero son muy importantes, de ahí las periódicas destituciones de ministros y altos cargos.
Para dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, o Bolsa Família ajuda as famílias pobres, mas transformou-se numa ferramenta eleitoral que distorce o sistema político.
Essa avaliação, feita em outubro de 2007 ao então cônsul-geral dos EUA em São Paulo, Thomas White, consta de telegrama diplomático obtido pelo site WikiLeaks (www.wikileaks.ch).
A organização teve acesso a milhares de despachos.
Quando questionado sobre o Bolsa Família, dom Odilo afirmou que o programa tem efeitos contraditórios.
Do lado positivo, ajuda concretamente os pobres e faz com que mais dinheiro circule nas comunidades. Se as famílias observarem as regras, mantendo as crianças na escola e as vacinando, o programa pode trazer benefícios de longo prazo.
Do lado negativo, o cardeal ressalta o risco de os beneficiários desenvolverem dependência da bolsa e diz que a associação do programa com o governo federal e o PT o transformou num instrumento eleitoral que distorce o sistema político.
Na mesma conversa, dom Odilo afirma que a Teologia da Libertação perdeu força nos últimos anos, deixando de ser um "problema sério".
Ao referir-se à perda de fiéis para evangélicos, dom Odilo diz que a Igreja Católica falhou em sua missão de aprofundar a fé das pessoas.
O desafio agora é fazer com que a igreja seja ouvida, mas, segundo ele, isso é difícil, pois a mídia tradicional não dá muita atenção a mensagens de caráter moral.
Elas não vendem, diz o cardeal, que aproveitou para fazer críticas à Record, do líder evangélico Edir Macedo.
Para dom Odilo, a televisão opera como uma empresa comercial, mas também serve aos interesses dos evangélicos pentecostais.
Num outro despacho, este de março de 2006, o então cônsul-geral em São Paulo, Christopher McMullen, relata a conversa que teve com o então arcebispo da região metropolitana, dom Cláudio cardeal Hummes.
Nela, o religioso avalia a gestão de Lula, a quem conhece desde a ditadura.
Dom Cláudio diz que o governo foi bem na macroeconomia. Ele vê o Bolsa Família com mais simpatia do que dom Odilo. Para ele, porém, o que faltava até 2006 era crescimento econômico.
Em relação ao escândalo do mensalão, dom Cláudio diz que Lula "não o merecia". Para o religioso, o presidente foi mal servido por pessoas de seu entorno. Nomeia especificamente o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.
A análise diz, ainda, que o Brasil "não confia nas intenções dos EUA, em particular com relação à Amazônia, aos esforços do Brasil pela integração regional e, mais recentemente, às descobertas de petróleo em seu litoral"
O GLOBO ONLINE
Documentos agora revelados pelo WikiLeaks mostram, claramente, que apesar das declarações formais de ambas as partes - reafirmando um relacionamento bilateral cada dia mais amistoso - ainda existe uma carga enorme de suspeição nas relações entre os Estados Unidos e o Brasil.
"O Brasil tem uma necessidade quase neurótica de ser igual aos Estados Unidos, e de ser visto assim, e leva muito a sério mensagens dos EUA considerando o Brasil como o líder regional que procuramos para resolver problemas na América do Sul", diz um telegrama enviado pela embaixada americana em Brasília ao Departamento de Estado, em 30 de outubro de 2009, caracterizando o sentimento brasileiro.
A análise diz, ainda, que o Brasil "não confia nas intenções dos EUA, em particular com relação à Amazônia, aos esforços do Brasil pela integração regional e, mais recentemente, às descobertas de petróleo em seu litoral". E arremata: "Por um lado, o governo do Brasil vê a presença dos EUA como usurpação de sua área, uma ameaça à sua liderança e à sua segurança, tanto diretamente, por causa das tensões criadas com a Venezuela, como indiretamente.
Por outro lado, o Brasil se sente traído pela falha do governo dos EUA em reconhecer a primazia brasileira na região, deixando de consultar com antecipação sobre nossas atividades na América do Sul, e especialmente aquelas com implicações de segurança nacional".
'Chancelaria brasileira ciumenta e anti-ianque'
Os comentários surgem ao final de uma série de oito telegramas, entre julho de 2006 e outubro de 2009, referentes especificamente às reações contrárias do Brasil ao, então recentemente firmado, Acordo de Cooperação de Defesa EUA-Colômbia - com a implantação de bases americanas naquele país.
O então embaixador colombiano em Brasília, Tony Jozame, em conversa com diplomatas americanos, atribuiu o repúdio brasileiro a três fatores: "Jozame compartilhou sua visão pessoal sobre por que os brasileiros tiveram uma reação inicial tão negativa, dizendo que a maior parte do problema é causada pelo Ministério de Relações Exteriores que é esquerdista, anti-ianque, e ciumento da liderança de qualquer outro país na região".
Mais adiante, a encarregada de negócios da Embaixada dos EUA, Lisa Kubiske, registrou: "Jozame disse que a liderança no Ministério de Relações Exteriores (do Brasil) é muito esquerdista e, por isso, eles não apoiam uma cooperação maior entre a Colômbia e os Estados Unidos.
Além disso, ele acredita que o Brasil tem ciúmes porque não gosta que assuntos sejam negociados ou discutidos sem que o Brasil apareça num papel de liderança". Jozame chegou a dizer que Marco Aurélio Garcia, o assessor especial de política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - e que continua no cargo no governo de Dilma Rousseff - "é conhecido como simpatizante das Farc" (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).
O embaixador Marcel Biato, outro conselheiro de política externa de Lula, explicou aos americanos que, embora reconhecendo o direito soberano da Colômbia de negociar um acordo militar com os EUA, o Brasil não poderia ignorar "as sérias implicações" disso para a estabilidade na região.
E completou: "Enquanto os EUA mantiverem uma presença na região, essa será uma difícil e nevrálgica questão que ressurgirá periodicamente e exigirá uma administração constante. Ao mesmo tempo em que o Brasil entende as razões para uma presença dos EUA na Colômbia, a meta do governo brasileiro é trabalhar para remover as condições que fazem necessária tal presença".
Temor de abalo nas relações bilaterais com o Brasil
Segundo a embaixada americana, ao informar sobre o acordo militar entre EUA e Colômbia, a mídia brasileira foi "sensacionalista e se baseou pouco nos fatos", caracterizando a iniciativa como a criação de bases americanas no país vizinho.
"Ao mesmo tempo, o incidente pesou profunda e amplamente nas suspeições das intenções dos EUA na América do Sul, com base na leitura do Brasil de anteriores intervenções americanas na região", diz um dos telegramas sugerindo, a seguir, que em certa medida isso poderia vir a travar as relações bilaterais.
"Juntando isso com as preocupações do Brasil sobre a Quarta Frota (dos EUA, atuando na região) e as velhas preocupações sobre perder a Amazônia, esse último incidente traz à tona o baixo nível de confiança que muitos brasileiros têm nos EUA, o que é algo a considerar essencialmente à medida em que buscamos expandir nossa parceria bilateral".
O blog Wikileaks Brasil (*) traz sérias denúncias sobre possíveis fraudes ocorridas nas nossas urnas eletrônicas, que elegeram Dilma presidente.
Além de historiar toda a trajetória e presença de hackers internacionais no Brasil a convite do governo Lula, há no site um filme que demonstra porque nos Estados Unidos a urna eletrônica não foi aprovada: especialistas mostram como uma eleição pode ser facilmente fraudada, através de cartões magnéticos pré-programados ou por infestação de vírus, que se espalha por todas as urnas eletrônicas.
Conheça a figura de Richard Stallmann, um dos mais famosos hackers do mundo, fundador do movimento free software, do projeto GNU, e da Free Software Foundation(FSF) ("Fundação para o Software Livre"). No Forum Internacional do Software Livre em junho de 2009, Richard Stallmann foi apresentado a Lula. Em 2006 Stallman falou das eleições presidenciais do Brasil em Málaga.
Outra figura estranha: Kevin Mitnick, um hacker americano que ficou preso por cinco anos. Ele esteve em São Paulo entre os dias 23 de setembro a 2 de outubro de 2010, para um único compromisso no dia 30 de setembro no Hyatt Hotel, uma palestra. O que esse hacker estava fazendo em São Paulo até as vésperas da votação do primeiro turno das eleições presidenciais?
Chamou a atenção do mercado de informática a quantidade de memórias flashs que os TSEs compraram em todo o Brasil. (Para fraudar uma urna eletrônica tem que se mexer em seus Flash Cards, que são um interno e um externo ou mexer na programação que é colocada na própria fábrica). As urnas eletrônicas brasileiras são fabricadas pela Diebold. Essa empresa só faz sucesso no Brasil. Nas eleições americanas ficou provado que as urnas Diebold roubaram votos de Al Gore e também nas eleições legislativas. O mundo todo sabe mas parece que só os brasileiros e venezuelanos não sabem: urnas eletrônicas não são seguras. Lula e o TSE blindaram as urnas eletrônicas. Não dá nem pra fazer recontagem de votos. Ela se auto apaga quando expede o resultado.
(*) Curiosamente, existem pelo menos três blogs/sites com o nome Wikileaks Brasil na rede. As denúncias sobre as urnas eletrônicas estão à disposição no link acima. Tudo indica que sejam verdadeiras. Como as denúncias são recorrentes há meses, seria interessante que os órgãos responsáveis pela correição e justiça eleitorais se manifestassem a respeito, com a maior clareza e isenção
DEMOCRACIA HACKEADA - Como o PT fraudou as eleições 2010
Lula e Marcelo Branco em 1985. A foto está no orkut de Marcelo Branco
Para o bom entendimento de tudo o que aconteceu é fundamental a leitura dos posts abaixo que estão no Blog de Marcelo Branco e foram escritos por ele.
Marcelo Branco - Marcelo D'Elia Branco, nasceu em Porto Alegre a 23 de abril de 1961. Ele foi coordenador do projeto Software Livre Brasil, através do qual também coordenou o Fórum Internacional de Software Livre. Também foi diretor do Campus Party Brasil por três anos. Deixou estas duas funções para se dedicar à coordenação de campanha nas redes sociais da candidata Dilma Rousseff do PT nas eleições 2010 do Brasil. No twitter @MarceloBranco
O que está entre colchetes foi acrescentado [ ] e também as fotos e os destaques em letras maiores.
Os posts abaixo estão no Blog do Marcelo Branco. Em cada postagem colocarei o link. Se ele não deletar, você poderá conferir.
7 de Novembro de 2005
Já é outra viagem...
Amanhã as 19:00 eu tô deixando esta maravilhosa "cidade-baixa" que é Porto Alegre. Tô indo pra Bilbao http://www.softwarelivre.org/news/4902 participar de um evento e depois, parece, vou pra Tunis - na Tunísia - para algumas atividades profissionais http://www.baguete.com.br/noticia.php?id=5913durante a Cúpula Mundial da Sociedade da Informação
Saio já com saudades...sabem estas coisas de quem está de namorada nova e com uma mudança prevista pros próximos dias. Tudo de bom comigo: enfim uma boa (irrecusável) proposta de trabalho na Europa, meus rabiscos saindo em duas publicações internacionais, linda-namorada-nova e viagens já marcadas para os próximos meses. Mas tudo isso é contraditório e as vezes me assusta. Touro ascendente em touro entra em pânico com mudanças.
Mas vamos lá...deixa a vida me levá!
Valeu Terceiro e galera da ASL que está me inlcuindo digitalmente nesta ferramenta.
Ah! Uma fotinho do museu Guggenheim.
Marcelo Branco
12 de Novembro de 2005
De Bilbao a Tunisia
Em Bilbao foi tudo muito bom. A participação na Cúpula de Bilbao foi muito boa pro software livre que teve destaque positivo, em relação aos outros temas, nos meios de comunicação do dia seguinte. Além disso me reencotrei com meu amigo Sérgio Amadeu [é um sociólogo brasileiro, geralmente lembrado como defensor e divulgador do Software Livre e da Inclusão Digital no Brasil. Foi um dos grandes implementadores dos Telecentros na América Latina e presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação. Sérgio Amadeu é doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo e, atualmente, é professor adjunto da Universidade Federal do ABC (UFABC). @Samadeu http://twitter.com/samadeu ou http://samadeu.blogspot.com/]
Cheguei ontem a Tunis, mas minhas bagagens não chegaram até agora. Estou só com as roupas do corpo. É tudo uma confusão e infra-estrutura precária e @s tunisian@s, mesmo que muito amáveis, estão muito enrolados com a organização do evento. É quase um caos. Falam quase só em árabe e tá difícel a comunicação...internet precária, obras dos estandes atrazadas, o transporte não funcionou -hoje atrazou mais de 3 horas...e tivemos que pegar um taxi do Hotel até o centro de eventos - 80 dólares...uma porrada.
Estamos, eu e o Giovani Spagnolo [Leia o Perfil dele aqui. No twitter @giovani] do www.partecs.com, num Hotel em Jasmyne-Hammamet uma praia pra burgueses a 70 km de Tunis
A delegação brasileira que já era pra estar aqui ainda não chegou e o estande do governo ainda nem está pronto.
Daqui a pouco vou voltar pra Hammamet...
Mando outro relato depois quando der...
Da Tunisia
Marcelo
14 de Novembro de 2005
Tunísia: Está começando a Cúpula Mundial da Sociedade da Informação
Por: Marcelo Branco
Amanhã (15), começa aqui em Túnis, a segunda fase da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação.
Eu cheguei na sexta-feira (11) diretamente de Bilbao, onde eu e o Sérgio Amadeu participamos de uma mesa sobre software livre na Cúpula da Cidades e Autoridades Locais. Na chegada tive alguns problemas: minha mala não chegou e os caras falavam somente em árabe no aeroporto.
Depois de muito estresse e tentativas de entender (eles e eu) o que estava acontecendo me levaram para o centro de credenciamento e finalmente depois de algumas horas, num ônibus velho, fui levado até o meu hotel em Hammamet.
Hammamet é um balneário de luxo com hotéis de 4 e 5 estrelas situado a 70 Km de Tunis. No hotel me encontrei com Giovani Spagnolo, um jovem brasileiro que foi meu colega da PROCERGS [http://www.procergs.rs.gov.br/ Cia de Processamento de dados do Est. do Rio Gde do Sul] quando estive como diretor da estatal, e hoje é Diretor de Desenvolvimento de Negócios da ParTecs- uma empresa italiana de software livre especializada numa plataforma de e-democracia. No dia seguinte o transporte previsto do hotel em Hammamet não funcionou: esperamos mais de três horas e nada. Então, não tivemos outra saída senão pegar um taxi até o El Kram - centro de eventos onde estará acontecendo o evento em Túnis. Pagamos 90 dinares (66 dólares)...e fomos mordidos pelo funcionário do hotel que recebeu o valor e repassou apenas 50 dinares para o taxista. Depois de várias horas de estresses conseguimos entrar no centro de eventos e começar instalar o estande da ParTecs .
Depois fomos até o aeroporto e conseguimos recuperar minha mala que, finalmente, chegou de Barcelona....na hora certa pois estava a dois dias só com a roupa do corpo. Neste meio tempo encontramos parte da delegação brasileira chegando no aeroporto: Rogério Santanna [@santannarogerio Presidente da Telebras] , Sérgio Rosa [Comandou a Previ e Geraldo Santiago classificou a Previ de “fábrica de dossiês” durante a gestão de Rosa. Em 26/08/2010 assumiu a presidência da Brasilprev ] dentre outros.
Domingo de sol: passamos um dia de merecido descanso na praia, piscina e conhecendo Hammamed.
Amanhã começa o trabalho.
Abaixo minha agenda de trabalho prevista até aqui:
15 novembro Debate de Lançamento do Livro Desafios de Palavras.
Dia 15 (terça) as 17:30 Lançamento do Livro "Desafios de Palavras da Sociedade do qual eu participo como co-autor ver mais aqui
Local: Stand "Maison Brésil" do governo do Brasil (no. 1229)
O livro, que está licenciado com a licença livre Creative Commons, pode ser adquirido através do sitio http://cfeditions.com/ ("Enjeux de mots").
Isso acontecerá durante a inauguração do estande do governo do Brasil com uma recepção regada a caipirinha.
Na oportunidade o governo do Brasil distribuirá um CD que contém as principais ações de inclusão digital do governo e a canção de Gilberto Gil Máquina de Ritmo licenciada livremente pela Creative Commons.
Além disso, estará disponível, uma urna eletrônica brasileira, para que os participantes possam votar sobre a "Governaça da Internet" uma das principais polêmicas da Cúpula de Túnis.
Dia 17 Lançamento pelo Ministério de Industria, Turismo y Comércio da Espanha do livro:
"La Sociedad de la Información en el siglo XXI: un requisito para el desarrollo" - Volumen 2. Reflexiones y conocimiento compartido
Hora: 12:00 Local: Sala Le Kef
Eu tenho uma participação como co-autor, abordando a questão do Software Livre no Governo Federal. Está um pouco desatualizada mas "registrada".
Capítulo: Modelos de Software
Comentarios de la Experiencia Brasileña - Marcelo D'Elia Branco "Software Libre en la Administración Pública Brasileña"
Dia 18 - Apresentação da ParTecs no estande da UNESCO Hora: 12:35 Giovani Spagnolo
18 de Novembro de 2005
Tunis: Caipirinha e Gilberto Gil
Ontem participamos da inauguração do estande do governo brasileiro aqui em Túnis e a noite encontro com Gilberto Gil
A atividade, organizada pela Secretaria Geral da Presidência da República, contou com a participação de Clarice Coppetti [Em 2006 Palocci ameaçou entregar o marido de Copetti, Cezar Alvarez, como o verdadeiro mentor intelectual da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo. Sub-secretário da Secretaria Geral da Presidência e marido de Clarice Copetti (vice-presidente de Tecnologia da Caixa)]
Clarice Coppetti
(na foto ela está na Campus Party 2009. Marcelo Branco era o diretor)
Vice-presidente de Tecnologia da Caixa Econômica Federal,...do coordenador de Tecnologia do TSE, [Pode ser Eron Júnior Vieira Pessoa: Graduado em Ciências Contábeis. Atualmente é o titular da Seção de Fiscalização da Coordenadoria de Exame de Contas Eleitorais e Partidárias da Secretaria de Controle Interno do TSE Desde as eleições de 2002, integra o Grupo de Estudos de Prestação de Contas Eleitorais das eleições. É Coordenador da Câmara de Tecnologia da Informação da Secretaria de Controle Interno do TSE, membro titular do Grupo de Divulgação das Eleições 201, membro titular do Núcleo de Auditoria Especial do TSE para análise de contas eleitorais e partidárias e membro titular do Laboratório de Tecnologia contra a Lavagem de Dinheiro do Ministério da Justiça. Atuou na análise das prestações de contas de Presidente da República nas Eleições de 2002 e 2006.] representantes do Ministério de Relações Exteriores, da embaixada brasileira em Túnis, da Casa Civil e dezenas de ativistas da sociedade civil planetária.
Na oportunidade foram apresentados os programas de inclusão digital do governo - todos em software livre: Casa Brasil, Computador Conectado e Pontos de Cultura. Também foi demonstrado a urna eletrônica brasileira desenvolvida pelo TSE, mesmo que esteja ainda em tecnologia proprietária, serviu para simular uma votação sobre a governança da Internet :
Você acha que a Internet deva ser governada por um único país?
SIM ou Não
Na inauguração do estande o destaque foi lançamento do livro Desafios de Palavras no qual eu participo como co-autor. Dentre os presentes estavam, Valérie Peugeot e Alaim Ambrosi, coordenadores do trabalho e vários autores do livro. A festa, multi-cultural e multi-lingística, contou com forte participação da sociedade civil em especial da delegação francofônica. Isso por conta da forte identidade das posições assumidas pelos autores com as posições defendidas pelo governo brasileiro nesta Cúpula, salientado pelos discursos dos representantes da sociedade civil presentes. Como não poderia deixar de ser, este momento foi regado com uma boa caipirinha num clima bem brasileiro.
Gilberto Gil no Terceiro Paraiso
A noite participamos de uma atividade organizada pela Hipátia, Ministério da Cultura do Brasil, Cittadellarte Fondazione Pistoletto, Fondazione Orestiadi, Ministro Per L'ínnovazione e Le Tecnologie (Itália), R.A.M radioartemobile e Love Difference num castelo ciberhippie na Medina de Túnis.
A noite intitulada Terceiro Paraíso arte e conhecimento livre, contou com a presença do Ministro da Cultura Gilberto Gil, de Cláudio Prado coordenador de cultura digital doMinC dentre vários representantes das entidades organizadoras.
Na oportunidade entregamos uma cópia do livro (ver foto) Desafios das Palavras ao Ministro Gilberto Gil.
A noite continuou num clima descontraído com músicas tunisianas, bate papo com Gil, comidas e bebidas típicas.
Neste espaço os articuladores dos pontos de cultura montaram uma estrutura para demonstrar este trabalho brasileiro com ferramentas de edição de imagens e áudio todas em software livre. Arrasaram em tudo, mostraram vídeos do Brasil e tudo mais - apesar da banda de Internet com velocidade máxima de apenas 23K para download. No final a galera brasileira dos pontos de cultura puxou uma roda de samba que animou, grag@s e tunisian@s.
18 de Novembro de 2005
Tunis: Richard Stallman e Gilberto Gil Cantam Juntos
Ontem não tivemos novidades importantes aqui no centro de eventos "El Kram". O destaque ficou para a noite no "Terceiro Paraíso : arte e conhecimento livre" . Os articuladores do Ministério da Cultura apresentaram o programa de inclusão digital brasileiro "pontos de cultura" e o criador do movimento software livre, Richard Stallman [Richard Matthew Stallman, frequentemente abreviado para "rms" (Manhattan, 16 de março de 1953) é um famoso hacker, fundador do movimento free software, do projetoGNU, e da Free Software Foundation(FSF) ("Fundação para o Software Livre"). Um aclamado programador, seus maiores feitos incluem Emacs (e o GNU Emacs, mais tarde), o GNU Compiler Collection e o GNU Debugger. É também autor da GNU General Public License (GNU GPL ou GPL), a licença livre mais usada no mundo, que consolidou o conceito de copyleft.], cantou algumas canções acompanhado pelo Ministro da Cultura do Brasil Gilberto Gil . A platéia foi ao delírio!
O "Palais Dar Bach Hamba" é um castelo árabe localizado na Medina de Túnis. Para chegar é bem difícil e fácil de se perder pois as ruas são escuras, estreitas, sinuosas e cheias de becos. Pedir informações, nem pensar: apesar de muito amáveis e descontraidos os tunisianos respondem sempre em grupo falando todos ao mesmo tempo (em árabe ) e quase nunca chegam a um consenso sobre a resposta.
No local estavam as pessoas mais alternativas desta cúpula: hackers, ativistas sociais, produtores de mídia independente, de arte e cultura livre. O que mais me orgulhou como brasileiro, e deixava todos os habitantes planetários surpresos, foi a presença constante andando livremente e descontraido pelas diversas alas do castelo, do Minisro da Cultura do Brasil Gilberto Gil. Sem seguranças e puxa-sacos, Gil, este membro do primeiro escalão do governo do Presidente Lula trabalhou muito, assumindo uma agenda bem apertada, enfrentou vários debates polêmicos cara-a-cara, sem fazer média, propôs ações coletivas importantes e se comportou exemplarmente como deveriam se comportar alguns cargos de confiança de um governo popular que hoje estão deslumbrados pelo podre-pequeno-poder.
Todos nos emocionamos quando os guris do MinC? começaram, juntamente com Cláudio Prado e Gil, apresentar o projeto de inclusão digital do governo brasileiro pontos de cultura. Mesmo com um orçamento escasso, guilhotinado pelo Ministro Palocci, foi possível ver a grande integração deste projeto governamental com a sociedade civil brasileira. Foram passados vídeos, produzidos com software livre, de oficinas realizadas no nordeste brasileiro e em regiões pobres do Brasil. Tudo isso produzido e dirigido pelos próprios incluídos da região. Espero que as torneiras do Ministério da Economia seja mais sensíveis para questões sociais e estratégicas como esta em 2006 e que as empresas estatais passem a ajudar, com grana e estrutura, para que este projeto siga com mais força.
Depois do debate, já com a presença de Richard Stallman, o clima ficou mais descontraido ainda. O hacker criador do movimento software livre, Richard Stallman cantou algumas canções acompanhado pelo Ministro da Cultura do Brasil Gilberto Gil e por um grupo tradicional tunisiano. A platéia foi ao delírio!
Depois joguei uma "capoeirinha angola" com uma amiga brasileira e rolou uma festinha com músicas brasileiras. A noite salvou a monotonia do debate conservador do fórum governamental.
Atividade organizada pela Hipátia, Ministério da Cultura do Brasil, Cittadellarte Fondazione Pistoletto, Fondazione Orestiadi, Ministro Per L'ínnovazione e Le Tecnologie (Itália), R.A.M radioartemobile e Love Difference
Esses são posts do Blog do Marcelo Branco de 2005.
A única coisa que prova é o contato de Marcelo Branco com Gilberto Gil, com o coordenador de Tecnologia do TSE junto com as urnas eletrônicas e um dos hackers mais notórios da história, Richard Stallman.
Agora vamos dar um pulo na história.
2009
Marcelo Branco é o Coordenador do Forum Internacional do Software Livre em junho de 2009. O evento reuniu mais de oito mil pessoas. Dilma Roussef, ainda ministra e o Presidente Lula foram dar uma força para Marcelo Branco que aproveitou para apresentar Lula a Richard Stallmann, famoso hacker, fundador do movimento free software, do projeto GNU, e da Free Software Foundation(FSF) ("Fundação para o Software Livre"). Um aclamado programador, seus maiores feitos incluem Emacs (e o GNU Emacs, mais tarde), o GNU Compiler Collection e o GNU Debugger. É também autor da GNU General Public License (GNU GPL ou GPL), a licença livre mais usada no mundo, que consolidou o conceito de copyleft
Dilma Rousseff, Marcelo Branco e Lula no Forum Internacional do Software Livre de 2009. Lula, nesse evento, FiSL, foi apresentado para um dos maiores hackers do mundo,Richard Stallman. Marcelo Branco, o hacker Richard Stallman Lula e Sergio Amadeu
Esse provavelmente foi um dos primeiros contatos de Lula com os hackers, mas não sabemos, pois desde 2005 o TSE tinha contato com Stellman.
Em 2006 Stallman falou das eleições presidenciais do Brasil em Málaga. Está no blog do Marcelo Branco. Acesse aqui.
Mensagem de Richard Stallman sobre as eleições brasileiras.
Se em 2005 a gangue já não estava formada pra que as eleições brasileiras fossem fraudadas, em 2009 os acordos foram acertados. Em 2009 estavam já definidas as eleições presidenciais de 2010. Não importava quem fosse o candidato de Lula ou quem fosse seu opositor. As eleições 2010 teriam uma estrela vencedora: as urnas eletrônicas.
TSE Desafia Hackers a invadirem as urnas eletrônicas
Em setembro de 2009 o TSE convoca os hackers brasileiros a invadirem as urnas eletrônicas. Quem conseguisse levaria um prêmio em dinheiro.
Os hackers não gostaram das regras. Eles não poderiam usar nenhum software pirateado. Os programas "legais" custariam muito dinheiro. Os hackers disseram que era uma farsa do TSE.
Por que o TSE tomou uma atitude dessas? Isso pode ter servido para enganar os eleitores que achariam que as urnas são confiáveis quando na realidade não são. Foi apenas um golpe certeiro no eleitor.
Para fraudar uma urna eletrônica tem que se mexer em seus Flash Cards,
quesão um interno e um externo ou mexer na programação que é colocada na
própria fábrica. As urnas eletrônicas brasileiras são fabricadas pela Diebold. Essa empresa só faz sucesso no Brasil. Nas eleições americanas ficou provado que as urnas roubaram votos de Al Gore e também nas eleições legislativas.
Um fato importante é que em 2008 o TSE trocou o software das urnas (leia notícia), que era Windows, por software Livre, especialidades de Richard Stallmann e Marcelo Branco. Será que com software livre ficou mais fácil fraudar?
O Marcelo Branco andou atrás de uma fórmula bem suspeita em um forum especializado em planilhas Excel. Quando você digita o seu voto na urna eletrônica é usada uma planilha eletrônica excel para seu voto ser computado. Pra isso é usada uma fórmula Excel. Aqui neste Forum Excel você encontra Marcelo Branco tirando dúvidas de uma fórmula excel com um dos maiores especialistas do mundo no assunto, Aladin Akyurek. Clique aqui para entrar no forum Mr Excel, essa página e a página 2) e aqui para ver o curriculum de Aladin Akyurek. Só um especialista pra saber o que realmente significa a fórmula do Marcelo Branco.
Aqui neste outro Forum Excel alguém pede uma planilha que possa ser usada como urna eletrônica.
Aqui temos um vídeo (o prmeiro abaixo) que mostra o estudo da Universidade de Princeton nos Estados Unidos sobre as urnas eletrônicas da Diebold. Eles provam que as urnas não são seguras e pode-se introduzir um software malicioso que desvia os votos para o candidato que o programador quiser. E no final das eleições o software malicioso apaga-se sem deixar nenhum vestígio.
Nos Estados Unidos aconteceu hackeamento das eleições entre Bush e Al Gore. Os americanos mexeram-se e proibiram as urnas eletrônicas.
Agora vem uma parte bem interessante e fundamental para coroar de êxito a fraude das urnas.
Em janeiro de 2010 aconteceu a Campus Party Brasil em São Paulo. O diretor da Campus Party era Marcelo Branco. Ele trouxe para o evento grandes nomes internacionais ligados a software livre. Também esteve na Campus Party Scott Goldstein, marqueteiro de Barack Obama e, segundo analistas especializados, o responsável pela vitória de Obama nas eleições americanas. Esse marqueteiro foi contratado por Dilma Rousseff para sua campanha.
Marcelo Branco, Scott Goldstein, marqueteiro de Obama e Dep. André Vargas
Agora o convidado que Marcelo Branco trouxe para a Campus Party 2010 que pode ter tido um papel fundamental para a fraude das urnas, Kevin Mitnick (@kevinmitnick), um hacker americano que ficou preso por cinco anos e hoje é um superstar e faz palestras por todo o mundo e tem uma empresa de segurança nos Estados Unidos.
Ele estava em São Paulo entre os dias 23 de setembro a 2 de outubro de 2010. Ele só tinha um compromisso no dia 30 de setembro no Hyatt Hotel, uma palestra. O que esse amigo tão especial estava fazendo em São Paulo até as vésperas da votação do primeiro turno das eleições presidenciais? Ele postou algumas coisas no twitter. Ele fez compras na FNAC e na Santa Ifigênia, rua de são Paulo que só vende produtos eletrônicos.
Pelo que pude apurar as urnas eletrônicas são programadas para primeiro e segundo turnos de uma só vez. Não existe uma segunda programação. Dilma não ganhou no primeiro turno. Será que o excesso de candidatos (legislativo) impediu que as urnas fossem hackeadas no primeiro turno? Ou será que alguma coisa deu errado e tudo ficou para o segundo turno?
Quer saber algo estranho? Kevin Mitnick esteve em Salvador, Bahia, em 2002. Quem morava lá nessa época? Duda Mendonça!
Marcelo Branco e Kevin Mitnick na Campus Party 2010
Uma outra coisa que chama a atenção foi a quantidade de memórias flashs que os TSEs compraram em todo o Brasil.
Uma coisa todos no mundo sabem e parece que só os brasileiros e venezuelanos não sabem: urnas eletrônicas não são de forma nenhuma seguras. Lula e o TSE blindaram as urnas eletrônicas. Não dá nem pra fazer recontagem de votos. Ela se auto apaga quando expede o resultado.
Nós somos brasileiros ou somos otários e vamos ficar vendo a nossa Democracia ser hackeada sem fazer nada?
A menos de um mês do final do mandato do presidente Luís Inácio Lula da Silva, o WikiLekas publica uma série de telegramas que revelam como o presidente e figuras-chave do seu governo eram descritos pela diplomacia americana.
Lula nunca foi mal visto pelos embaixadores – foram quatro durante seu governo –, embora a política externa fosse olhada com desconfiança. Mas, pessoalmente, ele foi descrito muitas vezes com surpresa, suas quebras de protocolo devidamente registradas e a sua equipe devidamente estudada.
Logo no primeiro contato, o senador Aloizio Mercadante foi descrito como “radical”, enquanto José Dirceu, que viria a ser ministro da Casa Civil, seria mais “discreto”. Já o ex-ministro da Economia, Antônio Palocci seria “uma voz para acalmar os mercados”.
Os telegramas também mostram que, se os embaixadores viam o Itamaraty como adversário, Lula reclamava do Departamento de Estado como um obstáculo para uma boa relação com o presidente Bush.
Primeiro contato
Na primeira reunião com oficiais americanos, no dia 21 e novembro de 2002, Lula, “animado, elegante e descansado”, teria dito logo de cara que queria ter uma boa relação com Bush: “Acho que dois políticos como nós vamos nos entender quando nos encontrarmos frente a frente”. Dois anos depois, ele voltaria a elogiar o presidente Bush, agradecendo “calorosamente” por sempre ter sido tatado com respeito e gentileza pelo americano.
Mas o telegrama sobre a primeira impressão americana, de novembro de 2002 relata tambem uma gafe presidencial, talvez a primeira. O presidente teria afirmado querer mudar a percepção que os oficiais brasileiros são “um bando de ladrões irresponsáveis” e de que “o Brasil é outra Colômbia”.
A frase teria sido proferida na reunião entre o que viria a ser o núcleo duro do governo com o subsecretário de estado americano Otto Reich – um encontro descrito como “caloroso e produtivo”.
Nele, Dirceu, Palocci e Mercadante defenderam a prioridade aos parceiros do Mercosur. Segundo o telegrama, Dirceu chegou a interromper Mercadante para dizer que as negociações bilaterias são importantes “mas teriam que ser feitas dentro dos compromissos regionais do Brasil”.
Reich ainda tentou tirar satisfação sobre a participação de Marcadante no Foro de São Paulo - uma coalizão de partidos de esquerda latinoamericanos - irritado com o fato de que havia ali líderes das Farc e do governo cubano.
Mercadante respondeu que muitos dos participantes do Fórum são “esquerdistas antiquados” e que poderiam aprender muito com o PT, cujo foco seria “defender a democracia”. Foi a deixa para Reich falar de violações de direitos humanos em Cuba, ao que Dirceu rebateu. "Nós vamos simplesmente ter que concordar em discordar".
No final, Reich é taxativo: “Nós não temos medo do PT e da sua agenda social”, promete.
No telegrama enviado ao Departamento de Estado, ele descreveu os três políticos como tendo “personalidades complementares e contrastantes”.
“O radicalismo antigo de Mercadante não está muito longe da superfície. Ele fala para convencer mais do que para explicar, frequentemente apontando o dedo para seu interlocutor. Mesmo assim é cortês e claramente focado em projetos bilaterias específicos”.
“Dirceu é muito mais discreto. Nunca corrigiu Mercadante mas algumas vezes o interrompia para qualificar suas observações. Ele parece ser o ’primeiro entre iguais’”.
“Palocci, cuja estrela ascendeu rapidamente nos últimos meses, é talvez o mais pragmático do grupo. Ele fala devagar e com calma – geralmente sobre temas econômicos – claramente consciente do efeito das suas palavras. É uma voz aparentemente designada para acalmar os mercados”.
Segundo mandato
Em outubro de 2006, o futuro embaixador Clifford Sobel e os conselheiros políticos da embaixada presenciaram outro momento histórico.
Era dia 30 de outubro, o dia seguinte à reeleição, e eles visitaram o Palácio do Planalto, onde detectaram um clima de “jubilante celebração”, segundo um telegrama secreto enviado às 17:51 horas do dia 1 de novembro..
“Uma fileira de VIPs fluíam pelo palácio para ter audiências com o presidente reeleito”, prossegue Sobel.
Os americanos encontraram o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho “aliviado” e “nas alturas”. Carvalho afirmou a eles uma frase que seria um mantra nos encontros com a diplomacia americana: apesar de ter buscado ampliar as alianças no primeiro mandato, a prioridade seria relações com os parceiros tradicionais, como os EUA.
Mas o embaixador não deixou barato, reclamando que “certos” membros do governo falavam que o Brasil precisava "countrabalancear" o poder americano. Carvalho concordou enfaticamente, disse que não se falaria mais nisso – e ainda pediu a compreensão pela retórica usada durante a campanha eleitoral.
Sobel também encontrou com o general Jorge Armando Felix, ministro do Gabinete de Segurança Institucional e o ministro do Desenvolvimento e Indústria Luiz Furlan – ambos, na visão da diplomacia americana, aliados que sempre brigaram por mais proximidade com o país. Mas conclui seu telegrama com uma crítica ao Itamaraty, o que seria a sua marca à frente da embaixada.
“Nossos interlocutores do alto escalão estavam de muito bom humor ontem, com palavras gentis para todo o mundo, inclusive para os EUA. Mas sem grandes mudanças no alto escalão e na orientação do ministério das relações exteriores duvidamos sobre a viabilidade de uma mudança favorável aos EUA e ao mundo desenvolvido em vez da prioridade sul-sul do primeiro mandato de Lula”.
O Departamento de Estado, outro desafeto
Clifford Sobel se apresentou formalmente como embaixador no dia 7 de novembro de 2006. E já chegou reclamando. No telegrama enviado no dia seguinte, explicou que a cerimônia foi atrasada pela campanha eleitoral, sendo que ele estava no Brasil desde agosto. Mesmo assim, a reunião com Lula teria sido “positiva” e com uma “atmosfera calorosa”.
Lula conversou com Sobel e seus assessores junto com o chanceler Celso Amorim e o assessor especial Marco Aurélio Garcia. Defendeu uma parceria sobre etanol e ganhou como resposta um inusitado presente: uma foto autografada por Bush do encontro do G-8 ocorrido em São Petesburgo, na Rússia, em julho.
No final, Sobel voltou a mostrar desconfiança com as palavras doces do governo brasileiro: “nós vamos continuar esperando para ver, atentos para outros desenvolvimentos que podem indicar se essa ofensiva charmosa se traduz em uma mudança significativa na politica externa”.
Como já demonstraram outros telegramas publicados pelo WikiLeaks, o embaixador – que jamais conseguiu dominar o português – a continuou esperando até o fim.
Embora os EUA continuem sendo um forte parceiro comercial e Sobel tenha chegado a comemorar em entrevista à revista Veja um estrondoso aumento dos investimentos brasileiros no país, a dinâmica do comércio exterior brasileiro mudou e a China chegou a substitui-lo como principal parceiro comercial em 2008.
No dia 27 de julho de 2009 , Sobel se despediu do país. Na ocasião, ele enviou um colorido telegrama a Washington narrando o último encontro com Lula.
“Essa conversa final permitiu um insight singular sobre a complexidade e a tensão no pensamento de Lula sobre as relações exteriores. Caloroso, pessoal, e sedutor no começo e no final da reunião, ele fez um monólogo intenso e quase agressivo no meio da conversa”, diz.
Para Sobel, o fato de Lula ter reclamado das dificuldades com o Mercosul – em especial do presidente boliviano Evo Morales, que acusara Washington de tramar o golpe em Honduras – era uma boa nova. O embaixador via isso como um sinal de que Lula queria se aproximar dos EUA para solidificar seu papel no continente.
Nesse sentido, relatou ele, o presidente reclamou da proibição do governo americano à venda dos aviões super Tucanos à Venezuela.
“O Brasil precisa das ferramentas para poder lidar com seus vizinhos, disse Lula. Se a Bolivia que comprar Super Tucanos, Lula tem que poder vender. O Brasil não pode arcar com esse tipo de vexame ao não poder vender Super Tucanos à Venezuela”.
Para Sobel, “o Mercosul chegou aos seus limites como mecanismo de integração”. Ele escreveu que após a cúpula do Mercosul em julho, “a tensão era palpável” e Lula estaria “perturbado”.
“Ele acredita que os Estados Unidos ainda têm problemas significativos com sua imagem e relacionamento no hemisfério mas que o presidente Obama pode superar esses problemas”.
Lula também teria criticado a burocracia do governo americano, que não teria ajudado nas relações bilaterais – assim como Sobel tantas vezes criticou o Itamaraty.
Apesar de ter uma boa relação com Bush, Lula afirmou que “nunca conseguiu trazer o Departamento de Estado para essa relação”.
“O seu foco nos líderes Morales, Sarkozy, Obama e a sua visão negativa da burocracia são uma demonstração clara da importância que Lula dá às relações pessoais da conduta da política externa”, observa Sobel.
O embaixador de Obama
Somente em 9 de fevereiro de 2006 o atual embaixador, Thomas Shannon, se apresentou formalmente ao presidente Lula. Nesse encontro, Lula avisou que iria visitar o Irã em maio com o objetivo de "abaixar a temperatura” sobre a questão iraniana – uma versão muito diferente do que foi retratado pela imprensa.
Lula, “saudável depois de uma crie de hipertensão”, mais uma vez estendeu a reunião por muito mais tempo que o combinado, o que foi notado pelo americano. Shannon também relatou a empolgação com a figura de Barack Obama. “Ele vê o engajamento de Obama como crítico para uma nova relação de qualidade não só com o Brasil, ma com a América Latina como um todo”.
O terremoto do Haiti, ocorrido duas semanas antes, também dominou a pauta. “Lula, claramente engajado na questão o Haiti, reforçou a necessidade de colocar a ONU e o governo haitiano no comando dos esforços de reconstrução”.
O presidente teria lamentado que os países ricos usassem a corrupção do governo haitiano como argumento para não dar dinheiro diretamente a ele. Com as ONGs, a coisa seria tanto pior: “A maioria do dinheiro dado através de ONGs vão para pagar salários e despesas para estrangeiros ou funcionários que estão fora do Haiti”, teria dito o presidente brasileiro.
Não foi só a saúde da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, que foi alvo da curiosidade do governo americano. A presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff, também teve detalhes do seu estado de saúde investigados pela embaixada americana em meados do ano passado, quando sofreu de câncer linfático.
Documentos publicados hoje pelo WikiLeaks também revelam que o ex-embaixador americano em Brasília, John Danilovich, relatou que ela havia planejado três assaltos quando era integrante da organização VAR-Palmares.
Dilma Rousseff nega qualquer participação em ações armadas durante o regime militar.
Ao todo, o WikiLeaks publica hoje 9 documentos que mostram como a representação americana acompanhou de perto a trajetória de Dilma e o processo eleitoral brasileiro – que, aliás, a própria Hillary Clinton classificou de “bizantino”.
Joana D´Arc
Dilma Rousseff começou a chamar a atenção da embaixada quando tomou posse como Ministra-Chefe da Casa Civil. Um relatório especial a seu respeito foi elaborado e enviado em 22 de maio de 2005 (CLIQUE AQUI - 35188). Apesar de “não classificado”, o telegrama traz uma porção de temas sensíveis e algumas gafes. Um dos títulos é, por exemplo, “Joana D’Arc da Subversão se torna Chefe da Casa Civil” – uma referência à alcunha dada pelos agentes da repressão.
O documento afirma que ela teria planejado o “legendário” roubo ao cofre do corrupto prefeito de São Paulo, Adhemar de Barros, no qual a VAR-Palmares obteve 2,5 milhões de dólares.
“Integrando vários grupos clandestinos, ela organizou três assaltos a banco e depois co-fundou o grupo guerrilheiro Vanguarda de Palmares”, diz.
Dilma sempre negou qualquer participação em ações armadas.
O documento escrito pelo embaixador John Danilovich observa que ela foi presa por mais de três anos e torturada de forma “brutal” com eletrochoques.
A seguir, entra em detalhes pessoais ao estilo de uma revista de celebridades: “Ela tem uma filha, Paula, em Porto Alegre, onde passa os fins-de-semana. Gosta de filmes e música cássica. Perdeu peso recentemente após ter adotado a dieta do presidente Lula”.
O documento diz ainda que Dilma é vista como “cabeça-dura, uma negociadora difícil e detalhista” e revela que as empresas americanas tiveram receio quando ela se tornou ministra de Minas e Energia, mas “agora admitem que ela fez um trabalho competente”.
Rumo à eleição
O assessor da embaixada em Brasília, Phillip Chicola, relatou a Washington que Dilma Rousseff aumentou muito as suas chances de ser a candidata do PT depois da sessão no Senado em 7 de maio de 2009.
Dilma foi chamada para explicar o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) e acabou tendo que explicar o escândalo do vazamento de informações dos cartões de crédito do governo de Fernando Henrique Cardoso.
Logo no começo, o senador do DEM José Agripino Maia perguntou como deveriam acreditar nela, já que ela havia mentido quando interrogada pelos militares.
Nas palavras de Chicola, “a performance de Rousseff perante o comitê poderia ter prejudicado ou afundado suas chances presidenciais, se tivesse ido mal”. Mas Jose Agripino Maia “mancou feio” ao fazer a pergunta.
“Rousseff respondeu que foi brutalmente torturada pelos militares e tinha orgulho de ter mentido sob tortura porque isso salvou as vidas de outros que lutavam contra a ditadura. Com essa resposta dramática e inquestionável, Rousseff permaneceu no controle durante a maior parte da sessão”, diz o telegrama.
Câncer
Em outro relatório, enviado em 20 de julho de 2009 , a diplomata Lisa Kubiske comenta o aumento de Dilma nas pesquisas apontando como consequência da sua visibilidade nas obras do PAC e da sua luta contra o câncer.
“Enquanto Rousseff continuar parecendo uma lutadora que venceu o câncer, suas chances presidenciais vão aumentar”, diz ela.
O estado de saúde de Dilma já havia sido tema de um extenso relatório enviado a Washington em 19 de junho, sob o título “Quão doente está Dilma Rouseff?”.
Nele, o embaixador Clifford Sobel relata as informações coletadas em conversas sobre a saúde da futura presidente, incluindo detalhes sobre o câncer linfático do qual ela sofria.
“Seus médicos afirmam que o câncer foi diagnosticado cedo e ela tem 90% de chance de se recuperar totalmente. Ela tinha nódulos linfáticos debaixo do braço esquerdo e começou um programa de um mês de quimioterapia em abril. Em maio, foi hospitalizada emergencialmente com dores nas pernas, o que foi atribuído à interrupção abrupta de medicamentos associados à quimioterapia. Os médicos dizem que ela vai reduzir esses remédios para evitar uma recaída”, diz o telegrama.
“No começo de junho ela havia completado três sessões de quimioterapia. Em uma reunião no dia 18 com um visitante de Washington, Rouseff parecia bem, com boa cor natural e pouca maquiagem, e um assessor disse ao embaixador que Rousseff estava respondendo tão bem à quimioterapia que suas sessões deveriam ser reduzidas de seis para quatro”.
No documento, Sobel especula sobre as consequências da doença da pré-candidata. Dilma poderia estar bem mais doente do que foi revelado publicamente, o que seria pouco provável. Outra possibilidade seria a doença piorar, inviabilizando sua candidatura. Finalmente, Dilma poderia reagir bem à quimioterapia e se recuperar do câncer. O embaixador via essa possibilidade como a mais provável – foi o que acabou acontecendo.
“Alguns analistas notaram que uma ‘vitória’ sobre o câncer jogará a seu favor e impulsionará a imagem de uma lutadora e vencedora. Mas se ela parecer fraca e derrotada, os eleitores vão minguar”.
Caso de Dilma não pudesse mais ser a candidata, Sobel faz outra uma lista de cenários possiveis.
No primeiro, o candidato do PT seria Antônio Palocci ou Gilberto Carvalho. No segundo, Aécio Neves se mudaria para o PSB ou o PV e poderia ser o candiato com apoio petista. E finalmente, Sobel reproduz especulações sobre um terceiro mandato de Lula, ouvidas em especial do deputado federal PPbista George Hilton.
“A doença de Rousseff mostrou uma vulnerabilidade do PT que não existia alguns anos atrás, quando podia indicar diversos governadores e congressistas como estrelas do partido. Essas estrelas por uma razão ou por estão apagadas e o partido adotou Dilma Rousseff, a escolhida de Lula, seu maior líder, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença”, conclui Sobel.
Jornalistas
A embaixada acompanhou com informes regulares a contagem regressiva para a campanha eleitoral. Em outubro de 2009, a conselheira Lisa Kubiske já arriscava palpites sobre o pleito brasileiro. Um telegrama confidencial do dia 21 alertava Washington: “fiquem ligados!’
Nele, Kubiske dizia que o resultado dependeria da capacidade de Lula de transferir sua popularidade a Dilma, “ao mesmo tempo permitindo que ela se distingua como uma figura presidencial viável”.
Kubiske aponta em diversos telegramas a “falta de carisma” de Dilma.
Em fevereiro de 2010 ela conta que Dilma encostou em Serra nas pesquisas, e descreve a opinião de diversos jornalistas consultados pela representação americana.
“Os críticos mais ferrenhos de Rousseff frequentemente enfatizam que a campanha na TV e os comícios vão matar a sua candidatura”, afirma Kubiske, citando o apresentador da Globo William Waack.
Waak teria dito que em um fórum com empresários, Aécio Neves teria se mostado “o mais carismático”, Ciro Gomes “o mais forte”, Serra “claramente competente” e Dilma “a menos coerente”.
“Outros críticos usam um argumento mais sutil, dizendo de maneira racional que o desejo do Brasil por continuidade depois de anos de progresso na verdade beneficia Serra, visto como mais provável a seguir o caminho econômico iniciado por Cardoso e seguido por Lula”, escreveu Kubiske.
Bizantino
Os relatórios enviados pela embaixada americana em Brasília sobre as eleições foram muito apreciados em Washingon. Em um telegrama de 23 de abril de 2009, Clinton agradece pelo informe “estelar” sobre o candidato do PSDB José Serra.
Em outro telegrama, datado de 24 de julho, Clinton explica que as informações sobre Dilma foram usadas em reuniões de “briefing” com o alto escalão do governo dos EUA, inclusive o secretário do Tesouro Timothy Geithner. Hillary finaliza agradecendo o assessor para assuntos políticos Dale Prince por esclarecer sobre o sistema político brasileiro, “frequentemente bizantino”.
Se os Estados unidos fizessem uma lista de compras – apenas o essencial para a manutenção do seu poderio estratégico, como ela seria?
A resposta está em um longo documento publicado na noite de domingo pelo site WikiLeaks.
O documento mostra que o Departamento de Estado americano pediu que diplomatas em todo o mundo fizessem uma lista da infraestrutura e recursos imprescindíveis aos EUA nos países onde trabalham.
O telegrama, enviado em 18 de fereveiro de 2009, mostra uma primeira versão do que seria chamado de Iniciativa de Dependência Crítica de Infraestrutura estrangeira. Detalha todos os locais considerados etsratégicos para a sobrevivência dos EUA – de cabos de telefonia a minas. Fazem parte da lista por exemplo o gasoduto Nadyn, na Rússia, descrito como “o gasoduto mais importante do mundo”. A empresa MacTaggart Scott, na Escócia, é relatada como “crítica” para os submarinos nucleares”.
No Brasil, a principal preocupação dos EUA é com cabos de trasnsmissão submarinos em Fortaleza (Americas II e GlobeNet), e com as minas gerenciadas pela britânica Rio Tinto Company em Minas Gerais e Rio de Janeiro – elas fornecem minério de ferro – e com a Mina Catalão I, em Goiás (explorada pela Anglo American), que fornece nióbio, usado orincipalmente em ligas de aço. Até a Venezuela tem infraestrutura críitca para os EUA: são os cabos submarinos Americas-II, que passa por Camuri e GlobeNet, que passa por Punta Gorda, Catia La Mar, e Manonga.
O Departamento de Estado – já sob a administração de Hillary Clinton – pediu que os funcionários das embaixadas adicionassem quaisquer infraestruturas que considerassem essenciais, assim como “qualquer informação que mostre que a infraestrutura ou recursos críticos seja um alvo de fato ou esteja especialmente vulnerável por conta de circunstâncias naturais”. Mais do que que isso. Como mostra o telegrama, a coisa toda teria que ser feita em segredo: “não estamos pedindo que as embaixadas consultem os governos a respeito desse pedido”. Mais uma prova de que as embaixadas americanas no mundo fazem principalmente trabalho de inteligência.
Outro telegrama, enviado pela embaixada dos EUA no Qatar no dia 26 de março de 2009, revela também como o governo americano se importa com a segurança de cada uma dessas instalações. Por exemplo, os EUA procuram oferecer apoio financeiro para esses países, ou oferecer tecnologia e serviços americanos na proteção desses locais.
O documento é classificado como secreto, a mais forte classificação dentre os documentos obtidos pelo WikiLeaks – que não contém documentos “top secret”. Mesmo assim, cerca de 1,5 milhão de funcionários americanos tinha acesso a ele.
O noticiário internacional deu forte destaque a um site chamado WikiLeaks, que explora vazamentos de correspondências da diplomacia norte-americana. Julian Asange, fundador do site, afirma que sua intenção é "prover informações relevantes de política internacional" e que sua organização não tem fins lucrativos. Duas questões fundamentais são postas nessa discussão: primeiro, há risco na publicação de informações diplomáticas que deveriam ser confidenciais? Segundo, a diplomacia tem entendido suas ações para o terreno da espionagem?
Creio que o WikiLeaks não representa um perigo real às informações confidenciais, pois a vasta maioria dos 250 mil documentos liberados não são do tipo "Top Secret".
Há, contudo, uma real problema relacionado à segurança das informações e ao papel pouco diplomático de algumas embaixadas dos EUA em atuar como vetores de ações de espionagem. Algo que pode levar o país acreditado a expulsar a representação diplomática de seu território. Eis o real perigo que o vazamento de informações pode gerar no futuro.
A reação internacional foi violenta. O fundador do site foi acusado de estupro acompanhado de um mandado de prisão emitido pela Interpol. A maior parte das informações não são bem "novidades". Por exemplo, o temor dos EUA com a segurança das instalações nucleares paquistanesas e o perigo de algum grupo terrorista tomar posse de algum artefato nuclear.
Sobre o Brasil, o representante norte-americano, Clifford Sobel, criticou, por exemplo, a política de defesa do país e sua aproximação com a França, ao mesmo tempo em que exalta o ministro da Defesa, Nelson Jobim, como um homem confiável. Sobel também afirmou que Jobim criticou o Itamaraty, na figura do seu secretário-geral, Samuel Pinheiro Guimarães, o chamando de anti-americano. Essa rusga entre dois funcionários do alto escalão revelam a disputa entre os Ministérios da Defesa e Relações Exteriores por espaço na diplomacia.
O WikiLeaks não é uma ameaça direta à segurança dos EUA, mas sim um alerta as suas autoridades para cuidarem mais do sigilo de suas informações e para evitarem cruzar a barreira entre diplomacia e espionagem. No mais, temos agora uma fonte burlesca da política internacional e seus bastidores nem sempre tão refinados.
Helvécio de Jesus Júnior é mestre em Relações Internacionais pela PUC-RJ e professor de Relações Internacionais da UVV
A espécie de soberania sob ameaça não é exatamente aquela inerente a determinado Estado-nação, mas, sobretudo, a soberania popular. Esta é que está em risco quando países ditos democráticos formam a linha de frente contra a existência do Wikileaks. Nem mesmo é o caso de afirmar que a segurança internacional está ameaçada. Não é esse o contexto sobre o qual o Wikileaks trabalha. O que está em jogo, por parte do site, é o combate à "política do segredo" e a defesa da sociedade democrática, que precisa e deve ter acesso ao que é de interesse público.
Ademais, o trabalho de Julian Assange não é totalmente inovador, tanto no que se refere ao vazamento de informações estatais, quanto ao ativismo contra a autocracia. Ora, a história mostra diversos casos de publicação de dados de máquinas de guerra e de correspondências diplomáticas.
O que há de novo no Wikileaks é no sentido de que ele trabalha sobre uma paisagem informacional, o chamado mundo dos bits, onde e quando milhares de documentos podem ser apresentados, com crescente capacidade de espalhamento no ciberespaço.
Em consequência disso, com o tempo, perderemos a ingênua impressão de que os "guardiões" da democracia mundial podem ser reduzidos a um conjunto dos EUA. Ao contrário, os novos guardiões são, agora, milhares de pessoas interconectadas, sedentas por transparência e por políticas de proximidade.
É isso, afinal, que se espera de uma democracia representativa, ao passo que precisamos ter contato próximo com aqueles que elegemos para nos representar. Também é neste sentido que caminha a democracia participativa, na medida em que, cada vez mais conectados e informados, podemos atuar para fazer valer nossos direitos políticos.
Do ponto de vista jurídico, a pergunta a ser enfrentada é: diante da liberdade de informar e do direito fundamental à informação, em que sentido os sistemas informáticos, e a própria internet podem garantir a participação política efetiva e livre de censuras e pressões institucionais, sem desrespeitar, por outro lado, a ordem jurídica internacional?
Em rigor: os reis estão nus. E quem tirou suas roupas não foi só o Assange, mas a inteligência coletiva, formada por um conglomerado de cidadãos comuns. E, acreditem: isso é só o começo. A "caixa de Pandora" acabou de ser aberta e muito do que há de inusitado ainda está por vir. Por ora, creio que a velha promessa da cidadania ativa está renovada. Salvem o Wikileaks!
Bruno C. Teixeira é professor de Direito Digital da FDV
A disputa pela venda de 36 caças para as Forças Armadas Brasileiras foi palco de grande atuação da representação americana no Brasil. Documentos obtidos pelo WikiLeaks revelam que a embaixada procurou o ministro da Defesa, Nelson Jobim e o comandante da FAB Brigadeiro Juniti Saito para influenciar na decisão. Ao mesmo tempo, instava o governo americano a se mexer, assim como o frances estava fazendo.
A menos de um mês do final do governo Lula, a compra dos caças continua sem definição e deve ser decidida pela presidente eleita Dilma Rousseff. Nesta semana, ela retoma a discussão em reunião com o ministro Jobim.
Lobby
Mas desde maio de 2009, a embaixada americana em Brasilia tenta fazer com que o governo dos EUA se engaje mais na disputa. Em um telegrama do dia 19, a Ministra Conselheira Lisa Kubiske pediu que Washington faça um lobby mais intenso, pois alguns contatos brasileiros "dizem não acreditar que o governo dos Estados Unidos esteja apoiando a venda fortemente, enquanto o presidente francês Nicholas Sarcozy estaria envolvido diretamente e os suecos estariam atuando também a nível ministerial.
Kubiske acredita que a falta de atuação pessoal "São uma desvantagem critica em uma sociedade brasileira na qual os relacionamentos pessoais servem de fundamentação para as negociações, e reforça que o governo deve assumir posição favorável à aprovação de transferências de tecnologia.
Nossa embaixada recomenda o seguinte, como próximos passos a fim de reforçar nossos argumentos no que tange à transferência de tecnologia: uma carta do presidente Obama ao presidente Lula defendendo a causa; uma carta da secretária Clinton ao ministro da Defesa Jobim afirmando que o governo americano aprovou a transferência de toda a tecnologia apropriada.
Também recomenda tentar influenciar senadores que questionaram os EUA em junho daquele ano. "Concentrando as atenções em senadores importantes, temos a oportunidade de conquistar o apoio de indivíduos que podem influenciar os responsáveis pela decisão e garantir que as pessoas que terão de aprovar os gastos do governo brasileiro compreendam que o F-18 lhes oferece mais valor".
Para Lisa, a campanha francesa é mentirosa: "Nos últimos meses, o esforço francês de vendas vem se baseando em alegações enganosas, se não fraudulentas, de que seu caça envolve apenas conteúdo francês (o que o isentaria dos incômodos controles de exportação dos Estados Unidos). Mas isso não procede. Uma análise da Administração de Segurança da Tecnologia de Defesa encontrou alta presença de conteúdo norte-americano, o que inclui sistemas de mira, componentes de radar e sistemas de segurança que requererem licenças norte-americanas.
Aliados
A decisão americana em atuar mais fortemente foi vista com apreciação pelo brigadeiro Juniti Saito, comandante das Forças Armadas.
Por causa da atuação pessoal de Obama, que conversou com o presidente Luis Inácio Lula da Silva na cúpula do G8 em Ãquila, na Itália, em 9 de julho de 2009, Lula teria instruído Jobim e Saito a conversarem com o Conselheiro de Segurança Nacional, general James Jones, segundo revela um telegrama de 31 de julho de 2009.
Àquela (a conversa) abriu as portas para que eu pudesse procurar o embaixador, como o fiz, teria explicado Saito durante um jantar por ocasião da visita do comandante do Comando Sul, o general Doug Fraser.
Na ocasiõo, Saito chamou o embaixador Sobel e seu conselheiro político de lado para indicar que preferia o F-18 ao francês Rafale. E afirmou que não existia dúvida, do ponto de vista técnico, que americano era o melhor avião. "Vendemos equipamentos americano há décadas e sabemos que são confiáveis e que sua manutenção é simples e oferece bom custo/beneficio por meio do sistema de vendas militares externas".
Saito insistiu ainda que o governo americano enviasse a carta que ele havia pedido se comprometendo com transferência de tecnologia. O embaixador teria dito que a carta estava na fase final de aprovação. "Aliviado, Saito disse que precisava ter a carta em mãos no dia 6 de agosto", relata o telegrama assinado pelo embaixador Clifford Sobel. "Essa foi a expressão mais clara de que Saito pretende recomendar o F18".
Em 5 de janeiro, pouco antes da mudança de embaixador, Lisa Kubiske envia outro telegrama dizendo que a embaixada vai tentar influenciar Jobim para convencer o presidente. Permanece, entretanto, o formidável obstáculo de convencer Lula. Nosso objetivo agora deve ser garantir que Jobim tenha argumentos reforçados ao máximo possivel para ir a Lula em janeiro. Para ela, o "alto preço" do Rafale e "as dúvidas sobre o desenvolvimeno do Gripen" levariam o Super Hornet a ser a "opção óbvia". Mas "o fato é que Lula reluta em comprar um avião dos EUA.
Um dos ultimos telegramas obtidos pelo WikiLeaks relata uma conversa telefônica entre Nelson Jobim e o atual embaixador dos EUA, Thomas Shannon, em 5 de fevereiro deste ano. O embaixador Shannon fez pressão, dizendo que "apesar da venda ser conduzida como uma transação comercial, a sua importância para a relação bilateral não deve ser ignorada". Segundo ele, "a decisão inédita de trasnferência de tecnologia americana em apoio ao Super Hornet mostra o alto grau de confiança que o governo americano coloca na sua parceria com o Brasil".
Patriota, Iran e Haiti
Antonio Patriota, anunciado como futuro ministro das Relações Exteriores durante o próximo governo, também foi alvo de lobby sobre os caças. Durante uma reunião de uma hora no dia 4 de fevereiro, ouviu que a decisão de liberar toda a tecnologia necessária ao Brasil refletia uma mudança de paradigma para os EUA e ouviu que a decisão ainda não estava tomada.
Mas ouviu mais. Segundo o relato de Shannon , Patriota comentou ainda a situação do Iran, que na época sofria pressões contra mais uma rodada de sanssões contra seu programa nuclear. Teria dito que o Brasil quer "evitar uma repetição do Iraque", e que se havia uma saída diplomática, ela deveria ser adotada. A desconfiança é grande (sobre o Iran). Não nunca sabemos o quão sinceros, mas vamos continuar tentando, concluiu. O embaixador recomendou ao governo brasileiro que se movimentasse com cautela em relação ao Iran.
Sobre a situação do Haiti, que havia sofrido um terremoto em 12 de janeiro, Patriota teria dito: "nós teremos que encontrar uma forma de contornar a escolha entre um governo corrupto no Haiti e colocar tanto dinheiro nas mãos de ONGs não-haitianas.
Os telegramas fazem parte de milhares de documentos da embaixada e consulados dos EUA no Brasil que serão publicados pelo WikiLeaks nas próximas semanas.