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terça-feira, 31 de julho de 2012

A BRONCA ERRADA DE DILMA

Em mais um surto de mau humor, a presidente Dilma Rousseff prometeu punir empresas beneficiadas com incentivos fiscais e outros favores concedidos pelo governo, se houver corte de pessoal. A ameaça foi feita em Londres, onde a presidente assistiu, na sexta-feira, à abertura dos Jogos Olímpicos. Enquanto prepara mais um pacote de incentivos, o governo manda um recado aos empresários: só terá direito à ajuda federal quem se comprometer a preservar empregos e, em certos casos, a cumprir um programa de investimentos. As cobranças surgiram quando a imprensa noticiou a possível demissão de 1.500 trabalhadores da General Motors em São José dos Campos. Mas o recado sobre a exigência de contrapartidas vale, em princípio, para todos os setores premiados com as atenções do governo central. É cedo para dizer se essa pressão resultará no efeito prometido pelas autoridades. Mas pode-se fazer com segurança pelo menos uma previsão: novos pacotes produzirão efeitos muito limitados, se forem restritos a alguns setores e insuficientes para afetar a produtividade geral da economia brasileira. Favores a grupos e a segmentos empresariais eleitos pelos governantes são muito diferentes de políticas industriais e de planos de desenvolvimento.



Terminará em 31 de agosto o prazo da redução do IPI concedida ao setor automobilístico e aos fabricantes da chamada linha branca. Há expectativa de renovação, segundo fontes empresariais, mas há uma nova incerteza, também, diante das novas cobranças. Governo e indústria poderão discutir se os investimentos já realizados foram satisfatórios, mas o debate será certamente tão inconclusivo quanto inútil, porque o foco estará no ponto errado.

Ao mencionar a apresentação de novas medidas, em agosto e em setembro, a presidente Dilma Rousseff referiu-se à continuação de um "programa contracíclico". O uso dessa expressão é esclarecedor. A presidente e seus ministros econômicos parecem ter alguma dificuldade para estabelecer a distinção entre ações contracíclicas e medidas de política industrial ou, mais amplamente, de política de competitividade. A confusão é evidente no impropriamente chamado Plano Brasil Maior. A maior parte das ações anunciadas a partir do ano passado tem alcance meramente conjuntural. São medidas de efeito muito limitado, tanto por seu alcance meramente setorial quanto por seu caráter provisório.

Os grandes obstáculos ao crescimento econômico brasileiro, no entanto, são de outra natureza. Não são meramente conjunturais nem se resolvem com a mera depreciação cambial. Se for muito ampla, essa depreciação até poderá maquiar algumas ineficiências da economia nacional, mas de nenhum modo as eliminará. Demonstra visão curta quem insiste em calcular a sobrevalorização do real sem levar em conta as deficiências estruturais do País e as mais importantes vantagens competitivas de outras economias (boa formação escolar, infraestrutura mais completa e melhor, mais inovação, tributação mais racional e assim por diante).

A prometida redução de custos da eletricidade é uma das poucas medidas de alcance estrutural prometidas até agora. De fato, é até difícil lembrar de outras, exceto se a "política cambial ativa" e a redução dos juros forem incluídas nessa categoria. Além do mais, o barateamento do crédito terá alcance restrito, se o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) continuar empenhado em financiar prioritariamente grandes empresas - incluída a Petrobrás -, normalmente comprometidas com grandes investimentos e com acesso fácil às fontes internacionais de recursos.

As ações até agora desenvolvidas pelo governo federal têm alcance limitado como políticas contracíclicas, como comprovam a estagnação da indústria e a rápida erosão do saldo comercial. Têm alcance ainda mais limitado como componentes de uma estratégia de modernização e de crescimento. Se percebesse esses fatos, a presidente Dilma Rousseff reservaria suas broncas a seus estrategistas econômicos, antes de dirigir sua braveza ao setor empresarial.

O Estado de São Paulo

quinta-feira, 1 de março de 2012

MIDIA VENDIDA MINIMIZA DESEMPREGO

Fora da lógica – Os jornalistas que rezam pela cartilha do Palácio do Planalto trataram de minimizar, nesta quarta-feira (29), os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), realizada pela Fundação Seade e pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), que apontam um crescimento da taxa de desemprego em janeiro.

De acordo com a pesquisa, no primeiro mês do ano o desemprego ficou em 9,5%, ante 9,1% registrado em dezembro passado. Os amestrados escribas se baseiam no fato de que o aumento do desemprego se deve à expansão da população economicamente ativa. Ou seja, para esses defensores dos donos do poder mais pessoas procuraram emprego, o que fez com que o índice subisse.

Se por um lado essa estatística obtusa tenta explicar o inexplicável, por outro os comunicólogos “chapa-branca” preferem não analisar os dados da pesquisa pelo largo espectro. Se de fato mais pessoas procuraram emprego e não encontraram, o rombo da Previdência Social está fadado a aumentar, pois enquanto novos contribuintes não ingressam no mercado de trabalho, outro tanto de brasileiros se aposenta na outra ponta. E sem contribuição nova não há como honrar o compromisso com os aposentados e pensionistas, a não ser com injeção de dinheiro arrancado a fórceps do bolso do cidadão.

Outro dado que não está sendo levado em conta é o que aponta o maior número de contratações no setor de serviços e o de demissões na indústria. Isso mostra que, a exemplo do que alertou o ucho.info há anos, o Brasil passa por um preocupante processo de desindustrialização. Na verdade, o País está se transformando em uma nação de prestadores de serviços, ao mesmo tempo em que a indústria está sendo devorada lenta e continuamente pela invasão de produtos estrangeiros, cada vez mais baratos por conta da valorização do Real frente à moeda norte-americana.

Fonte: Ucho.Info

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

ABANDONADOS.

Evidentemente, e já pude falar disso aqui, temos 2 Brasis tão diferentes entre si que poderíamos dividi-lo usando vários critérios. Neste texto quero falar do Brasil do interior, não necessáriamente rural e o Brasil dos grandes centros urbanos, financeiros e politicos. Nesse Brasil do interior uma realidade bastante cruel me atormenta e me inspira a fazer um alerta, não às autoridades , já que não evidencio nelas preocupação com o fato, mas aos brasileiros bem intencionados que de uma maneira ou outra ajudam com suas opiniões e debates na construção de um País melhor. Refiro-me a uma geração inteira abandonada em suas pretenções de alcançar o mercado de trabalho e poder com dignidade projetar seu futuro e inserção na comunidade produtora. Antigamente, e não quero aqui discutir o mérito da questão, o ensino médio ou o 2º Grau, como querem alguns, poderia ser feito por cursos profissionalizantes, assim surgiram milhares de técnicos em contabilidade, enfermagem, laboratório, e tantos outros, que de alguma maneira lhes davam alguma capacitação para pleitearem o sonhado primeiro emprego e daí prosseguir seus estudos. O que acontece hoje, é que ao terminar o terceiro ano do 2º grau, se vêm sem qualquer qualificação profissional, e o que é pior, a maioría oríundas de escolas públicas, com remotas chances de conseguir uma vaga nas disputadíssimas Universidades Públicas. A opção que se vislumbra então, são as milhares de Faculdades particulares e cursos à distância, hoje existente em quase todos os Muncípios porém inacessíveis à maioria esmagadora desses jovens, geralmente pertencentes a camada mais pobre da população. O propagado ProUni, atende a número insignificante desses jovens(em 2009 são 30000 inscrições a mais que o número de bolsas oferecidas). Imaginem a angústia de milhares de pais, que sem condições financeiras, vivenciam a desilução de seus filhos que além de não prosseguirem os estudos, não têm condições de pleitearem vaga num mercado cada vez mais exigente e competitivo. Sem experiência não tem emprego, mas como adquirir experiência sem emprego? Portanto esta geração abandonada, sem muitas perspectivas, se torna alvo fácil para o sub-emprego, para o óscio e daí para os vicios. Gestações precoces e indesejadas muitas vezes são o caminho das jovens, revoltas e frustações muitas vezes o caminho dos jovens. No Brasil dos grandes centros, a realidade não deve ser muito diferente, mas relato o Brasil que vivo dia a dia que é, o do interior. Fica o alerta, esta é uma realidade que devería ser estudada com atenção por Sociólogos, Antropólogos, Educadores enfim, por cientistas sociais de todas as tendências. Uma geração inteira de brasileiros está abandonada à própria sorte e tudo começa pela má qualidade do Ensino Público ofertado a milhares de jovens e crianças desse País. Esse é um ano eleitoral, analise bem as propostas dos candidatos para nossa juventude e vote consciente.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A GERAÇÃO ABANDONADA.

Evidentemente, e já pude falar disso aqui, temos 2 Brasis tão diferentes entre si que poderíamos dividi-lo usando vários critérios. Neste texto quero falar do Brasil do interior, não necessáriamente rural e o Brasil dos grandes centros urbanos, financeiros e politicos. Nesse Brasil do interior uma realidade bastante cruel me atormenta e me inspira a fazer um alerta, não às autoridades , já que não evidencio nelas preocupação com o fato, mas aos brasileiros bem intencionados que de uma maneira ou outra ajudam com suas opiniões e debates na construção de um País melhor. Refiro-me a uma geração inteira abandonada em suas pretenções de alcançar o mercado de trabalho e poder com dignidade projetar seu futuro e inserção na comunidade produtora. Antigamente, e não quero aqui discutir o mérito da questão, o ensino médio ou o 2º Grau, como querem alguns, poderia ser feito por cursos profissionalizantes, assim surgiram milhares de técnicos em contabilidade, enfermagem, laboratório, e tantos outros, que de alguma maneira lhes davam alguma capacitação para pleitearem o sonhado primeiro emprego e daí prosseguir seus estudos. O que acontece hoje, é que ao terminar o terceiro ano do 2º grau, se vêm sem qualquer qualificação profissional, e o que é pior, a maioría oríundas de escolas públicas, com remotas chances de conseguir uma vaga nas disputadíssimas Universidades Públicas. A opção que se vislumbra então, são as milhares de Faculdades particulares e cursos à distância, hoje existente em quase todos os Muncípios porém inacessíveis à maioria esmagadora desses jovens, geralmente pertencentes a camada mais pobre da população. O propagado ProUni, atende a número insignificante desses jovens(em 2009 são 30000 inscrições a mais que o número de bolsas oferecidas). Imaginem a angústia de milhares de pais, que sem condições financeiras, vivenciam a desilução de seus filhos que além de não prosseguirem os estudos, não têm condições de pleitearem vaga num mercado cada vez mais exigente e competitivo. Sem experiência não tem emprego, mas como adquirir experiência sem emprego? Portanto esta geração abandonada, sem muitas perspectivas, se torna alvo fácil para o sub-emprego, para o óscio e daí para os vicios. Gestações precoces e indesejadas muitas vezes são o caminho das jovens, revoltas e frustações muitas vezes o caminho dos jovens. No Brasil dos grandes centros, a realidade não deve ser muito diferente, mas relato o Brasil que vivo dia a dia que é, o do interior. Fica o alerta, esta é uma realidade que devería ser estudada com atenção por Sociólogos, Antropólogos, Educadores enfim, por cientistas sociais de todas as tendências. Uma geração inteira de brasileiros está abandonada à própria sorte e tudo começa pela má qualidade do Ensino Público ofertado a milhares de jovens e crianças desse País. Esse é um ano eleitoral, analise bem as propostas dos candidatos para nossa juventude e vote consciente.