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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

CORDA ESTICADA NO CONGRESSO

Veto de Dilma a orçamento impositivo tensiona relação com parlamentares da base

-Brasília- Com resistentes problemas na articulação política, o Palácio do Planalto está enfrentando uma crise que envolve diretamente o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), e o seu partido, o PMDB. Mesmo depois de a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, fazer uma reunião de emergência com a base aliada, para tentar conter a rebelião, Henrique Alves disse ontem que o veto presidencial às regras do orçamento impositivo, previstas na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2014, se confirmado, vai gerar "frustração e tensão desnecessárias" Ele fez um apelo para que a própria presidente Dilma Rousseff encontre uma saída política para o impasse, que, mantido, impossibilitará a aprovação ainda este ano do Orçamento Geral da União de 2014.
TEMER AGUARDA VOLTA DE DILMA
O vice-presidente Michel Temer entrou em campo, mas preferiu esperar a volta de Dilma da África do Sul, nesta madrugada, para apresentar uma solução política. Mas, no fim do dia, Ideli já reconhecia que dificilmente o Orçamento será votado este ano — em ano eleitoral, já há restrição para novos investimentos entre julho e outubro, o que pode limitar ainda mais a ação do governo se o Orçamento só for aprovado ano que vem.
— A probabilidade é praticamente zero de que, num acordo amplo, geral e irrestrito, concorde-se que, sem a aprovação de relatório setorial, o relator apresente a sua proposta diretamente no plenário, para aprovação — disse Ideli.
A ministra lembrou, no entanto, que a não votação do Orçamento este ano prejudica a própria classe política no ano eleitoral, pois uma das dificuldades do governo será exatamente liberar e pagar emendas de parlamentares:
— No ano que vem, nós temos uma situação que, para os parlamentares, é agravante. Há a Lei Eleitoral e, a partir de julho, é proibido empenho de propostas novas. Eu tenho dito que os parlamentares são os principais interessados em que o Orçamento esteja aprovado.
As declarações de Ideli foram dadas mesmo após os alertas feitos por Alves e outros peemedebistas, que têm a aprovação do orçamento impositivo como uma das bandeiras da gestão do PMDB na Câmara. Contra o argumento do Planalto de que não pode manter as regras do orçamento impositivo na LDO sem a aprovação da emenda constitucional, Alves garantiu que a PEC será aprovada em fevereiro:
— Espero que não haja esta frustração de manter o sistema atual de liberação de emendas. A LDO contém apenas o que está na PEC. Não há razão para este veto, que pode causar frustração e tensionar as relações na Câmara.
A proposta de orçamento impositivo prevê a execução obrigatória das emendas individuais de parlamentares, no valor equivalente a 1,2% da receita corrente líquida da União, o que representa, em números de hoje, cerca de R$ 7 bilhões, uma média de R$ 12 milhões por parlamentar.
Pelo sistema atual, o governo executa quando e quanto quer de emendas parlamentares ao Orçamento, que são recursos destinados pelos políticos para obras e projetos em seus redutos eleitorais. O Orçamento da União de 2014 já foi elaborado com base nas regras das emendas impositivas, com cota individual de R$ 14,6 milhões, sendo 50% para ações na área da Saúde.
Além de ser uma bandeira de Alves, a proposta foi incluída na LDO por outro peemedebista, o relator Danilo Forte (CE). Por esses motivos, o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), reforçou:
— O partido não vota o Orçamento com o veto na LDO. Vetar é estressar a base à toa. Estávamos com um ambiente político tão bom, e se cria esse estresse desnecessário. É um erro político grave.
O governo decidiu endurecer com a base após a quebra do acordo sobre a votação da PEC do Orçamento Impositivo. Semana passada, quando a PEC estava em votação final pelos deputados, ela foi desmembrada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em duas propostas: uma tratando da execução obrigatória das emendas individuais, e outra sobre financiamento da Saúde, destinando 15% da receita líquida da União para o setor.
SEM ACORDO, É "SALVE-SE QUEM PUDER"
Hoje, os governistas tentarão juntar as duas partes da PEC, em reunião da CCJ. Mesmo assim, não haverá tempo, dentro dos prazos regimentais, para aprová-la ainda este ano.
Em clima tenso, Ideli, segundo aliados, deixou claro na reunião de ontem que o limite de liberação por parlamentar será mesmo de R$ 10 milhões, e não R$ 12 milhões como queriam aliados. Após a reunião, o líder do PT, deputado José Guimarães (CE), avisou:
— Só tem cumprimento de acordo se cumprirem o acordo que fizeram com o governo (sobre a PEC). Sem acordo, é crise e salve-se quem puder.
Ideli disse que não houve quebra de acordo por parte do governo. Alegou que liberar R$ 12 milhões por parlamentar custaria R$ 7 bilhões, mas que a equipe econômica só liberou R$ 6 bilhões:
— A única coisa que eu não admito é dizer que houve quebra de promessa. Que eles reclamem, é da natureza dos parlamentares. Eu fiz a continha com eles. Aí é esticar uma corda que não existe.
 Cristiane Jungblut, Luiza Damé e Catarina Alencastro - O Globo

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A GUERRA DA SAÚDE

A Frente Parlamentar da Saúde aproveitará a volta do Orçamento Impositivo à Câmara dos Deputados para tentar ampliar os recursos destinados ao setor. “O texto aprovado no Senado troca seis por meia dúzia. Aqui não será fácil”, reclama o deputado Darcísio Perondi, do PMDB gaúcho. A ideia dos deputados é reeditar o movimento “Saúde+10”, que pretende insistir nos 10% do PIB para o setor. Eles sabem de antemão que o governo não topará, mas estão dispostos a fazer barulho.

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O líder no Senado, Eunício Oliveira (CE), garante, entretanto, que, na Câmara, seu partido votará fechado com o texto aprovado pelos senadores, até porque, diz ele, os R$ 7 bilhões destinados às emendas serão dinheiro novo. Perondi discorda. Pelo visto, a discussão vai longe. E se os deputados não acertarem o financiamento, há quem aposte na promulgação fatiada do Orçamento Impositivo, a parte que interessa aos deputados, sem a necessária vinculação. É bom ficar de olho.

Feitiços & feiticeiros I
A oposição guarda como uma joia rara o pronunciamento à Nação em que a presidente Dilma Rousseff anunciou a redução do valor da conta de luz. Diante dos aumentos das tarifas da Light e de outras distribuidoras, basta colocar no ar as duas notícias para desgastar um pouco mais a presidente-candidata.

Feitiços & Feiticeiros II
A bateria contra o Mais Médicos, entretanto, saiu da linha de frente. Afinal, diante da aprovação do programa, os oposicionistas pretendem silenciar nesse tema.

O fico de Afif
O ministro da Secretaria Especial da Pequena e Micro Empresa, Guilherme Afif Domingos, ficará no governo. A turma do Palácio brinca assim quando se refere ao fato: “Afif falou que fica”. É o trava língua ministerial.

Foco neles!
No domingo, a direção petista estará ligada no Processo de Eleição Direta (PED) de quatro estados: Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Pernambuco. É nesses locais que a disputa entre as tendências do partido está mais acirrada. No mais, avisam os integrantes da ala majoritária, a Construindo um Novo Brasil, não deve haver grandes mudanças ou surpresas.

[FOTO2]
Alô, “amigos”!/ O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (foto), do PT, deixou de lado as desavenças com o PMDB e passou a telefonar para a cúpula peemedebista pedindo ajuda na aprovação da renegociação da dívida dos Estados. Quem diria...

Pegou/ 
O deputado Chiquinho Escórcio fez escola no plenário, ao reclamar das votações que varam a noite às quartas-feiras. Nessa semana, lá pelas tantas, um gaiato grita para o deputado Simão Sessim, que presidia a sessão: “Anda logo com isso, SimãoA Frente Parlamentar da Saúde aproveitará a volta do Orçamento Impositivo à Câmara dos Deputados para tentar ampliar os recursos destinados ao setor. “O texto aprovado no Senado troca seis por meia dúzia. Aqui não será fácil”, reclama o deputado Darcísio Perondi, do PMDB gaúcho. A ideia dos deputados é reeditar o movimento “Saúde+10”, que pretende insistir nos 10% do PIB para o setor. Eles sabem de antemão que o governo não topará, mas estão dispostos a fazer barulho.

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O líder no Senado, Eunício Oliveira (CE), garante, entretanto, que, na Câmara, seu partido votará fechado com o texto aprovado pelos senadores, até porque, diz ele, os R$ 7 bilhões destinados às emendas serão dinheiro novo. Perondi discorda. Pelo visto, a discussão vai longe. E se os deputados não acertarem o financiamento, há quem aposte na promulgação fatiada do Orçamento Impositivo, a parte que interessa aos deputados, sem a necessária vinculação. É bom ficar de olho.

Feitiços & feiticeiros I
A oposição guarda como uma joia rara o pronunciamento à Nação em que a presidente Dilma Rousseff anunciou a redução do valor da conta de luz. Diante dos aumentos das tarifas da Light e de outras distribuidoras, basta colocar no ar as duas notícias para desgastar um pouco mais a presidente-candidata.

Feitiços & Feiticeiros II
A bateria contra o Mais Médicos, entretanto, saiu da linha de frente. Afinal, diante da aprovação do programa, os oposicionistas pretendem silenciar nesse tema.

O fico de Afif
O ministro da Secretaria Especial da Pequena e Micro Empresa, Guilherme Afif Domingos, ficará no governo. A turma do Palácio brinca assim quando se refere ao fato: “Afif falou que fica”. É o trava língua ministerial.

Foco neles!
No domingo, a direção petista estará ligada no Processo de Eleição Direta (PED) de quatro estados: Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Pernambuco. É nesses locais que a disputa entre as tendências do partido está mais acirrada. No mais, avisam os integrantes da ala majoritária, a Construindo um Novo Brasil, não deve haver grandes mudanças ou surpresas.

[FOTO2]
Alô, “amigos”!/ O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (foto), do PT, deixou de lado as desavenças com o PMDB e passou a telefonar para a cúpula peemedebista pedindo ajuda na aprovação da renegociação da dívida dos Estados. Quem diria...

Pegou/ 
O deputado Chiquinho Escórcio fez escola no plenário, ao reclamar das votações que varam a noite às quartas-feiras. Nessa semana, lá pelas tantas, um gaiato grita para o deputado Simão Sessim, que presidia a sessão: “Anda logo com isso, Simão! Olha o estatuto do idoso!”.

No dia seguinte…/ Um grupo de turistas na visita guiada, ontem pela manhã, ouviu a seguinte explicação do servidor: “Hoje, como é dia de trabalho, não há acesso ao plenário, vamos apenas às galerias (…)”. Ocorre que estava tudo fechado. Sessão, só no início da tarde e olhe lá.

Pindaíba/ O ministério da Agricultura desativou a maioria dos elevadores. Tudo para economizar. Na Câmara, virou logo piada. “Se fosse um ministério do PT, tinha dinheiro pra tudo”.! Olha o estatuto do idoso!”.

No dia seguinte…/ Um grupo de turistas na visita guiada, ontem pela manhã, ouviu a seguinte explicação do servidor: “Hoje, como é dia de trabalho, não há acesso ao plenário, vamos apenas às galerias (…)”. Ocorre que estava tudo fechado. Sessão, só no início da tarde e olhe lá.

Pindaíba/ 
O ministério da Agricultura desativou a maioria dos elevadores. Tudo para economizar. Na Câmara, virou logo piada. “Se fosse um ministério do PT, tinha dinheiro pra tudo”.
Denise Rothenburg - Correio Brasiliense