Mostrando postagens com marcador base aliada. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador base aliada. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 1 de maio de 2014

AS AGRURAS DA PRESIDENTE

O Estado de S.Paulo
Em política, nunca se deve dizer nunca, ressalvou dias atrás o ex-presidente Lula, antes de reiterar a lealdade à candidatura de sua afilhada Dilma Rousseff à reeleição. Ela mesma invocou o termo ao responder à inescapável pergunta sobre o "Volta, Lula" que lhe foi feita por jornalistas esportivos em um jantar - cujo prato de resistência deveriam ser os preparativos para a Copa e os protestos contra o evento - segunda-feira, no Alvorada. "Nada me separa dele e nada o separa de mim", entoou. "Sei da lealdade dele a mim, e ele da minha lealdade a ele."
Menos por isso, decerto, do que por saber que Dilma não tem a mais remota intenção de desistir da chance de passar mais quatro anos no Planalto e por pressentir que a operação da troca de nomes poderá não ser, nas urnas, o sucesso que a justificaria, Lula há de calcular que, para si, melhor do que ter elegido um poste será reeleger o poste que, em vez de iluminar, estorva. Se der errado, a culpa, naturalmente, será de Dilma. Se der certo, será a consagração de sua trajetória como o maior líder de massas da história nacional. Guardadas as diferenças, ele já rodou esse filme.
Em 2009, desistiu de buscar o terceiro mandato consecutivo não necessariamente por reverenciar a regra do jogo, que o proíbe, mas por intuir que talvez não pudesse pagar o preço político da tentativa de mudá-la. Antes fazer e tornar a fazer o sucessor, e se guardar para 2018. Não obstante o "nunca", a sua tendência é de permanecer leal a esse traçado. Ocorre que, por si só, o alarido em torno do "Volta, Lula" - resultado do desgosto dos aliados com o desempenho da presidente, do seu fracasso em construir uma coalizão de interesses da qual fosse ela a líder e do receio petista de perder o poder em 2015 - agrava a sua avitaminose política e acentua a sua vulnerabilidade eleitoral.
Um episódio deixa isso claro. Horas antes da entrevista de Dilma, o líder do PR na Câmara, Bernardo Santana, da base governista, se fez fotografar pendurando na parede o retrato de Lula. Segundo ele, 20 dos 32 membros da bancada preferem que o ex-presidente seja o candidato. "Só Lula tem condição de enfrentar qualquer crise", alegou. Pouco importa que tenha se recusado a identificar os supostos 20 lulistas. Pouco importam também as divisões internas no partido que possam ter parte com o anúncio. O ponto é que, estivesse Dilma nadando de braçada nas pesquisas, Santana não se sentiria inseguro do que o espera nas urnas a ponto de aprontar-lhe tamanha desfeita.
A cena de um político aliado afixando a imagem de um Lula com a faixa presidencial é o símbolo mais contundente das agruras de Dilma. É inevitável a comparação com o hino da vitoriosa campanha a presidente do ex-ditador Getúlio Vargas, em 1950. "Bota o retrato do velho outra vez / Bota no mesmo lugar", dizia a marcha que arrebatou o carnaval daquele ano. Eis o carma da presidente. Um dia lhe perguntam o que acha do "Volta, Lula". No outro, ontem cedo, numa entrevista a rádios baianas, o que acha da fidelidade dos partidos alinhados com o Planalto. A resposta é pura Dilma sem açúcar: "Gostaria muito que, quando for candidata, eu tivesse o apoio da minha base, da minha própria base. Agora, não havendo esse apoio, a gente vai tocar em frente".
Falta tocar o eleitor. Por mais que os resultados dos levantamentos de intenção de voto devam ser vistos com cautela - a três meses do início da campanha na TV e a cinco da ida às urnas, quando a disputa ainda não entrou no radar da grande maioria dos brasileiros -, o fato é que a mera coerência dos números da queda da candidata acelera o processo de seu desgaste. Sinal disso é que a equipe da reeleição, segundo uma inconfidência, já se dará por feliz se a chefe parar de cair nas próximas sondagens. A expectativa de vitória no primeiro turno se dissipou. Era, de resto, uma fantasia: nem Lula, apesar de toda a sua popularidade, conseguiu liquidar a fatura logo de saída na reeleição.
Já a aprovação a Dilma - a sua bagagem para as urnas - se aproxima perigosamente do nível que, para os especialistas, conduz antes à derrota do que à vitória eleitoral, sejam quais forem os adversários

quinta-feira, 24 de abril de 2014

CAIXA DE PANDORA



petrobras_13 Engana-se quem pensa se tratar de “bom mocismo” o recuo do governopetista de Dilma Rousseff em relação a eventual recurso ao STF para impedir a criação de uma CPI exclusiva para investigar a Petrobras e seus escândalos. Líderes petistas no Senado reuniram-se na manhã desta quinta-feira (24) com chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Aloizio Mercadante, e deixaram o Palácio do Planalto com a missão de não dificultar a criação da CPI. A ideia dos palacianos é não passar à opinião pública a ideia de que o governo temeroso e por isso insiste em abafar a investigação.
No contraponto, recoberta pela conhecida malandragem política, a estratégia do governo é deixar a responsabilidade por eventuais recursos ao presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-Al), que já recebeu a devida parte do butim oficial para endurecer o jogo com a oposição, que no rastro da decisão da ministra Rosa Weber, do Supremo, impôs sonora derrota ao Palácio do Planalto.
Manda a Constituição Federal, lei máxima da nação, que uma CPI deve ter número mínimo de assinaturas, fatos determinados e conexos e prazo fixado. A proposta apresentada pela oposição seguiu à risca as exigências da lei e por isso não poderia ser rechaçada pela instância máxima da Justiça nacional. Querer ampliar o espectro da investigação apenas para atingir adversários do PT nas eleições que se aproximam é oficializar a implantação de uma ditadura de esquerda no Brasil.
Se os governistas desejam investigar o cartel de trens em São Paulo e as obras do Porto de Suape, em Pernambuco, que criem CPIs específicas, até porque a base aliada tem maioria no Senado e na Câmara dos Deputados.
O ucho.info, como sabem os leitores, não está a defender que casos de corrupção deixem de ser investigados, mas que isso ocorra dentro do que determina a legislação vigente no País, o que em tese legitima o resultado de qualquer CPI.
Independentemente dessa repentina e falsa lufada de boa vontade do governo, é importante ressaltar que o PT palaciano sabe como melar uma CPI que represente risco ao partido. Não custa lembrar o caso da CPI das Ongs, proposta pelo então senador Heráclito Fortes (DEM-PI), mas que acabou em uma enorme e mal cheirosa pizza por conta do relator, o comunista Inácio Arruda, que agora defende a CPI X-Tudo.
Devidamente instruído por Lula e seus estafetas de então, Arruda produziu um relatório pífio e vergonhoso, com o estrito objetivo de impedir que a Polícia Federal e o Ministério Público descobrissem os tentáculos do Palácio do Planalto na espúriarelação com as Ongs, as
sunto que certamente esbarraria na Petrobras e abriria a tampa de uma das enormes caixas de Pandora da petroleira.
O esquema de corrupção que foi montado a partir da Petrobras, com detalhes de organização mafiosa, é vasto, quase sem fim. E o PT, assim como muitos partidos da base aliada, está envolvido até o pescoço. Por isso é preciso que os brasileiros de bem estejam diuturnamente vigilantes, cobrando de forma incisiva, os políticos, pois não deve-se descartar de a CPI terminar em nada.

Fonte: Ucho.Info

domingo, 9 de março de 2014

MEXENDO COM FOGO

dilma_rousseff_373 É no mínimo inconcebível o fato de a estrutura do governo ser transformada em comitê de campanha, como faz a presidente Dilma Vana Rousseff com a máquina palaciana. Almejar a reeleição é um direito que a presidente tem – e como tal deve exercê-lo –, mas não se pode confundir os interesses do País com os objetivos de sua campanha política. O Brasil está paralisado há alguns anos, mas para agravar o cenário agora vive uma crise política grave, que coloca a nação mais adiante na rota do descompasso.
Preocupada em não perder o tempo de televisão a que tem direito o PDMB, Dilma tenta sufocar a rebelião que eclodiu no principal partido político da base aliada. A ideia da presidente é isolar o líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (RJ), parlamentar hábil e profundo conhecedor do jogo político. É verdade que Cunha tem seus pontos de vulnerabilidade, os quais poderiam ser atacados pelos palacianos durante eventual reação mais acirrada, mas é preciso lembrar que o líder peemedebista, se cair, o fará atirando até o final.
Quando Eduardo Cunha foi escolhido para liderar o PMDB na Câmara, o ucho.infoalertou para o detalhe de que o governo teria sérios problemas de relacionamento com o partido. E isso está se confirmando sem muito esforço, pois o peemedebista fluminense é dono de currículo político conhecido. Mesmo que sua capacidade de arregimentação seja grande, Eduardo Cunha não está agindo à revelia da cúpula do partido. Na verdade, ele age com o apoio velado dos caciques peemedebistas, que cobram mais e melhores postos no governo para que o partido continua no projeto de reeleição de Dilma Rousseff.
Lula, o lobista que continua dono do governo, vem operando nos bastidores para tentar conter a crise que surgiu entre petistas e peemedebistas, que nos últimos dias têm troca insultos publicamente. A situação começa a escapar do controle do Palácio do Planalto e o PMDB já cogita lançar candidato próprio à Presidência da República, o que atrapalharia os planos do PT. A ideia é lançar o destemperado Roberto Requião, senador e ex-governador do Paraná, como postulante ao cargo. Se isso acontecer, Dilma precisara da barba de Lula para colocá-la de molho, porque com o novo cenário as pesquisas eleitorais divulgadas até então aterrissarão na seara do mero devaneio.
Dilma tem ouvido os conselhos nada sensatos do marqueteiro João Santana e do “companheiro de armas” Franklin Martins, que tem defendido a tese de que batendo incondicionalmente na classe política a presidente há de crescer em meio à opinião pública. A continuar nessa trilha perigosa, Dilma só tem a perder, uma vez que o PMDB é formado por profissionais da política. Em suma, o fogo é alto, a temperatura política está elevada e a fervura da sucessão tende a subir

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

CORDA ESTICADA NO CONGRESSO

Veto de Dilma a orçamento impositivo tensiona relação com parlamentares da base

-Brasília- Com resistentes problemas na articulação política, o Palácio do Planalto está enfrentando uma crise que envolve diretamente o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), e o seu partido, o PMDB. Mesmo depois de a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, fazer uma reunião de emergência com a base aliada, para tentar conter a rebelião, Henrique Alves disse ontem que o veto presidencial às regras do orçamento impositivo, previstas na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2014, se confirmado, vai gerar "frustração e tensão desnecessárias" Ele fez um apelo para que a própria presidente Dilma Rousseff encontre uma saída política para o impasse, que, mantido, impossibilitará a aprovação ainda este ano do Orçamento Geral da União de 2014.
TEMER AGUARDA VOLTA DE DILMA
O vice-presidente Michel Temer entrou em campo, mas preferiu esperar a volta de Dilma da África do Sul, nesta madrugada, para apresentar uma solução política. Mas, no fim do dia, Ideli já reconhecia que dificilmente o Orçamento será votado este ano — em ano eleitoral, já há restrição para novos investimentos entre julho e outubro, o que pode limitar ainda mais a ação do governo se o Orçamento só for aprovado ano que vem.
— A probabilidade é praticamente zero de que, num acordo amplo, geral e irrestrito, concorde-se que, sem a aprovação de relatório setorial, o relator apresente a sua proposta diretamente no plenário, para aprovação — disse Ideli.
A ministra lembrou, no entanto, que a não votação do Orçamento este ano prejudica a própria classe política no ano eleitoral, pois uma das dificuldades do governo será exatamente liberar e pagar emendas de parlamentares:
— No ano que vem, nós temos uma situação que, para os parlamentares, é agravante. Há a Lei Eleitoral e, a partir de julho, é proibido empenho de propostas novas. Eu tenho dito que os parlamentares são os principais interessados em que o Orçamento esteja aprovado.
As declarações de Ideli foram dadas mesmo após os alertas feitos por Alves e outros peemedebistas, que têm a aprovação do orçamento impositivo como uma das bandeiras da gestão do PMDB na Câmara. Contra o argumento do Planalto de que não pode manter as regras do orçamento impositivo na LDO sem a aprovação da emenda constitucional, Alves garantiu que a PEC será aprovada em fevereiro:
— Espero que não haja esta frustração de manter o sistema atual de liberação de emendas. A LDO contém apenas o que está na PEC. Não há razão para este veto, que pode causar frustração e tensionar as relações na Câmara.
A proposta de orçamento impositivo prevê a execução obrigatória das emendas individuais de parlamentares, no valor equivalente a 1,2% da receita corrente líquida da União, o que representa, em números de hoje, cerca de R$ 7 bilhões, uma média de R$ 12 milhões por parlamentar.
Pelo sistema atual, o governo executa quando e quanto quer de emendas parlamentares ao Orçamento, que são recursos destinados pelos políticos para obras e projetos em seus redutos eleitorais. O Orçamento da União de 2014 já foi elaborado com base nas regras das emendas impositivas, com cota individual de R$ 14,6 milhões, sendo 50% para ações na área da Saúde.
Além de ser uma bandeira de Alves, a proposta foi incluída na LDO por outro peemedebista, o relator Danilo Forte (CE). Por esses motivos, o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), reforçou:
— O partido não vota o Orçamento com o veto na LDO. Vetar é estressar a base à toa. Estávamos com um ambiente político tão bom, e se cria esse estresse desnecessário. É um erro político grave.
O governo decidiu endurecer com a base após a quebra do acordo sobre a votação da PEC do Orçamento Impositivo. Semana passada, quando a PEC estava em votação final pelos deputados, ela foi desmembrada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em duas propostas: uma tratando da execução obrigatória das emendas individuais, e outra sobre financiamento da Saúde, destinando 15% da receita líquida da União para o setor.
SEM ACORDO, É "SALVE-SE QUEM PUDER"
Hoje, os governistas tentarão juntar as duas partes da PEC, em reunião da CCJ. Mesmo assim, não haverá tempo, dentro dos prazos regimentais, para aprová-la ainda este ano.
Em clima tenso, Ideli, segundo aliados, deixou claro na reunião de ontem que o limite de liberação por parlamentar será mesmo de R$ 10 milhões, e não R$ 12 milhões como queriam aliados. Após a reunião, o líder do PT, deputado José Guimarães (CE), avisou:
— Só tem cumprimento de acordo se cumprirem o acordo que fizeram com o governo (sobre a PEC). Sem acordo, é crise e salve-se quem puder.
Ideli disse que não houve quebra de acordo por parte do governo. Alegou que liberar R$ 12 milhões por parlamentar custaria R$ 7 bilhões, mas que a equipe econômica só liberou R$ 6 bilhões:
— A única coisa que eu não admito é dizer que houve quebra de promessa. Que eles reclamem, é da natureza dos parlamentares. Eu fiz a continha com eles. Aí é esticar uma corda que não existe.
 Cristiane Jungblut, Luiza Damé e Catarina Alencastro - O Globo

domingo, 4 de agosto de 2013

DEBANDADA GERAL, 9 PARTIDOS ABANDONAM O NÚCLEO DURO DO GOVERNO

O Estado de S. Paulo
Em seu terceiro ano como presidente, Dilma Rousseff assistiu ao esfacelamento do "núcleo duro" de apoio a seu governo na Câmara dos Deputados, que já foi formado por 17 partidos e hoje abriga apenas petistas e remanescentes de outras sete legendas.
Veja também:

O núcleo duro - formado pelos parlamentares que votam com o governo 90% das vezes ou mais - era integrado em 2011 por 306 dos 513 deputados. Ou seja, Dilma podia contabilizar como aliados fiéis seis em cada dez dos membros da Câmara. Desde então, esse núcleo vem encolhendo, e atualmente se resume a 101 deputados, segundo revela o Basômetro, ferramenta online do Estadão Dados que mede a taxa de governismo do Congresso.
Dos nove partidos que abandonaram totalmente a linha de frente de apoio ao governo, três são de tamanho médio - PR, PSD e PSB. Os demais se enquadram na categoria dos "nanicos", com bancadas de menos de dez integrantes (PMN, PTC, PRTB, PSL, PT do B e PRB).
O PMDB, principal aliado do PT em termos numéricos, tem hoje apenas quatro representantes no núcleo duro - desde o final de 2011, 63 peemedebistas abandonaram o grupo e agora se concentram na faixa dos que votam com o governo entre 60% e 89% das vezes. No PP, a debandada foi de 32 deputados para apenas 2. No PDT, de 16 para 2. No PTB só sobrou um dos 19 fiéis.
Com uma base cada vez mais inconsistente, Dilma tem enfrentado dificuldades crescentes para aprovar projetos. Na tentativa de agradar à base, acenou com a abertura dos cofres: na semana passada. Determinou a liberação de R$ 6 bilhões em emendas parlamentares até o final do ano, em três parcelas.
Mesmo assim, há temor de que a estratégia não funcione. Para evitar eventuais derrotas, o governo quer adiar a votação de temas polêmicos.
Palanques. O desmanche do grupo fiel a Dilma se acelera no momento em que os partidos se realinham para medir forças em 2014. O PSB, que já promove a candidatura presidencial do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, tinha taxa de governismo de 95% em 2011, segundo o Basômetro. Em 2013, o índice está em 77% - com tendência de queda. A taxa dos partidos é calculada com base na média dos votos contra e a favor de seus integrantes.
No primeiro ano de mandato de Dilma, o núcleo duro de apoio ao governo tinha 27 deputados do PSB. Em 2012, esse número se reduziu a menos da metade, e em 2013 todos abandonaram o barco.
No PDT, o afastamento pode ser simbolizado pelo comportamento de um de seus principais líderes, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SP). Em 2011, ele apoiou o governo em 89% das votações. Neste ano, em apenas 33%.
Dilma só não pode se queixar de seus correligionários: o número de petistas com taxa de fidelidade superior a 90% subiu de 83 em 2011 para 86 em 2013. A presidente nunca dependeu tanto de seu partido: atualmente, o PT tem 85% dos integrantes do núcleo duro - no primeiro ano de mandato, eles eram 27%.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

JOGO BRUTO

v O Congresso volta aos trabalhos nos primeiros dias de agosto com projeto bem definido: derrubar alguns vetos da presidente Dilma. Liderado pelo deputado Eduardo Cunha, e com o apoio do presidente da Câmara, Henrique Alves, a bancada do PMDB pretende continuar seu trabalho de boicote ao Palácio do Planalto até que essa queda de braço defina com clareza quem é quem na aliança governista.

O PT deu o primeiro recuo, retirando do texto oficial de sua convenção as referências à necessidade de rever as alianças com partidos conservadores. A afirmativa tinha endereço certo, o PMDB. Mas a disputa na Câmara não engloba apenas o PMDB. Também alas do PT descontentes com a atuação do governo, especialmente na área econômica, insuflam a rebeldia na base aliada, em busca de um clima político que favoreça a volta de Lula.

Mesmo que seja improvável essa hipótese, trabalhar para que aconteça desgasta a presidente Dilma, e aumenta a margem de pressão dos próprios petistas. Embora tenha formalmente uma aliança que abarca cerca de 70% do Congresso, o apoio ao Palácio do Planalto nas votações tem caído desde o início do governo, chegando a seu ponto mais baixo este ano, com apenas cerca de 45|% de aprovação nas votações, o mesmo índice, aliás, da bancada do PMDB, o que indica que é ele quem está dando o ritmo de atuação na aliança governista. Não por acaso, o líder do PMDB é o deputado Eduardo Cunha.

A antecipação do processo eleitoral trouxe para a discussão a questão econômica, sobretudo a inflação. À medida que se coloca o debate da inflação no centro da discussão política, da disputa eleitoral, ela se realimenta com a expectativa.

Além disso, a candidata não pode tomar medidas que a presidente precisa tomar no combate à inflação. A presidente passou a ser tratada como candidata, e seu julgamento é nessa condição. O calendário eleitoral antecipado é uma abstração que neurotiza a política. Os políticos vivem um calendário que não é real.

O diálogo com os partidos da base é difícil por que a função do presidente da República é essencialmente política, e a existência do ministério de Relações Institucionais não pode substituir a relação direta do presidente com os políticos. Fernando Henrique e Lula traziam para eles a condução política, depois da crise do mensalão Lula viu que teria que tratar diretamente com os políticos.

Os políticos que faziam essa interlocução eram mais operacionais, ficavam com a barriga no balcão, como se diz na gíria política, mas quem decidia tudo era o dono da loja, os presidentes. Hoje, não. Quem está com a barriga no balcão não tem experiência da militância política, e a presidente, como dona da loja, não têm prazer no exercício da política.

Quando entra na pauta a eleição, os deputados começam a pensar com antecedência nas bocas de urnas, nos trabalhos dos cabos eleitorais, que também começam a fazer exigências mais cedo. Só que estamos a um ano do outubro da eleição.

Quem não segue o Papa Francisco e não faz política com P maiúsculo, se aproveita dessas ocasiões, mesmo que o resultado a médio prazo seja o enfraquecimento do próprio partido. Quem trabalha como saqueador quer é confusão, analisam os especialistas nas ações do baixo clero, utilizando-se da imagem dos vândalos em ação nas recentes manifestações populares.



A diferença entre a luta interna do PT e a atuação institucional do PMDB é exemplar da ação política nesses tempos de presidencialismo de coalizão. Setores do PT acusam o PMDB de estar tornando o governo seu refém, e pressionam a presidente Dilma para romper a aliança “conservadora”.

Ao mesmo tempo, o PMDB parece muito mais preocupado em preservar o governo Dilma do que o PT, pois agindo assim preserva sua própria presença no comando do país, e os espaços políticos que ocupa. Ao contrário, o que acontece no PT é uma briga bruta pelo domínio político da máquina partidária, no momento em que os expoentes de uma geração partidária podem acabar na cadeia.

E quanto mais espaço o PMDB ocupar, menos espaço sobra para os diversos grupos que atuam dentro do PT.

Merval Pereira

sábado, 6 de julho de 2013

A PRESIDENTE SE AFUNDA ENGANANDO A SI MESMA

ROLF KUNTZ - O Estado de S.Paulo
Mentir para os outros pode ser pecado. Pode também ser crime, em algumas circunstâncias. Mentir para si mesmo é insânia. Os brasileiros, têm, portanto, mais um sério motivo para se inquietar. O governo, tudo parece indicar, mente para si mesmo e continuará mentindo para se isolar da realidade. É muito difícil explicar de outra forma a reação da presidente Dilma Rousseff e de sua equipe às manifestações de rua e ao tsunami de más notícias. O governo tentou, mas como deslocar os problemas para o Congresso, quando até fontes oficiais continuam despejando informações assustadoras sobre a economia? Até os aliados, a começar pelo vice-presidente Michel Temer, têm resistido à manobra, Mesmo sem essa resistência, a situação desastrosa do País continuaria atraindo as atenções.
O Banco Central (BC), uma das fontes oficiais, diminuiu de 3,1% para 2,7% o crescimento econômico projetado para o ano, além de reduzir de US$ 15 bilhões para US$ 7 bilhões o saldo comercial estimado. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reestimou de 3,2% para 2% a expansão do produto interno bruto (PIB). Na semana passada estava em 2,4% a mediana das projeções do mercado financeiro. Não só as bolas de cristal mostram cenários tenebrosos. Os dados já conhecidos alimentam no dia a dia as previsões negativas.
Um bom exemplo: a produção industrial caiu 2% de abril para maio, depois de modesta recuperação nos meses anteriores, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O saldo comercial do trimestre foi um déficit de US$ 3 bilhões, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento. Mas o número seria bem pior sem as exportações fictícias de plataformas de petróleo no valor de US$ 2,4 bilhões.
A inflação continua elevada e especialistas apontam um resultado próximo de 6% até o fim do ano. A desinflação dos alimentos acabou e o custo das matérias-primas poderá em breve pressionar de novo os preços ao consumidor.
Em junho, o índice oficial de inflação, o IPCA, calculado pelo IBGE, perdeu impulso e subiu 0,26%, principalmente por causa da menor pressão dos preços dos alimentos. Mas no atacado os preços agrícolas aumentaram 1,46%, depois de recuarem 0,75% em maio, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Também no atacado a alta dos preços industriais chegou a 0,62%. Ainda em junho, o índice de commodities do BC, o IC-Br, subiu 5,34%, com variação de 5,72% para agropecuária, 4,3% para metais e 4,39% para energia.
O repasse desses aumentos ao varejo dependerá de fatores como o nível de emprego, a renda e a disposição dos consumidores, a possibilidade de substituição de bens, as condições do crédito e, naturalmente, a situação das contas públicas. Os consumidores andam mais ressabiados e cautelosos. Mas o emprego permanece elevado, os salários ainda acumulam ganhos reais, embora menores que os dos últimos anos, o crédito ainda aumenta e a política fiscal permanece, como afirma o pessoal do BC, "expansionista".
Nas ruas, manifestantes protestaram contra as tarifas e a qualidade do transporte urbano e cobraram melhores padrões de serviços essenciais, como educação e assistência à saúde. Diante dessas pressões a presidente propôs um plebiscito fora de hora, sobre temas políticos, e convocou os ministros para exigir maior empenho na execução de seus programas - os mesmos programas condenados nas ruas pela baixíssima qualidade de seus resultados.
Os ministros da área econômica estavam prontos, como sempre, para esse tipo de jogo. Afinal, continuam prometendo mais do mesmo - uma péssima gestão das finanças públicas, mal disfarçada com novos lances de contabilidade criativa, já famosa até na imprensa estrangeira. A quem pensam enganar? Só podem enganar a si mesmos, é claro, porque até os muito trouxas acabam percebendo, embora com algum atraso, os sinais do desarranjo.
A presidente, dizem fontes de Brasília, está isolada. De certa forma, sempre esteve. Desde o começo de seu mandato cercou-se de assessores incapazes - por incompetência ou por falta de coragem - de ajudá-la a examinar os fatos e a planejar as ações de governo com base em diagnósticos realistas.
A maior parte de sua política administrativa e econômica é mero desdobramento da herança deixada por Luiz Inácio Lula da Silva. Nenhuma alteração essencial ocorreu na diplomacia econômica. Na prática, as prioridades têm sido as mesmas. O País continua amarrado ao mundo estreito e medíocre do Mercosul. Enquanto isso, negociam-se novas alianças e novas perspectivas de comércio e integração econômica são abertas em quase todas as regiões, incluída a América Latina. A Aliança do Pacífico é um bom exemplo.
A administração continua tão ineficiente quanto na fase do antecessor, quando o Brasil foi arrastado pela prosperidade mundial e o País pareceu tornar-se uma potência de peso. A grande novidade, naquele período, foi a rápida incorporação de massas ao mercado consumidor. Como nada se fez para modernizar o País e fortalecer sua capacidade produtiva, a mágica da expansão do mercado se esgotou. A dramática perda de produtividade geral da economia deixou o País desarmado para enfrentar a concorrência estrangeira.
Os resultados são evidentes nas contas externas, mesmo com algum disfarce. Aparentemente sem perceber esses fatos, a presidente insistiu numa política baseada principalmente no estímulo ao consumo. O resultado foi uma combinação de piora das contas fiscais, erosão do balanço de pagamentos, inflação sempre alta e indústria estagnada. Na administração federal, direta e indireta. aparelhamento e loteamento continuam predominando. Vai-se consertar tudo isso com um plebiscito improvisado?

quinta-feira, 4 de julho de 2013

A FEITIÇARIA DESANDOU


O Estado de S.Paulo
Da presidente Dilma Rousseff, na mensagem ao Congresso em que defende um plebiscito para a reforma política e sugere cinco temas para a consulta: "Argumentos que buscam imputar ao povo uma impossibilidade de compreensão da melhor forma de representação não podem prevalecer em um Estado Democrático de Direito como o nosso".
Da ata da reunião promovida pela presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Cármen Lúcia, com os 27 titulares dos tribunais regionais, em que a Corte estipulou um prazo de 70 dias para efetuar o plebiscito, a contar da decisão final do Congresso sobre o seu conteúdo: "A Justiça Eleitoral não está autorizada constitucional e legalmente a submeter ao eleitorado consulta sobre o tema que ele não possa responder ou sobre a qual não esteja prévia e suficientemente esclarecido".
É isso que está em jogo - e não o princípio abstrato invocado por Dilma. E o esclarecimento do eleitorado em relação a cada um dos quesitos e ao seu conjunto que o Legislativo concordar em submeter-lhe impede que os resultados da votação, a serem depois transformados em lei, vigorem já para as eleições de 2014. Segundo cláusula pétrea da Constituição, todas as normas e condições de um pleito precisam estar dadas um ano antes de sua realização - no caso, até 5 de outubro próximo. Não está claro se Dilma foi alertada para as realidades do calendário quando imaginou que o plebiscito poderia ser votado a tempo de produzir efeitos para a disputa do ano que vem. A rigor, tanto faz.
Tendo embarcado na aventura da convocação, também por plebiscito, de uma ilegal Constituinte exclusiva para fazer a reforma, a presidente entendeu de adotar um plano B, soberbamente alheia aos seus perigos. O que ela queria, a todo custo, era desviar as atenções das queixas predominantes na escalada de protestos no País. As multidões foram às ruas contra o aumento das passagens de ônibus, a má qualidade dos serviços públicos essenciais, a começar do transporte coletivo, os gastos com a Copa e a corrupção. Apenas uma minúscula parcela dos manifestantes incluía a reforma política entre as suas prioridades. Ciente disso, Dilma agiu de má-fé.
E acaba de repetir a dose com a jogada do plebiscito (e seus efeitos) para já. A menos que, à maneira do pai de família do conto O plebiscito, de Machado de Assis, ela ignorasse não o termo, como o personagem, mas os desdobramentos políticos da consulta a toque de caixa. O fato é que ela jogou a bomba do plebiscito no colo do Congresso para poder dizer, caso estoure, que fez a sua parte para mudar os costumes políticos brasileiros. É um equívoco comum. A corrupção não resulta dessas ou daquelas normas eleitorais e partidárias, mas da falta de escrúpulos dos beneficiários dos malfeitos. Afinal, são as pessoas que fazem as funções que exercem e não o contrário.
Ainda que houvesse um nexo essencial entre o sistema político e os ilícitos que se cometem no seu bojo, não seria um plebiscito que o desfaria. Numa consulta como a sugerida pela presidente, por exemplo, passam de uma centena as combinações de respostas possíveis. A chance de vir daí um resultado congruente é mínima. Os próprios blocos parlamentares que orientariam os eleitores a votar de um modo ou de outro em cada quesito só a muito custo se formariam, dadas as inúmeras divergências sobre o conjunto. Dois partidos podem pregar o mesmo voto diante de uma questão e discordar em relação a outra.
Já não bastassem, pois, os prazos irrealistas para a aprovação, pelo Legislativo, dos temas e alternativas do plebiscito, e para o "suficiente esclarecimento" do eleitorado, como exige o TSE, só se pode ser pessimista acerca do seu desfecho. Isso, se sair o plebiscito à Dilma - ou qualquer outro. O clima é de revolta generalizada entre os aliados do governo. Com razão, denunciam que o modelo oferecido privilegia os interesses da presidente e, por extensão, do PT, ignorando o Congresso em geral e a base em particular. O PMDB já arrola as modalidades de retaliação a seu alcance - desde comandar a derrubada de vetos presidenciais até reavaliar o apoio à reeleição de Dilma.
Aprendiz de feiticeira, ela não previu que a feitiçaria poderia desandar.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

UMA SITUAÇÃO BIZARRA

O estranho caso do novo ministro Afif Domingos, que permanecerá como vice-governador de São Paulo, é exemplar de como nossos políticos se apegam a cargos, mesmo quando o bom-senso manda que abram mão de um deles. Afif já combinou com o governador Geraldo Alckmin que não assumirá o posto nunca, e pretende viajar sempre que o governador tiver que fazê-lo, para que o cargo possa ser ocupado pelo presidente da Assembléia Legislativa.

Pergunta-se então: como um ministro em Brasília pode ao mesmo tempo ser vice-governador de São Paulo? Para que Afif quer continuar em um cargo que não poderá exercer? A chapa Alckmin-Afif tinha sentido, pois o PSDB e o DEM eram partidos de uma mesma base política no estado. Com a criação do PSD, a situação ficou mais complicada, pois o vice-governador bandeou-se para o novo partido, claramente pendendo para um apoio explícito ao governo Dilma, embora Kassab negue que a ida de Afif para o ministério seja um compromisso de apoiar Dilma em 2014.

Mas é evidente que o novo ministério da Micro e Pequena Empresa só foi criado para levar o PSD para dentro do governo, numa antecipação do apoio em 2014. Vários partidos da base aliada, e não apenas o PSD, tentam ficar com um pé fora da aliança para o caso de alguma emergência.

No caso do PSD, há uma ligação forte de Kassab com o PSB de Eduardo Campos, partido que poderia receber os adeptos do PSD se o partido não conseguisse tempo de televisão e fundo partidário para ter vida própria. Não é à toa que Kassab inventa essa tese esdrúxula de que não aceitará fazer parte do governo Dilma neste mandato, reservando-se o direito de apenas em 2014 se juntar a ele, caso a presidente seja reeleita.

O que ele quer mesmo é aguardar o cenário se estabilizar para definir a quem apoiar na corrida presidencial. Sempre que fala nesse assunto, Kassab sinaliza que a maioria dos diretórios já está se definindo a favor de Dilma.

O PDT e o PR, que voltaram ao governo depois de terem sido faxinados pela presidente Dilma por suspeita de corrupção, dizem que não se decidiram ainda sobre a quem apoiar na eleição presidencial, e conversam tanto com o tucano Aécio Neves quanto com o governador de Pernambuco Eduardo Campos.

As alianças regionais terão peso nessas definições do quadro nacional. Gilberto Kassab pretende disputar o governo de São Paulo, e oferece um segundo palanque à presidente Dilma no Estado, pois é impossível pensar em uma aliança com o PT, que terá candidato próprio no estado.

Já no Rio, uma das hipóteses é o PDT lançar a candidatura do deputado federal Miro Teixeira, dando o palanque para o candidato tucano Aécio Neves. Todos os lances, por mais estapafúrdios que sejam, têm explicação lógica, menos a permanência de Afif Domingos no cargo de vice-governador de São Paulo.
Merval Pereira

domingo, 5 de agosto de 2012

O PÓS- MENSALÃO

Não é possível saber de antemão qual o efeito do julgamento do mensalão no eleitorado nas eleições municipais deste ano, mas ele é temido pelo PT e dá esperanças à oposição na campanha eleitoral.

O Palácio do Planalto procura distanciar-se ao máximo do debate que ele suscita, e a presidente Dilma Rousseff já disse a interlocutores que essa é uma dor que o partido tem que sofrer e superar.Mas não é apenas a oposição que joga suas esperanças num revés petista nesse julgamento. Também alguns partidos aliados não envolvidos nas acusações veem no eventual desgaste petista uma possibilidade de assumirem posições mais destacadas no governo federal.

O julgamento tem o potencial de definir as forças partidárias dentro e fora do PT, realinhando posições políticas e forjando um novo quadro de coalizões, seja qual for o resultado.

Não é à toa que, volta e meia, pessoas ligadas ao PT tentam afastar para longe do partido a palavra mensalão, especialmente em um ano eleitoral.

A tentativa mais alardeada foi a do próprio ex-presidente Lula, que assediou ministros do Supremo Tribunal Federal para convencê-los a adiar o julgamento para depois das eleições.

Tratou do tema diretamente com os ministros Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski, com os quais tem relações de amizade, e esbarrou na indignação do ministro Gilmar Mendes, a quem teria ameaçado com denúncias do PT na CPI do Cachoeira para obter sua adesão à tese.

Mendes levou essa tentativa de intimidação ao presidente do Supremo, e confirmou a manobra de Lula para a imprensa.

O PT reclamou também de o STF usar o termo mensalão em seu noticiário sobre o julgamento, que passou a ser tratado oficialmente apenas como "ação penal 470".

Outra tentativa foi a de um grupo de advogados ligados ao PT, que enviou à presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, um pedido para que não permitisse que o julgamento do mensalão fosse usado nos programas eleitorais dos partidos oposicionistas.

Agora, há um movimento para pedir à Justiça que os meios de comunicação sejam impedidos de usar o termo mensalão em seu noticiário, obrigando-os a falar sempre da "ação penal 470" quando se referirem ao julgamento em curso.

Para a presidente Dilma, a condenação do grupo petista que comandou o mensalão significará reforço na sua capacidade de intermediação dentro do partido, hoje dependente do grupo majoritário "Construindo um Novo Brasil", liderado por Dirceu.

Naturalmente, esse grupo sairia enfraquecido na luta partidária, abrindo caminho para os petistas ligados à presidente, que hoje não têm influência decisiva no partido.

A condenação de Dirceu e sua turma levaria, ao mesmo tempo, à reorganização de forças partidárias dentro da base aliada. Partidos que pouco ou nada têm a ver com o mensalão, como o PSB e o PMDB, sairiam fortalecidos no pós-julgamento.

O PMDB tem dois envolvidos, José Borba e Anderson Adauto, que permanecem no partido e são prefeitos de Jandaia do Sul (PR) e Uberaba (MG).

No entanto, não há indícios de que a cúpula partidária estivesse envolvida, pois, na ocasião, apenas uma parte do partido estava no governo. Só depois da crise do mensalão é que o partido entrou oficialmente na base aliada.

Já o PSB não tem nada a ver com as negociações do mensalão, com apenas uma participação indireta na regional do Pará, que teria recebido uma ajuda em dinheiro.

O enfraquecimento do PT pode fazer com que os dois partidos assumam maiores responsabilidades na coalizão governamental.

Se, ao contrário do que esperam a oposição e mesmo alguns partidos aliados, petistas mais graduados forem absolvidos pelo STF, notadamente Dirceu, o PT será afetado em sua linha de ação, sendo previsível que o controle do partido fique explicitamente nas mãos do ex-ministro de Lula, que sairia das sombras para comandá-lo novamente.

Nesse caso, Dirceu teria formidável reinserção na vida partidária, com condições de influir decisivamente nos rumos do governo Dilma, voltando a ser a maior liderança política petista na impossibilidade de Lula retomar suas atividades políticas.

Seria também, provavelmente, a implosão da coalizão partidária que sustenta o governo nos moldes atuais.

Merval Pereira

domingo, 29 de julho de 2012

R$ 101 MILHÕES EM PROPINAS

O publicitário Marcos Valerio Fernandes de Souza, suspeito de comandar o esquema nacionalmente conhecido como Mensalão, foi preso na madrugada desta sexta-feira (2) em Belo Horizonte(MG). O empresário foi detido no bairro Bandeirantes, na região da Pampulha, durante o cumprimento de mandados da Operação Terra do Nunca. Foto: Marcelo Prates/AE
Marcos Valério: imóveis milionários após escândalo
Brasília

Após sete anos de investigação e mais de 50 mil páginas de processo com inquirição de cerca de 600 testemunhas, peritos oficiais conseguiram mapear o tamanho do mensalão, esquema de pagamento de propina a parlamentares da base do governo Lula.

O chamado valerioduto, que o Ministério Público diz ter sido comandado pelo ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, movimentou pelo menos R$ 101,6 milhões. O número foi apurado por investigadores da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e do Tribunal de Contas da União (TCU).

Laudo da Polícia Federal confirma também que o esquema usou dinheiro público, originário do Banco do Brasil. Os saques de R$ 4,652 milhões realizados em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro têm como fonte recursos que a empresa DNA, de Marcos Valério, recebeu do fundo Visanet para prestar serviços de publicidade ao BB.

As informações constam da Ação Penal 470, que tem 38 réus e será julgada a partir de 2 de agosto pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Reforçam as chances de condenação de acusados no processo.

Casas milionárias
Nem a ruína de suas agências de publicidade nem a exposição pública de envolvido no mensalão impediram Marcos Valério de ampliar seus bens.

Duas casas milionárias na região da Pampulha, em Belo Horizonte, são as novas aquisições do lobista e não fazem parte do bloqueio imposto pela Justiça desde a descoberta do mensalão. Para fugir de impedimentos judiciais, Valério registrou os imóveis em nome da filha.

A primeira casa foi comprada em 2009 por R$ 550 mil e valia R$ 1 milhão à época. A segunda foi adquirida há sete meses do dentista Luiz Henrique Lage, que não quis dizer o valor da venda. Oficialmente, a transação foi registrada por R$ 500 mil. (O Globo)

segunda-feira, 18 de junho de 2012

PUBLICIDADE OPRESSIVA

Surpreendentes, na semana, foram as declarações do advogado do PT, profissional de primeira linha, Thomaz Bastos, sobre os mensaleiros do partido, a serem julgados pelo Supremo Tribunal Federal em agosto: a exploração desse assunto, pela imprensa, prejudica-os gravemente. Será? Afinal, a mente dos ministros do STF não é a de marias que vão com as outras, como as do povo alemão, face à propaganda do Dr. Goebbels, ante as propostas de Hitler, num país arrasado pela inflação e pelo desemprego, causados pelas exigências e humilhações do tratado de Versalhes. Esse não é o caso do Brasil, país no qual a publicidade ajudou a eleger os dois últimos presidentes, Lula e a sucessora, Dilma.

Ambos, por sinal, parecem alimentar projetos continuístas, graças ao apoio maciço que lhes dá o povo, apesar dos estragos causados pelos mensaleiros e outros escândalos, como o rombo de R$ 100 milhões no Banco do Nordeste; não se sabe em quanto orça o desfalque na Casa da Moeda; e nas obras públicas para a Copa do Mundo. O PT honrado, antes de assumir o poder, era comparado à UDN antiga, que não deixava passar o menor malfeito. Dava gosto ver o trabalho do velho PT na oposição. Agora, como na ditadura de Getúlio, ele abusou de brigar, perdulariamente, pelos cargos públicos, perdendo, pois, a inocência de sua juventude lutadora, na oposição.

Claro, a gente digna do PT não se envolveu em nenhum escândalo citado acima. Nessa categoria, muitos sabem dos desatinos de seus companheiros no mensalão. Alguns abandonaram o partido ante o lixo partidário. Outros, porém, continuam nos quadros do PT, embora vejam, com tristeza, dirigentes petistas, entre os quais seu presidente de honra, Luiz Inácio Lula da Silva, acabarem com a praxe da consulta às bases, para lançamento dos candidatos que a maioria queira.

A bem da verdade, ao contrário do que acha seu advogado, quem pode, hoje, devolver ao partido petista sua dignidade é o Supremo Tribunal Federal, em agosto próximo, com uma faxina rigorosa nas estrebarias do mensalão. Que tal recuperação não leve o PT à intolerância do fanatismo.

Rubem Azevedo Lima - Correio Brasiliense

terça-feira, 22 de maio de 2012

PARA A SORTE DA BASE ALIADA E DO GOVERNO, CACHOEIRA NÃO ABRIU A BOCA


(Foto: ABr)
Boca fechada – Como era esperado, Carlos Augusto Ramos se recusou a responder às perguntas dos membros da Comissão Parlamentar de Inquérito batizada com sua alcunha, CPI do Cachoeira, criada para investigar a teia de relacionamentos do contraventor goiano.

Sem a obrigação de prestar juramento de dizer apenas a verdade, Cachoeira tem utilizado o vernáculo “calado” após todas as perguntas formuladas pelos parlamentares. A defesa do bicheiro, comandada pelo criminalista e ex-ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), solicitou ao Supremo Tribunal Federal mais três semanas para analisar os documentos e arquivos de áudio constantes do inquérito, mas o pedido foi rejeito pelo ministro Celso de Mello, que confirmou para esta terça-feira (22) o depoimento do empresário da jogatina.

O Brasil precisa desvendar a rede de corrupção que existia por trás das operações de Carlinhos Cachoeira, mas é preciso reconhecer ser inviável analisar em poucos dias mais de 15 mil documentos e 90 mil arquivos de áudio. Melhor seria ter acolhido o pedido formulado pelos advogados, mesmo que em audiência futura o acusado se valesse do direito de permanecer calado.

A decisão de manter a audiência para esta a tarde desta terça-feira faz parte da estratégia da base aliada de dificultar a solução do caso, uma vez que os envolvidos no esquema criminoso de Carlinhos Cachoeira estão em todas as instâncias do Estado, inclusive no governo federal, seja por contatos diretos, seja por conexões transversas por meio da Delta Construção.

Sem qualquer esboço de resposta por parte do investigado, a inquirição de Carlos Augusto Ramos está servindo apenas e tão somente como vitrine política para os parlamentares, que em ano eleitoral têm dificuldades para prestar contas aos respectivos eleitores. Não faz muito tempo, o ucho.info afirmou sem medo de errar que a CPI do Cachoeira tem tudo para dar em nada. E a sequência dos fatos tem comprovado essa tese. Tudo financiado com o suado dinheiro do contribuinte.

Fonte: Ucho.Info

segunda-feira, 14 de maio de 2012

CORES DA CPI

Teme-se que o processo de apuração dos negócios do bicheir o Carlos Cachoeira, pelo Congresso, tenha várias versões conflituosas, com o objetivo de dificultar conclusões prejudiciais à grei governista. O governo tem, na CPI, tropa mais do que suficiente par a esmagar a diminuta oposição.

Nessa batalha, porém, há bandeiras como a do partidismo radical, que é só antioposição, para agradar o governo; há os pró-mensaleiros , que trabalh am pelos 38 mensaleir os a serem julgados, em breve, pelo Supremo Tr ibunal Federal: há os que atacam o procurador-geral da República; os que só quer em aparecer ; os maus políticos e tantos mais.

A bandeira desses devia ser o da cor de burro quando foge. O certo é que as obras da Delta, empresa de Cachoeira e Cavendish, uma das que mais se beneficiar iam com a construção de estádios de futebol, para a Copa do Mundo e as Olimpíadas, já passaram para outros donos. A propósito, essas obras deveriam custar US$ 2,5 bilhões. Mas, a senadora gaúcha Ana Amélia, do PP, mostrou que tal custo, hoje, passa de R$ 6 bilhões. Quanto mais de dinheiro público — o nosso dinheiro — será preciso para concluir obras tão perdulár ias? Na CPI, sucede que muitos distorcem a razão lógica, para jogarem a responsabilidade de uns partidos sobre os outros , como ocorreu no caso dos mensalões . A distorção do ex-presidente Lula foi a de que isso era uma fantasia. Logo, porém, deu outra versão: todos os partidos faziam o mesmo.

O relator da CP I, senador Humberto Costa, foi cauteloso em seu relatório. Outros senadores, no entanto, foram implacáveis em suas distorções lógicas, como as de Lula, daí ser difícil prever qualquer decisão da CPI. A verdade é que a jovem geração de brasileir os parece esperar que se faça não só essa limpeza política, mas também que se procurem, rapidamente, soluções não demagógicas, para que nossos problemas em educação , saúde , segurança, moradia, estradas e estádios não custem muito mais do que os do Primeiro Mundo. Aí, sim, sob qualquer bandeira par tidária, todos terão chegado ao futuro, que foi prometido a muitas gerações e agora lhes chega. Bom proveito, jovens.

Rubem Azevedo Lima

terça-feira, 1 de maio de 2012

GUERRA POLITICA

Os rumos da comissão parlamentar mista de inquérito que investiga as relações do contraventor Carlinhos Cachoeira com agentes públicos e privados começa a ser traçada nesta semana com a definição de seu plano de trabalho. Existem 167 requerimentos a serem analisados. É uma guerra política. A primeira troca de tiros deverá ocorrer com a escolha de quem será ouvido. Por certo, haverá manobras visando a blindar nomes.
Mas, antes de serem aprovadas convocações - que podem evoluir para quebra de sigilos bancário e telefônico -, há que se estabelecer diretrizes para a análise do amplo estoque de fatos e denúncias. Os governistas, que são maioria na comissão, já anunciaram que não vão atender ao apelo da oposição para criar sub-relatorias por temas. Isso dificultaria a pretensão de manter a CPMI sob controle.

Os meios políticos apontam intrincada teia de articulações entre o Planalto e sua base aliada. A presidente Dilma determinou que todos os contratos da União com a Construtora Delta, uma das supostas beneficiadas pelo jogo de Cachoeira, sejam divulgados na internet. Isso ajudaria a amortecer na CPMI os ataques à principal empreiteira do PAC. A ideia seria limitar a apuração aos funcionários da Delta com participação no esquema do contraventor, sem ouvir outros.

Também estaria na estratégia do Planalto tentar incriminar o governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB, desafeto político do ex-presidente Lula. A mesma ação atenderia o objetivo de mostrar que o envolvimento do tucano é maior do que o do petista Agnelo Queiroz, o governador do Distrito Federal - embora a defesa do seu nome esteja longe de formar um consenso na base aliada.

A sociedade deve cobrar transparência e acompanhar cada ato dessa CPMI. A contribuição que se espera do Congresso é desvendar a infiltração de práticas criminosas no setor público. E que, obviamente, sejam punidos os que merecerem na forma da lei.

Fonte: A Gazeta

quarta-feira, 18 de abril de 2012

COM MEDO DO FOGO AMIGO PLANALTO JÁ NEGOCIA CARGOS COM A BASE ALIADA

O Palácio do Planalto voltou a negociar cargos e indicações políticas com partidos aliados nos últimos dias como forma de evitar ser vítima de fogo amigo na CPI que vai investigar as relações de agentes públicos com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acusado de comandar uma rede de jogos ilegais.

O temor dos articuladores políticos do governo é de que a CPI, que deve ser instalada na próxima quarta-feira, sirva de palco para a vingança de aliados insatisfeitos com o tratamento recebido pelo Planalto - em especial indicações para estatais e cargos públicos.

Há preocupação do Planalto com a fidelidade dos aliados, confirmou uma fonte do governo, sob condição de anonimato. Segundo a fonte, a ministra Ideli Salvatti, das Relações Institucionais, voltou a se reunir na terça com o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), para "aparar as arestas".

"O PMDB preocupa pelo tamanho da bancada, mas também pelo histórico", disse outra fonte do governo, ao relembrar a rejeição pelo Senado de um nome indicado por Dilma à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A não recondução, decidida em voto secreto, foi para a conta do PMDB, principal aliado na coalizão que elegeu Dilma.

Na conversa com Alves, Ideli se comprometeu a monitorar nomeações e acelerar o processo. Na segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff - que diz que não há "toma lá, dá cá" na relação do Executivo com o Legislativo - já havia nomeado um nome de Alves para a direção do Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs). A indicação dormia no Planalto havia pelo menos dois meses.

Segundo a fonte, a atuação na CPI de parlamentares do PMDB, que tem a segunda maior bancada na Câmara e terá muita força na comissão mista, preocupa o governo. Outros aliados também devem receber "afagos" do Planalto nos próximos dias para garantir que a CPI não seja utilizada como arma política para atingir o governo.

"Os deputados da base estão bem felizes com a perspectiva da CPI", afirmou um parlamentar aliado do governo ao comentar a necessidade do Executivo de melhorar a relação com o Congresso em épocas de CPI.

Oficialmente, o discurso do governo tem sido de não-interferência nas decisões do Legislativo. O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), tem dito que em momento algum recebeu pedido do Planalto para evitar ou atrasar a CPI.

Enquanto monitora aliados, o Planalto acompanha a disputa interna na bancada do PT na Câmara para a indicação do nome do relator da CPI. A presidência ficará com o PMDB do Senado. Segundo uma fonte do PT, a disputa é entre o grupo do presidente da Casa, Marco Maia, e do líder do PT, Jilmar Tatto (SP), que tem a simpatia de Ideli, contra nomes como o do ex-líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP).

"É o grupo petista da Dilma contra o grupo petista do Lula", brincou um deputado aliado. Tatto afirmou que a decisão sobre o nome do relator será tomada até terça-feira. Os dois principais candidatos são Odair Cunha (MG), que tem apoio do Planalto, e Vaccarezza, nome defendido pelo ex-presidente Lula.

Fonte: Terra noticias

terça-feira, 17 de abril de 2012

A VERDADEIRA OPERAÇÃO ABAFA

A tática dos lulopetistas de acusar os adversários políticos de praticar as malfeitorias que eles próprios cometem é sobejamente conhecida, mas chega a ser desconcertante o caradurismo da operação abafa que suas lideranças estão tentando instaurar diante da iminência do julgamento do processo do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Temerosa de que a Suprema Corte venha a confirmar a existência do maior escândalo de corrupção da história da República, a cúpula petista tenta por todos os meios - inclusive a pressão sobre os ministros do STF - desqualificar as acusações que pesam sobre os 38 réus do processo e, por meio das mais deslavadas chicanas, provocar a postergação do julgamento para 2013. Com isso estariam os petistas, no mínimo, se poupando de maior desgaste político em ano eleitoral e permitindo a prescrição de muitas das denúncias.



A operação abafa lulopetista se desenvolve em dois planos: o político, com a tentativa de desqualificar perante a opinião pública as acusações que pesam sobre os mensaleiros, sob o argumento cínico de que eles fizeram o que "todo mundo faz"; e o jurídico, técnico, no qual procuram demonstrar tanto a existência de vícios processuais que precisam ser corrigidos quanto a inexistência de provas suficientes contra réus como o notório José Dirceu.

Para demonstrar o que todo mundo sabe - que corruptos existem em todo canto - os petistas assumiram até mesmo o risco de apoiar a CPI do Cachoeira, que está sendo constituída para investigar o envolvimento do contraventor goiano Carlinhos Cachoeira com governantes e políticos. Pretendem, é claro, atingir o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, e fazer barulho em torno do envolvimento do senador oposicionista Demóstenes Torres com os negócios do bicheiro. E não se pejam de alegar que os principais veículos de comunicação do País estão envolvidos - ora vejam - numa operação abafa destinada a acobertar os malfeitos do desmoralizado senador goiano.

A direção do partido foi muito longe, muito depressa. Tanto que a presidente Dilma Rousseff, na sexta-feira, queixou-se da precipitação e dos termos da nota oficial do PT e chegou a pedir a Lula que não jogue mais lenha na fogueira. Como se sabe, Lula não vê a hora de destruir politicamente o seu desafeto Marconi Perillo. Dilma, no entanto, se preocupa com os respingos de lama que a CPI certamente jogará no governo que preside.

Os petistas apressados tentam confundir delitos diferentes cometidos por gente da mesma espécie. O caso Demóstenes é uma coisa - e os culpados precisam ser punidos -, enquanto o mensalão é outra coisa - e os culpados precisam ser igualmente punidos. Os dois casos têm origem na mesma cultura que leva à apropriação indébita dos bens públicos e à desmoralização das instituições. Mas são delitos que precisam ser examinados e julgados, cada um a seu turno.

No que diz respeito ao STF, os petistas confiam, sempre movidos por seu enraizado sentimento de patota, no fato de que a maioria dos atuais ministros foi nomeada por Lula e Dilma. É uma expectativa que não honra a tradição de absoluta isenção partidária com que os juízes da Suprema Corte historicamente se comportam no desempenho de suas altas responsabilidades. Mas, a julgar pelo que circula na área do partido do governo, o próprio Lula estaria empenhado em fazer pressão sobre os ministros, já que é o maior interessado em evitar que a existência do maior escândalo de corrupção de seu governo seja confirmada pela Suprema Corte.

De qualquer modo, se já não bastassem os reiterados exemplos de rigor lógico e técnico em seus julgamentos - como destacamos recentemente em editorial sobre a decisão de que não constitui crime o aborto de fetos anencéfalos -, tudo indica que o STF está convencido de que é mais do que chegada a hora de se pronunciar sobre o escândalo do mensalão, conforme revelou o ministro Carlos Ayres Britto, que na próxima quinta-feira assume a presidência do STF. "É preciso julgar com brevidade, porque há o risco de prescrição", disse ele. Para tanto, o processo precisa ser julgado até o dia 6 de julho, para evitar que a decisão final da Corte só venha a ser proferida no próximo ano.

Editorial do Estadão

segunda-feira, 26 de março de 2012

MAL AGRADECIDA



 Senador pelo estado de Alagoas, Fernando Collor de Mello aconselhou a presidente Dilma Rousseff a retomar o diálogo com o Congresso Nacional, mas a petista parece não estar preocupada com esse tipo de assunto. Antes de embarcar para a Índia, onde participa de encontro dos Brics, Dilma declarou em entrevista à revista Veja que não há crise no governo. Meses antes de ser alvejado por um processo de impeachment, Collor usava o mesmo discurso.

Na entrevista concedida à publicação semanal, a presidente disse não gostar do “toma lá, dá cá”, balcão de negócios que garantiu à gestão de Lula da Silva índices de aprovação estratosféricos, pois matérias de interesses do governo eram acolhidas no Congresso de forma obediente pela base aliada, que por conta o descambo sempre atendeu às ordens palacianas.

Dilma tem o direito de não gosta da forma como se faz política atualmente no Brasil, mas foi exatamente esse “toma lá, dá cá” que garantiu a sua vitória nas urnas de 2010. Do contrário, a nada diplomática candidata do PT teria perdido a eleição para o tucano José Serra. Foram as alianças com os partidos da base aliada que permitiram sua chegada ao principal gabinete do Palácio do Planalto.

O desabafo de Dilma não convence, pois enquanto esteve à frente da Casa Civil, a convite de Lula, esse tipo de relação com o Congresso sempre existiu. Por conta disso, a presidente não tem como alegar repulsa a esse tipo de convívio político.

O “toma lá, dá cá” que desagrada Dilma substituiu o esquema de mesadas pagas por Lula aos parlamentares em troca de aprovação inconteste das matérias de interesse do governo. Com o advento do escândalo de corrupção que ficou conhecido como “Mensalão do PT” entrou em cena outro tipo de abdução da consciência dos políticos. A entrega de ministérios e cargos no segundo escalão da máquina federal, onde os apaniguados poderiam agir livremente, desde que arcassem com o ônus político das trapalhadas. E desde 2005 até os dias atuais tem prevalecido esse tipo de relação ultrajante, com o qual Dilma conviveu durante alguns anos e sem críticas.

Com certeza esse não é o melhor método de governança, mas mudar as regras no meio do jogo é perigoso. Algo parecido como extirpar um tumor encravado na aorta. Com certeza o paciente que não souber administrar o problema morrerá em decorrência de hemorragia grave.

Fonte:Ucho.Info

sábado, 24 de março de 2012

DILMA PARTE PRA BRIGA COM A BASE

A ordem, no Planalto, é não recuar no embate com ruralistas sobre mudanças no texto do Código Florestal, aprovado no Senado. A questão rachou a base aliada.
Governo decide manter queda de braço com ruralistas e não vai negociar a votação do Código Florestal, pano de fundo para a rebelião da base aliada. Dilma está disposta a encarar ações judiciais em caso de veto ao projeto aprovado pelo Congresso
A presidente Dilma Rousseff bateu o pé e não pretende apresentar mudanças no texto do Código Florestal que foi aprovado no Senado e se transformou no principal embate com os ruralistas e a base aliada na Câmara.

Depois de uma semana difícil na relação com o Congresso, com os deputados governistas travando a pauta de votações da Casa, Dilma deu mais um sinal de que pretende esticar a corda ao máximo. Ela reuniu ontem, por mais de uma hora, todos os atores envolvidos no debate do Código Florestal no Congresso e examinou ponto a ponto o texto que está em debate no parlamento.

Como a presidente viaja no domingo para a Índia e só retorna ao país na sexta, a tendência é de que a matéria não seja colocada em pauta ao longo da próxima semana — mais uma demonstração do desejo da presidente de não arredar pé da queda de braço com os dissidentes. Alguns aliados acham que, se o Congresso ficar duas semanas completamente parado — daqui a 15 dias será véspera da Páscoa —, a crise terá se instalado de vez. No Planalto, conforme adiantou o Correio, a crise é encarada como um "estresse" e vem sendo vista sob uma perspectiva bem mais branda.

Da reunião no Palácio do Planalto, participaram a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti; a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann; a ministra do Meio Ambiente, Izabela Teixeira; do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas; da Agricultura, Mendes Ribeiro; o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams; o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP); além de assessores jurídicos de todas as pastas envolvidas na discussão.

No governo, a avaliação é de que o grande embate deste momento é o código e que os deputados insurgentes estão utilizando a Lei Geral da Copa como um pretexto para colocar a faca no pescoço do Planalto. Ao convocar assessores jurídicos para a reunião, Dilma explicitou também a disposição de enfrentar quaisquer questionamentos legais posteriores à aprovação do Código.

Nem mesmo a proximidade do fim do prazo do decreto que altera as regras de desmatamento e as punições aos desmatadores deve servir para levar à votação. O decreto expira em 11 de abril. "Não tem importância, edita-se um novo decreto", resumiu com tranquilidade um assessor da presidente.
Para deputados da base governista, o esforço da presidente Dilma em costurar um consenso entre ruralistas e ambientalistas no texto do Código Florestal não será suficiente para destravar a pauta da Câmara se não houver empenho equivalente em pacificar os ânimos dentro de partidos da base aliada — a começar pelo PT. A legenda, que já apresentava divisões internas aprofundadas pelo ano eleitoral, viu a rachadura em sua bancada parlamentar se aprofundar com a queda do ex-líder do governo na Câmara Cândido Vaccarezza (PT-SP), substituído no cargo por Arlindo Chinaglia (PT-SP).

O ex-líder pertence à corrente Novos Rumos. Chinaglia é do Movimento PT, corrente de menor porte, em ascensão na Câmara. "O grupo do Vaccarezza está indócil e vai querer dar o troco, sem sombra de dúvida", diz um petista. "Essa é uma ferida que vai demorar a sarar", completou. A primeira coisa que a Dilma tem que fazer é arrumar sua própria casa, seu partido, para tentar acalmar a crise entre os aliados. Além do PT, o Planalto precisará apagar os focos de incêndio disseminados em outros partidos aliados, a começar pelo PMDB, o primeiro "rebelado", e passando pelos independentes.

Precedentes
Aliados da presidente lembram que a ausência de matérias que necessitem de quórum qualificado não significa que o governo pode se dar ao luxo de assistir à crise sem tomar providências. Um exemplo aconteceu em 1999, durante o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso. O presidente tucano desvalorizou o Real logo após assumir como primeiro presidente reeleito da história do país. Foi bombardeado pelo Congresso Nacional e pela própria base de sustentação, que acusou o presidente de ter mantido a paridade do câmbio por uma estratégia meramente eleitoral.

No mesmo ano, foram protocoladas duas CPIs no Senado. Sem ascendência sobre o parlamento, FHC viu a disputa fratricida entre os então senadores Jader Barbalho (PMDB-PA) e Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA) custar a renúncia a ambos. À crise política se sucedeu o apagão e o governo tucano encerrou de forma melancólica. "Uma confusão desse tamanho não derruba a presidente, mas pode amarrar o governo de tal forma que ela poderá passar o resto do mandato administrando o varejo", alertou um aliado.

Pressão pelo acordo

Considerado o tucano mais próximo da presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso espera que o governo e a bancada ruralista se entendam para que o Código Florestal possa ser aprovado o mais rapidamente possível. "Eu espero bom senso. A agricultura precisa se desenvolver, afinal, o país está crescendo. Mas é importante manter um crescimento sustentável. Não há mais como pensar em crescimento sem pensar em meio ambiente, essa discussão já é superada", disse. Ele aproveitou para fazer propaganda de sua gestão. "Aumentamos as áreas de preservação na Amazônia e reduzimos de 20 mil km² para 6 mil km² a devastação. Ainda é muito, e isso precisa ser trabalhado", afirmou.

Emenda 164
» A bancada ruralista quer retomar o dispositivo que libera totalmente plantações e pastos abertos em APPs até 2008. A medida é considerada pelos ambientalistas como uma anistia ao desmatamento. O governo é contra e quer liberar apenas atividades de utilidade pública, interesse social ou baixo impacto ambiental.

Recomposição ambiental
» O governo quer retirar do código a obrigatoriedade de recomposição ambiental de 20m² para cada habitante, nas chamadas zonas de expansão urbana. Os ambientalistas resistem.
Recuperação de reservas
» Ruralistas querem de volta o texto da Câmara para recomposição de Áreas de Preservação Permanente (APPs) nas margens dos rios. O texto estabelece um limite mínimo para a recomposição, de 15 metros, e deixa faixas de recomposição maiores a critério da União e dos estados. Governo e ambientalistas concordam com a versão aprovada no Senado, com metragens de recomposição variáveis segundo a extensão do rio

Fonte: Correio Brasiliense