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segunda-feira, 12 de abril de 2010

LAMENTAR NÃO RESOLVE.

Revoltados, chocados, indignados, qualquer destes termos serve para demonstrar o sentimento de todos os brasileiros ao tomar conhecimento e até assistir ao vivo pela TV ou internet, a tragédia que se abateu sobre o Rio de janeiro e outras cidades do Estado, principalmente a do Morro do Bumba em Niterói. Mais indignados ficamos, entretanto, com a tentativa de justificar e explicar o inexplicável pelas autoridades. Entre o eu não sabia, tão em moda, a culpa da natureza, a fatalidade, o que realmente mais absurdo é o que a culpa é dos moradores, dos que morreram, ou como diria, parafraseando o Lula, os que se deixaram morrer. Por que as pessoas se submetem a morar em tais áreas? Primeiro é o sonho de se ter um cantinho seu, fugir do aluguel, o segundo, a falta de uma política habitacional que contemple esse segmento da sociedade, uma política séria, com propostas de se resolver o problema com dignidade, com a infra-estrutura necessária de transporte, saneamento básico, presença do Estado na saúde, educação e segurança pública. Programas com fins eleitoreiros, gestados às pressas como o Minha casa, minha vida, não inspira confiança e não atende a demanda. Um programa habitacional, além de atender os pressupostos acima, deve levar em consideração também o respeito ao meio ambiente e ao local de trabalho dos futuros moradores, senão o que se gasta com transporte, fica acima do que permite os rendimentos do dito beneficiado morador.

Quando se pergunta e às vezes, confesso, indagamos o por que as pessoas não abandonaram suas casas destas áreas sabidamente de alto risco, esquecemos que àquele imóvel não representa só uma construção de alvenaria , de madeira, ou seja lá do que seja feito, representa sim, um lar, geralmente construído com muito sacrifício de toda família e geralmente do trabalho de toda uma vida. Existe também o medo de ao voltar, encontrar sua casa invadida ou saqueada, tornando ainda mais freqüente o risco de se permanecer, submetidos ao risco e a ocorrência de tragédias como a que estamos assistindo.

Outra vertente desta responsabilidade é o do Poder Público que permite e até estimula, muitas vezes com fins políticos eleitoreiros o assentamento destas áreas , se não o fosse, como explicar que ruas sejam asfaltadas , creches e postos de saúde sejam construídas em tais terrenos senão o incentivo a que ali permaneçam? Quando o Prefeito diz que não sabia dos riscos, esquece-se que não é dado a Ele tal direito, principalmente no caso de Niterói onde o mandatário está em seu terceiro mandato. Administrar é também saber tomar atitudes impopulares em benefício do bem comum e não cair na tentação de não desagradar para não perder votos , cabos eleitorais ou Presidente de Associações ditas dos moradores, estrategicamente encasteladas nesses bairros.

Outro grande problema em relação aos alagamentos é o lixo que entope valas e bueiros tornando ainda mais grave a situação e neste caso a culpa maior é a falta de educação dos moradores e também a omissão do Poder Público, como no caso de São Gonçalo, onde o lixo não era retirado das ruas por muito tempo, contribuindo em muito para o que ocorreu naquela cidade, demonstrando mais uma vez a omissão e o pouco caso das autoridades. A sociedade exige que se apurem as responsabilidades e que os culpados sejam punidos, o que lamentavelmente temos dúvidas que ocorra, já que o sentimento de impunidade prevalece e o desrespeito às leis é incentivado até por quem tem o dever constitucional de defender.

Que as centenas de vidas preciosas perdidas não seja em vão, é preciso que se tire desta tragédia a lição de que o imediatismo deve ser substituído por soluções humanizadas e de longo prazo, que novos administradores respeitem e continuem projetos anteriores, que não os abandone com perda de milhares de reais, simplesmente por vaidade política, querendo desmerecer o antecessor, elaborando novos projetos que também podem ser abandonados no futuro, criando uma bola de neve da insensatez.

Este é um ano decisivo para nosso povo, que das urnas de outubro saia a esperança de um País mais justo e democrático, chega de demagogia, populismo e assistencialismo irresponsável como esse de prover, ajudar e incentivar as ocupações irracionais e depois vir à televisão chorar pelos mortos, como se isso fosse o suficiente para aplacar a nossa revolta e indignação, não o é, podem ter certeza.