Mostrando postagens com marcador Itamaraty. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Itamaraty. Mostrar todas as postagens

domingo, 9 de março de 2014

VERGONHOSO APOIO A MADURO

O Estado de S.Paulo
Em vez de assumir suas responsabilidades e pressionar o governo da Venezuela a dialogar com a oposição para superar a violenta crise no país, o governo brasileiro prefere fazer de conta que nada está acontecendo. O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, esteve recentemente na Venezuela e disse que há uma "valorização midiática" dos confrontos. "O país não parou, as coisas estão funcionando", afirmou Garcia. Não se trata de autismo, mas de uma estudada farsa, cujo objetivo é fazer crer que Nicolás Maduro tem a situação sob controle e que as manifestações só são consideradas importantes pelos "veículos de comunicação internacionais".
Desse modo, o governo petista continua a seguir a estratégia de desmerecer os protestos contra o chavismo, como se estes fossem mero alarido de quem foi derrotado nas urnas, e não uma legítima expressão de descontentamento com os rumos que o país tomou nos últimos anos. Essa política explica por que o Brasil aceitou subscrever a indecente nota do Mercosul que criminalizou os oposicionistas venezuelanos.
Enquanto Garcia finge que tudo não passa de invenção da imprensa - segundo ele, Maduro vai se encontrar com jornalistas estrangeiros para "aclarar os fatos" -, a situação na Venezuela se deteriora a cada dia. Um dos mais importantes sinais de que a desestabilização pode estar se espalhando inclusive entre os militares foi a destituição de três coronéis da Guarda Nacional Bolivariana. Eles são acusados de criticar a repressão aos manifestantes.
Além disso, em inegável tom de confronto, Maduro ordenou, durante um desfile militar, que as milícias chavistas dissolvessem barricadas erguidas por manifestantes. Esses grupos paramilitares, que agem impunemente à margem da lei, são justamente a vanguarda da repressão oficial aos manifestantes. O número de mortos em um mês de protestos já chega a 20, e há inúmeras denúncias de violações de direitos humanos por parte das forças governistas.
Foi diante desse quadro que um grupo de ex-presidentes latino-americanos, entre os quais Fernando Henrique Cardoso, decidiu publicar uma carta na qual critica a "repressão desmedida" contra "manifestações estudantis de protesto pacífico" e cita, com preocupação, os testemunhos de "tortura e tratamento desumano e degradante por parte de autoridades". A mensagem exorta Maduro a, "sem demora", criar condições para o diálogo com a oposição, pedindo o "fim imediato" da perseguição a estudantes e dirigentes oposicionistas, o fim da hostilidade à imprensa independente e a libertação dos detidos nos protestos, em especial do líder Leopoldo López - acusado pelo governo de ser o principal articulador dos protestos.
Era essa a mensagem que deveria constar das manifestações da diplomacia brasileira em relação à crise venezuelana, e não o cinismo de quem acha que nada está acontecendo. Mas o governo petista prefere endossar a beligerância de Maduro - que rompeu relações com o Panamá apenas porque esse país sugeriu uma reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA) para discutir a situação. A OEA, como se sabe, é para os chavistas o equivalente à encarnação do diabo, por ter os Estados Unidos como membro.
Conforme informou Marco Aurélio Garcia, a única instância aceitável de diálogo para Maduro é, claro, a União de Nações Sul-americanas (Unasul) - aquela que, em sua última reunião de cúpula, exaltou o "impulso visionário" do falecido caudilho Hugo Chávez para a criação da entidade e que é atualmente presidida pelo notório Dési Bouterse, ex-ditador e atual presidente do Suriname, procurado pela Interpol por narcotráfico.
Sem poder contar com os países vizinhos mais importantes para constranger Maduro a interromper a violência e negociar de fato, resta à oposição seguir a prudência de Henrique Capriles, seu principal líder. Para ele, embora os protestos sejam legítimos, a única solução para a crise é a "saída eleitoral", porque "a maioria do país apoia a Constituição e quer viver numa democracia".

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

NA LUZ, AS SOMBRAS

Que há um heroi nessa história, não há dúvida: o diplomata Eduardo Saboia honrou as melhores tradições do Itamaraty e da política externa brasileira ao retirar o senador boliviano Roger Pinto, asilado político, do insalubre confinamento a que tinha sido relegado pelo nosso Governo por 455 dias. Que o Governo brasileiro agiu como comparsa das autoridades bolivianas que perseguiam o asilado político, também não há dúvida: as ordens para que a vítima não pudesse sequer tomar banho de sol partiram de dirigentes brasileiros, não dos bolivianos.
Tirando essas duas constatações, só há dúvidas. A história de que o principal adversário político do presidente Evo Morales saiu da Embaixada brasileira em La Paz na companhia de um diplomata e dois fuzileiros navais, rodou 1.600 km e chegou a Corumbá, MS, sem ser incomodado, não se sustenta. Imaginemos a cena: um diplomata determina a dois fuzileiros navais que o acompanhem numa viagem ao Brasil e os dois sequer comunicam a saída a seus chefes. Os carros são parados em vários postos rodoviários bolivianos e ninguém reconhece o passageiro, um político famoso, que vivia aparecendo na TV e nos jornais; e ninguém acha estranho que dois carros com chapa diplomática transportem fuzileiros navais. Passam a fronteira numa boa, sem identificação. E só em Corumbá, depois que telefonam às autoridades, é que o Governo descobre que fugiram.
Saboia diz que o Governo boliviano já havia indicado que não se oporia a uma fuga desse tipo.
Pelo jeito, quem se opunha era Dilma. Ou não.
Nas sombras, a luz
Saboia é herdeiro da boa imagem do Itamaraty em Direitos Humanos. Na Alemanha nazista, dois funcionários diplomáticos brasileiros, Aracy, O Anjo de Hamburgo, e seu marido, o cônsul (e grande escritor) Guimarães Rosa desobedeceram às ordens do Governo brasileiro e deram vistos a judeus perseguidos pelos nazistas.
Na mesma época, o Governo brasileiro prendia e entregava à Alemanha a esposa do líder comunista Luiz Carlos Prestes, Olga Benário. Lá foi fuzilada.
Nas sombras, as sombras
O chanceler Antônio Patriota levou a culpa sabe-se lá do que, e foi punido com a perda do cargo e a nomeação para a ONU, em Nova York. Ou seja, não houve punição: ganhou um belo posto e só perdeu o cargo que jamais ocupou.
Os sombrios
Hoje, começa nas redes sociais ampla campanha de difamação do senador Roger Pinto. Ele cometeu o crime máximo: opôs-se a um Governo bolivariano.
Carlos Brickman

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A CASCA DE BANANA ATRAIU AMORIM.

Confirmando as piores expectativas, antes mesmo de assinar o termo de posse como ministro da Defesa, o embaixador Celso Amorim meteu-se em assuntos diplomáticos e declarou-se favorável à saída das tropas brasileiras do Haiti. Nas suas palavras: "É preciso pensar uma estratégia de saída." A ideia é boa, mas a agenda não é da Defesa, é do Itamaraty, a quem cabe tratar com as Nações Unidas, sob cuja bandeira estão os soldados. Ficaria melhor se Amorim dissesse que, concordando com o chanceler Antonio Patriota, acha que chegou a hora de voltar. Melhor ainda se anunciasse que essa é uma orientação da presidente da República. Deu-se, contudo, o pior dos cenários: o ministro da Defesa fala em sair do Haiti depois de um encontro com os comandantes militares.

Tendo sido ministro de Itamar Franco e de Lula, Amorim comandou o Itamaraty por nove anos e meio. Numa comparação quantitativa, bateu a marca do Barão do Rio Branco (1902-1910). Antonio Patriota foi seu colaborador direto, chefiou-lhe o gabinete e, em 2007, foi designado embaixador em Washington sem jamais ter chefiado uma missão no exterior. Trazido de volta, ocupou a secretaria-geral do ministério no último ano do mandarinato de Amorim.

Como há áreas em que a ação dos ministros das Relações Exteriores e da Defesa se complementam, e a presença no Haiti é uma delas, a escolha da doutora Dilma arrisca produzir novas encrencas. Nas palavras do chanceler Azeredo da Silveira (1974-1979), "tem gente que atravessa a rua para escorregar na casca de banana que está na outra calçada". Na primeira oportunidade, Amorim fez exatamente isso.

Amorim e Patriota diferem no estilo. Um é abrasivo, o outro, suave. Um canta o fim do jogo aos dez minutos do primeiro tempo. O outro procura confirmar se de fato o juiz apitou o desfecho da partida. Algo como se Amorim estivesse mais para Glauber Rocha, e Patriota, para Bruno Barreto. (Numa ocasião, Amorim chamou a secretária de Estado Condoleezza Rice de "minha amiga Condi" e ela o chamou de "ministro Santos".)

A tese segundo a qual Dilma Rousseff reorientou a diplomacia de Lula está à espera de comprovação factual.

Noves fora a eliminação das estridências de Lula e Amorim, está tudo igual. Calaram-se algumas cornetas antiamericanis, mas eram apenas cornetas. O apoio ao regime iraniano tornou-se mais discreto e os acontecimentos fizeram com que se trocassem os afagos em Ahmadinejad por uma complacência com Bashar al Assad. O Brasil mostrase compreensivo com os massacres ocorridos na Síria, mesmo quando o rei Abdullah, da Arábia Saudita, já se distanciou da ditadura de Damasco. Ficar em minoria na defesa de um princípio pode ser uma virtude, mas ficar em minoria na defesa de um ditador é apenas má política.

Se Amorim deixar o Itamaraty em paz, todo mundo lucrará, até porque ele se entenderá melhor com Patriota do que se entendia com Jobim. Pelo menos é isso que se percebe na leitura dos telegramas do Wikileaks, onde o embaixador americano Clifford Sobel aparece contando conversas que o estimulavam a sonhar com uma situação em que Jobim desafiaria (para gosto dos americanos) a predominância do Itamaraty em questões diplomáticas.

Depois de quase uma década como chanceler, o ministro da Defesa precisa desencarnar, dando paz ao Itamaraty

ELIO GASPARI - O Globo

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

PROPOSTA LIMITA CONCESSÃO DE PASSAPORTES.

Sob cerco do Ministério Público e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Itamaraty concluiu a proposta de mudanças nas regras do passaporte diplomático. O texto, submetido ontem a ajustes para ser entregue à presidente Dilma Rousseff, restringe a emissão do documento e elimina o critério subjetivo hoje permitido ao ministro das Relações Exteriores, que tornou possível sua concessão aos filhos do ex-presidente Lula a dois dias do fim do mandato.


Uma das medidas exige a publicação no Diário Oficial da União de cada novo passaporte diplomático emitido. Outra, limita a validade do documento ao tempo de duração da missão no exterior, no caso de servidores não diplomatas. Hoje, a emissão do documento não é transparente e sua validade, de quatro anos, geralmente ultrapassa a duração da missão no exterior para a qual o portador foi designado.

Por recomendação do Palácio do Planalto, o Itamaraty vai divulgar a relação dos passaportes já emitidos. Em alguns casos, como o de diretores da Polícia Federal, por norma interna o documento é devolvido junto com a exoneração do cargo. No caso dos familiares do presidente, além de nenhum deles atender às especificações da lei, sequer havia missão definida. O ex-ministro Celso Amorim baseou-se numa exceção da lei que lhe permite conceder o documento a qualquer um "no interesse do País". O passaporte diplomático garante vários privilégios ao seu portador.

Descontrole

Filhos e netos de Lula

O Itamaraty concedeu renovação de passaporte diplomático a Luís Cláudio Lula da Silva, 25, e Marcos Cláudio Lula da Silva, 39, filhos do ex-presidente, além de três netos de Lula

Michel Temer

O atual vice-presidente solicitou, em abril do ano passado, passaporte diplomático para seu filho, Michel Temer Filho, 2, além de visto para irem a Dubai

Fonte: A Gazeta - http://glo.bo/g4WOVb