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quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A OPOSIÇÃO MAIS VIGOROSA QUE O PAÍS JÁ VIU

Tucano se reuniu com representantes de seis partidos e foi aclamado, mas disse que oposicionistas não precisam de um líder

Gabriel Castro, de Brasília
 O senador Aécio Neves (PSDB-MG) participa da reunião da Executiva Nacional do PSDB, no Auditório Nereu Ramos, em Brasília
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) participa da reunião da Executiva Nacional do PSDB, no Auditório Nereu Ramos, em Brasília (Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)
 "Pelo menos cumpriram a palavra: disseram que iriam fazer o diabo nessas eleições. O diabo se envergonharia de muitas coisas que foram feitas nessas eleições", Aécio Neves
Em um ato com a presença de políticos do PSDB e de mais seis partidos, o senador Aécio Neves prometeu nesta quarta-feira fazer uma oposição firme ao governo da presidente Dilma Rousseff. Ele encerrou seu discurso conclamando os aliados fazer "a mais vigorosa oposição a que esse país já assistiu". O evento, realizado em um auditório da Câmara dos Deputados, foi organizado para marcar o papel do tucano na função de líder inconteste do bloco oposicionista ao governo Dilma Rousseff.  O próprio Aécio, entretanto, disse que a oposição não precisa ser liderada.
Depois de ouvir vários pronunciamentos em que foi saudado como comandante do bloco oposicionista, o tucano adotou um discurso diferente: "A oposição brasileira hoje não precisa de um líder. Ela tem viva na alma e no sentimento de milhões de brasileiros sua mais importante essência, que é a indignação com tudo o que vem acontecendo no Brasil nesses últimos anos, mas também uma esperança forte e enraizada em relação àquilo que podemos mudar", afirmou. 
Ao citar um conselho que recebeu do avô Tancredo Neves, o tucano deixou subentendido que sua ação como opositor no Congresso é um caminho essencial para pleitear uma nova candidatura à Presidência: "Voto você nunca tem, voto você teve. E você tem que trabalhar muito para manter viva, nessas pessoas que lhe depositaram através do voto sua confiança, a mesma chama que as fez acordar num domingo e ir às urnas tentar mudar o Brasil".
Aécio criticou os ataques desferidos pela campanha petista contra seus adversários e lembrou a frase em que Dilma Rousseff afirmou ser possível fazer "o diabo" nas eleições. "Pelo menos cumpriram a palavra: disseram que iriam fazer o diabo nessas eleições. O diabo se envergonharia de muitas coisas que foram feitas nessas eleições", afirmou.
O tucano também ironizou o aumento na taxa de juros e o reajuste na gasolina, anunciados logo após as eleições: "Perguntavam: 'Aécio e as medidas amargas quais serão?' Estão aí".
No evento, onde foi aplaudido por diversas vezes, Aécio ouviu promessas de lealdade de líderes do DEM, do SD, do PPS e do PSC, além da senadora Ana Amélia (PP-RS) e do vice-governador eleito de Pernambuco, Raul Henry (PMDB). Entre os tucanos, estavam o governador reeleito do Pará, Simão Jatene, o governador eleito do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, e o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio. "Política é fascinante porque o suposto derrotado é aplaudido todos os dias e a suposta vencedora se enclausura num mausoléu", disse Virgílio em seu discurso.
Durante a tarde, Aécio fará seu primeiro discurso no plenário do Senado após a derrota nas eleições presidenciais.
Fonte: Revista Veja

domingo, 9 de março de 2014

VERGONHOSO APOIO A MADURO

O Estado de S.Paulo
Em vez de assumir suas responsabilidades e pressionar o governo da Venezuela a dialogar com a oposição para superar a violenta crise no país, o governo brasileiro prefere fazer de conta que nada está acontecendo. O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, esteve recentemente na Venezuela e disse que há uma "valorização midiática" dos confrontos. "O país não parou, as coisas estão funcionando", afirmou Garcia. Não se trata de autismo, mas de uma estudada farsa, cujo objetivo é fazer crer que Nicolás Maduro tem a situação sob controle e que as manifestações só são consideradas importantes pelos "veículos de comunicação internacionais".
Desse modo, o governo petista continua a seguir a estratégia de desmerecer os protestos contra o chavismo, como se estes fossem mero alarido de quem foi derrotado nas urnas, e não uma legítima expressão de descontentamento com os rumos que o país tomou nos últimos anos. Essa política explica por que o Brasil aceitou subscrever a indecente nota do Mercosul que criminalizou os oposicionistas venezuelanos.
Enquanto Garcia finge que tudo não passa de invenção da imprensa - segundo ele, Maduro vai se encontrar com jornalistas estrangeiros para "aclarar os fatos" -, a situação na Venezuela se deteriora a cada dia. Um dos mais importantes sinais de que a desestabilização pode estar se espalhando inclusive entre os militares foi a destituição de três coronéis da Guarda Nacional Bolivariana. Eles são acusados de criticar a repressão aos manifestantes.
Além disso, em inegável tom de confronto, Maduro ordenou, durante um desfile militar, que as milícias chavistas dissolvessem barricadas erguidas por manifestantes. Esses grupos paramilitares, que agem impunemente à margem da lei, são justamente a vanguarda da repressão oficial aos manifestantes. O número de mortos em um mês de protestos já chega a 20, e há inúmeras denúncias de violações de direitos humanos por parte das forças governistas.
Foi diante desse quadro que um grupo de ex-presidentes latino-americanos, entre os quais Fernando Henrique Cardoso, decidiu publicar uma carta na qual critica a "repressão desmedida" contra "manifestações estudantis de protesto pacífico" e cita, com preocupação, os testemunhos de "tortura e tratamento desumano e degradante por parte de autoridades". A mensagem exorta Maduro a, "sem demora", criar condições para o diálogo com a oposição, pedindo o "fim imediato" da perseguição a estudantes e dirigentes oposicionistas, o fim da hostilidade à imprensa independente e a libertação dos detidos nos protestos, em especial do líder Leopoldo López - acusado pelo governo de ser o principal articulador dos protestos.
Era essa a mensagem que deveria constar das manifestações da diplomacia brasileira em relação à crise venezuelana, e não o cinismo de quem acha que nada está acontecendo. Mas o governo petista prefere endossar a beligerância de Maduro - que rompeu relações com o Panamá apenas porque esse país sugeriu uma reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA) para discutir a situação. A OEA, como se sabe, é para os chavistas o equivalente à encarnação do diabo, por ter os Estados Unidos como membro.
Conforme informou Marco Aurélio Garcia, a única instância aceitável de diálogo para Maduro é, claro, a União de Nações Sul-americanas (Unasul) - aquela que, em sua última reunião de cúpula, exaltou o "impulso visionário" do falecido caudilho Hugo Chávez para a criação da entidade e que é atualmente presidida pelo notório Dési Bouterse, ex-ditador e atual presidente do Suriname, procurado pela Interpol por narcotráfico.
Sem poder contar com os países vizinhos mais importantes para constranger Maduro a interromper a violência e negociar de fato, resta à oposição seguir a prudência de Henrique Capriles, seu principal líder. Para ele, embora os protestos sejam legítimos, a única solução para a crise é a "saída eleitoral", porque "a maioria do país apoia a Constituição e quer viver numa democracia".

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

83.500 VAGAS PROMETIDAS, NENHUMA ENTREGUE

A presença de visitantes ilustres, como o ex-ministro José Dirceu e o ex-deputado federal José Genoino, descortinou o mundo caótico do sistema prisional no Brasil, conhecido bem só pelos profissionais que nele trabalham ou quem o estuda. Quando os primeiros mensaleiros foram presos no Complexo Penitenciário da Papuda, advogados se apressaram em bradar as ilegalidades. A primeira delas, alocar detentos de regime semiaberto em unidade fechada, evidencia uma das principais mazelas do setor: a falta de 240 mil vagas para abrigar 548 mil apenados. O problema da superlotação poderia ser menor caso o governo federal, chefiado nos últimos 11 anos pelo partido dos detentos mais célebres do caso, tivesse cumprido os dois planos lançados para a área carcerária, com a promessa de 83,5 mil vagas. Desse total, nenhuma foi entregue até agora.
O levantamento das promessas para o sistema prisional faz parte de um balanço que o Correio publica hoje e amanhã sobre o tema. A primeira investida no setor foi dada ainda pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No bojo do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), ele incluiu a abertura de 41 mil vagas em unidades de jovens e adultos. A ideia era separar os presos por idade, crime cometido, periculosidade, reincidência. Nada foi criado e a tal separação, imprescindível para uma boa gestão do sistema, só é cumprida, hoje, por cerca de 30% dos estabelecimentos prisionais do país, de acordo com pesquisa feita pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Lula passou o bastão para a atual presidente, Dilma Rousseff, que reembalou a promessa em 2011, falando em 42,5 mil vagas para mulheres e presos provisórios. Por enquanto, nada saiu do papel.
As 32 mil vagas que surgiram no período das promessas presidenciais não cumpridas, de 2008 para cá, foram criadas pelos estados, que têm responsabilidade sobre a questão penitenciária. O fato de nada do que foi anunciado em 2011 pelo governo federal ter sido entregue, segundo o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), ligado ao Ministério da Justiça, tem a ver com a complexidade do processo de contratação das obras. Em nota, o órgão afirma que é "preciso o estado elaborar o projeto, o Depen e a Caixa (Econômica Federal), na condição de mandatária da União, precisam aprová-lo (obedecendo a legislação pertinente), o estado precisa dar início ao processo licitatório, e assim por diante". O Depen acrescentou que há cinco obras iniciadas no Ceará, Sergipe e Goiás, totalizando 1.790 vagas. Outros quatro projetos já foram licitados e os demais estão em fase inicial de análise.
O ritmo lento de investimentos federais no setor prisional pode ser verificado na execução do orçamento para o setor. Só 37% dos R$ 3,9 bilhões autorizados para o Fundo Penitenciário Nacional (Funpen), na última década, foram efetivamente pagos — quando se dá a entrega da obra, do equipamento adquirido ou do serviço prestado. Há R$ 2,2 bilhões (ou 57% do total) empenhados, o que significa que o objeto do contrato ainda não foi completamente entregue. Coordenador do Núcleo de Execução Penal da Defensoria Pública do Distrito Federal, Leonardo Melo Moreira explica que, apesar da existência da verba federal para construção de vagas, os entes federativos costumam postergar tais obras. "Às vezes para não desagradar determinada parcela da população que reside naquelas cercanias ou mesmo em razão do custo de manutenção de agentes penitenciários por parte daquele estado", diz.
FONTE|: Correio Brsiliense

domingo, 4 de agosto de 2013

DEBANDADA GERAL, 9 PARTIDOS ABANDONAM O NÚCLEO DURO DO GOVERNO

O Estado de S. Paulo
Em seu terceiro ano como presidente, Dilma Rousseff assistiu ao esfacelamento do "núcleo duro" de apoio a seu governo na Câmara dos Deputados, que já foi formado por 17 partidos e hoje abriga apenas petistas e remanescentes de outras sete legendas.
Veja também:

O núcleo duro - formado pelos parlamentares que votam com o governo 90% das vezes ou mais - era integrado em 2011 por 306 dos 513 deputados. Ou seja, Dilma podia contabilizar como aliados fiéis seis em cada dez dos membros da Câmara. Desde então, esse núcleo vem encolhendo, e atualmente se resume a 101 deputados, segundo revela o Basômetro, ferramenta online do Estadão Dados que mede a taxa de governismo do Congresso.
Dos nove partidos que abandonaram totalmente a linha de frente de apoio ao governo, três são de tamanho médio - PR, PSD e PSB. Os demais se enquadram na categoria dos "nanicos", com bancadas de menos de dez integrantes (PMN, PTC, PRTB, PSL, PT do B e PRB).
O PMDB, principal aliado do PT em termos numéricos, tem hoje apenas quatro representantes no núcleo duro - desde o final de 2011, 63 peemedebistas abandonaram o grupo e agora se concentram na faixa dos que votam com o governo entre 60% e 89% das vezes. No PP, a debandada foi de 32 deputados para apenas 2. No PDT, de 16 para 2. No PTB só sobrou um dos 19 fiéis.
Com uma base cada vez mais inconsistente, Dilma tem enfrentado dificuldades crescentes para aprovar projetos. Na tentativa de agradar à base, acenou com a abertura dos cofres: na semana passada. Determinou a liberação de R$ 6 bilhões em emendas parlamentares até o final do ano, em três parcelas.
Mesmo assim, há temor de que a estratégia não funcione. Para evitar eventuais derrotas, o governo quer adiar a votação de temas polêmicos.
Palanques. O desmanche do grupo fiel a Dilma se acelera no momento em que os partidos se realinham para medir forças em 2014. O PSB, que já promove a candidatura presidencial do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, tinha taxa de governismo de 95% em 2011, segundo o Basômetro. Em 2013, o índice está em 77% - com tendência de queda. A taxa dos partidos é calculada com base na média dos votos contra e a favor de seus integrantes.
No primeiro ano de mandato de Dilma, o núcleo duro de apoio ao governo tinha 27 deputados do PSB. Em 2012, esse número se reduziu a menos da metade, e em 2013 todos abandonaram o barco.
No PDT, o afastamento pode ser simbolizado pelo comportamento de um de seus principais líderes, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SP). Em 2011, ele apoiou o governo em 89% das votações. Neste ano, em apenas 33%.
Dilma só não pode se queixar de seus correligionários: o número de petistas com taxa de fidelidade superior a 90% subiu de 83 em 2011 para 86 em 2013. A presidente nunca dependeu tanto de seu partido: atualmente, o PT tem 85% dos integrantes do núcleo duro - no primeiro ano de mandato, eles eram 27%.

sábado, 1 de junho de 2013

O INFERNO ASTRAL DO PALÁCIO DO PLANALTO

    
A presidente Dilma e sua equipe parecem viver uma espécie de inferno astral
                                               
A presidente Dilma e sua equipe parecem viver uma espécie de inferno astral, a julgar pelos problemas em série surgidos nas últimas semanas. Os resultados ruins na economia, a relação difícil com a base partidária no Congresso (em especial na votação da MP dos Portos), a CPI da Petrobrás e a confusão envolvendo o Bolsa-Família não deram um momento sequer de tranquilidade à cúpula do Palácio do Planalto. Agora é a parceria com o PMDB que começa a azedar, colocando em risco candidaturas do PT e a aliança dos petistas com os peemedebistas em Estados como Bahia, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Minas e Rio.

Em paralelo, o imbróglio na votação da Medida Provisória das tarifas de energia colocou a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil), e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), em rota de colisão.

São muitas notícias ruins de uma só vez, aumentado as instabilidades no entorno do governo. Como consequência, fica parecendo que o governo bate cabeça seguidamente e não consegue acertar a condução da política e da economia.

Se essa combinação de eventos perdurar, periga a abalar a imagem de gestora de Dilma e a da estabilidade de seu governo. O crescimento da inflação e o PIB baixo, por exemplo, já trazem incertezas quanto aos fundamentos da estabilidade econômica.

A gestão parece atrelada à agenda eleitoral, antecipada pelo próprio Lula e pela presidente. Por parecerem atreladas a essa agenda, as medidas do governo para segurar a alta de preços e manter a economia no rumo são colocadas em xeque.

Nem o Bolsa-Família, uma das principais vitrines do governo Lula, escapou dos desgastes. Primeiro ficou parecendo que partiu da oposição a boataria que provocou o corre-corre às agências da Caixa.

Integrantes do governo e do PT surfaram à vontade nessa onda. Dilma chegou a chamar o ato de “criminoso” e “desumano”. Depois a “Folha de S. Paulo” apontou que a Caixa depositou antecipadamente o benefício. E isso é que teria provocado os tumultos em boa parte do país.

Até hoje esse caso não foi bem esclarecido. O que sabe é que setores do governo erraram feio, e o Palácio do Planalto errou também ao culpar a oposição. E o fato é que, no geral, os sinais são de que o poder central vem tendo bem mais tropeços que acertos.

Se tudo isso terá reflexos na disputa de 2014, é cedo para dizer. De concreto, há a constatação que o caminho de Dilma vai se tornando acidentado demais. Isso não estava no radar dela, de Lula e do PT.


Radanezi Amorim  - A Gazeta

terça-feira, 11 de setembro de 2012

LUZ, GASOLINA E EMBROMAÇÃO


O Estado de S.Paulo

O governo faz uma enorme e perigosa confusão ao misturar combate à inflação, corte das tarifas de eletricidade, aumento do preço dos combustíveis e política de juros. Como disse um pensador petista, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, mas essa obviedade parece inacessível aos formuladores da política econômica. As autoridades podem frear a evolução dos indicadores de preços, no próximo ano, se tornarem mais barata a energia elétrica. Mas a inflação retomará seu curso, em pouco tempo, se as condições propícias à elevação geral de preços continuarem presentes. Para isso, bastará a conjunção de crédito farto, gasto público excessivo e demanda suficiente para sancionar aumentos de preços. A confusão se completa quando a contenção de um índice - evento temporário - é apontada como oportunidade para arrumar as contas da Petrobrás e até para manter os juros baixos.

O governo acertará quando reduzir o peso fiscal sobre as contas de eletricidade e baratear o uso da energia tanto para empresas como para as famílias. A produção brasileira ficará um pouco mais competitiva e, ao mesmo tempo, os consumidores ganharão uma pequena folga no orçamento. Essa decisão contribuirá para o desenvolvimento do setor produtivo, para a preservação de empregos, ou até para sua criação, e para o aumento do bem-estar dos brasileiros. Não será, no entanto, exceto por um equívoco notável, parte de uma política anti-inflacionária.

O governo acertará, também, se deixar a Petrobrás adotar uma política de preços realista e compatível com suas necessidades econômicas e financeiras. Se for necessário um aumento de preços de combustíveis, será esse o procedimento correto. Manter o subsídio ao consumo apenas servirá para disfarçar a inflação, causará desajustes nos preços relativos (prejudicando, por exemplo, a produção de etanol) e privará a Petrobrás de recursos importantes para seus investimentos. Mais do que nunca, a empresa precisa de uma forte geração de caixa, para elevar a produção no curto prazo e avançar na caríssima e complexa exploração das reservas do pré-sal.

O prejuízo da empresa no último trimestre, seus indisfarçáveis problemas de produção e os erros cometidos em seus planos de investimento evidenciam os males de uma administração subordinada a interesses políticos dos governantes, de seus partidos e de seus aliados nacionais e estrangeiros. A correção desses erros, adiada por muito tempo, é agora urgentíssima e sua oportunidade independe do corte de tarifas da energia elétrica.

Mesmo quando acerta, o governo se mostra incapaz de formular com clareza uma boa estratégia de crescimento, com uma ampla e bem articulada bateria de medidas para tornar a economia nacional mais produtiva, menos sujeita a desajustes e mais preparada para a competição global. As novas iniciativas acabam prejudicadas pela confusão de objetivos e pela vocação do governo para as políticas de remendos. Sem disposição para reformar seriamente o sistema tributário, as autoridades preferem remendá-lo. Essa preferência é explicável tanto pelas dificuldades políticas de uma reforma genuína quanto pela incapacidade de cortar despesas e de racionalizar a administração.

A confusão de objetivos acaba resvalando para a mistificação. Disfarçar a inflação é politicamente mais lucrativo e muito menos trabalhoso do que executar uma séria política anti-inflacionária. Com uma política séria, é possível atenuar os efeitos de choques de preços, limitando sua transmissão e, em certos casos, intervindo no mercado com a venda de estoques de segurança. Atenuar, no entanto, é muito diferente de disfarçar.

Uma política honesta e competente cuidará de baixar as contas de eletricidade, de ajustar os preços dos combustíveis e de controlar a inflação sem misturar os objetivos próprios e os processos de cada linha de ação. Se cada parte for bem executada, o resultado geral será uma economia mais eficiente, mais próspera e mais compatível com o bem-estar. Discutir como ficará o índice oficial de inflação, no fim do próximo ano, se houver este ou aquele corte nas tarifas de energia elétrica, é mais que um equívoco. É uma vergonhosa embromação.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

APÓS DURAS CRÍTICAS A FHC, PETISTAS ASSUMEM INCOMPETÊNCIA E SE RENDEM ÀS PRIVATIZAÇÕES



Só mesmo o tempo – Logo após se instalar no Palácio do Planalto, em janeiro de 2003, o messiânico Luiz Inácio da Silva lançou a tese da herança maldita, forma que encontrou para transferir a própria incompetência ao antecessor, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. E se algum reconhecimento conquistou ao longo dos oito anos em que esteve presidente, Lula deve tal proeza a FHC, que deixou a economia brasileira em condições para que o País pudesse crescer.

Em 2006, temendo os efeitos do Mensalão do PT em seu projeto de reeleição, Lula ordenou à sua tropa de choque que usasse à exaustão a mentirosa teoria de que os tucanos, em caso de vitória na corrida presidencial daquele ano, privatizariam a Petrobras. Na eleição presidencial de 2010, o discurso foi idêntico, mas teve como plataforma de lançamento das falácias um livro que trata das privatizações realizadas na era FHC.

Durante anos a fio o Partido dos Trabalhadores criticou as privatizações patrocinadas pelo PSDB, o que tirou do Estado a responsabilidade de investir em áreas vitais para a economia do País, o que retiraria recursos de áreas também importantes e com mais carência de investimentos. Foram essas privatizações que permitiram que o Brasil avançasse economicamente, mas os petistas custam a admitir esse fato.

Sem ter como manter no ar a bolha de virtuosismo lançada por Lula, o governo do PT se vê obrigado a abrir mão do discurso tacanho e partir para as até então condenadas privatizações. Nesta quarta-feira (15), em solenidade no Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff anunciou um plano para recuperar a infraestrutura do País por meio de investimentos da iniciativa privada. Batizado de PAC das Concessões, o plano, que contemplará setores de rodovias, ferrovias e portos, evidencia a incapacidade gerencial de um governo que se preocupa com a partidarização da máquina e a distribuição cada vez maior de esmolas sociais como forma de manter o curral eleitoral e assegurar um projeto totalitarista de poder.

Contudo, chama a atenção que até agora nenhum dos pretéritos críticos de Fernando Henrique Cardoso surgiu para condenar a decisão de Dilma Rousseff de entregar ao capital privado aquilo que em tese é de responsabilidade do Estado. Como disse certa vez o boquirroto Lula, “nunca antes na história deste país”.

Fonte: Ucho.Info

sexta-feira, 13 de julho de 2012

VALDEMAR: NEGÓCIO ERRADO NO DNIT "VAI DAR MERDA"

Josias de Souza                                  






Num instante em que arrefece no noticiário o alarido dos grampos da Monte Carlo, começam a soar nas manchetes as escutas telefônicas colecionadas pela Polícia Federal noutro inquérito, o da Operação Trem Pagador. Deflagrada na semana passada, apura malfeitos atribuídos a José Francisco das Neves, o Juquinha, ex-presidente da Valec, estatal ferroviária vinculada ao Minitério dos Transportes.

O repórter Jailton de Carvalho trouxe à luz um diálogo vadio travado por Juquinha com o deputado mensaleiro Valdemar Costa Neto. Coisa de 8 de dezembro do ano passado. Posterior, portanto, à peseudofaxina de Dilma Rousseff nos Transportes. O grampo sugere que parte da sujeira sobreviveu à vassourada presidencial.

Presidente do PR de São Paulo, Valdemar revela a Juquinha, mandachuva do partido em Goiás, a existência de “um negócio errado” no Dnit, o órgão que cuida da construção e manutenção das estradas federais. O deputado diz que o negócio “vai dar merda”. Discorre sobre a encrenca com conhecimento de causa.

“Tem só um negócio errado lá. Só um, de tudo que nós vimos: é um negócio no Dnit. Você não sabe o que eles faziam! Isso vai dar merda. Tinha uma empresa que lançava as multas nas estradas e o Correio não mandava cobrança para o camarada. Tinha um camarada que era responsável pelo setor.

Vai ter que aparecer o nome dele, que era o Varejão, coitado, aí tá morto. Porque, então, o Correio cancelou, falou que não mandava mais. Uma loucura dessas e você continua pagando a firma para fazer o cadastro das multas? Porra, e não recebe as multas, porra!”

Juquinha concorda com o interlocutor: “Aí tá errado, não tem jeito.” Valdemar revela-se mais peocupado com a ocultação do malfeitor do que com a revelação da transgressão: “Tem nome do culpado, tem o responsável. Entendeu? Só que não queremos ferrar ninguém. Não vamos dar notícia disso aí. Só prá você entender.” Juquinha reage com jucunda naturalidade: “No dia a dia, sempre tem alguma coisa que a gente precisa corrigir e ir administrando, senão não toca a vida.”

No curso da conversa, Juquinha mostra-se empenhado em restaurar as biografias da turma do PR. “Temos que restabelecer a nossa moral”, diz ele num trecho do grampo. “Foi o melhor período de administraçao dos Transportes, o do PR. Lá atrás era só bomba, você lembra?”, indaga noutra passagem, obtendo a concordância de Valdemar: “Só bomba…”

Considerando-se os meandros da Operação Trem Pagador, a bomba do “melhor período” dos Transportes estourou no colo do contribuinte. Tocada em Goiás, sob a supervisão do Ministério Público Federal, a nova investigação detectou desvios de cerca de R$ 130 milhões nas obras da Ferrovia Norte Sul, geridas pela Valec, uma estatal onde Juquinha dava as cartas desde 2003, ano inaugural do primeiro reinado de Lula.

Num esforço para reaver parte do que foi desviado, a Procuradoria obteve na Justiça o bloqueio dos bens da família de Juquinha. Em 1998, quando se candidatou a deputado federal, o doutor informara à Justiça Eleitoral que dispunha de um patrimônio de R$ 559 mil. O bloqueio da semana passada alcançou imóveis avaliados em cerca de R$ 60 milhões.

Como se fosse pouco, Valdemar informa que remanescem nos Transportes excrementos ainda não detectados por Dilma. Quer dizer: a fedentina, que já é insuportável, ainda vai aumentar. Tudo isso num momento em que o PR de Valdemar acaba de associar-se à coligação de José Serra, candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo. Procurado, o deputado absteve-se de fazer comentários sobre o grampo radioativo da PF.

segunda-feira, 26 de março de 2012

ESCÂNDALO NOVO



Líder do PPS na Câmara, o deputado federal Rubens Bueno pedirá ainda nesta segunda-feira (26) que o Tribunal de Contas da União (TCU) faça uma auditoria completa no Projeto “Jampa Digital”, lançado è época em que o atual ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), era secretário de Ciência e Tecnologia na prefeitura de João Pessoa. A internet grátis e sem fio para a população da capital paraibana não funciona até hoje e já consumiu R$ 4,8 milhões do Ministério da Ciência e Tecnologia, mais R$ 1,5 milhão do município. Além do projeto não ter saído do papel, há, conforme mostrou reportagem do programa Fantástico, fortes indícios de pagamento de propina e superfaturamento no contrato fechado com a empresa Ideia Digital.

“Como recursos públicos federais foram investidos no projeto, o TCU tem obrigação de fazer uma auditoria completa nesses repasses para verificar se há desvios e superfaturamento”, afirmou o líder do PPS, que solicitará à Comissão de Fiscalização Financeira de Controle da Câmara a aprovação de proposta solicitando ao tribunal uma devassa completa no “Jampa Digital”.

Rubens Bueno lembrou ainda que o PPS, que apoiava o governo do prefeito Ricardo Coutinho (PSB) na época do lançamento do projeto, e ainda hoje faz parte de sua base no governo da Paraíba, defende que toda denúncia precisa ser investigada. “Mesmo sendo aliado do governo, o partido exige transparência e defende que toda denúncia envolvendo qualquer administração pública precisa ser apurada”, ressaltou o líder do partido.

Fonte: Ucho.Info

quarta-feira, 21 de março de 2012

FOGO AMIGO: A CRISE QUE VEM DA BASE

O sossego da presidente Dilma Rousseff (PT) com a ampla base partidária que a ajudou a chegar ao Palácio do Planalto em outubro de 2010 durou pouco. Depois de enfrentar um primeiro ano de governo com sucessivas quedas de ministros e ruídos de que sua gestão estava tomada por esquemas de corrupção – o que a levou a tomar medidas pouco simpáticas com aliados, na chamada "faxina ética" –, a petista ingressou 2012 vendo a base aliada ruir e seus principais interlocutores serem rechaçados no Congresso.
foto: Abr
Ideli Salvati, senadora - Editoria: Política - Foto: Abr
A ministra Ideli Salvatti, das Relações Institucionais, é considerada inflexível pela oposição e por parte da base aliada

Alguns espinhos de Dilma
Nordeste:
A bancada dos parlamentares do Nordeste, sob coordenação do pernambucano Gonzaga Patriota (PSB), está em crise com o governo Dilma por considerar que ficou de fora de negociações importantes, como a Lei Geral da Copa. Reclamam, ainda, da liquidação de dívidas com produtores rurais nordestinos.

Emenda: O corte de R$ 18 bilhões do Orçamento 2012, anunciado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, também causou mal-estar na base.

Sem pasta: O PR, liderado pelo senador Blairo Maggi (MT), deixou a base aliada de Dilma Rousseff depois de perder espaço no Ministério dos Transportes. Na última semana, a sigla declarou oposição ao Palácio do Planalto e ameaça assinar um pedido de CPI para investigar irregularidades na Casa da Moeda.

PT X PT: A nomeação de Arlindo Chinaglia para liderança na Câmara causou estranheza no PT. Petistas dizem que ele representa uma minoria.

Ideli: Deputados e senadores torcem o nariz para a ministra Ideli Salvatti, das Relações Institucionais. Acusam-na de
ser inflexível e intransigente.
A instabilidade vem de muito perto. Por não ser uma figura de longa trajetória política e considerada "durona" em suas posições, a presidente enfrenta críticas até do PT. Durante a votação para criar o Fundo de Previdência do Servidor Público (Funpresp), há cerca de 15 dias, oito dos 32 senadores petistas votaram contra a matéria defendida pelo Planalto. Foi um recado velado à presidente: as relações com o parlamento vão mal.

As queixas não se restringem ao Partido dos Trabalhadores. Em 2011, o PMDB, que tem o vice-presidente Michel Temer como maior liderança, passou o ano cobrando mais atenção, interlocução e participação nas decisões centrais do poder. Agora reclama de cortes do orçamento e enxerga nas movimentações eleitorais do PT, neste ano de pleito municipal, ameaça a acordos já firmados no Congresso, como por exemplo o rodízio PMDB-PT na liderança da Câmara.

"A inquietação é permanente. Lula tinha desenvoltura e fazia interlocução com os partidos muito bem. Os problemas existiam, mas eram tratados. Com Dilma, os problemas não são diferentes, mas há falta de habilidade. Nada do que é dito vai adiante. O governo quer mostrar que é ele quem manda e alguns compromissos são tratados de forma errada", apontou o deputado Lelo Coimbra (PMDB).

Um dos motivos das falhas na interlocução seria o relacionamento intransigente da ministra Ideli Salvatti, das Relações Institucionais, com deputados e senadores.

O caso mais explícito de insatisfação recente é o do PR. O partido, que desde 2002 mantinha o controle do Ministério dos Transportes, viu seu poder encolher depois da queda do ex-ministro Alfredo Nascimento e da nomeação de Paulo Sérgio Passos. Embora o novo ministro seja da sigla, não foi acolhido por não ter "DNA republicano". Com Dilma irredutível aos apelos, o partido zarpou da base.
foto: Divulgação
Sessão deliberativa. Terceira sessão de discussão, em primeiro turno, da PEC 87/2011, que prorroga até 2015 a Desvinculação das Receitas da União (DRU). Na bancada senador Romero Jucá (PMDB-RR) - Editoria: Política - Foto: Divulgação
Após seis anos, Jucá passou de líder a algoz
Destituído do posto de líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB/RR) será o relator do Orçamento 2013 na Casa. O peemedebista já declarou que vai trabalhar a favor da emenda que obriga o governo a cumprir a peça orçamentária exatamente como ela for aprovada no Congresso. Atualmente não é assim, tanto que, este ano, para reduzir despesas, o Ministério da Fazenda cortou R$ 18 bilhões que eram de emendas parlamentares – algo que agravou ainda mais a crise entre aliados.
Lei Geral da Copa
No início desta semana, após denúncias do programa "Fantástico", da TV Globo, sobre esquemas de corrupção envolvendo licitações e compras em hospitais do país, a oposição armou-se em Brasília para abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O PR, que até duas semanas atrás fazia parte da aliança governista, ameaça assinar o pedido.

A dor de cabeça para o governo não para por aí. Por força da bancada evangélica, o projeto da Lei Geral da Copa já teve sua votação adiada por diversas vezes – há esforço para que seja votado esta semana. Os parlamentares queriam barrar a venda de bebidas alcoólicas nos estádios durante o campeonato de 2014. A autorização é uma das exigências da Fifa.

"Essa liberação vai contra meus princípios éticos, morais e religiosos. O governo não tem o direito de me cobrar apoio a algo dessa natureza", reclamou o deputado Carlos Manato (PDT).

Apesar das resistências dos evangélicos, ontem, lideranças partidárias entraram em acordo e decidiram apenas suprimir do texto o artigo que liberava a venda de bebida. Com isso, fica valendo o texto original do Planalto, mantendo o acordo feito em 2007 com a Fifa.

Não bastassem esses pontos contra o diálogo, no início do mês Dilma decidiu trocar as lideranças da Câmara e do Senado. Na ala dos deputados, saiu Cândido Vacarezza e entrou Arlindo Chinaglia, ambos do PT. No Senado, Romero Jucá (PMDB), no posto há 12 anos, caiu para dar espaço a Eduardo Braga, do mesmo partido.

A crise chegou a tais contornos que até o senador e ex-presidente Fernando Collor (PTB/AL) decidiu aconselhar Dilma. "É fundamental que o Planalto ouça a Casa. O desconhecimento resultou no meu impeachment", disse ele, que em 1992 deixou a presidência sob acusações de corrupção.

Na tarde de ontem, o próprio PT agiu como oposição e derrubou a sessão que votaria a PEC para obrigar a passar pelo Congresso a demarcação de terra indígenas, de reconhecimento de terras quilombolas e aprovação de áreas de proteção ambiental. Na tentativa de acalmar os ânimos dos congressistas, o ministro da Educação Aloizio Mercadante (PT) vai amanhã ao Senado conversar com lideranças. A presidente Dilma, por sua vez, anunciou ontem à tarde a suspensão das reuniões semanais com as bancadas aliadas.
Análise
“A crise ainda vai duarar quatro décadas”

Antonio Fábio Testa, antropólogo e professor da Universidade de Brasília (UnB)
Há muito jogo de cena no Congresso. Apesar dos apelos e da aparente crise, a presidente Dilma Rousseff ainda tem muito poder, pois é dela a caneta e a chave do cofre da União. Ela está, de certo modo, sabendo calcular bem o jogo, convocando lideranças que são aliadas a ela e mantendo o PMDB em uma situação de crise interna, que num segundo momento terá que contornar. Todos sabem que o PMDB jamais deixará de ser governo. O PR, apesar da postura de agora, vive uma situação de crise interna e regional e, no máximo, adotará uma posição de independência. O governo tem o PR nas mãos, porque pode simplesmente abrir uma investigação profunda no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e pegar seus caciques. O Brasil não tem oposição; é mais fácil os partidos que se elegeram na oposição buscarem o governo para se viabilizarem. Todos vão buscar Dilma de agora em diante, por causa da proximidade das eleições. Essa crise ainda vai durar muitos anos, talvez três ou quatro décadas, simplesmente porque são questões que afloram pelo calor das emoções e dos interesses que se aguçam com períodos eleitorais. Passado esse tempo, a crise some. Há muitos interesses em jogo, afinal de contas, todos os partidos e líderes estão de olho em 2014.

Eduardo Fachetti - A Gazeta
 

quarta-feira, 14 de março de 2012

PR ROMPE COM DILMA E PASSA PARA OPOSIÇÃO NO SENADO

Os senadores do Partido da República (PR) anunciaram, nesta quarta-feira (14), que vão se juntar aos partidos de oposição ao governo Dilma Rousseff. O PR fazia parte da base aliada do governo, mas após as denúncias e consequente demissão do ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento, no ano passado, o partido anunciou a saída da coligação de apoio a Dilma. Até então, a sigla se declarava "independente".

Segundo o líder do PR no Senado, senador Blairo Maggi (MT), por enquanto, apenas a bancada do partido no Senado fará oposição ao governo Dilma, mas a expectativa é que os deputados também se juntem aos partidos de oposição, como PSDB e DEM.
Senador Bairo Maggi (PR-MT) afirmou que bancada do partido no Senado passa a ser oposição ao governo Dilma
Senador Bairo Maggi (PR-MT) afirmou que bancada do partido no Senado passa a ser oposição ao governo Dilma
"Cansei. O governo nos empurra com a barriga o tempo todo. Eu, como líder, decidi que não quero mais negociar. Resolvemos em conjunto que estamos fora do governo e se a Câmara quiser continuar com a Dilma, que o façam. Não temos definição nenhuma e quando a gente vira as costas de lá eles mesmos vazam notícia para um lado e outra para outro, desse jeito estamos fora", disse Maggi.

O estopim para a decisão, segundo o líder do partido no Senado, Blairo Maggi (MT), foi a demora do Planalto em nomear um ministro do PR para o Ministério dos Transportes. Após a queda de Nascimento, Dilma nomeou o secretário-executivo da pasta para assumir interinamente e deixou a cargo da ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, as negociações para encontrar um novo nome para o ministério.

O descontentamento de Maggi veio hoje após a última de uma série de reuniões feitas desde a saída de Nascimento, em julho de 2011. O próprio senador foi cotado para assumir o cargo, mas recusou o convite.

Derrota do governo

A nova baixa foi anunciada um dia após a presidente trocar os líderes do governo no Senado e na Câmara. No Senado, a troca foi Romero Jucá (PMDB-RR) por Eduardo Braga (PMDB-AM). Na Câmara, saiu Cândido Vaccarezza (PT-SP), que foi substituído por Arlindo Chinaglia (PT-SP). A troca ocorreu menos de uma semana após uma emblemática derrota sofrida por Dilma: a Comissão de Infraestrutura do Senado rejeitou a recondução de Bernardo Figueiredo (indicado pela presidente) na presidência da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Fonte: Jornal do Brasil

sábado, 3 de dezembro de 2011

DESVIO DE RECURSOS

Em meio a escândalos que têm derrubado ministros, surge mais uma preocupante notícia sobre possíveis desvios do dinheiro público: a União ignora a destinação de R$ 26,5 bilhões do Tesouro, transferidos entre setembro de 2008 e junho de 2011 para organizações não governamentais (ONGs) e outras entidades.
Esse montante é equivalente a 54% do total das transferências voluntárias do governo federal. Não há acompanhamento desse dinheiro no banco de dados do Sistema de Gestão de Convênios e Contratos de Repasse (Siconv). Parece incrível. Esse órgão foi criado no Ministério do Planejamento, a partir de proposição do Tribunal de Contas da União, para ampliar a transparência do gasto público federal. Por que isso não está acontecendo em relação a várias ONGs e instituições sem fim lucrativo? O Palácio do Planalto deve essa explicação.

É de se imaginar que a inexistência de registros oficiais sobre R$ 26,5 bilhões dificultará a malha fina, anunciada pelo Palácio do Planalto, sobre convênios e licitações. Mas espera-se que as dificuldades não sejam paralisantes.

A Controladoria-Geral da União está preparando um cadastro de entidades envolvidas em irregularidades com dinheiro. Estão na mira contratos firmados com 73.089 instituições, número que mostra a precariedade da fiscalização e a ausência de critérios adequados na escolha das organizações favorecidas.

O objetivo do cadastro é excluir de convênios as entidades que estiverem com o nome negativado. Por certo, isso deve ajudar a evitar falcatruas no futuro. Porém é necessário ir adiante. Cabem ações judiciais visando a ressarcir o Tesouro dos recursos desviados. E também visando a promover a extinção daquelas que comprovadamente foram constituídas com a finalidade de sugar dinheiro do erário.

Essa situação deixa clara a necessidade de estabelecer um marco regulatório para nortear o funcionamento de entidades civis. É tarefa que compete ao governo

Fonte: A Gazeta

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

PISANDO NA BOLA

A sensação é a de que o Congresso está dividido. A maioria dos assessores só dá as caras para receber o seu (e o nosso) rico dinheirinho no fim do mês, e os que comparecem ao serviço vivem um clima de "1984", de George Orwell.

De um lado, a revelação de que o (por enquanto) ministro do Trabalho, Carlos Lupi, foi funcionário-fantasma da Câmara durante quase seis anos funcionou como casca de banana para o líder do PT, Cândido Vaccarezza, e reabriu a discussão sobre a bananeira toda.

Sem ter como defender o indefensável, Vaccarezza escorregou feio e disse que não tem nada demais em ser funcionário-fantasma, já que a maioria dos assessores de deputados "jamais pisou na Câmara". Como se sentem os funcionários que cumprem suas obrigações?

De outro lado, como vem mostrando o jornal "Correio Braziliense", o Senado vem desde 2004 transformando sua polícia legislativa numa força paralela com poderes inerentes à polícia polícia: de revista, busca, apreensão e detenção.

Os seguranças podem andar armados, estão ganhando sofisticadas maletas de rastreamento de grampos telefônicos e por um triz não passaram a ter o direito de acessar dados sobre o uso da internet por funcionários (daqueles que comparecem ao local de trabalho, claro).

A alegação dos gênios que criam o monstro é que o Senado é, nesse caso, meramente empregador e, por entendimento do TST, o empregador tem acesso aos e-mails corporativos.

Mas, para advogados e juristas, trata-se da quebra de sigilo de correspondência sem autorização judicial ou a velha "invasão de privacidade" própria de ditaduras e de regimes dos que se sentem deuses.

Aos assessores, portanto, sobra a alternativa: ou se submetem a quem está brincando de "Grande Irmão" ou desencarnam do serviço e viram fantasmas -como "a maioria", segundo o líder Vaccarezza.

Eliane Cantanhêde - Folha de São Paulo

domingo, 20 de novembro de 2011

DILMA NÃO VIU PORQUE NÃO QUIS

Os escândalos que derrubaram quatro ministros do governo Dilma já haviam sido investigados pela Controladoria-Geral da União, que também tinha apontado irregularidades no Ministério do Trabalho.


Escândalos que derrubaram quatro ministros de Dilma já haviam sido investigados pela Controladoria-Geral da União. Roteiro é o mesmo agora no Trabalho
Se o governo pudesse voltar no tempo até 15 de julho de 2008, a crise que hoje atinge o Ministério do Trabalho já poderia ser considerada assunto superado. Naquele dia, a Controladoria-Geral da União (CGU) concluiu relatório, enviado ao gabinete do ministro Carlos Lupi, no qual apontava irregularidades em um convênio firmado entre a pasta e a Fundação Pró-Cerrado na área de qualificação profissional. Em dezembro de 2010, o secretário de Prevenção da Corrupção da CGU, Mário Vinícius Spinelli, esteve no gabinete do então ministro do Turismo, Luiz Barretto. Tinha em mãos um parecer mostrando falhas graves em contratos assinados para capacitação de mão de obra e realização de eventos.

Depois de três anos acumulando poeira, sem que nada fosse feito, o primeiro relatório vem à tona no inferno astral vivido por Carlos Lupi, depois que sua relação com o dirigente da Pró-Cerrado, Adair Meira, foi revelada pela imprensa. Hoje, Lupi contempla o mesmo abismo no qual o ex-ministro do Turismo Pedro Novais caiu, abatido por uma crise iniciada com uma operação da Polícia Federal sobre os mesmos problemas que já tinham sido detectados pela CGU e encorpada com uma saraivada de denúncias divulgadas no noticiário. O roteiro é o mesmo dos escândalos que derrubaram outros quatro ministros envolvidos em denúncias de corrupção. “O governo sabia antecipadamente das irregularidades em praticamente todos os escândalos que foram divulgados pela imprensa”, afirma Spinelli.

O problema é que esse conhecimento só resulta em algum tipo de penalidade contra um integrante do alto escalão do governo quando se torna alvo de denúncias apresentadas na imprensa. Equipados com estruturas de peso, órgãos de fiscalização, como a CGU e o Tribunal de Contas da União (TCU), produzem uma profusão de informações sobre irregularidades em obras e contratos que tornam difícil para qualquer governante afirmar que desconhece problemas em qualquer ministério. Um dado que a CGU tem orgulho de divulgar é o número de servidores federais que foram afastados de seus cargos nos últimos oito anos pelo governo, por evidências de envolvimento em corrupção. “São mais de 3,5 mil funcionários”, contabiliza o secretário.

Mas as investigações prévias da CGU e do TCU ainda não abateram nenhum ministro. Por mais que o governo tenha ciência antecipada de denúncias envolvendo uma pasta, e por mais perto que elas passem do titular do cargo, o ministro só sucumbe depois de bombardeado pela imprensa. “Em muitos casos, falta aquele detalhe que liga o ministro ao caso”, argumenta Spinelli. “Não temos a possibilidade de interferir para substituir ninguém. A decisão é da Presidência da República”, explica o secretário-geral de Controle Externo do TCU, Guilherme La Rocque.

Superfaturamento

“O ato de afastar um ministro tem implicações políticas sérias para um presidente. É uma decisão que vai ferir diretamente o representante de um partido aliado que, em um governo de coalizão, vai ter poder para dar o troco em votações no Congresso”, analisa o especialista em administração pública da Universidade de São Paulo Isaías Custódio.

Tomem-se por exemplo as denúncias envolvendo o Ministério do Turismo. Sócio de uma das empresas beneficiadas pelos contratos com irregularidades apontadas pela CGU, a MGP Brasil, o servidor Luciano Paixão da Costa deixou o cargo tão logo o relatório chegou ao conhecimento do ex-ministro Luiz Barreto. Mais de nove meses depois, o ministro Pedro Novais teve sua posição ameaçada quando o secretário executivo da pasta, Frederico da Silva Costa, foi preso durante a Operação Voucher da Polícia Federal. Conquistou uma sobrevida por contar com apoio dentro de seu partido, o PMDB; e de padrinhos como o vice-presidente da República, Michel Temer, e o líder da legenda na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). Mas só foi cair mesmo quando a imprensa divulgou que a mulher dele, Maria Helena de Melo, mantivera irregularmente um funcionário da Câmara como seu motorista particular.

Outro caso notório é o do ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento. Indícios do esquema de cobrança de propina supostamente instalado por seu partido, o PR, dentro da pasta, já eram conhecidos da CGU, que investigava a possível ocorrência de superfaturamento em obras da BR-116, no Rio Grande do Sul; da BR-260, em Santa Catarina; e da Ferrovia de Integração Oeste-Leste, tocada pela estatal Valec — citada no centro do escândalo que derrubou Nascimento. Três meses depois da queda do ministro, a CGU divulgou relatório detalhando as irregularidades nos contratos dessas obras. “Um relatório desse leva muito mais tempo que isso para ser concluído. Já estávamos acompanhando a movimentação no Ministério dos Transportes havia muito tempo”, diz Spinelli.

Fonte: Correio brasiliense

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O LERO-LERO DE LUPI

Questionado no Senado sobre denúncias reveladas por ISTOÉ, o ministro do Trabalho não convence, irrita oposição e, isolado pelo próprio partido, o PDT, permanece em situação complicada. Agora, ainda, terá de esclarecer novas acusações

Claudio Dantas Sequeira

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SOBREVIDA
Lupi (ao centro) continua no cargo, mas já é visto com desconfiança pelos próprios aliados
Se o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, sobreviveu a mais uma semana no cargo, foi por uma dose de boa vontade da presidente Dilma Rousseff. Sem conseguir explicar o emaranhado de denúncias que pesam contra sua gestão no Ministério do Trabalho e acuado pela acusação de que assessores diretos cobraram propina para conceder registros sindicais, como vem revelando reportagens de ISTOÉ desde a primeira semana de agosto, Lupi foi isolado até mesmo pelo PDT, partido do qual ele é presidente de fato. Fontes do Palácio do Planalto dizem que, apesar da sobrevida dada a Lupi, Dilma resolveu esvaziar a Secretaria de Relações do Trabalho e passar um pente fino na lista de entidades que ganharam registros a partir da portaria 186, assinada pelo ministro, muitas delas dando ares de legalidade a sindicatos e federações clones e de fachada. O encarregado de acompanhar a liberação de novas cartas sindicais é o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência. Enquanto isso, como Lupi não se mostrou convincente durante depoimento no Senado, na quinta-feira 17, nos próximos dias, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) apresentará requerimento de convocação do sindicalista João Carlos Cortez. O objetivo é ouvi-lo sobre a denúncia trazida por ISTOÉ de que foi obrigado por assessores de Lupi e do deputado federal Paulinho da Força (PDT-SP) a repassar à central controlada pelo PDT até 60% da contribuição sindical para conseguir a reativação do registro do Sindicato de Trabalhadores em Bares e Restaurantes da Baixada Santista (Sindrest). “Quero convidar o sindicalista para prestar depoimento. Poderíamos fazer uma acareação com o ministro”, afirma Dias.

Caso não consiga aprovar o requerimento, o parlamentar vai encaminhar um pedido de investigação à Polícia Federal e ao Ministério Público. “Se o Lupi considera normal que um sindicalista diga que assessores do ministro cobraram propina para licenciar sua entidade, tem de haver alguma providência. Se o governo não fizer nada, só nos resta acreditar na polícia”, afirma. Durante audiência na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, Álvaro Dias questionou Lupi sobre as revelações de ISTOÉ. Com cópia das reportagens nas mãos, ainda pediu esclarecimentos ao ministro sobre o crescimento exponencial de entidades sindicais – entre 2008 e 2011 foram mais de 2,5 mil – e as suspeitas de que a Secretaria de Relações do Trabalho, vinculada ao gabinete de Lupi, se transformou num balcão de negócios. O ministro fugiu da questão e deu apenas uma declaração lacônica. “Essa história é briga sindical”, afirmou.

Cada dia mais enrolado, Lupi também foi questionado pela senadora Kátia Abreu (PSD-TO), que quis saber sobre a proliferação de sindicatos rurais criados por integrantes da Força Sindical que não possuem relação com o trabalho no campo. Segundo ela, essas entidades estão se sobrepondo ao trabalho histórico das filiadas da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e deixando o trabalhador confuso e desassistido. A senadora reclamou também que espera, desde setembro, resposta de Lupi a um requerimento de informação sobre a “fábrica de sindicatos” denunciada por ISTOÉ. Kátia ainda questionou o ministro sobre a participação no Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) de entidades constituídas sem histórico, criadas há poucos anos com claro aparelhamento da Força Sindical e do PDT de Lupi. Mais uma vez, o ministro desconversou. Disse apenas que o ministério não interfere na organização sindical e que o Codefat é um órgão meramente deliberativo. “Ele aprova normas, não tem poder de determinar recursos para ninguém”, alegou.
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“Quero convidar o sindicalista João Carlos Cortez
para prestar depoimento. Poderíamos fazer
uma acareação com o ministro Lupi”

Senador Álvaro Dias (PSDB-PR)
Embora Lupi tente se esquivar das acusações que pesam contra ele, suas digitais estão em toda parte. Como por exemplo no registro do Sindicato dos Trabalhadores em Autoescolas e Transporte Escolar de Osasco e Regiões (Sintrateor). A carta sindical levou a assinatura do próprio Lupi e foi entregue em mãos, em 2009, pelo então secretário de Relações do Trabalho, Luiz Antonio de Medeiros. O ato foi registrado numa foto publicada no jornal do sindicato, obtido por ISTOÉ, onde aparecem Medeiros ao lado da presidente do Sintrateor, Silvania Cristina da Silveira e de seu filho Humberto, que é o tesoureiro, além do marido, Martim Aparecido, e do sindicalista Guilherme Paro, que é o nome por trás da entidade. “Silvania nunca trabalhou em autoescola e seu marido, o Martim, é amigo pessoal de Lupi e lobista sindical profissional”, acusa o presidente do Sindicato dos Desenhistas de São Paulo, Claudio Taboada. Ele conta que Guilherme Paro presidiu seu sindicato e a Federação de Desenhistas de São Paulo, e deixou um rombo. “Quando entrei aqui havia uma quadrilha. A Fenaedes foi inclusive denunciada por desviar recursos do FAT”, afirma.

Taboada acrescenta um dado peculiar à história do grupo. Diz que Paro é amigo do ex-juiz Nicolau dos Santos Neto e que Martim Aparecido foi testemunha no processo sobre o superfaturamento do Fórum Trabalhista de São Paulo. “São todos ligados. O Guilherme quis colocar o Martim aqui no sindicato. Mas como ele não é desenhista, tentaram esquentar a carteira dele numa empresa da família Monteiro de Barros”, afirma Taboada. Ele acrescenta que Fábio Monteiro de Barros, condenado junto com Nicolau e o ex-senador Luiz Estevão, enviou-lhe uma carta negando envolvimento no esquema para beneficiar os pseudosindicalistas. A bandalheira é tamanha que o Sintrateor, mesmo sendo um sindicato de autoescolas, está filiado à mesma Fenaedes, entidade de desenhistas e projetistas.
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NOVA DENÚNCIA
Lupi concedeu registro sindical a entidade que, segundo acusação, pertenceria a lobista e amigo pessoal
No rol das explicações a serem dadas pelo ministro do Trabalho está ainda a acusação do Sindicato de Motoristas e Cobradores de Ônibus do município do Rio de Janeiro. Em carta à presidente Dilma, o presidente do Sintraturb, José Carlos Sacramento, acusa Lupi de fraudar o registro de alteração estatutária do Sindicato dos Rodoviários para impedir seu desmembramento. Ele acusa o ministro de agir em conluio com os donos das empresas de ônibus da cidade. Carvalho cobrou explicações a Lupi, que demandou a consultoria jurídica do ministério elaborar um parecer. O ministro garante que o processo correu dentro da lei e diz a assessores que vai processar Sacramento.

Enquanto Lupi respira por aparelhos e não consegue responder sequer quem faz os pagamentos dos jatinhos em que voa pelo País afora, a comissão especial do Ministério Público do Trabalho apresentará nesta semana o resultado da primeira investigação aberta em consequência da reportagem publicada por ISTOÉ em agosto. Trata-se da denúncia de cobrança de propina feita pela presidente da Federação Nacional dos Terapeutas, Adeilde Marques, contra o presidente da Força Sindical no Estado de Sergipe, William Roberto Arditti. A última testemunha do processo foi ouvida na sexta-feira 18. O procurador Emerson Resende, que preside a comissão especial, tem sofrido ameaças e evita dar entrevistas. Ele sabe que a conclusão da equipe do MPT pode ser fatal para o esquema montado por Lupi e pela Força Sindical e deflagrar outras investigações pelo País.
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"Espero, desde setembro, resposta de Lupi a um
requerimento de informação sobre a fábrica de sindicatos"

Senadora Kátia Abreu (PSD-TO)
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Fonte: ISTO É Independente

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

LUPI CONTA MENTIRA PORQUE O GOVERNO TEME AS VERDADES

LUPI CONTA MENTIRAS SEM MEDO PORQUE O GOVERNO TEME AS VERDADES QUE ESCONDE!

Em depoimento na Câmara dos Deputados, o ministro do Trabalho jurou que nem ouvira falar no explorador de ONGs Adair Meira. VEJA provou dois dias depois que o depoente engordara o formidável prontuário com um crime de perjúrio. Carlos Lupi não só conhece Meira muito bem como os dois andaram viajando juntos num King Air providenciado pelo próspero comparsa. Nenhum voo do gênero é gratuito. A forma de pagamento ainda não foi revelada.

Como prometeu só sair do emprego à bala, Lupi mandou a assessoria de imprensa esclarecer que circulou pelo Maranhão em 2009, sim, mas num Sêneca fretado pelo PDT. Mentiu de novo, comprovou o site Grajaú de Fato, amparado numa coleção de imagens devastadoras. Algumas mostram o ministro desembarcando do avião do parceiro que jurou não saber quem era. Em outras, a dupla sorri o sorriso de negociata. Somadas, documentam a movimentação de uma quadrilha infiltrada na cúpula do governo federal.

Milhões de brasileiros só agora puderam contemplar de perto uma abjeção que Dilma Rousseff conhece bem demais. Eles militaram juntos no PDT, juntos chegaram à direção do partido e conviveram quatro anos no ministério de Lula. Quando o escândalo explodiu, Lupi foi logo avisando que a chefe não teria coragem de afastá-lo. Embora esteja cansada de saber quem é o companheiro que comanda o ministério arrendado ao PDT, a presidente quer adiar até janeiro a troca de Lupi por alguém escolhido por Lupi.

“Conheço a Dilma bem demais”, preveniu o ministro logo depois de içado do pântano. Pelo que tem feito o corrupto debochado, parece mesmo convencido de que a melhor amiga de Erenice Guerra vai engolir sem engasgos tanto bravatas desrespeitosas quanto um “eu te amo” de canastrão de cabaré. Lupi conta mentiras sem medo porque o que o governo teme as verdades que esconde.

Augusto Nunes

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

LUPI: "DUVIDO QUE DILMA ME TIRE. NEM NA REFORMA"

Lupi desafia Dilma: "Só saio à bala"

E ainda avisa que, se cair, PDT rompe com governo; pedetistas pedem inquérito
LUPI PARTICIPA de encontro com a bancada pedetista: "Duvido que a Dilma me tire! Ela me conhece bem. Alguns de vocês vão ficar muito tristes com o resultado desse episódio!"

No mesmo dia em que o deputado federal Miro Teixeira (RJ), apoiado por mais um deputado e um senador do PDT, protocolou na Procuradoria Geral da República um pedido de abertura de inquérito criminal para apurar denúncias de corrupção ativa e concussão na gestão de Carlos Lupi no Ministério do Trabalho, o ministro se reuniu por três horas com o partido e saiu com uma declaração de apoio da maioria para ficar no cargo. Lupi e o comando do PDT decidiram desafiar a presidente Dilma Rousseff e ainda avisaram que, em caso de demissão, o partido deixa o governo.

Em vários momentos numa entrevista após a reunião, escudado pelo apoio da cúpula do PDT que também ameaçou romper com o governo, o ministro desafiou Dilma a demiti-lo:
- Duvido que a Dilma me tire! Ela me conhece bem. Alguns de vocês vão ficar muito tristes com o resultado desse episódio! - disse aos jornalistas. - Para desconforto de vocês, vão ter que me ver aqui no ano que vem, em 2013 , em 2014... Pela relação que tenho com a Dilma, não saio nem na reforma (ministerial, prevista para janeiro). Eu me benzo todos os dias, meu amor! Tenho o santo forte. Ainda vou carregar o caixão de muita gente que quer me enterrar - disse.

Ainda após a reunião, com declarações que beiraram o deboche, Lupi avisou que só deixa o ministério "abatido à bala". O estilo "faca no peito da presidente" adotado por ele surpreendeu aliados do governo. Mas sobre isso o Palácio do Planalto fez silêncio. Pelo menos em público.

- Houve alguns que defenderam que eu me licenciasse. É a opinião deles, com a qual não concordo. Para me tirar do ministério, só se eu for abatido à bala! E tem que ser uma bala muito forte porque eu sou pesadão! - disse Lupi, sempre rindo de suas próprias declarações. - Nem saio e nem me licencio. Se quiserem me sangrar terão de fazê-lo até o fim, e depois chupar meu sangue de canudinho.
Tensão na reunião com pedetistas

Foi tensa e exaltada a reunião do ministro com a executiva nacional e as bancadas do PDT no Congresso. Coube ao senador Cristovam Buarque (DF) defender a licença de 30 dias, até a conclusão das investigações. Só teve o apoio declarado do deputado Antonio Reguffe (DF), que assinou, juntamente com Miro e Pedro Taques (MT), o pedido de inquérito na PGR.

- Eu sugeri que ele se licenciasse por 30 dias, para que se diferenciasse dos demais ministros atingidos por denúncias de corrupção na pasta. Mas ele e o partido recusaram peremptoriamente - contou Cristovam.
Miro Teixeira não foi à reunião porque estava sendo medicado de um problema no joelho. Sua petição à PGR cita matérias veiculadas pelo O GLOBO, "Veja" e "Portal IG" sobre desvios no ministério de Lupi: "Não bastassem os fatos denunciados pela imprensa idônea, como lhe é de dever, pelo direito do povo à informação verdadeira, o acórdão do TCU exige instauração de inquérito policial, denúncia dos responsáveis por práticas criminosas, como proposta de processo crime".

- Agora se seguem os caminhos institucionais. Na vida pública nada é pessoal - disse Miro, justificando a decisão.
Lupi nega que haja um racha no partido, apenas divergências. Parlamentares avaliam que ele tem a solidariedade de cerca de 80% do PDT. Ignorando os pedidos de licença e de investigação à PGR, o ministro disse que é alvo de uma campanha cujo alvo principal é o PDT. Mas afirmou que não teme nada, que está tranquilo, que vai até o último minuto de sua vida para provar inocência, e que não aceita que joguem na lama o nome da instituição que ajudou a fundar.
Depois da reunião, os líderes do PDT na Câmara e Senado fizeram declarações de apoio a Lupi, com o mesmo tom de ameaça.

- Esse episódio uniu ainda mais o partido. Com o ministro Lupi sai também, se necessário, o PDT do governo. O partido não aceita a queda do ministro por corrupção ou pressão - disse o líder do PDT na Câmara, Giovanni Queiroz (PA).
O líder do PDT no Senado, Acir Gurgacz (RO), reforçou:

- A ideia nossa é que Lupi não tem substituto. Se ele sair, estamos fora da base e do governo - disse Gurgacz, ressaltando, entretanto, que ele e outros companheiros do partido são contra essa decisão.
Na entrevista após a reunião do PDT, Lupi relatou conversa que disse ter tido com Dilma na véspera:

- A Dilma me perguntou: "Você vai lutar até o fim?" Eu respondi: Vou lutar até o último minuto. Sou brasileiro e não desisto nunca. Ela, então, me disse: "Vá em frente". Eu sou forjado na luta. Não saio do ministério enquanto não estiver tudo comprovado.
Ele ressaltou que, diferentemente de outros escândalos que derrubaram ministros, no caso do Trabalho não há uma prova, uma foto ou filme que prove sua implicação nas denúncias.
Mesmo com apoio da maioria do partido, a situação do ministro no Planalto ainda é considerada indefinida. Nas palavras de um interlocutor direto da presidente Dilma, ontem: "Se o Orlando Silva (ex-ministro do Esporte) perdeu sustentação, mesmo com apoio integral do PCdoB, o Lupi pode ficar numa situação ainda mais frágil sem a unidade do PDT". Como não há até o momento nada que atinja diretamente o ministro, a ordem no núcleo do governo é acompanhar o desenrolar dos fatos.
De segunda-feira para ontem, Lupi fez um trabalho intenso nos bastidores para obter a declaração de apoio do partido, telefonando pessoalmente para vários colegas.

- Lupi não recebeu um cheque em branco. O que houve foi um voto de confiança ao ministro. Mas se as denúncias atingirem o ministro, ele terá que deixar o governo. Tenho minhas divergências com ele. Mas se o Lupi sai agora, sai com o carimbo de ministro corrupto e mancha a imagem de todo o PDT - disse o deputado Brizola Neto (RJ). - Não estamos no governo por um ministério. Participamos do governo pela profunda identidade com as ações do ex-presidente Lula e da presidente Dilma - acrescentou.

Fnte: O Globo

TCU PEDE PARA PARALISAR 26 OBRAS DO GOVERNO

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou ontem o relatório Fiscobras 2011, em que recomenda a paralisação de 26 obras federais e apresenta outras três em que o pedido de interrupção ainda está pendente de apreciação. A "lista negra" será enviada ao Congresso Nacional para subsidiar a Comissão Mista de Orçamento (CMO) sobre a distribuição de recursos orçamentários.

Entre as irregularidades graves encontradas estão superfaturamento e projetos básicos deficientes ou desatualizados. O relatório também destaca a restrição ao caráter competitivo de licitações.

Entre as principais obras em que o TCU recomendou a paralisação estão a ferrovia Norte-Sul em Tocantins, a refinaria Abreu e Lima em Pernambuco, a implantação da linha 3 do metrô do Rio de Janeiro e o contorno rodoviário de Maringá, no Paraná. Também foi recomendada a paralisação da construção da BR-440, em Minas, obra que, no entanto, não faz parte do Fiscobras.

Fonte: A Gazeta

Em 2011, foram fiscalizadas 230 obras por meio do Fiscobras, e as correções propostas podem gerar benefícios de até R$ 2,6 bilhões aos cofres públicos, segundo informações do TCU. O valor fiscalizado chega a R$ 36,7 bilhões. Do total, apenas oito obras foram aprovadas sem ressalvas.

O relator, ministro Raimundo Carreiro, no entanto, destacou que o número de obras com indicativo de paralisação vem diminuindo ao longo do tempo: eram 121 em 2001. (AG)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

ORLANDO SILVA E CARLOS LUPI NA MARCA DO PÊNALTI.

A crise política envolvendo o Ministério do Esporte, hoje comandado pelo PC do B, assanhou a base de apoio do governo, de olho na dança das cadeiras, e escancarou insatisfações de antigos aliados do PT. À espera da reforma ministerial, prevista para janeiro de 2012, partidos já produzem listas com nomes que gostariam de emplacar na Esplanada e tradicionais parceiros do time petista, como o PC do B e o PDT, avisam que não aceitarão o rebaixamento para a segunda divisão.

"O PT casou com o PMDB e arrumou amantes da direita. Será que agora vai querer dar outra guinada e se livrar da esquerda?", provoca o deputado Paulo Pereira (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical. Com as barbas de molho, os trabalhistas sabem que o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, é um dos cotados para cair na reforma que a presidente Dilma Rousseff fará na equipe e não escondem a revolta.

A exemplo de Orlando Silva (PC do B), mantido por Dilma no Ministério do Esporte, Luppi também enfrentou denúncias de uso indevido do dinheiro público, em convênios firmados no Trabalho, para abastecer o caixa de seu partido. Os dois ganharam sobrevida porque a presidente tenta segurar a onda de demissões a conta-gotas, mas estão na corda bamba.

Na avaliação do governo, depois da queda de cinco ministros - quatro por suspeitas de corrupção -, o cenário menos traumático agora, para não comprar mais briga com os aliados num momento de votações importantes no Congresso, é o da mudança coletiva, em meio à reforma. Mesmo assim, ninguém no Planalto garante que não haverá mais trocas até o início de 2012.

A cúpula do PC do B cerrou fileiras na defesa de Orlando, ameaçou enfrentar o PT e até romper com o governo em caso de dispensa. Nos bastidores, comunistas foram sondados sobre a possibilidade de um escambo: trocar o Esporte pela pasta de Cultura, dirigida por Ana de Holanda. A articulação não deu certo. Indicada pelo PT, mas sem filiação partidária, Ana também enfrenta forte desgaste na equipe.

Depois de tantos problemas na gestão do governo, Dilma quer aproveitar a leva de mudanças para pôr técnicos de sua confiança em secretarias executivas, independentemente das indicações partidárias. Para Dilma, a ideia de que o ministério com porteira fechada funciona melhor caiu por terra com a sucessão de crises. No jargão político, porteira fechada significa entregar todos os cargos de uma pasta a um mesmo partido. Aborrecidos, aliados dizem que o PT quer pôr "olheiros" para vigiar seus indicados porque não sabe dividir o poder.

Fonte: A Gazeta

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

DILMA ROUSSEFF NO COMANDO DO BC (só resta ao Alexandre Tombini pedir o boné)

A presidente Dilma Rousseff assumiu oficialmente o comando do Banco Central (BC) e a política de juros é agora decidida no Palácio do Planalto. O plano do governo para 2012 é baixar a taxa básica para 9%, porque "ainda há margem de manobra" para novos cortes, segundo informou ao Estado o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. A conversa, com participação de dois outros membros do primeiro escalão do Executivo, foi bastante clara para eliminar qualquer dúvida: há um plano traçado no Palácio do Planalto e a decisão final caberá à presidente. Ressalvas quanto ao ritmo dos cortes - determinado com "prudência", segundo o secretário - em nada alteram o dado principal. A autonomia de fato do BC, adotada nos anos 90 e mantida nos dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é uma experiência encerrada, embora ninguém, na administração federal, o admita de forma explícita. Não há outra forma de entender as declarações do secretário-geral nem os pronunciamentos da presidente Rousseff e do ministro da Fazenda, Guido Mantega, desde a última semana de agosto.

Esses pronunciamentos foram logo seguidos pelo anúncio da redução dos juros, decidida pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A aparente dissidência - a decisão foi tomada por 5 votos contra 2 - até poderia ser interpretada como sinal de permanência da autonomia de fato. Em pouco tempo as palavras do ministro e da presidente confirmaram a interpretação oposta. Eles continuaram falando sobre os cortes de juros como se apontassem o caminho ao BC. E, na sexta-feira, a presidente foi absolutamente explícita - mais do que pretendia, provavelmente - ao defender a redução da taxa básica como resposta ao agravamento da crise internacional. "Desta vez", disse ela, "o Brasil não pode errar na avaliação do quadro externo." Não seria "admissível", acrescentou, deixar de levar em conta o risco de recessão e de deflação no resto do mundo. Não é o tom de quem apenas manifesta um desejo, mas de quem transformou o Banco Central em mais um instrumento da política econômica do governo.

Ontem, o ministro da Fazenda voltou a falar sobre as medidas possíveis diante de uma piora do cenário global e mencionou novos cortes de juros e redução do depósito compulsório dos bancos. Usou o pronome "nós", ignorando qualquer separação relevante entre o BC e o comando do Executivo.

Além de comandar a redução dos juros, a presidente da República decidiu também, segundo todas as evidências, afrouxar o regime de metas de inflação. Sem usar essas palavras, o BC admite o fato num relatório trimestral divulgado na semana passada. Pelas projeções publicadas, a inflação acumulada em 12 meses só voltará ao centro do alvo (4,5%) no terceiro trimestre de 2013 - mas essa hipótese, a mais otimista, só aparece num dos três cenários apresentados.

O afrouxamento do combate à inflação será adotado num período de eleições municipais, com salários em alta e sem garantia, além de meras promessas, de efetiva austeridade fiscal. Ao mesmo tempo, o Executivo embarca em políticas protecionistas muito mal disfarçadas, com o pretexto de tornar mais competitivos certos setores da indústria nacional. Medidas efetivas para promover esse aumento de competitividade permanecem na esfera das promessas e de planos muito mal esboçados.

Bons argumentos a favor de uma política monetária mais branda poderiam surgir em breve, com o provável agravamento da crise no mundo rico. O primeiro passo poderia ser a redução do depósito compulsório, para ampliação do crédito. Vendas de dólares, como em 2008, poderiam ser um complemento, em caso de escassez de financiamentos em moeda estrangeira. O BC tomou medidas como essas no início da grande crise, há três anos, e foi muito mais eficiente, na ação imediata, do que o Ministério da Fazenda - ao contrário da versão cultivada no Palácio do Planalto. Mas o governo preferiu agir às pressas, impondo ao BC uma ação arriscada, alimentando a expectativa de inflação e desmontando a credibilidade do regime de metas e da autoridade monetária. Esse retrocesso pode sair muito caro para o País.

Fonte: O Estadão