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sexta-feira, 27 de julho de 2012

A CRISE DA GERÊNCIA DA CRISE

O Estado de S.Paulo

A incompetência do governo federal como planejador e gestor de obras foi mais uma vez comprovada com o novo balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A execução continua lenta, apesar do aumento dos desembolsos, e o Ministério do Planejamento insiste em inflar os resultados com os financiamentos à habitação. A máquina pública e as empresas estavam despreparadas para investir em infraestrutura, disse a ministra Miriam Belchior, ao apresentar os últimos números nesta quinta-feira. Pelo menos quanto à máquina pública ela está certa. Dizendo talvez mais do que pretendia, a ministra lembrou os projetos suspensos para reelaboração pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Eram, segundo acrescentou, "projetos sem a mínima qualidade". Mas quando foram preparados e desde quando têm sido recusados?

O comentário da ministra do Planejamento é mais um reconhecimento, talvez involuntário, do desastroso padrão gerencial implantado no governo da União pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Exatamente no Ministério dos Transportes começou, há cerca de um ano, a faxina parcial executada, com evidente relutância, pela presidente Dilma Rousseff.

A vassourada foi além do gabinete ministerial e atingiu o Dnit, forçando a substituição de seu comando. Uma das consequências, ainda sensível neste ano, tem sido a lentidão maior na execução de projetos.

As palavras da ministra combinam muito bem com as declarações da nova presidente da Petrobrás, Graça Foster, no dia de sua posse. Ela recuou, dias depois, e tentou desfazer qualquer mal-estar criado por suas declarações. Não poderia, no entanto, simplesmente apagar as afirmações muito claras registradas por toda a imprensa. Sua mensagem foi inequívoca: a administração anterior havia descumprido boa parte das metas e assumido compromissos irrealistas, determinados por interesses políticos. Foi o caso da Refinaria Abreu e Lima, planejada para ser construída em parceria com a estatal venezuelana de petróleo. Nenhum centavo foi pingado, até agora, por essa empresa.

A marca do governo Lula é inegável nos dois casos - na subordinação da Petrobrás às fantasias ideológicas do PT e na devastação da máquina administrativa por meio do loteamento e do aparelhamento do governo. De fato, essas práticas foram mantidas.

Forçada a afastar vários ministros e a mexer em postos importantes de vários Ministérios, a presidente Dilma Rousseff preservou, no entanto, a partilha da administração entre os partidos da base governista. Conservou, portanto, o critério de apropriação do setor público e de seus recursos por um grupo interpartidário investido das prerrogativas de um bando conquistador. Não há surpresa. Pode haver mudança em alguns números, mas o conjunto é essencialmente o mesmo da gestão de seu antecessor e mentor político.

O espetáculo da ineficiência continua. Desde o início do PAC 2, no ano passado, até junho deste ano foram concluídas obras no valor de R$ 211 bilhões, segundo o balanço oficial. Os financiamentos de moradias, R$ 129,3 bilhões, corresponderam a 61,3% daquele total. O dinheiro destinado a habitações foi mais que o dobro do aplicado - R$ 55,1 bilhões - nas obras concluídas do setor energético. Além disso, equivaleu a mais de cinco vezes o valor destinado aos projetos terminados no setor de transportes, R$ 24,4 bilhões. O peso do programa habitacional é enorme até quando se considera o total das aplicações do PAC 2, R$ 324,3 bilhões em obras - as concluídas e aquelas em execução.

Quando se examina só o PAC orçamentário, custeado diretamente pelo Tesouro, o cenário é familiar. No primeiro semestre deste ano foram desembolsados R$ 19,7 bilhões, 32% mais que nos primeiros seis meses do ano passado. Mas esses pagamentos, equivalentes a 40,4% da verba orçamentária atualizada, foram na maior parte constituídos de restos a pagar, no valor de R$ 15,2 bilhões. A Europa, disse a presidente em Londres, enfrenta uma crise de gerência da crise. Não precisaria cruzar o Atlântico, no entanto, para encontrar exemplos de má administração. Seu governo é um exemplo digno de manual.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

GOVERNO MENTIROSO

E

Quebra-cabeças – A crise econômica internacional causava estragos somente na zona do euro quando o ministro Guido Mantega, da Fazenda, disse que o Brasil estava imune a qualquer movimento vindo do Velho Continente. Na sequência foi a vez da presidente Dilma Rousseff repetir a cantilena, mas meses depois foi obrigada a apelar para o consumo interno como forma de minimizar os efeitos colaterais da crise europeia.

Foi essa estratégia mirabolante, utilizada por Lula em 2008 e que provocou estragos, que levou o Palácio do Planalto a pressionar os bancos privados para que as taxas de juro ao consumidor fossem reduzidas. Acontece que nem tudo está saindo como os palacianos planejaram.

Quem compra algo a prazo, como quer o governo, o faz porque tem pelo menos intenções de pagar. No vencimento só paga quem tem dinheiro, ao passo que deixa de pagar quem não dispõe do vil metal. Historicamente o dinheiro é fruto do trabalho. E sem trabalho não há dinheiro. Uma sequência tão óbvia e simples, mas não é isso que mostram algumas pesquisas recentes.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), as vendas do comércio varejista brasileiro cresceram 0,2% em março deste ano, em relação ao mês anterior. A receita nominal também registrou crescimento, de 0,3%. Divulgada nesta quinta-feira (17), a pesquisa do IBGE mostra também que, em comparação com março de 2011, o crescimento das vendas do comércio varejista chegou a 12,5%. No acumulado do ano a alta é de 10,3%. Nos últimos doze meses, o crescimento foi 7,5%. Resumindo, o governo tem o que comemorar parcial e
temprariamente, mesmo que isso reforce a resistência da inflação.

Por outro lado, o Ministério do Trabalho divulgou, também nesta quinta, dados sobre a geração de empregos no País. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), nos quatro primeiros meses do ano a criação de empregos formais registrou queda de 20,2%, em comparação ao mesmo período de 2011. Segundo o Ministério do Trabalho, de janeiro a abril de 2012 foram criados 702.059 empregos formais, contra 880.717 vagas formais geradas no primeiro quadrimestre do ano anterior.

Trata-se, segundo o próprio governo, do pior desempenho para os quatro primeiros meses de um ano desde 2009, quando foram abertas 48.454 vagas de empregos com carteira assinada. À época, o País enfrentava os efeitos o primeiro capítulo da crise financeira advinda do “subprime” norte-americano, iniciada em setembro de 2008 com a concordata do banco Lehman Brothers.

Ao cruzar os dados de ambas as pesquisas até mesmo um leigo percebe facilmente que algo de errado há na economia verde-loura. O governo aposta no consumo interno, o endividamento das famílias está em alta, a inadimplência disparou, o consumo cresce e a geração de empregos decresce. Cenário que não se sustenta durante muito tempo, pois as peças apresentam problemas de encaixe.

Na quarta-feira (16), a presidente Dilma Rousseff se emocionou ao instalar a Comissão Nacional da Verdade e dizer que a sombra e a mentira não promovem a concórdia. Belas palavras, comoventes até, mas um dia depois das lágrimas da presidente o brasileiro descobre que o governo mente.

Criemos, pois, uma Comissão da Verdade Econômica, porque a bolha de virtuosismo que Lula vendeu ao mundo começa a estourar.

Fonte: Ucho.Info

sábado, 8 de janeiro de 2011

ABALOS ECONÔMICOS.

O mundo ainda não está refeito dos abalos econômicos provocados pela chamada "bolha" hipotecária americana, que mostrará em 2011 ainda maiores reflexos, notadamente na Europa, com forte ameaça à estabilidade do euro.


A formação econômica do europeu é profundamente conservadora, terrivelmente drástica, a começar pela Alemanha, sem dúvida o país mais organizado do mundo, em termos econômicos.

Toda Europa, no último fim de ano, por exemplo, diante da maior onda de nevasca, ventos fortes e inundações determinou a maior economia de energia do pós guerra, sendo que só a Espanha reduziu em 49% seus gastos com energia para as luzes de Natal.

Alguns países, por exemplo, alarmados com a burocracia estabelecida pela democracia, estudam a redução do número de municípios e, por consequência, o número de prefeitos, vereadores e burocratas de um modo geral, que se transformariam em inutilidades, caso os cargos persistissem.

No chamado grupo europeu, as dificuldades maiores, no presente momento, passam Grécia, Portugal, Espanha e Irlanda. A Grécia estuda a redução do número de cidades das atuais 1034 para apenas 325. Reduziria, assim, o número de prefeitos, de 6 mil para pouco mais de 2 mil e, por consequência, vereadores e toda burocracia.

Essas medidas draconianas na economia não podem ser dadas num final de ano, para não assustar uma coletividade política muito grande, mas não resta dúvida que 2011 será um ano difícil, não para a Europa, mas para o mundo.

Aqui no Brasil, onde, parece, vivemos no mundo do Lula, onde tudo é formidável, as Câmaras Municipais vão absorver mais 7.716 vereadores, o que quer dizer, atrás desse formidável comboio de oportunistas, que vamos ter, em termos, 12 assessores para cada vereador, ou seja, mais 92.393 novos servidores públicos, por baixo...

Não tem jeito. Senadores, deputados federais, estaduais, prefeitos, vereadores, todos se aumentam da forma mais descontraída e vergonhosa possível, simplesmente porque ninguém tem compromisso com o desenvolvimento nacional.

Quem está se importando que o Brasil seja o maior importador mundial de feijão, arroz, milho, trigo, cebola e alho? Se porventura amanhã ocorrer um problema climático, sério, e os países produtores de trigo, arroz e milho, tiverem problemas de produção, os brasileiros passarão fome. Não temos produção nacional desses alimentos para garantir nosso abastecimento, as necessidades mínimas da sociedade.

Mas somos os maiores empregadores nos serviços públicos, pagamos os melhores salários dos países desenvolvidos aos nossos políticos, embora ostentemos a maior carga tributária do mundo. Será que nossa classe política sabe do que estamos falando?

Vamos ter graves problemas no campo da comercialização com todos os países do mundo, porque todos passaram dificuldades, uns mais, outros menos, mas a economia mundial encolherá tanto que vai nos assustar, porque dependemos seriamente das nossas exportações para poder sobreviver, gastar mais ou menos tudo que conseguimos para gastar com aquisição de remédios, por sermos os maiores dependentes.

Uchôa de Mendonça.