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domingo, 9 de março de 2014

MEXENDO COM FOGO

dilma_rousseff_373 É no mínimo inconcebível o fato de a estrutura do governo ser transformada em comitê de campanha, como faz a presidente Dilma Vana Rousseff com a máquina palaciana. Almejar a reeleição é um direito que a presidente tem – e como tal deve exercê-lo –, mas não se pode confundir os interesses do País com os objetivos de sua campanha política. O Brasil está paralisado há alguns anos, mas para agravar o cenário agora vive uma crise política grave, que coloca a nação mais adiante na rota do descompasso.
Preocupada em não perder o tempo de televisão a que tem direito o PDMB, Dilma tenta sufocar a rebelião que eclodiu no principal partido político da base aliada. A ideia da presidente é isolar o líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (RJ), parlamentar hábil e profundo conhecedor do jogo político. É verdade que Cunha tem seus pontos de vulnerabilidade, os quais poderiam ser atacados pelos palacianos durante eventual reação mais acirrada, mas é preciso lembrar que o líder peemedebista, se cair, o fará atirando até o final.
Quando Eduardo Cunha foi escolhido para liderar o PMDB na Câmara, o ucho.infoalertou para o detalhe de que o governo teria sérios problemas de relacionamento com o partido. E isso está se confirmando sem muito esforço, pois o peemedebista fluminense é dono de currículo político conhecido. Mesmo que sua capacidade de arregimentação seja grande, Eduardo Cunha não está agindo à revelia da cúpula do partido. Na verdade, ele age com o apoio velado dos caciques peemedebistas, que cobram mais e melhores postos no governo para que o partido continua no projeto de reeleição de Dilma Rousseff.
Lula, o lobista que continua dono do governo, vem operando nos bastidores para tentar conter a crise que surgiu entre petistas e peemedebistas, que nos últimos dias têm troca insultos publicamente. A situação começa a escapar do controle do Palácio do Planalto e o PMDB já cogita lançar candidato próprio à Presidência da República, o que atrapalharia os planos do PT. A ideia é lançar o destemperado Roberto Requião, senador e ex-governador do Paraná, como postulante ao cargo. Se isso acontecer, Dilma precisara da barba de Lula para colocá-la de molho, porque com o novo cenário as pesquisas eleitorais divulgadas até então aterrissarão na seara do mero devaneio.
Dilma tem ouvido os conselhos nada sensatos do marqueteiro João Santana e do “companheiro de armas” Franklin Martins, que tem defendido a tese de que batendo incondicionalmente na classe política a presidente há de crescer em meio à opinião pública. A continuar nessa trilha perigosa, Dilma só tem a perder, uma vez que o PMDB é formado por profissionais da política. Em suma, o fogo é alto, a temperatura política está elevada e a fervura da sucessão tende a subir

sábado, 14 de dezembro de 2013

DILMA TOMOU PARTIDO ( Miriam Leitão )

Quando a presidente da República participa de um evento em que se acusa a cúpula do Judiciário de manipulação, e de ter realizado um julgamento de exceção, está enfraquecendo a democracia brasileira. Foi o que a presidente Dilma fez. O que ela não disse explicitamente, o ex-presidente Lula o fez. O que ela demonstrou no 5º Congresso do PT, por ação ou omissão, é grave.
Dilma sabia o que seria a abertura do 5º Congresso do seu partido. Sabia que lá defenderiam os condenados do mensalão. Ao mesmo tempo, como chefe do Poder Executivo, ela não pode participar de um ato em que a Justiça brasileira está sob ataque. O Supremo Tribunal Federal cumpriu todo o devido processo legal. Dilma consentiu — pelo silêncio e pela presença — com as acusações ao Tribunal. Ela é militante do PT e é a candidata. A situação era delicada, mas ela só poderia participar de um evento sóbrio em que não ocorresse o que ocorreu.
O presidente Lula, como é de seu feitio, fez o que disse que não faria e acusou o julgamento de ter sido resultado da “maior campanha de difamação". Dilma pensa que se protegeu atrás de afirmações indiretas como a de que os petistas têm “couro duro" ou o partido está em “momentos difíceis". Pensava que ficara em cima do muro, mas estava tomando partido.
A chefe do executivo de um governo democrático só pode ir para uma reunião de correligionários em que o Poder Judiciário é atacado se for para defendê-lo. Seu silêncio a coloca do lado dos que acusaram o processo de ser de exceção. Ela sabe bem a diferença.
Seus amigos e companheiros José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares, João Paulo Cunha e aliados de outros partidos foram investigados pelo Ministério Público e denunciados. O STF aceitou a denúncia e em sete anos de tramitação do processo deu amplo direito de defesa aos réus e analisa os recursos. Os juízes foram em sua maioria escolhidos por ela ou por seu antecessor. Houve troca de juízes mas não de juízo da maior corte do país. Eles foram considerados culpados.
O julgamento foi feito com base nas leis e na Constituição. Os militantes podem gritar qualquer coisa, mas o grave é a presidente estar ali, consentir pelo silêncio ou por menções indiretas para serem interpretadas pelos militantes como concordância. Enquanto exercer o mandato ela não é apenas a Dilma, ela representa o Poder Executivo.
Dilma pode sentir solidariedade pelos companheiros. É natural. Mas não pode aquiescer, por silêncio ou meias palavras, com os que acusam a Justiça do governo democrático. Ela estar nesse desagravo é um ato com significado institucional.
A democracia passou por várias rupturas ao longo da história republicana. É conquista recente e que pertence ao povo brasileiro. Não pode ser ameaçada por atitudes que solapem a confiança nas instituições, e por interpretações diante das quais a presidente se cala e, portanto, consente.
Dilma tentou manter uma posição ambígua até agora. Mas aquele era um local em que a militância gritaria as palavras de ordem oficiais do partido. Rui Falcão, presidente do PT, disse que os mensaleiros “foram condenados sem provas num processo nitidamente político".
O nada a dizer diante disso, por parte da presidente, diz muito. O Supremo Tribunal Federal se debruçou com abundância de tempo sobre as provas, julgou e condenou. Dilma pode não ter gostado do resultado, pode discordar das penas pessoalmente, mas enquanto exercer o cargo não existe o “pessoalmente” em assuntos institucionais. Militantes podem atacar o Supremo. Mas a presidente da República, não. Sua presença naquele ato é lamentável e enfraquece a democracia
Miriam Leitão

BOMBA! ESCÂNDALO! ABSURDO!!!

Pela primeira vez na história dos EUA, líder do Partido Democrata ataca a Suprema Corte na presença de Obama, que ouve tudo calado; partidários do presidente defendem criminosos presos e acusam os republicanos de serem financiados pelo tráfico de drogas; presente, Clinton incentiva o disparate

Estão espantados com a notícia? Não leram isso em lugar nenhum senão aqui? Estão chocados com o furo mundial que acabo de dar? Acham que os Estados Unidos, desse jeito, caminham para a lata de lixo da história? Entendem que o presidente Barack Obama é mesmo brasa encoberta? Alguém aí acredita que ele é inocente nessa história, que não sabia o que fariam seus correligionários?
Pois é. Nada disso se deu nos Estados Unidos. Algo assim jamais aconteceria na França. Na Alemanha, obviamente, também não. Ou no Japão. Nem no Chile ou no Uruguai, que é governado por Mujica Bolado, algo semelhante seria possível. O escândalo se deu, mudem-se as personagens, foi no Brasil mesmo. Na pátria de Dilma Bolada.
A presidente participou do congresso do PT. Foi recebida aos gritos de “José Dirceu guerreiro do povo brasileiro”. A rima infame foi repetida para José Genoino e Delúbio Soares. Na presença da chefe de Estado, Rui Falcão, presidente do PT, desceu o sarrafo no Supremo Tribunal Federal. E declarou a superioridade do seu partido, deixando claro que representa a exceção moral do país:“Ninguém pode se arvorar no direito de nos dar lição de ética. Ninguém pode se arvorar no direito de nos ensinar qual o verdadeiro sentido da política. Ninguém pode se arvorar no direito de nos ensinar o que significa justiça social. Mas nós, sim, podemos e devemos dar uma lição permanente, a nós mesmos, de renovação, autocrítica e de avanço”.
Os novos professores de ética: José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino.
Um congresso partidário recebe delegados. Não é gente miúda do partido, não. Havia 700 lá. Em coro, começaram a cantar: “Sou brasileiro e não me engano, a cocaína financia os tucanos”. Referiam-se à apreensão de quase meia tonelada de cocaína no helicóptero da família Perrella. O senador Zezé Perrella (PDT-MG) e seu filho, o deputado Gustavo Perrella (SDD-MG), apoiam a candidatura de Aécio Neves à Presidência. A história é enrolada, confusa, com lances absurdos, sim. Mas o que o PSDB tem a ver com isso? Nada! Mais: a Polícia Federal, cujo chefe é José Eduardo Cardozo, já descartou o envolvimento de pai e filho com o crime.
Um mínimo de decência, um mínimo de decoro, um mínimo de responsabilidade obrigariam os comandantes do encontro a desestimular manifestações dessa natureza. Especialmente porque lá estava a presidente da República. Mas quê… Na sua vez de falar, Lula fez rigorosamente o contrário: alimentou a delinquência.
Pressionado pela turma de Dirceu a defender os mensaleiros, o Apedeuta, inicialmente, afirmou que deixaria para falar sobre o assunto depois do fim do julgamento. Mudou de ideia e voltou a uma tese que já havia esboçado outro dia — a de que a imprensa esconde a notícia do helicóptero com cocaína, o que uma mentira deslavada. Afirmou:“Se for comparar os erros do PT com os erros dos outros partidos políticos… Se for comparar o emprego do Zé Dirceu com a quantidade de cocaína no helicóptero, a gente percebe que pelo menos houve uma desproporcionalidade no assunto”.
E a plateia, claro!, voltou a urrar delinquências.
E tudo se dava ali, na presença de Obama!
Obama assistia ao chefe de seu partido vituperar contra a Suprema Corte.
Obama assistia ao chefe de seu partido a defender criminosos.
Obama via Bill Clinton a sugerir intimidade entre os republicanos e o tráfico.
Obama via, em suma, Bill Clinton a atacar a imprensa.
Nessa toada, os EUA ainda acabam rivalizando com o Brasil. Ainda acabarão sendo governados por Dilma Bolada.

Por Reinaldo Azevedo

sábado, 7 de dezembro de 2013

A PRESIDENTE SÓ PENSA NAQUILO!!!


(Jorge Araújo - Folhapress)
(Jorge Araújo – Folhapress)
Caso de polícia – O País está à deriva e com a credibilidade em baixa, a economia cambaleante, os desmandos oficiais surgindo em todos os cantos e a corrupção correndo solta, mas a presidente Dilma Rousseff tem assuntos mais importantes do que governar. Preocupada com o seu projeto de reeleição e flanando nos resultados de pesquisas pouco confiáveis, Dilma só tem espaço na agenda para eventos que rendam algum dividendo político-eleitoral. Do contrário, as mazelas oficiais que fiquem por conta de incompetentes e irresponsáveis que conseguiram arruinar a economia em apenas uma década.
Como se o Brasil não estivesse enfrentando uma enorme dificuldade fiscal no rastro da gastança palaciana, Dilma não se preocupa em economizar, pois é o suado dinheiro do contribuinte que financia as farras de um governo pífio e inoperante que é refém de um partido que mostrou-se ao longo dos anos especialista em banditismo político.
Na quarta-feira (4), os brasileiros davam duro debaixo de um sol subsaariano, quando a “gerentona inoperante” embarcou em um dos aviões presidenciais para cumprir o único compromisso de uma agenda que envergonha até mesmo a inépcia.
Dilma, pasmem caros leitores, saiu de Brasília e voou para São Paulo porque, na condição de marionete de Lula, foi obrigada a engrossar a claque que adulou o lobista de empreiteira na cerimônia em que lhe foi concedido mais um dúbio título de “doutor honoris causa”. O avião da Presidência aterrissou no Aeroporto de Congonhas, de onde a presidente seguiu de helicóptero para São Bernardo do Campo, no Grande ABC, onde ocorreu o evento.
Lula é um farsante ignaro que capitaneou o período mais corrupto da história nacional. Foi com o discurso embusteiro do “eu não sabia” que o petista conseguiu escapar de muitos processos por causa da corrupção que marcou seus dois governos. Maior beneficiário do Mensalão do PT, Lula continua insolente a defender os quadrilheiros que lhe garantiram índices criminosos de aprovação.
Sem conseguir ao menos concluir uma só frase de forma concatenada, Dilma deveria ter bom senso no momento em que escolhe seus compromissos oficiais. Como filiada ao Partido dos Trabalhadores, Dilma pode fazer o que bem entender e ir onde quiser, desde que atividades partidárias não sejam financiadas com o dinheiro dos brasileiros. Essa senhora precisa ser avisada de que sua eleição foi para presidente do Brasil, não dos petistas. E não será a mitomania das pesquisas de opinião a senha para a libertinagem política que grassa no Palácio do Planalto.
Em qualquer país minimamente sério, Dilma Rousseff já estaria sendo processada por uso indevido de aeronave oficial. Acontece que o Brasil tornou-se o paraíso dos corruptos, onde o faz de conta é a cartilha do cotidiano.

Fonte: Ucho.Info

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A VOZ DA OPOSIÇÃO

O Estado de S.Paulo
Desde que produziu o fato mais surpreendente desta temporada pré-eleitoral - ao filiar-se ao PSB depois de ver negado o pedido de registro da Rede Sustentabilidade, pela qual pretendia concorrer ao Planalto -, a ex-senadora Marina Silva passou a dominar o noticiário político. Ela não apenas eclipsou o governador pernambucano, Eduardo Campos, a quem procurou para formar uma "aliança programática" para a sucessão, como ainda ganhou espaço incomum com suas críticas à presidente Dilma Rousseff, a ponto de se tornar subitamente a voz de maior alcance da oposição. Ela diz o que o parceiro não pode dizer, porque até há bem pouco o seu partido fazia parte da coalizão governante. Na divisão do trabalho eleitoral entre eles, é possível que caiba a Marina, a provável companheira de chapa de Eduardo, a tarefa de bater na candidata a novo mandato.
Já não bastasse a aura de pureza que orna a sua imagem, em contraste com a dos costumeiros canastrões do poder, além da lembrança dos quase 20 milhões de votos colhidos em 2010, o seu desempenho na primeira pesquisa depois da migração para o PSB (conforme o Datafolha, Marina só perde para Dilma nos cenários que incluem o seu nome) decerto contribui para que os seus ataques à política propriamente dita, à política econômica e à política ambiental do governo obtenham uma ressonância que o presidenciável tucano Aécio Neves, por exemplo, só pode invejar. Ela não chega a ser propriamente original ao afirmar que "a ansiedade política do governo está fragilizando a economia" ao gerar "alguma negligência". Ou ao apontar a insustentável inflação de ministérios "para manter a base". Ou ainda, ao considerar que, especialmente na área ambiental, "a marca do governo é o retrocesso".
Mas parece haver um certo deslumbramento com os seus comentários, motivado por ser quem é a comentarista - se bem que, justiça se lhe faça, não lhe faltem momentos inspirados. Provocada a reagir à rombuda provocação de Dilma, para quem os seus competidores "têm de estudar muito e ver quais são os problemas do Brasil", Marina lembrou que foi alfabetizada aos 16 anos e valoriza aqueles que se dispõem a estudar, antes de fustigar os que acham que "já não têm mais o que aprender e só conseguem ensinar". Ela também foi feliz ao sugerir que a presidente "cumpriu o papel" de demonstrar que o atual modelo de governança, baseado no toma lá dá cá, "se esgotou, não tem mais para onde ir". Resta saber qual a diferença entre barganhar o apoio de um José Sarney ou um Renan Calheiros e ter entre os seus aliados, como é o caso de Eduardo Campos, um Severino Cavalcanti ou um Inocêncio Oliveira.
O melhor que ela conseguiu dizer a respeito foi que, por sua iniciativa, o governador "está reposicionando os esforços que vinha fazendo" e que, ao aceitar a nova parceria, ele lhe deu o sentido de "ressignificar" essa consciência. Talvez o "marinês" não baste para aplacar os companheiros radicais de Marina, os "sonháticos". Mas esse é problema dela. O problema de Dilma, se a ex-companheira de partido e Gabinete (no governo Lula) se concentrar em atacá-la, ficando com Eduardo a campanha chamada propositiva, será como enfrentar a atribulação com a qual não contava ao comemorar em surdina a decisão da Justiça Eleitoral contra o registro da Rede. Marina é uma adversária peculiar, o que dá às suas palavras, como se viu, um destaque inusitado desde a campanha anterior - e receptividade comparável junto a parcelas influentes do eleitorado metropolitano.
Dilma nem poderá ignorar as suas investidas nem tampouco partir para o revide, muito menos provocá-la. O episódio de Itajubá, a cidade mineira onde estava anteontem, quando se saiu com o rompante de mandar a concorrência estudar muito, pode lhe ensinar algo - se é que ela é capaz de aprender seja lá o que contrarie o seu temperamento belicoso. Isso porque o troco, ao menos o que a imprensa levou a público, não veio nem de Aécio nem de Eduardo. Se eles se manifestaram, ninguém sabe, ninguém viu. O que ficou para a crônica da sucessão foi a ironia de Marina sobre os que pensam que já sabem tudo. E o "retrocesso" com que, implacável, carimbou a gestão da presidente.

A ESCOLINHA DA DOUTORA DILMA


A doutora Dilma entrou pela borda no debate da própria sucessão, mandando um recado às pessoas que pretendem ocupar sua cadeira: “Elas têm que estudar muito.”
É o velho discurso da competência. Quem está no governo desqualifica quem não está sob o argumento do eu-sei-do-que-estou-falando. Foi usado à exaustão para desqualificar um torneiro mecânico monoglota, mal relacionado com a gramática, cuja biblioteca cabia numa mochila escolar. É a ele que a doutora deve a presidência.
Todos os governos prometem coisas que não cumprem ou metem-se em projetos fracassados. Até aí, tudo bem. O que a doutora não precisa é recorrer à desqualificação como a lavanda mistificadora. Se é assim, conviria arrolar dois temas que os candidatos deveriam estudar. Tendo sido insuficiente o estudo da doutora, poderiam desatar os seguintes nós:
1) Trem-bala
Trata-se de um projeto que desde 2007 está debaixo da asa da então chefe do Gabinete Civil. Já torrou R$ 65 milhões em planos, leilões adiados e modelagens arquivadas. A primeira estatal a tratar do projeto foi a Valec. Seu presidente, Doutor Juquinha, deixou o cargo e passou pelo cárcere por conta de outros malfeitos.
2) Enem
Em 2009, quando o ministro da Educação, Fernando Haddad, anunciou a criação de um exame federal que substituiria o vestibular, o coração da iniciativa estava em oferecer aos jovens dois exames anuais. Isso acabaria com uma seleção selvagem que obriga um garoto de 18 anos a jogar um ano de sua vida numa manhã de prova. A cada ano a promessa foi descumprida e renovada, inclusive pela doutora Dilma. Haddad foi ser poste em São Paulo, Lula elegeu-o prefeito e seu substituto, Aloizio Mercadante, disse que prefere fazer creches. Tem até o ano que vem para dizer quantas creches fez e explicar por que dois presidentes da República prometeram algo que não entregaram.
Nos dois casos, a questão é de estudo, mas quem não estudou foi a doutora. No do trem-bala, se tivesse estudado, não teria perfilhado a proposta da Valec, que era uma maluquice em estado puro. O trem-bala sairia do Rio e chegaria a São Paulo sem parar em lugar algum. Já no caso do Enem, deu-se o contrário. Prometeu-se algo factível, mas não se cumpriu por falta de estudo e, sobretudo, de trabalho.
A essa lista de incapacidades poderiam ser somados os leilões das concessões de portos, estradas e aeroportos. Isso para não falar da promiscuidade que resulta no financiamento público da medicina privada. Em todos os casos, paira sobre as nomeações para as agências reguladoras o espírito da porta giratória condenada pelo comissariado quando estava na oposição e estimulada quando chegou ao governo.
Desse jeito, a campanha pela reeleição da doutora pode ter um samba de Ismael Silva como fundo musical:
“Foi tanto bis que eu já não podia atender.
No entretanto, o que a plateia queria
era que eu cantasse, cantasse até aprender.”
Elio Gaspari 

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

LOBISTAS DO PT QUEREM DOAR R$ 1 BILHÃO PARA O DITADOR DO SUDÃO


 Os lobistas do Partido dos Trabalhadores estão pressionando a presidente Dilma a autorizar o BNDES a liberar 1 bilhão de reais para o Sudão, país africano governado por Omar al-Bashir,  ditador facínora, condenado por crime contra a humanidade, fiel aliado dos petistas.  Esta é mais uma distorção do governo brasileiro: ajudar ditadores africanos com dinheiro público,  além de perdoar dívidas e empréstimos humanitários que vão parar no bolso desses déspotas proprietários de mansões luxuosas em Paris.
O jornalista José Casado levantou a lebre. Em matéria publicada no Globo denunciou que a presidente Dilma está perdoando dívidas dos países africanos como Congo-Brazzaville, Gabão, Guine Equatorial e o próprio Sudão que já somam quase 1 bilhão de reais. Esqueceu-se, portanto, de dizer que petistas ilustres têm feito viagens a esses países à bordo de jatinhos de empreiteiras para negociar com os ditadores, normalmente receptivos à distribuição de comissões generosas em paraísos fiscais àqueles que agenciam negócios com o BNDES.
A mais nova investida dos petistas agora é  a liberação 1 bilhão de reais para o governo do Sudão, saco de bondade que vai custar caro ao BNDES. O dinheiro seria usado na construção de uma ferrovia, setor que se encontra à mingua no Brasil, com obras atrasadas e milhares de quilômetros de trilhos sucateados de norte a sul. O recurso seria repassado pelo governo do Sudão para uma empreiteira brasileira, apadrinhada por petistas ilustres, responsável pelas obras.
O Congresso Nacional aliou-se a irresponsabilidade do governo e a toque de caixa perdoa as dívidas na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado sem apreciar nada. Ao tentar estabelecer a ordem na CAE, o senador Pedro Taques (PDT-MT) reconhece a desordem: “A pressa ao pautar essas votações tem levado a situações constrangedora em que a comissão deve deliberar sem o mínimo de informação suficiente”.
Hilariante, porém, é a justificativa do Itamaraty para ajudar os ditadores. Em nota, dizem os itamaratecas: “Não se trata de voluntarismo brasileiro, mas de prática concertada internacionalmente, com objetivos claros de permitir que o peso da dívida não se transforme em impedimento do crescimento econômico e da superação da pobreza”.
Jorge  Oliveira

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

TÃO MENTIROSA QUANTO O ANTECESSOR

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Camisa de força – Não contente em destilar um cipoal de mentiras durante o discurso de abertura da 68ª Assembleia-Geral da ONU, na terça-feira (24), Dilma Rousseff, a gerentona inoperante, protagoniza novo espetáculo de mitomania em Nova York. Nesta quarta-feira (25), falando para uma plateia de empresários, mas que em termos percentuais é composta em maior quantidade por integrante do desgoverno do PT, Dilma dá mostras inequívocas de ser fiel à teoria do nazista Joseph Goebbels, que certa feita disse: “De tanto se repetir uma mentira, ela acaba se transformando em verdade”.
Nazismo à parte, a presidente está cometendo um desvario na mais importante cidade do planeta ao tentar convencer empresários e investidores de que o Brasil é o país de Alice, aquele das fabulosas maravilhas. Como sempre acontece, Dilma aproveitou a oportunidade para incensar o PT e afirmou que “o País começou o ciclo de aceleração na década passada”. Ou seja, além de Messias de camelô, Lula, o lobista-fugitivo, é a versão moderna e tropical do português Pedro Álvares Cabral, pois coube ao petista descobrir o Brasil. Para justificar tamanha sandice, Dilma abordou asquestões de infraestrutura, setor cuja excelência pode ser facilmente conferido nas estradas, portos e aeroportos brasileiros.
Messiânica e mentirosa tal o antecessor, Dilma falou que o governo do PT, a derradeira solução do universo, “reduziu sistematicamente a desigualdade social”. Como boa comunista que é, a presidente conseguiu o que muitos já sabem, que é a socialização da miséria. Como a “bem sucedida política de inclusão social” – as palavras são de Dilma – foi um fracasso, restou aos petistas palacianos reinventarem a classe média. De tal modo, quem mora na favela e recebe R$ 1 mil por mês é integrante dessa utopia social petista chamada classe média.
A proeza do PT foi conseguir arremessar 40 milhões de novos consumidores na classe média, o que foi possível apenas porque essa legião de incautos acreditou nas palavras embusteiras de Lula. Essa massa de obtusos permitiu que o endividamento familiar atingisse níveis inusitados, assim como a inadimplência alcançasse índices preocupantes. Não importa o que as pessoas pensam ou enfrentam, desde que cada uma consiga esconder o carnê vencido atrás da televisão nova que está exposta na sala. Essa é a política burra de inclusão social dos messiânicos petistas, verdadeiros prepostos do Criador no planeta.
Dilma fez questão de exaltar, diante de empresários escaldados com os comunistas, que a classe média brasileira tem 100 milhões de consumidores prontos para comprar. Todas as pesquisas e estudos sobre a economia nacional mostram exatamente o contrário, mas a presidente insiste em mentir de forma acintosa, como se as pessoas não se informassem sobre a realidade do País.
Sobre as recentes e ruidosas manifestações de junho passado, que no cardápio de críticas a paralisia do governo federal mereceu lugar de destaque, Dilma disse que ouviu a voz rouca das ruas e que está respondendo aos manifestantes com ações concretas. Na verdade, até agora só se viu uma promessa atrás da outras, exceto o golpista programa “Mais Médicos”, que estava em gestação desde março passado e que servirá para o Palácio do Planalto mandar um dinheiro extra para o sanguinário ditador Fidel Castro, e seu estafeta de plantão e não menos covarde Raúl Castro, que por fraternidade comunga na gênese da tirania.
Dilma é tão irresponsável, que disse aos espectadores do seu mitômano espetáculo que os manifestantes que foram às ruas de diversas cidades brasileiras “não pediram a volta ao passado, mas pediram mais avanço”. Primeiro é preciso lembrar que na última década o Brasil retrocedeu de maneira assustadora, situação que exigirá dos cidadãos de bem pelo menos cinco décadas de esforço contínuo para ser consertada.
Em segundo lugar não se deve desconsiderar a possibilidade de Dilma Rousseff estar sendo diuturnamente enganada por sua assessoria, ou, então, ela finge que não enxerga o óbvio, que não deixa de ser preocupante. Nas redes sociais é cada vez maior o número de pessoas que pedem o retorno dos militares. De igual modo cresce o contingente de brasileiros que não apenas aprovam a suposta espionagem norte-americana, como sonham com algum tipo de incursão da Casa Branca para livrá-los do caos.
Como sabem os leitores, o ucho.info e seus jornalistas defendem a democracia em todas as instâncias, apesar das mazelas inerentes, mas não se pode ignorar a realidade. O Brasil vive uma crise econômica grave, que Dilma e seus assessores insistem em creditar ao cenário internacional, além de uma crescente lufada de credibilidade, o que tem espantado eventuais investidores. Diante de um amontoado de inseguranças jurídicas e do intervencionismo cada vez maior de um governo populista e dado às tiranias, nem mesmo um descompensado do raciocínio é capaz de tirar um vintém do bolso.
O ápice do espetáculo circense ancorado por Dilma ficou por conta do momento em que o ministro da Educação, o irrevogável Aloizio Mercadante, foi incensado pela chefe do governo brasileiro. Disse Dilma, ao falar sobre mão de obra, que o País agora forma mais engenheiros do que advogados. E a presidente lembrou uma declaração de Mercadante, que certa vez disse que “advogado é custo e engenheiro é produtividade”.
Acreditar em um governo que tem à frente da pasta da Educação alguém que inaugurou o “autoplágio” é sinal de irresponsabilidade desmedida. Ademais, se a fala de Aloizio Mercadante, um político conhecidamente arrogante e incompetente, tem suas nesgas de profecia, a realidade brasileira mostra o contrário, pois os tribunais estão com processo saindo pela janela, enquanto as obras estão cada vez mais atrasadas.
Com Dilma Rousseff na presidência, disparando sandices nos quatro cantos do mundo, a única coisa a se lamentar é que ser brasileiro é um vexame descomunal. Pena que apátridas são obras de ficção.
Fonte: Ucho.Info

terça-feira, 10 de setembro de 2013

DILMA APRENDEU BEM A LIÇÃO, MENTE, MENTE, MENTE...

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Face lenhosa – No Palácio do Planalto mentir e abusar da desfaçatez é ordem primeira. Não importa se uma parcela da população conheça a verdade, pois a prioridade é ludibriar a opinião pública com discursos que se anulam mutuamente.
Nesta segunda-feira (9), durante cerimônia no Palácio do Planalto para sancionar a lei que destina 75% dos royalties do petróleo para a educação e 25% para a saúde, a presidenteDilma Vana Rousseff acionou o estoque de mitomania palaciana e agradeceu à “sensibilidade” dos congressistas, que modificaram o projeto do governo.
“Ao Congresso, devemos reconhecimento pela sensibilidade social e pela visão estratégica ao incluir a parcela dos recursos também para investimentos em saúde”, declarou a presidente. “É indiscutível a relevância dessa decisão, e vai ao encontro de uma das maiores preocupações da nossa sociedade, que é oferta de serviços de qualidade para todos”, declarou Dilma.
A presidente por certo já não se recorda que quando o Congresso ameaçou colocar a matéria na pauta de votação o Palácio do Planalto despachou sua tropa de choque ao parlamento. Lá atuaram, em conjunto com os líderes do governo na Câmara dos Deputados e no Senado, as ministras Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil), na tentativa de postergar ao máximo a votação da matéria.
Além disso, a proposta do governo era destinar parte dos rendimentos dos royalties do petróleo, não diretamente o valor arrecadado pelo Estado com a cobrança da taxa das empresas que exploram o produto.
É importante destacar que a proposta aprovada no Congresso Nacional é de autoria do deputado federal André Figueiredo (PDT-CE). Para que o leitor compreenda a extensão da farsa palaciana, por ocasião da votação da matéria na Câmara o líder do PPS na Casa, deputado federal Rubens Bueno (PR) não economizou palavras para criticar o governo. “Nós tivemos que enfrentar o governo, derrotar o governo, assim como na votação do orçamento impositivo, que aprovamos ontem. As prioridades da educação e saúde também serão atendidas pelo orçamento impositivo e esta Casa está ensinando esse governo do PT a governar, a ter uma gestão decente e aplicardinheiro em saúde e educação”, disse o parlamentar.
E Bueno completou: “O governo não quer mais recursos para a saúde e a educação. Tudo que o governo fala, é mera propaganda. Se o quisesse já teria colocado há muito tempo. É puro discurso. Quero mostrar aqui como funciona. Os recursos para investimento em educação entre 2004 e 2013, autorizados pela Lei Orçamentária, foi de R$ 66 bilhões e R$ 510 milhões. O que foi efetivamente pago nesse período foi R$ 14 bilhões e R$ 800 milhões. Então, no período do governo do PT, que só sabe fazer propaganda, o percentual gasto foi de apenas 22,5%”.
Na área da saúde, a situação não é diferente. Com um cartaz na mão, o líder do PPS destacou na ocasião que, no mesmo período (2004-2013), o investimento aprovado para a saúde era de R$ 55,35 bilhões. No entanto, o governo pagou apenas R$ 5,5 bilhões. Apenas 9,95% do previsto no Orçamento. “Esse é o governo do PT, que quer educação e saúde para o povo brasileiro. Chega de enganação”, criticou o parlamentar.
Fonte: Ucho.Info

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

LOS PROTESTAS DESTRUYEN LA CONFIANZA EN LAS INSTITUCIONES BRASILEÑAS



Protestas este lunes en Brasilia. / FERNANDO BIZERRA (EFE)l

Por primera vez, y a causa de las protestas en la calle, las 18 instituciones más importantes de Brasil, desde la Presidencia de la República hasta los bomberos, han perdido la confianza de los ciudadanos. Ninguna de ellas se ha salvado de la quema, según el sondeo del Instituto Brasileño de Opinión Pública y Estadística (Ibope), un órgano privado que cada año mide el índice de Confianza Social.
“Se trata de una crisis generalizada de credibilidad que refleja el momento que vive el país con las protestas en la calle”, afirma Marcia Cavallari, de Ibope.
Entre las 18 instituciones que han perdido credibilidad, la más castigada ha sido la Presidencia de la República, que ha perdido tres veces más que el resto. De la cuarta posición del año pasado ha pasado a la undécima. En 2010, con Lula da Silva, era la tercera institución con mayor índice de confianza después de la Iglesia y los bomberos.
Este año, ninguna de las grandes instituciones se ha salvado, ni siquiera la Iglesia, los bomberos y los medios de comunicación, que solían ser las tres más valoradas por la opinión pública. Las tres han perdido también una parte de la confianza que la sociedad depositaba en ellas.
La desconfianza en la Presidencia ha bajado en todas las regiones del país, incluso en el noreste pobre, donde la presidenta Dilma Rousseff siempre tuvo altos índices de aprobación. Esta vez incluso allí la confianza en ella bajó de un 68% a un 54%. En el sureste más rico la caída fue de un 60% a un 34%.
En los dos furgones de cola de las 18 instituciones examinadas por el sondeo nacional de Ibope figuran el Parlamento y el Congreso que, junto con la Presidencia, son las dos instituciones que más ha caído en el índice de confianza ciudadana.
Entre los problemas apuntados por las protestas de la calle, la sanidad es el más criticado por los ciudadanos. Incluso la confianza ciudadana en la Justicia, que había crecido con motivo del proceso del mensalão en el Supremo, se ha desplomado, quizás porque al año de aquel proceso en el que 25 políticos, banqueros y empresarios fueron condenados de 10 a 40 años de cárcel, todos ellos siguen en libertad. El proceso recomenzará el próximo día 14 para analizar los últimos recursos de los abogados de los reos, antes de proceder a la detención de los mismos.
El resultado negativo del Ibope en relación a las instituciones se da a conocer a once meses del Mundial de Futbol, que se anuncia objeto de nuevas protestas callejeras, y a poco más de un año de las elecciones presidenciales en las que el Partido de los Trabajadores (PT), que gobierna desde hace diez años el país, se juega su permanencia o no en el poder.
Fonte: El País

sexta-feira, 26 de julho de 2013

PRECIPÍCIO POLÍTICO













A queda na popularidade da presidente Dilma Rousseff já é uma certeza, não mais uma tendência. Essa é a avaliação do deputado federal Sérgio Guerra (PE) sobre a pesquisa Ibope divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) na quinta-feira (25). O levantamento mostra que a aprovação do governo caiu 24 pontos percentuais, passando de 55% para 31% entre junho e julho. Na avaliação do ex-presidente do PSDB, a população está mais consciente em relação aos desmandos da gestão petista.
“Isso tem a ver com o fato de que a população descobriu que a propaganda não confere com a realidade. O resultado da pesquisa reflete um movimento de repúdio em relação à situação real da do povo brasileiro”, adverte o deputado.
Para o tucano, o País passa por uma crise e “seguramente o governo está no centro dela”. Enquanto o percentual dos que consideram o governo bom ou ótimo caiu para 31%, os que o avaliam como “regular” chegou aos 37% e a categoria “ruim ou péssimo” atingiu 31%.
A avaliação pessoal de Dilma também não é das melhores. A petista, que já bateu recorde de popularidade, amarga uma queda de 71% para 45%. O índice de quem a desaprova subiu de 25% para 49%.
“A sociedade tem mais clareza das responsabilidades dos governos, especialmente do governo federal. O povo teve um choque de realidade com os movimentos das ruas”, disse o parlamentar, em referência à onda de protestos ocorrida em junho.
A pesquisa Ibope confirmou o que já vinha sendo demonstrado nos últimos levantamentos. Pesquisa Datafolha divulgada em 29 de junho, por exemplo, registrou queda na popularidade da presidente Dilma de 57% para 30% em três semanas. Segundo o instituto, trata-se da maior queda de aprovação de um presidente aferida pelo Datafolha desde Fernando Collor, em 1990. “Isso para mim não é apenas uma tendência, mas sim uma confirmação da opinião pública”, concluiu Sérgio Guerra.

Fonte: Ucho.Info

segunda-feira, 22 de julho de 2013

A VOZ DAS RUAS E OS RUMOS DE 2014


Em carta enviada à direção nacional do PT, reunida no sábado, a presidente Dilma afirma ter ouvido, “desde o início”, a voz das ruas. Mas não é isso que pensa o cidadão, a julgar pelas últimas pesquisas.

Os números apontaram queda na popularidade da petista. E isso indica que ela reagiu mal ao movimento que foi para as ruas do país, cometeu erros em série e se tornou um dos principais alvos da insatisfação popular.

Na última pesquisa do Ibope, Dilma registrou a maior rejeição. O índice mais que dobrou em quatro meses: era de 20% em março, e agora 43% dizem que não votariam nela. É o maior percentual entre os cinco candidatos testados na pesquisa (Marina Silva, Aécio, Neves, Eduardo Campos e Joaquim Barbosa, além de Dilma).

Outros números são desfavoráveis à presidente, embora ela ainda lidere a corrida eleitoral e tenha o governo aprovado por 55% (a aprovação era de 63% em março).

Em paralelo, Marina foi quem mais aproveitou a queda livre dos índices de Dilma. O potencial de voto dela subiu de 40% para 50%. A ex-ministra também empata com Dilma nas simulações de segundo turno (Dilma marcou 35%, para 34% de Marina).

Até aqui, os resultados confirmam a leitura de alguns observadores da política, de que as manifestações de junho mudaram a lógica eleitoral. A insatisfação demonstrada nas ruas indica que o eleitor tende a ser mais crítico em 2014. Mas não apenas isso.

A tendência por ora parece ser a do voto mais crítico, na oposição e naqueles que não são políticos, ou contra todos identificados com o sistema atual. Isso ajuda a explicar por que Marina vem capitalizando intenções de voto com a rejeição a Dilma.

A ex-senadora tenta criar um partido que, no conceito, se propõe a oferecer uma renovação ao sistema político atual, anacrônico e claramente repudiado pelo eleitor. E ela própria não parece ser vista pelos cidadãos como alguém da política.

Aliás, o momento se mostra ruim para todos com mandato, mesmo aqueles de viés mais progressista e sem histórico de corrupção e desvios. Por isso é que, para algumas lideranças, as manifestações de junho trouxeram um “mundo novo” no país, que abre espaço para a renovação na política e para o surgimento de “terceiras vias”.

Mas o outro lado dessa rejeição aos políticos e ao poder é que isso também pode levar ao messianismo e ao despontar de figuras de perfil conservador e discurso fácil, mas convincentes para setores do eleitorado.


Fonte: Praça Oito - A Gazeta