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sábado, 7 de dezembro de 2013

CARTEL DOS TRENS, POR QUE O PSDB COBRA A INVESTIGAÇÃO?

O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) e segundo homem mais importante no PT elogiou a cobertura que o Estadão vem fazendo do “cartel de trens” em São Paulo. E ainda deu pito no resto da imprensa. Quer o jornal como um modelo a ser seguido. Atende a seus critérios rigorosos do que seja bom jornalismo. Entendo.
Acabo de ler no Estadão Online a seguinte notícia. Segue em vermelho. Prestem bastante atenção. Volto depois:
O PSDB pedirá ao Ministério Público Federal investigação sobre suspeitas de formação de cartel no consórcio entre as empresas Alstom e CAF para fornecimento de trens para os metrôs de Belo Horizonte e Porto Alegre. Na capital gaúcha, o consórcio FrotaPoA venceu o leilão pelo valor de R$ 243,8 milhões. Em Minas, o FrotaBH, também formado por essas empresas, ganhou a licitação por R$ 171,9 milhões.
As licitações das quais participaram o FrotaPoA e o FrotaBH foram feitas por empresas mistas, ligadas ao Ministério das Cidades. A concorrência para o metrô de Belo Horizonte foi aberta pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), do governo federal. Já na capital gaúcha, a licitação ficou a cargo da Trensurb, também ligada ao governo federal. A Alstom e a CAF são investigadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público pois foram citadas no acordo de leniência feito pela Siemens com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em maio. Todas elas também são acusadas de formação de cartel no setor de trens e metrô paulista.
Voltei
E é tudo. Pergunto:
1: você entendeu alguma coisa até aqui, leitor amigo?;
2: por que, afinal, o PSDB cobra a investigação?;
3: notem que se fala em cartel com empresas federais, mas o texto termina com uma referência ao metrô… paulista.
Ficou curioso?
Ficou curioso, leitor? Quer saber por que o PSDB está pedindo a investigação? Já contei aqui, mas conto de novo. Abro com uma imagem:
Então… Um mesmo consórcio, formado pela Alstom e pela CAF, venceu a licitação para a fornecimento de trens para o metrô de Belo Horizonte, comandado pela estatal federal CBTU, e para o metrô de Porto Alegre, comandado por outra estatal federal, a Trensurb. No da capital gaúcha, a Alstom ficou com 90% do contrato, e a CAF, com 10%. No da capital mineira, foi o contrário. Em ambos os casos, o consórcio formado pelas duas empresas não teve concorrentes: foi o único a se apresentar.
Outra curiosidade: apenas 13 dias separam o comunicado da comissão de licitação de Belo Horizonte do anúncio da assinatura de contrato em Porto Alegre, conforme se pode ver abaixo.
Imagem lá do altoE a imagem lá do alto? É a presidente Dilma assinando pessoalmente a ordem de serviço para a compra dos trens de Porto Alegre, a tal licitação de um consórcio só.
O Cade, como se supõe, não vê nada de estranho.
Em maio, a CPTM, empresa de trens urbanos do Estado de São Paulo, cancelou uma licitação porque compareceu apenas um consórcio para fornecer trens. Já a estatal federal Trensurb, que responde pelo metrô de Porto Alegre, não teve esse problema. E vejam que coisa bonita! A estatal federal — cuja chefe, então, em último caso, é mesmo a presidente Dilma Rousseff — ainda se orgulha do feito. Tanto é assim que, em sua página na Internet, exalta o feito, como revela a imagem abaixo.
Também a Alstom, em seu site, comemora o feito.
A CBTU também glorifica a si mesma.
EncerroNããão! É claro que não estou aqui a acusar irregularidades. Não sei de nada. O que sei é que, em São Paulo, ao se apresentar um único consórcio para a compra de trens, a licitação foi cancelada. As duas estatais federais, a Trensurb e a CBTU, não veem mal nenhum nisso. Celebram contratos, respectivamente, de R$ 243,75 milhões e R$ 171,9 milhões com o mesmo consórcio, que não teve de concorrer com ninguém. Como existe uma espécie de fraternidade universal entre essas empresas, no primeiro, uma fica com 90%, e a outra, com 10%; no segundo, invertem-se as porcentagens.
Mas por favor, leitores! Façam como o Cade de José Eduardo Cardozo, o garboso da Justiça: não suspeitem jamais de que isso possa ser cartel. Como se vê, o governo de São Paulo precisa aprender com o governo federal, do PT, como é que se estimulam a concorrência e o preço mais baixo…
Por Reinaldo Azevedo

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

GOLPE BAIXO















Golpe baixo – Advogado que é, o ministro José Eduardo Martins Cardozo, da Justiça, está colocando a perder a reputação da escola onde estudou Direito, se é que o fez com o devido afinco. Que políticos são tendenciosos todos sabem, mas Cardozo abusa da leviandade ao defender a atuação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no caso do Metrô de São Paulo, que por enquanto está na fase investigatória. E sob investigação está a possível formação de cartel, não um eventual superfaturamento.
Tomar como certo e definitivo o depoimento do presidente da Siemens, que isoladamente afirma que o governo paulista concordou com a formação de cartel, prova que o Palácio do Planalto age de forma irresponsável, apenas e tão somente para salvar o combalido Partido dos Trabalhadores, que caiu na areia movediça da própria incompetência.
O PT transformou o governo federal em instrumento partidário e com ele faz o que bem entende, não importando o que determina a legislação. Sob a presidência deVinícius Marques de Carvalho, sobrinho do secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, o Cade tem vazado para a imprensa, de forma seletiva e sistemática, assuntos relacionados ao caso que ainda estão sendo investigados.
O PT enfrenta uma grave e profunda crise política, turbinada pela crise econômica, o que explica esse jogo rasteiro e imundo, preâmbulo do plano de tomar de assalto o governo do mais importante estado brasileiro, São Paulo. O objetivo dessas ações criminosas, previamente estudadas, é fazer com que o PSDB, principal adversário político da quadrilha em se transformou o PT, caia em desgraça junto à opinião pública.
Se a Polícia Federal chegar à conclusão de que houve formação de cartel, o máximo que se pode afirmar é que o estado de São Paulo é vítima. Porém, caso a PF prove que existiu superfaturamento, que os culpados sejam punidos com o rigor da lei, sem qualquer privilégio a qualquer dos responsáveis. Até lá, o vazamento de informações sobre o caso é banditismo político.
A estratégia petista é tão sórdida e desleal, que os tucanos de São Paulo já são considerados culpados em um caso que ainda está sob investigação, enquanto os mensaleiros são inocentes, mesmo depois de condenados pelo Supremo Tribunal Federal.
Parcialidade quadrilheira
Não é novidade o conjunto de armações com a chancela do PT para derrubar adversários políticos. O caso da investigação do Metrô de São Paulo, que passa pelo de Brasília apenas para dar um ar de veracidade ao jogo imundo, pode ser lançado ao vento como sendo a maior de todas as verdades, ao passo que o escândalo envolvendo Carlinhos Cachoeira e Fernando Cavendish, dono da Delta Construção, foi devidamente abafado para poupar Lula e Dilma de um escândalo sem precedentes.
Essa falsa retidão que move o PT, até então ignorada pela população por causa da pirotecnia palaciana, faz com que o Brasil avance diariamente na direção de uma ditadura comunista disfarçada, nos moldes da existente na Venezuela e que levou o vizinho país à decadência, a ponto de enfrentar um apagão de papel higiênico.
É preciso que os brasileiros fiquem atentos, pois casos como o do Metrô paulistano deve surgir aos montes até as eleições de 2014, até porque é a única saída que o PT encontrou para escapar de uma crise corrosiva que não dá trégua à legenda um só segundo.
Obsessão por superfaturamento
Encontrar o que não existe tornou-se uma das expertises do Partido dos Trabalhadores, somente quando na alça de mira estão os adversários. Então deputado federal pelo PT paulista, José Eduardo Martins Cardozo (atual ministro da Justiça) assumiu, em 2005, a sub-relatoria de contratos da CPMI dos Correios, que investigou o Mensalão.
À época, cumprindo ordens superiores para identificar em meio aos documentos eventuais escândalos que pudessem livrar o PT do furacão, Cardozo decidiu criar caso com os contratos entre as empresas aéreas de carga e os Correios.
Sem se valer da capacidade interpretativa de qualquer advogado minimamente competente, José Eduardo Cardozo insistiu na tese de que os aviões que transportavam a carga dos Correios deveriam ser remunerados pelo peso transportado. Uma visão propositalmente obtusa, pois uma aeronave fica à disposição dos Correios o tempo todo, sem poder carregar nenhuma mercadoria alheia à empresa. Ou seja, não importa se a aeronave, a mando dos Correios, carrega dois parafusos ou um trator, pois o valor cobrado pelo transporte será idêntico. Para que fique mais claro e compreensível, é o mesmo que contratar uma festa para mil pessoas e ao final querer pagar menos do que o combinado porque apenas cem convidados compareceram.
Isonomia deveria prevalecer
Quando o assunto é corrupção ou qualquer outro delito correlato, a postura do Estado deve ser firme e única, independentemente do partido ou corrente ideológica do investigado. Não importa se PT ou PSDB, ou qualquer das muitas legendas existentes no País, ninguém pode ficar impune ou ser condenado por causa de interesses escusos de governantes.
No Brasil atual, a grande questão é que petistas quando flagrados em alguma transgressão acionam a cantilena do golpe das elites, como se os próprios não fossem elitistas com todas as letras. No contraponto, quando um adversário é acusado de alguma irregularidade, o mundo desaba para favorecer o PT, partido que está anos-luz da possibilidade de ser um amontoado de monges.
Encarando a verdade
Os políticos brasileiros precisam deixar de lado o falso moralismo e a hipocrisia, porque os custos de qualquer campanha eleitoral superam o bom senso e remetem a inevitáveis casos de corrupção. E não há na política nacional quem desconheça essa realidade.
Uma campanha presidencial com chance de vitória não sai por menos de US$ 400 milhões, que equivale a R$ 900 milhões. Ninguém despeja uma fortuna dessas em qualquer campanha por patriotismo ou caridade. Quem o faz exigirá, em algum momento, a devida contrapartida, que muitas vezes torna-se viável por meio do superfaturamento.
Há alguns mais afoitos e endinheirados que embarcam em duas campanhas, sempre as mais importantes e com chances de vitória. Não importa quem vença, a contrapartida a ser paga mais adiante será dobrada para compensar o dinheiro investido na campanha derrotada
Fonte: Ucho.Info