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sábado, 10 de agosto de 2013

CHAMEM O CAMBURÃO













 A cada novo dia que surge fica mais evidente a intenção do PT de usar politicamente o caso de eventual cartel nas licitações do metrô e trens de São Paulo. A conduta do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) é tão transgressora, que não há como negar que o objetivo é deixar o caminho livre para que o Partido dos Trabalhadores tome de assalto o mais importante e rico estado da federação. Ao mesmo tempo, o banditismo político protagonizado comumente protagonizado pelo partido também busca neutralizar eventuais adversários de Dilma Rousseff em seu projeto de reeleição.
Não se trata de defender a não investigação do caso envolvendo a empresa alemã Siemens e que tem todos os ingredientes para se transformar em escândalo, mas é preciso que a apuração dos fatos siga o que determina a legislação e não seja uma ferramenta política covarde nas mãos de um partido que a história recente já provou que, na condição de quadrilha, é um inequívoco caso de polícia. Longe de ser uma reserva moral, o PT não tem credenciais para conduzir uma investigação sobre corrupção. Insistir nessa tese é o mesmo que colocar o traficante Fernandinho Beira-Mar como dirigente de uma clínica de recuperação de drogados.
Assim como acontece quando se aproximam eleições, o PT aciona sua usina de maldades na tentativa de derrotar os adversários e se perpetuar no poder, pois um revés nas urnas varreria o partido da história nacional. O brasileiro não pode aceitar essa manipulação criminosa dos fatos, algo que o PT faz com destreza de fazer inveja aos pistoleiros do cinema, porque a cada novo capítulo desse embate entre petistas e tucanos a democracia e a cidadania sofrem uma dolorosa apunhalada.
Quando o ex-presidente e lobista-fugitivo Lula lançou com muita antecipação a disputa presidencial de 2014, o ucho.info alertou os adversários do PT, em especial o PSDB, para o jogo sujo e rasteiro que viria pela frente. Não se trata de fazer uso de bola de cristal, mas, sim, de conhecer o modus operandi de bandoleiros políticos que usam o mandato eletivo como senha para o vale tudo, começando pela falsa sensação de impunidade.
Há muito que o Brasil precisa ser passado a limpo, independentemente de quem sejam os prejudicados com a atrasada assepsia, mas em nenhum momento esse movimento pode abrir flancos para criminosos instalados no poder transformem o País em um faroeste particular, onde a troca de acusações serve para que cada atirador proteja seus respectivos interesses.
Mesmo com o vexatório espetáculo que se desdobra a cada segundo, o PT defende uma urgente reforma política que valha inclusive nas eleições do próximo ano. Nem mesmo um inocente em último grau é capaz de acreditar nesse truque mambembe que ostenta o carimbo chicaneiro do PT. Os brasileiros precisam novamente sair do sofá da sala, ganhar as ruas do País e de maneira ininterrupta exigir mudanças. Do contrário, o Brasil está fadado a se transformar em uma versão agigantada da decadente e totalitária Venezuela
Fonte: Ucho.Info

ENGANOS DIÁRIOS



A bancada do PT elaborou uma "Minirreforma", dando razão ao "nada é tão ruim que não possa piorar"


Para os brasileiros, viver desenganos é ainda mais comum do que dizer “isso é um absurdo”. Após a esperança percorrer as ruas, o país voltou ao berço esplêndido em que teve uma curta insônia. E assim reestreia nosso choque de realidade, com requintes de desenganos diários.

Nos transportes, engana-se quem pensa que político não usa transporte público. Em São Paulo, o PSDB prova o contrário: Alckmin e Serra garantem que usaram os trens e metrôs num esquema de cartel que ultrapassa R$ 500 milhões em fraudes. Em sua defesa, Geraldão disse que “o Estado é vítima”. Agora só falta dizer que “não sabia de nada”.

Falando em gente que não sabe nada, o PT agora se levanta como paladino da ética. Engana-se, porém, quem crê em suas boas intenções. Na verdade, engana-se quem crê na honestidade dos partidos que se acusam mutuamente. Tanto o bico rachado dos tucanos quanto a estrela sem brilho dos petistas carregam sobre si um telhado de vidro mais frágil que vitrine em dia de manifestação.

Sobre as manifestações, engana-se quem acredita que a ocupação da Assembleia mudou a política capixaba. Ontem mesmo o Legislativo firmou o contrato para os 31 novos carros, de no mínimo 135 cavalos, que levarão os deputados para o “trabalho”. Isso um mês após o governo quase decretar falência diante do risco da multa do pedágio.

Engana-se quem espera melhor investimento do dinheiro público. Em 2012, Cariacica teve o maior aumento nos gastos com vereadores e o menor investimento em saúde do Estado. A prefeitura diz que contratará 700 médicos. Resta saber se os doutores conseguirão passar pelos corredores repletos de pacientes que esperam até 9 horas por atendimento.

Mais além, engana-se quem aposta na reforma política. Após as desastrosas iniciativas da presidenta inteligenta, a bancada do PT elaborou uma “Minirreforma”, dando razão ao “nada é tão ruim que não possa piorar”.

A ideia de Cândido Vaccarezza (PT-SP) cria, por exemplo, a possibilidade de um candidato declarar seus gastos como “não passíveis de comprovação” e, assim, não precisar apresentar documento algum. Além disso, diminui em até 10 vezes a multa para empresas que doarem verba de campanha acima do limite legal.

Segundo Vacarreza, isso tornará as eleições mais “democráticas e transparentes”. Na nova regra ortográfica, o termo “Minirreforma” perdeu o hífen. Diante da declaração do deputado, estudiosos pesquisam se o sentido de “democráticas e transparentes” também foi transformado.

Enganam-se, ainda, os que acham que os preceitos cristãos são integralmente vividos por alguns maus pastores. Se depender de Silas Malafaia, terceiro pastor mais rico do país, o mandamento “Não roubará” deve ser substituído por “Não denunciará”. Segundo MalaCheia, quem denuncia religiosos corruptos são “idiotas e imbecis travestidos de crentes”. Silas aconselha: “Teu pastor é ladrão? Não está gostando? Sai e vai pra outra igreja”.

Já o padre Pedro Camilo, de Vila Velha, acha normal o papa ter um carro simples e ele um de luxo, de quase R$ 100 mil. Curioso, também, é que enquanto Francisco combate as incoerências da igreja, a Arquidiocese de Vitória deixa um cheiro de pizza eclesiástica no ar. Mas a Bíblia não deixou passar: justamente na data em que o padre renunciou sua paróquia, o Evangelho do dia ensinou: “Vaidade, tudo é vaidade”.

Por fim, engana-se, principalmente, quem diz que “o país não tem jeito”. Como destacou Amarildo, para termos hospitais e escolas no “padrão Fifa”, precisamos de eleitores no “padrão Fifa”. E não é porque muitos cometem erros que tais faltas tornam-se aceitáveis. Como escreveu o poeta francês Anatole France, “Se cinquenta milhões de pessoas dizem uma grande besteira, continua sendo uma grande besteira”.

Nossos choques de realidade são diários e o erro parece ser a regra ausente de exceções. A verdade, porém, vem nas palavras do escritor americano Claude McDonald: “Algumas vezes uma maioria simplesmente significa que os tolos estão do mesmo lado”. Engana-se quem pensa o contrário.

Gabriel Tebaldi, 19 anos, é estudante de História da Ufes

Fonte: A Gazeta

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

PAU QUE DÁ EM CHICO DÁ EM FRANCISCO


Agora vai? – Não importa qual seja o resultado que surja no caso do cartel liderado pela Siemens ara participar das licitações do metrô de São Paulo, mas a oposição precisa reagir à altura para que o Partido dos Trabalhadores não se transforme em reserva moral do País, na esteira de um jogo sujo e covarde.
O Brasil, que assiste a mais um espetáculo pífio protagonizado pela política nacional, não pode se tornar refém eterno de um partido que já exibiu sua vocação para o banditismo. Status confirmado não apenas por fatos da história recente, mas por decisões judiciais.
Ministro da Justiça, o advogado petista José Eduardo Martins Cardozo tem tratado com deboche a atuação criminosa do Cade, comandado pelo “companheiro” Vinícius Duarte de Carvalho (sobrinho de Gilberto Carvalho), que tem vazado sistematicamente e de forma seletiva informações sigilosas sobre a investigação, enquanto ao governo de São Paulo é negado o acesso aos documentos. O que comprova o uso político do imbróglio.
Como se não bastasse a investigação tendenciosa do Cade, o PT quer criar no Congresso Nacional uma CPI para investigar o caso do suposto cartel liderado pela Siemens. A chance de a iniciativa petista prosperar existe e não deve ser desconsiderada, mas faltando pouco mais de um ano para as eleições será difícil conseguir o apoio de todos os partidos da chamada base aliada.
Senador pelo PT gaúcho, Paulo Paim, que abandonou a atuação contestadora do passado, disse, em tom moderado, que toda denúncia deve ser investigada. Essa deveria ser a tônica diante de qualquer escândalo envolvendo políticos e agentes públicos, não importando a bandeira partidária ou ideológica dos acusados.
Considerando que a tese de Paim é plenamente válida, a oposição deveria propor a criação de CPIs para investigar casos como o Rosegate, assunto que faz Lula tremer só de pensar, a compra da obsoleta e superfaturada da refinaria de Pasadena (Texas) pela Petrobras, ou, então, o contrabando de nióbio a partir das jazidas brasileiras localizadas na região Norte, operação ilegal e criminosa que acontece com a aquiescência do Partido dos Trabalhadores.
No caso do cobiçado mineral, basta a oposição infiltrar alguém nessa operação criminosa, sabendo que será preciso chegar até e combalida Venezuela para fechar a investigação, até porque alguns portos venezuelanos servem de escoadouro para o nióbio roubado dos brasileiros.

Fonte: Ucho.Info

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

GOLPE BAIXO















Golpe baixo – Advogado que é, o ministro José Eduardo Martins Cardozo, da Justiça, está colocando a perder a reputação da escola onde estudou Direito, se é que o fez com o devido afinco. Que políticos são tendenciosos todos sabem, mas Cardozo abusa da leviandade ao defender a atuação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no caso do Metrô de São Paulo, que por enquanto está na fase investigatória. E sob investigação está a possível formação de cartel, não um eventual superfaturamento.
Tomar como certo e definitivo o depoimento do presidente da Siemens, que isoladamente afirma que o governo paulista concordou com a formação de cartel, prova que o Palácio do Planalto age de forma irresponsável, apenas e tão somente para salvar o combalido Partido dos Trabalhadores, que caiu na areia movediça da própria incompetência.
O PT transformou o governo federal em instrumento partidário e com ele faz o que bem entende, não importando o que determina a legislação. Sob a presidência deVinícius Marques de Carvalho, sobrinho do secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, o Cade tem vazado para a imprensa, de forma seletiva e sistemática, assuntos relacionados ao caso que ainda estão sendo investigados.
O PT enfrenta uma grave e profunda crise política, turbinada pela crise econômica, o que explica esse jogo rasteiro e imundo, preâmbulo do plano de tomar de assalto o governo do mais importante estado brasileiro, São Paulo. O objetivo dessas ações criminosas, previamente estudadas, é fazer com que o PSDB, principal adversário político da quadrilha em se transformou o PT, caia em desgraça junto à opinião pública.
Se a Polícia Federal chegar à conclusão de que houve formação de cartel, o máximo que se pode afirmar é que o estado de São Paulo é vítima. Porém, caso a PF prove que existiu superfaturamento, que os culpados sejam punidos com o rigor da lei, sem qualquer privilégio a qualquer dos responsáveis. Até lá, o vazamento de informações sobre o caso é banditismo político.
A estratégia petista é tão sórdida e desleal, que os tucanos de São Paulo já são considerados culpados em um caso que ainda está sob investigação, enquanto os mensaleiros são inocentes, mesmo depois de condenados pelo Supremo Tribunal Federal.
Parcialidade quadrilheira
Não é novidade o conjunto de armações com a chancela do PT para derrubar adversários políticos. O caso da investigação do Metrô de São Paulo, que passa pelo de Brasília apenas para dar um ar de veracidade ao jogo imundo, pode ser lançado ao vento como sendo a maior de todas as verdades, ao passo que o escândalo envolvendo Carlinhos Cachoeira e Fernando Cavendish, dono da Delta Construção, foi devidamente abafado para poupar Lula e Dilma de um escândalo sem precedentes.
Essa falsa retidão que move o PT, até então ignorada pela população por causa da pirotecnia palaciana, faz com que o Brasil avance diariamente na direção de uma ditadura comunista disfarçada, nos moldes da existente na Venezuela e que levou o vizinho país à decadência, a ponto de enfrentar um apagão de papel higiênico.
É preciso que os brasileiros fiquem atentos, pois casos como o do Metrô paulistano deve surgir aos montes até as eleições de 2014, até porque é a única saída que o PT encontrou para escapar de uma crise corrosiva que não dá trégua à legenda um só segundo.
Obsessão por superfaturamento
Encontrar o que não existe tornou-se uma das expertises do Partido dos Trabalhadores, somente quando na alça de mira estão os adversários. Então deputado federal pelo PT paulista, José Eduardo Martins Cardozo (atual ministro da Justiça) assumiu, em 2005, a sub-relatoria de contratos da CPMI dos Correios, que investigou o Mensalão.
À época, cumprindo ordens superiores para identificar em meio aos documentos eventuais escândalos que pudessem livrar o PT do furacão, Cardozo decidiu criar caso com os contratos entre as empresas aéreas de carga e os Correios.
Sem se valer da capacidade interpretativa de qualquer advogado minimamente competente, José Eduardo Cardozo insistiu na tese de que os aviões que transportavam a carga dos Correios deveriam ser remunerados pelo peso transportado. Uma visão propositalmente obtusa, pois uma aeronave fica à disposição dos Correios o tempo todo, sem poder carregar nenhuma mercadoria alheia à empresa. Ou seja, não importa se a aeronave, a mando dos Correios, carrega dois parafusos ou um trator, pois o valor cobrado pelo transporte será idêntico. Para que fique mais claro e compreensível, é o mesmo que contratar uma festa para mil pessoas e ao final querer pagar menos do que o combinado porque apenas cem convidados compareceram.
Isonomia deveria prevalecer
Quando o assunto é corrupção ou qualquer outro delito correlato, a postura do Estado deve ser firme e única, independentemente do partido ou corrente ideológica do investigado. Não importa se PT ou PSDB, ou qualquer das muitas legendas existentes no País, ninguém pode ficar impune ou ser condenado por causa de interesses escusos de governantes.
No Brasil atual, a grande questão é que petistas quando flagrados em alguma transgressão acionam a cantilena do golpe das elites, como se os próprios não fossem elitistas com todas as letras. No contraponto, quando um adversário é acusado de alguma irregularidade, o mundo desaba para favorecer o PT, partido que está anos-luz da possibilidade de ser um amontoado de monges.
Encarando a verdade
Os políticos brasileiros precisam deixar de lado o falso moralismo e a hipocrisia, porque os custos de qualquer campanha eleitoral superam o bom senso e remetem a inevitáveis casos de corrupção. E não há na política nacional quem desconheça essa realidade.
Uma campanha presidencial com chance de vitória não sai por menos de US$ 400 milhões, que equivale a R$ 900 milhões. Ninguém despeja uma fortuna dessas em qualquer campanha por patriotismo ou caridade. Quem o faz exigirá, em algum momento, a devida contrapartida, que muitas vezes torna-se viável por meio do superfaturamento.
Há alguns mais afoitos e endinheirados que embarcam em duas campanhas, sempre as mais importantes e com chances de vitória. Não importa quem vença, a contrapartida a ser paga mais adiante será dobrada para compensar o dinheiro investido na campanha derrotada
Fonte: Ucho.Info

domingo, 2 de junho de 2013

BEIJAR A CRUZ

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO * - O Estado de S.Paulo

Já passou da hora de o governo do PT beijar a cruz. Afinal, muito do que ele renegou no passado e criticou no governo do PSDB passou a ser o pão nosso de cada dia da atual administração. A começar pelos leilões de concessão para os aeroportos e para a remodelação de umas poucas estradas.

No início procuravam mostrar as diferenças entre "nós" e "eles", em seu habitual maniqueísmo. "Nossos leilões", diziam, visam a obter a menor tarifa para os pedágios. Ou, então, afirmavam: nossos leilões mantêm a Infraero na administração dos aeroportos. Dessas "inovações" resultou que as empresas vencedoras nem sempre foram as melhores ou não fizeram as obras prometidas. Pouco a pouco estão sendo obrigados a voltar à racionalidade, como terão de fazer no caso dos leilões para a construção de estradas de ferro, cuja proposta inicial assustou muita gente, principalmente os contribuintes. Neles se troca a vantagem de a privatização desonerar o Tesouro pela obsessão "generosa" de atrair investimentos privados com o pagamento antecipado pelo governo da carga a ser transportada no futuro...

Ainda que renitente em rever acusações feitas no passado (alguns insistem em repeti-las), a morosidade no avanço das obras de infraestrutura acabará por levar o governo petista a deixar de tentar descobrir a pólvora. Já perdemos anos e anos por miopia ideológica. O PT não conseguiu ver que os governos do PSDB simplesmente ajustaram a máquina pública e as políticas econômicas à realidade contemporânea, que é a da economia globalizada. Tomaram a nuvem por Juno e atacaram a modernização que fizemos como se fosse motivada por ideologias neoliberais, e não pela necessidade de engajar o Brasil no mundo da internet e das redes, das cadeias produtivas globais e de uma relação renovada entre os recursos estatais e o capital privado.

Sem coragem para fazer autocrítica, o petismo foi pouco a pouco assumindo o programa do PSDB e agora os críticos do mais variado espectro cobram deste o suposto fato de não ter propostas para o Brasil... Entretanto, a versão modernizadora do PT é "envergonhada". Fazem mal feito, como quem não está gostando, o que o PSDB fez e faria bem feito, se estivesse no comando.

Agora chegou a vez dos portos. Alberto Tamer - e presto homenagem a quem faleceu deixando um legado de lucidez em suas colunas semanais -, na última crônica que fez no jornal O Estado de S. Paulo, Foi FHC que abriu os portos (17/2), recordava o esforço, ainda no governo Itamar Franco, quando Alberto Goldman era ministro dos Transportes, para dinamizar a administração portuária, abrindo-a à cooperação com o setor privado, pela Lei 8.630, de 1993. Caro custou tornar viável aquela primeira abertura quando eu assumi a Presidência. Foi graças aos esforços do contra-almirante José Ribamar Miranda Dias, com o Programa Integrado de Modernização Portuária, que se conseguiu avançar.

Chegou a hora para novos passos adiante, até porque o Decreto 6.620 do governo Lula aumentou a confusão na matéria, determinando que os terminais privados só embarcassem "carga própria". Modernizar é o que está tentando fazer com atraso o governo Dilma Rousseff. Mas aos trancos e barrancos, sem negociar direito com as partes interessadas, trabalhadores e investidores, sem criar boas regras de controle público nem assumir claramente que está privatizando para aumentar a eficiência e diminuir as barreiras burocráticas. Corre-se o risco de repetir o que já está ocorrendo nos aeroportos e estradas: atrasos, obras mal feitas e mais caras, etc. No futuro ainda dirão que a culpa foi "da privatização"... Isso sem falar do triste episódio das votações confusas, tisnadas de suspeição, e de resultado final incerto no caso da última Lei dos Portos.

A demora em perceber que o Brasil estava e está desafiado a dar saltos para acompanhar o ritmo das transformações globais tem sido um empecilho monumental para as administrações petistas. No caso do petróleo, foram cinco anos de paralisação dos leilões. Quanto à energia em geral, a súbita sacralização do pré-sal (e, correspondentemente, a transformação da Petrobrás em executora geral dos projetos) levou ao descaso no apoio à energia renovável, de biomassa (como o etanol da cana-de-açúcar) e eólica. Mais ainda, não houve preocupação alguma com programas de poupança no uso da energia. Enfim, parecem ter assumido que, já que temos um mar de petróleo no pré-sal, para que olhar para alternativas?

Acontece, entretanto, que a economia norte-americana parece estar saindo da crise iniciada em 2007-2008 com uma revolução tecnológica (de discutíveis efeitos ambientais, é certo) que barateará o custo da extração dos hidrocarburetos e colocará novos desafios ao Brasil. A incapacidade de visão estratégica, derivada da mesma nuvem ideológica a que me referi, acrescida de um ufanismo mal colocado, dificulta redefinir rumos e atacar com precisão os gargalos que atam nossas potencialidades econômicas ao passado.

Não é diferente do que ocorre com a indústria manufatureira, quando, em vez de perceber que a questão é reengajar nossa produção nas cadeias produtivas globais e fazer as reformas que permitam isso, se faz uma política de benefícios esporádicos, ora diminuindo impostos para alguns setores, ora dando subsídios ocultos a outros, quando não culpando o desalinhamento da taxa de câmbio ou os juros altos (os quais tiveram sua dose de culpa) pela falta de competitividade de nossos produtos.

As dificuldades crescentes do governo em ver mais longe e administrar corretamente o dia a dia para ajustar a economia à nova fase do desenvolvimento capitalista global (como o PSDB fez na década de 1990) indicam que é tarde para beijar a cruz, até porque o petismo não parece arrependido. Melhor mudar os oficiantes nas eleições de 2014.