Mostrando postagens com marcador gastos irregulares. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador gastos irregulares. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

PREFEITURA DO PT, R$ 3,8 MILHÕES DE GASTOS IRREGULARES

As obras de reforma e urbanização do Parque Tancredão, em Vitória, levaram a um prejuízo de R$ 3,8 milhões para os cofres públicos. É o que aponta o relatório de uma auditoria feita pelo Tribunal de Contas (TC-ES) - obtido com exclusividade por A GAZETA - em processos de licitação da Prefeitura de Vitória. A auditoria foi instaurada a partir de uma representação do Ministério Público de Contas.

Segundo o relatório, o valor gasto a mais teria saído da compra de itens já contratados, de superfaturamento de serviços prestados e de outras deficiências do próprio projeto deconstrução. Em 2008, a obra chegou a ser orçada em R$ 26,3 milhões. Dois anos depois, chegou a R$ 32 milhões, quando também foi desmembrada em duas fases, com um custo de mais R$ 9,75 milhões para execução da segunda etapa.

Além da Prefeitura de Vitória, o governo do Estado investiu cerca de R$ 20 milhões na reforma do Tancredão. A obra foi concluída em dezembro passado, cerca de três anos depois do previsto.

Valor maior

Um dos itens pelo qual a prefeitura teria pago a mais, segundo o relatório, foi na realização de serviços de demolição de rochas com argamassa expansiva. Só por ele, teriam sido pagos R$ 1,6 milhão a mais. O valor unitário para cada metro cúbico do serviço realizado chegou a ser maior que o dobro da tabela de preços, aponta o relatório.

O novo Tancredão, agora, ocupa uma área de cerca de 53 mil metros quadrados. Conta com ginásio coberto de esportes, com capacidade para 1.754 pessoas, além de duas piscinas, sendo uma semiolímpica e outra de recreação.

Esclarecimentos


O prefeito João Coser, secretários municipais e as empresas envolvidas serão convocados a prestar esclarecimentos e apresentar justificativas ao TC-ES. Se for condenada, a prefeitura - por meio das partes citadas no relatório - podem ter que arcar com multa que varia de cerca de R$ 1 mil a R$ 28 mil, além de ter que devolver o valor gasto a mais aos cofres públicos. Às empresas, cabe a mesma punição.

Em nota, a Prefeitura de Vitória informou, apenas, que alguns dos nomes citados pela auditoria já foram notificados e, no prazo estabelecido, prestarão todas as informações solicitadas.

O governo do Estado não informou se foi notificado e que esclarecimentos irá prestar. Por meio da Secretaria de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano (Sedurb), detalhou que resta, ainda, o repasse de R$ 3,5 milhões à prefeitura, que será feito após análise e aprovação das prestações de contas encaminhadas à secretaria.


foto: Fabio Vicentini
ES - Vitória - Piscina  do Parque Tancredão - Editoria: Cidades - Foto: Fabio Vicentini
Para entender

Anúncio
Em 2006, a prefeitura de Vitória anunciou a obra, que seria realizada com um valor estimado de R$ 15 milhões

Orçamento
Em 2008, quando iria efetivamente começar, a obra foi orçada em R$ 26,3 milhões

Execução
Já em execução, em 2010, o custo chegou a R$ 32 milhões, com aditivos de contrato

Desmembrada
Logo depois, a obra foi desmembrada em duas etapas, acrescentando R$ 9,75 milhões a mais, justamente para a execução da segunda etapa de reforma

Estado
A prefeitura chegou a pedir ajuda ao governo do Estado para executar a obra. Cerca de R$ 20 milhões do total gasto foram repassados pelo governo

Três anos
Com mais de três anos de atraso e uma paralisação nas obras, a reforma do Tancredão finalmente foi concluída em dezembro de 2011, a um custo total de R$ 41,6 milhões. A paralisação teria ocorrido entre os dias 3 e 12 de novembro de 2010

Porta custou R$ 5,4 mil em Camburi


Além da licitação para execução das obras do novo Tancredão, em Vitória, o relatório do Tribunal de Contas do Estado (TC-ES) também aponta irregularidades nos contratos de licitação para urbanização da orla de Camburi e de execução de serviços de jardinagem do município.

No primeiro caso, o TC-ES não indica superfaturamento das obras, mas considera que foram utilizados "materiais com qualidade superior aos usualmente utilizados em outras obras executadas pelo Executivo Municipal", segundo texto do próprio documento. Entre os materiais, cita, por exemplo, portas em madeira de lei, revestidas com chapa em aço inox e acabamento escovado, que custariam R$ 5,4 mil cada.

Além disso, a auditoria aponta para uma restrição de competitividade no processo de licitação, ao ser exigido das empresas interessadas, na época, condições que, segundo o texto, podem "inibir a participação de possíveis interessados", como a realização de uma visita técnica conjunta ao local da obra e a apresentação de uma certificação de programa de qualidade não comumente exigido em processos como esses.

A prefeitura terá que justificar a escolha dos materiais definidos para a obras e também as exigências feitas às empresas.

As irregularidades encontradas no contrato de jardinagem dizem respeito a um reajuste contratual anual superior ao indicado. Entre 2008 e 2009, por exemplo, a empresa responsável pelos serviços na cidade teria recebido um reajuste de 6,18%, em vez dos 5,05% indicados pela própria Controladoria Geral do Município. Esses reajustes representariam um prejuízo de cerca de R$ 300 mil aos cofres públicos, entre 2008 e 2010.

Fonte: A Gazeta

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

CÂMARA PAGOU MOQUECA, PIZZA, CHURRASCO E ATÉ CERVEJA

enório Merlo, vereador de Vila Velha - Editoria: Política - Foto: Gabriel Lordêllo

Com gastos de R$ 23,4 mil, Tenório Merlo diz que bancou alimentação de servidores

A conta
R$ 1,1 milhão em 2009:
É quanto o TCES aponta que foi gasto irregularmente pela Câmara.
R$ 7,4 mil por mês:
É quanto recebem os 17 vereadores de Vila Velha. Para a próxima legislatura, ainda não há expectativa de aumento.

A vida muito boa dos vereadores de Vila Velha
1. Gelada:
O vereador Almir Neres (PSD) gastou R$ 5,4 mil em uma choperia.
2. Rodízio:
Belarmino (PRB) chegou a gastar R$ 237 num rodízio com refrigerantes.
3. Malpassada:
Tenório Merlo (PTdoB) gastou R$ 23,4 mil em churrascaria.
4. Croquete: O ex-vereador Ricardo Rangel comprou 800 salgadinhos.

Quilos e mais quilos de pão francês, salgadinhos, rodízio de pizza, churrasco e até um "pit stop" em uma choperia em bairro nobre. A lista de benesses pagas com dinheiro público pelos vereadores de Vila Velha vai muito além da moqueca de cação e das casquinhas de siri já noticiadas por A GAZETA.

A reportagem teve acesso aos detalhes do relatório da auditoria feita na Câmara. O Tribunal de Contas do Espírito Santo (TCES) apontou que, em 2009, gastos com gabinete e contratos supostamente irregulares levaram mais de R$ 1,1 milhão dos cofres da Casa.

Naquele ano, cada parlamentar tinha direito a verba de gabinete. Uma resolução do Legislativo permitia que parte do valor custeasse a alimentação dos vereadores. E eles não perderam tempo...

O campeão em gastos com refeições foi Tenório Merlo (PTdoB), que consumiu R$ 23,4 mil ao longo do ano. Todas as notas apresentadas por ele são de churrascaria.

João Batista Babá (PT), por sua vez, apresentou comprovante de R$ 109,92 por 4kg de comida em um self-service, mais 12 refrigerantes. Em outra ocasião, incluiu sorvete no menu. As contas chegaram a R$ 20,7 mil no ano - o segundo maior gasto da Casa.

No dia 21 de março de 2009, um sábado, Almir Neres (PRP) subiu as serras capixabas e almoçou no Restaurante Cantinho do Imigrante, em Domingos Martins. A conta foi de R$ 77,30.

Também foi Neres quem gastou mais de R$ 5,4 mil na choperia Casa da Praia, na Praia da Costa, em diferentes dias.

IrregularidadesDe acordo com a análise do TCES, os gastos dos vereadores não justificam interesse público. Entre as despesas de gabinete, há pagamentos de uniformes a funcionários e até compra de vale-transporte.

Wanderson Pires (PT) incluiu 57kg de pão e quase 8kg de rosquinhas amanteigadas e aceboladas na despesa de R$ 15 mil. Ivan Carlini (PR), presidente da Câmara, comprou bombons e iogurte.

Os parlamentares terão 30 dias, a partir da notificação, para se explicarem à Corte de Contas. O documento ainda não chegou à Câmara de Vila Velha.

Vereador diz que tem direito de se alimentarO vereador Almir Neres (PSD), vice-presidente da Câmara, gastou R$ 15,7 mil da verba de gabinete apenas com alimentação em 2009. Em um único dia em Domingos Martins foram R$ 77. Além disso, R$ 5,4 mil, em vários dias, foram gastos em uma choperia de Vila Velha. Ele justificou os gastos dizendo que havia previsão na resolução da Câmara e que tem o direito de se alimentar.

"Assim como todo ser humano se alimenta, eu também tenho direito a me alimentar. Como havia uma resolução, eu fiz uso simplesmente daquilo que era legal", afirmou.

Jonimar (PDT) deu explicação semelhante. "Quando tínhamos a resolução, fazíamos reuniões e almoços com lideranças e vereadores. Não sabia que era proibido. Quem comeu foram seres humanos, foi gente que comeu".

O também vereador João Batista Babá (PT), que gastou R$ 20,7 mil na época, reconhece que a necessidade da despesa é questionável, mas afirma que agiu de acordo com a resolução. "Fomos orientados sobre as coisas que poderiam ser gastas por meio da resolução. Pode ser considerado que não havia essa necessidade, mas usávamos porque existia essa possibilidade". (Letícia Gonçalves)

Banquete com dinheiro publico
Almir Neres (PSD):
Gastou, ao todo, R$ 15,7 mil. Inclui moquecas de cação, casquinhas de siri, moqueca de badejo com camarão, carne de sol com aipim, e R$ 5,4 mil em despesas na Choperia Casa da Praia, na Praia da Costa.
Anderson Almeida (PMDB):
Gastou R$ 10,9 mil. A maior parte dos gastos, com churrascaria. Uma das notas é de R$ 1,3 mil, num único dia.
Antônio Marcos (PPS):
Gastos de R$ 12,3 mil.
Tareba (PPS):
Gastou R$ 14,2 mil, incluindo uma nota de R$ 649 com lanche.
Belarmino (PRB): As despesas chegaram a R$ 14,6 mil, sendo R$ 273,90 com quatro rodízios e seis refrigerantes.
Ivan Carlini (PR):
A alimentação do presidente custou R$ 7,5 mil. Incluiu notas de R$ 544 com torta, bolo, salgadinho, refrigerante e biscoito, R$ 700 com 98 refeições e R$ 466 com bombons e lanche.
João Artém (PSB): Gastou R$ 3 mil.
Babá (PT):
Gastou R$ 20,7 mil, incluindo R$ 109 por 4kg de comida num único dia e R$ 247,42 em self-service, com refrigerantes e sorvetes.
Jonimar (PDT): Gastou R$ 14,1 mil, sendo R$ 111 com moqueca de badejo e camarão, R$ 171 com moqueca e salada.
Ricardo Rangel (PR):
Os R$ 12 mil de despesas serviram à compra de 800 salgadinhos, custando R$ 192.
Ozias Zizi (PRB): Gastou R$ 2 mil.
Robson Batista (PSDC):
As despesas de R$ 11,4 mil incluíram pagamento de R$ 1,2 mil por 120 marmitex, por exemplo.
Rogério Cardoso (PSDB):
Consumiu R$ 5,9 mil.
Tenório Merlo (PTdoB):
O campeão de gastos: foram R$ 23,4 mil. Tudo em churrascaria.
Valdir do Restaurante (PTdoB):
Gastou R$ 8,4 mil.
Valter Rocon (PDT): Gastou R$ 13 mil.
Wanderson Pires (PSD):
Do total de R$ 15 mil gastos com alimentação, R$ 350 foram para 15kg de pão francês, 8,5kg de pão doce, 4,2kg de rosquinha amanteigada e 3,2kg de rosquinha acebolada

Eduardo Fachetti - A Gazeta

sábado, 2 de julho de 2011

O TREM-BALA E O PT DE CAMPINAS.

Nós vamos que vamos”, disse, animada, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) ao prefeito de Campinas, Dr. Hélio (PDT), na noite do último dia 6 de abril. Marta ligou às 18h01 para a secretária particular de Dr. Hélio, Cinthia dos Reis Paranhos, cujos telefones estavam grampeados pelo Ministério Público Estadual. O MP de São Paulo investiga um esquema milionário de desvio de dinheiro público na administração de Dr. Hélio, prefeito de Campinas há dois mandatos. O diálogo entre a senadora e o prefeito (leia abaixo) foi capturado por acaso, já que Dr. Hélio não é alvo das investigações do MP. A animação de Marta se devia à aprovação iminente no Senado da medida provisória que criaria a estatal responsável pelo projeto do trem-bala e autorizaria o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a emprestar até R$ 20 bilhões para o projeto.

Fotos: Denny Cesare/Futura Press e Dida Sampaio/AE

Marta era a relatora da medida provisória. Sete dias depois da conversa telefônica entre os dois, a medida foi aprovada pelos senadores. O diálogo aparentemente corriqueiro entre uma senadora e um prefeito do Estado que ela representa revela com clareza o interesse do grupo político de Marta no PT de São Paulo (fazem também parte desse grupo o deputado federal Carlos Zarattini e os irmãos Ênio e Jilmar Tatto) em levar adiante a construção do polêmico Trem de Alta Velocidade (TAV). O trem-bala, cujo trajeto atual irá de São Paulo ao Rio de Janeiro, com parada em Campinas, é a obra mais cara do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O custo de sua construção está estimado em R$ 34,6 bilhões. A senadora Marta disse a ÉPOCA manter “uma relação cordial” com o Dr. Hélio e que a reunião pedida no telefonema se deveu à “vontade de provocar debate político e dar conhecimento à região sobre minha participação como relatora do projeto”. “O projeto não foi discutido em nenhum momento com o prefeito, os parlamentares e a sociedade civil do Estado, em razão do curto espaço de tempo para votação no Senado”, disse Marta.

Uma das peças-chave na articulação política de Marta em Campinas para viabilizar o trem-bala é o engenheiro-agrônomo Gerson Bittencourt, eleito deputado estadual em São Paulo pelo PT em 2010. As ligações de Bittencourt com o universo dos transportes são antigas. Ele começou a carreira política na União Nacional dos Estudantes (UNE) e na Central Única dos Trabalhadores (CUT), foi presidente da SPTrans, a empresa municipal de transportes coletivos, e secretário de Transportes na gestão de Marta Su-plicy na prefeitura de São Paulo, entre 2001 e 2004. Bittencourt se autointitula o “pai do bilhete único”, o sistema de integração de passagens entre ônibus, trem e metrô adotado em São Paulo durante o governo de Marta, uma das principais bandeiras de sua gestão. Foi com a marca do bilhete único que Bittencourt acabou instalado, com o aval de Marta e do ex-ministro José Dirceu, na cadeira de secretário de Transportes de Campinas desde o primeiro mandato de Dr. Hélio, iniciado em 2005.

Agora, o nome de Bittencourt aparece relacionado à primeira prova obtida pelo Ministério Público de que um esquema de desvio de verba em Campinas alimentou o financiamento ilegal de campanhas. Na casa de Carlos Henrique Pinto, ex-secretário de Segurança Pública do governo de Dr. Hélio, os promotores apreenderam uma planilha, a que ÉPOCA teve acesso, em que estão descritas encomendas de material de campanha feitas à empresa Artes Brasil. A Artes Brasil é uma empresa de publicidade que faz adesivos e panfletos e tem, entre seus clientes, a Sanasa, a empresa de saneamento de Campinas (um foco de corrupção segundo as investigações), a prefeitura de Guarulhos e de Vinhedo, em São Paulo, e o governo federal.

A planilha apreendida pelo MP lista gastos sem nota fiscal no valor de R$ 330 mil

Didática, a tabela relaciona cerca de 20 nomes de candidatos a deputado estadual ou federal em São Paulo nas eleições de 2010 apoiados pela aliança de partidos comandada por Dr. Hélio em Campinas. Ao lado dos nomes há duas colunas com as inscrições “com NF” e “sem NF”, o que, segundo o MP, significa com nota fiscal e sem nota fiscal. O valor total dos gastos sem nota de campanha soma R$ 330 mil. De acordo com a planilha, Bittencourt gastou R$ 2.100 sem nota fiscal em sua campanha vitoriosa à Assembleia Legislativa de São Paulo. A Artes Brasil disse que não presta serviço sem nota fiscal e diz desconhecer a origem da planilha. Todos os contratos de publicidade da prefeitura de Campinas estão sob investigação do MP por suspeita de desvios.

   Reprodução
LISTADOS
O nome do deputado estadual Gerson Bittencourt (abaixo) aparece no documento. Thiago Ferrari, outro da relação, é vereador em Campinas e namorou a filha de Dr. Hélio


Ari Paleta/Futura Press

Com a citação de Bittencourt na planilha, essa é a segunda vez em que um quadro do PT aparece diretamente relacionado a irregularidades na administração campineira (o primeiro foi Demétrio Vilagra, vice-prefeito de Dr. Hélio). A aliança dos petistas com Dr. Hélio em Campinas foi consolidada no segundo turno das eleições municipais de 2004. A máquina montada pelo PT foi fundamental na captação de recursos que assegurou a vitória de Dr. Hélio. Na composição do governo municipal, a Secretaria de Transportes foi um prêmio a Bittencourt pelos serviços prestados pelo partido. Em 2002, ele foi uma espécie de “faz-tudo” de José Dirceu durante a campanha de Lula à Presidência da República. “A indicação do Bittencourt foi um arranjo negociado entre o diretório estadual do partido, a Marta, o Zé Dirceu e o Dr. Hélio, sem nossa participação”, diz um dirigente municipal do PT em Campinas, que afirma ter sido surpreendido com a nomeação.

Depois de sua transferência de São Paulo para Campinas, Bittencourt se ambientou rapidamente. Comandou reuniões para incluir no projeto do trem-bala uma parada em Campinas. Quando se licenciou do cargo de secretário de Tranportes, em março de 2010, para disputar uma vaga como deputado estadual, Bittencourt pediu a seu sucessor, Sérgio Torrecillas, para manter ingerência sobre os assuntos relacionados ao projeto do trem-bala. No comando da área de transportes de Campinas, além de cuidar do trem-bala, Bittencourt tratou de aumentar vertiginosamente a arrecadação de sua pasta. Entre 2005 e 2010, o número de multas por excesso de velocidade por radares eletrônicos em semáforos passou de 4 mil para 58 mil, um aumento de 1.400%. Os radares, instalados na gestão de Bittencourt, são operados por um consórcio, do qual faz parte a empresa Engebrás. O contrato com a Engebrás é investigado por uma CPI na Câmara de Vereadores de Campinas depois de uma denúncia em que um representante da empresa foi flagrado negociando propinas com uma prefeitura do Rio Grande do Sul. A CPI já descobriu que a Engebrás atuava em Campinas sem ter contrato.

A administração da área de transportes de Campinas por Bittencourt foi o foco de várias outras irregularidades. Ele foi condenado três vezes pelo Tribunal de Contas de São Paulo por problemas na contratação de serviços de uma empresa para a sinalização de ruas e avenidas. Funcionários da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) também acusaram Bittencourt de tê-los constrangido a distribuir material de sua campanha para deputado estadual em garagens de ônibus durante o expediente de trabalho. Em sua passagem pela prefeitura de São Paulo, Bittencourt já exibira métodos de trabalho igualmente questionáveis. Sob as ordens de Jilmar Tatto, então secretário de Transportes, recebeu a incumbência de disciplinar a relação da prefeitura com os empresários de ônibus, que haviam sido chamados pela então prefeita, Marta Suplicy, de “gângsteres”, em 2003. Bittencourt cumpriu a missão, mas foi acusado de ajudar a formar cartéis de ônibus na cidade. No ano passado, foi condenado pela 3a Vara da Fazenda Pública da capital por improbidade administrativa. O juiz entendeu que Bittencourt favoreceu uma empresa de ônibus em uma licitação enquanto ele era presidente da SPTrans em São Paulo e determinou a cassação de seus direitos políticos.

Bittencourt está recorrendo da decisão. Por e-mail, ele disse que é “uma das maiores autoridades em transporte reconhecidas no país”. Afirmou também que não participou de qualquer comissão do governo federal para estudos, licitação ou implantação do trem-bala. Reconheceu, no entanto, que o trem-bala foi uma das suas bandeiras de campanha à Assembleia Legislativa em 2010. Ele disse que as denúncias de uso da máquina pública para fazer campanha foram arquivadas pelo Ministério Público.

Uma testemunha da investigação feita pelo Ministério Público em Campinas afirma que parte do orçamento da pasta sob comando de Bittencourt tinha o mesmo destino que os milhões desviados da Sanasa. Segundo a testemunha, uma vez por mês, Dr. Hélio e seus secretários – Bittencourt, entre eles – se reuniam em um hotel de São Paulo com Armando Peralta. Peralta era um dos donos da NDEC, empresa de publicidade que, em 2004, foi usada para pagar os serviços do marqueteiro João Santana para a campanha de Dr. Hélio. (Uma conversa de Santana com Dr. Hélio também foi flagrada pelos grampos da investigação do Ministério Público. Nela, o prefeito faz gestões para que a presidente Dilma Rousseff visite um estande de uma empresa chinesa durante sua viagem à China.) A NDEC atuou também na campanha de Marta Suplicy à prefeitura de São Paulo em 2000 e é acusada de ter participado de fraudes em contratos com o governo de Zeca do PT em Mato Grosso do Sul, entre 1999 e 2007.

Segundo testemunha do MP, esquema em Campinas
teria saldado dívidas de quatro campanhas

Na campanha de Dr. Hélio, segundo relatos de um dirigente nacional do PT e de uma testemunha do Ministério Público, Peralta atuou como emissário de José Dirceu e do empresário José Carlos Bumlai, grande pecuarista e amigo próximo do ex-presidente Lula. A missão de Peralta era recolher o dinheiro que Bumlai e Dirceu conseguiam levantar junto a empresários para a campanha de Dr. Hélio. Terminada a eleição, Peralta, segundo a testemunha do MP, passou a gerenciar o recolhimento do dinheiro desviado de Campinas. O dinheiro teria sido usado para saldar dívidas de campanha contraídas pelo PT na campanha municipal de 2004 em quatro cidades: Campinas, Ribeirão Preto, Piracicaba e Curitiba. Dessas quatro cidades, o partido sagrou-se vitorioso apenas em Campinas, o que explicaria o volume de dinheiro desviado na cidade.

Peralta e Bumlai são investigados pelo Ministério Público. Mário Sérgio Duarte Garcia, advogado de Bumlai, afirma que “não há veracidade na versão do envolvimento de Bumlai” no caso de Campinas e que seu cliente já explicou tudo em depoimento ao Ministério Público. Diz ainda não saber se ele mantém relação com José Dirceu e que nunca ouviu falar em Peralta. O escândalo provocou tensão na cúpula nacional do PT. José Dirceu disse que não faz parte da investigação do MP, mas fez algumas reuniões em Campinas logo depois que o escândalo estourou. Lula defendeu publicamente Dr. Hélio: “Estou de saco cheio de ver companheiros serem acusados, terem a família destruída, e depois não ter prova (contra eles)”. A movimentação petista, o material apreendido e os depoimentos de testemunhas sugerem, porém, que os interesses do partido na administração de Campinas são antigos, consistentes e vão muito além dos limites do município.

reprodução/Revista Época
 
Fonte: Revista Época

domingo, 23 de janeiro de 2011

INCRA, EMBRATUR, CONAB. GASTOS IRREGULARES ( PT NO COMANDO)


O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), sob o comando do PT há oito anos, teve gastos de R$ 31,4 milhões qualificados de irregulares pela CGU de 2007 para cá. A disputa pela direção da autarquia ocorre dentro do PT. Rolf Hackbart, o atual presidente, é aliado da tendência esquerdista Democracia Socialista (DS) no Rio Grande do Sul. Mas Dilma Rousseff tirou os gaúchos do comando do Ministério do Desenvolvimento Agrário, entregando-o à mesma ala do PT baiano. E esta quer mudar o comando do Incra.

Já a Embratur, mais um motivo de briga entre PT e PMDB, teve repasses R$ 14,4 milhões suspeitos de irregularidades, de acordo com as auditorias da CGU. Ela sempre foi administrada pelo PT e continua sob o comando do partido, por imposição do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci.

Em relação à Conab - que, segundo o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, tem de parar de desviar recursos -, a CGU concluiu que R$ 13,6 milhões de seus gastos tiveram suspeição de irregularidades nos últimos quatro anos.

Fonte: http://bit.ly/fwlLIG