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sábado, 9 de novembro de 2013

O PERIGO REAL

EM POUCOS MESES O “MAIS MÉDICOS” JÁ DEMONSTRA SUA FRAGILIDADE. UM GRUPO DE 48 PROFISSIONAIS QUE ATUAM PELO PROGRAMA FOI REPROVADO NO REVALIDA.

É constrangedor a qualquer cidadão ver que autoridades que deveriam defender os anseios dos brasileiros ignoram a importância da saúde, deixando claro que não têm compromisso algum com a qualidade. Exemplo disso é o “Mais Médicos ”que, em poucos meses, já começou a demonstrar a sua fragilidade. Um grupo de 48 profissionais que atua pelo programa foi reprovado no Revalida, exame federal para reconhecer o diploma de medicina obtido no exterior. Eles foram aceitos para aturar na atenção básica prioritariamente no interior do país, onde há maiores carências. Contudo, muitos acabam  sendo alocados em grandes centros.

No total, 1.440 candidatos não passaram para a segunda fase. Entretanto, os 48 reprovados poderão exercer a medicina, mesmo após atestado de que não estão qualificados para tal. Com fim meramente eleitoreiro, permite-se que profissionais de capacidade insuficiente exerçam a medicina. E é a população, em particular as pessoas mais vulneráveis que corre risco real.

Aí está o motivo de os médicos brasileiros se mostrarem tão preocupados com o fato do “Mais Médicos” dispensar o Revalida para submissão dos estrangeiros. Também se torna evidente a razão das entidades médicas rejeitarem alguns pontos do programa. Não se trata de xenofobia, muito menos de competição no mercado com os  colegas estrangeiros. Trata-se de uma medida que interfere negativamente na estrutura da nossa medicna, reconhecida mundialmente por sua excelência.

A verdade é que nós, médicos brasileiros, permanecemos sensibilizados com a falta de assistência em regiões afastadas, mas  temos a consciência de que sem a infraestrutura necessária não há muito como avançar. Médico não é mágico, precisa ter a disposição medicamentos, equipamentos, exames, equipe multidisciplinar e outros profissionais da saúde.

Os médicos formados fora não conhecem a realidade do nosso sistema público de saúde e estão iludidos com o discurso marqueteiro do governo. Através dessa medida, o Ministério da Saúde desrespeita tudo que já foi construído pelas entidades médicas e acadêmicas nacionais, que vêm colocando o Brasil em posição de destaque na medicina internacional.

Infelizmente esse é mais um engodo que nos acostumamos a ver às vésperas das eleições. Ao invés de investir dinheiro público para construir bons hospitais e postos de saúde, o que obviamente levaria profissionais para qualquer canto do Brasil, o governo opta por ludibriar a população com a presença de médicos sem qualificação. Não podemos aceitar essa inversão de valores.

ANTONIO CARLOS LOPES

Presidente da Sociedade Brasileira de Clinica Médica

sábado, 28 de setembro de 2013

RENUNCIO MAS NÃO VENDO A MINHA CONSCIÊNCIA


PRESIDENTE DO CRM-PARANÁ RENUNCIA AO CARGO
O médico Alexandre Gustavo Bley renunciou. Não aceitou ceder às pressões do governo. E escreveu uma carta que merece ser lida com cuidado. Abre com uma epígrafe. Leiam o que vai abaixo.
*
A covardia coloca a questão: É seguro?
O comodismo coloca a questão: É popular?
A etiqueta coloca a questão: Ë elegante?
Mas a consciência coloca a questão: É correto?
E chega uma altura em que temos de tomar uma posição que não é segura, não e elegante, não é popular, mas temos de fazê-lo porque a nossa consciência nos diz que é essa a atitude correta.
Martin Luther King
Caros colegas Conselheiros,
Há 10 anos iniciei minha vida dentro do Conselho Regional de Medicina do Paraná. Confesso que foi nesse ambiente que aprendi o real significado da palavra ÉTICA. Um conceito que possibilita o convívio entre as pessoas e traduz o conjunto de valores morais e princípios de uma sociedade. Portanto, é plural, mas auxilia cada um nas decisões cotidianas do que queremos, podemos e/ou devemos fazer. Da mesma forma, as leis norteiam o cidadão no caminho da justiça, o que, a principio, seria eticamente aceito. O grande problema é quando a lei se dissocia da ética.
No momento em que o governo federal emitiu a Medida Provisória 621/13, que instituiu o Programa Mais Médicos, criou-se um “arcabouço legal” para que o programa existisse, inclusive passando por cima de leis já consagradas. Já se passaram 70 dias, após a exposição de inúmeras incongruências da medida, modificações foram propostas, e dois decretos foram emitidos na tentativa de legitimar a ação do governo. Portanto as “leis” estão postas, mas será que todo esse processo é ético? Aos meus olhos, não.
O diagnóstico feito pelo governo de que o Brasil necessita de um maior número de médicos no sistema público é correto, para não dizer óbvio, mas, desde o inicio, os Conselhos de Medicina, criados legalmente para proteção da sociedade, têm alertado que a causa apontada e o tratamento instituído são absolutamente incorretos. A MP 621/13 passa ao largo da solução definitiva de um acesso à saúde, tanto em quantidade quanto em qualidade, condizente com as demandas do povo. Já de muito tempo se denuncia o subfinanciamento da saúde e a má gestão, porém, como de praxe, o governo federal varre para baixo do tapete sua própria sujeira, tentando se eximir da responsabilidade que lhe cabe e colocando a culpa em toda classe médica.
A vinda de profissionais formados no exterior rende manchetes diariamente, seja pela nacionalidade ou agora pelos documentos de inscrição. O vergonhoso envio de dinheiro público para a ilha de Cuba, através da contratação de profissionais subjugados, expõe a moral deste governo. Na mesma linha, a forma autoritária e açodada com que os registros provisórios nos conselhos estão sendo tratados demonstra a falta de zelo com a segurança da saúde do povo. Inúmeros problemas foram encontrados e já noticiados, como documentos trocados, falta de autenticações, falta de diplomas, falta do local de trabalho, nome do supervisor responsável, entre outros.
Após ampla celeuma, a Advocacia Geral da União admitiu em ação civil pública proposta pelo Cremers, que os requisitos dispostos na MP 621/13 podem e devem ser observados, porém o governo não tem corno atendê-los agora. Tal situação ensejou o CFM a “liberar” os CRMs da exigência de ter o nome dos supervisores, tutores e locais de trabalho, concedendo o registro e dando um prazo de 15 dias para regularização. Penso que é uma atitude no mínimo temerária, pois, uma vez liberado o registro, como voltar atrás ? Aguardar esses poucos dias para, de posse de todos os documentos, proceder o registro seria o mais sensato, como noticiamos abertamente para toda a nação durante vários dias. Lembro que há exatos 56 anos os Conselhos de Medicina foram criados e se tornaram responsáveis pela inscrição dos médicos, habilitando o exercício profissional seja definitivo ou provisório, o que possibilita a fiscalização e o julgamento dos possíveis desvios éticos cometidos. A mesma medida é tomada para qualquer médico que vem se inscrever, seja brasileiro ou estrangeiro, formado no exterior ou não. Tudo isso com o intuito de levar segurança à população; logo, penso que não podemos e não temos o direito de abrir mão do nosso dever legal.
Entretanto a pressão do governo sobre os Conselhos já passou o campo da argumentação e de forma clara passou à intimidação, colocando em risco a existência destas instituições, bem corno a moral dos conselheiros que procuram contribuir para a representação de nossa instituição. Por isso entendo que a medida tomada na plenária, de inscrever esses profissionais e aguardar o restante dos documentos, conforme orientação do CFM, pode ter sido a forma mais sensata para se evitar um mal maior. Não tenho dúvida de que sem a presença do Conselho a sociedade ficará mais desprotegida. Entretanto, essa obrigatoriedade de inscrição, ao arrepio da lei, do próprio contexto da MP 621 e da ética, me incomoda e me faz tomar uma atitude. A luta é árdua, pois a força governamental é infinitamente superior, e a preservação da instituição tem que ser priorizada. As pessoas passam, mas as instituições devem ficar.
Todos sabem que, ao longo de minha gestão, primei pela retidão de conduta e me expus demasiadamente na defesa do que entendemos ser o correto para a saúde. Devido à grande visibilidade, não me sinto nem um pouco confortável em assinar uma carteira de habilitação sem que TUDO esteja na mais absoluta correção, conforme o zelo e a isenção que sempre norteou as ações do CRM. Caros colegas, não se trata de intransigência de minha parte, mas sim de coerência. O governo, de forma unilateral, me diz que eu devo fazer, porém não posso, pois minha consciência e minha historia não permitem.
A decisão que estou tomando está sendo muito dolorosa, pois sei das implicações que traz. Pensei e pesei a minha atitude, abri mão da vaidade e me despi de qualquer apego a cargo ou status. Gostaria de pedir desculpas a vocês, meus colegas de conselho, aos funcionários, à ciasse médica e ao povo do Paraná, mas a situação está insustentável para a minha pessoa.
Diante do exposto, renuncio ao posto de Presidente do CRM-PR, mas não da luta pela definição de políticas de estado para que o acesso à saúde saia do patamar vexatório em que se encontra e faça jus ao que a Constituição Brasileira traz em seu texto, qual seja, um real direito de cada cidadão. Saio da representação e retorno para junto dos milhares de médicos que jamais se furtaram de participar desse debate, pois somos forjados nos bancos da escola para, acima de tudo, salvaguardar a vida das pessoas.
Confesso a todos que prefiro a vergonha da renúncia a ter que conviver com a vergonha de ter traído a minha consciência, pois, quando um indivíduo abre mão de suas convicções, perde sua identidade e o significado de sua existência.
Atenciosamente e com profundo respeito,
Alexandre Gustavo Bley

Fonte:  http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/cuba-e-aqui-presidente-do-crm-do-parana-renuncia-ao-cargo-e-acusa-a-truculencia-do-governo-federal-que-impoe-o-desrespeito-a-lei-no-mais-medicos-leia-a-sua-dura-carta/

sábado, 21 de setembro de 2013

MAIS UM LOTE DE CUBANOS


O Estado de S.Paulo
Um balanço do Ministério da Saúde mostra que dois terços dos profissionais brasileiros inscritos no programa Mais Médicos não se interessaram em trabalhar nas condições oferecidas. Com isso, será necessário "importar" outro lote de médicos estrangeiros, provavelmente cubanos em sua maioria, pois eles são os únicos que aceitam atuar sem a mínima infraestrutura e sem direitos trabalhistas - afinal, eles estão aqui, como disseram, em "solidariedade" aos miseráveis brasileiros.

Nas duas fases da seleção de médicos, apenas 911 dos 2.510 profissionais brasileiros cadastrados concluíram o processo, isto é, apontaram a cidade em que gostariam de trabalhar. No estágio mais recente, os 400 participantes escolheram 217 municípios e 10 distritos de saúde indígena, o que representa apenas 2,4% da demanda total - e ainda há a possibilidade de que alguns inscritos não apareçam para trabalhar, como aconteceu na primeira fase em diversas cidades.
"A prioridade é a contratação de médicos brasileiros, mas não podemos deixar a população à espera de atendimento", disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, já a justificar a necessidade de trazer outros médicos do exterior. Demagogia à parte, louve-se que, depois de uma década de governos lulopetistas, em que seus líderes se gabavam de ter transformado o Brasil numa maravilha de Primeiro Mundo, o ministro da Saúde afinal reconheça a extrema precariedade do atendimento médico no País.
Pois é esse descalabro que afasta os médicos brasileiros dos lugares onde eles são mais necessários. Não há condições de trabalho em diversos municípios "rejeitados" por esses profissionais - e que, por isso, receberão os cubanos, habituados a atuar em situações de catástrofe. Os problemas nos postos de saúde são inúmeros: faltam equipamentos para primeiros socorros, material para a realização de exames de rotina e até macas. Há infiltrações e mofo nas paredes e falta água. "Se chegar alguém com parada (cardiorrespiratória), a gente vai orar, e só", disse à Folha de S.Paulo a médica de um posto no distrito de Araci, na Bahia.
Ao Estado, um inscrito no programa do governo relatou o caso de uma colega que desistiu justamente quando se deparou com a situação miserável que a aguardava. "Claro que foi embora. O clamor da população nas ruas é por saúde, não por mais médicos. Não adianta ter médico sem estrutura", disse ele. Ademais, muitos profissionais desistem porque, além de trabalhar em locais precários, não têm direito a FGTS, hora extra e 13.º salário.
O governo parece se esforçar para demonizar esses profissionais. Felipe Proenço, coordenador do Mais Médicos, disse que os brasileiros estão escolhendo onde querem atuar sem levar em conta "as localidades mais carentes". Logo, segundo esse argumento, não resta alternativa senão alocar cubanos nos lugares desprezados pelos brasileiros.
Essa estratégia cumpre o objetivo de estigmatizar, como insensíveis, aqueles que se opõem ao Mais Médicos não por causa de seus propósitos, obviamente importantes, mas por seu oportunismo eleitoreiro.
Além disso, camufla a inépcia do governo na área de Saúde - nos últimos cinco anos, nada menos que 286 hospitais ligados ao SUS foram fechados. De lambujem, coloca em evidência os médicos de Cuba, ditadura idolatrada pelos petistas, ressaltando o modelo de saúde socialista da ilha dos irmãos Castro.
Como já se sabe, o governo articulou a vinda dos médicos de Cuba ao menos seis meses antes que o tema viesse a público e que qualquer acordo fosse formalizado. Os médicos brasileiros, ao que parece, são coadjuvantes num teatro marqueteiro organizado pelos estrategistas do governo como resposta ao clamor das ruas.
O resultado não tardou a se refletir nas pesquisas: 73,9% dos entrevistados em recente sondagem da Confederação Nacional do Transporte disseram-se favoráveis ao Mais Médicos, que será a grande bandeira do ministro Padilha em sua campanha ao governo de São Paulo

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

É HORA DE MOSTRAR QUEM É O VERDADEIRO VILÃO DA HISTÓRIA


A classe médica vem sofrendo ao longo dos anos um processo de desgaste que vai desde a perda do poder aquisitivo à desmoralização total agora orquestrada pelo Governo, que incompetente para solucionar nossos problemas crônicos de falta de estrutura e investimento, resolve  promover a mais vil e torpe campanha contra aqueles que se dedicam a salvar vidas a amenizar o sofrimento de seus pacientes.

Um dia já fomos chamados de profissionais liberais, hoje somos empregados do Estado ou explorados por planos de saúde, raros são os colegas que sobrevivem apenas de seu consultório e da clientela particular. A imensa maioria se submete a regimes extenuantes de plantões ou pulam de emprego em emprego, chegando a atender em 3 ou 4 ambulatórios diariamente,  na tentativa de conseguir uma renda que dê um mínimo de conforto aos seus familiares. 

Com a municipalização da saúde, as Prefeituras passaram a ser os nossos grandes empregadores e posso afirmar do alto da minha experiência de 37 anos na saúde pública que raro são os Prefeitos que se preocupam seriamente em oferecer um serviço de qualidade aos seu munícipes, a falta de recursos em alguns casos e a falta de  vontade politica em outros, formam a grande maioria dos administradores municipais, mais preocupados com obras que politicamente lhes são mais vantajosas, dão mais palanque e fazem a festa de empreiteiros financiadores de suas campanhas.

Que incentivo tem um jovem médico, que após 6 anos de faculdade, dois ou três de residência médica para largar o conforto e as facilidades dos grandes centros e enfrentar o interior desse país? Sem uma carreira de Estado, sem um mínimo de condições de praticar uma medicina que faça a diferença para seus pacientes, coisa que todo estudante de medicina sonha praticar quando conseguir o tão almejado diploma. Na grande maioria dos casos vai encontrar hospitais sucateados, superlotados, sem aparelhagens que lhe possibilite diagnósticos mais precisos, mais rápidos. Rx sempre com defeitos por falta de manutenção adequada, laboratórios de qualidade duvidosa, realizam exames que quase sempre deixam mais dúvidas do que esclarecimentos, pois resultados que não batem com o quadro clinico do paciente requer experiência clinica para uma interpretação segura, aparelhos de ultrassonografia é um luxo para poucos e um tomógrafo à disposição no Pronto-Socorro soa quase como uma utopia.

Quase sempre solitário, cada plantão passa a ser uma loteria, um constante stress, um desgaste físico e mental enorme, o que fragilizará sua saúde ao longo dos anos, isso sem contar o risco físico, não são raras as agressões e ameaças a colegas, que sequer têm direito a descanso , pois a impaciência de quem espera por atendimento invariavelmente tende a culpar o médico por tudo de ruim que acontece na saúde.

Só para exemplificar, passo a relatar episódio que aconteceu recentemente comigo. Vítimas de um acidente de moto, um homem de aproximadamente 30 anos e um jovem de 18 anos, chegaram ao Hospital e fui chamado para atende-los. Os dois estavam visivelmente embriagados, o mais jovem tinha apenas algumas escoriações nos joelhos e nos braços necessitou apenas de curativos, o mais velho porém apresentava um traumatismo com grande hematoma no couro cabeludo e no tórax e embora não apresentasse sintomas de maior gravidade argumentei que o mesmo deveria ficar em observação até o dia seguinte, quando seria então radiografado e avaliado novamente. Foi então que o rapaz me interpelou e falou: Quero que mande a ambulância me levar em casa. Respondi que não, pois o mesmo morava longe, eu só tinha uma ambulância e que o mesmo poderia fazer companhia ao amigo, que lhe arrumaria um leito, ao que respondeu: Você tem que mandar me levar, está aqui para atender ao povo e que não passava da minha obrigação. Olhe aqui meu amigo, a minha obrigação foi atende-lo o que foi feito, agora se você insistir com essa falta de respeito vou ser obrigado a chamar a Polícia para acalmá-lo. Ficou mais irritado ainda e gritava no corredor, policia pra que? está aqui para atender não para chamar a policia, não sei o que vim fazer nessa merda de hospital. Só se acalmou quando o mais velho conversou com ele e finalmente aceitou ficar, sem antes soltar mais alguns palavrões.

Isso amigos, aconteceu comigo, médico antigo na cidade, conhecido de todos, imaginem com um colega mais novo e sem experiência para conduzir a situação? Faço esse relato para que tenham idéia do que passamos e a que ponto nossa imagem está comprometida junto à população, passamos a ser o Judas, passamos a ser os vilões e é exatamente isso que o Governo quer, achar um bode expiatório para convencer a população que o médico brasileiro não quer nada e que é necessário trazer os estrangeiros, principalmente os cubanos, já que esse se prestam à sua intenção de transformar esse país numa República Socialista nos moldes bolivarianos.

Faço aqui um alerta aos colegas médicos de todo o Brasil, faço aqui um apelo às nossas Entidades de Classe´, é preciso se tomar uma posição, é preciso reagir, é preciso mostrar a nossa força, precisamos nos unir para uma resposta à altura dessa Campanha de desmoralização que nos atinge a todos, começará pelos médicos e paulatinamente atingirá outras profissões, até que nossa democracia esteja mortalmente ferida, ou reagimos agora ou o branco de nossos jalecos poderão ser manchados pelo vermelho da ideologia comunista.


Não tem RX? denuncie,
Não tem medicamentos? denuncie,
Não tem esparadrapo? denuncie,
Não tem campo estéril para suturas? denuncie,
Não tem fios adequados para as pequenas cirurgias? denuncie,
Não tem exames? denuncie,
Não tem ambulância? denuncie,
Não tem FAX? denuncie,
O telefone foi cortado? denuncie
Não tem vaga na UTI? denuncie,
Não tem eletrocardiograma? denuncie,
Não tem um monitor de sinais vitais? denuncie,
Não tem um desfibrilador? denuncie,
Está sozinho para atender mais de 100 pacientes? denuncie,
Não tem um guarda no hospital? denuncie

É HORA DE MOSTRAR AO POVO QUEM É O VERDADEIRO VILÃO DA HISTÓRIA!

Dr.Marco Sobreira - Crm 1373-ES$
Atílio Vivácqua - Esp. Santo
@marcosobreira2 no twitter
 

terça-feira, 10 de setembro de 2013

INIMIGO MÉDICOS




Quando viu o povo na rua, cobrando atenção à Saúde Pública, Dilma adotou prática tão antiga quanto namorar no portão. Escolheu um inimigo e o apontou à sociedade: os médicos brasileiros. A partir daí, jogou contra eles os raios e trovões que conseguiu recolher em seu repertório.
A saúde pública tem problemas. Falta atendimento, dinheiro, leitos. São longas as filas. Espera-se meses por um exame e anos por uma cirurgia. De quem é a culpa? Segundo a presidente, a culpa é dos médicos. Sua Excelência cuidou de passar à sociedade a impressão de que eles preferem viver nos grandes centros não porque ali estejam os melhores hospitais, laboratórios e equipamentos, mas porque ali estão os melhores restaurantes, clubes e cinemas. Foi para a tevê tecer ironias com o fato de que os primeiros a fazerem opções no “Programa Mais Médicos” preferiram localidades litorâneas. A compreensão dessa mensagem pelos sem discernimento (estamos falando de dezenas de milhões) fica assim: os doutores gostam, mesmo, é de praia.
Através dessas paquidérmicas sutilezas, o governo tenta convencer a sociedade de que os médicos não vão para as pequenas comunidades porque se lixam para as carências com que ele, governo, se preocupa. Opa! Preocupa-se agora, preocupa-se depois das vaias, preocupa-se depois das passeatas. E esquece que, pelos mesmos motivos, milhões de outros profissionais também preferem trabalhar em centros urbanos mais dinâmicos. Identificado o inimigo, a presidente partiu para o ataque. Criou um 2º ciclo de formação médica, obrigatório, a serviço do SUS, com duração de dois anos, a ser prestado onde houver necessidade. Fez com que os médicos perdessem a exclusividade de diversas atribuições relativas a diagnósticos e prescrição de tratamentos. Jogou na lixeira a insistente e lúcida recomendação no sentido de que seja criada na área médica uma carreira de Estado, semelhante à que existe para as carreiras jurídicas. Explico isso melhor: espontaneamente, nenhum juiz ou promotor vai solicitar lotação em Paranguatiba do Morro Alto. No entanto, como etapa de uma carreira atraente e segundo regras bem definidas, sim. É desse modo que se resolvem as coisas numa sociedade de homens livres.
Nada revela melhor a vocação totalitária do partido que nos governa do que este episódio. É uma vocação que dispensa palavras, que atropela leis e se expressa nas grandes afeições. Cubanas, por exemplo. A vinda dos médicos arrematados em Castro & Castro Cia. Ltda. permite compor um catálogo de transgressões aos princípios da liberdade individual, da dignidade da pessoa humana, da justiça, da equidade, da proporcionalidade, do valor do trabalho. Repugna toda consciência bem formada a ideia de que um país possa alugar seus cidadãos a outro, enviá-los aos magotes como cachos de banana, beneficiar-se financeiramente dessa operação em proporções escandalosas e ainda fazer reféns as respectivas famílias por garantia da plena execução do mandado. E há quem afirme que toda oposição a uma monstruosidade dessas é “preconceito ideológico”! Pois eu digo diferente: acolher como louvável semelhante anomalia política é coisa que só se explica por desvio do juízo moral.
Dilma e os seus gostariam de dispor dos brasileiros como coisas suas, assim como os Castro dispõem dos cubanos. Sendo impossível, buscam-nos lá, do mesmo modo como, antigamente, eram trazidos escravos das feitorias portuguesas no litoral africano.
 Percival Puggina

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O FACISMO DO PT CONTRA OS MÉDICOS

O PT está usando uma tática de difamação contra os médicosbrasileiros igual à usada pelos nazistas contra os judeus: colando neles a imagem de interesseiros e insensíveis ao sofrimento do povo e, com isso, fazendo com que as pessoas acreditem que a reação dos médicos brasileiros é fruto de reserva de mercado. Os médicos brasileiros viraram os "judeus do PT".
Uma pergunta que não quer calar é por que justamente agora o governo "descobriu" que existem áreas do Brasil que precisam de médicos? Seria porque o governo quer aproveitar a instabilidade das manifestações para criar um bode expiatório? Pura retórica fascista e comunista.
E por que os médicos brasileiros "não querem ir"?
A resposta é outra pergunta: por que o governo do PT não investiu numa medicina no interior do país com sustentação técnica e de pessoal necessária, à semelhança do investimento no poder jurídico (mais barato)?
O PT não está nem aí para quem morre de dor de barriga, só quer ganhar eleição. E, para isso, quer "contrapor" os bons cidadãos médicos comunistas (como a gente do PT) que não querem dinheiro (risadas?) aos médicos brasileiros playboys. Difamação descarada de uma classe inteira.
A população já é desinformada sobre a vida dos médicos, achando que são todos uns milionários, quando a maioria esmagadora trabalha sob forte pressão e desvalorização salarial. A ideia de que médicos ganham muito é uma mentira. A formação é cara, longa, competitiva, incerta, violenta, difícil, estressante, e a oferta de emprego decente está aquém do investimento na formação.
Ganha-se menos do que a profissão exige em termos de responsabilidade prática e do desgaste que a formação implica, para não falar do desgaste do cotidiano. Os médicos são obrigados a ter vários empregos e a trabalhar correndo para poder pagar suas contas e as das suas famílias.
Trabalha-se muito, sob o olhar duro da população. As pessoas pensam que os médicos são os culpados de a saúde ser um lixo.
Assim como os judeus foram o bode expiatório dos nazistas, os médicos brasileiros estão sendo oferecidos como causa do sofrimento da população. Um escândalo.
É um erro achar que "um médico só faz o verão", como se uma "andorinha só fizesse o verão". Um médico não pode curar dor de barriga quando faltam gaze, equipamento, pessoal capacitado da área médica, como enfermeiras, assistentes de enfermagem, assistentes sociais, ambulâncias, estradas, leitos, remédios.
Só o senso comum que nada entende do cotidiano médico pode pensar que a presença de um médico no meio do nada "salva vidas". Isso é coisa de cinema barato.
E tem mais. Além do fato de os médicos cubanos serem mal formados, aliás, como tudo que é cubano, com exceção dos charutos, esses coitados vão pagar o pato pelo vazio técnico e procedimental em que serão jogados. Sem falar no fato de que não vão ganhar salário e estarão fora dos direitos trabalhistas. Tudo isso porque nosso governo é comunista como o de Cuba. Negócios entre "camaradas". Trabalho escravo a céu aberto e na cara de todo mundo.
Quando um paciente morre numa cadeira porque o médico não tem o que fazer com ele (falta tudo a sua volta para realizar o atendimento prático), a família, a mídia e o poder jurídico não vão cobrar do Ministério da Saúde a morte daquele infeliz.
É o médico (Dr. Fulano, Dra. Sicrana) quem paga o pato. Muitas vezes a solidão do médico é enorme, e o governo nunca esteve nem aí para isso. Agora, "arregaça as mangas" e resolve "salvar o povo".
A difamação vai piorar quando a culpa for jogada nos órgãos profissionais da categoria, dizendo que os médicos brasileiros não querem ir para locais difíceis, mas tampouco aceitam que o governo "salvador da pátria" importe seus escravos cubanos para salvar o povo. Mais uma vez, vemos uma medida retórica tomar o lugar de um problema de infraestrutura nunca enfrentado.
Ninguém é contra médicos estrangeiros, mas por que esses cubanos não devem passar pelas provas de validação dos diplomas como quaisquer outros? Porque vivemos sob um governo autoritário e populista.

Luiz Felipe Pondé - Folha de São Paulo

HÁ ALGO DE ESTRANHO COM A SAÚDE

Antônio Carlos Mariz de Oliveira * - O Estado de S.Paulo
Atualmente, mudanças tecnológicas, comportamentos e hábitos, preferências, maneiras de agir e de pensar sofrem constantes e rápidas mutações e nos deixam perplexos, em especial quanto às razões que as impelem. Mas medidas governamentais adotadas de inopino, sem prévia consulta ou preparação, por seu caráter autoritário, distante dos segmentos interessados, desprovidas de necessidade e de bom senso, são as que mais geram insegurança social e instabilidade à própria democracia representativa.
governo federal está trazendo 4 mil médicos cubanos para participarem de umprograma de assistência às regiões mais distantes e carentes do País. Claro que os médicos brasileiros têm condições e capacidade de sobejo para cumprir um papel social que extrapola os limites de seus consultórios. Especialmente, creio eu, os jovens estariam propensos a socorrer os brasileiros dos mais longínquos rincões, procurando suprir suas carências de saúde. Aliás, diga-se que os anseios da classe médica coincidem com as aspirações do povo em matéria de saúde. O médico brasileiro quer dar ao povo a saúde que lhe é devida.
Sabemos, no entanto, que não depende exclusivamente dele o cumprimento desse mister. Se ao médico são reservados o aperfeiçoamento científico da medicina, a excelência no atendimento pessoal, o esmero, a diligência e a perícia nos procedimentos adotados, ao Estado cumpre gerenciar a atividade pública da medicina, planejando, dotando-a de recursos, criando mais unidades médicas, fornecendo condições para que a malha de saúdese espraie para todo o território nacional, procurando diminuir a graus mínimos as vergonhosas carências no setor.
Pois bem, o reconhecimento da excelência da nossa medicina não é fruto de um nacionalismo piegas e irreal. Ao contrário, é a medicina mundial que nos rende homenagens. Os avanços da nossa ciência médica servem de paradigma em vários setores e são reconhecidos mundialmente. Quantos e quantos brasileiros, influenciados pelo vício nacional da baixa estima, ou, como diria Nelson Rodrigues, por nosso complexo de vira-latas, vão curar seus males em outros países e de lá são mandados de volta, pois dizem os médicos estrangeiros que a cura está no Brasil, e não em seus próprios países...
Sem fazer nenhuma distinção entre medicina pública e privada, com essa inusitada medida de importar médicos de Cuba, o governo está passando a falsa ideia ao mundo de ser a nossa medicina precária, estagnada no tempo, desprovida de pioneirismo e avanços científicos em vários setores. E mais, o profissional brasileiro poderá ser tido como desprovido de sensibilidade social, humanismo e solidariedade, que compõem a essência do juramento de Hipócrates.
É verdade que há alguma resistência dos nossos médicos, aliás, compreensível, a trabalhar nos locais mais ermos e desprovidos do nosso colossal território. Mas não é menos verdade que historicamente os governos jamais se importaram, obviamente incluído o atual, em criar condições favoráveis para que houvesse distribuição de saúde às classes desvalidas, não só dos locais distantes, como também das periferias urbanas.
É desnecessário desfilar o rol de atrozes sofrimentos infligidos aos pobres. Desídia e pouco-caso dos governos, no nível dos municípios, dos Estados e da União. Falta de sensibilidade, humanismo e vontade política. Desvio de verbas para setores de menor relevância. Corrupção. Má gestão. A situação da saúde dos brasileiros da periferia e dos grotões constitui uma vergonhosa tragédia nacional.
A culpa é dos nossos médicos? Não, faltam-lhes condições para atuar. A culpa é do poder público. Não se esqueçam as inúmeras ações de médicos que, descolados do Estado, agem apoiados por ações voluntárias de empresas e de ONGs, num trabalho verdadeiramente sacerdotal.
É de indagar se aos médicos cubanos foram expostas as precárias condições de trabalho que encontrarão. Além do mais, estarão eles preparados tecnicamente? Passarão por alguma avaliação que os habilitará a clinicar nas condições que vão encontrar?
Que a lei brasileira será burlada nós sabemos, pois seus diplomas não serão revalidados. A pergunta que se impõe é: qual o fato que está subjacente à estranha, inexplicável e inconveniente vinda dos médicos cubanos? Será porque eles são mais capacitados que os nossos? Ou a resposta se situa no campo político-ideológico? Nesse sentido, o Brasil estaria dando guarida a profissionais carentes de trabalho em seus países? Ainda há que indagar: uma vez que o País pagará bem mais do que os médicos receberão, qual a razão dessa ajuda financeira a Cuba?
Poder-se-á perguntar a razão de estar um advogado opinando sobre assunto alheio à sua especialidade. Respondo: nós, advogados, temos uma invencível incompatibilidade com situações injustas e ilegais e uma irresistível tendência a nos indignarmos em face delas. Assim, passamos a defender e a perseguir o que nos parece ser o justo.
Nos primórdios da humanidade, antes mesmo de a sociedade e o Estado se organizarem, nós éramos os vozeiros ou boqueiros. Emprestávamos a nossa voz e a nossa boca àqueles que, oprimidos, não tinham voz nem vez. Este é o nosso sagrado mister: falar, postular, ser a vez e voz de outrem.
Claro que os médicos brasileiros sabem defender os seus direitos com competência e coragem. E é o que estão fazendo. No entanto, premidos por nossa vocação e pela solidariedade a eles, nós, advogados, deveremos verberar mais essa conduta, no mínimo, esdrúxula do governo. Não esqueçamos, amanhã o mesmo poderá ocorrer conosco, com os engenheiros, economistas, etc., etc. E, de repente, será decretada a incompetência dos profissionais brasileiros, para gáudio de cubanos, venezuelanos, bolivianos e outros alinhados.
*Antônio Carlos Mariz de Oliveira é advogado criminal.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

ME DISSERAM QUE EU IA TER QUE DAR LUGAR A UM CUBANO, DIZ MÉDICA DEMITIDA

Hoje, em Murici, povoado de Sapeaçu (município a 150 km de Salvador), será o último dia de trabalho da médica mineira Junice Moreira, 47, no posto de saúde da família.
"Eu estava de plantão na quarta-feira da semana passada quando me ligaram. Disseram que eu tinha que dar lugar a um cubano", afirma.
O aviso da demissão partiu da Coofsaúde --cooperativa que faz o pagamento dos médicos que trabalham no município, por meio de contrato com a prefeitura.
A Coofsaúde confirma a saída de Junice e também que, em seu lugar, entrará um profissional do programa federal Mais Médicos.
A Prefeitura de Sapeaçu nega que o substituto de Junice será um médico cubano.
Ao ser informada pela cooperativa, a brasileira diz ter se surpreendido."Respondi que não tinha entendido, que não tinha feito nada errado", afirma a médica.
"Mas deixaram claro: 'Está vindo aí um médico de Cuba e a senhora vai precisar ceder a vaga a ele'", completa Junice, que mora no interior da Bahia há sete anos, na vizinha Cruz das Almas.
Não teve como resistir. Desligada a tempo de não constar na folha salarial de setembro, Junice diz que seus pacientes chegaram a chorar e a levar lembranças para ela assim que souberam da demissão. "O pessoal de Murici me adora."
Ao todo, foram seis meses trabalhando no "postinho", como chama o local. Ela diz que a cooperativa até lhe ofereceu uma transferência para outro lugar, mas não aceitou.
Junice faz plantão em diferentes municípios da região, como Ubaíra.
O caso chegou ao CRM da Bahia, e o presidente do conselho, José Abelardo de Meneses, encaminhou uma denúncia ao Ministério Público.
"Não vai ter 'mais médicos', como diz o nome do programa, mas mais médicos atendendo ao governo federal", afirma Meneses

Fonte: Folha de São Paulo

PREFEITURAS ESTÃO DEMITINDO MÉDICOS BRASILEIROS PARA RECEBER OS CUBANOS

Para aliviar as contas dos municípios, médicos contratados por diferentes prefeituras no país serão trocados por profissionais do Mais Médicos, programa do governo Dilma Rousseff (PT) para levar estrangeiros e brasileiros para atendimento de saúde no interior e nas periferias.
Na prática, a medida anunciada à Folha por prefeitos e secretários de saúde pode ameaçar a principal bandeira do plano: a redução da carência de médicos nesses lugares.

A reportagem identificou 11 cidades, de quatro Estados, que pretendem fazer demissões para receber as equipes do governo federal. Segundo as prefeituras, essa substituição significa economia, já que a bolsa de R$ 10 mil do Mais Médicos é totalmente custeada pela União.

O plano de Dilma foi lançado em julho e provocou polêmica na classe médica principalmente devido à vinda de estrangeiros --incluindo 4.000 cubanos, que devem ser deslocados para 701 cidades que não despertaram interesse de ninguém na primeira fase do Mais Médicos.

Outro atrativo alegado por prefeituras para a troca de equipes é a fixação desse novo médico no município por um período mínimo de três anos. Prefeitos reclamam da alta rotatividade dos médicos, que não se adaptam à falta de estrutura nessas localidades.

As cidades que já falam em trocar suas equipes estão no Amazonas (Coari, Lábrea e Anamã), Bahia (Sapeaçu, Jeremoabo, Nova Soure e Santa Bárbara), Ceará (Barbalha, Cascavel, Canindé) e Pernambuco (Camaragibe).

Hoje, as prefeituras recebem da União cerca de R$ 10 mil por equipe no programa Saúde da Família. Complementos de salários e encargos, porém, são pagos com recursos de cada cidade.
Editoria de Arte/Folhapress
Um exemplo é Coari, no Amazonas, a 421 km de barco de Manaus, onde a prefeitura paga R$ 25 mil para médicos recém-formados e R$ 35 mil para os especialistas.
"Somos obrigados a pagar esse valor ou ninguém aceita. Vamos tirar alguns dos nossos médicos e colocar os profissionais que chegarão do Mais Médicos", diz o secretário da Saúde, Ricardo Faria.

A prefeitura diz que vai demitir um médico de seu quadro para trocá-lo por outro que chegará já na primeira fase do programa federal.

Plano igual ao de Lábrea (a 851 km de Manaus), que tem seis médicos. "Pago R$ 30 mil para cada um deles. [Substituí-los] diminuiria os gastos da prefeitura", diz o prefeito Evaldo Gomes (PMDB).

Fonte: Folha de São Paulo

segunda-feira, 15 de julho de 2013

SOMOS MÉDICOS, NÃO MÁGICOS E MERCENÁRIOS

NÃO DÁ PARA FAZER MEDICINA SEM TER INFRAESTRUTURA. O DINHEIRO NÃO COMPRA MÉDICO.


Se alguma instância de poder oferecer hoje um salário R$ 100 mil para um médico trabalhar, por exemplo, em uma área remota da Amazônia, quase que certamente ele não irá. Talvez, um entre 100 aceite. Mas este não representa o espírito de uma classe que visa, acima de tudo, o apoio ao próximo e assistência humanística e olha a profissão sob as vistas do amor ao próximo.

O que quero dizer, em pouquíssimas palavras, é que nós médicos brasileiros não somos mercenários, não pautamos nossas ações no mercantilismo, na busca de dinheiro fácil. Nosso foco é outro, é a saúde e qualidade de vida, é trabalhar contra as mortes evitáveis. Isso porque uma só morte evitável não merece perdão, seja quem for o responsável. Aí está parte da explicação para o fato de o governo não conseguir levar médicos para as regiões distantes e periféricas das grandes cidades.

Contudo, o remédio para esse mal não passa pela importação de médicos formados no exterior sem qualificação comprovada, sem que estes profissionais se submetem à revalidação do diploma. Aliás, a revalidação do diploma precisa ser aprimorada. Para aprovar a entrada de um profissional de medicina graduado fora, seja ele estrangeiro ou brasileiro, não se pode apenas auferir a técnica. É preciso avaliar o perfil psicológico e formação ética e moral. Uma série de parâmetros tem de ser analisado porque é alguém de fora do Brasil, não é da terra, não possui nossa cultura, o jeitinho brasileiro em seu lado bom.

Essas diferenças têm forte reflexo na visão humanística que é a relação médico-paciente no exercício da medicina. Culturalmente, os valores são bem distintos. No que se refere à parte técnica, é preciso uma avaliação obrigatória, como já é com todo mundo.

O centro da questão da interiorização não pode ser distorcido, é a infraestrutura, porque se não há infraestrutura para um brasileiro, não existe também para o profissional de fora. O que ele é? médico ou mágico?

Não dá para fazer medicina sem infraestrutura, sem enfermagem, sem ter cirurgião dentista, sem ter outros profissionais da área da saúde, sem ter assistente social. O dinheiro não compra médico.

Antonio Carlos Lopes
Presidente da Sociedade Brasileira de Clinica Médica