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quarta-feira, 30 de julho de 2014

GAZETEIRO DE BOTECO



lula_362 (nacho doce - reuters) Luiz Inácio da Silva, sabem os brasileiros, é um fanfarrão malandro que governou o Brasil como estivesse administrando um boteco mequetrefe de esquina. Essa forma irresponsável de conduzir o País levou a uma crise econômica grave e preocupante, que sua sucessora fez a gentileza de dar seguimento. Até porque, Dilma foi apresentada ao eleitorado brasileiro como a garantia de continuidade. E não se pode continuar o cenário de lambança sem que novas lambanças ocupem a cena.
A falta de credibilidade do governo do PT é tão grande, que instituições financeiras passaram a alertar seus principais clientes sobre o perigo que representa para a economia nacional a reeleição de Dilma Rousseff, que durante quatro anos nada vez em prol do Brasil, a não ser passar a mão na cabeça de corruptos e adotar silêncio obsequioso diante de escândalos dos mais variados.
Entre as instituições que dispararam comunicados aos clientes relatando o perigo que representa a reeleição de Dilma está o banco Santander, que no rodapé dos extratos bancários publicou um alerta sobre o tema. A presidente por questões óbvias não gostou do fato e classificou como “protocolar” o pedido de desculpas feito pela direção do banco, que acabou demitindo os responsáveis por tornar público o que todos os brasileiros sabem.
Como Dilma é um dos postes fincados por Lula na política brasileira, o ex-metalúrgico saiu em defesa da sucessora durante evento da Central Única dos Trabalhadores e disparou contra o banco, abusando do seu estilo relações públicas de lupanar: “Analista do Santander não entende porra nenhuma de Brasil”.
“[Emílio] Botin, pé o seguinte querido. Eu tenho consciência de que não foi você que falou, mas essa moça tua que falou não entende porra nenhuma de Brasil e não entende nada de governo Dilma. Manter uma mulher dessa em um cargo de chefia? Pode mandar embora”, disse o abusado Lula, como se fosse sua a decisão sobre o futuro da analista que revelou a verdade sobre a nossa economia.
Lula, que por questões inexplicáveis arrebatou alguns títulos de doutor honoris causa ao redor do planeta, não haveria de concordar com a conclusão da analista do Santander, que se limitou a traduzir a dura realidade que ronda a economia brasileira. Se nesse imbróglio há alguém que não entende de Brasil, Dilma é a candidata com maior chance ao cargo de incompetente-mor, que dando sequência à lambança do antecessor conseguiu em apenas três anos e meio arruinar a economia verde-loura, o que tem deixado o mercado financeiro global com os dois pés atrás em relação ao País. Ademais, se há uma pessoa que nada sabe sobre o governo Dilma, essa é a própria presidente da República.
Patrono do período mais corrupto da história brasileira e agora atuando como lobista de empreiteira, Lula deveria se contentar com a própria insignificância, pois seu linguajar chulo e ignaro não apenas saturou a paciência dos cidadãos, mas mostra o nível de degradação que o Brasil alcançou no cenário internacional. O pior é imaginar que um cidadão dessa estirpe, desqualificado e ignorante, que é incensado diuturnamente por ter mentido de maneira contumaz aos brasileiros, continua dando ordens na seara política e decidindo o futuro da nação, como se o País fosse o quintal da sua casa.

Fonte: Ucho.Info


quinta-feira, 31 de outubro de 2013

O ENEM E A CHIBATA AUTORITÁRIA

Alexandre Barros* - O Estado de S.Paulo
O Brasil está mal em educação e, pelo visto, quer melhorar seu desempenho com o chicote do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Primeiro, criou um exame que reflete a incapacidade do Estado de fiscalizar a qualidade do ensino. Se não conseguimos melhorar a qualidade do ensino, chibata nos iludidos. Afinal, a culpa não é sempre do estudante. O Ministério da Educação (MEC) prefere olhar pelo retrovisor a olhar pelo para-brisa. Os educatecas (obrigado, Elio Gaspari), já que não resolvem o problema com reais soluções, fa-lo-ão punindo as vítimas.
Há gente que apenas não quer fazer o Enem. É uma liberdade assegurada pela Constituição, mas os educatecas põem todos no mesmo vagão. Destino: um campo de condenados. Talvez queiram imitar (mal) a Coreia do Sul. Lá, um exame feito no fim do curso secundário define o futuro de um estudante: se será um felizardo por toda a vida - seja na burocracia governamental, seja nos chaebols, os grandes conglomerados industriais - ou um pária para sempre, porque não se saiu bem num exame. A Coreia está repensando o que a revista inglesa The Economist (26/10) chamou de corrida armamentista: todos correm numa raia só para se saírem bem na prova que definirá a universidade - mas nem a economia nem a felicidade se resumem a um diploma universitário.
No Brasil, quem vai para a burocracia governamental regulará cada vez mais a vida de todos nós. Quem vai para a empresa privada terminará junto com muita gente no topo e pouca gente para fazer o que é importante no processo produtivo. De ambas as coisas se queixam muito os empresários brasileiros e são eles que fazem o Brasil crescer.
Na Coreia do Sul, menos estudantes estão optando por fazer o exame e aceitando que a felicidade pode estar fora daquilo que o bom resultado nele garante. A pressão é simplesmente muito grande e talvez não compense os sacrifícios.
Nos Estados Unidos a democratização da universidade começou com o fim da 2.ª Guerra Mundial. Todos os veteranos da guerra tiveram acesso a um curso universitário ou profissional e puderam melhorar de vida. Esse sistema subsistiu até cerca de 2005. Aí a economia disse: basta! Precisava de mais gente treinada para cumprir as tarefas de nível médio. Para isso a universidade é demais. Hoje, para muita gente, não compensa endividar-se para fazer um curso universitário que já não garante um emprego mais bem remunerado.
Em conversas com empresários brasileiros, estes dizem querer menos regulação e mão de obra mais competente no nível médio e operacional, "onde as coisas acontecem". Melhor um college de dois anos ou reciclagens periódicas. Com matérias específicas, universitárias ou não, concluídas num curso via internet, servem melhor às necessidades das empresas, que estão sempre sendo forçadas a inovar, e aos empregados, que precisam estar atualizados.
Há alguns anos uma universidade brasileira ofereceu cursos com aulas das 11 da noite à 1 da madrugada. Os educatecas chiaram: ninguém pode estudar a sério nesse horário, disseram. Depois de uma longa queda braço cederam e os cursos são um sucesso. Enquanto isso, o Senai (que, felizmente, não é controlado pelos educatecas) passou a oferecer cursos ligados à ferramentaria, das 4 da madrugada às 7 de manhã, no Complexo do Alemão. Havia fila na porta e a moçada que de lá saía tinha emprego garantido porque e economia precisava. Felizes eles, que não eram regulados pelo MEC.
Quem toma decisões em Brasília muito pouco contato tem com quem produz riqueza e paga impostos que sustentam o governo. Resultado cruel: mais políticas que saem da cabeça de quem não tem nenhuma experiência no processo produtivo e prejudicam a satisfação das necessidades reais da produção. A ânsia regulatória-fiscalizatória desvia atenções e recursos, que deviam ser canalizados para o crescimento, para atividades cartoriais e certificatórias que pouco ou nada rendem e muito atrapalham.
Steve Jobs, da Apple, e Bill Gates, da Microsoft, largaram a universidade e por isso puderam inovar. Peter Thiel, que ficou bilionário com o PayPal e com o Facebook, criou, por meio de uma fundação com seu nome, 20 bolsas por ano para estudantes com menos de 20 anos de idade largarem cursos universitários e se dedicarem a desenvolver inovações, orientados não por burocratas governamentais, mas por empresários de sucesso que produzem as coisas que nos fazem mais felizes. Esse choque de realidade faria efeito aqui, mas cá nem Jobs nem Gates poderiam ensinar em nenhuma faculdade porque não são formados por uma...
A Coreia pensa em "descomprimir" o sistema credencial. No Brasil, educatecas criam mais obrigações para "comprimir" mais os adolescentes com políticas que estão sendo abandonadas em outros países. Burocratas ouvem falar de programas que parecem ser muito bons em outros lugares e os transplantam para o Brasil sem saber de suas disfuncionalidades. Ou seja, criam políticas sem pés nem cabeça, "macaqueadas" de outros lugares onde já estão sendo abandonadas, para trazê-las para cá como se pudessem ser panaceias.
As regras do Enem estão cada vez mais rígidas (como tudo o que é administrado por burocracias). Agora, além de esse exame se estar tornando obrigatório, ainda querem colocar mais umas bolinhas de ferro nas tiras da chibata, inventando multas para quem se inscrever e não aparecer no dia da prova! Da cabeça de quem sairia uma coisa dessas?
Para quem ainda não se deu conta, uma ditadura se baseia no autoritarismo burocrático. Viver num sistema em que sempre os outros obrigam os uns a fazer o que os eles querem explica um pouco do que é o "tudo isso que está aí" contra o que as pessoas protestam.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O FACISMO DO PT CONTRA OS MÉDICOS

O PT está usando uma tática de difamação contra os médicosbrasileiros igual à usada pelos nazistas contra os judeus: colando neles a imagem de interesseiros e insensíveis ao sofrimento do povo e, com isso, fazendo com que as pessoas acreditem que a reação dos médicos brasileiros é fruto de reserva de mercado. Os médicos brasileiros viraram os "judeus do PT".
Uma pergunta que não quer calar é por que justamente agora o governo "descobriu" que existem áreas do Brasil que precisam de médicos? Seria porque o governo quer aproveitar a instabilidade das manifestações para criar um bode expiatório? Pura retórica fascista e comunista.
E por que os médicos brasileiros "não querem ir"?
A resposta é outra pergunta: por que o governo do PT não investiu numa medicina no interior do país com sustentação técnica e de pessoal necessária, à semelhança do investimento no poder jurídico (mais barato)?
O PT não está nem aí para quem morre de dor de barriga, só quer ganhar eleição. E, para isso, quer "contrapor" os bons cidadãos médicos comunistas (como a gente do PT) que não querem dinheiro (risadas?) aos médicos brasileiros playboys. Difamação descarada de uma classe inteira.
A população já é desinformada sobre a vida dos médicos, achando que são todos uns milionários, quando a maioria esmagadora trabalha sob forte pressão e desvalorização salarial. A ideia de que médicos ganham muito é uma mentira. A formação é cara, longa, competitiva, incerta, violenta, difícil, estressante, e a oferta de emprego decente está aquém do investimento na formação.
Ganha-se menos do que a profissão exige em termos de responsabilidade prática e do desgaste que a formação implica, para não falar do desgaste do cotidiano. Os médicos são obrigados a ter vários empregos e a trabalhar correndo para poder pagar suas contas e as das suas famílias.
Trabalha-se muito, sob o olhar duro da população. As pessoas pensam que os médicos são os culpados de a saúde ser um lixo.
Assim como os judeus foram o bode expiatório dos nazistas, os médicos brasileiros estão sendo oferecidos como causa do sofrimento da população. Um escândalo.
É um erro achar que "um médico só faz o verão", como se uma "andorinha só fizesse o verão". Um médico não pode curar dor de barriga quando faltam gaze, equipamento, pessoal capacitado da área médica, como enfermeiras, assistentes de enfermagem, assistentes sociais, ambulâncias, estradas, leitos, remédios.
Só o senso comum que nada entende do cotidiano médico pode pensar que a presença de um médico no meio do nada "salva vidas". Isso é coisa de cinema barato.
E tem mais. Além do fato de os médicos cubanos serem mal formados, aliás, como tudo que é cubano, com exceção dos charutos, esses coitados vão pagar o pato pelo vazio técnico e procedimental em que serão jogados. Sem falar no fato de que não vão ganhar salário e estarão fora dos direitos trabalhistas. Tudo isso porque nosso governo é comunista como o de Cuba. Negócios entre "camaradas". Trabalho escravo a céu aberto e na cara de todo mundo.
Quando um paciente morre numa cadeira porque o médico não tem o que fazer com ele (falta tudo a sua volta para realizar o atendimento prático), a família, a mídia e o poder jurídico não vão cobrar do Ministério da Saúde a morte daquele infeliz.
É o médico (Dr. Fulano, Dra. Sicrana) quem paga o pato. Muitas vezes a solidão do médico é enorme, e o governo nunca esteve nem aí para isso. Agora, "arregaça as mangas" e resolve "salvar o povo".
A difamação vai piorar quando a culpa for jogada nos órgãos profissionais da categoria, dizendo que os médicos brasileiros não querem ir para locais difíceis, mas tampouco aceitam que o governo "salvador da pátria" importe seus escravos cubanos para salvar o povo. Mais uma vez, vemos uma medida retórica tomar o lugar de um problema de infraestrutura nunca enfrentado.
Ninguém é contra médicos estrangeiros, mas por que esses cubanos não devem passar pelas provas de validação dos diplomas como quaisquer outros? Porque vivemos sob um governo autoritário e populista.

Luiz Felipe Pondé - Folha de São Paulo

sábado, 29 de junho de 2013

CADÊ A ESTADISTA?

Capa - Edição 788 (Foto: ÉPOCA)
Na manhã da última quarta-feira, num dos muitos encontros políticos do “pacto nacional” que prometera na TV dias antes, a presidente Dilma Rousseff aceitou receber para uma conversa, no Palácio do Planalto, os presidentes das principais centrais sindicais do país. Não houve papo. Dilma defendeu, por 40 minutos ininterruptos, a proposta que sacudira o Brasil nos últimos dias: uma reforma política com participação popular. Em seguida, determinou que cada convidado teria apenas dez minutos para dizer o que pensava – mas nem tanto. Wágner Freitas, presidente da CUT, central ligada ao PT, queria falar. Até tentou, mas foi interrompido algumas vezes por Dilma. No momento em que Dilma parecia hostilizar qualquer contribuição que destoasse do que ela, na verdade, já decidira, era inevitável para alguns dos presentes lembrar o pobre sindicalista Artur Henrique, ex-presidente da CUT. Em maio do ano passado, numa das raras vezes em que Dilma pediu a opinião dos sindicalistas para qualquer coisa, Henrique ousara criticar uma medida do governo. “Você está falando besteira, cala a boca!”, disse Dilma. 
Desta vez, não houve grosseria. Mas sobrou rispidez – e constrangimento. No meio da reunião, um participante quis ir ao banheiro ao lado da sala, no 3° andar do Planalto. Um segurança aproximou-se, meio sem graça: “Amigo, não usa esse banheiro, vai no lá de baixo”. O sindicalista quis saber por quê. “É que, quando dá descarga, a presidenta fica muito brava com o barulho”, disse o segurança. À medida que a reunião transcorria, quando algum sindicalista ia ao banheiro, outro soltava a piada baixinho: “Ela vai meter o braço em você...”. Não demorou para que Dilma interrompesse a conversa. “Meu tempo acabou, meu tempo acabou, não dá mais para vocês falarem”, disse. A reunião durara menos de duas horas. Os sindicalistas saíram do gabinete presidencial convencidos de que Dilma os despreza. Saíram, também, sem entusiasmo por qualquer pacto – e sem vontade de voltar.
PRESSIONADA O estilo de governo e a personalidade de Dilma a afastaram do Congresso, das ruas e até do próprio PT. Sua reeleição está em risco? (Foto: Roberto Stuckert Filho)
A personalidade de Dilma – a caminho de completar seu terceiro ano de mandato, com dez de Brasília nas costas e metida na mais grave crise política brasileira desde o mensalão – tornou-se um problema para o país. Não apenas por causa dos abundantes episódios de rispidez com políticos e subordinados – mas, sobretudo, porque esses episódios revelam uma presidente inflexível, aparentemente incapaz de se curvar ao erro, mesmo quando confrontada com as vozes das ruas, que agora chegam a poucos metros do Planalto. Revelam uma tecnocrata obstinada, não uma estadista consciente de que, para liderar o país num momento de crise, é preciso genuinamente buscar o diálogo não apenas com a população, mas também com todas as forças políticas que compõem a democracia brasileira. Se o Brasil estivesse no rumo certo, as inquebrantáveis convicções de Dilma – nas opções de política econômica, na centralização obsessiva da gestão do governo, no desprezo pelos políticos – poderiam ser consideradas corretas. Mas o Brasil está no rumo certo? Não há maquiagem na propaganda oficial que consiga camuflar os problemas no governo, apesar de os gastos com esse quesito estarem em alta no Planalto (de acordo com o jornal Folha de S.Paulo, as despesas com o visual da presidente subiram 681% desde dezembro de 2012 e somam R$ 3.125 a cada aparição de TV em cadeia nacional).
A aprovação de Dilma entrou em parafuso depois que as manifestações começaram. Um dos registros é do instituto Ideia, ligado a marqueteiros que trabalham para a oposição. Antes das manifestações, 72% dos entrevistados consideravam o governo Dilma bom ou ótimo. Agora, são 46%. Houve impacto também na intenção de voto. Há duas semanas, Dilma tinha 54%. Caiu para 44%. Marina Silva (Rede) ganhou 4 pontos percentuais e foi para 24%. Aécio Neves (PSDB) somou mais 2 e foi para 20%. Eduardo Campos (PSB) tem 5%. A avaliação de governadores e prefeitos de capitais caiu 30 pontos, em média. Levantamentos feitos nos Estados por outros institutos também mostram o derretimento dos governantes. Dados em mãos do PT baiano a colocam no patamar dos 30 pontos. No Amazonas, ela ficou com 32. Esses números começam a lançar sementes de dúvidas sobre sua reeleição e impõem a necessidade de mudança em seu comportamento para recobrar o rumo político. Mas, sem reconhecer erros, será possível mudar?
Revista Época

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

DEMOCRATIZAÇÃO, NÃO CONTROLE OU LOBO VESTIDO DE OVELHA

O PT já percebeu que pega mal falar de "controle social da mídia". Agora, o que reivindicam os petistas é a "democratização dos meios de comunicação". Claro, o termo "controle" tem uma desagradável conotação autoritária. É melhor defender a mesma ideia usando uma expressão mais simpática, sedutora. Afinal, não se pode ser contra a "democratização", seja lá do que for. Portanto, sai "controle", entra "democratização". Por exemplo, o presidente nacional do PT, Ruy Falcão, em entrevista à imprensa dias atrás, anunciou a realização, no âmbito dos debates sobre o marco regulatório da comunicação eletrônica, um seminário que deverá reunir em São Paulo "todas as entidades, organismos e parlamentares interessados na democratização dos meios de comunicação". Da comunicação eletrônica? Não, dos meios de comunicação, tout court.

O esperto floreio de linguagem apenas camufla a irreprimível vocação autoritária do PT, que na verdade não admite uma imprensa livre criticando seus programas e seu governo e por isso quer "democratizar" os veículos de comunicação. Uma clara demonstração do uso que o partido faria da "democratização" dos meios de comunicação que preconiza são as recentes tentativas da ministra da Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres, Iriny Lopes, de interferir numa peça publicitária protagonizada pela modelo Gisele Bündchen e no enredo da novela "Fina Estampa", da TV Globo, sob a alegação de que em ambos os casos a condição feminina estaria sendo colocada numa posição de "subalternidade". Seria o Estado decidindo o que constitui ou não a dignidade da condição feminina.

É notável também a insistência do PT em colocar num mesmo balaio duas questões absolutamente distintas, na tentativa de se valer da confusão para impor sua visão autoritária a respeito do controle da mídia. Uma coisa é o problema da atualização do marco regulatório da comunicação eletrônica, necessária em razão da enorme defasagem da legislação vigente em relação aos avanços tecnológicos na área. Outra coisa é a tentativa de regulação - censura, em português claro - dos conteúdos veiculados por todas as mídias, inclusive a impressa. E é isso que se tentará colocar em pauta no seminário anunciado pelo presidente petista.

Esse seminário, quem sabe, poderá lançar luzes sobre o verdadeiro significado de "democratizar" a mídia. Se a grande imprensa brasileira não é democrática, como acusa o PT, isso significa o quê? Que falsifica a realidade em benefício de interesses escusos, por exemplo, quando denuncia escândalos que obrigam a presidente a demitir ministros? Ou quando participa do debate político e das campanhas eleitorais, criticando os excessos do PT?

Se é isso que pensa o PT, está em clara divergência com a presidente Dilma Rousseff. Em primeiro lugar, pela razão óbvia de que ela foi eleita, apesar de não ter contado com o apoio da grande mídia. Mais do que isso, porém, porque Dilma, desde a campanha eleitoral do ano passado, jamais deixou de expressar, de maneira absolutamente cristalina, seu repúdio a qualquer tentativa de controle da mídia e a sua confiança na imprensa livre que existe hoje no País.

Quando era candidata à Presidência, em outubro do ano passado, Dilma Rousseff declarou: "A imprensa pode falar o que bem entender. Eu, o máximo que vou fazer, quando achar que devo, é protestar dizendo: está errado o que disseram por isso, por isso e por isso. Usando uma coisa fundamental que é o argumento". Em seu discurso de posse, proclamou: "Prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras. As críticas do jornalismo livre ajudam ao País e são essenciais aos governos democráticos, apontando erros e trazendo o necessário contraditório". Em setembro, em visita aos Estados Unidos, ao assinar uma parceria com o governo norte-americano pela transparência e pela fiscalização das ações dos poderes públicos, garantiu: "Conta-se também com a positiva ação vigilante da imprensa brasileira, não submetida a qualquer constrangimento governamental".

Dilma e o PT que se entendam.

Fonte: O Estadão. com

segunda-feira, 11 de julho de 2011

CORRUPÇÃO SEM CONTROLE.

A corrupção da sociedade pelo poder público petista, em diversas instâncias, está sem controle. O Estado controlador foi transformado pela Fraude da Abertura Democrática em Estado corruptor após a tomada do poder pelo PT, consequência direta de seu primeiro estelionato eleitoral.

As hediondas sementes da degeneração moral do Congresso, deixadas cair no submundo do poder público, durante o segundo mandato de FHC, foram multiplicadas muitas vezes pelos desgovernos petistas. O Parlamento já perdeu sua utilidade para a sociedade e virou um balcão de negociatas espúrias.

O atual Procurador Geral da República –subordinado ao Poder Executivo– em um show de hipocrisia compulsória, acaba de pedir a condenação dos réus da gang dos 40, sem nem menos mencionar o 41º meliante –esse, provavelmente, o verdadeiro chefe da gang –, já acusado, diretamente, por outro procurador.

Ao mesmo tempo já sabemos que, em breve, testemunharemos a prescrição dos mais graves crimes desses patifes, verdadeiros genocidas que indiretamente provocaram a morte de centenas de cidadãos por surrupiarem o dinheiro dos impostos que deveria ser aplicado na saúde, na segurança e na educação, por exemplo.

Sistemáticas, redundantes e cansativas denúncias de corrupção é moda de leitura na mídia durante os desgovernos petistas envolvendo também sua base aliada.

Apenas para citar algumas recentes temos a do governador do Rio com as empreiteiras, da Valec, do Ministério dos Transportes e, na data em que escrevemos este artigo, está sendo denunciada por desvios de verbas para a reconstrução de cidades atingidas por enchentes que causaram a morte de mais de 1000 pessoas, a maioria crianças, a prefeitura petista de Petrópolis (com seu modo de operar o dinheiro público já conhecido por todos os seus habitantes).

A falência educacional e cultural do país tem formado gerações de empresários safados que, respondendo às sinalizações calhordas do poder público, se entregam a parcerias corruptas para roubar o dinheiro dos contribuintes.

O sistema de governo do país apelidado por cientistas sociais de “presidencialismo de coalizão” tem se mostrado, na verdade, como uma Corruptocracia Petista de Corrupção com a síndrome do rabo preso cada vez mais impedindo que as denúncias tenham consequência jurídica séria, tendo em vista o risco crescente do castelo de cartas da corrupção petista desabar diante da sociedade, envolvendo todos os cúmplices da tragédia moral por que passa o país.

Quem se negar a reconhecer que o Brasil está entregue a quadrilhas que tomaram conta do poder público diante das caras de paisagem dos órgãos que têm a responsabilidade de evitar esse desastre social, é cúmplice, é covarde, ou é um ignorante, vítimas da falência educacional e cultural do país.

A situação do país é muito mais grave do que a de 1964. Não se trata agora do risco de invasão comunista, mas muito pior do que isso. Estamos testemunhando uma profunda e quase irreversível degeneração moral das relações público privadas, quase que formalizando a formação de uma nova sociedade feudal sob o comando da Corruptocracia Petista, em pleno século 21.

Não faltam mais motivos para uma dura intervenção civil-militar no país diante de sua transformação em um Paraíso da Patifaria, desgovernado por Covis de Bandidos controlados por uma burguesia protetora de Oligarquias de Ladrões.

O que falta então?

Faltam dignidade, honradez, patriotismo e coragem para que a parcela da sociedade civil e dos militares das Forças Armadas, que ainda não se deixaram encantar pelos cantos da sereia da corrupção petista, assumam suas responsabilidades e destituam esse poder calhorda que está transformando as relações público-privadas em descarados

instrumentos de enriquecimento ilícito sob a proteção de uma Justiça degenerada.
Os esclarecidos canalhas pertencentes ao poder público, ao jornalismo, à academia, e a outros importantes segmentos da sociedade, que estão cumpliciados com a destruição do país terão que, mais cedo ou mais tarde, pagar com seu sangue, presente ou sucessor, sua cumplicidade com a destruição de nossa pátria.

Em breve o país estará enfrentando uma moratória do Estado, pois o produto do roubo ou da utilização irresponsável do dinheiro dos contribuintes não vai mais dar para pagar os salários de um Estado gigante corrupto e empreguista de meliantes, assim como seus bandidos públicos e privados vinculados.

Provavelmente, assim como milhares de idiotas devolveram suas armas ao poder público, teremos esses mesmos, e muitas outras centenas de idiotas entregando seus “cofrinhos” cheios de moeda para ajudar a pagar a dívida pública.

Um país de covardes, omissos, corruptos, ignorantes e de idiotas, e sem uma Justiça que mereça esse nome, é um país sem futuro.

Será que nas próximas eleições a sociedade vai continuar utilizando seu direito legal de votar em canalhas, bandidos, em corruptos, e em ignorantes?

Não dá mais para dizer que não sabia, pois todos habitam quase que diariamente as páginas dos jornais.

Comentário do Jornal dos Amigos

Já estamos diante de uma ditadura civil, ou você não se dá conta? A prova disso são os atos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário na esfera da União. Legendas partidárias a parte, ouça no link http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=X6aVC-zQqL0 o pronunciamento no dia 21 de junho deste ano do senador Demóstenes Torres do DEM-GO, sobre o conteúdo dos livros da coleção "Viver Aprender", distribuída pelo Ministério da Educação. Pura propaganda socialista petista no modelo arcaico soviético com a deturpação dos valores éticos e morais de uma sociedade ainda conservadora.

Podemos mudar atuando para que realmente haja mudança em governos (municipal, estadual e federal), ou mudar de país. Se você fala inglês, ou melhor ainda, francês, Quebec-Canadá aceita de braços abertos emigrantes que tenha alguma profissão. Sucesso garantido no prazer de viver. Confira no link http://www.immigration-quebec.gouv.qc.ca/placeauquebec/pt/. Não é que até no link o PT se revela como um pesadelo???!!!

Por Geraldo Almendra

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O GERME DO AUTORITARISMO.

O País apresenta uma situação assaz curiosa. De um lado, observamos estranha complacência com os mais distintos descalabros relativos à coisa pública, tratada, na verdade, como coisa de uns poucos. É como se a Nação estivesse adormecida. De outro, notamos uma espécie de cruzada contra alguns comportamentos, tidos por nocivos à saúde e ao bem de cada um, como se coubesse ao Estado ingerir nas escolhas individuais. É uma espécie de puritanismo de Estado.

A Nação está adormecida. Governantes e parlamentares estão dando uma amostra do que não deveria ser um comportamento exemplar de representantes do povo. O exemplo funciona ao contrário, como aquilo que não deveria ser feito. A mensagem que esses representantes passam aos cidadãos é a seguinte: locupletem-se com o dinheiro público, com os impostos de cada um de nós.

A aprovação de leis na Câmara e no Senado torna-se objeto de barganha pública por cargos, emendas e benesses dos mais diferentes tipos, como se o mérito de cada uma das iniciativas não devesse ser considerado enquanto tal. Estamos mesmo perdendo o sentido da hipocrisia. Nesta, um tributo é ainda pago à virtude, pois os que dela fazem uso procuram, ao menos, encenar um outro comportamento, voltado para o "bem". Na ausência da hipocrisia, até essa encenação desaparece.

Palavras perdem o seu sentido ou passam a significar algo totalmente distinto, como se ilícitos ou crimes fossem brincadeiras de crianças, coisas de "aloprados". O escândalo dos aloprados ganhou nova dimensão com a revelação, pela revista Veja, do "desabafo" de um "qualificado" militante petista de que suas ações "inqualificáveis" tiveram apoio partidário para desqualificar a candidatura de José Serra ao governo do Estado de São Paulo, em 2006. Foi mais preciso ainda ao dizer que o mesmo instrumento já havia sido utilizado com sucesso para desqualificar uma companheira do partido, Serys Slhessarenko, e o tucano Antero Paes de Barros, em Mato Grosso. Nem os companheiros são poupados.

Num país "acordado", essa nova revelação teria efeito bombástico, sendo propriamente um fato novo que deveria ensejar novas investigações da Polícia Federal e do Ministério Público e uma atitude firme do Congresso. Até agora, nada aconteceu. O ministro Aloizio Mercadante, apontado por seu companheiro de partido como um dos mentores daquela ação criminosa, compareceu ao Senado e nada aconteceu. A própria oposição mostrou desinteressar-se do caso. O ministro chegou ao desplante de dizer que a militância envolvida no episódio achava que, assim, iria destruir a corrupção: "Eles entendiam que havia blindagem na imprensa em relação às ações do governo Lula. Então eles achavam que tinham essa missão heroica de combater isso".

A bandidagem mudou de nome, agora se chama "missão heroica". Está entendido. Os "aloprados" deveriam ser considerados "heróis", embora possam ter-se equivocado em sua ação. Trata-se de uma enormidade. O problema, porém, reside em como podemos ter chegado lá, quando uma frase desse tipo é dita no Senado sem que produza comoção. Isso só se explica pela degradação moral do ambiente político.

Por outro lado, o governo transmite uma outra mensagem, compartilhada também por governos de outras agremiações partidárias nos níveis estadual e municipal. O Estado estar-se-ia ocupando da saúde dos indivíduos, do seu bem. No país do carnaval e da cachaça, a mensagem é a de um puritanismo alicerçado no Estado.

As medidas de cerceamento da liberdade de escolha, em diferentes níveis, só se têm acentuado. Começam insensivelmente, de modo a não produzir grandes reações. Funcionam como uma espécie de anestesia progressiva. Progressiva porque não se trata de uma anestesia comum, que deixa de produzir os seus efeitos após um breve período.

As coisas funcionam anodinamente. Numa espécie de longa história, ela começa com o cinto de segurança. Deveria ser função do Estado informar sobre os eventuais malefícios de dirigir sem o cinto de segurança, cabendo a cada um decidir se seguirá ou não essa orientação, assumindo, evidentemente, as suas consequências. A história prossegue com uma cruzada contra o fumo e as bebidas alcoólicas, como se as pessoas fossem incapazes de discriminar por si mesmas o que é melhor para elas. Para evitar qualquer tipo de mal-entendido, não estou advogando que uma pessoa em ambiente fechado fume na cara de outra, o que seria um evidente desrespeito ao direito alheio, mas que se possam frequentar lugares exclusivos para uns e outros. Tampouco que bêbados dirijam pelas ruas. Se causarem um acidente por isso, devem, evidentemente, ser severamente punidos. Daí não se segue uma legislação puritana que só tem equivalente no mundo em países como a Arábia Saudita. Uma legislação mais tolerante seria muito mais adequada, como ocorre em vários países europeus. Um cálice ou dois de vinho não causam embriaguez!

A situação de restrição à escolha individual chega às raias da insensatez, obrigando as pessoas a usarem um padrão de tomada determinado, como se cada um não pudesse fazer sua opção. Parece não haver limites para a intromissão do Estado, obrigando até mesmo os médicos a não prescreverem certos tipos de remédios para emagrecer, como se não fossem pessoas qualificadas para o exercício de sua profissão. A lista é longa e se estende à compra de antibióticos nas farmácias sem receita especial, além de outras que já se anunciam quanto à publicidade de comidas gordurosas ou contendo alto teor de sódio. Telefones celulares estão igualmente na mira, pelas ondas que utilizam.

A situação não deixa de ser paradoxal. Complacência completa com a imoralidade pública e imposição de comportamentos puritanos na esfera privada. Quem ganha com esse estranho jogo, o do germe do autoritarismo?

Denis Lerrer Rosenfield - O Estado de S.Paulo

terça-feira, 28 de junho de 2011

O PARANOICO PC CHINÊS

Como diria o então primeiro-ministro chinês Zhou Enlai (1898-1976) talvez seja "muito cedo" para avaliar o legado histórico do Partido Comunista Chinês (PCC), que completa 90 anos na próxima sexta-feira, tendo conduzido o mais populoso país do mundo a imensuráveis abismos de violência e destruição para, depois, soerguê-lo à condição de segunda maior economia do globo. Não se sabe, afinal, o que Zhou considerava prematuro julgar - os efeitos da Revolução Francesa de 1789, como durante muito tempo se achava, ou, como se acredita hoje, mais prosaicamente, os da rebelião estudantil de maio de 1968, também na França. Tampouco se entende, a rigor, como a outrora miserável China emergiu de décadas de terremotos políticos, para se estabilizar sobre o tripé de pujança econômica, ditadura política e atraso social.

Entre 1958 e 1962, quando Mao Zedong promoveu o "grande salto para a frente", o programa de industrialização a toque de caixa que deveria levar a China a superar a Grã-Bretanha em apenas uma década e meia, o resultado, sustentam os historiadores, foi a pior catástrofe produzida pela ação humana em todos os tempos. A destruição da economia agrícola e a brutalidade com que foi conduzido esse insano experimento de engenharia social e reinvenção do sistema produtivo, com as "comunas populares" e suas siderúrgicas de fundo de quintal, mataram de fome ou a bala entre 36 e 45 milhões de chineses, segundo estimativas recentes. Outros países, quem sabe, passariam décadas só tentando se recuperar de um colapso de tamanhas proporções. A China foi muito além disso, com suas taxas de crescimento em torno de 10% ao ano.

Em outubro de 2009, no transcurso do 60.º aniversário da revolução que o instalou no poder, o PCC celebrou a "era da prosperidade harmoniosa". O conceito clássico de harmonia, central ao pensamento chinês há milhares de anos, foi apropriado pela elite dirigente nacional - o partido, os militares e a tecnocracia - para ser a expressão da ideologia que substituiu o maoismo de inspiração marxista-leninista. Sob o lema "Enriquecer é glorioso", do reformador econômico Deng Xiaoping (1904-1997) e a emenda constitucional de 2004 que tornou "inviolável" a propriedade privada no país, o ideal da sociedade sem classes cedeu o lugar, como doutrina do partido, ao da construção de uma economia moderna, com um misto de mercado e regulação estatal. Nela, por definição, os interesses sociais convergem e se harmonizam. E essa harmonia é incompatível com as perturbações inerentes ao modelo ocidental de liberdades públicas, pluripartidarismo e governança democrática.

No modelo chinês - um termo que as autoridades chinesas não gostam, talvez porque exponha a incoerência estrutural do sistema -, a abertura econômica coexiste com graus variáveis de amordaçamento político. À medida que a prosperidade exacerba, por exemplo, as desigualdades entre as novas classes médias da China urbana e as carentes populações rurais, cujas demandas assumem cada vez mais a forma de distúrbios, o PCC aperta as cravelhas, denuncia a dissidência como instigação à desordem e ofensa à harmonia e abre - de fora para dentro - as portas das prisões. Desde a supressão dos protestos estudantis, encarnada no massacre da Praça da Paz Celestial, em Pequim, há 22 anos, não se via no país um surto autoritário como o atual. A mera possibilidade de que a chamada Primavera Árabe desse fôlego novo aos movimentos chineses de defesa dos direitos humanos acionou a mão truculenta do regime presidido por Hu Jintao.

É quase unânime entre os observadores a impressão de que a linha-dura continuará a dar as cartas no PCC a partir de outubro de 2012, quando Jintao será substituído pelo atual vice-presidente Xi Jinping, não menos conservador em matéria de repressão aos dissidentes. Os líderes do partido "se sentem ameaçados e estão paranoicos", constata o cientista político Willy Lam, de Hong Kong. A sua reação pavloviana é intensificar o seu poder de coerção sobre as vozes "desarmônicas".

Fonte: O Estado de São Paulo

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A DEMOCRACIA AGREDIDA.

(Artigo do Min. Paulo Brossard na Zero Hora de hoje, 25-X-2010)


Eu era estudante em 1945 e participei da campanha pela redemocratização do país e votei na eleição de 2 de dezembro daquele ano para presidente da República e para a constituinte que elaboraria a Constituição de 18 de setembro de 1946. Encerrava-se o longo e triste ciclo do Estado Novo, durante o qual houve de tudo, a começar pela destruição dos valores democráticos e pelo endeusamento do ditador, à semelhança do que se fizera nos países totalitários da Europa.

E continuei a participar de campanhas e eleições até ser nomeado para o Ministério da Justiça e, posteriormente, para o Supremo Tribunal Federal.

Sempre entendi que o ministro da Justiça não deveria ser parte da campanha, mais do que qualquer outro não podendo ser, ao mesmo tempo, autoridade e ator, pois a ele competiria a adoção de medidas que se fizessem necessárias no período eleitoral. Digo isto para salientar que em mais de 40 anos fui testemunha de muito “excesso” e “abuso”, mas nunca tinha visto o que passei a ver e continuo a assistir dia a dia se agravando.

E isto é tanto mais significativo quando em quase todos os sentidos o país tem progredido e em muitos deles o progresso chega a ser notável; no que tange à instrumentalidade eleitoral, por exemplo, é quase inacreditável o aperfeiçoamento, mas no momento em que o chefe do Estado se despe da faixa presidencial e assume a chefia real e formal da campanha de um candidato e em cerimônia oficial insulta o candidato, por sinal, da oposição, chamando-o de mentiroso, ele se despe da magistratura presidencial, inerente à Presidência, e ingressa no mundo da ilicitude, que, para um presidente, é a mais grave das infrações às suas indisponíveis responsabilidades.

De resto, isto é a porta aberta para a consumação de todas as truculências verbais e físicas. É preciso não esquecer que a violência é doença contagiosa, e com a publicidade que o governo dispõe ele pode incendiar o país.

O presidente quer ganhar a eleição a qualquer custo e pode ganhar, mas a sua eleita pode não governar. Já vi coisa parecida e não terminou bem. O presidente alinhou o Brasil na maçaroca do coronel Chávez. A partir de agora alguém pode sair às ruas portando um cartaz, seja do que e de quem for, sem correr o risco de ser agredido pela guarda de choque do presidente.Foi assim na Itália fascista e na Alemanha nazista.

O que aconteceu ontem instantaneamente ganhou uma versão cor-de-rosa na publicidade do governo. O agredido de ontem não foi o cidadão apontado de “mentiroso” pelo presidente da República, foi cada um de nós, foram as instituições democráticas. Para começar um incêndio basta um fósforo, para extingui-lo pode custar o incalculável.

Não preciso dizer que estou profundamente impressionado com o rumo que o presidente está dando à sua incursão empreendida na orla da horda, ele fez um pacto com a fortuna, do qual o imprevisto é sempre possível.