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segunda-feira, 6 de junho de 2011

O CAIPIRA E O MOTEL (By Marco Sobreira)


Anos 80, Cachoeiro de Itapemirim, maior cidade do sul do Espírito Santo, terra de grandes políticos, escritores, cronistas, artistas, enfim, a capital secreta do mundo segundo os bairristas cachoeirenses, fervilhava com a novidade, não se falava de outra coisa na cidade, a inauguração do Magnus Motel. Localizado na estrada do contorno, tornou-se rapidamente preferido entre os amantes, luxo até então só visto nos motéis da capital do estado.

 Nesta época, mesmo morando em Atílio Vivácqua, mantinha um consultório na grande cidade, o que me obrigava a fazer uma pequena viagem pelo menos três vezes por semana, na esperança de manter minha pequena e fiel clientela, o que não consegui por muito tempo, já que os gastos superavam a receita, o que acabou por fazer com que fechasse minha sala no Ed. Primus, um dos maiores da cidade à época.

 Aproveitava também para manter contato com colegas e de alguma forma me manter informado das novidades , trocar idéias, e porque não, tomar de vez em quando um chopp no Alaska, ponto de encontro de profissionais liberais e políticos, uma maneira de me manter ligado ao mundo civilizado. Invariavelmente as mulheres viravam centro das conversas e o Magnus alvo de curiosidade dos que ainda não o conheciam e relatos hilários de quem já o freqüentara, ouvidos com interesses por todos, um sucesso.

 Era comum oferecer carona a amigos, e rapidamente descobriram os dias que eu ia ao consultório, não me surpreendia quando ao chegar ao carro encontrava já alguém me esperando. Numa sesta-feira, me surpreendi ao ver me esperando o Tonho do Grotão, pequeno proprietário, caipirão, invariavelmente com botas e chapéu, estilo vaqueiro.

_Dr Marco, perdi o ônibus, vi o carro do senhor estacionado e resolvi lhe pedir uma carona, o senhor já vai?

-Claro Tonho, só vou parar na padaria para comprar umas coisas, entre aí...

Vou passar pelo contorno, porque preciso entregar uma encomenda, algum problema pra você, perguntei,

-Claro que não Dr, to por sua conta, falou dando uma gargalhada.

 Começamos a conversar animadamente, quando ao passar em frente ao  Magnus Motel, o Tonho me cutucou e perguntou,

-O senhor já esteve aí, doutor?

-Ainda não

-Não sabe o que está perdendo, falou com ares de superioridade,

-Já veio? Perguntei surpreso, não me parecia alguém que freqüentasse esses lugares,

-Claro que já, quase gritou, olhe, nunca vi um lugar tão bonito, o senhor imagina que tem ar condicionado, TV a cores, espelhos nas paredes e no teto, banheira, cama redonda, frigobar, som, um lugar ótimo pra gente passar o dia com a esposa, e quer saber uma coisa?

- O que? Perguntei

- Não é caro, acredita que um pão com salame e um copo de leite custa um cruzado?

Sinceramente, tive que me segurar muito para não rir na cara do Tonho, mas até hoje sou convidado a contar esta história  para os amigos em nossas rodadas de chopp.




sábado, 26 de março de 2011

O TIME INVENCÍVEL ( By Marco Sobreira )

Iúna é uma bonita e próspera cidade do sudoeste do Espírito Santo, na época ( 1987 ) o Rio Pardo F;C tinha um bom time e como falei em O MUDINHO ARTILHEIRO, fomos enfrentá-lo, nossos ônibus ficaram na pracinha e subimos uns 300 metros até o estádio.


Terminou em confusão o jogo preliminar, o clima ficou tenso e parecia que toda a cidade estava lá para assistir ao grande jogo, nosso time era o campeão sulino de futebol amador e o Rio Pardo não perdia para ninguém em seu gramado, quebrar essa invencibilidade era nossa intenção, afinal viajamos três horas para isso. Entramos em campo sob intensa vaia e um tremendo foguetório saldou o time da casa.

-Vamos acabar com essa turma de “rasga pão” gritavam os torcedores, explico, “rasga pão” era como éramos conhecidos, apelido herdado dos tempos que o então Distrito de Marapé pertencia ao Município de Cachoeiro de Itapemirim.

Como de costume, o juiz era de nossa responsabilidade e mal começou o jogo e a mãe do pobre coitado começou a receber os “elogios” de costume.

Aos 20 minutos do primeiro tempo, numa cobrança de falta abrimos o marcador, o que irritou profundamente a torcida local que jurava que o juiz tinha inventado a falta. A situação começou a ficar preocupante, ameaças do tipo “vamos matar esse juiz” procurava amedrontar o árbitro. Quase ao final do primeiro tempo, numa cobrança de escanteio, o Rio Pardo empatou o jogo para delírio de seus fanáticos torcedores, e confesso para um certo alivio nosso.

Olhei para a arquibancada e vi claramente três a quatro torcedores sacaram seus revolveres e começaram a atirar para o alto, chamei o policiamento e pedi para retirarem os torcedores armados , caso contrário iríamos tirar o time de campo.

-Podem continuar o jogo que vamos fazer uma revista, se tiver alguém armado vamos retirá-los, falou o que me pareceu ser chefe dos policiais.

Concordamos em continuar, avaliei que seria pior abandonarmos o gramado, isso iria gerar uma terrível confusão e muitas mulheres e crianças em nossa torcida me preocupava, aproveitei o intervalo e dei a seguinte orientação aos jogadores,

-Gente, o negócio é o seguinte, se ganharmos esse jogo não vamos sair inteiros daqui, é melhor tentar empatar, se perder não faz mal, ok? Tenho medo que alguém se machuque, afinal temos que descer a ladeira a pé até os ônibus e sinceramente acho que esses policiais não vão garantir nada.

Antes de iniciar o segundo tempo os policiais voltaram e deram o recado curto e grosso,

- O Sr está vendo demais, não tem ninguém armado, tratem de jogar futebol.

Após algumas pequenas confusões, o jogo chegou ao final com a vitória do time da casa pelo placar de 2 X 1. Chegamos aos nossos ônibus, alguns torcedores nossos mais exaltados me deram o maior trabalho pois queriam responder as provocações. Só respirei aliviado quando pegamos a estrada de volta pra casa. Pelo que sei o glorioso Rio Pardo FC ficou invicto por muitos e muitos anos.

quinta-feira, 24 de março de 2011

O MUDINHO ARTILHEIRO ( By Marco Sobreira )

Toda cidade tem seus tipos folclóricos, em Atílio Vivácqua não é diferente e um dos mais interessantes é o mudinho. Trabalhador responsável, trabalhava na fábrica de Calçados Itapuã em Cachoeiro de Itapemirim, onde era chefe do setor. Tudo mudava nos finais de semana, tomava umas cachaças e pronto, ficava pegajoso, inconveniente, exigia atenções para si e até meio agressivo. Uma das coisas mais engraçadas era mandar botar músicas e ficava dançando como se estivesse ouvindo, não perdia um jogo de futebol e acabava virando atração tal seu entusiasmo na torcida.


Como médico no interior acaba fazendo de tudo, certa época, lá pelo ano de 1987 se não me falha a memória, eu era Presidente, jogador e técnico do segundão do glorioso Nacional Beira-Rio EC, tínhamos um bom time e sem adversários à altura nas redondezas, chegamos a ser Campeões Sulinos de futebol amador, resolvemos marcar jogos amistosos com times de cidades mais distantes.

Nosso primeiro compromisso seria em Iuna, simpática e progressiva cidade no sudoeste do Espírito Santo, terra de gente brava mas que tinham um bom time chamado Rio Pardo FC. Saímos num domingo pela manhã, dois ônibus lotados de torcedores e entre eles o mudinho, aproveitei para durante o percurso conversar e alertar para que evitassem confusão, como todo mundo sabe, torcida de futebol tem de tudo, inclusive os brigões, nosso amigo era um deles.

Após três horas de viajem, chegamos e de cara tivemos uma surpresa, o estádio ficava no alto de um morro tão a pique que os ônibus não puderam subir, ficaram estacionados na pracinha embaixo, o que já me deixou apreensivo, em caso de confusão estaríamos em maus lençóis.

Sacos de roupas e chuteiras nas costas, mochilas, bandeiras, batuque, lá fomos nós subindo a ladeira , foguetes anunciavam a nossa chegada.

O jogo estava bastante divulgado e a cidade estava animada, nosso time tinha fama e o Rio Pardo não perdia em casa pra ninguém, todos esperavam um grande jogo.

A primeira confusão começou ainda no jogo preliminar e por minha culpa, ao escalar o segundão, fiquei surpreso ao perceber que não tínhamos reservas, vieram somente os onze jogadores e o goleiro reserva, e então cometi o grande erro, o mudinho insistiu em ficar no banco e para não ficar sem ninguém acabei concordando, não tinha mesmo idéia de aproveitá-lo, apesar de que não faria feio, já que gostava de jogar uma pelada e me garantiram que não tinha bebido nada.

Jogo transcorrendo sem problemas, apesar do juiz, que insistia em puxar a sardinha para o time da casa, perdíamos por 2X1, já na metade do segundo tempo quando um dos nossos jogadores torceu o pé num buraco do campo e não tinha condições de continuar. E agora? Olhei para o banco de reservas e lá estava o mudinho se aquecendo, minha única opção, me esforcei para entendesse que queria que ficasse do meio do campo pra frente, sem posição fixa, seria pedir demais e pensando bem perder por 2X1 já estava de bom tamanho.

O mudinho estava realizando o seu grande sonho, entrou acenando para a torcida, feliz da vida, era sua grande chance e por coincidência na primeira bola lançada, partiu para o gol, estava em completo impedimento, o juiz apitava freneticamente , os jogadores pararam e o mudinho nem aí, entrou no gol com bola e tudo e saiu como louco comemorando, gesticulando, literalmente foi para a galera. O juiz esperou pacientemente, anulou o gol, expulsou o mudinho e a confusão estava formada, quis bater em todo mundo e quando fui argumentar com o juiz que não escutou o apito porque era surdo e mudo, também fui expulso. Jogo encerrado, ânimos serenados, nos preparamos para o jogo principal, o pior estava por vir, mas isso é o tema da próxima história.

Até hoje, quando toma umas cachaças o mudinho se revolta com a anulação do único gol , da única partida que disputou em toda sua vida.

quinta-feira, 17 de março de 2011

A MÃO DE DEUS ( By Marco Sobreira )

Os amigos que acompanham nosso blog e nos honram com a leitura dos nossos textos, sabem que ao iniciar minha vida profissional como médico, o município de Atílio Vivácqua no sul do Esp. Santo era desprovido da mínima estrutura para assistência à saúde da população.


Meu contrato, hoje custo a acreditar que aceitei, com a Prefeitura, me obrigava a atender em casa ou no consultório, a qualquer hora de qualquer dia os pacientes que me procurassem, permitindo que eu cobrasse as visitas na casa no paciente. Improvisei um pequeno pronto-socorro na garagem da minha casa e ali exercia minha atividade. Qualquer doença que necessitasse de observação mais prolongada ou uma internação, me obrigava a encaminhar o doente para Cachoeiro de Itapemirim, o que me deixava bastante aborrecido, pois grande parte delas eu poderia resolver ali mesmo.

Pensando nisso, aluguei uma casa espaçosa e a transformei numa clinica, dois quartos com dois leitos cada, consultório, sala para as urgências, sala de curativo e uma recepção era tudo o que dispunha, mas muito melhor do que o acanhado pronto-socorro da minha garagem. Estávamos no inicio dos anos 80 e eu fazia os partos de minhas pacientes na Casa de Saúde São Pedro em Cachoeiro de Itapemirim.

Foi então que resolvi aproveitar a ampla varanda da clinica, dividi-la e transformar uma parte numa sala de partos, imaginando realizar ali os partos normais deixando os de maior risco e as cesareanas para a Casa de Saúde. Duas técnicas de enfermagem treinadas por mim, uma recepcionista e uma faxineira dividiam comigo as atividades de nossa clinica, estava feliz da vida. Nos partos, depois que eu mesmo aspirava os bebês, uma delas se encarregava dele enquanto a outra permanecia comigo e a parturiente.

Tudo corria muito bem, já tinha feito dezenas de partos, quando a Selma apareceu no consultório, nora de um Coronel reformado , muito respeitado na cidade e grande amigo. Dois anos antes eu tinha feito em Cachoeiro o parto da primeira filha da Selma e agora, grávida novamente me procurou para um novo pré-natal, foi logo dizendo que queria que também eu fosse o médico do seu segundo filho. Assim o fizemos, quando chegou ao sexto mês, achei que estava na hora de combinarmos como e onde seria o parto.

-Selma, sua gravidez já está bem adiantada e eu queria combinar em fazer o seu parto novamente na Casa de Saúde em Cachoeiro, lá você terá mais conforto e segurança, inclusive com pediatra para acompanhar a criança.

-Não Dr. Marco, retrucou, já que o Sr tem uma sala de parto aqui na clinica, faço questão de que seja aqui. Meu primeiro parto foi normal, não tivemos nenhum tipo de problema e com certeza no segundo também tudo irá correr bem.

De nada adiantou meus argumentos, a Selma estava decidida e acabou me convencendo. O pré-natal correu todo sem nenhum tipo de problema e num sábado pela manhã fui chamado, tinha sentido dores a noite toda, esperou amanhecer o dia, não queria me incomodar, foram suas palavras. Fiz um pequeno exame e constatei que ela já estava com 5 cm de dilatação, encaminhei-a para a clinica, acionei as técnicas de enfermagem e nos preparamos para o parto. Rapidamente o trabalho de parto evoluiu e quando seu colo já estava com 8 cm de dilatação, levei-a para a sala de parto. Tudo preparado, soro na veia, equipamentos prontos, mesa para o bebê pronta, enfim era só esperar a evolução natural, a família ansiosa esperava na pequena recepção da clinica.

Tudo evoluiu bem, nasceu uma bela menina que após ser aspirada e umas duas palmadinhas chorou vigorosamente para alivio de todos nós, enquanto uma das técnicas se encarregava dela e a levava para o quarto e para a família, me preparei para os últimos procedimentos com a Selma.

Esperei pacientemente por alguns minutos que a placenta descolasse, retirei-a cuidadosamente e então começou o meu suplício.

Fui surpreendido com um grande sangramento, após aplicar as injeções para que o útero contraísse, comecei inspecionar o canal vaginal e o colo do útero a procura de alguma laceração que justificasse tal sangramento, não consigo ver nada tal o volume de sangue, mal colocava uma compressa e rapidamente era encharcada de sangue. Mandei pegar outra veia no outro braço e colocar mais soro, ao mesmo tempo que massageava o útero a espera de sua contração, apliquei mais injeções e nada, o útero não respondia e um calafrio me percorreu todo o corpo ao constatar que estava diante de uma atonia uterina, ou seja, o útero continuava relaxado o que fazia com que os vasos sanguíneos continuassem abertos e sangrando abundantemente.

A técnica de enfermagem me alertou que a pressão estava caindo, de uma pressão inicial de 120 X 80, já estava em 90 X 60, olhei para a Selma e percebi que ela estava ficando pálida. Desesperado tentava comprimir o útero colocando compressas no canal vaginal, apliquei mais injeções, insistia massageando seu abdômen e nada, a hemorragia não parava. O que fazer? Colocá-la no carro, sair correndo para Cachoeiro, tentar chegar à Casa de Saúde? Corria o risco de perdê-la no caminho, poderia chegar morta ou num estado de choque tal que não seria possível reverter o quadro. Permanecer tentando estancar a hemorragia? Já tinha tentado todos os procedimentos possíveis sem sucesso, se não parasse fatalmente entraria em choque e morreria ali. Como explicar a família? Uma atonia uterina é grave em qualquer lugar, inclusive em hospitais com todo o recurso. A família entenderia?

-Dr a pressão está 80 X 50, me falou a apavorada técnica enquanto eu procurava aparentar uma tranqüilidade que absolutamente não existia. Meu Deus, por favor me ajude, não permita que eu passe por isso, prometo nunca mais fazer um parto aqui, foi meu apelo desesperado, continuo tentando comprimir o útero sem sucesso, o balde já estava cheio de compressas encharcadas de sangue, estava completamente apavorado quando subitamente o sangramento parou, olhei para a barriga da Selma e lá estava o útero contraído, que visão maravilhosa.

Respirei fundo, as pernas tremiam, limpei o canal vaginal e constatei que o colo do útero estava perfeito, nenhuma lesão. A pressão começou a aumentar e quando atingiu o nível de 110 X 70, encaminhei a pálida Selma para o quarto e para a preocupada família que não entendia o porque de tanta demora.

Tranquei-me na sala de parto e por duas horas ali permaneci, calado, pensando, chorando. Como o sangramento parou? “A MÃO DE DEUS”.

Promessa feita, promessa cumprida, uma semana depois acabei com a sala de parto e nunca mais nenhuma criança nasceu onde eu e a Selma renascemos. Recentemente recebi a visita das duas filhas da Selma que vieram trazer seus filhinhos para eu conhecer. Não contive as lágrimas.

quarta-feira, 16 de março de 2011

CONSULTANDO O MÉDICO ( BY Marco Sobreira )

Nesses meus 35 anos de atuação como médico e atuando na saúde pública, jamais faltei um dia sequer por motivos de saúde. Deus tem sido generoso comigo embora que muitas vezes fui obrigado a trabalhar por falta de um colega que me substituísse.


Num desses dias, acordei tremendamente gripado, dor no corpo, dor de cabeça, febre e uma coriza insuportável, não me lembro mais o que tomei, mas fui ao posto de saúde para atender os meus pacientes. Entre eles o Antonio Arruda, sujeito bravo, mau encarado, amante de umas pingas, berganhista de cavalos, relógios ou tudo o mais que lhe proporcionasse um lucrinho como gostava de dizer. Muito sério com seus negócios, vivia disso e ficou muito meu amigo e agradecido, pois portador de uma bronquite crônica, dependia de vez em quando do meu atendimento.

Tão meu amigo que uma madrugada seu irmão bateu à minha casa lá pelas duas da manhã,

-Dr, me desculpe mas o Antonio teve um desentendimento com o sargento, se refugiou na matinha lá perto de casa e disse que só sai em companhia do senhor.

Lá fui eu mato à dentro em companhia do irmão do nosso amigo. Ao me ver aceitou retornar para casa não sem antes me entregar um revólver 38 que carregava. Família agradecida, um bom cafezinho, uns conselhos e o Antonio concordou em ir comigo outro dia na delegacia conversar com o policial.

Voltemos ao posto de saúde, a coriza me incomodando, espirrando de vez em quando, mas atendendo, quando entrou o Antonio Arruda. Cumprimentos, noticias da família, tinha ido consultar porque na noite anterior tinha se excedido na bebida e estava com a pressão alta.

Conselhos, medicação prescrita, se preparava para sair quando olhou muito sério para mim e falou,

-Sei que o senhor é médico, mas vou tomar a liberdade de lhe receitar um remédio para essa gripe, o Sr. Permite?

-Claro Antonio, falei curioso para saber a receita.

Com um ar superior de satisfação falou,

-Olhe, pegue meio copo de conhaque de alcatrão de São João da Barra, esprema um limão, coloque uma colher de sopa de mel de abelha, misture bem e tome tudo de um só gole que é tiro e queda.

Já levantando-se para sair do consultório, voltou-se para mim com um sorriso e disparou,

-Pode até não ficar bom da gripe, mas vai ficar alegrinho, alegrinho!!!

BONS TEMPOS AQUELES...

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O GRANDE POLITICO (by Marco Sobreira)

O ano era o de 1988 e após 12 anos como único médico do Município, me preparava para a minha primeira experiência eleitoral, seria candidato a vereador e estava muito motivado, até porque iríamos participar da Constituinte Municipal que acabei por presidir. Faltando poucos dias para a Convenção Municipal que apontaria os candidatos, nos reunimos como de costume no nosso grupo político para tentar fechar uma chapa única e evitar disputas que poderiam trazer dissidências na pós-Convenção.


Escolhemos uma casa afastada da cidade para evitar possíveis espiões, muito comum nesses eventos, pois não queríamos ser surpreendidos pelos adversários, tudo que se decidisse ali seria guardado em segredo até a data da efetivação das candidaturas. Chegamos eufóricos, cheios de planos, fomos cumprimentando e abraçando a todos, cena muito comum nesse tipo de reunião política. Tínhamos 3 partidos na coligação e teríamos que ter muito jogo de cintura para que todos ficassem satisfeitos, sem arranhões que pudessem por em risco o nosso projeto político.

Entre antigos e experientes vereadores, ex-vereadores, ex-prefeitos e lideranças comunitárias, tinha os novatos como eu e alguns mais jovens ainda, importantes para a renovação dentro do grupo. Abrimos o livro de assinatura dos presentes e um para que assinassem os interessados em disputar a Câmara Municipal. Entre os presentes estava o Antonio, conhecido como Tonho do Som, muito jovem ainda e me surpreendi com sua presença, pois jamais identifiquei nele vontade de participar da vida política do Município.

Iniciada a reunião, o Prefeito tomou a palavra, fez os agradecimentos de praxe, apresentou o que seria nosso candidato a Prefeito que foi recebido com palmas geral e entusiasmo justificado, já que era de fato o que melhor poderíamos apresentar para a disputa da Prefeitura. Fez então o seu discurso, solicitou a união de todos e pediu para que o candidato a Vice-Prefeito não fosse escolhida naquela reunião, pois tinha um nome, mas ainda faltava alguns ajustes, o que foi concordado por todos.

Chegou então a hora mais difícil, escolher os candidatos a Vereadores, já que para as 22 vagas possíveis tínhamos 25 pré-candidatos. Conversa aqui, conversa ali, 2 desistiram e restou então apenas 1 candidato a mais e criou-se então um impasse, já que ninguém queria abdicar da outra vaga. Foi então solicitado um tempo para que os presidentes dos partidos se reunissem na tentativa de uma solução.

Passado uns 30 minutos, o Prefeito que comandava a reunião pediu a palavra e disse que após muita conversa chegou-se a conclusão que, como não houve acordo, o grupo decidira que o Tonho do Som, por ser o mais novo, tanto no grupo como na idade, deveria deixar para outra oportunidade. Silêncio constrangedor e para surpresa geral o Tonho solicita a palavra e profere a seguinte pérola:

- Senhor Prefeito, senhores e senhoras presentes

-Quero deixar registrado a minha mais completa indignação com a decisão dos Senhores, quero deixar registrado a injustiça que estão fazendo com a minha pessoa, quero deixar claro que os Senhores estão matando nesta noite, o que poderia ser um grande político desse Município, pra não dizer do Estado e talvez até do Brasil. Cheguei cheio de esperança e não me conformo absolutamente com a decisão de vocês.

Diante de tão contundente reação, ficamos todos pasmos, a confusão se instalou e entrou em cena a turma do deixa disso, tentando consolar o inconsolável Tonho do Som e quando tudo parecia não ter solução, eis que um colega pede a palavra e anuncia a sua desistência em favor do Tonho e para o bem do nosso grupo. Assim terminou a reunião, em paz e com a candidatura do Tonho do som garantida.

Fomos para a eleição, nosso candidato a Prefeito foi vitorioso, tive então a maior votação que um vereador jamais obtivera no Município, 641 dos 5.783 votos válidos, conquistamos 8 das 11 vagas na Câmara Municipal. O Tonho do som? Depois de tanta convicção, teve 38 votos. Daí pra frente disputou todas as eleições até 2004 e jamais teve mais que 70 votos.

sábado, 25 de dezembro de 2010

O GALO ENSOPADO.

Como é tradição nos pequenos municípios do interior do País, em Atílio Vivácqua no sul do Espírito Santo, eleitor exige que o candidato visite a sua casa. Evidentemente que chega o momento em que o crescimento populacional inviabiliza esta prática e como os comícios perderam o atrativo com a proibição de shows, haja criatividade para se comunicar com o eleitor, e convencê-lo que é a melhor opção. Mas por aqui, ainda esse costume vigora, então pés na estrada e disposição para percorrer todas as residências do município à cata dos votos.


Na eleição de 1992, eu era candidato à reeleição para a Câmara de Vereadores , tinha sido Presidente da Constituinte Municipal, o que absolutamente não me garantia como certa a eleição, então pés na estrada. José Luiz era candidato ao segundo mandato como Prefeito e no que diz respeito a visitar os eleitores era incansável, não tinha hora para parar, almoçar ou lanchar.

Um domingo, eu, ele e o também vereador Romildo Sérgio resolvemos aproveitar, já que neste dia da semana é mais fácil encontrar as pessoas em casa, para visitar o maior número possível de eleitores, sabíamos eu e o Romildo Sérgio que seria dura e cansativa tarefa acompanhar o nosso candidato a Prefeito. Saímos lá pelas 8 horas em direção ao interior e começamos nossas visitas, conversa vai, conversa vem, propostas, compromissos, muito cafezinho , mas comida mesmo que é bom nada, pois toda vez que recebíamos o convite para uma boquinha, José Luiz descartava, alegando que precisava aproveitar o dia para andar mais e com o estômago cheio com certeza a preguiça ia bater e não conseguiríamos cumprir o objetivo.

Lá pelas 3 horas da tarde, a fome era negra, olhava para Romildo Sérgio à procura de cumplicidade para pressionar por um almoço, quando chegamos a uma pequena propriedade, casa simples, esteios de madeira, abrigava embaixo arreios, uma charrete, e outros utensílios da lida diária do pequeno agricultor. Paramos o carro perto da porteira, a cachorrada veio nos receber , quando o Sr Antonio chegou à janela e gritou,

- Oi José Luiz, chegue mais, não se preocupe pois os cachorros não mordem,

Fomos entrando, olho nos cães, direção à escada, fomos interrompidos,

- Não, por aí não, entrem por trás, pela cozinha, vocês são de casa.

Assim o fizemos, passamos por uma pequena varanda que abrigava um pequeno fogão a lenha ainda quente e entramos numa espécie de copa, cumprimentos de praxe, família à mesa, ainda almoçando, criançada com a boca amarela de gordura se deliciando com um galo ensopado com batatas, que nos deixou a todos com água na boca.

-Chegaram bem na hora, disse o Sr Antonio, o almoço hoje saiu meio tarde porque fomos à missa, é comida de pobre, mas faço a questão que almocem, ainda mais que é a primeira vez que o Dr Marco vem a minha casa.

José Luiz ainda tentou negar o convite, mas devido a insistência do dono da casa e a nossa cara de fome, acabou por aceitar. Sr Antonio então nos convidou para ir para a sala conversar enquanto a esposa ia despachar a molecada a preparar a mesa para os convidados. Fizemos nossa campanha, pedimos votos, convidamos para comparecer ao comício que ia se realizar ali perto na próxima semana. Voto prometido, gritou para a esposa,

-E aí Maria, está pronto?

-Ao que respondeu, sim Antonio, a mesa está pronta.

Lavamos as mãos numa pequena pia, nos sentamos, arroz, feijão, macarrão , galo com batata e refresco de limão. No momento nos parecia um banquete de Rei.

-Não façam cerimônia, já almoçamos, a comida é simples mas é de coração, falou o Sr Antonio com sinceridade,

Almoçamos, o José Luiz que até então se fazia de durão foi o que mais comeu, não sei se a comida realmente estava boa ou se era a nossa fome, mas o fato é que raspamos os pratos. Terminado o almoço, Sr Antonio oferece um cafezinho, vira-se pro José Luiz e fala,

-E então Zé, fala a verdade, estava gostoso ou não estava?

-Ao que José Luiz recrutou, claro que sim, estava uma delícia,

-Viu mulher, venha cá, ouça isso, não te falei? Olha José Luiz, só porque esse galo amanheceu morto no quintal, a mulher queria jogar fora, não falei que tava bom!!!

Olhamos um para o outro, engolimos em seco , apressamos a nos despedir, saímos, paramos na primeira sombra que encontramos, enfiamos o dedo na goela, vomitamos todo àquele delicioso almoço.

No que me diz respeito, fiquei um bom tempo sem poder nem olhar para galo ensopado.

(histórias de um médico do interior)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

PREFIRO MORRER DOUTOR.

Atílio Vivácqua, isso mesmo, estranho, mas esse é o nome da cidade onde moro e trabalho há 34 anos. O município está no entorno de Cachoeiro de Itapemirim e o calor é o mesmo. O ano era o de 2000, o mundo não tinha acabado e numa noite quente, abafada, as folhas das árvores não mexiam um milímetro, mês de fevereiro, estávamos eu e o enfermeiro Ronaldo de plantão. Lá pelas duas horas da madrugada as coisas estavam calmas colocamos duas cadeiras na calçada do hospital, ficamos conversando, esperando as horas passarem, já que dormir era impossível. O silêncio era total, não se via uma viva alma na rua, quando Ronaldo me chamou a atenção, dizendo,

-Dr Marco olhe, parece que vem vindo alguém,

Olhei para a direção apontada e lá vinha um homem baixinho, andando com dificuldade e pude observar que andava com as pernas abertas, comentei,

- Ronaldo, parece que está machucado, veja se não é sangue em sua calça?

- Parece mesmo Dr, é o Joãozinho.

- Vá lá Ronaldo, ajude-o.

Ao chegar mais perto, amparado pelo enfermeiro, pude reconhecer o Joãozinho, fama de treteiro, chegado a uma cachacinha e de vez em quando se metia em confusão. Pude observar sua cara de espanto, calça rasgada e ensangüentada,

- Vamos Ronaldo, leve-o para o pronto-socorro.

Enquanto o enfermeiro ia acomodando o Joãozinho na maca, perguntei-lhe,

- O que houve cara?

- Estava numa parada aí e o bicho pegou,

Nisso , Ronaldo já tinha deitado rapaz na maca, pressão arterial aferida, acesso venoso e soro fisiológico, abaixou sua calça, retirou a cueca e pude ver a extensão do problema. Sua bolsa escrotou estava rasgada de cima em baixo e o testículo esquerda estava à mostra, totalmente exposto.

-Como aconteceu isso? Perguntei,

-Dr, vou confessar, tenho um casa com uma mulher casada, ela tinha me garantido que o marido estava viajando e quando eu estava no bem bom, não é que o desgraçado apareceu!

-E aí?

-Aí, que mal tive tempo de botar a calça, pular a janela e saí correndo, só que no desespero, em vez de passar por baixo da cerca de arame, fui passar pelo meio e o resultado é o que o Sr está vendo,

-Pisquei o olho para o enfermeiro e com a cara mais séria do mundo comentei,

-Olha Joãozinho, não vou te negar não, a situação é séria, acho que não vai ter jeito não, vou ter que acabar de arrancar o seu testículo,

Arregalou os olhos e implorou,

-Pelo amor de Deus Doutor, não faça isso não, prefiro morrer...

-Cara, continuei, como sou seu amigo, vou fazer uma tentativa, mas olhe, não garanto nada, ok?

A esta altura o Ronaldo se esforçava para não rir,

-Ronaldo, prepare o material de pequena cirurgia, vamos ver dá para resolver o problema do nosso garanhão aqui.

Após os procedimentos de praxe, assepsia, campo cirúrgico, anestesia local, uma boa lavagem com soro fisiológico para retirar possíveis corpos estranhos, coloquei o testículo para dentro da bolsa escrotal e iniciei a sutura, o que levou mais ou menos uns 30 minutos, devido o tamanho do corte. Deixei um dreno por segurança, solicitei ao enfermeiro que fizesse um curativo compressivo e falei,

-Olha aqui amigo, o serviço está feito, vou te aplicar um antibiótico injetável (keflin se não me falha a memória), uma vacina anti-tetânica e deixar você em observação até de manhã, se não houver nenhuma complicação, vai para casa, ficar de repouso e voltar à noite para trocar o curativo e com 2 dias retirar esse dreno.

-Muito obrigado, Dr Marco, o Sr salvou a minha vida, já pensou eu virar meio homem?

-Que isso cara, não exagere, agora vê se toma juízo sujeito, com tanta mulher por aí, vai se meter logo com uma casada?

-Nunca mais, prometo ao senhor, prometo ainda mais, se eu ficar perfeito como antes, toda vez que eu tiver numa boa, vou lembrar do Senhor,

-Que isso, cara, obrigado, dispenso a homenagem, e dei uma boa gargalhada.

Acompanhei os curativos por mais ou menos uma semana, retirei os pontos e fiquei satisfeito, a cicatrização tinha sido perfeita e o cara estava novinho em folha.

Passado algum tempo, encontrei o Joãozinho e perguntei-lhe,

-Como vai a vida Joãozinho?

-Nem te conto doutor, sabe aquela mulher do problema? O marido deu-lhe uma surra e a expulsou de casa, agora está morando comigo,

-É mesmo? Então deve estar feliz da vida,

-Não vou dizer que não estou bem, gosto da danada, mas vou confessar uma coisa pro senhor se prometer guardar segredo,

-Claro amigo, pode falar,

Joãozinho olhou para os lados, ficou meio sem graça e falou baixinho.

-O Senhor acredita que estou achando que a bandida está me traindo, mas vou pedir uma coisa, se aparecer alguém lá no hospital com os bagos de fora, faça um favor, acabe de castrar o desgraçado!!!!!!

(Histórias de um médico do interior)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

ESTAREI ERRADO? ESPERO QUE SIM.

Todos os amigos que acompanham esse blog sabem que tenho feito criticas à saúde oferecida ao povo brasileiro pelo SUS e me sinto muito à vontade para isso porque só trabalho na saúde pública, há muito me desiludi com a medicina de grupo e com a filantropia. Sou daqueles que acredita que precisamos cobrar que o Governo cumpra a Constituição, quando determina que saúde é um direito de todos e obrigação do Estado.


Resolvo relatar aqui um caso acontecido hoje, desde já antecipando o final para que me cobrem mais tarde, deixando bem claro que peço a Deus de todo coração que eu esteja errado. Fui procurado pela Assistente Social do PAM de Presidente Kennedy, onde sou Diretor, solicitando ajuda pois não sabia como dizer à acompanhante da paciente que não poderíamos ajudá-la. Pedi que aguardasse 10 minutos pois estava acabando de passar visita nos meus pacientes e iria até sua sala. Foi o que fiz e ao chegar vi uma senhora de aproximadamente 60 anos sentada ao lado de uma jovem senhora que imaginei ser parente próxima. Cumprimentei-as e de imediato notei que a paciente apresentava uma icterícia ( amarelão) acentuada, fácies de sofrimento, cabisbaixa, olhar perdido, o que me deixou impressionado. Solicitei a acompanhante que me contasse o que acontecer e em que poderíamos ajudar.

-Dr, nós moramos no Município de Marataízes, ela esteve internada no Hospital de lá porque da noite para o dia começou a ficar amarela do jeito que o Sr está vendo, tenho aqui o histórico do que aconteceu com ela.

Resumindo, a paciente teve uma obstrução no colédoco, foi submetida a procedimento de rotina para solução do problema, só que apresentar um tumor na papila e necessita de procedimento de alta complexidade e que só poderia ser feito em Vitória ou em Itaperuna , aí já no Estado do Rio de Janeiro.

Questionei o por que de ter nos procurado, já que não tínhamos condições técnicas para a solução do problema, vejam o relato dela:

-Vim aqui porque sei que esse Município tem ajudado muito as pessoas, procurei o Serviço Social da minha cidade e não obtive ajuda, por isso estou aqui para ver se tem como vocês ajudarem, pois já não sei o que fazer. Fiquei sabendo que o tratamento dela deve custar uns 10 mil reais e não temos como pagar.

-Olhe minha filha, argumentei, sei de sua aflição, infelizmente não tenho poder para autorizar o procedimento, que por ser de alta complexidade é de responsabilidade do Estado, mas é obrigação do Município onde moram proporcionar meios para que ela seja encaminhada, inclusive com transporte. Mas vou ver o que posso fazer para ajudar, pelo menos mostrando o caminho a percorrer.

Peguei o celular e liguei para o Superintendente da Regional Sul , médico meu amigo de longa data, contei-lhe o caso e solicitei que me orientasse como fazer para ajudar a paciente. O colega me ouviu pacientemente e falou,

-Marco, ela tem que procurar a AMA (Agencia Municipal de Agendamento) de seu município, entregar todos esses documentos e laudos que diz possuir, eles vão montar um processo e encaminhar para a Superintendência. A partir daí, nós faremos uma tomada de preço para comprar o procedimento e oferecer o tratamento para a doente.

Agradeci a atenção do colega, orientei a moça a proceder exatamente como me foi orientado. Após agradecer, a paciente me solicitou se podia passar um remédio pra ela, pois não agüentava mais de tanta coceira no corpo. Expliquei que a coceira era causada pelo excesso de bilirrubina que também estava causando a cor amarela e que passaria um medicamento para tentar aliviar um pouco, mas só a solução do problema traria alivio definitivo.

Agora amigos, o pior da história, por experiência tenho certeza que a paciente não vai conseguir o tratamento necessário com menos de 90 dias e sinceramente, diante da gravidade do caso, é bem provável que quando o mesmo for autorizado, a paciente já não necessite mais.

Duro não? Mas acreditem, essa é a realidade a que está sujeita os pacientes pobres que dependem exclusivamente da saúde pública desse País, o procedimento feito até então foi conseguido via Ministério Público. Falta dinheiro? Não, falta administração, falta um atendimento mais humanizado, um sistema de referência que funcione de verdade.

Estou escrevendo sobre esse caso, porque confesso que a imagem daquela senhora não me sai da cabeça, amanhã vou tentar com um amigo em Itaperuna (RJ) uma caridade de algum médico de lá que se disponha a ajudar. Nessas horas confesso, que os meus 35 anos de luta com essa realidade já estão me pesando e o pior, não consigo enxergar a bendita luz no fim do túnel. Deus proteja o povo brasileiro.

Prometo informá-los o seguimento desse caso, esperando de todo coração que as minhas previsões estejam erradas.