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sexta-feira, 26 de julho de 2013

PRECIPÍCIO POLÍTICO













A queda na popularidade da presidente Dilma Rousseff já é uma certeza, não mais uma tendência. Essa é a avaliação do deputado federal Sérgio Guerra (PE) sobre a pesquisa Ibope divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) na quinta-feira (25). O levantamento mostra que a aprovação do governo caiu 24 pontos percentuais, passando de 55% para 31% entre junho e julho. Na avaliação do ex-presidente do PSDB, a população está mais consciente em relação aos desmandos da gestão petista.
“Isso tem a ver com o fato de que a população descobriu que a propaganda não confere com a realidade. O resultado da pesquisa reflete um movimento de repúdio em relação à situação real da do povo brasileiro”, adverte o deputado.
Para o tucano, o País passa por uma crise e “seguramente o governo está no centro dela”. Enquanto o percentual dos que consideram o governo bom ou ótimo caiu para 31%, os que o avaliam como “regular” chegou aos 37% e a categoria “ruim ou péssimo” atingiu 31%.
A avaliação pessoal de Dilma também não é das melhores. A petista, que já bateu recorde de popularidade, amarga uma queda de 71% para 45%. O índice de quem a desaprova subiu de 25% para 49%.
“A sociedade tem mais clareza das responsabilidades dos governos, especialmente do governo federal. O povo teve um choque de realidade com os movimentos das ruas”, disse o parlamentar, em referência à onda de protestos ocorrida em junho.
A pesquisa Ibope confirmou o que já vinha sendo demonstrado nos últimos levantamentos. Pesquisa Datafolha divulgada em 29 de junho, por exemplo, registrou queda na popularidade da presidente Dilma de 57% para 30% em três semanas. Segundo o instituto, trata-se da maior queda de aprovação de um presidente aferida pelo Datafolha desde Fernando Collor, em 1990. “Isso para mim não é apenas uma tendência, mas sim uma confirmação da opinião pública”, concluiu Sérgio Guerra.

Fonte: Ucho.Info

segunda-feira, 22 de julho de 2013

A VOZ DAS RUAS E OS RUMOS DE 2014


Em carta enviada à direção nacional do PT, reunida no sábado, a presidente Dilma afirma ter ouvido, “desde o início”, a voz das ruas. Mas não é isso que pensa o cidadão, a julgar pelas últimas pesquisas.

Os números apontaram queda na popularidade da petista. E isso indica que ela reagiu mal ao movimento que foi para as ruas do país, cometeu erros em série e se tornou um dos principais alvos da insatisfação popular.

Na última pesquisa do Ibope, Dilma registrou a maior rejeição. O índice mais que dobrou em quatro meses: era de 20% em março, e agora 43% dizem que não votariam nela. É o maior percentual entre os cinco candidatos testados na pesquisa (Marina Silva, Aécio, Neves, Eduardo Campos e Joaquim Barbosa, além de Dilma).

Outros números são desfavoráveis à presidente, embora ela ainda lidere a corrida eleitoral e tenha o governo aprovado por 55% (a aprovação era de 63% em março).

Em paralelo, Marina foi quem mais aproveitou a queda livre dos índices de Dilma. O potencial de voto dela subiu de 40% para 50%. A ex-ministra também empata com Dilma nas simulações de segundo turno (Dilma marcou 35%, para 34% de Marina).

Até aqui, os resultados confirmam a leitura de alguns observadores da política, de que as manifestações de junho mudaram a lógica eleitoral. A insatisfação demonstrada nas ruas indica que o eleitor tende a ser mais crítico em 2014. Mas não apenas isso.

A tendência por ora parece ser a do voto mais crítico, na oposição e naqueles que não são políticos, ou contra todos identificados com o sistema atual. Isso ajuda a explicar por que Marina vem capitalizando intenções de voto com a rejeição a Dilma.

A ex-senadora tenta criar um partido que, no conceito, se propõe a oferecer uma renovação ao sistema político atual, anacrônico e claramente repudiado pelo eleitor. E ela própria não parece ser vista pelos cidadãos como alguém da política.

Aliás, o momento se mostra ruim para todos com mandato, mesmo aqueles de viés mais progressista e sem histórico de corrupção e desvios. Por isso é que, para algumas lideranças, as manifestações de junho trouxeram um “mundo novo” no país, que abre espaço para a renovação na política e para o surgimento de “terceiras vias”.

Mas o outro lado dessa rejeição aos políticos e ao poder é que isso também pode levar ao messianismo e ao despontar de figuras de perfil conservador e discurso fácil, mas convincentes para setores do eleitorado.


Fonte: Praça Oito - A Gazeta

sábado, 22 de junho de 2013

DILMA NO INFERNO DA STANDARD AND SPOOR'S, DAS PESQUISAS E PASSEATAS

ROLF KUNTZ *
O Brasil de dona Dilma vai mal quando cai o dólar, vai mal também quando sobe. É um país invejável. Em todo o mundo, oscilações das moedas principais podem causar tensão e mexer com as bolsas, mas neste país o desarranjo tem sido maior. Em tempos de valorização, o real dispara. Diante da política frouxa no mundo rico, ninguém falou tanto quanto as autoridades brasileiras em tsunami monetário e em guerra cambial. Se o sinal se inverte, como nos últimos dias, a depreciação do real também é maior, como na quinta-feira. Em nenhum outro mercado o dólar chegou a subir 2,45%. A grandeza é a marca nacional. "Temos muita bala na agulha", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, procurando tranquilizar os brasileiros enquanto crescia a turbulência nos mercados. Até o arsenal de intervenção é superior. Nas armas comuns, a conta é uma bala por agulha.
Quanto ao volume de reservas, US$ 376,11 bilhões no dia 19, o ministro Mantega tinha razão. O governo dispõe de bom volume de moeda estrangeira para combater a variação excessiva do câmbio. Mas nem sempre isso basta. Na quinta-feira, o Banco Central ofereceu cerca de US$ 3 bilhões, com escasso resultado. Numa crise prolongada, as reservas se perdem e sai vitorioso quem joga contra a moeda nacional.
É cedo para saber quando os mercados se acomodarão e onde estará o real nesse momento. De toda forma, o governo daria um passo no rumo certo se reconhecesse o mau estado da economia, a tendência de piora de vários indicadores e a vulnerabilidade do País.
O pessoal da Standard & Poor's explicou direitinho por que impôs um viés negativo à perspectiva econômica do País. Os economistas da Moody's também justificaram tecnicamente a decisão de reavaliar a economia brasileira. Não é preciso, no entanto, ter alguma formação econômica para perceber muita coisa fora dos eixos. O alerta das agências de classificação de risco e a perda de popularidade mostrada nas pesquisas sobre o governo apareceram praticamente ao mesmo tempo. Simples casualidade? É difícil e arriscado sustentar essa hipótese, especialmente quando se consideram as reivindicações apresentadas nas passeatas - muito mais amplas que a mera exigência de redução das tarifas de transporte público.
Na quinta-feira, dirigentes do PT conclamaram militantes para entrar nas passeatas com camisas vermelhas e bandeiras do partido. Tentaram e foram rechaçados. Boa parte dos envolvidos nas marchas deve ter votado, no entanto, em Lula, em Dilma e em vários de seus companheiros, incluídos alguns postes. Não está claro se perceberam, mas vários protestos - alguns dos mais notáveis - foram contra iniciativas e políticas federais dos últimos dez anos. Pessoas de espírito mais prosaico já haviam classificado como irresponsabilidade o compromisso de organizar e hospedar a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. Já haviam chamado a atenção, há anos, para o atraso das obras, para o aumento dos custos e o risco de bandalheiras, quando fosse preciso compensar o tempo perdido. A organização Contas Abertas, especializada no acompanhamento das finanças públicas, atualizou com frequência os valores comprometidos e as previsões de desembolso. Quem quisesse poderia acompanhar pela internet, sem maior esforço, a formação de mais um imbróglio financeiro e econômico. Novos gastos, alguns muito pesados e de relevância mais que discutível, foram postos no alto da escala de prioridades, tornando mais bagunçada uma gestão pública já muito ruim.
A perda de tempo e boa parte do encarecimento das obras decorreram de um escandaloso desleixo do governo. Nada, ou quase nada, foi feito no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele batalhou com empenho para trazer as competições ao Brasil e foi vitorioso em 2007. A partir daí, parece haver esquecido o assunto. O trabalho duro ficou para o governo seguinte, já herdeiro de uma inflação elevada, de uma economia com baixo padrão de investimentos e de contas externas em situação de risco. Os dados básicos são claros:
1. Nos dois primeiros anos do novo governo o produto interno bruto (PIB) ficou estagnado, com expansão de 2,7%, em 2011, e 0,9%, em 2012. O quadro continua feio em 2013, mas a obrigação de gastar com a Copa e com os Jogos Olímpicos permanece em pé.
2. Enquanto isso, pioram as contas públicas, arrasadas pela gastança, pela multiplicação irresponsável de incentivos fiscais improvisados e também de transferências do Tesouro para os bancos federais. A grande preocupação do governo, nessa área, é inventar meios de continuar fingindo fidelidade à política de metas fiscais. Os truques contábeis empregados até há pouco tempo já foram escrachados.
3. A inflação tem recuado ligeiramente, mas a parcela de itens com elevação de preços ainda supera 60%. A desinflação dos alimentos terminou e os grandes fatores inflacionários, como a gastança federal, permanecem.
4. O Banco Central refez as projeções das contas externas e elevou de US$ 67 bilhões para US$ 75 bilhões o déficit em conta corrente esperado para 2013. As exportações, nesse quadro, serão 2,22% maiores que as do ano passado. As importações aumentarão 7,97% e o superávit comercial diminuirá 63,93%, de US$ 19,41 bilhões para US$ 7 bilhões.
Que fazer? Há uma pauta evidente na área dos investimentos, na tributação (até agora sujeita a remendos mal escolhidos e mal costurados), na educação (com a redefinição urgente de padrões e prioridades) e no campo da tecnologia. Na hora do aperto, no entanto, a presidente corre para ouvir seu padrinho, guru e conselheiro mor da República e da Prefeitura de São Paulo, como se ele fosse inocente da maior parte dos grandes problemas de hoje, incluído o abacaxi multibilionário dos grandes jogos.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

EM BUSCA DO BUMBO PERDIDO.

O PSDB perdeu três eleições presidenciais consecutivas, mas aumentou percentualmente sua participação no eleitorado nacional. Ainda assim, a tendência é que os tucanos não alcancem o número de votos necessários para voltar a ocupar o Palácio do Planalto, nas eleições de 2014, mantida a taxa de crescimento do partido nas eleições para presidente da República realizadas desde 2002, a primeira vencida pelo Partido dos Trabalhadores.

Essa é uma das conclusões a que chegou a pesquisa encomendada pelo PSDB ao sociólogo Antonio Lavareda, que deve servir de parâmetro para os tucanos em seu processo de reestruturação partidária. O PSDB já marcou para o fim de outubro a realização de um congresso nacional para dar a partida no projeto 2012. O objetivo é começar a reestruturação pelas bases municipais, em declínio desde 2000. E a meta é a eleição de mil prefeitos.

Se o número de votos válidos nos candidatos a presidente do PSDB cresceu a cada eleição, desde 2002, muito embora os tucanos tenham perdido as três, a base municipal teve uma trajetória inversa. O número de votos válidos (e de prefeitos) do PSDB diminuiu depois da eleição de 2004, a última em que pode contar com os benefícios de ter sido governo entre 1995 e 2003.

Para presidente, o percentual dos votos válidos dos candidatos tucanos foi 38,7% (2002), 39,2% (2006) e 43,9% (2010). Nessa toada, a tendência é que o candidato tucano, nas eleições presidenciais de 2014, fique com 45,8% dos votos válidos. Ou seja, um percentual ainda insuficiente para tirar o PT do Planalto.

Para prefeito, a tendência é de declínio. Em 2004, o PSDB teve 16,5% dos votos válidos, percentual que, em 2008, caiu para 14,6%. Nesse ritmo, a projeção é que os tucanos cheguem às eleições municipais do próximo ano com 14,3% dos votos válidos, segundo o estudo de Lavareda. Atualmente, são 793 prefeitos. Eles já foram 990.

Para interromper e alterar essa tendência, o deputado Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB, propõe uma "mudança de rumos" tanto no padrão de organização como no padrão de comunicação dos tucanos. A base seria o trabalho de Lavareda - além das pesquisas quantitativa e qualitativa, foram realizadas entrevistas com mais de 30 líderes tucanos. "Ganhamos eleitoralmente, mas não ganhamos um discurso político", diz Sérgio Guerra.

Pernambucano, 63 anos, economista por formação, o deputado Sérgio Guerra foi reeleito para a presidência do PSDB no contexto de uma nova maioria, entre os tucanos, na qual a pré-candidatura presidencial do senador Aécio Neves (MG) é majoritária.
Guerra quer mudar o jeito de ser tucano. "É preciso mudar nosso vocabulário, que é hermético, nos expandirmos na nova mídia", diz, referindo-se à internet, na qual os tucanos apanham feio do PT, segundo Guerra. "Vamos abrir o PSDB, a nossa imagem é a de partido de caciques, de cúpula". A proposta de Guerra é o PSDB reconstruir a base municipal em declínio, apropriar-se dos créditos das realizações dos oito anos em que esteve no governo e se fazer compreendido pelo eleitorado.

"O PSDB não consegue se fazer compreendido. O PT e o PV são mais compreendidos em sua natureza do que o PSDB", diz Guerra. Segundo a pesquisa de Lavareda, 72% dos entrevistados sabem o que significa a sigla PT, enquanto outros 59% não têm dificuldades para associar imediatamente o PV aos verdes e às questões ambientais. Apenas 28% reconhecem a sigla PSDB.
No universo pesquisado, 69% fizeram uma avaliação positiva do conceito "Social-Democracia", mas ele não é relacionado aos tucanos. "O Brasil não tem a noção de que nós somos o partido da social-democracia", diz Sérgio Guerra. "É preciso que nossos atributos sejam reconhecidos. O PSDB deve se projetar para o futuro, mas precisa ter uma trajetória reconhecida como tal: o que fizemos, quem nós somos".

"Cometemos um erro, nossas marcas não foram apropriadas pelo PSDB", diz Guerra, tomando o cuidado de não fazer recriminações. "Ao longo dos anos foi se firmando no meio do povo que as coisas boas tinham origem no PT", especula, antes de citar um exemplo concreto: os medicamentos genéricos, criação de José Serra, quando ministro da Saúde, que 40% da população credita ao governo Fernando Henrique Cardoso e outros 40% ao governo Lula.

Guerra traz o exemplo na ponta de língua - trata-se de um afago em José Serra, adversário que tanto ele como Aécio Neves preferem próximo a ter como inimigo nas eleições de 2014. Mas a pesquisa de Lavareda revela outros dados interessantes sobre a percepção que a opinião pública tem dos governos tucano e petista. Hoje, 66% dão o crédito a FHC pelo Plano Real, enquanto 17% o atribuem a Lula. O saldo é de 49 em favor do PSDB. Mas quando se fala do Bolsa Família, o saldo pró-Lula é de 60 (75% a 15%). Presidente, FHC sempre reclamou que o PSDB não batia bumbo para os feitos do governo.

O diagnóstico de Lavareda aponta a correlação entre percentuais de voto e mostra como é forte a influência que a eleição de prefeitos tem na eleição de deputados federais. Daí o investimento a ser feito em 2012: a eleição da bancada na Câmara, dois anos depois, é que define o tempo de televisão do partido e sua cota no fundo partidário.

Desde 1998, quando o PSDB reelegeu FHC e fez uma bancada 99 deputados, a representação do partido, a exemplo do que ocorreu com o número de prefeituras, também diminuiu: 71 (2004), 66 (2006) e 53 (2010).

Guerra enxerga nos números razões para ser otimista. Nos 80 municípios com mais de 200 mil eleitores, totalizando 48,9 milhões de votos (36,2% do eleitorado em 2010), José Serra ganhou a eleição para presidente em 40 cidades que não são governadas pelo PSDB, "o que sinaliza a possibilidade de crescimento", diz o deputado. Em 29 dos 40 municípios em que Serra foi o mais votado o prefeito é de um partido da base de sustentação do governo. Dos 80 municípios, os tucanos só elegeram prefeito em 13, nas últimas eleições.

Raymundo Costa

sábado, 19 de março de 2011

A IGNORÂNCIA É AUDACIOSA.

Grande parte dos brasileiros tem conhecimento dos enormes desafios de gestão territorial enfrentados pelo País e suas consequências. Trágicas em muitos casos, como na ocupação urbana irregular em áreas de risco ou nas dificuldades de controle das fronteiras, por onde são introduzidas ilegalmente desde drogas e armas até enfermidades, como a febre aftosa, que podem abalar setores da economia nacional.


O que poucos sabem é que, há mais de 20 anos, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) criou uma equipe técnica altamente qualificada para monitorar por satélite todo o território nacional. Instalada em Campinas, dispondo de equipamentos sofisticados e com atuação competente e discreta, a área de Gestão Territorial Estratégica (GTE) da Embrapa Monitoramento por Satélite permitiu o fornecimento constante de dados exclusivos, inéditos e fundamentais aos órgãos da Presidência da República e ao gabinete do ministro da Agricultura.

Dentre eles cabe destacar: o monitoramento mensal por satélite de centenas de obras do PAC em todo o País; a qualificação de infraestruturas críticas nas áreas de comunicação, energia e logística; o mapeamento e a quantificação das áreas urbanizadas nos municípios e no entorno dos novos estádios onde ocorrerão os jogos da Copa do Mundo de 2014; o desenvolvimento de sistemas operacionais de detecção precoce de problemas na faixa de fronteira; a geração de informações estatísticas sobre a dinâmica da produção agrícola; e a expansão da agronergia e do etanol, entre outros.

A GTE apoia os trabalhos do contingente brasileiro na Missão de Pacificação da ONU no Haiti com imagens de satélite, essenciais para a ajuda após as inundações de 2004 e o terremoto de 2010. Suas imagens de alta resolução ainda serviram para apoiar as operações de pacificação nas favelas do Rio de Janeiro, como em Manguinhos e no Morro do Alemão.

Essas atividades de sensoriamento têm auxiliado os presidentes da República - de José Sarney a Dilma Rousseff - e os ministros da Agricultura em complicados processos de tomada de decisões.

Com o crescimento do País e de sua agricultura, e diante da constante necessidade de defender os interesses nacionais, aquelas autoridades não podem prescindir de dados e informações territoriais dessa natureza. Era de esperar o fortalecimento da equipe da GTE e de sua autonomia operacional, pelos resultados alcançados durante o governo do presidente Lula. Mas não. Dizem os espanhóis que a ignorância é audaciosa. Talvez isso explique a recente decisão do chefe da Embrapa Monitoramento por Satélite de destituir a equipe e desmantelar o seu comando e retirar a autonomia da área de Gestão Territorial Estratégica, sob pretexto de implantar um novo regimento interno, com o apoio tácito do presidente da Embrapa.

Essa decisão estapafúrdia de desmontar o serviço de gestão territorial estratégica - com consequências desastrosas para a agricultura e o monitoramento territorial do Brasil - foi denunciada no artigo Perde a Embrapa, perde o Brasil, publicado neste jornal no último dia 15, pelo jornalista Rodrigo Lara Mesquita. A confirmação das informações divulgadas provocou forte reação dos usuários desse serviço no agronegócio, em organizações rurais, instituições governamentais e até do prefeito de Campinas, que se manifestaram junto ao Ministro da Agricultura e ao governo federal.

O Ministro Rossi interveio com diligência e avocou para si as decisões neste caso, embora a direção da Embrapa se mantenha em uma atitude de insubordinação.

O futuro dessa equipe de excelência, instrumento estratégico do Ministério da Agricultura, interessa ao País, que só pode planejar e monitorar o manejo de seu vasto território se dispuser de informações seguras e oportunas. Nesse sentido, a continuidade do serviço de gestão territorial estratégica interessa não só ao Ministério da Agricultura, mas também ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, à Casa Civil, aos Ministérios do Planejamento, das Cidades e da Defesa. O interesse nacional está em jogo.

Fonte: O Estadão - http://bit.ly/eCdpSa



segunda-feira, 18 de outubro de 2010

PESQUISA MANIPULADA. E AGORA MONTENEGRO?





Ricardo Noblat, blogueiro da Globo, com a pesquisa em pleno andamento, recebe informação da Campanha de Dilma que o Ibope irá trazer, em trabalho de campo que encerra no dia 20, uma diferença de 12 pontos para a candidata petista. É gravíssimo, pois o Ibope está contratado pela Rede Globo de Televisão. Como é que o PT já sabe o resultado de uma pesquisa que está em pleno andamento?

Fonte: http://bit.ly/9GzVxh

sexta-feira, 16 de julho de 2010

ACERTO DE CONTAS.

Não é de hoje que o mercado político vê com desconfiança as pesquisas eleitorais do Instituto Futura. Desconfiança que ganhou robustez quando, no mais recente levantamento do instituto, ficou claramente demonstrado ter havido manipulação de números referentes a uma série de consultas sobre a influência do governador na escolha de candidatos pelo eleitorado.
Nada menos de 46 perguntas sobre a influência do governador foram feitas naquela consulta, mas pouquíssimas respostas foram divulgadas no jornal “A Gazeta”, parceira do instituto. O que se comenta no mercado é que tais questões revelavam sinais de desgaste no quesito influência de Hartung na escolha de candidatos.

O único dado relacionado a essas questões que foi publicado dizia respeito à queda na avaliação do governo, ainda assim em espaço reduzido. De fora do noticiário ficaram duas questões pertinentes ao peso, também em queda, do apoio do governador na sucessão.

Ao que parece, a omissão não foi percebida pela revista “Carta Capital”, que apontou Hartung como um dos governadores capazes de transferir popularidade para candidatos.

Neste próximo final de semana mais uma pesquisa Futura sobre as eleições no Estado será divulgada. E o precedente das omissões já transformou a desconfiança em receio. Partiu do PR, partido do senador Magno Malta, um requerimento na Justiça Eleitoral para ter acesso, verificar e fiscalizar a última pesquisa eleitoral do Futura.

O receio, sem dúvida, tem fundamento, pois Hartung não esconde de ninguém seu desejo de ver Malta derrotado nas urnas. Para isso, montou uma chapa clandestina casando as candidaturas ao Senado de Rita Camata e Ricardo Ferraço, que estão em coligações diferentes.

Na coligação de Ferraço o outro candidato ao Senado é Magno Malta e não Rita Camata. Não será de estranhar, portanto, que na próxima pesquisa o Futura coloque Ferraço e Rita à frente de Malta. Porque o papel do instituto tem sido o de funcionar como fator de desestabilização dos políticos que não rezam pela cartilha do governador.

O pedido do PR à Justiça Eleitoral, contudo, pode ter efeito inibidor com relação a esta manobra, inspirada, com certeza, na reportagem de “Carta Capital” que coloca Hartung como uma potente máquina de transferir votos.

A reportagem da revista foi baseada justamente nas pesquisas do Instituto Futura. A base é falsa, mas não custa prevenir.

Foi correta, portanto, a ação preventiva do PR em defesa de seu candidato ao Senado. Significou, em última análise, um acerto de contas – não em termos de cifras, mas de votos.

sábado, 17 de abril de 2010

SENSUS: O CASO DA PESQUISA RECENTE E UM FATO PRA LEMBRAR .

Publicado em 16/04/2010 por pontofranco


Não entro nessa de teoria de conspiração contra pesquisa de intenção de voto, jamais endosso maluquices e geralmente tiro sarro de meganofices baseadas em ilações. Mas a pesquisa do instituto Sensus, desde o início, apresentou indícios bem estranhos. Aliás, desde ANTES do início.



O trabalho teria sido encomendado por um tal Sindecrep (sindicato detrabalhadores em concessionárias de rodovias). Foi o que o instituto informou ao TSE, na ocasião do registro da pesquisa. Pois bem: não foi. O próprio sindicado NÃO SABIA DE NADA. Daí, rapidamente, corrigiram. Na verdade, era outro sindicato, o Sintrapav (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Pesada de São Paulo – ligado à Força Sindical, que apoia Dilma).



Sobre o tema, o Sensus não quis falar e, além disso, publicou os dados antes do prazo legal, infringindo a legislação eleitoral e, com isso, permitindo que fiscais de partidos políticos impugnassem judicialmente o trabalho.



Agora, o TSE atendeu ao pedido do PSDB, para ter acesso aos dados do instituto. Trata-se, portanto, de uma ORDEM JUDICIAL. E o que faz o Sensus? Não permite a entrada dos técnicos do partido em sua sede (consequentemente, não lhes dá acesso aos dados e, por conseguinte, não cumpre a ordem).



Esqueçam teorias conspiratórias.



São vários fatos, nenhuma ilação. Não é um “fulano disse” ou “isso aí me parece estranho” ou “os amigos da padaria discordam do resultado”. Vamos lá:



a) A pesquisa é registrada tendo como contratante um sindicato X que, curiosamente, não sabia de nada;



b) DEPOIS do registro, mudam o contratante lá mesmo no TSE, para um contratante Y, outro sindicato;



c) Publicam o resultado em prazo fora da legislação;



d) O TSE, obedecendo o que determina a lei, concede ao PSDB acesso aos dados da pesquisa mas, CONTRARIANDO ORDEM JUDICIAL, o instituto não permite aos técnicos do partido que vejam tais documentos.



Por quê? Qual o motivo disso? E alguém teria explicações plausíveis para TODOS esses fatos? Um instituto “confundiria” o nome do contratante? Por que desobedeceria o prazo legal de divulgação? Por que não permitiu a entrada dos técnicos para verificar a documentação, já que tinham Ordem Judicial para tanto?



Agora, depois de “pedir um tempo”, o instituto disse que vai liberar o acesso a partir das 16h desta sexta-feira, aos técnicos do PSDB e de todos os partidos, e também à imprensa. Já é alguma coisa. Falta explicar, porém, as demais questões.



Memória

Em 2006, o Sensus já fazia suas pesquisas. No dia 26/09/2006, publicou que Alckmin teria cerca de 27% das intenções de voto e Lula venceria no primeiro turno (levantamento já realizado pós-dossiê). O que aconteceu? Um errinho de singelos 14 pontos, já que o tucano teve 41% e houve segundo turno. Tentem encontrar qualquer pesquisa nacional, de grande instituto, com erro maior.