sexta-feira, 5 de agosto de 2011

COMANDANTES MILITARES DIZEM A DILMA QUE SERVEM AO ESTADO NÃO A PESSOAS.

Para acalmar os militares, que na quinta-feira, 4, reagiram negativamente à escolha do ex-chanceler Celso Amorim para o Ministério da Defesa no lugar do demitido Nelson Jobim, a presidente Dilma Rousseff reuniu nesta sexta-feira, 5, cedo, no Palácio da Alvorada, os comandantes militares. Ela garantiu aos três chefes das Forças Armadas - Exército, Marinha e Aeronáutica - e mais ao chefe do Estado Maior Conjunto, general José Carlos De Nardi, que o novo ministro não vai fazer mudanças nos Comandos Militares. Amorim assume o cargo na segunda-feira, 8.

O Estado apurou que a presidente Dilma pediu aos comandantes que "mantenham a normalidade institucional". O almirante Moura Neto é o comandante da Marinha; o chefe da Aeronáutica é o brigadeiro Juniti Saito; a força terrestre, o Exército, tem como comandante o general Enzo Peri.
Os comandantes deixaram o Alvorada com um discurso institucional e profissional. No diálogo com a presidente eles disseram que estão a serviço do Estado e que não servem a pessoas. Disseram, ainda, que as Forças Armadas têm as missões definidas pela Constituição. "Nosso dever é constitucional", resumiu um dos comandantes.
Os três comandantes já estão à frente das três Forças no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Depois da reunião no Alvorada, a presidente embarcou na Base Aérea de Brasília, por volta de 9h30, para uma viagem à Bahia e a Pernambuco.

Fonte: O Estadão

EM FRANCO DA ROCHA (SP) VEREADOR DO PT MATA COLEGA DO PV.

O vereador de Franco da Rocha, Rodrigo da Cruz França (PV), foi morto por seu colega Leozildo Aristaque Barros (PT) na tarde desta sexta-feira, 5. Segundo a Polícia Militar, os dois se desentenderam e Leozildo acabou dando um tiro em seu colega, que não resistiu aos ferimentos. Outras duas pessoas ficaram feridas. As vítimas foram encaminhadas ao Hospital Regional de Cajamar, mas não correm risco de vida.

 

Célio Campos/Divulgação
Célio Campos/Divulgação
Vereador Rodrigo da Cruz França (PV)

De acordo com a assessoria de imprensa da Câmara de Franco da Rocha, os vereadores participavam de uma romaria que acontece há 68 anos de Franco da Rocha até Pirapora do Bom Jesus. A comitiva parou em Cajamar para fazer uma pausa, e a briga aconteceu após o almoço. A PM foi acionada por volta das 15h. Rodrigo da Cruz França estava em seu terceiro mandato na Câmara.

O caso será investigado pela delegacia seccional de Franco da Rocha. Por volta das 17h30, as equipes da polícia estavam no local do crime para averiguar a situação. Leozildo fugiu após o disparo e ainda não havia sido localizado no final da tarde. A assessoria de imprensa da Câmara informou que um dos assessores de Rodrigo França foi preso, mas não soube informar o motivo, apenas que ele estava com o carro do vereador. A assessoria de imprensa do PT ainda não se manifestou sobre o caso.

Caso a responsabilidade de Leozildo pelo crime seja confirmada na investigação policial, ele poderá perder seu mandato.

O corpo de Rodrigo França deverá ser velado na Câmara. Às 17h45, o hospital de Cajamar informou que o corpo já havia sido liberado e seria levado para a cidade do parlamentar.

Fonte: O Estadão

FOI SÓ O PRIMEIRO EVENTO, IMAGINEM O RESTO.


Que pouca vergonha!
A que descalabro o PT - só ele? - reduziu este país!
Pobre Rio de Janeiro, cheio de deficiências
e vê o dinheiro ser jogado no vaso sanitário!




O palco montado no Hell de Janeiro para fazer a "festa" do sorteio dos jogos para a Copa do mundo de 2014 custou aos cofres do estado "mais rico" da federação a baba de, R$ 30.000.000,00 (TRINTA MILHÕES DE REAIS).

vejam que a festa irá durar umas poucas horas em apenas um dia.
Esse é o reflexo de um país rico e irresponsável, gastar 30 milhetas para fazer um sorteio vai mostrar ao mundo não é a nossa capacidade em promoção de eventos, mas sim a irresponsabilidade e a ganância corrupta que os governantes brasileiros tem com o dinheiro público.

É muita arrogância de um povo que morre na fila dos hospitais públicos por falta de atendimento médico e de um país que tem que distribuir comida grátis para grande parte da sua população não morrer de fome porque não existem investimentos nas regiões mais pobres que garanta a criação da cidadania.

Enquanto o governo do Hell de Janeiro gasta MILHÕES na promoção desse baita circo para um povo idiotizado pelo futebol. A região Serrana do estado continua soterrada sem o auxilio oficial, e o pouco de recursos que foram enviados à região simplesmente desapareceram na corrupção e ladroagem.

O pior é que o comite organizador do evento disse à imprensa que o alto custo dessa palhalçada foi para atender as "exigências" da FIFA. E também é que a "festa" será transmitida para mais de duzentos países.

Sabemos que a corrupção no Hell e no Brasil é endêmica e geométrica, e a neta do João Havelange, é a chefe do bando organizador. Coincidência não?

30 Milhões que poderiam ser gastos em escolas, segurança pública, na saúde, e principalmente na reconstrução da Região Serrana do estado.

Sabemos também que uma festa desse porte feita em um país sério custaria muito menos da metade do que foi gasto, mas isso é Brasil!!!!

Sinceridade, acordar pela manhã e ler uma notícia dessas é para perder as esperanças neste país.

E o povo vai estar lá, em peso, festejando o fato de serem roubados e feitos de idiotas todos os dias da vida. Protestar, jamais.

E o mais idiota, é ler que a construção do palco está "abusando" da Brasilidade.
Na minha visão "abusar" da brasilidade é: superfaturar, desviar, roubar, se meter a besta, e sofrer de arrogância galopante.

O Brasil quer mais uma vez mostrar ao mundo a grandiosidade do povo de uma pequenês impressionante.

E tome Ivete Sangalo para "rolar" a festa!!!!

VERGONHA!!!!!

Fonte: https://mail.google.com/mail/?hl=pt-BR&shva=1#inbox/13194e1f59dfd417

ATÉ A POLIANA JÁ DESCONFIA.

(*) Marli Gonçalves –
Alô! Seu mundo está cor-de-rosa? Os preços baixaram aí onde você está? Tem dinheiro sobrando para alguma coisa? Está conseguindo atingir suas metas e concretizar planos? Sente-se seguro?
Se você respondeu sim às questões acima, parabéns! Descobri. É você o ET que todo mundo anda procurando alucinadamente. Ou é a própria Poliana encarnada e ressuscitada no Brasil. Ou será uma cruza dos dois? A imagem que me ocorre é terrívelmente maledicente, a de um serzinho verde e rosa (puxou o pai e a mãe), vestido com a camisa de algum time de futebol, por causa da Copa, com um calção de seleção canarinho, todo contente porque vai ter Copa, e com um brochinho de estrelinha na lapela. Sexo embrionário, indefinido, e até liberado, tudo porque vai ter Copa. E Olimpíadas.
Otimista, porque vai ter Copa. E Olimpíadas. Seguro, porque vai ter Copa. E Olimpíadas. Pronto para enfrentar tudo e todos, porque vai ter Copa. E Olimpíadas. Certo de que vai dar tudo certo e que vai ficar rico, muito rico, porque vai ter Copa. E Olimpíadas. Pronto para o que der e vier, porque vai ter Copa. E Olimpíadas. Satisfeito sexualmente, porque vai ter Copa. E Olimpíadas. Rico de espírito, porque vai ter Copa. E Olimpíadas.
Aliás, pelo que estamos vendo aqui nos trópicos a coisa por causa disso está tão boa, mas tão boa, que nem é preciso mais jogar na loteria, nem trabalhar, suar camisa. A redenção já está na nossa porta. Há um desenvolvimento desenfreado no nosso país. Não existem mais pobres – está todo mundo trocando de classe social. Ninguém viaja mais de ônibus, só de avião. Todo mundo tem casa própria, carro, comida na mesa, que beleza. Acabou o racismo e o preconceito. Tem tanta liberdade de expressão – mas tanta – e somos tão livres, que podemos ver tudo, assistir até a filmes sérvios inteiros e completinhos, que a gente deixa esses tais Estados Unidos no chinelo nesse quesito Liberdade. Aliás, como é que pode essa gentinha americana ficar por aí pensando em dar calote em todo o mundo?
Coitados. Eles não vão ter Copa. E Olimpíadas.
Talvez sóóóó daqui a alguns anos vão saber como é viver em um país tão legal como o nosso. Um dia eles vão chegar no nosso estágio de desenvolvimento. Poderão até eleger uma presidente mulher. Tadinhos, tão atrasados! Nunca mais eles tiveram essa extrema oportunidade e honra, e quando foi lá não souberam aproveitar como nós. Mas sempre há esperanças. Quem sabe ainda não elegerão um operário? Talvez um metalúrgico, com enorme sabedoria e cultura. Vão saber o que é bom, como vão aprender. Esses caras não sabem nada. Eles não tem esse jeitinho maneiro que a gente tem; nem apreço pela própria história ( vai perguntar escalação de time lá, vai!). Gente! Eles não têm nem bola redonda! A bola deles é até meio oval, tão pernas-de-pau que são.
Eles não têm Copa, nem Olimpíadas.
Juros altos? Aqui não tem isso não. Inflação? Ué! Os preços estão subindo? Não vi não. Quem disse? Não sei não. Bolhas? Não. Não temos risco nenhum aqui no Brasil de nada disso acontecer. Corrupção? Qual é? Vai dizer que aqui, nesse paraíso, onde vai ter Copa (e Olimpíadas) tem disso? Tem não. Você não assiste tevê? Não está vendo como tudo está ma-ra-vi-lho-so?
Aqui vai ter Copa. E Olimpíadas.
Seu calo está doendo? Seu sapato está apertado? Ora, relaxe. Vai ter Copa, e Olimpíadas. Seu patrão resolveu fechar a firma (quem sabe já foi comprar ingressos) e você foi posto no olho da rua? Não se preocupe. Como é que ainda não reparou nas zilhões de chances sendo abertas?
Ô, meu! Aqui vai ter Copa. E Olimpíadas.
Está sentindo solidão? Não se preocupe. Vão vir tantos estrangeiros – gente linda, loura, gostosa, rica, cheia de amor para dar – para cá, que você logo vai encontrar seu par de meias, transar muito, interagir e variar. Ainda não ouviu dizer que há uma fila na porta do país, esperando, loucos para entrar aqui nesse paraíso? Como assim?
Ninguém te disse que eles já souberam de tudo? Que aqui vai ter Copa. E Olimpíadas.
Aquecimento global é coisa do passado, gente. Está tudo dominado. Temos saneamento básico. Nossas crianças – todas – estão sendo educadas muito melhor do que naquele outro país… – como chama mesmo? Ah, Suiça! Nunca nossas indústrias produziram tanto, nunca exportamos tanto, nunca compramos tanto, nunca construímos tanto, nunca fomos tão lindos como agora. Vai ter Copa. E Olimpíadas.
Nossas estradas estão iguais a bundinhas de bebê de tão lisinhas. Nossas estradas são mesmo um orgulho nacional, igual aos nossos aeroportos e portos. Conseguimos nos livrar de todas as burocracias, de todos os cartórios, nem sabemos mais o que quer dizer papelada.
Ah, mais eu tenho uma novidade! Passamos a produzir papelão, como ninguém nunca dantes nesse Universo. Nossos papelões são melhores do que o dos outros. Sabe por que? Sabe por que?
Eu vou contar. Não aguento guardar segredo: é que aqui vai ter Copa. E Olimpíadas.
Nossa bandeira, soube, vai ser reformulada. No lugar das estrelas, bolinhas de futebol e outros símbolos de modalidades esportivas. No lugar da Ordem e Progresso, só uma plaquinha: “Ah, eu tô maluco!”
Seremos, pois, todos, de agora até 2016, lindas menininhas Poliana, e de Maria Chiquinha (para homenagear a Sandy, que resolveu botar a dela na janela). Tudo bem também todos os anos que vêm.
Vai ter Copa. Ah! E Olimpíadas!
São Paulo, onde será a abertura das Portas do Paraíso, 2011
(*) Marli Gonçalves é jornalista. Já começa a ter alergia até em ouvir falar em Copa. E em Olimpíadas. Se só assim conseguiremos melhorar o país, o que dizer? Poliana, nos salve!

AMORIM - FIO DESENCAPADO.

(Efe)
Fio desencapado – A decisão da presidente Dilma Rousseff de indicar Celso Amorim para o Ministério da Defesa vai muito além de reles solução caseira para um problema que cresceu inesperadamente nos últimos dias. Trata-se de uma demonstração clara e incontestável de que Luiz Inácio da Silva continua influenciando na administração da sua sucessora.

Fora isso, o retorno de Amorim à Esplanada dos Ministérios gera dúvidas a respeito da sua eficácia à frente do Ministério da Defesa, pasta que reúne as três Armas e que tem como base sedimentar o nacionalismo. Entreguista convicto, Celso Amorim protagonizou espetáculos vexatórios para a diplomacia verde-loura, tendo se postado de forma genuflexa a ditadores conhecidos, como Fidel e Raúl Castro, de Cuba, e Mahmoud Ahmadinejad, do Irã, além dos tiranetes bolivarianos da Venezuela, Bolívia e Equador. Sem contar a irresponsável guarida dada ao golpista Manuel Zelaya, que com o consentimento de Celso Amorim se instalou na embaixada brasileira em Tegucigalpa, sempre financiado pelo suado dinheiro do contribuinte.
Se é difícil imaginar que alguém com currículo tão pífio e comprometedor terá capacidade e moral para dar ordens aos responsáveis por cada uma das Armas, a situação piora ainda mais quando volta-se no tempo para resgatar um episódio degradante em que Celso Amorim e o inseparável Samuel Pinheiro Guimarães, o Samuca, dividiram o papel principal.
Nomeado em 1979 para a direção-geral da Embrafilme, pelo então presidente João Batista Figueiredo, Celso Amorim foi demitido três anos mais tarde, em 1982, debaixo da polêmica criada pelo filme “Pra Frente, Brasil”, de Roberto Farias, que retratava a tortura no regime militar. à época, a ala mais radical das Forças Armadas considerou o filme uma afronta, o filme uma afronta. Amorim, na companhia de Samuca, deixa o comando da Embrafilme sob a acusação de ter financiado o filme de Roberto Farias, que foi censurado e mais tarde liberado.
Não se trata de questionar o filme “Pra Frente, Brasil”, mas de condenar a indicação feita por Dilma Rousseff, pois há a partir de agora uma evidente zona de conflito no Ministério da Defesa. Enfim, como disse certa vez aquele filósofo que mescla messianismo com fanfarrice, “nunca antes na história deste país”.

Fonte: Ucho/Info

TRAVESSURAS BILIONÁRIAS DE JUQUINHA E JUCAZINHO.

Suas endiabradas traquinagens, muitas das quais impublicáveis, fizeram do travesso Juquinha o protagonista-mor de piadas de botequim. Mas o simples acréscimo do epíteto "da Valec" faz corar nosso assunto habitual de mesas de bar como se fosse um inocente coroinha carola.

A Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S. A. está longe de ser um chiste: no ano passado, a empresa foi aquinhoada no Orçamento da União com R$ 5,1 bilhões, menos de um terço dos mais de R$ 17 bilhões de que ora dispõe para construção ou concessão de obras ferroviárias. A joia mais cara da coroa é a Ferrovia Norte-Sul, que ligará a Amazônia ao Sudeste por trilhos, com mais de 3 mil quilômetros de extensão. Conforme a IstoÉ, o Ministério Público, baseado em perícia da Polícia Federal, acusou Juquinha e outros diretores da estatal e empreiteiros de terem desviado R$ 71 milhões num trecho de 105 quilômetros.

Jucazinho não tem um apelido tão popular como o de Juquinha, mas esse simpático substantivo próprio no diminutivo lhe garantiu sombra e água fresca ao longo dos governos federais recentes. Juquinha não mais usufrui as vantagens de pertencer à Corte e Jucazinho também caiu em desgraça: foi demitido da direção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), acusado de ter autorizado - sem permissão e com verba que não poderia ser usada para o fim a que foi destinado - um pagamento para suposta empresa de fachada. Oscar Jucá Neto foi derrubado após denúncia de outra revista semanal, a Veja, sucumbindo, enfim, a pesado bombardeio com fogo concentrado em sua cadeira partindo de canhões poderosos da República. A começar do próprio chefe, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, aliado notório do chefão do PMDB nacional, o vice-presidente Michel Temer. Confirmando a lógica implacável do governo Dilma, rola pelo menos uma cabeça coroada depois de uma denúncia - a conta no Ministério dos Transportes chega a 27.

Guindado do anonimato pelo ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto (PMDB), Juquinha tem origem política em Goiás e reclama que seu envolvimento no escândalo lhe frustrou o sonho de governar ou ser senador por seu Estado de origem. Não é uma gracinha?

Jucazinho, ao contrário, não tem carreira nem pretensões políticas. Irmão mais novo de Romero Jucá - pernambucano que fez fortuna em Roraima, elegendo-se para o Senado e se tornando figurão de administrações federais teoricamente adversárias, de Fernando Henrique e Lula da Silva -, sempre atuou sob a vasta e confortável sombra fraterna. Não teve de fazer como Juquinha, forçado a mudar de legenda para ficar no comando da locomotiva burocrática: do PMDB, pelo qual se elegeu deputado federal em Goiás em 1995, para o PSDB de Henrique Meirelles e para o PL, que virou PR, tornando-se correligionário de Alfredo Nascimento e de toda a cúpula do Ministério dos Transportes. Para manter a "boquinha", Jucazinho só continuou sendo irmão do "Jucazão".

Mas tantas Jucazinho fez que nem o extraordinário talento de prestidigitador do mano mais velho logrou evitar sua degola. Só que o moço tombou de metralhadora em punho e atirando nas páginas da mesma Veja que o desgraçou. À revista que o delatou ele denunciou a existência de um esquema de corrupção e desvio de recursos na Conab ainda maior que o do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). À cabeça do esquema estaria, segundo garantiu, o próprio ministro Wagner Rossi, do PMDB do inimigo. Como sói ocorrer em denúncias do gênero, a verrina não foi acompanhada de uma provinha qualquer. Nada, nada, nada! Diante disso, o ministro veio a público e acusou o irmão do líder de querer transformar a própria queda em caso político, "apenas uma retaliação".

É no que dá o Brasil estar entregue a um regime de governo híbrido tocado na base da "governabilidade": isso implica o loteamento de cargos importantes da administração federal (até mesmo Ministérios) entre os grupos que controlam os partidos de apoio ao governo, que os coopta com cargos para votarem a favor das próprias pretensões. Juquinha e Jucazinho protagonizam a tragédia da corrupção tolerada. No primeiro caso, a Procuradoria da República, cuja função é zelar pelo bom uso do patrimônio público, valeu-se de laudo da Polícia Federal, subordinada ao Ministério da Justiça, para acusar o burocrata que comandou o destino de um enorme quinhão da poupança nacional de a estar dilapidando - acusação que ele tratou com desdém: "No Brasil é um remando pra frente e dez remando pra trás".

Ao se defender da delação do ex-subordinado, o ministro da Agricultura apelou para a lógica aristotélica elementar: se na Conab só "tem bandido", conforme disse o irmão do líder do governo, por que ele ficou lá um ano e pouco e então só tinha elogios a fazer? Como escreveria Nelson Rodrigues, "batata!"

Restam, contudo, outras dúvidas a levantar sobre Juquinha, Jucazinho e todos os demitidos do Ministério dos Transportes. Que condições tem Alfredo Nascimento de reassumir sua cadeira no Senado se ele teve de abandonar a pasta acusado de participar de fraudes? Se Romero Jucá se "solidarizou" com Wagner Rossi contra a investida de Jucazinho, por que pediu ao ministro que mantivesse o maninho no cargo de assessor? Que punição administrativa mais rigorosa espera os demitidos por corrupção? Que ações moverá a presidente Dilma contra funcionários que traíram sua confiança?

O PR, dizem, está em pé de guerra contra Dilma, mas a guerra é congelada: não se ouviu um único disparo verbal. E o PMDB garante que toda essa confusão em torno da Conab não passa de tentativa para desalojar "Jucazão" da liderança do governo no Senado, pretendida pelo PT. Que coisa, hein?! E o cidadão, que, nesta democracia, só tem o direito de pagar e o dever de calar? Ora, o cidadão que se dane!

José Nêumanne

DIGNIDADE JÁ!!!



Texto: Ossami Sakamori -@sakamori30

EM NOME DO CHEFE.

Em reunião com dirigentes petistas no último fim de semana, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, na aparente tentativa de tranquilizar os aliados que andam com a pulga atrás da orelha por causa da faxina no Ministério dos Transportes, garantiu que o governo não tem a intenção de promover uma "caça às bruxas", mas, sim, "um clima de ir para cima, de cobrar sempre que houver algum tipo de erro". Traduzindo: se a mídia apresenta denúncias consistentes o governo não pode deixar de tomar providências para coibir a corrupção, a ladroagem, ou melhor, para corrigir "algum tipo de erro" e dar uma satisfação à opinião pública.

O erro, como se vê, não é cometer delitos, mas deixar-se apanhar com a boca na botija. Uma vez que Gilbertinho, como é carinhosamente chamado pela companheirada, é o seu mais fiel escudeiro e permaneceu no Palácio do Planalto exatamente para o leva e traz que interessa ao chefão, conclui-se que suas declarações traduzem exatamente o que o ex-presidente pensa a respeito dos escândalos de corrupção que têm abalado os primeiros meses do governo Dilma Rousseff. Nenhuma novidade para quem conhece a história do mensalão.

A grande novidade é a crescente visibilidade de Gilberto Carvalho, depois de oito anos de discretíssima atuação, dentro do palácio, como secretário do então presidente. Sua ligação a Lula é tão estreita e íntima, que seria natural imaginar que ele permaneceria fisicamente perto do chefe qualquer que fosse o destino deste depois de dois mandatos. Mas Gilbertinho permaneceu no Palácio, instalado em sala próxima à da nova presidente, onde tem cumprido, cada vez com maior desenvoltura, o papel de olhos, ouvidos e voz daquele que deixou de ser, mas, de fato, continua se comportando como o supremo mandachuva. Na verdade, Gilberto Carvalho foi imposto a Dilma pelo patrono de ambos, no quadro do compreensível esquema que orientou a montagem da primeira equipe de seu governo. Ou seja, a sucessora aceitaria, por dever de lealdade, algumas "sugestões" do retirante.

Como resultado desse peculiar arranjo, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República sente-se à vontade para manifestar opiniões que, claramente, se opõem ao que pensa aquela que oficialmente é sua chefe. Essa é uma evidência que se vem deliberadamente revelando nos contatos informais do ministro-secretário com repórteres que cobrem o Palácio do Planalto e com outros jornalistas que têm acesso a seu gabinete. E cada vez menos os recados de Gilberto Carvalho são protegidos pelo off the record. Dias atrás, quando Dilma já havia deixado claro que pretendia afastar todos os envolvidos nas denúncias de corrupção nos Transportes, inclusive o diretor-geral do Dnit, Gilberto Carvalho manifestou de forma igualmente clara aos jornalistas a convicção de que pelo menos a demissão do notório Luiz Antonio Pagot deveria ser empurrada com a barriga até que o indigitado retornasse das férias que havia solicitado exatamente para se colocar temporariamente a salvo de punição. Dilma não cedeu à pressão e Pagot, que havia ameaçado sair atirando se sua demissão fosse confirmada, acabou regressando mais cedo das férias e pedindo ele próprio para sair - pelo menos por enquanto, com a arma no coldre.

Essa desenvoltura sem precedentes de Gilberto Carvalho se manifesta também em questões relativas ao PT. Repetindo em alto e bom som o que seu chefe tem defendido no partido - com a clara intenção de ficar livre para indicar nomes de sua preferência, como Fernando Haddad em São Paulo - o secretário-geral da Presidência condenou publicamente a realização de prévias para a escolha dos candidatos petistas à sucessão municipal do próximo ano. Com o contraditório argumento de que o partido não pode "pôr os projetos pessoais acima dos coletivos", garantiu que a realização de prévias seria, agora, "um desastre" para o PT.

O comportamento, em assuntos do governo, do colaborador que teve de aceitar certamente não deixa a presidente satisfeita. Mas ela sabe que esse é um sapo que precisa engolir.

Fonte: O Estadão

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

LICITAÇÕES: ONDE NASCE A CORRUPÇÃO.


27 já caíram no Ministério dos Transportes
Entre os que perderam o cargo após as denúncias de corrupção está o ex-ministro Alfredo Nascimento. O PR anuncia rompimento com a base governista, causando instabilidade para a presidente Dilma Rousseff (PT) no Senado. As dúvidas envolvendo os Transportes envolvem contratos de obras e licitações públicas. A Lei
de Licitações também estabelece punições.


Denúncias de superfaturamento em obras rodoviárias levaram à queda de um ministro. Outros 27 cargos de confiança do governo, em efeito dominó, foram exonerados. No Espírito Santo, a duplicação de uma rodovia - a BR-262 - foi revelada como a mais cara obra pública sem concorrência do Brasil. A crise no Ministérios dos Transportes e suas consequências no Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit) trouxeram à tona dúvidas e interpretações de todo tipo acerca das intervenções contratadas pelo poder público país afora. No centro de tudo isso, obras que foram iniciadas com processos licitatórios e que colocam em xeque a eficácia e a aplicabilidade da Lei 8666/93, a chamada "Lei das Licitações".

Especialistas ouvidos por A GAZETA são unânimes em afirmar que a legislação em vigor há 18 anos não deixa a desejar - pelo menos não a ponto de ser apontada como causa de todo o escândalo que respingou na base de apoio da presidente Dilma Rousseff (PT) no Senado. Por causa da "faxina" na pasta dos Transportes, o Partido da República (PR) anunciou ontem que deixou o bloco governista na Casa e que, a partir de agora, se posicionará de forma "crítica" em relação ao governo. Na opinião do procurador-geral do Tribunal de Contas da União (TCU), Lucas Furtado, o "x" da questão mora dentro da própria administração.

"Todas as licitações são combinadas. É impossível tratar os políticos sem enxergá-los como corruptos incorrigíveis. Todos os contratos administrativos envolvem muito dinheiro, e onde tem dinheiro tem gente de olho. É assim que surgem as fraudes", criticou Furtado.

Opinião semelhante tem o doutor em Direito e professor universitário Adriano Sant?ana Pedra. Apesar de menos pessimista que Furtado, ele também aponta para a participação de servidores do governo como a peça-chave para a ocorrência de esquemas de corrupção. "A lei não é fraca e está bem fundamentada, mas estamos lidando com um terreno propício a transgressões. Em razão do grande volume de dinheiro envolvido nas licitações, pessoas interessadas em lucros indevidos são atraídas. Se fosse para lucrar pouco, ninguém se arriscaria", considerou.

Brechas na lei
De acordo com os especialistas, um dos pontos que servem de abertura aos esquemas fraudulentos - que vão desde superfaturamento à cobrança de propina - está nos casos em que há dispensa de concorrência. Pelo que está previsto na Lei das Licitações, esses itens abrangem, por exemplo, a aquisição de itens que só possam ser fornecidos por um fornecedor no mercado local ou, ainda, para a contratação de apresentação cultural ou artista, "desde que consagrado pela crítica especializada", conforme o texto.

"Não há tantas brechas na Lei das Licitações, e a grande questão é a esperteza das pessoas. Pode ocorrer por um conluio entre fornecedores e servidores públicos que atuam no processo licitatório, o que dificulta ainda mais a detecção da fraude. Quando se contrata um artista, por exemplo, não se faz uma licitação porque artista não tem concorrência similar, como no caso de materiais", pontuou o procurador-geral do Ministério Público Especial de Contas, Domingos Taufner.

Na visão do procurador da República Fabrício Caser, do Ministério Público Federal (MPF), a Lei das Licitações deve ser aperfeiçoada constantemente à medida que novas práticas criminosas surgem. "Há alguns pontos que deveriam estar mais claros e creio também que deveria haver punição maior. Dificilmente o réu é condenado à pena máxima", destacou Caser. No próprio texto da Lei das Licitações, estão previstas as punições: fraudes com prejuízo aos cofres públicos, por exemplo, podem dar ao infrator de três a seis anos de detenção. A contratação de empresa inidônea pode levar o agente público a até dois anos de cadeia.

Atenção indevida
A ponderação do diretor-executivo da Transparência Brasil Cláudio Abramo é de que o perigo mora na falta de gerenciamento dos projetos em execução. "No Brasil não se presta a atenção devida ao processo. Não é um problema de falta de legislação, e sim de gerenciamento".

Na mesma direção aponta o procurador-geral do TCU, Lucas Furtado. "Quem contrata é que tem que fiscalizar. O problema não está na lei, está na falta de aplicação dela. Assim, por melhor que seja a lei, não vamos acabar nunca com as fraudes", pontuou Furtado. No MPF, a avaliação é semelhante. "A Lei das Licitações só vai efetivamente deixar de ser transgredida quando houver total comprometimento dos administradores públicos com o interesse público", finalizou.

Fonte: A Gazeta

O CONFERENCISTA.

VIAGEM FAZ O SALÁRIO DE VEREADORES DOBRAR.

Petrolina Pernambuco - Editoria: Política - Foto: Divulgação

Curso em Petrolina entre os dias 25 e 28 de julho

Por dentro da viagem
Vila Valério:
De acordo com a Câmara de Vila Valério, viajaram para Petrolina os vereadores Cassimiro José Brumatti (PP), Adair Grigoleto (PHS), Alberto Carlos Dubberstein (PSB), David Mozdzen Pires Ramos (PSDB), Losivan Luiz Santana (PMDB), Luiz Meneguele (PP), Nivaldo Farias (PPS) e Osvaldo de Oliveira (PP).

São Domingos: Em São Domingos do Norte, viajaram Evanildo Piffer (PTdoB), Pedro Amarildo Dalmonte (PMN), Marilda Aparecida Salvador (PT do B) e Carlos Alberto Ferreira (PMDB).

Cidade turística: Com 268 mil habitantes da região de São Francisco Pernambucano, Petrolina foi fundada em 1893, está a 722 Km do Recife e a 515 Km de Salvador. É uma das mais bem estruturadas cidades do Sertão pernambucano. Situada à beira do rio São Francisco, é separada de sua vizinha Juazeiro, na Bahia, por apenas uma ponte.

Praias: Além das praias fluviais, tem uma série de outras atrações que vão da gastronomia a um rico patrimônio histórico e cultural.

Quanto custou: Vila Valério gastou R$ 2.990,00 com a inscrição para o evento, R$ 7.650,00 com o transporte e R$ 22.050,00 com hospedagem. As diárias para alimentação somaram R$ 12.600,00.

Outras cidades: Águia Branca, Itarana e Itapemirim também viajaram.

Um seminário na cidade turística de Petrolina, em Pernambuco, parou a Câmara de Vila Valério, Noroeste do Estado. Oito dos nove vereadores fecharam as portas da Casa e fizeram uma "excursão" para o Nordeste a fim de fazer um curso, entre os dias 25 e 28 de julho.

As sessões só acontecem duas vezes por mês e o salário dos vereadores é de R$ 3,7 mil. Mas, com a viagem, cada um dos oito parlamentares ainda recebeu R$ 3.850,00 em diárias. Cada vereador ainda precisou arcar com R$ 850,00 para pagar a passagem, tudo devidamente custeado pela Câmara. O objetivo, segundo a empresa organizadora do curso, é "congregar vereadores e servidores das Câmaras".

Durante a temporada fora do Estado, os vereadores de Vila Valério receberam, por dia, R$ 200 para alimentação e R$ 350 para estadia - esses valores fazem parte da diária. Também tiveram o transporte e a inscrição de R$ 340 pagos pela Câmara. A viagem dos vereadores, no total, custou pelo menos R$ 40 mil ao município, que vive da cultura do café conilon.

Mas a Câmara de Vila Valério não foi a única a participar do evento em Petrolina - cidade que, no mês de junho, realiza uma das maiores festas juninas do país, atraindo milhares de pessoas. Segundo a organização do evento, vereadores de pelo menos outras quatro cidades capixabas estiveram presentes. Bancados pelas Câmaras, pelo menos 15 parlamentares viajaram mais de 1.300 quilômetros para participar do congresso.

Ônibus
Os vereadores de Vila Valério dividiram um ônibus com os colegas das cidades de Águia Branca (um representante) e São Domingos do Norte (quatro representantes). O transporte foi alugado especialmente para o evento. Eles ficaram sete dias longe de suas cidades e recebendo diárias - mas o curso durou quatro dias.

O evento foi realizado pela Associação Brasileira de Servidores de Câmaras Municipais e, segundo os organizadores, reuniu 300 pessoas de todo país.

A cidade de São Domingos do Norte chegou a adiantar a sessão, que aconteceria no dia 25 de julho, para o dia 21, para que quatro dos nove vereadores da Casa pudessem viajar. Vereadores de Itapemirim e Itarana também estiveram em Petrolina, com um representante cada.

Segundo o presidente da Câmara de Vila Valério, Vanderlei dos Santos (PSDB), a Casa não estava de recesso durante o período em que os vereadores viajaram, "mas as sessões no município só acontecem de 15 em 15 dias, e, durante a viagem, não houve sessão". Vanderlei foi o único que não participou do evento.

Já a Câmara de São Domingos do Norte pagou R$ 3,235 mil pela ida de cada vereador, totalizando R$ 12,940 mil. Os representantes do Legislativo também receberam normalmente seus vencimentos, que é de R$ 2,381mil, durante a viagem.

Câmara de Marataízes viajou no CarnavalEm março deste ano, todos os nove vereadores de Marataízes, no litoral Sul do Estado, passaram quatro dias em Porto Seguro, na badalada semana que antecede o calendário oficial do carnaval. Eles participaram de um curso, que custou R$ 25,2 mil à Casa.

"Não tive faculdade para ser vereador"
Do Sul do Estado, funcionários da Câmara de Itapemirim, no litoral, também participaram do Congresso na cidade de Petrolina. Ao todo, seis servidores viajaram à cidade pernambucana, além do presidente da Casa, Vanderlei Louzada (DEM).

A comitiva seguiu para seu destino de avião, embarcando na noite de véspera do início do evento, quando a Câmara ainda estava em período de recesso. No total, os sete participantes gastaram cerca de R$ 22 mil com transporte, hospedagem, alimentação e inscrição.

De acordo com Louzada, o evento é muito recomendado. "Eu não tive faculdade para ser vereador. Fui eleito e cheguei aqui sem muito conhecimento. Se a gente não buscar aprendizado, vamos sair votando projetos sem entender nada", disse.

Além do presidente da Casa, o procurador Paulo Viana; o diretor Arilson Andrade; o contador Gilson Pereira da Silva e outros advogados que, segundo Louzada, ocupam cargos de chefia na Casa, também participaram do Congresso.
Também sobre a viagem, o presidente da Câmara de São Domingos do Norte, Walter Leopoldino (PDT), informou que a legislação permite que a Câmara custeie a participação dos vereadores. "Não participo, mas, pelo regimento, os vereadores podem participar", disse

Fonte: A Gazeta

UMA JORNADA REPUBLICANA.

O senador Alfredo Nascimento teve os seus 15 minutos de glória - vá lá a palavra - ao subir à tribuna, 27 dias depois de ser obrigado a deixar o Ministério dos Transportes, para dar o show de indignação de todo político alvejado pela revelação de ilícitos. No caso, a denúncia de contratos superfaturados e cobrança de propinas em benefício do PR que Nascimento preside e que controlava a pasta. Dedo em riste, conforme a expressão corporal dos injustiçados, o notório político amazonense se disse "julgado e condenado sem que pudesse me defender" e acusou a presidente Dilma Rousseff de não lhe ter dado o apoio que prometera quando rebentou a crise.

Aproveitou para assinalar que estava licenciado do Ministério, no ano eleitoral de 2010, quando, na gestão do secretário executivo (e atual titular) Paulo Passos, os gastos do PAC no setor saltaram de R$ 58 bilhões para R$ 72 bilhões. Ao voltar ao cargo, teria informado a presidente do que escolheu chamar de "descontrole". Mas não foi pela dupla insinuação - contra o substituto e sobre o eventual elo entre a campanha presidencial e o "descontrole" - que ele ganhou as manchetes. Foi graças ao achado de criar uma versão particular da canção de Waldick Soriano Eu não sou cachorro, não. Reagindo com o necessário ardor à faxina empreendida por Dilma nos Transportes, que até o começo da semana já derrubara 27 servidores da área, exclamou: "Eu não sou lixo, meu partido não é lixo, nós somos homens honrados".

O PR está representado no Congresso Nacional por 47 políticos assim qualificados. Pouco depois da fala de Nascimento, os 7 com assento no Senado, decerto para fazer jus à designação, anunciaram o seu desligamento do bloco que faz parte da maioria governista na Casa, integrado pelo PT, PSB, PC do B, PRB e PDT, e liderado pelo petista Humberto Costa. No mesmo tom de ira justa do titular da legenda, o seu líder no Senado, o exuberante Magno Malta, atribuiu a saída do bloco à "execração pública de inocentes que estão sendo arrastados para o esgoto porque alguns estão se fazendo de paladinos da moralidade". Mas, na mesma veia republicana do nome da agremiação, anunciou que "daremos apenas apoio crítico" ao governo.

Ou seja, o preço aumentou. E, além disso, se bem se entendem as palavras do seu colega Blairo Maggi - "Daqui para a frente deixa-se livre quem tem mais afinidade com a matéria" -, cada membro da confraria dos homens honrados terá liberdade de praticar o preço que lhe convier. Como diria o velho Marx, "a cada um segundo as suas necessidades". Rememoram-se os melhores momentos da jornada republicana da segunda-feira porque contêm os ingredientes dessa geleia indigesta que a presidente da República não podia ignorar que lhe seria servida se desse certo o plano do patrono Lula de fazê-la sua sucessora.

Ao longo de julho, ela conquistou a opinião pública com a sua pronta resposta às denúncias da esbórnia nos Transportes. Mas até os companheiros - se não o próprio Lula, de viva voz - já a advertiram para a inconveniência de ser a palmatória do mundo político de que depende. É o que parece explicar a sua decisão de não mais se pautar "por medidas midiáticas" em face da corrupção. Ministros na berlinda devem se explicar no Congresso. Foi o que tocou ao titular peemedebista da Agricultura, Wagner Rossi, ligado ao vice-presidente Michel Temer. Depois de perder a boca na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) por autorizar um pagamento indevido, Oscar Jucá Neto, irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá, também do PMDB, acusou Rossi de ser mais corrupto que o pessoal dos Transportes.

No dia em que Nascimento roubou a cena no Senado, a caciquia da legenda decidiu que o problema dos Jucás não era político, porém familiar, e que não há problema algum com Rossi. Como prova de que os costumes da política brasileira não correm perigo de melhorar, o registro se completa com a reflexão do presidente do Senado, José Sarney, sobre o episódio. "Parentes no governo", ensinou, "sempre criam problemas, ou para o governo, ou para o parente." Como se ele tivesse aprendido essa verdade olhando o entorno - e não por alentada experiência própria.
Fonte: O Estadão

terça-feira, 2 de agosto de 2011

OPOSIÇÃO CONSEGUE ASSINATURAS PARA CRIAR CPI DOS TRANSPORTES.

Preto no branco – O senador paranaense Alvaro Dias, líder tucano no Senado, acredita que o Palácio do Planalto poderá acionar o seu “rolo compressor” na tentativa de inviabilizar a CPI dos Transportes, ainda no nascedouro. O foco é investigar suposta corrupção no ministério dos Transportes e no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), assunto polêmico que ganhou reforço após o discurso do ex-ministro Alfredo Nascimento (PR-AM), que retornou que reassumiu o mandato de senador. Mas o parlamentar tucano ele espera que a oportunidade de investigar resista à pressão palaciana.
“Nossa obrigação é tentar realizar uma investigação de profundidade, adotando todos os expedientes possíveis de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Agora, não podemos gerar falsa expectativa porque sabemos da força que tem o rolo compressor do governo. CPI, isso é dito sempre: sabe-se como começa, não se sabe como termina. Temos que realizar todos os esforços para que ela termine bem, cumprindo seu papel de investigar”, disse.
As denúncias serão encaminhadas ao Ministério Público a fim de que a responsabilização ocorra. “Se nós tivermos uma CPI com a presidência da situação ou da oposição e a relatoria da oposição e da situação, compartilhando a responsabilidade do comando, certamente nós teremos condições de obter sucesso”, disse Alvaro Dias, que por precaução espera conseguir mais uma assinatura, mesmo acreditando que dificilmente haverá alguma desistência.
Citado em matéria publicada anteriormente por este site como um dos signatários do pedido de criação da CPI dos Transportes, o senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC) informou, por meio de sua assessoria, que não aderiu ao projeto da oposição. Momentos antes, a assessoria do senador Alvaro Dias confirmou à reportagem do ucho.info que Silveira assinara o documento. A matéria anterior foi complementada com tal informação.
Lista dos senadores que assinaram o requerimento para a criação da CPI
PMDB (4)
Jarbas Vasconcelos (PE)
Pedro Simon (RS)
Roberto Requião (PR)
Ricardo Ferraço (ES)
PSDB (10)
Alvaro Dias (PR)
Aécio Neves (MG)
Aloysio Nunes Ferreira Filho (SP)
Cícero Lucena (PB)
Cyro Miranda (GO)
Lúcia Vânia (GO)
Ataídes Oliveira (TO)
Flexa Ribeiro (PA)
Mário Couto (PA)
Paulo Bauer (SC)
Democratas (5)
Demóstenes Torres (GO)
José Agripino (RN)
Maria do Carmo (SE)
Jayme Campos (MT)
Kátia Abreu (TO)
Partido Progressista (2)
Ana Amélia (RS)
Reditário Cassol (RO) (27ª assinatura)
PDT (3)
Pedro Taques (MT)
João Durval (BA)
José Perrela (MG) (26ª assinatura)
PMN (1)
Sérgio Petecão (AC)

Fonte: Ucho/Info

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

JOÃO E JOSÉ (By Marco Sobreira)

João, brasileiro, casado, pai de dois filhos, trabalha como segurança sem carteira assinada, salário de 800 reais. Mora de favor num puxadinho da casa da sogra, viúva que recebe pensão de pouco menos de um salário mínimo. Sua esposa faz faxinas em residências para complementar a renda da família e as crianças ficam com a avó pois não conseguiram vaga na creche do bairro.

José, brasileiro, casado, pai de dois filhos, desempregado, dependente químico (usuário de crack), mora de favor com os pais. A esposa trabalha como manicure atendendo nas casas das clientes para sustentar a família. Já esteve preso duas vezes por tráfico de drogas e assalto à mão armada e está aguardando julgamento em liberdade.

João trabalhou durante a noite, acorda ao meio dia, almoço, despede-se da esposa com um beijo, feliz da vida porque era dia de pagamento e de fazer as compras do mês. Após 30 minutos de viajem num ônibus superlotado, salta em frente ao banco, dirige-se ao caixa eletrônico, saca seu dinheiro, sai é seguido e interpelado por José que de arma em punho tenta assaltá-lo. João reage, leva um tiro e cai, vê José se afastar com seu dinheiro, é socorrido por populares e levado para o hospital entre a vida e a morte, é operado, sobrevive  mas fica paralitico da cintura para baixo. José é perseguido por populares que chamam a policia e acaba preso.
A partir daí suas vidas tomam rumos completamente diferentes mas que terão um fim comum.

Após trinta dias internado, João recebe alta e fica sabendo que jamais voltará a andar, não tem direito a benefícios do INSS pois sua carteira não estava assinada, torna-se um peso para a família que agora sobrevive com o bolsa família e das faxinas que a esposa faz. Com o passar do tempo começa a apresentar distúrbios do comportamento, fica agressivo e um ciúme doentio leva à separação do casal. Só lhe resta ir morar com um irmão, entrega-se à bebida e após dois anos comete suicídio.

José, depois de alguns dias na cadeia, sofre forte crise de abstinência, recebe tratamento médico e se recupera, por não ser mais primário tem que aguardar preso o julgamento. É condenado a oito anos de prisão e transferido para uma penitenciária onde, além de tratamento psiquiátrico, recebe acompanhamento do psicólogo e da assistente social. Sua família recebe o bolsa presídio e não passa por dificuldades. Aproveita a biblioteca do presídio, estuda, faz cursos, tem direito a banhos de sol, uma alimentação razoável e de vez em quando recebe a esposa em visita íntima. Tem bom comportamento e após dois anos adquire o direito de trabalhar durante o dia e apenas dormir no presídio, com quatro anos é solto em liberdade condicional.

Ao ser libertado, perde o direito ao bolsa presídio e apesar dos cursos que fez, o fato de ser um ex-presidiário lhe fecha as portas , não consegue um emprego regular, retorna então ao vicio e ao tráfico. Um ano após ser solto é morto pela policia durante um assalto.

 Embora o texto seja ficção, os destinos de João e José são total ou parcialmente os mesmos de milhares de brasileiros. Deixo para reflexão e opinião dos leitores do blog as seguintes perguntas:

-O que faltou a estes dois brasileiros?

-Onde o Estado falhou?

-È esse o Brasil que queremos?

ELEVANDO A INFLAÇÃO.

Junte as histórias: a presidente Dilma Rousseff afirma que o combate à inflação não pode matar o crescimento econômico. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirma que, se a inflação do ano ficar abaixo de 6,5%, a meta terá sido cumprida. O Banco Central (BC) deixa de dizer que seu objetivo é levar a inflação para o centro da meta (4,5%) em 2012.

Conclusão: os 4,5% ficaram para 2013.

Ninguém do governo disse isso com todos os números e muitos analistas acham que o compromisso com a meta em 2012 está de pé. Mas o jeitão da coisa parece ter mudado: o governo se encaminha para aceitar uma inflação mais alta por um tempo maior.

Não faz muito tempo que a Fazenda esperava para este ano uma inflação (sempre medida pelo IPCA, índice do IBGE) em torno dos 5%. Aos poucos, foi admitindo algo maior - tudo por culpa dos preços internacionais de alimentos - e, mais recentemente, Mantega disse que até 6,5% estaria tudo bem.

É uma análise tão criativa quanto a contabilidade que turbinou as contas públicas no ano passado. A meta de inflação no Brasil é de 4,5%, com tolerância de dois pontos para baixo (que ninguém conta) ou para cima. Logo, pode ir até 6,5%, mas em circunstâncias excepcionais. Essa margem é colocada justamente para acomodar pressões inesperadas, que estejam em parte ou totalmente fora do controle das autoridades locais.

É justamente o caso da alta internacional de preço de alimentos, causada por aumento de consumo, mas também por quebra de safra e problemas climáticos em diversos países. Essas cotações pressionam os preços locais e a inflação de alimentos contamina o índice ao consumidor. E aí? Uma forte alta de juros, aqui, não altera o clima na Rússia.

Assim, é preciso acomodar essas elevações e combater seus efeitos secundários, utilizando-se, por algum período, da margem de tolerância. Ou seja, não se pode dizer, aqui, que qualquer inflação abaixo de 6,51% ao ano cumpre a meta.

Não cumpre. É um desvio. Transformar esse desvio em regra equivale, simplesmente, a elevar a meta de inflação - e parece ser exatamente essa a intenção do governo.

Nas projeções do Banco Central, divulgadas na última Ata do Comitê de Política Monetária (Copom), a inflação só volta para a meta em meados de 2013, daqui a dois anos, portanto, um tempo muito largo.

Quando os cenários mostram isso, o Banco Central, pela atual política monetária, deve elevar os juros hoje para trazer a inflação para a meta num prazo menor, digamos 12 meses, que era a conversa inicial das autoridades monetárias.

Ficaria assim: em 2010 e 2011, a inflação rodaria na casa dos 6%, mas caindo forte no segundo semestre deste ano para chegar nos 4,5% em 2012.

Mas a Ata disse umas coisas e deixou de dizer outras, levando analistas a entender que o Banco Central está preparando o ambiente para suspender o ciclo de alta de juros nos atuais 12,5%. Sendo isso mesmo, o conjunto só fecha com a aceitação de inflação maior ao longo de todo o próximo ano e início de 2013.

Ficamos assim: em 2010, o BC parou de elevar juros para não atrapalhar a eleição de Dilma Rousseff e, assim, comprometeu os resultados daquele ano e de parte deste. Agora, o pretexto é não elevar juros para manter o crescimento perto dos 5%. O risco é indexar a inflação num nível perigoso e obter menos crescimento econômico.

Agora, no segundo semestre, ocorrem negociações salariais de categorias importantes e numerosas. O Banco Central alerta: aumentos acima da produtividade são inflacionários.

De fato, são, mas a medida da produtividade não é trivial. E como dizer aos trabalhadores que a inflação está elevada por um bom tempo, a economia veio bem, setores estão com lucros bons, mas os salários têm de ser regulados pela expectativa de inflação menor? Sobretudo quando se sabe que o salário mínimo vai subir 14% em janeiro.

Dinheiro do povo. A coluna da semana passada (Com o dinheiro do povo), sobre o uso de dinheiro público na Copa do Mundo e seus estádios, provocou respostas que me deixaram entre surpreendido e preocupado.

Alguns leitores aderiram totalmente à tese do "locupletemo-nos todos". Se tem roubalheira por toda parte, escreveram, se os políticos se aproveitam dos cargos, se o governo ajuda tantas empresas e bancos, por que não dar dinheiro para os estádios da Copa?

Leitores corintianos - alguns, é claro - foram ainda mais longe. Acham que seu time tem o direito de receber dinheiro público para a construção do estádio, por uma série de motivos: é um time popular, ou seja, representa parte do povo; sua torcida movimenta negócios; outros times ganharam presentes equivalentes; e, afinal, todo mundo mete a mão.

No que se refere ao debate proposto sobre a prioridade dos gastos públicos - vale a pena gastar em estádios, em vez de aplicar em hospitais e escolas? O estádio do Corinthians seria a melhor maneira de estimular o desenvolvimento da região de Itaquera? -, algumas respostas foram ainda mais desanimadoras. Alguns leitores simplesmente entenderam que, sendo o colunista um torcedor do São Paulo, estava simplesmente tentando torpedear o estádio do "rival".

Outros ainda disseram que havia uma conspiração carioca para levar o jogo de abertura para o Maracanã.

Digamos, com boa vontade, que há, aí, apenas o efeito negativo de paixões regionais e/ou por clubes. Mas é preocupante a frequência com que se repete o argumento pela "democratização" da roubalheira.

Carlos Alberto Sardenberg - O Estado de S.Paulo