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sexta-feira, 25 de maio de 2012

DERROTA POR ANTECIPAÇÃO

O Brasil já está derrotado na Copa do Mundo de 2014, a dois anos do seu início. De 101 projetos essenciais para atender à demanda de equipamentos públicos para o grande certame, apenas cinco estão prontos. Por esse balanço ridículo, o país está perdendo um jogo importantísmo: o da confiança em sua capacidade de organizar evento desse porte.

As chamadas obras da Matriz de Responsabilidade para a Copa do Mundo são 101. Dessas, 41 ainda não começaram e 55 estão em andamento. Para os 13 aeroportos a serem reformados, estão previstas 31 intervenções, das quais 13 ainda estão na estaca zero. Já os serviços de engenharia em oito dos 12 estádios em construção não chegaram nem à metade. Esse é o balanço, resumido e preocupante, do preparativo que deixa muito a desejar.

O valor das cinco obras concluídas até agora equivale a 1% do orçamento aprovado, mais de R$ 27 bilhões, para infraestrutura. Mas o problema não é dinheiro. Está na incompetência do setor público para tocar projetos, obstáculo difícil de ser removido da noite para o dia.

Nem dentro do governo há certeza de reversão dessa situação. O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, tenta transmitir otimismo sem consistência ao afirmar que tudo ficará pronto nos prazos previstos. Ao mesmo tempo, o secretário Especial de Portos, José Leônidas, dissemina ceticismo. Anuncia que o Palácio do Planalto já preparou um plano B para um píer no Rio de Janeiro em formato de Y: usar a parte do projeto que estiver pronta até a Copa, e aproveitar o que já existe. Trata-se de um dos principais projetos para receber visitantes. E ainda nem saiu do papel.

No campo econômico, movimentado pela Copa do Mundo, o Brasil também está desperdiçando ótimas chances. O atraso nas obras emperra o tão propalado aquecimento das atividades produtivas, que já deveria estar intenso. Se o governo der celeridade aos seus investimentos para o maior evento do esporte, também fortalecerá o país contra a crise financeira global.

Fonte: A Gazeta

terça-feira, 15 de maio de 2012

FACILIDADE PARA FRAUDE

O controverso Regime Diferenciado de Contratação (RDC) pode não ficar restrito apenas às obras e serviços para a Copa do Mundo de 2014 e para as Olimpíadas de 2016. O Palácio do Planalto quer estendê-lo à construção e reforma de escolas, creches, quadras, postos de saúde e aos grandes projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Para alcançar esse objetivo, recorre a uma prática também polêmica: o contrabando em medida provisória (emenda com assunto totalmente diverso ao do texto original). A ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, encaminhou à Câmara uma emenda ampliando o uso do RDC à Medida Provisória 556/11, que trata de isenções de impostos para vários setores da economia. É manobra para fugir ao debate da questão, por certo, muito desgastante.

A iniciativa do Executivo atropela vários projetos de lei, de autoria de deputados e de senadores, estabelecendo mais rigor nas contratações de obras e serviços. Agilizar as obras, conforme propósito anunciado pelo governo, atende necessidades da população. Mas não deveria recorrer a processos suspeitos de facilitar a corrupção. Evidentemente, atrasos em cronogramas não justificam o mau uso de recursos.

O Regime Diferenciado de Contratação abranda regras de licitação. Por isso, está sendo questionado pelo Ministério Público no Supremo Tribunal Federal. A ação direta de inconstitucionalidade alega que o RDC representa "comprometimento ao patrimônio público". Esse regime também aumenta o risco de as obras licitadas serem de baixa qualidade, conforme advertiu no ano passado o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia.

Enfim, o caso está nas mãos do Congresso. Se deputados e senadores sintonizarem a opinião pública, terão dupla reação. Primeiramente, rejeitarão o contrabando à medida provisória, prática que desrespeita os próprios parlamentares. Em seguida haverão de derrubar a proposta de ampliação do uso do RDC.

Fonte: A Gazeta

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

PSDB: APÓS AEROPORTOS, PT DEVE DESCULPAS POR PRIVATIZAÇÕES

 
Após o governo federal ter feito o leilão para a exploração dos terminais aéreos de Cumbica, em Guarulhos, Viracopos, em Campinas, e Juscelino Kubitschek, em Brasília, o PSDB defendeu nesta terça-feira a bandeira da privatização e disse que pretende levar o legado da venda da mineradora Vale e da telefonia às próximas eleições, tanto no pleito municipal de outubro quanto na corrida presidencial de 2014.

"Vai ser uma bandeira nas eleições municipais, estaduais, presidenciais, o que quer que seja. (Se não defender) não será candidato do PSDB. Nossa política, enquanto governo, legado, trajetória, não foi devidamente valorizada por nós e foi apropriada pelo PT e apropriada da forma mais cínica possível", disse o presidente nacional tucano, deputado Sérgio Guerra (PSDB-PE).
"Faltou defender (as privatizações) na campanha e na sua vida. A falta de defesa do nosso legado foi uma grande falta nossa. Não valorizamos como devíamos. Um partido que não valoriza sua história vive com dificuldades", admitiu o dirigente.

"Mais que desculpas ao PSDB, o PT deve desculpas à sociedade brasileira. Apregoou que a privatização é um mal e cedeu. O PT deve desculpas à sociedade brasileira como um todo", completou o líder tucano na Câmara dos Deputados, Bruno Araújo (PSDB-PE).

No leilão realizado na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) nesta segunda, o aeroporto de Brasília foi o que teve o maior valor acima da oferta mínima exigida pelo governo. O consórcio Inframerica Aeroportos levou a concessão na capital federal com a oferta de R$ 4,5 bilhões, ante preço mínimo de R$ 582 milhões - um ágio de 673%.

O consórcio formado por Invepar, OAS e a sul-africana ACSA, apresentou a melhor oferta econômica pela concessão do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP), no valor de R$ 16,2 bilhões, com ágio de 375% sobre o preço mínimo de R$ 3,4 bilhões. Já o consórcio que inclui a Triunfo Participações e a francesa Egis Airport Operation fez a proposta financeira mais elevada pelo aeroporto de Viracopos (SP), de R$ 3,8 bilhões. O preço mínimo era de R$ 1,47 bilhão - ágio de 159%. Os três aeroportos respondem, conjuntamente, pela movimentação de 30% dos passageiros, 57% da carga e 19% das aeronaves do sistema aéreo brasileiro.

Na avaliação do PSDB, que disse que, por ora, faz apenas uma "crítica política" à privatização dos aeroportos no governo Dilma, o Partido dos Trabalhadores (PT), que comanda o Executivo federal pelo terceiro mandato consecutivo, não teve "coragem política" de rever as críticas que fez às privatizações tucanas.

"Fiz uma crítica política às privatizações. Para uma crítica técnica vamos esperar os elementos. O filé foi cedido, o osso não. O problema (do PT) é não ter coragem política pelo que está fazendo. Houve a demonização de um processo que teve muito mais acertos do que erros. Estamos mais uma vez no caminho certo de uma forma obscura. A presidente assume um governo com o discurso contra as privatizações, (dizendo que é) 'coisa de tucano' e já devia ter feito a privatização dos aeroportos", declarou Sérgio Guerra.

Investimentos

Até o final da concessão de cada aeroporto estão previstos investimentos da ordem de R$ 4,6 bilhões em Guarulhos, R$ 8,7 bilhões em Viracopos e R$ 2,8 bilhões em Brasília. Os três aeroportos têm prazo de concessão diferentes. São 20 anos para Guarulhos, 25 anos para Brasília e 30 anos para Viracopos. Além da outorga, os concessionários terão que ceder um percentual da receita bruta ao governo, dinheiro que irá para um fundo cujos recursos serão destinados ao fomento da aviação regional. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai financiar até 80% do investimento total previsto no edital do leilão para os três aeroportos.

Copa 2014

As concessionárias também têm investimentos mínimos estabelecidos para obras concluídas até a Copa de 2014. Para Brasília, estão previstos R$ 626,5 milhões, que devem ir para um novo terminal de passageiros para pelo menos dois milhões de pessoas por ano. Em Viracopos, a vencedora do leilão terá que colocar R$ 873 milhões, incluindo um terminal para 5,5 milhões de passageiros por ano. Já em Cumbica, a empresa deverá construir um terminal para sete milhões e fazer investimento de R$ 1,38 bilhão. Além disso, estão previstas obras de ampliação de pistas, pátios, estacionamentos, vias de acesso. Os contratos assinados determinam o estabelecimento de padrões internacionais de qualidade de serviço.

O que muda na operação

- A estatal Infraero é responsável pela operação dos aeroportos no Brasil
- Agora, nos aeroportos concedidos, a Infraero será sócia dos concessionários privados, com participação de 49%

- A partir do contrato, haverá um período de transição de seis meses no qual a concessionária administrará o aeroporto em conjunto com a Infraero. Após esse período, que pode ser prorrogado por mais seis meses, o novo controlador assume o controle das operações do aeroporto

- A Infraero continuará operando 63 aeroportos no País, responsáveis pela movimentação de cerca de 67% do total de passageiros

- Não há previsão de aumento ou diminuição das tarifas
Fonte: Terra noticias

sábado, 28 de janeiro de 2012

GAMBIARRAS PARA A COPA

Reportagem do jornal Valor (25/1) não deixa dúvidas de que, das 46 obras de transporte urbano projetadas para atender o público que assistirá aos jogos da Copa do Mundo, poucas estarão prontas a tempo. O problema vem preocupando os dirigentes esportivos internacionais, que fazem seguidas cobranças públicas às autoridades brasileiras - sem resultados aparentes. Principal agente financeiro desses empreendimentos, a Caixa Econômica Federal reservou R$ 5,3 bilhões para emprestar aos Estados e municípios que sediarão jogos da Copa. Mas, como mostrou o Valor, a menos de 30 meses do início da competição, a Caixa liberou apenas R$ 194 milhões, ou 3,7% do que já poderia ter liberado. Das dezenas de projetos, poucos saíram do papel.


Definidas pelo governo como ações de mobilidade urbana nas 12 cidades que sediarão jogos da Copa, essas obras envolvem melhoria do sistema viário e construção e operação de novos sistemas de transporte de passageiros, como veículos leves sobre trilhos (VLT) e transporte rápido por ônibus, ao custo estimado de R$ 13,5 bilhões. Elas se destinam também a facilitar a movimentação da população dessas cidades.

Há dois anos, preocupado com o atraso dos preparativos para a competição, o governo federal, em parceria com os governos dos Estados e as prefeituras dos municípios onde haverá jogos, montou o que ficou conhecido como matriz de responsabilidades, com a definição das atribuições de cada instância de governo e cronogramas. Em setembro do ano passado, como persistiam atrasos e indecisões, a matriz foi revisada, com novos prazos e atribuições. De lá para cá, porém, muito pouca coisa avançou. Pelo menos 19 obras que deveriam ter avançado de setembro para cá continuam sem cumprir o cronograma, como mostrou o Valor.

Pedidos de financiamento feitos à CEF vêm acompanhados de projetos de má qualidade, o que impede a aprovação. Em alguns casos, as autoridades locais ou regionais alteraram os projetos iniciais, optando por outros mais complexos e mais caros, o que comprometeu prazos e a obtenção da indispensável aprovação das autoridades da área ambiental. Em outros casos, os governos nada têm feito.

"O tempo está passando e não vai dar tempo para fazer muita coisa", admitiu o presidente do Sindicato da Arquitetura e da Engenharia em São Paulo, José Roberto Bernasconi. "Podemos acelerar obras absolutamente cruciais e realizar operações especiais, mas isso não é muito mais do que gambiarra, diante do que deveríamos ter."

Eis aí um resumo de como o poder público está preparando o País para a Copa: com gambiarras, com medidas improvisadas, com soluções provisórias.

Casos descritos na reportagem citada do jornal Valor não deixam dúvidas quanto à ineficiência da ação das autoridades. Caso exemplar é o do contrato para a construção do VLT de Brasília, com 22,6 quilômetros de extensão e 25 estações, assinado há três anos. O projeto foi dividido em três etapas, a primeira das quais talvez - não é certo - seja concluída até 2014. Por interferir na estrutura urbana de Brasília, o projeto vem sendo questionado na Justiça. Além disso, o contrato assinado em 2009, de R$ 1,5 bilhão, foi anulado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal, por suspeita de fraude. Do pouco que se conseguiu realizar - menos de 3% das obras -, boa parte está enferrujando.

Outro exemplo apontado pelo Valor é o das obras do monotrilho de Manaus, com 20,2 quilômetros de extensão, que deveriam ter começado em novembro passado, para estarem prontas até a Copa. Irregularidades identificadas pela Controladoria-Geral da União e pelo Ministério Público Federal, no entanto, impediram a aprovação do financiamento, sem o qual não haverá interessados na execução da obra. Em Salvador e Cuiabá, o projeto inicial de BRT, que já tinha financiamento contratado, foi substituído por outros pelas autoridades locais.

Dos demais projetos de mobilidade urbana inscritos na matriz de responsabilidade, 6 cumprem parcialmente o cronograma, 14 estão dentro do prazo e 7 já estão com as obras em andamento.

Fonte: O Estado de São Paulo

domingo, 11 de dezembro de 2011

TUDO QUE A FIFA MANDAR

A realização no Brasil da Copa das Federações, em 2013, e da Copa do Mundo de Futebol, em 2014, dois dos principais eventos promovidos pela Fédération Internationale de Football Association (Fifa), certamente trará prestígio para o País, além dos benefícios permanentes que resultarão - é o que se espera - das obras de infraestrutura necessárias para a realização dessas competições. Mas há um alto preço que já se começa a pagar por tanta honra e glória: a submissão das instituições nacionais aos interesses comerciais da poderosa entidade privada que manda no futebol no mundo. É o que lamentavelmente revela o parecer do deputado governista Vicente Cândido, relator do projeto da Lei Geral da Copa na Comissão Especial da Câmara. Estabelece o relatório, obviamente negociado com o Palácio do Planalto, que o Estatuto do Idoso e o Estatuto do Torcedor terão alguns de seus dispositivos escamoteados para atender a exigências da Fifa.

A dona do futebol não abre mão de controlar rigidamente a política de preços dos ingressos para as competições que promove e por essa razão não admite a cobrança de meia-entrada para espetáculos culturais, artísticos e desportivos que os maiores de 60 anos conquistaram por força do artigo 23.º do Estatuto do Idoso. Para não ter que pura e simplesmente admitir que está cedendo à exigência da Fifa, o relator Vicente Cândido se entrega a um extravagante contorcionismo verbal. Nos jogos das duas competições não haverá meia-entrada para idosos, estudantes ou quem quer que seja. Haverá, isto sim, uma cota de 300 mil ingressos destinados a uma categoria especial, designada pelo número 4, "cujos preços não excederão da metade do preço da categoria superior para uma mesma partida da Copa do Mundo Fifa de 2014, que corresponderão a cerca de cinquenta reais (R$ 50,00)".

Assim, na tal categoria 4, os ingressos deverão custar R$ 25, ou seja, a metade do preço da categoria imediatamente superior. E esses ingressos só poderão ser comprados, por se tratar de uma "cota social", por idosos, estudantes, portadores de deficiências, indígenas e "beneficiários de participantes de programa federal de transferência de renda" (o Bolsa-Família, por exemplo). O sistema é mais fácil propor do que de operar, mas não se fala em meia-entrada, como quer a Fifa.

Para desatar o nó da venda de bebidas alcoólicas nos estádios durante as competições da Fifa o relator também usou de criatividade. Será permitida a venda e o consumo de bebidas nos estádios - o que contraria a letra expressa do Estatuto do Torcedor -, desde que isso seja feito exclusivamente nos bares, restaurantes e estabelecimentos similares em funcionamento dentro das arenas. Continuará sendo proibido consumir bebidas alcoólicas nas arquibancadas, pois o relatório considera isso uma medida de segurança indispensável. Mas nada impedirá que os torcedores se embriaguem nos "bares, restaurantes e estabelecimentos similares" dentro dos estádios para depois armarem confusão durante ou após os jogos.

E já que estava com a mão na massa, o relator considerou de bom alvitre "corrigir" o que considera uma falha no Estatuto do Torcedor. Propôs que a permissão de venda e consumo de bebidas alcoólicas, nas condições restritivas que valerão para as copas, seja definitivamente incorporada àquele estatuto, para permitir que os torcedores possam voltar a beber nos estádios.

Os Estatutos do Idoso e do Torcedor foram sancionados pelo presidente Lula em 2003. O primeiro não trata apenas da concessão de meia-entrada nem o segundo exclusivamente da proibição do consumo de bebidas alcoólicas nos estádios. Mas essas duas medidas específicas foram então saudadas como importantes conquistas sociais. E desde então têm funcionado muito bem, plenamente aceitas pela sociedade brasileira de modo geral, apesar de tanto uma quanto outra contrariarem interesses econômicos. Estão sendo revogadas por determinação dos donos do futebol mundial.

Fonte: O Estado de São Paulo

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

LUZ VERMELHA



É notório que a FIFA não é uma reunião de monges e muito menos dita regras favoráveis aos países que abrigam eventos futebolísticos mundiais e continentais, mas o secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, estava coberto de razão quando, por ocasião do anúncio do Brasil como sede da Copa de 2014, externou sua preocupação com o caos que impera nos aeroportos brasileiros.
Considerado pelo então presidente Luiz Inácio da Silva como um intruso, Valcke foi chamado, indiretamente e por vias transversas, de “idiota”. Acontece que o cotidiano dos aeroportos brasileiros tem mostrado que a aludida idiotice de Valcke é obra da esquerda tupiniquim.

Desde então, o Palácio do Planalto, por intermédio de Lula e Dilma Rousseff, tem prometido investimentos bilionários nos aeroportos nacionais, com o objetivo de evitar um mal maior durante a Copa do Mundo de 2014. Porém, quem faz uso de aviões comerciais para circular pelo Brasil logo percebe que não será preciso aguardar mais três anos para conferir o caos reinante no setor aéreo.

Na quinta-feira (10), um leitor gastou quarenta minutos uma viagem aérea entre os aeroportos, Afonso Pena, em Curitiba, e Congonhas, em São Paulo. Nada de extraordinário, pois é esse o tempo previsto para o voo entre as duas cidades. Já no aeroporto da capital paulista, o leitor foi obrigado a esperar trinta minutos, diante da esteira, pela chegada da bagagem. Quando a entrega de uma bagagem demanda o equivalente a 75% do tempo de uma viagem, não há como negar que existe uma enxurrada de erros nos aeroportos.

Outro assunto preocupante em muitos dos aeroportos é a falta de locais para o embarque e desembarque de passageiros. Cada vez mais essas operações ocorrem remotamente (fora dos fingers ou pontes de embarque), mas a Infraero não disponibiliza nos aeroportos ônibus em número suficiente para atender à demanda.

Não faz muito tempo, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, disse que o Brasil era sério candidato a protagonizar um fiasco durante a Copa do Mundo. Mesmo depois de convidado pela presidente Dilma Rousseff para fazer as vezes de embaixador do Brasil para a Copa, o ex-camisa 10 do Santos Futebol Clube continua preocupado, desta vez com um discurso mais moderado.

Enquanto isso, a melhoria de muitos aeroportos e a privatização de outros continuam bambeando entre o discurso e o papel. Como disse certa feita um conhecido filósofo de botequim, “nunca antes na história deste país”.

Fonte: Ucho.Info

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

COMPRE SEU BILHETE E ENTRE NO BRASIL.

Lei Geral prevê a dispensa do visto aos estrangeiros que adquirirem ingressos para os jogos de futebol. Polícia Federal teme que flexibilização estimule a vinda de criminosos

Comprovante de renda, de residência, de emprego fixo, declaração escolar e extratos bancários. A pilha de documentos exigidos atualmente para que estrangeiros possam fazer turismo no Brasil deve ser reduzida a um simples ingresso para algum dos jogos da Copa do Mundo de 2014. A brecha consta na Lei Geral da Copa, em análise no Congresso. O texto do projeto estabelece o afrouxamento nas rotinas de concessão de vistos a estrangeiros vindos de países que atualmente só deixam os brasileiros partirem de seus aeroportos mediante um pente-fino financeiro e criminal em suas vidas.

Depois da Copa do Mundo da África do Sul, em 2010, o Brasil será o segundo país a suspender suas regras vigentes de seleção de imigrantes temporários para se adequar às exigências da Federação Internacional de Futebol (Fifa). A Lei Geral da Copa diz que "considera-se documentação suficiente para obtenção do visto de entrada ou para o ingresso no território nacional o passaporte válido" em conjunto "com qualquer instrumento que demonstre a sua vinculação com os eventos", resumido no capítulo três da lei como "ingressos ou confirmação de aquisição".

A Alemanha, na Copa de 2006, divulgou regras de emissão de vistos e o país fez questão de ressaltar que, apesar de estar "aberto" ao evento, não mudaria normas para facilitar a entrada de turistas e sugeriu aos torcedores que tirassem o visto antes de comprar o ingresso: "O Ministério das Relações Exteriores recomenda a todos os fãs de futebol que necessitam de visto a encaminhar os documentos o mais cedo possível". Na época, o governo germânico ainda acrescentou que os ingressos não seriam sinônimo de comprovação de boa-fé do viajante. "A apresentação de bilhete para um jogo de Copa do

Mundo ou uma prova de que esse tipo de bilhete foi comprado será vista apenas como uma forma de fundamentar o propósito da viagem, mas em si não concede o direito a um visto", orientou o governo alemão. Nas Copas de 2002, na Coreia do Sul/Japão, e de 1994, nos Estados Unidos, também não houve abertura irrestrita de fronteiras.

Na África do Sul, entretanto, para resolver o encalhe de ingressos, as autoridades liberaram a entrada de estrangeiros com bilhetes e deixaram até mesmo de cobrar a taxa de visto, que custava cerca de US$ 60 no ano passado. Quando perceberam que o afrouxamento temporário das regras estimulou o aumento da procura por viagens ao continente africano, as autoridades lançaram mão de tratamento diferenciado na concessão de vistos.

Pedofilia

Enquanto o Congresso se prepara para analisar a Lei Geral da Copa, a Polícia Federal se preocupa com os problemas que a abertura dos aeroportos e das fronteiras aos turistas-torcedores pode trazer ao Brasil. A inteligência brasileira analisa a possibilidade de o evento atrair criminosos dos mais variados tipos, especialmente os ligados à rede internacional de pedofilia e conta com a ajuda da Interpol para ampliar alertas de "difusão vermelha" com o objetivo de barrar viajantes alvo de mandado de prisão.

De acordo com a Secretaria Extraordinária de Grandes Eventos, do Ministério da Justiça, coordenada por José Ricardo Botelho, se a Lei Geral da Copa for aprovada como está, os agentes de segurança pública terão que fazer o pente-fino durante o desembarque dos turistas nos aeroportos. A secretaria estuda a criação de um banco de dados integrado, com informações da Interpol, das polícias dos estados que sediarão a Copa e da Polícia Federal para municiar consulados, embaixadas e agentes envolvidos na análise de imigração temporária.

O especialista em direito internacional Carlos Pellegrino afirma que usar o ingresso como condição para a entrada no país é "temerário", mas acrescenta que o Brasil já possui experiência na deportação de estrangeiros caso a polícia identifique problemas. "Do ponto de vista do controle jurídico-político, acho problemático adotarmos essa flexibilização. Atrelar a entrada no país à compra do bilhete de ingresso é um pouco temerário."

Governo e Fifa discutem regras

Integrantes do governo federal, da Fifa e do Comitê de Organizador Local (COL) se reuniram na tarde de ontem para discutir pontos polêmicos do projeto da Lei Geral da Copa. A reunião foi a primeira após o encontro em Bruxelas realizado no último dia 4 entre a presidente Dilma Rousseff e o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke. No encontro, realizado a portas fechadas no Ministério do Esporte, a pauta foi direcionada para pontos específicos do projeto de lei, como o credenciamento e os direitos de transmissão. Após a reunião, que durou seis horas, ninguém deu declarações à imprensa.

Em nota, o Ministério do Esporte disse apenas que o debate serviu para "aprofundar o diálogo entre as partes envolvidas e o Congresso , que examina o projeto de Lei Geral da Copa". Entre os participantes, estavam o secretário nacional de Futebol e Direitos do Torcedor da pasta, Alcino Rocha; o chefe de Direito Comercial da Divisão de Assuntos Jurídicos da Fifa, Jörg Vollmüller; o advogado da Fifa Julian Chediak; e o representante do COL Álvaro Jorge. (Erich Decat)

Outros Mundiais

2010 – África do Sul
Após verificar o encalhe de boa parte da carga de ingressos colocada à venda, em abril de 2010, a dois meses do início do Mundial, a África do Sul abriu as portas para os turistas e chegou a isentar da taxa de visto, de cerca de US$ 60. Na prática, segundo a Fifa, houve aumento na procura por bilhetes.

2006 – Alemanha
O Ministério das Relações Exteriores da Alemanha divulgou documento informando que os ingressos seriam apenas um documento a mais para o pedido de visto de turismo e que o país não modificaria suas regras em função dos jogos de futebol.

2002 – Coreia do Sul e Japão
Para entrar na Coreia do Sul, os brasileiros não precisavam de visto em viagens de até 30 dias. O Japão, porém, manteve a exigência de vistos para a entrada no país, mas redobrou o efetivo de funcionários envolvidos no atendimento aos turistas.

1998 – França
O país europeu não flexibilizou a concessão de vistos para os países cuja autorização era exigida. No entanto, os brasileiros já eram dispensados da exigência, bastando apenas apresentar passaporte válido.

1994 – Estados Unidos
Os brasileiros tiveram que tirar visto para acompanhar os jogos do Mundial. No mês que antecedeu a Copa, o consulado americano em São Paulo registrou aumento de 19% no número de pedidos de visto em relação ao mesmo período em 1993. Preocupados com a entrada de estrangeiros, o Serviço de Imigração dos EUA reforçou a fiscalização para evitar que os torcedores se transformassem em imigrantes ilegais depois dos jogos.

Fonte: Correio Brasilients

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

VERGONHA NACIONAL



Logo depois de a FIFA anunciar que o Brasil sediaria a Copa do Mundo de 2014, o então presidente Luiz Inácio da Silva disse, a bordo de um messianismo mambembe, que os brasileiros fariam o maior evento futebolístico do planeta. Meses mais tarde, o secretário-geral da organização máxima do futebol mundial, Jérôme Valcke, externou sua preocupação com a situação caótica dos aeroportos verde-louros. Foi o suficiente para Lula, de forma transversa e inominada, chamar Valcke de “idiota”. E o fez dessa forma porque coragem nunca foi uma de suas principais virtudes.

Para provar que o Brasil estava apto a sediar a Copa, Lula, ainda na presidência, anunciou um investimento de R$ 5 bilhões para a reforma e ampliação dos principais aeroportos do País. Mas nada do que foi prometido aconteceu.

Herdeira de um amaldiçoado espólio político-administrativo, cujo tom fica por conta do desmando e da incompetência, a neopetista Dilma Vana Rousseff não teve outra saída que não privatizar três dos principais aeroportos brasileiros: Guarulhos, Viracopos (Campinas) e Brasília. Confirmando a tese de eleitoreira de que Dilma era a garantia de continuidade das conquistas da era Lula da Silva, o governo federal adiou o processo licitatório, inicialmente marcado para dezembro, para 2012. Ou seja, a situação ficará ainda mais caótica do que atualmente está.

Acontece que aquela dinheirama anunciada por Lula como investimento nos aeroportos não dá para começar. Juntos, os vencedores da licitação terão de investir pouco mais de R$ 19,6 bilhões nos aeroportos de Guarulhos, Cumbica e Brasília. Além disso, terão de pagar à União uma outorga (lance mínimo do leilão) no valor de R$ 2,888 bilhões.

O mais interessante nesse cenário é que Lula, que durante oito longos anos abusou da mitomania, continua sendo reverenciado em várias partes do mundo, com direito, inclusive, a títulos e honrarias. Como disse certa feita um conhecido filósofo de botequim, “nunca antes na história deste país

Fonte: Ucho.Info

sábado, 8 de outubro de 2011

2014, A COPA DO GOVERNO BÊBADO.

Dilma foi à Fifa e acabou com as dúvidas sobre a Copa do Mundo: chova ou faça sol, está garantida ao Brasil uma boa ressaca em 2014.

Essa perspectiva segura foi muito bem recebida pelos brasileiros, um povo cordial que jamais renuncia à alegria e ao oba-oba, mesmo quando está sendo assaltado.

A preparação do país para a Copa vai muito bem, obrigado. As obras faraônicas para os estádios seguem as regras mais estritas das negociatas, devidamente avalizadas pelo dinheiro do contribuinte.

A grande novidade é que o torcedor brazuca, ao entrar no Maracanã ou no Itaquerão, vai poder encher a cara – e esquecer os quase 2 bilhões de reais que esses novos templos da esperteza lhes custaram.

Foi mesmo providencial o anúncio do ministro dos Esportes, Orlando Silva, sobre a revogação da Lei Seca nos estádios brasileiros durante a Copa. Ninguém suportaria assistir careta a tanto gol contra.

Tome mais uma dose e alcance a lógica do ministro:

A proibição de bebidas alcoólicas nos estádios de futebol, determinada pelo Estatuto do Torcedor contra a epidemia de violência nas arquibancadas e nas ruas, pode ser suspensa porque “a Copa é especial”.

Orlando Silva explicou que essa regra de civilidade e segurança, há anos em vigor no Brasil, pode ser revista por causa dos “compromissos da FIFA com os patrocinadores”.

O ministro tem razão. O direito brasileiro termina onde começa o faturamento da Fifa.

Esse papo de soberania nacional soa bem em época de eleição – mas em época de Copa do Mundo não tem nada a ver. A Copa é especial.

Os que acham absurdo sujeitar as leis do país a uma marca de cerveja estão reclamando de barriga cheia. Se o patrocinador da Fifa fosse a Taurus, o ministro Orlando Silva também examinaria “com cuidado e naturalidade” a entrada de torcedores armados nos estádios.

E que não venham os estudantes protestar contra o roubo de seu direito à meia entrada na Copa. O governo brasileiro pode ser frouxo, mas felizmente também é incompetente: na falta de um sistema de transportes decente, decretará feriado nos dias dos jogos.

Os estudantes não têm do que reclamar.

Dilma e Orlando Silva poderiam estar matando, poderiam estar roubando, mas estão só rasgando as leis. Viva o governo ébrio.

Guilherme Fiúza - Revista Época

domingo, 2 de outubro de 2011

ITAQUERÃO A R$ 1 BILHÃO, E AGORA LULA?

O presidente do Corinthians Andrés Sanchez admitiu que o Itaquerão, futuro estádio do clube que deve ficar pronto em 2014 e receberá o jogo de abertura daCopa do Mundo do Brasil, custará mais de R$ 1 bilhão. Em entrevista à revista Época deste fim de semana, ele também disse que a revelação do valor causará uma saia justa para o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, torcedor declarado da equipe alvinegra.



'Quem fez o estádio fui eu e o Lula', afirma Sanchez - JF Diório/AE
JF Diório/AE
'Quem fez o estádio fui eu e o Lula', afirma Sanchez

"Quem fez o estádio fui eu e o Lula. Garanto que vai custar mais de R$ 1 bilhão. Ponto. A parte financeira ninguém mexeu. Só eu, o Lula e o Emílio Odebrecht [presidente do Conselho de Administração da Odebrecht]", afirmou Andrés. A Odebrecht é a construtora responsável pela construção do estádio.

Oficialmente, o montante total para a construção da arena será de R$ 780 milhões. O estádio está em construção no bairro de Itaquera, zona leste de São Paulo.

"Não vai ficar feio pra ninguém. Vai ficar, talvez, não imoral, mas difícil para o Lula. Porque vão falar: 'Pô, como é que uma empreiteira se submete a fazer isso? Por que o presidente pediu?'. É o que insinuam até hoje", afirmou Sanchez.

Fonte: O Estadão.com

sábado, 24 de setembro de 2011

FIFA PODE TIRAR COPA DE 2014 DO BRASIL.

Há mais de uma década acompanhando os bastidores da Fifa, a coluna desconfiou que o silêncio de Zurique em relação à Lei Geral da Copa-2014 não era um bom sinal. Se tivesse gostado, logo elogiaria, como sempre faz a Fifa nesses casos. Fomos apurar e descobrimos que a situação é mais grave. Existe, sim, a ameaça de rompimento, amparada pela cláusula 7.7 do Host Agreement (Contrato para Sediar).
Hoje, não seria surpresa se a Fifa anunciasse, até o próximo dia 5, o cancelamento do evento de 20 de outubro - quando o Comitê Executivo da entidade planeja divulgar o calendário de jogos nas cidades-sedes tanto da Copa das Confederações-2013 quanto do Mundial-2014.

A cláusula 7.7, do contrato, assinado pelo governo brasileiro, estabelece o dia 1 de junho de 2012 - exatamente 2 anos e 11 dias antes da partida de abertura do Mundial-2014 - como prazo final para a Fifa rescindir o contrato e tirar a Copa-2014 do Brasil, sem pagamento de multa.

Diz o texto da 7.7 que a rescisão será aplicada caso as leis e regulamentos necessários para a organização da Copa do Mundo-2014 não tenham sido aprovados, ou caso as autoridades competentes não estejam cumprindo as garantias governamentais exigidas.

As garantias e responsabilidades exigidas pela Fifa também fazem parte do Acordo de Candidatura, entregues em 31 de julho de 2007, pelo presidente Lula, três meses antes de o país ter sido confirmado como sede do Mundial.

A Lei Geral da Copa, enviada ao Congresso no último dia 19 pela presidente Dilma Rousseff, é o ponto de discórdia. A coluna pôde apurar em Zurique que itens como ingressos, credenciamento, proteção ao marketing de emboscada, gratuidades e até transmissão de TV foram editados em desacordo com o que foi discutido e acertado em fevereiro deste ano, em Brasília, durante reunião do secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, com o ministro do Esporte, Orlando Silva, e técnicos do governo. Além disso, a infraestrutura dos aeroportos e os projetos de mobilidade urbana são considerados incipientes pela entidade.

Pudemos apurar que a Fifa argumenta não ter como garantir aos patrocinadores a proteção às suas marcas. E a entidade teme inviabilizar o modelo da Copa do Mundo, que responde por 89% de sua arrecadação de quatro anos, se aceitar a Lei Geral da Copa-2014 como foi mandada pela presidente brasileira para o Congresso.

As duas partes podem até negar, mas apuramos também que Valcke e o Comitê Organizador Local (COL-2014) perderam a confiança em Orlando Silva e não querem mais negociar com o ministro. E que uma nação plano B já é pensada, para o caso de a Lei Geral da Copa não ser modificada.

Os próximos dias serão decisivos.

Fonte: O Globo

terça-feira, 20 de setembro de 2011

EMBROMAÇÃO À VISTA.


O raciocínio é óbvio e aconteceu o que os jornalistas do ucho.info previram com a devida antecedência. Já que as obras relativas à mobilidade do público que acompanhará a Copa do Mundo de 2014 não ficarão prontas, decreta-se feriado e resolve-se o problema. Ao que parece é essa a opinião da ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior. Na tarde desta segunda-feira (19), em São Paulo, a ministra afirmou que as obras de melhoramento da condição de mobilidade urbana nas cidades que sediarão os jogos da Copa do Mundo não são “essenciais para os jogos”. Estão atrasadas e muitas não ficarão prontas no prazo estimado.  

Com o discurso de que essas obras serão um legado à população e não obrigatórias para a realização da Copa, Belchior subestima a inteligência alheia. “Vai ser feriado nos dias de jogos, feriado em São Paulo no dia do jogo não tem trânsito”, disparou.

A declaração foi feita após a divulgação do projeto da Lei Geral da Copa, que determinaria que “a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios que sediarão os Eventos poderão declarar feriados os dias de sua ocorrência em seu território”, cita o 41º dos 46 artigos publicados pela Casa Civil.

Em defesa do atraso

O palavrório de Miriam Belchior aconteceu durante almoço realizado pelo “Lide” (Grupo de Líderes Empresariais), em hotel na Zona Sul de São Paulo. Ainda durante o evento, a titular do Planejamento disse que a capital paulista deve “recuperar o tempo perdido” em sua preparação para o Mundial e que a situação mais preocupante é a de Natal, capital do Rio Grande do Norte. Ela ainda ressaltou que, apesar de o anúncio da Copa no País ter sido feito em 2007, as cidades-sede foram definidas apenas em 2009 e este é que deveria ser o parâmetro para as cobranças sobre a organização do evento

Fonte: Ucho.Info

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

QUEDA DE BRAÇO.

A Copa do Mundo de 20144 já provoca um reboliço nos bastidores da política verde-loura. Há dias, o presidente da FIFA, Joseph Blatter, em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, disse que o Rio de Janeiro é o local ideal para sediar o jogo de abertura da competição maior do futebol planetário. A declaração de Blatter, que até então era um entusiasta da cidade de são Paulo como palco da abertura da Copa, pode carregar a ingerência do Palácio do Planalto. Afinal, a presidente Dilma Rousseff não é fã do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que vê crescer em todo o País a campanha que cobra a sua imediata saída da entidade.

Para reforçar esse detalhe que passa ao largo daqueles que não acompanham o cotidiano político nacional, Dilma recebeu de presente, semanas atrás, camisas do São Paulo Futebol Clube, cujo presidente, Juvenal Juvêncio, é um conhecido desafeto de Teixeira. O estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi, estava cotado para sediar os jogos da Copa de 2014, mas uma disputa no Clube dos Treze levou o presidente da CBF a trabalhar pelo descarte da arena esportiva do tricolor paulista.
No contraponto, o Itaquerão, o milionário estádio que o Corinthians pretende construir na Zona Leste paulistana, perde a razão de ser com a possibilidade de a abertura da Copa não acontecer na cidade de São Paulo. Para aumentar o calor que domina a disputa, o ex-presidente Luiz Inácio da Silva, corintiano de carteirinha e conselheiro vitalício do clube, promete visitar as obras do Itaquerão no próximo sábado (3), durante comemoração aos 101 anos do Sport Club Corinthians Paulista, fundado em 1º de setembro de 1910.

Durante o congresso da FIFA, que acontecerá em Zurique nos dias 20 e 21 de outubro, a cidade de São Paulo será confirmada como sede do primeiro jogo da Copa do Mundo de 2014, declarou um alto dirigente da entidade. O que mostra que as recentes declarações não interferem na decisão do staff da FIFA. Mesmo assim, resta mais de um mês para que essa briga silenciosa continue a produzir desconforto nas coxias do poder

Fonte: Ucho.Info

sábado, 17 de setembro de 2011

A MIL DIAS DA COPA NO PAÍS

Asérie de eventos alusivos aos mil dias que faltam para a Copa do Mundo constitui celebração de uma conquista que o Brasil alcançou, mas não está se preparando convenientemente para abraçá-la.

Há duas grandes preocupações. Uma diz respeito às condições de infraestrutura urbana para atender à demanda. A estimativa é de que meio milhão de estrangeiros estará circulando pelo Brasil durante o Mundial. A outra é quanto ao legado que os investimentos para a Copa deixarão para a sociedade. Não se pode abrir mão dessa perspectiva com o uso do dinheiro público.

Das 81 obras para mobilidade urbana nas 12 cidades-sedes da Copa, 52 ainda não começaram. Já os 12 estádios estão em construção ou reforma, mas alguns em ritmo lento. Entre os projetos que até agora não saíram do papel estão o metrô de Belo Horizonte e o trem-bala entre Rio e São Paulo. Estimativas oficiais admitem que o metrô não deve ficar pronto nem para as Olimpíadas de 2016. Já o trem-bala não se sabe sequer se é viável. O custo é astronômico.

Além disso, atraso nas obras pode se agravar. É que o Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC), aplicável a contratos de obras da Copa de 2014 e das Olimpíadas 2016, é alvo de Ação Direta de Inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal. Foi impetrada pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Ele entende que o RDC desrespeita os princípios de impessoalidade, moralidade e eficiência administrativa, previstos na Constituição.

A propósito, há poucos dias, a Justiça Federal determinou a paralisação das obras do terceiro terminal de passageiros do aeroporto de Guarulhos. Entendeu que a dispensa de licitação não se justifica com base na urgência, pois a necessidade de ampliação do aeroporto é antiga.

Outros projetos voltados para a Copa estão sujeitos a esse tipo de ocorrência. Ou o governo toma providências para evitá-la, ou os mil dias que faltam para o evento pode ser pouco para preparar o país

Fonte: A Gazeta

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

DINHEIRO LEVADO PELA CORRUPÇÃO PODERIA ALIMENTAR 1 BILHÃO DE FAMINTOS.



Diante das recentes denúncias de corrupção ocorridas nos ministérios dos Transportes, Turismo e Agricultura, e, sobretudo, com a absolvição de Jaqueline Roriz (PMN-DF) das acusações de participar do esquema de propina no governo do Distrito Federal, a população não ficou apática. O problema não é novidade no cenário brasileiro e, muito menos, mundial. O Banco Mundial estima que US$ 1 trilhão por ano seja tragado pelos corruptos.

O valor corresponde a 1,6% do PIB mundial em 2010 (US$ 63 trilhões) e supera em 43% o gasto dos Estados Unidos com armamentos (US$ 698 bilhões). Paradoxalmente, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) considera que US$ 30 bilhões por ano são suficientes para acabar com a fome de quase um bilhão de pessoas no planeta. Assim, tal como no Brasil, a ideia de que a “faxina mundial”, em favor da moralidade poderia eliminar a miséria vira utopia.

A real quantificação dos mal feitos pela corrupção é difícil, exatamente pela ausência de recibos e notas fiscais. No entanto, recentemente, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) divulgou estudo sobre o impacto da roubalheira em nosso País, concluindo que os desvios giram entre R$ 50,8 bilhões e R$ 84,5 bilhões por ano, algo em torno de 1,4% a 2,3% do PIB brasileiro em 2010.

Na hipótese otimista, o montante de R$ 50,8 bilhões é equivalente às ações concluídas entre 2007 e 2010 no setor de logística do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Em outras palavras, em cenário fictício de um ano sem corrupção, o País teria recursos para duplicar as obras realizadas nos últimos quatro anos em rodovias, ferrovias, marinha mercante, aeroportos, portos e hidrovias.

Na área social, com R$ 50,8 bilhões poderiam ser construídas 918 mil casas populares do programa “Minha casa, minha vida” ou 57,6 mil escolas para as séries iniciais do ensino fundamental. É evidente, portanto, a imensa participação da desonestidade no chamado “Custo Brasil”.

Os cálculos realizados pela FIESP derivam da pesquisa sobre o “Índice de Percepção da Corrupção”, realizada pela ONG Transparência Internacional. Desde 1995, a entidade atribui notas de 0 a 10 aos países mais ou menos corruptos, respectivamente. Ao longo desses dezesseis anos, a nota média do Brasil foi 3,65. Em 2009 e 2010, a nota 3,70 aproximou-se do valor médio, demonstrando que nas últimas décadas a situação é estável.

No Brasil, R$ 40 bilhões anuais vão para o esgoto

No domingo passado, o jornal “Folha de S. Paulo” divulgou o estudo do economista da Fundação Getúlio Vargas, Marcos Fernandes da Silva, que contabilizou os desvios de recursos federais descobertos no período 2002 a 2008. A soma de R$ 40 bilhões, apurada pelos órgãos de controle, não incluiu o que permaneceu desconhecido, além das falcatruas nos estados e municípios, ou seja, é apenas a ponta do iceberg.

O diagnóstico sobre as causas da corrupção brasileira é quase unânime. A colonização de 300 anos é o componente histórico. Outros pontos fundamentais são a imunidade parlamentar, o sigilo bancário excessivo, a falta de transparência das contas públicas, a elevada quantidade de funções comissionadas, os critérios para nomeação de juízes e ministros de tribunais superiores, o foro privilegiado para autoridades, os financiamentos de campanhas eleitorais, as emendas parlamentares e a morosidade da Justiça. Esses aspectos, em conjunto ou individualmente, levam à impunidade.

Apesar do consenso quanto aos focos que realimentam as fraudes, cerca de 70 projetos de lei estão engavetados no Congresso Nacional. Versam sobre a responsabilização criminal das empresas corruptoras, criação de obrigações para instituições financeiras, sanções aplicáveis aos servidores no caso de enriquecimento ilícito, dentre outros temas relevantes. Enquanto isso foi votada a absolvição da deputada Jaqueline Roriz.

No Brasil, a oportunidade faz o ladrão. Com a proximidade da Copa/2014 e dos Jogos Olímpicos/2016, a bola da vez são as obras nos estádios e de mobilidade urbana, além dos cursos de capacitação. Somente para a Copa já estão previstos investimentos de R$ 23,9 bilhões, valor que deve crescer, junto com os níveis de corrupção. Ao que parece, no Brasil, realizar obra de grande porte sem risco de desvio de recursos é quase impossível.

Fontes: Ucho.Info . Dyelle Menezes, do Contas Abertas

sábado, 3 de setembro de 2011

LOGOTIPO DA COPA 2014.


A Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil, já tem a sua logomarca

Tem logo, mas não tem estádios e aeroportos reformados.
O desenho, nas cores verde, amarelo e vermelho, é inspirado em práticas de políticos brasileiros e foi aprovado por um grupo de notáveis que somente aceitava notas de R$ 100,00 e contava todas as cédulas recebidas.
detalhe: ninguém esta entendendo porque uma das mãos estilizadas só tem 4 dedos.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

FOI SÓ O PRIMEIRO EVENTO, IMAGINEM O RESTO.


Que pouca vergonha!
A que descalabro o PT - só ele? - reduziu este país!
Pobre Rio de Janeiro, cheio de deficiências
e vê o dinheiro ser jogado no vaso sanitário!




O palco montado no Hell de Janeiro para fazer a "festa" do sorteio dos jogos para a Copa do mundo de 2014 custou aos cofres do estado "mais rico" da federação a baba de, R$ 30.000.000,00 (TRINTA MILHÕES DE REAIS).

vejam que a festa irá durar umas poucas horas em apenas um dia.
Esse é o reflexo de um país rico e irresponsável, gastar 30 milhetas para fazer um sorteio vai mostrar ao mundo não é a nossa capacidade em promoção de eventos, mas sim a irresponsabilidade e a ganância corrupta que os governantes brasileiros tem com o dinheiro público.

É muita arrogância de um povo que morre na fila dos hospitais públicos por falta de atendimento médico e de um país que tem que distribuir comida grátis para grande parte da sua população não morrer de fome porque não existem investimentos nas regiões mais pobres que garanta a criação da cidadania.

Enquanto o governo do Hell de Janeiro gasta MILHÕES na promoção desse baita circo para um povo idiotizado pelo futebol. A região Serrana do estado continua soterrada sem o auxilio oficial, e o pouco de recursos que foram enviados à região simplesmente desapareceram na corrupção e ladroagem.

O pior é que o comite organizador do evento disse à imprensa que o alto custo dessa palhalçada foi para atender as "exigências" da FIFA. E também é que a "festa" será transmitida para mais de duzentos países.

Sabemos que a corrupção no Hell e no Brasil é endêmica e geométrica, e a neta do João Havelange, é a chefe do bando organizador. Coincidência não?

30 Milhões que poderiam ser gastos em escolas, segurança pública, na saúde, e principalmente na reconstrução da Região Serrana do estado.

Sabemos também que uma festa desse porte feita em um país sério custaria muito menos da metade do que foi gasto, mas isso é Brasil!!!!

Sinceridade, acordar pela manhã e ler uma notícia dessas é para perder as esperanças neste país.

E o povo vai estar lá, em peso, festejando o fato de serem roubados e feitos de idiotas todos os dias da vida. Protestar, jamais.

E o mais idiota, é ler que a construção do palco está "abusando" da Brasilidade.
Na minha visão "abusar" da brasilidade é: superfaturar, desviar, roubar, se meter a besta, e sofrer de arrogância galopante.

O Brasil quer mais uma vez mostrar ao mundo a grandiosidade do povo de uma pequenês impressionante.

E tome Ivete Sangalo para "rolar" a festa!!!!

VERGONHA!!!!!

Fonte: https://mail.google.com/mail/?hl=pt-BR&shva=1#inbox/13194e1f59dfd417

sexta-feira, 24 de junho de 2011

FESTA MACABRA.

"Há uma percepção crescente de que a aritmética da Copa do Mundo é um tanto instável", escreveu o Times de Johannesburgo um mês depois do triunfo da Espanha nos campos sul-africanos. "Temos estádios em excesso para nosso próprio uso. Talvez devêssemos exportar estádios para o Brasil, que fará sua Copa do Mundo?". A constatação estava certa; a sugestão, errada. O Brasil, país do futebol, terá o mesmo problema que a África do Sul, país do rúgbi. Aqui, como lá, a festa macabra da Fifa é um sorvedouro implacável de recursos públicos.

Mafiosos usam a linguagem da máfia. Confrontado com evidências de corrupção na organização que dirige, Sepp Blatter avisou que tais "dificuldades" seriam solucionadas "dentro de nossa família". As rendas de radiodifusão e marketing da Fifa ultrapassaram os US$ 4 bilhões no ciclo quadrienal encerrado com a Copa da África do Sul. O navio pirata já se moveu para o Brasil, onde a Fifa articula com seus sócios a rapina seguinte.

O brasileiro João Havelange planejou a globalização do futebol, expandindo a Copa para 24 seleções, em 1982, e 32, em 1998. Blatter concluiu a transformação, rompendo a regra de rodízio de sedes entre Europa e América. Como constatou a Sports Industry Magazine, sob um processo milionário de licitação do direito de hospedagem, as ofertas nacionais assumiram "a forma de promessas de mais e mais pródigos novos estádios para os jogos e novos hotéis luxuosos para uso dos dirigentes da Fifa e de fãs endinheirados". A Copa é um roubo: as despesas são pagas com dinheiro público, de modo que a licitação "constitui, de fato, um esquema de extração de renda concebido para separar os contribuintes de seus tributos".

O saque decorre da conivência de governos em busca de prestígio e de negociantes em busca de oportunidades. Na Europa a rapinagem é circunscrita por uma cultura política menos permeável à corrupção e pela existência prévia de modernas infraestruturas hoteleiras, esportivas e de transportes. Por isso a Fifa seleciona seus próximos alvos segundo critérios oportunistas de vulnerabilidade. Encaixam-se no perfil África do Sul e Brasil, países emergentes que ambicionam desfilar no círculo central do mundo, assim como a semiautoritária Rússia, sede de 2018, e a monarquia absoluta do Qatar, que bateu a Grã-Bretanha na disputa por 2022.

Antes das Copas, consultores associados às redes mafiosas produzem radiosas profecias sobre os efeitos econômicos do evento. Depois, quando emergem os resultados efetivos, eles já estão entregues à fabricação de ilusões no porto seguinte. A África do Sul gastou US$ 4,9 bilhões em estádios e infraestruturas, que gerariam rendas imediatas de US$ 930 milhões derivadas do afluxo de 450 mil turistas, mas só arrecadou US$ 527 milhões dos 309 mil turistas que de fato entraram no país.

O verdadeiro legado positivo da Copa de 2010 foi a mudança de paradigma no sistema de transporte público urbano, pela introdução de ônibus, em corredores dedicados, e do Gautrain, trem rápido de conexão com o aeroporto de Johannesburgo. Os ônibus enfrentavam selvagem resistência dos sindicatos de operadores de peruas, superada pelo imperativo urgente do evento esportivo. O Gautrain serve exclusivamente à classe média, com meios para adquirir bilhetes cujos preços excluem a população pobre. Mas o argumento de que sem uma Copa, não se realizariam obras necessárias de mobilidade urbana equivale a uma confissão de incompetência da elite dirigente.

Eventos esportivos globais tendem a gerar ruínas urbanas, mesmo em países mais inclinados a zelar pelo interesse público. Japoneses e sul-coreanos ainda subsidiam a manutenção das arenas da Copa de 2002. As dívidas contraídas para as obras da Olimpíada de Atenas e da Eurocopa de 2004 aceleraram a marcha rumo à falência da Grécia e de Portugal. A África do Sul incinerou US$ 2 bilhões na construção e reforma das dez arenas da Copa. Todas, com exceção do Soccer City, de Johannesburgo, usado para jogos de rúgbi e shows, figuram hoje como monumentos inúteis, conservados pela injeção de dinheiro público. A Cidade do Cabo paga US$ 4,5 milhões ao ano pela manutenção da arena de Green Point, erguida ao custo fabuloso de US$ 650 milhões e usada apenas 12 vezes depois da Copa. Lá se desenrola um melancólico debate sobre a alternativa de demolição do icônico estádio, emoldurado pela magnífica Table Mountain.

O Brasil decidiu ultrapassar a África do Sul. Aqui, serão 12 arenas, a um custo convenientemente incerto, mas bastante superior aos dispêndios sul-africanos. As futuras ruínas já drenam vultosos recursos públicos, mal escondidos sob as rubricas de empréstimos do BNDES e subsídios estaduais e municipais. O governo paulista prometeu não queimar o dinheiro do povo na festa macabra da Fifa, mas o alcaide Gilberto Kassab assinou um cheque público de US$ 265 milhões destinado ao estádio do Corinthians. São 16 centros educacionais, para 80 mil estudantes, sacrificados por antecipação no altar de oferendas às máfias da Copa. O gesto de desprezo pelas necessidades verdadeiras dos contribuintes reproduz iniciativas semelhantes adotadas, Brasil afora, por governos estaduais e municipais.

Segundo a lógica perversa do neopatriotismo, a Copa é um artigo de valor só mensurável sob o prisma da restauração do "orgulho nacional". De fato, porém, a condição prévia para a Copa é a cessão temporária da soberania nacional à Fifa, que assume funções de governo interventor por meio do seu Comitê Local. O poder substituto, nomeado por Blatter, já obteve o compromisso federal de virtual abolição da Lei de Licitações e pressiona as autoridades locais pela revisão das regras de concorrência pública. Malemolentes, ao som dos acordes de um verde-amarelismo reminiscente da ditadura militar, cedemos os bens comuns à avidez dos piratas.

Demétrio Magnoli e Adriano Lucchesi - O Estado de S.Paulo

DEPUTADOS QUEREM FAZER DEVASSA EM CONTRATOS DE CABRAL.

Deputados estaduais do Rio pretendem fazer uma devassa no contratos do governo com a empreiteira Delta Construções S.A., do empresário Fernando Cavendish, e nas medidas administrativas que beneficiaram o grupo EBX, de Eike Batista. Os parlamentares de oposição querem saber se as relações de amizade entre o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) e os empresários influenciaram iniciativas da administração estadual.

A proximidade entre Cabral e Cavendish ficou exposta após o acidente de helicóptero que matou sete pessoas, na sexta-feira, entre elas Jordana Cavendish, mulher do empresário, o filho dela, Luca, e Mariana Noleto, namorada de Marco Antonio Cabral - filho do governador. Cabral e seus parentes viajaram para a Bahia em jato cedido por Eike, para participar dos festejos de aniversário de Cavendish.
A Delta acumulou R$ 992,4 milhões em contratos durante o primeiro mandato de Cabral. Este ano, dos R$ 241,8 milhões em empenhos para a empresa, R$ 58,7 milhões são fruto de obras realizadas com dispensa de licitação. Os deputados estaduais solicitaram cópias de editais, contratos, aditivos, resultados de licitação e valores empenhados, faturados e liquidados até 30 de maio de 2011.

Em relação às ligações do governador com Eike Batista, os parlamentares solicitaram informações sobre benefícios fiscais concedidos ao grupo EBX, dados de licenciamento ambiental que beneficiaram as empresas do conglomerado e atos do Poder Executivo relativos a desapropriações para viabilizar o empreendimento de Porto do Açu - na região norte do Rio.
A assessoria de imprensa do Palácio Guanabara confirmou que houve crescimento no volume de contratos do Estado com a Delta, mas atribuiu isso ao aumento de investimentos do governo estadual nos últimos anos, "fruto do forte ajuste fiscal feito pelo Estado e da obtenção da sua maior capacidade de endividamento para a realização de obras". A Delta, por nota, alegou que o aumento de negócios com o governo do Rio é decorrência dos "jogos da Copa do Mundo e Olimpíada e do pré-sal".

Também por nota, Eike argumentou que não tem contratos com o Estado e teve a "satisfação" de emprestar seu jato particular ao governador do Rio. Em relação aos benefícios fiscais concedidos, o grupo EBX argumenta que eles são idênticos aos disponíveis para "qualquer outra empresa que se disponha a correr os riscos de empreender projetos de qualidade e magnitude semelhantes". E conclui: "Além disso, muitos desses regimes fiscais entraram em vigor antes do atual governo do Estado ou antes da criação das nossas companhias citadas."
FAB. O Ministério Público Federal da Bahia abriu procedimento administrativo para apurar por que avião da Força Aérea Brasileira (FAB) foi usado para fazer traslado do corpo da namorada do filho do governador Sérgio Cabral. O procurador André Batista ampliou a investigação para saber se os corpos dos outros passageiros mortos na tragédia também foram transportados pela FAB.

Fonte: O Estadão

domingo, 19 de junho de 2011

BRECHA PARA FRAUDES NAS OBRAS DA COPA.

Nestes quase seis meses de governo, a presidente Dilma tem demonstrado capacidade de recuar diante de situações insustentáveis. É o que se vê com a desistência de manter em segredo os gastos do governo em obras para a Copa de 2014.

Dilma negou, como é óbvio, interesse do governo em ocultar o preço das obras e, menos ainda, driblar a ação dos órgãos de controle interno e externo como a Controladoria-Geral da União, o Tribunal de Contas da União, o Ministério Público e o Congresso. Desfez o discurso arrogante e inaceitável do ministro dos Esportes, Orlando Silva, de que a divulgação de valores iria depender da "conveniência do Executivo".

Na explicação dada pela presidente da República, o governo pretende agir da seguinte forma: durante o processo de licitação, os concorrentes não terão acesso ao orçamento; nessa etapa, apenas os órgãos de fiscalização - a Controladoria-Geral e o TCU - terão todas as informações. Terminada a fase licitatória, os dados virão a público sem restrição.

Esse é o modo encontrado pelo goveno no intuito de baratear as obras. Argumenta que se as empresas souberem o quantum disponível para cada projeto vão colocar o preço bem próximo ao limite. Os concorrentes podem se combinar nesse sentido. Assim, o valor final sairia conforme a capacidade de pagar do contratante e não calculado com base no custo real do projeto. É uma tentativa de combater a formação de cartel - intenção saudável e necessária.

Então, no discurso governamental, está tudo bem. Mas não é verdade. A Medida Provisória 527, aprovada pela Câmara dos Deputados, tem uma emenda que determina o sigilo no orçamento das obras. Enquanto tal aberração não for derrubada, não haverá condição tranquila. Espera-se que isso aconteça no próximo dia 28 quando os deputados devem analisar os destaques à MP.

Existe uma questão mais ampla a ser reformulada. Trata-se do Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC) estabelecido pela Medida Provisória 527. É uma temeridade. Sob o pretexto de agilizar obras, o RDC possibilita que o governo escolha vencedores das licitações sem que estes apresentem os projetos básicos dos empreendimentos. Essa "flexibilização" impossibilita o cálculo do custo definitivo de cada empreitada. É uma brecha larguíssima para uso de aditivos aos contratos - uma "indústria" que domina as obras governamentais, comprometendo a transparência, encarecendo-as e retardando sua execução.

Vale lembrar que os aditivos de contrato concentram indícios que têm levado à suspensão de obras a partir de denúncias do TCU e do Ministério Público. Portanto, a intenção do governo em dar celeridade à execução de projetos pode surtir efeito inverso. Ainda há tempo de modificar os termos do Regime Diferenciado de Contratações Públicas. Ou desistir de implantá-lo.

Fonte: A Gazeta - http://glo.bo/kvBOxZ