quarta-feira, 23 de outubro de 2013

PRIVILÉGIO PARA A PATOTA

O Estado de S.Paulo
É a privatização do Estado com outro nome, mas sempre com o mesmo objetivo - dar aos companheiros, no caso, a entidades direta ou indiretamente vinculadas ao PT, oportunidades excepcionais de negócios na exuberante estrutura da administração federal. E isso com absoluto descaso pelas leis e sem o mais remoto vestígio de decoro.
O exemplo da hora é o decreto assinado pela presidente Dilma Rousseff no último dia 7 e publicado na edição seguinte do Diário Oficial da União, eximindo uma fundação de direito privado de participar de licitação para vender planos de saúde a funcionários federais - um mercado potencial estimado em 3 milhões de usuários e R$ 10 bilhões por ano, atendido por 34 operadoras.
Chama-se Geap Autogestão em Saúde a organização contemplada com a sorte grande. Ela atende 625 mil servidores (e dependentes) de 99 órgãos da administração direta e indireta. Nos últimos 10 anos, o Estado carreou para os seus cofres mais de R$ 1,9 bilhão em repasses cuja licitude não pode ser avaliada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por ser o destinatário ente privado.
A presidente, ao privilegiar a Geap, evidentemente não se sentiu tolhida pelo fato de ela estar sob intervenção da Agência Nacional de Saúde Suplementar desde março passado em razão do seu endividamento da ordem de R$ 260 milhões - um claro indício de má gestão. O favorecimento à entidade (que chegou a ser dirigida por uma apadrinhada do então ministro da Casa Civil José Dirceu) vem de longe.
Tendo sido criada por funcionários da União para atuar exclusivamente nos Ministérios da Previdência e da Saúde, Dataprev e INSS - os seus patronos e únicos autorizados por lei a contratá-la sem licitação -, a Geap foi aquinhoada com um decreto do presidente Lula, divulgado por este jornal em março de 2004, que estendeu o seu monopólio na prestação de serviços de saúde e previdência complementar.
À época, a sua clientela já estava na casa de 740 mil usuários, cobrindo cerca de 80 órgãos além daqueles para os quais havia sido criada. Passados dois anos, a Procuradoria-Geral da República endossou um parecer do TCU ao considerar inadmissível que uma fundação de direito privado se conveniasse com quaisquer órgãos que não fossem os seus patrocinadores originais. Os acordos adicionais representam "prestação de serviço para terceiros" - devendo ser, portanto, objeto de licitação.
Uma ação contra a tese do TCU, movida por 18 associações de servidores, foi derrotada em março último no Supremo Tribunal Federal (STF), mas o acórdão ainda não foi publicado. A esperteza do decreto de Dilma, revelado ontem pelo Estado, consiste na permissão para que a fundação assine convênios com o Ministério do Planejamento - que gere toda a folha de pagamento federal.
Isso significa que a União passa a ser a patrocinadora da Geap Autogestão em Saúde, um dos entes em que a entidade se subdividiu - no mesmo dia da publicação do ato da presidente -, conservando o CNPJ da fundação original. Tudo foi claramente feito para burlar a lei. A manobra, observa o subprocurador-geral do Ministério Público junto ao TCU, Lucas Furtado, dificulta definir o regime jurídico aplicável à Geap, "pública para o que convém e privada para o que convém".
No primeiro caso, para ser dispensada de licitação; no segundo, para não prestar contas ao TCU. O decreto foi qualificado como "inconstitucional, uma aberração e uma afronta" pelo deputado Augusto Carvalho, do Distrito Federal, filiado ao Solidariedade. Ele pretende preparar uma proposta de decreto legislativo para sustar os efeitos da canetada de Dilma. Já o seu colega do PDT, Antônio Reguffe, se diz espantado com o ato.
Relator na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara de uma proposta de fiscalização e controle dos convênios da Geap, ele resume a sua perplexidade: "Se a Geap foi considerada privada pela Justiça, deveria haver licitação para que fosse escolhida a empresa que melhor atendesse o interesse público; ou o governo teria de criar uma estatal para tocar o plano de saúde de seus servidores". E se pergunta: "Agora, quem vai fiscalizar isso, se o TCU se julga incapaz porque considera a Geap um ente privado?".

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

QUANTO VALE A GARANTIA DADA PELA PRESIDENTE DILMA?

O Estado de S.Paulo
Quanto vale uma garantia dada pela presidente Dilma Rousseff? Em fevereiro do ano passado, Dilma esteve em Parnamirim (PE) para visitar um trecho das obras da ferrovia Transnordestina. Na ocasião, ela disse aos jornalistas que seu governo exigiria que os prazos da obra fossem cumpridos "sistematicamente" e assegurou que tomaria "todas as medidas" para atingir o objetivo de entregar a obra "até o final de 2014". A presidente foi enfática sobre sua disposição: "Não há limites para o que faremos". Pois bem. Na última quarta-feira, o governo anunciou que o prazo para a entrega da obra, que já havia sido estendido para dezembro de 2015, foi novamente alterado - e a previsão agora é de que a ferrovia seja inaugurada apenas em setembro de 2016, quase dois anos depois do que foi prometido por Dilma.
A Transnordestina é um caso exemplar da desconexão entre discurso e realidade nos governos petistas. A ferrovia, de 1.728 km, que ligará o sertão do Piauí aos litorais do Ceará e de Pernambuco, começou a ser construída em 2006, com a sua conclusão prometida para dezembro de 2010. Logo, se o último prazo anunciado for finalmente cumprido, terão sido quase seis anos de atraso.
Tal vexame não é um fato isolado numa área crucial para o desenvolvimento do País. O próprio ministro dos Transportes, César Borges, admitiu que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) executou apenas R$ 7 bilhões do orçamento de R$ 15 bilhões para este ano.
Borges atribuiu essa situação a uma série de entraves, como projetos mal elaborados, demora na concessão de licenças ambientais, disputas judiciais e exigências do Tribunal de Contas da União, cuja tarefa é apontar indícios de sobrepreço. Para o ministro, esses obstáculos legais afugentam as empreiteiras, que "reclamam que não há segurança jurídica", e "isso faz com que nós fiquemos meses, anos com problemas" - como se esses obstáculos não fossem causados, em primeiro lugar, pelo próprio governo.
As obras da Transnordestina começaram a atrasar em razão da liberação irregular de verbas e graças às dificuldades para realizar desapropriações. Houve casos em que o governo ofereceu entre R$ 6 e R$ 140 de indenização a agricultores que tiveram suas terras cortadas pela ferrovia. O Dnit nega que esses valores pífios estejam errados - o que evidencia os equívocos desse processo.
Enquanto isso, o preço da obra não para de subir. A ferrovia foi inicialmente orçada em R$ 4,5 bilhões. Na época, esse valor foi considerado muito inferior ao real, pois as primeiras projeções indicavam que seria necessário algo em torno de R$ 8 bilhões. Mas o governo exigiu mudanças no projeto, de forma a barateá-lo. Em 2010, no entanto, houve o primeiro reajuste do custo, para R$ 5,4 bilhões.
Quando Dilma visitou as obras, em 2012, ela disse ter "certeza" de que as projeções sobre o valor estavam "bem próximas da realidade" e que seu governo não pretendia "ficar elevando indefinidamente o preço dessa ferrovia". A certeza durou apenas 15 meses: em maio passado, a estimativa para a Transnordestina saltou para R$ 7,5 bilhões. Como o contrato é reajustado pela inflação, especula-se que o custo já tenha superado R$ 8 bilhões.
O ministro Borges defendeu os aumentos nos contratos: "Às vezes parece que os aditivos são uma coisa criminosa, mas os aditivos existem porque existe a realidade". O problema é que a "realidade" à qual o ministro se refere é menos um eventual aumento de custos criado por imprevistos e mais a incapacidade do governo de tirar seus projetos do papel.
A Transnordestina é uma obra estratégica. Com capacidade para transportar cerca de 30 milhões de toneladas por ano, a ferrovia permitirá que os produtores do Nordeste ganhem tempo e economizem recursos, pois evitarão o custoso transporte por caminhão e poderão escoar seus produtos por portos da região, sem depender de terminais do Sudeste. O investimento, portanto, é urgente. O que se espera do governo é que, sem mais delongas, simplesmente cumpra o que prometeu.

domingo, 20 de outubro de 2013

GUERRA DO CONGO, 6 MILHÕES DE MORTOS E A OMISSÃO DO OCIDENTE



LWIBO, REP. DEMOCRÁTICA DO CONGO - Dessa vez, nem esperaram o disfarce da noite. Atacaram às claras, surpreendendo os aldeões na lavoura. Eram 11 horas, calcula Geni Mungo olhando para o céu - o relógio natural de Lwibo, vilarejo na Província de Kivu do Norte, na fronteira oriental da República Democrática do Congo. Ela os viu chegar de longe, pelo mato. Correu para casa para avisar os três filhos sobre o ataque, mas, ao saírem, os rebeldes estavam muito perto.
Alcançaram primeiro seu marido, abatido como um bicho. Ela titubeou, mas sabia que não poderia salvá-lo. Seguiu em direção ao rio. Moradores tentavam escapar, imaginando poder atravessar para o outro lado e sumir na mata. Alcançaram a ponte frágil de madeira. Armados com facões, os rebeldes cortaram as cordas.

Geni viu os corpos das duas filhas serem arrastados pela correnteza de outubro, mês das chuvas. Forjou com o caçula um esconderijo sob folhas de bananeira e ali ficaram até cessarem os gritos. Voltou à vila e encontrou a cabeça do marido, como as de outros homens da aldeia, secando ao sol em estacas - a marca do grupo liderado por um homem chamado Sheka.

O bando saqueou e botou fogo nas palhoças. Fugiu levando 45 crianças que estavam na pequena escola da vila no momento do ataque. Os meninos são feitos soldados. As meninas, escravas sexuais.
Dois dias após o ataque, quando o Estado visitou o local, os gritos de um professor de 25 anos, chamando cada aluno pelo nome, ainda ecoavam na mata - em vão. Ele tinha esperança de que as crianças, de 6 a 12 anos, assustadas, estivessem escondidas. O professor e todos à sua volta sabiam que isso era improvável. Geni buscava o corpo do marido - queria enterrá-lo inteiro - e os das filhas.
Assim se vive no Congo (antigo Zaire), buscando os desaparecidos e recolhendo corpos no rastro de ataques que ocorrem com frequência assustadora.
Em quase duas décadas, os confrontos no leste do país deixaram cerca de 6 milhões de mortos. É o maior e mais sangrento conflito desde a 2.ª Guerra, produziu mais vítimas do que todos os combates recentes somados. É o holocausto africano. Mas pouco se ouve falar sobre ele porque ocorre na floresta densa de um continente esquecido, a África, não mata brancos, não ameaça o Ocidente. Pelo menos, até agora.

O Congo é a maior e mais cara missão da ONU. E o retrato mais visível de seu fracasso.
"Muzungu! Muzungu!", gritam as crianças ao ver uma equipe da organização Médicos sem Fronteira (MSF), que chega para atender feridos. Não há. Nesse tipo de ataque, os rebeldes não deixam vivos para trás - matam os que podem alcançar. A ajuda humanitária trata outros fantasmas que assombram o Congo: malária, sarampo, cólera, desnutrição, infecções, traumas. Muzungu quer dizer branco - a MSF é uma dos raras entidades que chegam à região remota, com acesso dificultado por estradas esburacadas, enlameadas e dominadas por grupos armados.
Lwibo fica em uma área limítrofe entre territórios controlados pela Aliança de Patriotas por um Congo Livre e Soberano (APCLS), formado por homens da etnia hunde, e as Forças Democráticas para a Liberação de Ruanda (FDLR), de hutus (veja mapa na página A15). Numa espécie de vácuo, o vilarejo fica exposto a ataques de forasteiros como Sheka, de outra região - o que faz com que a população prefira estar sob a mão pesada de um grupo rebelde de sua etnia, que lhes cobra impostos em troca de proteção.
As chacinas de homens, os estupros de mulheres e os sequestros de crianças tornaram-se armas de guerra no Congo. Servem para humilhar o oponente e mandar-lhe um recado: não mexa com a minha área ou vou invadir seu território e massacrar seu povo.
Cobiça. É uma guerra travestida de conflito étnico, mas que esconde interesses mundanos: os trilhões de dólares enterrados no solo vermelho do leste do Congo. O maior país da África subsaariana é também o mais rico em recursos naturais, confiscados desde a colonização belga. Hoje, essa riqueza financia as milícias sem que o povo veja um tostão. Ao contrário disso, são explorados no trabalho pesado das minas.
Ouro, diamantes, coltan - minério que contém tântalo, usado em aparelhos de celular e tablets - são contrabandeados para países vizinhos como Ruanda, Uganda e Burundi. Calcula-se que apenas 10% das minas do Congo sejam exploradas legalmente.
O comandante Sheka era responsável por um dos centros de negociações de minérios da estrada entre Lobuto e Walikali, onde estão pequenas aldeias satélites das minas escondidas na floresta. Um dia, ele matou o patrão, roubou seu dinheiro e iniciou seu próprio grupo Mai-Mai - nome dado às gangues locais, com interesse puramente econômico.
Em uma pista improvisada de pouso na altura de Kilambo, pequenos aviões aterrissam e decolam com frequência. "Trazem equipamentos para mineração e voltam levando sacos de minerais", disse ao Estado o especialista de uma organização internacional, há sete anos no Congo. "O destino oficial é Goma, mas extraoficialmente... Como explicar que Ruanda e Uganda se tornaram exportadores de minérios? Onde estão suas minas? Vendem para mercados como a China e, de lá, para EUA e Europa, que lavam as mãos sobre a procedência."
O governo congolês é visto como fraco e corrupto. Enquanto a reportagem conversava com moradores de Lwibo, jovens do FDLR passavam caminhando tranquilamente com velhas Kalashnikov; um deles trazia um porco no laço e uma AK-47 personalizada - o cabo de madeira pintado de branco e o metal de um dourado reluzente, possivelmente ouro.
À luz do dia, controlam vilarejos e estradas. Vigiam seus impérios miseráveis do alto de pequenos montes - milicianos desleixados e maltrapilhos, armados com fuzis de assalto, o cinturão de balas à tiracolo, óculos escuros com o aro irremediavelmente dourado e um cigarro de bangi (a maconha congolesa). Pela estatura, alguns aparentam ter 11 ou 12 anos, mas num país como o Congo não é possível saber a idade - a desnutrição impede o crescimento, enquanto a guerra endurece o semblante e envelhece seus rostos, enrugados e com marcas de navalha. São crianças velhas.
Entre Lwibo e Masisi, havia pelo menos três postos de checagem: cabanas de madeira e cancelas de bambu, onde os rebeldes cobram pedágio de camponeses que passam com banana, mandioca, amendoim para vender no vilarejo mais próximo - tomam-lhes algo como 10% da colheita. "Todos os grupos armados sobrevivem da exploração das minas. É uma questão-chave desse conflito. Os impostos são um complemento", disse o especialista.
Estado viu minas de coltan - pequenas Serras Peladas negras - e, à noite, caminhões sendo abastecidos com o material sob a vigilância dos rebeldes. Um bando armado estava a 500 metros da base da Missão da ONU em Nyabuondo. Dois jovens se aproximam do carro da MSF, que transportava uma grávida em trabalho de parto. Só se vê o brilho do cano de seus fuzis e o branco dos olhos. Querem revistar o carro. "MSF!", avisa o motorista. A organização, neutra, não permite que homens armados entrem no carro e trafega sem seguranças. "Sigara! Um cigarro!", eles pedem. E somem na escuridão.
Fonte: google, wikipédia, estadão 

DESVIO MILIONÁRIO DA CÂMARA DE CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM LEVA NOVE À PRISÃO

Uma operação conjunta entre a Polícia Militar, o Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a Promotoria de Justiça de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado, prendeu ontem, temporariamente, nove pessoas envolvidas em um suposto esquema de desvio de dinheiro na Câmara. Cerca de R$ 1,2 milhão teriam sido desviados.
Foto: Gustavo Ribeiro
 Gustavo Ribeiro
Hélio Grecchi, apontado como chefe do esquema, foi detido em casa pela manhã
























O esquema foi descoberto no final de setembro, por um funcionário da Caixa Econômica Federal, que suspeitou que dois cheques, emitidos pela Câmara – com os valores de R$ 53.087,66 e R$ 39.394,58 – haviam sofrido rasuras no verso, onde é definida a destinação dos recursos. No início deste mês, o Tribunal de Contas realizou uma auditoria extraordinária na contabilidade da Câmara.

A operação denominada Parlamento Rosa, que faz alusão à campanha do câncer de mama, começou às 6h. Saíram dez equipes de polícia do 9º Batalhão, nove ficaram em Cachoeiro e uma foi para Marataízes, onde estava um dos envolvidos.

Nas casas dos suspeitos foram apreendidos documentos, contracheques, extratos bancários e cartões de crédito. Os policiais e representantes do Ministério Público (MP) chegaram à residência do suposto chefe do esquema, o contador Hélio Grecchi, por volta das 6h10. Hélio era funcionário da Câmara há cerca de 20 anos.

Operação

A operação consistiu no cumprimento de dez mandados de busca e apreensão e dez de prisão temporária, além da efetivação de ordens judiciais de sequestro de bens e ativos visando à restituição dos valores subtraídos no esquema.

Dos dez mandatos de prisão temporária expedidos pela Justiça, apenas nove foram cumpridos. Além do contador, outras oito pessoas, entre funcionários e terceiros, foram presas. O MP não divulgou o nome dos suspeitos, que foram levados para o auditório da promotoria para prestar depoimento. Alguns seriam liberados ainda ontem.

Se a fraude for comprovada, os acusados devem responder pelos crimes de formação de quadrilha, falsificação de documento público, falsidade ideológica, peculato, entre outros.

Acusado tem seis carros na garagem

De acordo com o advogado Luciano Cortez, contratado para defender cinco funcionários efetivos da Câmara de Cachoeiro de Itapemirim detidos na operação de ontem, seus clientes são inocentes. “São pessoas que estão sofrendo e não têm envolvimento nenhum com este crime. Esses funcionários não sabiam a origem do dinheiro. Foram usados”, disse.

O advogado explicou que o contador Hélio Grecchi se utilizava da amizade e confiança dos demais servidores para pedir que eles recebessem a quantia em suas respectivas contas, alegando estar com dívidas no banco. “Tudo que caía na conta deles era devolvido no mesmo dia. Eles não ficavam com nada e temos como provar isso”, disse.

Grecchi está afastado do cargo desde setembro. Ontem, ao chegarem à casa do contador e receberem a informação de que ele não estava, policiais invadiram a residência. Só então familiares do contador confirmaram a presença dele no local. Quando saiu de casa, escoltado pelo polícia, Grecchi demonstrava estar abalado e não falou com a imprensa.

Foram apreendidos seis veículos pertencentes à família de Grecchi. Agentes anotaram a quilometragem de cada um dos veículos, que ficaram estacionados na frente da residência.

O esquema

A fraude
No mês passado, foram descobertas fraudes em cheques da Câmara, destinados ao pagamento de tributos previdenciários. Os valores estariam sendo desviados para as contas de funcionários da Casa. O montante desviado é estimado em R$ 1,2 milhão

Chefe
O contador Hélio Grecchi, é apontado como o chefe do suposto esquema. Segundo a investigação, ele alegava uma dívida com banco e pedia para que cedessem suas contas para recebimento do valor estipulado por ele

Banco
Anexo aos cheques, o banco recebia uma relação com os nomes das pessoas que deveriam receber os valores, junto com o número das respectivas contas

 
Fonte: A Gazeta

A ARENA VEM AÍ!

Amarildo
Criada em 1966 e responsável pela eleição de todos os presidentes do Brasil durante o regime militar, a Aliança Renovadora Nacional (Arena) está de volta. O partido, que defende o conservadorismo, o nacionalismo, a maioridade penal aos 16 anos e até mesmo o integralismo – corrente ultraconservadora favorável à manutenção das hierarquias sociais – já tem diretório nacional reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e busca musculatura para entrar no páreo nas eleições de 2016.

À frente dessa movimentação, não está nenhum militar ou figura que tenha vivenciado o período da ditadura. Quem defende a volta da Arena, com base nos preceitos militares, é uma estudante gaúcha nascida em 1989. Criada na região metropolitana de Porto Alegre, Cibele Baginski se diz desiludida com os atuais partidos. “De cabeça, não me lembro de nenhum que seja honesto, mas deve ter”.

Beneficiária de uma das principais bandeiras sociais do governo Lula – o ProUni, que concede bolsas de estudo em faculdades particulares a estudantes com baixa renda familiar, egressos de escolas públicas –, a nova presidente nacional da Arena quer o fim das cotas raciais e sociais e o isolamento de traficantes em presídios.

“Não vou te dizer 'faça uma prisão em forma de triângulo em uma ilha deserta', mas é preciso ouvir especialistas, porque muitos traficantes continuam atuando de dentro das prisões e isso pega mal para o país”, avalia Cibele, que acrescenta aos seus anseios a volta da Educação Moral e Cívica à grade curricular das escolas, porque “faltam noções de etiqueta” aos brasileiros.

A líder da “nova” Arena desconsidera as atrocidades do regime militar e ressalta que “as pessoas mais velhas têm saudade” do partido que pretende trazer de volta à vida. Dizendo que “as medidas provisórias” usadas pelo modelo presidencialista “são absurdamente ditatoriais”, Cibele afirma: “o decreto-lei (usado pelos militares) era menos perigoso”.

Hoje a Arena tem quase metade das 491 mil assinaturas necessárias para ser reconhecida. Num momento em que os partidos estão em crise de identidade e a política cada vez mais desacreditada, ter um discurso contundente, sem medo de posicionamentos, pode ser um diferencial. Mas, neste caso, remete o Brasil a um passado nada glorioso, onde o simples fato de discordar do poder era sinônimo de mordaça. É andar para trás.

"Jair Bolsonaro é um cara espontâneo"



Bolsista do Programa Universidade para Todos (ProUni), lançado pelo ex-presidente Lula (PT), a universitária Cibele Bumbel Baginski quer atuar como advogada. Aos 24 anos, a gaúcha de Porto Alegre se uniu a um grupo de amigos de Caxias do Sul para recriar a Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido que sustentou o regime militar no país. Admiradora do deputado Jair Bolsonaro, a jovem defende valores morais, condena beijos em público e diz que o PSDB e o PSB, partidos que hoje se colocam como opositores do PT de Dilma Rousseff, são siglas semelhantes. Confira a entrevista:

Como surgiu a ideia de refundar a Arena?

Eu trabalho, já há algum tempo, com amigos e colegas de trabalho que dialogam sobre política. Chegou uma hora que o grupo estava tão indignado que alguém disse: 'vamos ver como se monta um partido?'. Pesquisamos os ideais, a cartilha de propostas, projetos de governo antigos. Vimos que alguns temas, como a falta de emprego, a seca no Nordeste, a desnutrição, ainda existem. O Brasil não se desenvolveu.


Será uma reprodução do partido que deu apoio aos militares?

É uma releitura mais moderna, porque temos que olhar para frente. Ninguém dirige um carro olhando pelo retrovisor. A gente quer trabalhar pelo Brasil do futuro, com uma perspectiva de algo novo e moderno. As pessoas não estão acostumadas a serem ouvidas. Se você for formar um grêmio estudantil, um diretório, as pessoas ficam te olhando sem saber o que fazer, porque sempre há um grupo com ideias prontas, com o modelo já formulado.

Como está a coleta de assinaturas? Em quantos Estados vocês já têm diretórios?

Está dando bastante trabalho. A gente tem uma falha muito grande ao chegar aos cartórios, porque as pessoas têm letras horríveis, os nomes são muito comuns, não se acham os números de títulos eleitorais. Estamos beirando as 200 mil assinaturas. Nossa meta é ter o partido reconhecido para a eleição de 2016, e já temos diretórios no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal, Pernambuco, Ceará, Sergipe, Amapá, Roraima, Acre e Amazonas.


O DEM e o PP são remanescentes da Arena. O que deu errado?

Eu já fui do DEM e eles são centristas. Defendem o liberalismo moderado. O PP, se fores olhar, verás que eles têm vergonha de terem sido Arena. A direita tem bastante vergonha de ser direita. O nível de instrução das pessoas não chega ao nível de elas procurarem saber das coisas. Tem gente que prefere acreditar nas novelas.


O PSDB, com Aécio Neves, e o PSB, de Eduardo Campos, se colocam como opositores do PT. Qual sua avaliação?

O PSDB não se difere do PT, e o PSB, pelo menos aqui no Sul do Brasil, é um partido de microempresários. Os dois se apresentam como sendo ‘o novo’, e terão que mostrar isso.

Uma proposta da Arena é o retorno do ensino de Educação Moral e Cívica e Latim nas escolas. Qual a utilidade disso?

As pessoas não sabem como se comportar num evento, não sabem os símbolos do país. Isso existia antes e ninguém reclamava, muito pelo contrário, porque se aprendia a receber turistas, a se comportar no exterior. Hoje as pessoas não sabem nem por que tem estrelinhas na bandeira do Brasil. Quanto ao Latim, não defendo fazer as crianças fluentes, porque realmente não serviria para nada. Mas serviria para ampliar o idioma, entender as normas de Língua Portuguesa.

No seu Facebook, há uma foto em que você aparece ao lado do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RS), um político que defende a volta dos militares e adota posturas ditas como homofóbicas. Você o admira?

Jair é uma pessoa espontânea. Às vezes o que acontece é uma interpretação errada do que ele diz. Não acho que ele seja preconceituoso com essas pessoas. Ele só não quer que façam coisas obscenas na frente das famílias com filhos. Ele sabe que tem gente que exagera.


Dois homens ou duas mulheres se beijarem em público é obsceno?

Assim como um homem e uma mulher também. Tem criança que não entende.

Então os casais não devem se beijar em público?

Um cara quase 'comendo' o outro na frente de alguém é uma cena complicada. Tem pessoas que se transformam em máquinas de sucção. Bom-senso e noção é algo que qualquer um deve ter.
Fonte: Praça Oito - A Gazeta

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

MAIS CIDADES PARA DIVIDIR A POBREZA



 A criação de novos municípios no Brasil, autorizada pelo Senado, soa, no mínimo, como desproposital diante de um cenário de finanças em crise e de uma eleição batendo à porta. Mais unidades administrativas significam mais impostos para a população pagar, mais prefeituras, Câmaras e um sem-fim de cargos comissionados que, via de regra, servem para abrigar apadrinhados políticos.

A medida vem em má hora, sobretudo para o Espírito Santo. Por aqui, existem 4 localidades que cumprem os requisitos para se separarem de seus atuais municípios. Contudo, a realidade não é de fartura. Há prefeitos que hoje mal conseguem pagar a folha de pagamento, num ano em que a equiparação das alíquotas de ICMS entre os Estados significou o fim do Fundo de Desenvolvimento da Atividade Portuária (Fundap), que injetava recursos nas prefeituras.

Por conta da perspectiva de arrocho, há prefeito diminuindo o próprio salário, como fez Neto Barros (PCdoB), em Baixo Guandu, tem prefeito extinguindo secretarias, como Carlos Casteglione (PT) em Cachoeiro de Itapemirim, e gestores que enfrentaram meses de greve este ano, com funcionários fazendo piquetes e reclamando de salários – caso de Colatina, governada desde 2009 por Leonardo Deptulski (PT).

Para se ter uma ideia da calamidade que pode se formar com o desmembramento de regiões, em Cariacica, cidade que tem a menor renda por habitante do território capixaba, a receita corrente teve uma queda de 33,3% no primeiro semestre, em relação aos primeiros seis meses de 2012. Lá, o bairro de Campo Grande, com seus 12,8 mil moradores e o maior centro comercial da cidade, quer ter gestão própria.

Em Linhares, onde a arrecadação caiu 5,6% no mesmo período, os distritos de Bebedouro e Desengano já apresentaram à Assembleia Legislativa seus pedidos de separação, embora não tenham o número mínimo de habitantes previsto por lei para tal. Será que, com as próprias pernas, esses locais conseguiriam manter creches, escolas, postos de saúde e serviços básicos para os moradores?

O texto aprovado pelos senadores não explica de onde virá o dinheiro para estruturar as novas cidades, o que confere à medida clara conotação de “porteiras abertas” para cabos eleitorais pagos com dinheiro público em 2014. Como mostra a reportagem de hoje de A GAZETA, só com vereadores serão, pelo menos, 44 novas cadeiras aqui.

Num cenário adverso como esse, é inconcebível pensar em novas cidades. A não ser que a presidente Dilma Rousseff (PT), que dará a palavra final à questão, queira mais apoiadores, ainda que eles estejam dividindo entre si as migalhas da pobreza administrativa.

EDUARDO FACHETTI  - Praça oito

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

A PETROBRÁS HOJE É MAIS CHINESA QUE BRASILEIRA













Muito estranho – Líder do Democratas na Câmara dos Deputados, Ronaldo Caiado (GO) alertou nesta quinta-feira (17) que há indicativo de que oCampo de Libra será controlado pela empresa de petróleo do governo chinês, após leilão programado para a próxima segunda-feira, 21 de outubro. O Campo de Libra foi classificado com maior potencial de extração de petróleo da camada pré-sal, com estimativa de 10 bilhões de barris. Em discurso no plenário, o parlamentar mostrou que a falta de interesse das empresas privadas na exploração do campo, o aporte inicial de R$ 10 bilhões da petroleira da China e os problemas de caixa da Petrobras indicam que o controle de Libra deve passar para as mãos chinesas.
Caiado explicou que ao impor a regra de que a empresa brasileira deve ter 30% de participação no campo, o governo desestimulou a entrada do setor privado. Por outro lado, a Petrobras – que acumula dívidas de R$ 176 bilhões e está com a produção de petróleo estagnada desde 2009 – está sem condições de investir em Libra.
“O acerto que vai acontecer é o seguinte. Na segunda-feira, vem a estatal chinesa que já aportou R$ 10 bilhões, e está recendo em petróleo, e que vai injetar bilhões por trás para que a Petrobras mostre que tem 30% do campo. A empresa chinesa vai colocar R$ 4,5 bilhões só no bônus de assinatura. A Petrobras não tem esse dinheiro. Depois o que eles vão dizer: nós vamos arcar com todo o aporte financeiro para poder também fazer a exploração do campo de Libra. Vocês sabem qual é o valor aproximado para trabalhar Libra? Significa o investimento de R$ 200 bilhões a R$ 300 bilhões, de 12 a 13 plataformas. Isso, sem dúvida nenhuma, a Petrobras vai receber dessa estatal chinesa que está comprando no mundo todo e passou a ser a segunda maior consumidora de petróleo no mundo depois dos Estados Unidos. Com isso, eles vão ter quase que o controle completo de Libra. Toda essa produção de Libra a Petrobras estará pagando ao governo chinês”, analisou o deputado.
O democrata reiterou que a empresa brasileira está na contramão do princípio da lei aprovada no Congresso para a partilha do pré-sal. Pela norma, a participação da estatal na exploração tinha a finalidade de proteger áreas estratégicas para o País, caso do campo de Libra. No entanto, denuncia Caiado, a interferência política e o mau gerenciamento da empresa estão levando o governo brasileiro a entregar o maior campo do pré-sal para o governo chinês. A situação caótica da estatal nacional se agravou com o controle do preço da gasolina para maquiar um processo inflacionário no Brasil. “A Petrobras deveria estar entre as primeiras do mundo e está perdendo até para a petroleira colombiana para vocês terem uma ideia da péssima gestão e dos desvios e escândalos junto àquela estatal brasileira. Ou seja, levaram a Petrobras ao colapso total e até a dependência direta da vontade dos chineses. A Petrobras hoje é mais chinesa que brasileira”, pontuou.
Fonte: Ucho.Info

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A VOZ DA OPOSIÇÃO

O Estado de S.Paulo
Desde que produziu o fato mais surpreendente desta temporada pré-eleitoral - ao filiar-se ao PSB depois de ver negado o pedido de registro da Rede Sustentabilidade, pela qual pretendia concorrer ao Planalto -, a ex-senadora Marina Silva passou a dominar o noticiário político. Ela não apenas eclipsou o governador pernambucano, Eduardo Campos, a quem procurou para formar uma "aliança programática" para a sucessão, como ainda ganhou espaço incomum com suas críticas à presidente Dilma Rousseff, a ponto de se tornar subitamente a voz de maior alcance da oposição. Ela diz o que o parceiro não pode dizer, porque até há bem pouco o seu partido fazia parte da coalizão governante. Na divisão do trabalho eleitoral entre eles, é possível que caiba a Marina, a provável companheira de chapa de Eduardo, a tarefa de bater na candidata a novo mandato.
Já não bastasse a aura de pureza que orna a sua imagem, em contraste com a dos costumeiros canastrões do poder, além da lembrança dos quase 20 milhões de votos colhidos em 2010, o seu desempenho na primeira pesquisa depois da migração para o PSB (conforme o Datafolha, Marina só perde para Dilma nos cenários que incluem o seu nome) decerto contribui para que os seus ataques à política propriamente dita, à política econômica e à política ambiental do governo obtenham uma ressonância que o presidenciável tucano Aécio Neves, por exemplo, só pode invejar. Ela não chega a ser propriamente original ao afirmar que "a ansiedade política do governo está fragilizando a economia" ao gerar "alguma negligência". Ou ao apontar a insustentável inflação de ministérios "para manter a base". Ou ainda, ao considerar que, especialmente na área ambiental, "a marca do governo é o retrocesso".
Mas parece haver um certo deslumbramento com os seus comentários, motivado por ser quem é a comentarista - se bem que, justiça se lhe faça, não lhe faltem momentos inspirados. Provocada a reagir à rombuda provocação de Dilma, para quem os seus competidores "têm de estudar muito e ver quais são os problemas do Brasil", Marina lembrou que foi alfabetizada aos 16 anos e valoriza aqueles que se dispõem a estudar, antes de fustigar os que acham que "já não têm mais o que aprender e só conseguem ensinar". Ela também foi feliz ao sugerir que a presidente "cumpriu o papel" de demonstrar que o atual modelo de governança, baseado no toma lá dá cá, "se esgotou, não tem mais para onde ir". Resta saber qual a diferença entre barganhar o apoio de um José Sarney ou um Renan Calheiros e ter entre os seus aliados, como é o caso de Eduardo Campos, um Severino Cavalcanti ou um Inocêncio Oliveira.
O melhor que ela conseguiu dizer a respeito foi que, por sua iniciativa, o governador "está reposicionando os esforços que vinha fazendo" e que, ao aceitar a nova parceria, ele lhe deu o sentido de "ressignificar" essa consciência. Talvez o "marinês" não baste para aplacar os companheiros radicais de Marina, os "sonháticos". Mas esse é problema dela. O problema de Dilma, se a ex-companheira de partido e Gabinete (no governo Lula) se concentrar em atacá-la, ficando com Eduardo a campanha chamada propositiva, será como enfrentar a atribulação com a qual não contava ao comemorar em surdina a decisão da Justiça Eleitoral contra o registro da Rede. Marina é uma adversária peculiar, o que dá às suas palavras, como se viu, um destaque inusitado desde a campanha anterior - e receptividade comparável junto a parcelas influentes do eleitorado metropolitano.
Dilma nem poderá ignorar as suas investidas nem tampouco partir para o revide, muito menos provocá-la. O episódio de Itajubá, a cidade mineira onde estava anteontem, quando se saiu com o rompante de mandar a concorrência estudar muito, pode lhe ensinar algo - se é que ela é capaz de aprender seja lá o que contrarie o seu temperamento belicoso. Isso porque o troco, ao menos o que a imprensa levou a público, não veio nem de Aécio nem de Eduardo. Se eles se manifestaram, ninguém sabe, ninguém viu. O que ficou para a crônica da sucessão foi a ironia de Marina sobre os que pensam que já sabem tudo. E o "retrocesso" com que, implacável, carimbou a gestão da presidente.

A ESCOLINHA DA DOUTORA DILMA


A doutora Dilma entrou pela borda no debate da própria sucessão, mandando um recado às pessoas que pretendem ocupar sua cadeira: “Elas têm que estudar muito.”
É o velho discurso da competência. Quem está no governo desqualifica quem não está sob o argumento do eu-sei-do-que-estou-falando. Foi usado à exaustão para desqualificar um torneiro mecânico monoglota, mal relacionado com a gramática, cuja biblioteca cabia numa mochila escolar. É a ele que a doutora deve a presidência.
Todos os governos prometem coisas que não cumprem ou metem-se em projetos fracassados. Até aí, tudo bem. O que a doutora não precisa é recorrer à desqualificação como a lavanda mistificadora. Se é assim, conviria arrolar dois temas que os candidatos deveriam estudar. Tendo sido insuficiente o estudo da doutora, poderiam desatar os seguintes nós:
1) Trem-bala
Trata-se de um projeto que desde 2007 está debaixo da asa da então chefe do Gabinete Civil. Já torrou R$ 65 milhões em planos, leilões adiados e modelagens arquivadas. A primeira estatal a tratar do projeto foi a Valec. Seu presidente, Doutor Juquinha, deixou o cargo e passou pelo cárcere por conta de outros malfeitos.
2) Enem
Em 2009, quando o ministro da Educação, Fernando Haddad, anunciou a criação de um exame federal que substituiria o vestibular, o coração da iniciativa estava em oferecer aos jovens dois exames anuais. Isso acabaria com uma seleção selvagem que obriga um garoto de 18 anos a jogar um ano de sua vida numa manhã de prova. A cada ano a promessa foi descumprida e renovada, inclusive pela doutora Dilma. Haddad foi ser poste em São Paulo, Lula elegeu-o prefeito e seu substituto, Aloizio Mercadante, disse que prefere fazer creches. Tem até o ano que vem para dizer quantas creches fez e explicar por que dois presidentes da República prometeram algo que não entregaram.
Nos dois casos, a questão é de estudo, mas quem não estudou foi a doutora. No do trem-bala, se tivesse estudado, não teria perfilhado a proposta da Valec, que era uma maluquice em estado puro. O trem-bala sairia do Rio e chegaria a São Paulo sem parar em lugar algum. Já no caso do Enem, deu-se o contrário. Prometeu-se algo factível, mas não se cumpriu por falta de estudo e, sobretudo, de trabalho.
A essa lista de incapacidades poderiam ser somados os leilões das concessões de portos, estradas e aeroportos. Isso para não falar da promiscuidade que resulta no financiamento público da medicina privada. Em todos os casos, paira sobre as nomeações para as agências reguladoras o espírito da porta giratória condenada pelo comissariado quando estava na oposição e estimulada quando chegou ao governo.
Desse jeito, a campanha pela reeleição da doutora pode ter um samba de Ismael Silva como fundo musical:
“Foi tanto bis que eu já não podia atender.
No entretanto, o que a plateia queria
era que eu cantasse, cantasse até aprender.”
Elio Gaspari