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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

VALÉRIO, BRAÇO ERGUIDO, PUNHO CERRADO

Marcos Valério reencontrou-se com José Dirceu e José Genoino no avião da Polícia Federal estacionado na Base Aérea da Pampulha, em Belo Horizonte. Braço esquerdo erguido, punho cerrado, o operador principal do mensalão virou-se para os fotógrafos enquanto subia as escadas da aeronave. Na sua conta do Twitter, ele também se declarou um preso político.
Não, a notícia acima não saiu em nenhum jornal — porque não aconteceu. Valério não teve o senso de humor para reproduzir o gesto das duas lideranças petistas. A Ação Penal 470 é alvo de uma curiosa narrativa emanada do PT: os implicados no esquema são “presos políticos” injustiçados, nos casos de dirigentes do partido, mas presos comuns condenados por crimes de corrupção, nos casos dos operadores financeiros do mensalão. Entretanto, essa duplicidade mais aparente, e um tanto desmoralizante, é apenas a superfície. Atrás das fotografias dos condenados de braço erguido e punho cerrado elabora-se uma segunda duplicidade de consequências danosas para as instituições democráticas.
O gesto de Dirceu e Genoino pode ser interpretado como simples compensação psicológica. Eles sabem que a mitologia política que os cerca, de combatentes pela liberdade, foi inapelavelmente destroçada pelas condenações. Quando erguem os braços e cerram os punhos, estão fabricando uma autoilusão: a ideia de que o passado se repete e, uma vez mais, um sistema opressivo persegue os justos. As imagens que geraram no dia das prisões são cenas de um filme antigo, apenas em versão de pastelão. A democracia pode viver com elas — e, também, com as patéticas opiniões dos seus protagonistas sobre a natureza do julgamento que tiveram no STF.
Contudo, o gesto farsesco de Dirceu e Genoino é mais que isso, pois faz parte de uma encenação política que envolve o PT e o governo. A rede de porta-vozes informais do PT cantou em uníssono a melodia do “julgamento político”, reverberando uma nota oficial do partido assinada por Rui Falcão. O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, um ex-presidente do PT, escreveu um artigo com a mesma acusação. Dilma Rousseff compareceu a um congresso do PCdoB e levantou-se para aplaudir a acusação contra o STF que, previsivelmente, coroou o evento. Até mesmo as autoridades têm o direito, comum a todos os cidadãos, de dissentir de decisões da mais alta corte do país. Coisa diferente, inaudita nas democracias, é a participação do governo numa campanha de difamação do tribunal supremo.
Eis a duplicidade de fundo: o governo e o PT difamam, mas nada fazem de concreto contra o “tribunal de exceção”. A estratégia do Planalto e do partido é provocar um alarido pontual, incapaz de transbordar o estreito limite das notas públicas e dos artigos de encomenda dos “companheiros de viagem”. Lá atrás, na hora das condenações originais, setores da esquerda petista quase imploraram à direção partidária por manifestações públicas de confrontação com o STF. Conseguiram unicamente meia dúzia de atos simbólicos, esvaziados, em auditórios fechados. Seguindo uma orientação de Lula, a direção do PT definiu a reeleição de Dilma Rousseff como prioridade imperiosa — e desautorizou a projetada campanha contra o tribunal, com suas perigosas repercussões eleitorais.
O jogo duplo é notório, escandaloso. Diante de um “julgamento político”, o governo de uma democracia estimularia apelos às cortes internacionais. O governo brasileiro nem sonha com uma iniciativa desse tipo, acalentada apenas pelos próprios advogados dos condenados. Perseguidos por um “tribunal de exceção”, os dirigentes petistas condenados procurariam obter asilo político junto a governos amigos, na Venezuela, no Equador ou em Cuba. O PT, porém, indicou que eles deveriam se entregar — e abandonou à própria sorte o operador secundário na sua aventura solitária de fuga para a Itália. O ruído deve se esgotar em si mesmo, deixando no seu rastro uma desmoralização ainda maior dos intelectuais públicos que se prestam ao papel de fusíveis de crise.
O alarido verbal atende a táticas jurídicas prosaicas e expressa cálculos políticos específicos, mas também reflete motivações de fundo. Num plano prático, serve para pressionar o STF a executar as penas dos condenados célebres em regimes mais brandos, como a prisão domiciliar. Na esfera do jogo político, funciona como um prêmio de consolação para a esquerda petista e, ainda, como um expediente destinado a dourar a biografia partidária. Contudo, no universo ideológico, evidencia a dupla alma do lulopetismo, que obteve seus maiores triunfos graças à democracia, mas continua a desconfiar de um sistema apoiado no princípio do pluralismo.
Nos tempos de João Goulart, o governo acusava o Congresso de representar os interesses das elites e impedir o avanço das “reformas de base”. As palavras converteram-se em atos, originando manifestações públicas oficialistas contra o Poder Legislativo — e a turbulência resultante serviu como pretexto para a ruptura da ordem democrática. O lulopetismo segue trajetória similar, apenas substituindo o Congresso pelo STF, mas, prudentemente, circunscreve suas ações ao palco da retórica. Lula enviou aos companheiros condenados uma decepcionante mensagem de solidariedade e anuncia que falará coisas extraordinárias tão logo se conclua todo o julgamento. Enquanto isso, por trás do pano, sopra aos dirigentes petistas o recado de que nada deve atrapalhar a marcha normal da campanha da reeleição.
Melhor assim, claro. Entretanto, sempre é bom lembrar que as palavras — e os gestos — têm sentido. As imagens de Dirceu e Genoino de braço erguido e punho cerrado valem tanto quanto a imagem faltante, de um Valério espirituoso na mesma postura. O governo é outra coisa: quando as autoridades desafiam a legitimidade do STF, estão dizendo que a democracia não passa de uma ferramenta descartável.
Demétro Magnoli - O Globo

sábado, 26 de novembro de 2011

O QUE ESPERA A IMPRENSA INDEPENDENTE PARA COLOCAR ZÉ DIRCEU NA SEÇÃO DE POLICIA?

Desde que foi despejado da Casa Civil, José Dirceu só aparece na imprensa para ampliar o prontuário. Desde que foi expulso do Congresso, não se atreve a disputar nem eleição de síndico. Só tem caçado votos no Supremo Tribunal Federal, onde aguarda julgamento por formação de quadrilha e corrupção ativa. Sem mandato, sem cargo público, jura no cartão de visitas que é “advogado e consultor”. Sobra-lhe tempo para enriquecer como facilitador de negócios tramados por capitalistas selvagens, desferir pontapés no Código Penal e conspirar contra o Estado Democrático de Direito.

“A mídia conservadora persegue o PT”, fantasiou nesta quinta-feira o guerrilheiro de festim, no momento empenhado em provar que os companheiros corruptos só existem na imaginação da elite golpista. Foi apoiado pelo parceiro Franklin Martins: “Comunicações é um vale-tudo, um faroeste caboclo”, disse o ex-jornalista que, infiltrado na TV Globo, virou assessor de imprensa da turma do mensalão. Tais declarações serão publicadas na editoria política, ilustradas por fotos da dupla que chora quando vê Fidel Castro de perto. De novo, Dirceu e Franklin estarão na página errada.

O que espera a imprensa independente para alojá-los na seção de polícia? É esse o lugar de todo delinquente, pouco importa o ofício anteriormente exercido. O goleiro Bruno, por exemplo, deixou o caderno de esportes no mesmo dia em que foi acusado de matar a namorada. Denunciado pela Procuradoria Geral da República como chefe de quadrilha, Dirceu continua no mesmo espaço que ocupava antes de transformar em covil a Casa Civil do governo Lula. Para livrar-se da verdade, prega a censura à imprensa. Para livrar-se da cadeia, diz que não existem corruptos no Brasil Maravilha. O que há, anda recitando de meia em meia hora, é um plano para desestabilizar o governo. Conversa de pátio de presídio.

Bruno é um ex-atleta que ficou conhecido defendendo o Flamengo. Dirceu é um ex-político que ganhou notoriedade armando no PT. Se a Justiça fizer o que deve, vão acabar jogando no mesmo time dos fora-da-lei. Merecem dividir desde já a mesma página da seção de polícia.

Augusto Nunes - @Veja

terça-feira, 22 de novembro de 2011

O NEM DO PT E O ZÉ DIRCEU DA ROCINHA - DIRETO AO PONTO

Precisa mesmo, comprovou o tratamento dispensado aos colegas de ofício no feriadão do 15 de Novembro. Enquanto o chefe do tráfico tentava escapar da Rocinha cercada por mais de mil soldados, o chefe do mensalão estrelava numa Brasília sem polícia o II Congresso Nacional da Juventude do PT. Enquanto Nem era fotografado em posição fetal no porta-malas de um carro, Zé Dirceu posava para a posteridade exibindo uma camiseta, encomendada por jovens milicianos, que transforma culpado em inocente.

As imagens berram que a capital da corrupção anda implorando por uma ocupação policial de dimensões superlativas. Mas não custa lembrar que Brasília é mais traiçoeira que qualquer morro sem lei. Convém escalar para a captura do Nem do PT os dois tenentes da PM que recusaram o suborno milionário oferecido pelo Zé Dirceu da Rocinha.

FONTE: ¨blog¨do Jornalista Augusto Nunes

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

DILMA EVITA FIM PRECOCE DO SEU GOVERNO (Reinaldo Azevedo)

Os fatos são os fatos. Na sexta-feira, no primeiro dia do 4º Congresso do PT, parte do comando da legenda, sob a influência de José Dirceu, armou uma ursada para Dilma Rousseff. Colou o conspirador de hotel e sacristia — roubava hóstias no começo da carreira — na presidente; seus aliados, espalhados entre os delegados do partido, praticamente constrangeram Dilma a saudá-lo. E ela não teve jeito: deu um alô ao companheiro, aquele mesmo que atua como chefe de um ministro de estado e de um presidente de estatal — à revelia dela. No mesmo dia, o presidente da CUT propôs uma moção de desagravo ao “Zé”, o que foi aclamado pelos presentes e contou com o endosso de Luiz Inácio Apedeuta da Silva. Já estava acertado também, àquela altura, que a resolução do encontro faria uma crítica severa à imprensa e cobraria com dureza o “controle democrático” da mídia. Por “controle democrático” deve-se entender “censura”.

Muito bem! O PT escreveu a sua longa e mistificadora resolução — eu a comento no post abaixo. Lá está, sim, a crítica violenta e boçal à liberdade de imprensa, mas com um certo apelo ao futuro. O partido quer a “mobilização da sociedade”. Em vez daquele tom de ameaça e de confronto que chegou a ser anunciado, há um certo sotaque catequista, que apela por um novo “marco regulatório”, em nome da “democratização”. A maçaroca de críticas que lá vai já é de todos conhecida. Se não mudou de idéia — e não consta que tenha mudado —, o ministro Paulo Bernardo (Comunicações) já deixou claro que o proposta de Franklin Martins, ex-ministro da Supressão da Verdade, está aposentada.

Mas a maior derrota de Zé Dirceu foi outra. O partido simplesmente desistiu de redigir uma moção de apoio ao companheiro. A coisa se limitou àquela pajelança da sexta-feira, quando foi saudado como “guerreiro/ do povo brasileiro”. É… Prudentes esses petistas, não é mesmo? Sabem como é… Quando um sujeito monta um governo paralelo, com aquele frenético entra-e-sai de convivas, nunca se sabe o que pode vir à tona; sempre há o risco de informações novas escaparem dos corredores enigmáticos de um hotel e ganharem a opinião pública, expondo o partido a vexames novos. A moção de apoio significaria um endosso formal às atividades do “consultor de empresas privadas” sem que se conheça, digamos assim, o conjunto de sua obra.

O que aconteceu entre aquela sexta e este domingo? Fatos são fatos. Dilma detestou o modo como tentaram enredá-la na chicana pró-Dirceu, sem que tivesse, dada a organização do evento, como escapar. Gostou menos ainda de ver a sua imagem nos jornais ao lado daquele que é chamado de “chefe de organização criminosa” pela Procuradoria Geral da República, como se endossasse seus métodos e a desenvoltura com que, lobista que é, se move em Brasília, encontrando-se com políticos e com figuras do primeiro escalão do governo. A presidente fez saber que considera que esse tipo de prática, seja este ou não o objetivo do “consultor”, fere a sua autoridade e a torna uma espécie de cúmplice dos seus métodos. Goste-se ou não do estilo Dilma, seja ele eficiente ou não, o fato é que ela é centralizadora. E a lambança no gabinete paralelo do Zé estava fora de controle. A presidente ainda aguarda do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, por exemplo, uma boa explicação para ter ido ao encontro de Dirceu.

Dilma também fez saber que reprovava a idéia da moção de apoio, especialmente porque ela foi uma das convidadas de honra do evento, e isso faria supor que estava endossando o documento, como se a Presidência da República, como instituição — e não apenas o partido — estivesse se mobilizando em defesa de uma prática que ela considerou inaceitável. E faz sentido: afinal, os principais prejudicados pelo gabinete paralelo de Dirceu são, nesta ordem, o Brasil e o próprio governo. Todos sabem o que penso sobre o governo Dilma, e já apontei aqui muitas de suas inconsistências, mas é evidente que, nesse particular — e na celeuma gerada pela reportagem de VEJA —, ela agiu com correção.

No post que escrevi ontem de manhã, observei:
“Figurões do partido como Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, e Ideli Salvatti, ministra das Relações Institucionais, defenderam ontem [sábado] a ‘regulamentação da mídia’. Não custa notar que, durante a campanha - e mesmo depois de eleita -, Dilma Rousseff repudiou qualquer forma de controle. Ministros exercem cargos de confiança e falam pela presidente. Chegou a hora de enquadrá-los ou de confessar um estelionato.”

Parece que, no que concerne à imprensa e à patuscada organizada por Dirceu, Dilma preferiu o enquadramento: bateu a mão na mesa — simbolicamente ao menos… — e deixou claro que a moção de apoio ao ex-ladrão de hóstias era inaceitável e que continua a repudiar o “controle da mídia”, conforme querem setores do partido, muito especialmente aqueles sob influência direta de Lula e, obviamente, de Dirceu. Insistisse o partido nas escolhas originalmente feitas, ela teria de deixar clara a sua discordância.

Crítica bucéfala à “faxina”
A própria Dilma já havia feito restrições ao termo “faxina”, afirmando que a verdadeira faxina é acabar com a pobreza etc e tal. Mas não gostou do tom empregado no primeiro dia do Congresso, quando os petistas atribuíram à pressão da “mídia” e das oposições decisões que foram tomadas por ela. Entendeu que o partido usava o ataque aos adversários de sempre para, na verdade, criticar escolhas que eram suas — de resto, bem-vistas pela sociedade.

Dilma evitou, assim, o fim precoce do seu governo. Caso se tornasse cúmplice — e a palavra seria essa! — da moção de apoio a Dirceu, estaria simplesmente incentivando a anarquia, o “cada-um-faça-como-lhe-der-na-telha”. Que garantia teria de que outros ministros e chefes de estatais não passassem a despachar regularmente com lobistas os mais variados? Se pode com Dirceu, por que não com outros?

O ataque vigarista à imprensa, aos meios de comunicação, é, evidentemente, uma armadilha que o PT preparou à presidente. Lula governou o Brasil numa situação muito mais favorável do que Dilma — além, como se sabe, do privilégio da inimputabilidade que lhe concederam amplas camadas do país. Ela não conta com esse “ativo”. Os motivos são os mais diversos, não entrarei nisso agora. O fato é que, dado o conjunto da obra, sucedê-lo seria uma tarefa complicada para qualquer um, da situação ou da oposição — e a “herança maldita” (pela qual ela também é responsável, como admitiu) é parte desse problema.

Pois bem. Dilma já reparou que mesmo os setores da imprensa mais críticos ao seu governo apóiam, e nem poderia ser diferente, o que parece ser a disposição de punir o malfeito. O que o PT estava cobrando da presidente é que jogasse fora um de seus ativos, que partisse para o confronto, para proteger um tipo como… José Dirceu!!! Fatos são fatos. Ainda que a presidente tenha feito, na sexta, um discurso cantando as glórias de Lula, abestada não é: o Babalorixá de Banânia atuou em parceria com Dirceu para empurrá-la para o buraco, e ela sabe disso.

Repitam comigo:
“Eu, eu, eu, o Zé se danou”.

Não rima nem é ainda uma solução, mas é um avanço.

PS - Mas nada de ilusões, hein? Eles são fascistas e não desistem nunca!

Reinaldo Azevedo

sábado, 27 de agosto de 2011

O PODEROSO CHEFÃO: A MÁFIA NO PODER




Dá pra entender o estresse de ontem de José Dirceu. A reportagem de capa da revista VEJA revela que membros do primeiro escalão do governo, dirigentes de estatais e parlamentares - INCLUSIVE UM DA OPOSIÇÃO - se ajoelham aos pés do cassado, a quem ainda chamam de “ministro” e prestam reverências. É isto mesmo: o deputado defenestrado, o homem processado pelo STF e acusado de ser chefe de quadrilha é tratado por figurões de Brasília como um chefão — o Poderoso Chefão. Dirceu está bravo porque a reportagem é devastadora para a reputação da República e deveria ser também para ele e para aqueles que fazem a genuflexão. Vamos ver. Uma coisa é certa: a presidente Dilma sabe de tudo; tem plena consciência de que seu governo é assombrado e monitorado — às vezes com tinturas claras de conspiração — por um ficha-suja.
A reportagem de Daniel Pereira e Gustavo Ribeiro está entre as mais importantes e contundentes publicadas nos últimos anos pela imprensa brasileira. Ela desvenda o modo de funcionamento de uma parte importante do PT e os métodos a que essa gente recorre. E traz detalhes saborosos: podemos ver as imagens das “autoridades” que vão até o “gabinete” de Dirceu, montado no Naoum, um hotel de luxo de Brasília, onde se produz, nesse caso, o lixo moral da República. VEJA conseguiu penetrar no cafofo do Muammar Kadafi da institucionalidade brasileira. Eis alguns flagrantes.
Dirceu chegando ao bunker. Pimentel e os senadores Walter Pinheiro, Delcídio Amaral e Lindbergh Farias: operação derruba-Palocci
Dirceu chegando ao bunker. Pimentel e os senadores Walter Pinheiro, Delcídio Amaral e Lindbergh Farias: operação derruba-Palocci
Anotem alguins nomes cargos e dia do encontro:
- Fernando Pimentel, Ministro da Indústria e Comércio (8/6);

- José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras (6/6);
- Walter Pinheiro, senador (PT-BA) - (7/6);
- Lindberg Farias, senador (PT-RJ) - (7/6);
- Delcídio Amaral, senador (PT-MS) - (7/6);
- Eduardo Braga, senador (PMDB-AM) - (8/6);
- Devanir Ribeiro, deputado (PT-SP) - (7/6);
- Candido Vaccarezza, líder do governo na Câmara (PT-SP) - (8/6);
- Eduardo Gomes, deputado (PSDB-TO) - (8/6);
- Eduardo Siqueira Campos, ex-senador (PSDB-TO) - (8/6)

Esses são alguns dos convivas de Dirceu, recebidos, atenção!, em apenas 3 dias — entre 6 e 8 de junho deste ano. Leiam a reportagem porque há eventos importantes nesse período. É o auge da crise que colheu Antonio Palocci. Ele caiu, é verdade, por seus próprios méritos — não conseguiu explicar de modo convincente o seu meteórico enriquecimento. Mas, agora, dá para saber que também havia a mão que balançava o berço. Uma parte da bancada de senadores do PT tentou redigir uma espécie de manifesto em defesa do ministro, mas encontrou uma forte resistência de um trio: Delcídio Amaral, Walter Pinheiro e Lindbergh Farias - os três que foram ao encontro de Dirceu no tarde no dia 7. À noite, Palocci pediu demissão.
Dirceu, então, mobilizou a turma para tentar emplacar o nome de Cândido Vaccarezza para a Casa Civil. O próprio deputado foi ao hotel no dia 8, às 11h07. Naquela manhã, às 8h58, Fernando Pimentel já havia comparecido para o beija-mão. A mobilização, no entanto, se revelou inútil. Dilma já havia decidido nomear Gleisi Hoffmann.
VEJA conversou com todos esses ilustres. Afinal de contas, qual era a sua agenda com Dirceu? Gabrielli, o presidente da Petrobras, naquele seu estilo “sou bruto mesmo, e daí?”, respondeu: “Sou amigo dele há muito tempo e não tenho de comentar isso”. Não teria não fosse a Petrobras uma empresa mista, gerida como estatal, e não exercesse ele um cargo que é, de fato, político. Não teria não fosse Zé Dirceu consultor de empresas de petróleo e gás. Dilma não tem a menor simpatia por ele, e Palocci já o havia colocado na marca do pênalti. Mais um pouco de interiores?
Sérgio Gabrielli, Eduardo Braga e Devanir Ribeiro. Atenção! Este último é lulista...
Sérgio Gabrielli, Eduardo Braga e Devanir Ribeiro. Atenção! Este último é lulista...

Não está na lista de hóspedes. E a máfiaO governo paralelo de Dirceu ocupa um quarto no hotel Naoum. Seu nome não consta da lista de hóspedes. A razão é simples. Quem paga as diárias (R$ 500) é um escritório de advocacia chamado Tessele & Madalena, que também responde pelo salário de Alexandre Simas de Oliveira, um cabo da Aeronáutica que faz as vezes, assim, de ajudante de ordens do petista. Um dos sócios da empresa, Hélio Madalena, a exemplo de Oliveira, já foi assessor de Dirceu. O seu trabalho mais notável foi fazer lobby para que o Brasil desse asilo ao mafioso russo Boris Berenzovski. Essa gente sempre está em boa companhia. Foi de Madalena a idéia de instar a segurança do Hotel Naoum a acusar o repórter de VEJA de ter tentado invadir o quarto alugado pela empresa, mera manobra diversionista para tentar tirar o foco do descalabro: um deputado cassado, com os direitos políticos suspensos, acusado de chefiar uma quadrilha, montou um “governo paralelo”. A revista já está nas bancas. Leia a reportagem, fartamente ilustrada, na íntegra.
Abaixo, segue um quadro com todas as áreas de “atuação” do “consultor de empresas privadas” e “chefe de quadrilha”, segundo a Procuradoria Geral da República. Se Dilma não agir, será engolida. Poderia começar por demitir Pimentel e Gabrielli. Ou manda a presidente, ou manda José Dirceu.
dirceu-tentaculos

Por Reinaldo Azevedo