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domingo, 31 de março de 2013

FESTA DA DEMOCRACIA

Merval Pereira                   

 Foi uma noite em que a Justiça brasileira foi homenageada: o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, recebeu o prêmio Personalidade do Ano, e o ex-presidente do STF Carlos Ayres Brito, o de destaque do País. Ambos têm em comum o fato de terem presidido o julgamento do mensalão, um marco na história política do país.

Aplaudidos de pé pela plateia, destacaram a relação da sociedade com o Supremo, e atribuíram essa aproximação à imprensa que, segundo Barbosa, cumpre papel relevante na democracia brasileira. Para ele, “há uma sinergia grande, importante e relevantíssima entre nós do Poder Judiciário e a sociedade”, graças ao trabalho da imprensa que ajuda a opinião pública a entender um setor da vida estatal “tão difícil de compreender, às vezes impenetrável, que é essa missa institucional de fazer Justiça”.

Ele classificou de “evolução” essa capacidade de a sociedade acompanhar e até mesmo influir no Poder Judiciário, e atribuiu ao trabalho “cada vez mais ativo” da imprensa essa situação. O ministro Ayres Brito disse que o fato de ele e Joaquim Barbosa terem conquistado um prêmio com o nome tão sugestivo como o “Faz a Diferença” mostra que a sociedade está conhecendo mais o STF, que vem entendendo com mais clareza o seu papel de instituição “concretizadora da lei maior do país, que é a Constituição”.

A importância da imprensa no fortalecimento da democracia brasileira foi a tônica dos discursos dos dois homenageados. Barbosa fez a defesa do papel fiscalizador da imprensa, afirmando que a vida pública deve ser e tem que ser “escrutinizada, vigiada pela imprensa. Não consigo ver a vida do Estado e de seus agentes e personagens sem a vigilância da imprensa”.

Os dois têm visões coincidentes sobre a liberdade de imprensa. Para Joaquim Barbosa, “a transparência e abertura total e absoluta devem ser a regra” e não pode haver mistério em relação ao exercício das funções públicas, que devem ser acompanhadas pela imprensa. O ministro Ayres Brito, que foi o relator do julgamento que deu fim no Supremo Tribunal Federal à Lei de Imprensa promulgada durante a ditadura militar – que considera a decisão mais importante da qual participou, por ter permitido a plenitude da liberdade de imprensa no país, inviabilizando qualquer tipo de censura – diz que a liberdade deve ser total:

“Quem quer que seja pode dizer o que quer que seja. Responde pelos excessos que cometer, mas não pode ser podado por antecipação.”. Na ocasião, ele disse que “as relações de imprensa são da mais elevada estatura constitucional pelo seu umbilical vínculo com a democracia”. Para Ayres Britto, “cortar esse cordão umbilical entre a democracia e a liberdade de imprensa é matar as duas.”.

Na homenagem de ontem, ele ressaltou a importância da imprensa na aproximação do Judiciário com a sociedade, o que permite que a opinião pública entenda melhor o papel do Supremo Tribunal Federal, “uma casa de fazer destinos” na sua definição poética. Essa capacidade de “fazer destinos”, aliás, foi ressaltada por ele quando relatou sua felicidade por ser ministro do Supremo Tribunal Federal por nove anos, período durante o qual dizia aos colegas “que quem chega ao STF não tem sequer o direito ao mau humor”.

Para Ayres Brito, são tantas as possibilidades de arejar mentes, tantas as chances de contribuir para a modernidade do país, em diversos planos – político, ético, dos costumes, ecológico - que ficar de mau humor seria uma maneira de dispersar a energia. Certamente estava comemorando os diversos casos em que, sendo relator, ajudou a aprovar, como a união civil dos homossexuais e o aborto em casos de anencefalia.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

LULA, O FUGITIVO DA IMPRENSA



Mal contado – Desde que seu nome foi envolvido em escândalos de corrupção, o que não é novidade, Luiz Inácio da Silva é um fugitivo da imprensa. Lula, que já declarou que odeia ler, não pode ouvir falar em jornalista. Até porque, dez entre dez profissionais da imprensa aguardam uma explicação do ex-presidente sobre as denúncias de Marcos Valério acerca do seu envolvimento no Mensalão do PT e escândalo de Rosemary Noronha, sua namorada, que foi flagrada pela Polícia Federal, na Operação Porto Seguro, como membro da quadrilha dos pareceres.

Desde que os escândalos vieram à tona, Lula tem intercalado viagens internacionais como sumiços de encomenda. Depois de refugiar-se no final do ano na casa de praia de um amigo, Lula voltou à cena política, mas não falou com a imprensa. Para continuar a fuga, o ex-metalúrgico arrumou uma viagem a Cuba, onde, segundo sua assessoria, faria uma vista ao moribundo Hugo Chávez, seu companheiro no esquerdismo barato que sopra na América Latina.

Em Havana, onde cumpriu o obrigatório beija-mão local, Lula visitou o ditador Fidel Castro, reuniu-se com o presidente Raúl Castro – que é igual ou pior que o irmão, participou de cerimônia oficial em homenagem a Jose Martí, discursou na Assembleia local, onde fez críticas aos Estados Unidos, e ouviu dizer que o tiranete venezuelano se recupera bem.

Ora, Lula viaja a Cuba para visitar Hugo Chávez e lá só consegue ouvir dizer que o camarada venezuelano está se recuperando? Há algo estranho nessa história que já se transformou em enredo de filme de terror, a ponto de fazer inveja ao Zé do Caixão. Que Lula queira continuar em fuga é compreensível, porque explicar o inexplicável é complicado, mas melhor seria ter combinado a mentira.

O fato de mais um político ir a Cuba para visitar Chávez e voltar sem vê-lo reforça as especulações de que caudilho bolivariano já mudou de lado há algumas semanas, como noticiou o ucho.info com base em informações de integrantes do serviço secreto de alguns países e ex-agentes da CIA. Chávez está morto e os sucessores esperam o momento para emplacar o último capítulo da farsa, que é dar posse ao cadáver, evitando assim a convocação de nova eleição na Venezuela

Fonte: Ucho.Info

sexta-feira, 25 de maio de 2012

OS BONS COMPANHEIROS

De "caçador de marajás" Fernando Collor transfigurou-se em caçador de jornalistas. Na CPI do Cachoeira seu alvo é Policarpo Jr., da revista Veja, a quem acusa de se associar ao contraventor "para obter informações e lhe prestar favores de toda ordem". Collor calunia, covardemente protegido pela cápsula da imunidade parlamentar. Os áudios das investigações policiais circulam entre políticos e jornalistas - e quase tudo se encontra na internet. Eles atestam que o jornalista não intercambiou favores com Cachoeira. A relação entre os dois era, exclusivamente, de jornalista e fonte - algo, aliás, registrado pelo delegado que conduziu as investigações.



Jornalistas obtêm informações de inúmeras fontes, inclusive de criminosos. Seu dever é publicar as notícias verdadeiras de interesse público. Criminosos passam informações - verdadeiras ou falsas - com a finalidade de atingir inimigos, que muitas vezes também são bandidos. O jornalismo não tem o direito de oferecer nada às fontes, exceto o sigilo, assegurado pela lei. Mas não tem, também, o direito de sonegar ao público notícias relevantes, mesmo que sua divulgação seja do interesse circunstancial de uma facção criminosa.

Os áudios em circulação comprovam que Policarpo Jr. seguiu rigorosamente os critérios da ética jornalística. Informações vazadas por fontes diversas, até mesmo pela quadrilha de Cachoeira, expuseram escândalos reais de corrupção na esfera federal. Dilma Rousseff demitiu ministros com base nessas notícias, atendendo ao interesse público. A revista em que trabalha o jornalista foi a primeira a publicar as notícias sobre a associação criminosa entre Demóstenes Torres e a quadrilha de Cachoeira - uma prova suplementar de que não havia conluio com a fonte. Quando Collor calunia Policarpo Jr., age sob o impulso da mola da vingança: duas décadas depois da renúncia desonrosa, pretende ferir a imprensa que revelou à sociedade a podridão de seu governo.

A vingança, porém, não é tudo. O senador almeja concluir sua reinvenção política inscrevendo-se no sistema de poder do lulopetismo. Na CPI opera como porta-voz de José Dirceu, cujo blog difunde a calúnia contra o jornalista. Às vésperas do julgamento do caso do mensalão, o réu principal, definido pelo procurador-geral da República como "chefe da quadrilha", engaja-se na tentativa de desqualificar a imprensa - e, com ela, as informações que o incriminam.

O mensalão, porém, não é tudo. A sujeição da imprensa ao poder político entrou no radar de Lula justamente após a crise que abalou seu primeiro mandato. Franklin Martins foi alçado à chefia do Ministério das Comunicações para articular a criação de uma imprensa chapa-branca e, paralelamente, erguer o edifício do "controle social da mídia". A sucessão, contudo, representou uma descontinuidade parcial, que se traduziu pelo afastamento de Martins e pela renúncia ao ensaio de cerceamento da imprensa. Dirceu não admitiu a derrota, persistindo numa campanha que encontra eco em correntes do PT e mobiliza jornalistas financiados por empresas estatais. Policarpo Jr. ocupa, no momento, o lugar de alvo casual da artilharia dirigida contra a liberdade de informar.

No jogo da calúnia, um papel instrumental é desempenhado pela revista Carta Capital. A publicação noticiou falsamente que Policarpo Jr. teria feito "200 ligações" telefônicas para Cachoeira. Em princípio, nada haveria de errado nisso, pois a ética nas relações de jornalistas com fontes não pode ser medida pela quantidade de contatos. Entretanto, por si mesmo, o número cumpria a função de arar o terreno da suspeita, preparando a etapa do plantio da acusação, a ser realizado pela palavra sem freios de Collor. Os áudios, entretanto, evidenciaram a magnitude da mentira: o jornalista trocou duas - não 200 - ligações com sua fonte.

A revista não se circunscreveu à mentira factual. Um editorial, assinado por Mino Carta, classificou a suposta "parceria Cachoeira-Policarpo Jr." como "bandidagem em comum". Editoriais de Mino Carta formam um capítulo sombrio do jornalismo brasileiro. Nos anos seguintes ao AI-5, o atual diretor de redação da Carta Capital ocupava o cargo de editor de Veja, a publicação em que hoje trabalha o alvo de suas falsas denúncias. Os editoriais com a sua assinatura eram peças de louvação da ditadura militar e da guerra suja conduzida nos calabouços. Um deles, de 4 de fevereiro de 1970, consagrava-se ao elogio da "eficiência" da Operação Bandeirante (Oban), braço paramilitar do aparelho de inteligência e tortura do regime, cuja atuação "tranquilizava o povo". O material documental está disponível no blog do jornalista Fábio Pannunzio (http://www.pannunzio.com.br/), sob a rubrica Quem foi quem na ditadura.

Na Veja de então, sob a orientação de Carta, trabalhava o editor de Economia Paulo Henrique Amorim. A cooperação entre os cortesãos do regime militar renovou-se, décadas depois, pela adesão de ambos ao lulismo. Hoje Amorim faz de seu blog uma caixa de ressonância da calúnia de Carta dirigida a Policarpo Jr. O fato teria apenas relevância jurídica se o blog não fosse financiado por empresas estatais: nos últimos três anos, tais fontes públicas transferiram bem mais de R$ 1 milhão para a página eletrônica, distribuídos entre a Caixa Econômica Federal (R$ 833 mil), o Banco do Brasil (R$ 147 mil), os Correios (R$ 120 mil) e a Petrobrás (que, violando a Lei da Transparência, se recusa a prestar a informação).

Dilma não deu curso à estratégia de ataque à liberdade de imprensa organizada no segundo mandato de Lula. Mas, como se evidencia pelo patrocínio estatal da calúnia contra Policarpo Jr., a presidente não controla as rédeas de seu governo - ao menos no que concerne aos interesses vitais de Dirceu. A trama dos bons companheiros revela a existência de um governo paralelo, que ninguém elegeu.

Demétrio Magnoli

segunda-feira, 7 de maio de 2012

GOLPE A CAMINHO



Depois de declarar guerra aos bancos privados na questão da redução das taxas de juro, o que faz com que a opinião pública não se preocupe tanto com o escândalo envolvendo o contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, a presidente Dilma Rousseff, embalada pela ala radical do Partido dos Trabalhadores, parte para engessar a imprensa nacional, em atitude típica de governantes totalitaristas.

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, disse na última sexta-feira (4) que o próximo passo do governo petista é colocar em discussão o polêmico e ditatorial marco regulatório da comunicação, que acabará por cercear a liberdade de expressão e atropelará de maneira vil a Constituição Federal. “Este é um governo que tem compromisso com o povo e que tem coragem para peitar um dos maiores conglomerados, dos mais poderosos do País, que é o sistema financeiro e bancário. E se prepara agora para um segundo grande desafio, que iremos nos deparar na campanha eleitoral, que é a apresentação para consulta pública do marco regulatório da comunicação”, disse Falcão.

Para Rui Falcão, “a mídia é um poder que está conjugado ao sistema bancário e financeiro”. Trata-se de um discurso esculpido com o cinzel da ditadura, pois o objetivo do Palácio do Planalto é calar a porção crítica da imprensa nacional que atrapalha o avanço do projeto de poder elaborado pelos petistas.

Quando engrossava as fileiras da oposição, o PT não apenas apoiava as críticas da imprensa contra os donos do poder, mas enviava às redações emissários dispostos a emplacar na mídia factóides golpistas, sempre embasados em documentos de origem duvidosa. Quem atualmente contraria os interesses palacianos com textos coerentes e pensamento lógico é alvo de perseguições implacáveis, muitas delas desconhecidas do grande público. Se a parcela pensante da opinião pública não reagir com rapidez, o Brasil em breve estará à porta de uma ditadura civil nos moldes da que já acontece na vizinha Venezuela

Fonte: Ucho.Info.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

AMOR E ÓDIO EM BRASILIA

Pouco depois de se despedir do gabinete onde cumpria expediente na Esplanada dos Ministérios, na manhã de ontem, Carlos Lupi foi novamente dominado pela veia ao comentar o fim da trajetória no governo de Dilma Rousseff. "Com vocês (da imprensa) agora eu só falo por meio de nota oficial.

Vocês já destilaram todo o seu ódio. Agora, só por nota", esbravejou o ex-ministro. Na carta de demissão, divulgada no domingo, Lupi se disse perseguido pela mídia, como se os jornais fossem tribunais de exceção que não permitem a uma autoridade pública se explicar diante dos malfeitos.

Sexto ministro a cair por suspeita de corrupção na Esplanada este ano, Lupi misturou velhos argumentos usados por políticos em apuros — tudo é perseguição da mídia e da oposição — com um sentimentalismo inadequado para a real politik brasiliense. No início de novembro, após a revelação a público das irregularidades nos convênios entre ONGs e o Ministério do Trabalho, o então ministro adotou postura sobranceira. "Para me tirar do ministério, só se eu for abatido à bala. E tem de ser uma bala pesada, porque sou pesadão", disse, em 8 de novembro. Dois dias depois, na Câmara dos Deputados, Lupi moderou o tom. Apelou para a emoção. Diante dos deputados, tentou explicar ao Planalto o modo soberbo de rebater as denúncias. "Presidenta Dilma, desculpe se fui agressivo. Eu te amo." Na última sexta-feira, após a Comissão de Ética Pública votar pelo afastamento de Lupi, Dilma cortou o último vínculo afetivo com o subordinado. Com uma ironia que se tem tornado frequente em declarações públicas, revelou não ser mais propriamente romântica ou adolescente.

Lupi se mostrou desajustado com a nova ordem determinada pela presidente: eficiência, pragmatismo, impessoalidade e retidão pública — características a que o antecessor Lula dava menos atenção na relação com aliados e colaboradores. Página virada na pasta do Trabalho, Dilma se prepara para começar uma nova etapa de governo, com uma possível reforma ministerial. Talvez seja a hora de aplicar a frase que a própria presidente usou durante a última crise: "O passado simplesmente passou".

Mas há questões que resistem a eventuais trocas de ministros. O loteamento partidário na Esplanada e a relação com os aliados no Congresso seguem como dos principais entraves à gestão que Dilma pretende impor. O passado insiste em ficar na Esplanada

Carlos Alexandre - Correio Brasiliense

sábado, 26 de novembro de 2011

O QUE ESPERA A IMPRENSA INDEPENDENTE PARA COLOCAR ZÉ DIRCEU NA SEÇÃO DE POLICIA?

Desde que foi despejado da Casa Civil, José Dirceu só aparece na imprensa para ampliar o prontuário. Desde que foi expulso do Congresso, não se atreve a disputar nem eleição de síndico. Só tem caçado votos no Supremo Tribunal Federal, onde aguarda julgamento por formação de quadrilha e corrupção ativa. Sem mandato, sem cargo público, jura no cartão de visitas que é “advogado e consultor”. Sobra-lhe tempo para enriquecer como facilitador de negócios tramados por capitalistas selvagens, desferir pontapés no Código Penal e conspirar contra o Estado Democrático de Direito.

“A mídia conservadora persegue o PT”, fantasiou nesta quinta-feira o guerrilheiro de festim, no momento empenhado em provar que os companheiros corruptos só existem na imaginação da elite golpista. Foi apoiado pelo parceiro Franklin Martins: “Comunicações é um vale-tudo, um faroeste caboclo”, disse o ex-jornalista que, infiltrado na TV Globo, virou assessor de imprensa da turma do mensalão. Tais declarações serão publicadas na editoria política, ilustradas por fotos da dupla que chora quando vê Fidel Castro de perto. De novo, Dirceu e Franklin estarão na página errada.

O que espera a imprensa independente para alojá-los na seção de polícia? É esse o lugar de todo delinquente, pouco importa o ofício anteriormente exercido. O goleiro Bruno, por exemplo, deixou o caderno de esportes no mesmo dia em que foi acusado de matar a namorada. Denunciado pela Procuradoria Geral da República como chefe de quadrilha, Dirceu continua no mesmo espaço que ocupava antes de transformar em covil a Casa Civil do governo Lula. Para livrar-se da verdade, prega a censura à imprensa. Para livrar-se da cadeia, diz que não existem corruptos no Brasil Maravilha. O que há, anda recitando de meia em meia hora, é um plano para desestabilizar o governo. Conversa de pátio de presídio.

Bruno é um ex-atleta que ficou conhecido defendendo o Flamengo. Dirceu é um ex-político que ganhou notoriedade armando no PT. Se a Justiça fizer o que deve, vão acabar jogando no mesmo time dos fora-da-lei. Merecem dividir desde já a mesma página da seção de polícia.

Augusto Nunes - @Veja

sábado, 8 de outubro de 2011

CARTA ABERTA À PRESIDENTE DILMA.

Por Alexandre Coutinho Pagliarini (*)

A expressão francesa que dá título a este artigo significa “Eu acuso…!”, e se reporta ao que escreveu Émile Zola ao presidente francês Félix Faure para denunciar as armações da caserna gaulesa e do próprio stabilishment estatal daquele país para incriminar o Capitão Alfred Dreyfus, que foi acusado em 1894 de vender documentos militares secretos aos alemães. À medida que se acumulavam as provas da inocência de Dreyfus, militares franceses falsificavam documentos com o objetivo de “comprovar” a culpa do acusado, preservando o Exército enquanto instituição. O caso envenenou a vida francesa até 1906, quando Dreyfus foi finalmente reabilitado.

É importante perceber como a França se dividiu. Em linhas gerais, de um lado – em favor de Dreyfus –, estavam os mais importantes intelectuais e os republicanos, entre os quais os socialistas. Do lado oposto estavam os monarquistas, a maioria dos militares, setores integristas católicos e militantes antissemitas. A polarização atingia cada família, provocando furiosos choques entre “dreyfusards”, convictos da inocência de Dreyfus, e “antidreyfusards”.

O clima político naquela época era sombrio para os franceses. Vigorava na França a III República. O novo regime começou em 1870, no momento da derrota dos exércitos imperiais franceses na guerra franco-prussiana, e logo recebeu um duro golpe: o estabelecimento, na capital francesa, do primeiro governo operário da história – a Comuna de Paris (1871). O regime resultante de uma derrota militar afirmou-se pela vitória diante dos insurretos, esmagados brutalmente. Estava criado o padrão da III República, marcada pelo confronto aberto, e por vezes violento, entre a direita e a esquerda.

Émile Zola não foi voz isolada. Durante o exílio, Ruy Barbosa escreveu as célebres “Cartas de Inglaterra”, como ficou conhecida a colaboração que enviou periodicamente ao Jornal do Commércio. Dentre uma variada gama de assuntos, teve destaque o primeiro artigo, publicado em janeiro de 1895, abordando a questão Dreyfus. O caso do capitão francês de origem judaica acusado de traição despertava debates apaixonados. Defensor intransigente da legalidade, Ruy protestou contra as graves irregularidades do processo que levaram à condenação e deportação do capitão judeu Alfred Dreyfus para a Ilha do Diabo. Antecipava-se Ruy, em três anos, à carta aberta do escritor Émile Zola – “J´accuse…!” -, alertando para o que viria a ser um dos maiores erros judiciários de todos os tempos. Mais tarde, em suas memórias, Dreyfus afirmaria ser de Ruy Barbosa a primeira voz que se levantou em seu favor.

Utilizei-me nos primeiros parágrafos deste artigo do caso Dreyfus, do que escreveu Ruy Barbosa, e, sobretudo, da carta que o grande Émile Zola dirigiu publicamente ao presidente da República, contendo acusações.

A situação política que quero denunciar não é de antissemitismo, nem de provas forjadas por uma cúpula militar sob os olhos lenientes de um governo francês do passado.

O objeto de minha denúncia é a situação política de corrupção generalizada que assola o Brasil na atualidade; ainda mais em tempos em que Dilma Rousseff e a cúpula do PT estão a propor o cerceamento da liberdade de imprensa (tão cara à democracia). Por isso, escorado na liberdade de imprensa (ainda existente) e na liberdade de opinião (artigo quinto – caput –, e incisos IV, IX, XIV e XVI da CF/88), desejo impulsionar o cidadão brasileiro a se indignar contra os atos de improbidade administrativa e crimes contra a administração pública que, ao calar da noite, surrupiam os cofres públicos recheados com o dinheiro que nós, pessoas físicas e jurídicas, produzimos à luz do sol com o suor de nossos trabalhos, razão pela qual:

1) j´accuse a Assembleia Nacional Constituinte brasileira, que produziu a Carta Magna de 1988, de ter sido formada por membros que, ao mesmo tempo, acumularam mandatos de deputados e senadores, e, por isso, mais se preocuparam com a manutenção (e até a intensificação) de seus privilégios do que com a criação de um novo Brasil democrático. Também acuso a mesma Constituinte de 1988 por ter mantido no texto da Carta Política elementos de parlamentarismo que, de certo modo – principalmente em governos desonestos e de enfrentamento guerrilheiro, como os do PT –, deixam o Executivo à mercê das trocas de favores com o Legislativo;

2) j´accuse os governos do PT por terem instaurado na República um regime stalinista (ou, no mínimo, trotskysta) de apoderamento do aparelho estatal, confundindo o público com o privado como nunca se vira antes;

3) j´accuse o Supremo Tribunal Federal (STF) de manter entre os seus quadros ministeriais uma bancada pró-governista (majoritária), politizando assim o papel magno da Corte Maior brasileira com decisões que, em vez de se justificarem à luz da Carta de 1988, prolatam-se para agradar Lula e Dilma (exemplo: o lastimável caso Battisti);

4) j´accuse a presidente Dilma Rousseff (assim como deveria ter sido acusado Lula no caso de Marcos Valério, Duda Mendonça e dos mensaleiros) de crime de responsabilidade pelo fato de ter nomeado e mantido em seu governo pessoas que exerceram tráfico de influência, trocas de favores, desvio de dinheiro público, enriquecimento ilícito, omissão em face dos crimes que são cometidos bem debaixo de seus olhos, e de improbidade administrativa direta;

5) j´accuse o Congresso Nacional brasileiro de subserviência ao governo da senhora Rousseff e por estar se omitindo o Parlamento brasileiro por não ter promovido, até o presente instante, a abertura da indispensável Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra as ações e omissões da própria presidente da República, mandatária maior do país, CPI esta que poderia, dependendo de sua seriedade e de sua independência, apontar a responsabilidade de Dilma em relatório conclusivo, o qual ficaria à disposição da sociedade brasileira para que se oferecesse denúncia contra sua excelência perante o senado Federal, com prévio juízo de admissibilidade pela Câmara dos Deputados, hipótese em que o julgamento pelo Senado seria presidido pelo presidente do STF;

6) j´accuse o sistema constitucional brasileiro por permitir que os ministros do STF sejam indicados pela presidente da República, sem mandato de 4 ou 8 anos e sem eleição por juízes, promotores, defensores públicos e advogados de todo o Brasil, assim como acuso o sistema constitucional pátrio de permitir que o procurador-geral da República possa ser nomeado pelo presidente da República mesmo sem ter sido o mais votado por seus pares;

7) j´accuse os eleitores brasileiros pelas faltas de sangue aguerrido e de maturidade política, e por se deslumbrarem pela lábia de quem se auto coroou como o responsável pela redenção de um país (o Brasil) que, na realidade, deve tudo à sequência Itamar (criador do Plano Real), FHC, Lula e Dilma (apesar dos mensalões no governo Lula e da deplorável corrupção no Ministério de Dilma). O Brasil cresceu porque caíram EUA e Europa e porque uns tinham que ocupar espaço (os BRICs – Brasil, Rússia, Índia e China), o que me leva a afirmar que nosso país está perdendo, por conta da corrupção política, a maior oportunidade de sua história de colocar-se em nível de alto respeito perante a Comunidade Internacional;

8) j´accuse a presidente Dilma de não ter exonerado ninguém, e de ter permitido que as saídas se efetivassem após a intermediação imoral e indevida do PMDB, de José Sarney, de José Dirceu e de seu guru Lula;

9) j´accuse a imprensa brasileira de não dar continuidade às suas acusações e, consequentemente, deixar que os assuntos fiquem mornos ou mesmo frios;

10) j´accuse, Dilma Rousseff e seu antecessor, de alta traição contra o eleitorado brasileiro, por terem sustentado os seus governos mediante o apoio fisiológico de partidos – principalmente o PMDB – que estão a cobrar os favores que concederam nas épocas das campanhas eleitorais destes dois presidentes mandatários maiores da nação brasileira.

Brasileiros: acusemos! Exerçamos a nossa liberdade de opinião! Sejamos fiscais de nosso dinheiro público! Exijamos probidade administrativa! Reunamo-nos! Organizemo-nos contra a corrupção que envergonha o nosso país e nos reduz a micos de circo da Comunidade Internacional!...

(*) Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Lisboa. Doutor e mestre pela PUC/SP. Pesquisador do NPGD da UNIT (Aracaju/SE), onde também é professor titular e coordenador de Relações Internacionais. Professor titular da FITS (Maceió/AL). Professor visitante na Universidade de Lisboa (com o catedrático Jorge Miranda). Diretor de Relações Internacionais do IDCC (Instituto de Direito Constitucional e Cidadania). Escritor publicado no Brasil e no exterior. Advogado constitucionalista e internacionalista.
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1618544193350080

sábado, 1 de outubro de 2011

CENSURA: PT SAUDAÇÕES

Os profissionais da mídia que militaram na imprensa durante os mais de 20 anos de regime militar - somos hoje um dos poucos remanescentes para contar a história - sabem que não era fácil fazer notícia, porque a todo momento tinham no seu encalço algum agente da censura dizendo o que podia e o que não podia ser noticiado.

Veio, na década de 1980, a abertura democrática e com ela os primeiros sinais de retorno da tão desejada liberdade de imprensa. Bons tempos aqueles! Lula e seus seguidores do ABC paulista davam os primeiros passos para criar o PT.
E como era útil a imprensa naquele tempo! A mídia espontânea - às vezes não tão espontânea... - era a principal ferramenta com que o grupo contava para difundir suas ideias e propostas de criar um partido sem patrão e também o projeto de eleições diretas. Ah, santa imprensa!

Passaram-se os anos, o PT chegou ao poder, como sonhara e tentara várias vezes, e de estilingue passou a vidraça, e nessa condição passou a demonizar a imprensa, porque ela não mais fazia a vontade dos seus ideólogos; estava incomodando e muito.
Crítica da mídia não mais fazia o gênero deles. Elogio, sim; crítica, não. E aí surge a ideia "luminosa" de se criar um marco regulador dos meios de comunicação de massa. Nome palatável a ser dado à pretendida censura petista.

O PT, em seu recente Congresso Nacional em Brasília, resolveu tirar uma proposta, pondo em discussão nacional o tal marco regulador. Na verdade mais do que tirar uma proposta, tirou a máscara que escondeu por algum tempo antes das últimas eleições, e resolveu vir a público defender essa ideia.

Não temos dúvida de que essa proposta será objeto de acaloradas discussões intramuros partidários e depois será levada para o Congresso, onde o PT e os partidos da base do governo vão aprová-la, e o Brasil estará reinaugurando a censura aos meios de comunicação, e lá vai a liberdade de imprensa, talvez - sem querermos ser pessimistas demais - atrás dessa censura disfarçada venhamos a perder outras conquistas democráticas.

Nossa sugestão é que da mesma forma que estão acontecendo movimentos de massa contra a corrupção, venham também movimentos de rua contra a mordaça, porque só uma imprensa livre é capaz de trazer a público a incompetência dos arrecadadores e administradores dos nossos impostos

Fonte: A Gazeta

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

ASSIM COMO LULA, PARA EVO MORALES A IMPRENSA É A CULPADA

O presidente boliviano, Evo Morales, chamou a imprensa de "maior oposição" na noite desta terça-feira, no discurso de posse dos novos ministros do Interior e da Defesa, em meio à tempestade provocada pela repressão policial a indígenas que protestavam contra o traçado de uma estrada.
  • "Na noite passada, alguns meios informavam nove mortos, outros falavam em massacre, em uma criança morta. Quero perguntar a estes meios: Onde está o menino morto? Onde foi velado? Como chamam seus pais?"
"Alguns meios servem apenas para mentir, mentir e mentir", mas o povo sabe "quem diz a verdade e quem mente".
"Já disse isto e não tenho medo de repetir: a maior oposição a Evo Morales são os meios de comunicação, mas vamos lutar esta batalha, da verdade contra a falsidade".
Morales empossou esta noite os novos ministros do Interior e da Defesa, Wilfredo Chávez e Rubén Saavedra, após a renúncia de Sacha Llorenti e de Cecilia Chacón.
Llorenti e Chacón abandonaram os ministérios em meio às acusações de extrema violência na repressão da marcha indígena para protestar contra a estrada sobre uma reserva ambiental na amazônia boliviana.
No domingo passado, a polícia dispersou com violência o acampamento da marcha indígena em Yucumo, onde os manifestantes foram retirados de suas barracas e forçados a embarcar em ônibus.
ESTRADA
A estrada em questão é parte da rodovia que unirá os oceanos Pacífico e Atlântico e promoverá o comércio na América do Sul. Construída pela empreiteira brasileira OAS com financiamento do BNDES, a estrada, que tem 306 km e atravessa uma reserva natural em áreas amazônicas de 1,2 milhão de hectares, deve custar US$ 415 milhões.
Os indígenas amazônicos, que rejeitam a estrada porque a obra atravessará o Território Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis), argumentam que a obra pode levar à ruína da reserva ecológica e à invasão da área por produtores de coca, planta base para fabricar cocaína.
O Itamaraty defendeu a obra, na segunda-feira, dizendo tratar-se de uma estrada importante para a integração boliviana.
SUSPENSÃO
Na noite de segunda-feira Morales anunciou a suspensão da obra até que um plebiscito ouvindo as partes envolvidas seja realizado.
"Enquanto houver este debate nacional e para que os Departamentos [Estados] decidam, fica suspenso o projeto de estrada sobre o Território Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure", destacou o presidente.
"Assumo esta decisão porque não compartilho a medida de intervenção da passeata feita pelo governo e não posso defender ou justificar essa ação", afirma a carta de renúncia enviada a Morales.
O presidente boliviano não revelou quando e como ocorrerá a consulta, mas funcionários do governo já tinham avaliado que tal processo exigirá de seis meses a um ano.
PROTESTOS
Os protestos continuaram em todo o país nesta terça-feira, incluindo marchas, greves de fome e a convocação de uma greve geral e o que era um movimento contra a estrada tornou-se uma contestação ao próprio presidente socialista.
"Já não podemos tolerar mais abusos, o que o governo fez com os indígenas é antidemocrático, o presidente tem de assumir sua responsabilidade e demitir os ministros responsáveis", disse o sindicalista Bruno Apaza, da Central Operária Boliviana (COB), que convocou uma greve geral para quarta-feira.
Martín Alipaz/Efe
Universitários de La Paz saíram às ruas em marchas contra a construção da estrada em terras indígenas
Universitários de La Paz saíram às ruas em marchas contra a construção da estrada em terras indígenas
Alunos da estatal Universidade San Andrés, a maior do país, paralisaram o centro de La Paz com uma manifestação de apoio aos indígenas.
Outras regiões registraram marchas e greves de fome. No Departamento (Estado) amazônico de Beni, região de origem da maior parte dos indígenas envolvidos no protesto inicial, teve início uma greve por tempo indeterminado.
Cerca de 200 indígenas permanecem acampados na localidade de Rurrenabaque, onde discutem se irão retomar a marcha de 600 quilômetros até La Paz, que começou há seis semanas e estava na metade do caminho quando foi dissolvida pela polícia.

Fonte: Folha.com

sábado, 24 de setembro de 2011

O SUBMUNDO DO GOVERNO.


 Em 1914, Robert de Jouvenel dá o título de “O quarto poder” a uma das partes de sua obra, La République des camarades. Ali ele registrou:

“Quando um parlamentar conhecido se abstém durante muito tempo de frequentar essa bolsa de confidências e difamações, sua pessoa poderá ser vista a perambular tristemente de grupo em grupo, à cata do jornalista que se disponha finalmente a vir solicitar confidências destinadas ao grande público”.

Jouvenel mostrou, assim, a força do “quarto poder”, ou seja, dos jornais do seu tempo. Ele não podia imaginar a influência que teriam mais tarde o rádio e a televisão sobre a massa.

O quarto poder continua a movimentar opiniões, mas, no momento, em nosso país, é de se duvidar que algum político busque jornalistas de certos veículos da grande imprensa, os raros que possuem independência suficiente para mostrar o submundo do governo. Destes jornais e revistas os políticos devem estar fugindo como diabo da cruz. É que o quarto poder anda derrubando ministros, mostrando com fatos e documentos a máfia no que se transformou o governo do PT e de seus aliados.

Logo a propaganda se apropriou das denúncias do quarto poder e atribuiu à presidente da República uma hipotética faxina, na verdade apenas desencadeada no Ministério dos Transportes, inclusive, com a queda do ministro Alfredo Nascimento. Antonio Palocci da Casa Civil, Nelson Jobim da Defesa, Wagner Rossi da Agricultura caíram de podres e para não macular a imagem da presidente, exatamente como acontecia no governo do blindado Lula da Silva.

Tornaram-se intocáveis os titulares que pertencem ao PT ou ao PMDB, como aqueles dos ministérios do Turismo, das Cidades, das Comunicações, da Casa Civil, das Relações Institucionais e quantos mais estejam na mira do quarto poder, como o dos Esportes. A presidente declarou que só mexe nessas pastas, em que pesem as denúncias sobre as mesmas, se os partidos pedirem, algo risível. Partidos não pedem para sair de cargos, mas para entrar em quantos cargos puderem.

Para contrapor à imprensa nacional logo foram espalhados na imprensa internacional elogios mil a presidente da República. Ela surge como corajosa, ética, guerreira contra a corrupção. E a revista Forbes a coloca como terceira mulher mais poderosa do mundo.

Nem uma palavra sobre o intocado submundo da corrupção reinante na república dos companheiros. Nada sobre o fato de que a terceira mulher mais poderosa do mundo reina, mas não governa, pois o comando continua sendo de Lula da Silva que indica ministros, reúne-se com os partidos políticos, faz inaugurações, visita países latino-americanos como se presidente ainda fosse, ensina à sua desajeitada criação política como agir de forma demagógica.

Na última edição da revista Veja, uma matéria sobre José Dirceu mostrou o quanto ele comanda autoridades recebendo seus pleitos, interage com aqueles aos quais denominou de “elites”, mas demoniza os “malditos e impiedosos ricos” que o sustentam como a um nababo e realizam com ele negócios extraordinários. Porém, a revista não contou a quem Dirceu obedece. Certamente a Lula da Silva, pois é de se duvidar que este conceda uma migalha sequer de seu poder a outrem.

A propalada faxina serviu, contudo, para despertar certo temor nos petistas. Recearam os companheiros que o governo de Lula da Silva fosse carimbado como corrupto. Algo extremamente óbvio, pois os ministros que caíram eram os mesmos do ex-presidente e por ele impostos a sua afilhada política. Será que os petistas temem que Lula da Silva apareça como fiador ou cúmplice das falcatruas? Que ele tenha oficializado a velha prática da corrupção que se tornou incomensurável?

Note-se que a própria Rousseff conviveu com o submundo do “reino” lulista e fez parte dele junto com sua fiel servidora Erenice Guerra, alcunhada de Erê 6%. Converte-se, assim, a presidente na imagem viva da herança maldita de Lula da Silva, uma herança que em vez de legar afanou bilhões que poderiam ter sido aplicados em benefício do povo, e que foram parar no bolso dos larápios da república dos companheiros. Inclua-se aqui o Poder Legislativo, cujo último ato foi o de livrar Jaqueline Roriz do impeachment, prática corrente de autoproteção entre parlamentares.

Da pretensa faxina presidencial emerge também algo óbvio, que tenho repetido em outros artigos. Tudo isto acontece porque não existe oposição, exceto uma ou outra voz isolada. Foi, por exemplo, deprimente ver a foto de Fernando Henrique Cardoso, Geraldo Alckmin e outros próceres tucanos, praticamente aos pés da “terceira mulher mais poderosa do mundo”.

Sem oposição fraqueja a democracia e emerge a ditadura disfarçada do PT. Na impunidade onde a lei é substituída pela ideologia ou pelo interesse pessoal de quem julga viceja o submundo do governo. De tudo se conclui que somos atrasados demais para sermos civilizados, pois permitimos nossa desgraça, alheios aos que nos comandam.

Maria Lucia Victor Barbosa

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

TV BRASIL, PÚBLICA, ESTATAL OU GOVERNAMENTAL?

Criada por medida provisória em 2007, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), responsável pela TV Brasil, está às vésperas de uma possível mudança de comando. Notas nos jornais dão conta de que a atual diretora-presidente, Tereza Cruvinel, cujo mandato se encerra no próximo mês, não será reconduzida ao cargo. Nada existe de oficial a respeito. Por enquanto, só o que há são rumores.

Há quatro anos Tereza interrompeu uma carreira brilhante no jornal O Globo para assumir uma função pública espinhosa, a de presidir uma empresa pública. Sua gestão enfrentou controvérsias, como seria inevitável, mas foi pautada pela tentativa de elevar a qualidade editorial da instituição e de fazer da EBC uma instituição menos estatal e mais pública. São metas respeitáveis.

Quanto à qualidade, o saldo é positivo. Conheço alguma coisa desse assunto. Entre 2003 e 2007 presidi a Radiobrás (empresa que foi incorporada, ao lado da TV-E do Rio de Janeiro, pela atual EBC). Hoje, como observador, posso atestar que a programação da TV Brasil é bastante superior àquela que tínhamos no meu tempo. Quanto a transformar as emissoras de rádio e TV da EBC em emissoras verdadeiramente públicas, bem, nesse ponto continuamos atrasados.

Para entender o atraso não adianta muito especular sobre quem sai ou quem vem. Isso é espuma. Muito mais essencial é verificar a quem cabe resolver a transição. A interrogação que interessa é outra: onde, afinal, será decidido o destino da TV Brasil? A resposta é tão esclarecedora quanto desalentadora: a instância máxima da EBC não está dentro da própria empresa, mas no Palácio do Planalto. De acordo com o artigo 19 da Lei n.º 11.652, de 7 de abril de 2008 (que efetivou a medida provisória de 2007), é a Presidência da República que nomeia o diretor-presidente e o diretor-geral da empresa.

Esse mecanismo, apenas esse, já basta para um primeiro diagnóstico. A EBC, uma estatal como tantas outras, muito parecida com a velha Radiobrás, não é, na forma da lei, o que as democracias aprenderam a chamar de emissora pública. Nas emissoras públicas o executivo-chefe é escolhido por um conselho de representantes da sociedade. Nas estatais, quem escolhe o dirigente é o governante da vez. Por esse critério, portanto, ela é uma estatal, embora suas emissoras, como a TV Brasil, veiculem programas típicos de emissoras públicas.

Pior ainda: além de ter a natureza jurídica de uma estatal, a EBC é encarregada de operar, produzir e veicular comunicação governamental. O artigo 8.º da lei de 2008 a incumbe de "prestar serviços no campo de radiodifusão, comunicação e serviços conexos, inclusive para transmissão de atos e matérias do governo federal", além de "exercer outras atividades afins, que lhe forem atribuídas pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República". A EBC reporta-se diretamente à Secretaria de Comunicação Social (Secom). Ela está legalmente subordinada a uma autoridade que lhe é externa, e essa autoridade, a Secom, tem por missão cuidar da imagem do governo federal. Logo, a EBC é parte orgânica da estratégia do Palácio do Planalto para construir e preservar a boa imagem do governo. Outra vez, isso não atende aos requisitos conceituais de uma emissora pública.

É verdade que muitos que atuam na EBC se esforçam para que ela se afaste dos marcos oficialistas. Eu mesmo, quando presidi a Radiobrás, ajudei a dar início a essa corrente: queríamos transformar a velha radiofonia chapa-branca numa instituição de comunicação pública. Acontece que a lei de 2008, que deveria coroar esse projeto, foi tímida demais. Criou uma estatal que, entre outras incumbências, tem o dever de veicular o discurso governamental, como antigamente. Diante disso, o mínimo que se pode dizer, hoje, é que a EBC continua abrigando duas vocações antípodas: fazer comunicação pública, a exemplo da BBC inglesa ou da PBS americana, e prestar serviços de proselitismo governista ao Planalto, na linha da Voz do Brasil. A tensão interna, que se instalou por ali logo no início de 2003, não se resolveu com a lei de 2008 e não se resolveu até agora.

Essa tensão se manifesta hoje na presença de dois conselhos, ambos previstos na Lei n.º 11.652: o Conselho Curador e o Conselho de Administração. O primeiro é uma inovação positiva (não havia nada parecido com ele na Radiobrás). Embora nomeado pela Presidência da República, reúne especialistas independentes e se inclina, no mais das vezes, na direção de estimular uma comunicação não governamental. Ocorre que esse primeiro conselho não exerce o poder de fato. Quem detém o comando da gestão na empresa é o segundo, o Conselho de Administração. Seus integrantes também são nomeados pela Presidência da República e, entre eles, há representantes de ministérios. Esse conselho é que manda. É ele que elege e destitui os seis diretores da empresa (com exceção do diretor-presidente e do diretor-geral, nomeados diretamente pelo Palácio).

Cindida por essas duas vocações contraditórias, a estatal, hoje, tem mais cara de projeto de governo (e para o governo) do que de projeto da sociedade (e para a sociedade). Um projeto caro: o Palácio catapultou seu orçamento para a casa dos R$ 471 milhões/ano, um patamar superior ao de muitas emissoras privadas. Na contracorrente, o Conselho Curador toma decisões salutares, que desafinam do oficialismo. Há poucos meses propôs a extinção dos cultos religiosos da grade da TV Brasil, medida que deve entrar em prática no dia 25 de setembro. Também em 2011 denunciou a omissão do jornalismo da casa, que demorava a noticiar o escândalo do enriquecimento do então ministro Antônio Palocci. Essa centelha crítica mantém vivo o sonho da estatal que quer ser pública. Mas só isso não bastará.

Eugênio Bucci - O Estado de S.Paulo

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

MAGNO MALTA CRITICA DEMISSÕES DO GOVERNO DILMA (DEFENDENDO O INDEFENSÁVEL)

A queda de ministros do governo Dilma Rousseff (PT) após acusações publicadas pela imprensa foi criticada pelo presidente regional do PR no Espírito Santo, senador Magno Malta. Um dos integrantes do partido, Alfredo Nascimento, perdeu o posto na pasta dos Transportes após revelações de suspeitas de corrupção e superfaturamento de obras.

Para Malta, a conduta do governo na ocasião foi equivocada. "O governo errou. Nenhum governante pode agir por causa de nota de jornal. Se começar a demitir por nota de jornal, daqui a pouco Brasília está vazia", afirmou. Além de Nascimento, outros três ministros caíram após denúncias de irregularidades.

Apesar da avaliação, o senador reiterou o apoio do PR à presidente. "Eu disse que o apoio seria crítico, mas sair da base aliada seria irresponsabilidade".

As declarações foram dadas minutos antes do início do encontro regional da sigla, realizado ontem em Vila Velha.

Magno também falou sobre a tentativa do PSB, partido do governador Renato Casagrande, de filiar o ex-prefeito de Vila Velha Max Filho (PTB). "O bem que nós e Paulo Hartung fizemos a ele (Casagrande) foi esquecido muito rápido. Mais rápido ainda foi esquecido o mal que os outros fizeram a ele", disse.

O senador refere-se ao apoio do PR na eleição do governador e ao fato de Max Filho ter ficado em palanques opostos ao do socialista nos últimos pleitos.

No encontro, o prefeito de Vila Velha, Neucimar Fraga (PR), confirmou sua candidatura à reeleição.

Eleição em Vitória
Já o deputado estadual José Esmeraldo sugeriu a Malta que transfira o título de eleitor de Vila Velha para Vitória para disputar a Prefeitura da Capital. "Muita gente ficaria com a pulga atrás da orelha", frisou. Malta considerou o conselho apenas como um elogio.

Baixas nos ministérios
Antonio Palocci (PT)Caiu após a imprensa revelar que ele aumentou seu patrimônio em 20 vezes em quatro anos.

Alfredo Nascimento (PR)Saiu depois de denúncias de corrupção e superfaturamento em obras do Dnit e da Valec (estatal de ferrovias). Órgãos ligados à pasta cobrariam propina a empreiteiras e consultorias.

Wagner Rossi (PMDB)Fragilizado por acusações, deixou a pasta após admitir que usou avião de empresa com negócios no setor.

Pedro Novais (PMDB)O último dos ministros a perder o cargo. Ele entregou a carta de demissão após revelações de que pagou governanta com dinheiro público e usou servidor como motorista particular.

Fonte: A Gazeta

segunda-feira, 20 de junho de 2011

LULA E JOSÉ DIRCEU SE PINTAM PARA A GUERRA, O INIMIGO? A IMPRENSA

Por Reinaldo Azevedo

Luiz Inácio Lula da Silva e José Dirceu resolveram pintar todas as suas caras para a guerra. Já estamos em ano pré-eleitoral, o PT bate cabeça, e companheiros são vítimas de fogo amigo. A oposição é pequena demais para criar constrangimentos ao governo, como se nota. As dificuldades todas do Planalto estão na própria base aliada, em especial no próprio PT, mas a Soberana não tem jogo de cintura para fazer política. Numa pequena entrevista em que comentava a Medida Provisória que torna secretos os gastos da Copa de 2014, voltou àquele velho estilo da bronca, com dedo em riste e cenho fechado. Então é hora de apelar ao comitê central. Lula e Dirceu reuniram a petistada com três propósitos:

a) apelar à unidade do partido contra os terríveis inimigos;
b) satanizar a oposição, que esataria, mais uma vez conspirando;
c) ressuscitar a guerra contra “a mídia”, tão bem-sucedida no passado.
Voltarei a este ponto. Mas precisamos passear antes por algumas paisagens vizinhas.

Adesismo inédito
O leitor sabe muito bem que nunca antes na história destepaiz houve uma imprensa — ou “mídia”, como chamam os petistas — tão adesista como a que temos. Há exceções? Há! E as exceções, ao se evidenciar, confirmam a regra. Chega a me espantar, por exemplo, o coro de reconhecimento dos últimos dias à grande, à monumental obra do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Não é que ele não mereça. O que se tem ainda é muito pouco para retratar com justiça o que foi feito. Mas como deixar de constatar que algumas penas só se moveram depois que a presidente Dilma Rousseff enviou ao tucano uma mensagem em que afirmava seu grande feito para a história do Brasil?

Vivemos uma era em que a militância de alguns estimula a covardia de outros. Foi preciso que uma figura graduada do petismo desse uma espécie de “autorização” para que, então, alguns tantos de manifestassem. Caso a patrulha se assanhasse, bastaria dizer: “Até Dilma elogiou…” Isso evidencia um momento asqueroso de subordinação intelectual, moral e política a um ente de razão que vigia as consciências.

Eu sei o quanto apanhei nos últimos anos por ter reafirmado aqui, a cada dia, a herança bendita do ex-presidente. Não me atribuo, é evidente, nenhum heroísmo por isso. Escrevo as coisas nas quais acredito — e só as coisas nas quais acredito! Defender FHC está longe de ser a coisa mais difícil que faço. Muito mais trabalhoso tem sido, por exemplo, ter de lembrar ao Supremo que existe uma Constituição no país e que cabe, sim, a um tribunal constitucional tomar decisões que interpretem o espírito das leis, mas não lhe cabe, de modo nenhum, decidir contra a letra explícita da própria Carta ou dos códigos legais cuja caducidade ainda não foi declarada. Isso, sim, tem sido difícil. Apontar as óbvias conquistas de FHC é bico, ainda que, ao longo dos anos, tenha sido uma atividade quase solitária — não nestes últimos dias, depois que a mensagem de Dilma foi tornada pública.

A farsa petista só se constituiu porque se permitiu que o partido e o governo Lula mentissem muito sobre si mesmos e, acima de tudo, sobre seus adversários. Há casos, em que setores da imprensa foram mais do que meros veiculadores da farsa; atuaram como partícipes. Na VEJA desta semana, uma reportagem (ver abaixo) revela, finalmente, os bastidores do dossiê dos aloprados e chega aos mandantes do crime e à origem do dinheiro. Uma entrevista dos empresários-bandidos fazia parte da conspiração.

Não-domesticados
Há, sim, os que se ocupam de fazer jornalismo e de lembrar os princípios de independência que devem orientar a imprensa. E, por isso mesmo, casos como a verdade sobre os aloprados ou o espantoso talento de Antonio Palocci para ficar rico vêm a público, para irritação dos companheiros. Isso não quer dizer que não se viva um momento de cooptação inédito em tempos democráticos. E, como veremos a seguir, para aqueles que realmente comandam o PT — e não é Dilma Rousseff —, isso ainda é muito pouco. Nada serve que não seja a unanimidade.

Fabricantes de provas
Luiz Inácio Apedeuta da Silva esteve ontem no Encontro das Macro Regiões Estaduais do PT, na cidade de Sumaré, em São Paulo. Estava acompanhado de José Dirceu, aquele que a Procuradoria Geral da República diz ser chefe de quadrilha, o subcomandante do mensalão. Ambos fizeram, vocês viram num post abaixo, a defesa da administração de Campinas, depois de cobrados em cena aberta por Dr. Hélio, o prefeito. Só lhe faltou dizer: “Eu me lembro de vocês; vocês se lembram de mim?” Sim, eles se lembravam. E usaram o exemplo pessoal para provar como o mundo pode ser injusto, e os adversários, perversos.

Seguindo a linha de defesa do prefeito, atacaram o PSDB e politizaram a questão. Lula se disse de “saco cheio” de ver “companheiros acusados” sem provas etc e tal. Digamos que fosse verdade. A boca torta pelo uso do cachimbo desmoralizaria a sua crítica. De toda sorte, a verdade sobre o caso dos aloprados, por exemplo, revelada ontem por VEJA, demonstra que o PT é realmente singular: se não existem “provas” contra seus adversários, eles se encarregam fabricá-las. O método é tão disseminado que pode até vitimar um companheiro de partido, como aconteceu no Mato Grosso contra Serys Slhessarenko.

O caso de Campinas foi evocado para lembrar quão terríveis são as oposições, o que evidencia, então, a necessidade da união dos petistas, que têm de parar com aquela brigalhada. Lula sabe que foi o fogo amigo que colheu Antonio Palocci, por exemplo, mas não pode admiti-lo. Então recorre a um clássico: acusa o cordeiro que bebe água rio abaixo de turvar a água rio acima. O PT, partido que exerce a hegemonia inequívoca do processo político, estaria sendo impiedosamente perseguido!!!

De volta à mídia
A unidade contra o inimigo é o trivial ligeiro de qualquer batalha. É pouco. Então foi preciso investir numa velha fantasia, que andava ausente dos discursos nesses quase seis meses de governo Dilma: o ataque à imprensa. A qual imprensa? Àquela que é subordinada do petismo e que decidiu ressuscitar o clima Don & Ravel e fazer a versão “jornalística”, e infinitamente mais pobre, de “Porque me ufano do meu país”, levando Afonso Celso a se remexer na tumba? Não! Lula e Dirceu atacam a imprensa que cumpre o seu papel.

O Babalorixá voltou à ladainha de seus oito anos de mandato. Fosse pela imprensa, disse aos petistas em delírio, não teria deixado o governo com 87% de aprovação popular. Só se esqueceu de dizer que essas medições de popularidade e sua própria divulgação foram feitas pela… imprensa. O Apedeuta deu a receita, segundo relato de O Globo:

“O ex-presidente falou da estratégia de seu governo de privilegiar os pequenos veículos de comunicação do interior do país, as chamadas mídias regionais, para se comunicar com o eleitorado. ‘Consegui criar outra forma de conversar com as pessoas que não fosse através dos grandes meios de comunicação, passando a falar nas rádios e jornaizinhos locais. Essa gente (do interior) não lê os grandes jornais, o que vale é a imprensa local, a rádio local”, ensinou.
O petista lembrou que essa bem sucedida mudança na comunicação oficial envolveu também a redistribuição das verbas publicitárias do governo. Segundo Lula, essas verbas eram destinadas a cerca de 378 veículos no início de sua gestão. E, no ano passado, eram oito mil veículos (entre rádios, jornais, revistas e TVs) que repartiam essa verba.”

Em suma, ele deixou claro que usou dinheiro público para comprar apoio da “boa imprensa”.

Se isso lhe parece pouco, é porque José Dirceu ainda não havia se pronunciado. Ainda segundo o relato de O Globo:
“Falando aos militantes logo depois de Lula, que deixou o evento após discursar, o ex-ministro e deputado cassado José Dirceu disse que hoje a mídia ‘faz o papel da oposição’ no país, organizando a agenda e pautando as ações da oposição. ‘O partido precisa responder aos ataques que já está sofrendo e vai sofrer. Se tem problema de corrupção, que se investigue’, disse. Segundo Dirceu, o partido não deve permitir o ‘uso político’ dessas denúncias: ‘Se hoje temos o Ministério Público e a Polícia Federal investigando, isso foi por conta do nosso governo. Por isso, não vamos permitir que se faça uso político desse tipo de denúncia’.”

Santo Deus!

Zé Dirceu não resiste nem à lógica pedestre. Se fosse verdade que a imprensa faz o papel da oposição, então haveria de se admitir que a oposição não desempenha o seu papel, certo? Se ele está descontente com isso, estamos diante da prova de que ele não suporta… oposição! Bem, isso é verdade mesmo sendo falsa a premissa. Vejam que adorável: “Se tem problema de corrupção, que se investigue”, mas não, entenda-se, os petistas! Porque aí passa a ser “ataque”. Ele também não quer “uso político da denúncia”. Surgindo uma falcatrua no governo, as oposições devem ficar em silêncio… Quanto ao Ministério Público… Bem, Palocci caiu sem que a PF e a Procuradoria-Geral tivessem movido uma palha. Não foi a oposição que o derrubou, mas a sua dinheirama. E Dirceu não precisa enganar ninguém: ele não está infeliz com isso. Qualquer oposicionista, escolhido aleatoriamente, tinha com o ex-ministro uma relação mais harmoniosa do que seu rival de consultoria.

Lula está onde sempre esteve — inclusive nos oito anos de mandato: em cima do palanque. Dirceu é figura ativa no petismo, mas, com Palocci na articulação política, ele se resguardava mais, ficava na sombra, roendo um tanto os cotovelos. O outro tolhia muito dos seus movimentos. Não é mera coincidência que tenha voltado a atuar com tanta saliência — está sendo saudado até como amigo das artes!!! Vai acabar virando o Edemar Cid Ferreira da ideologia!!!

Vai dar resultado?
Consta que Dilma pediu que o PT, que vem lhe criando alguns problemas, tomasse um pito. Isso pode passar a impressão, errada, de que ela está no controle e de que ambos cumprem uma tarefa encomendada. Besteira! Os pronunciamentos de Lula e Dirceu correspondem a um esforço para encabrestar a mandatária e para lhe impor uma agenda, a que ela tem resistido: hostilizar a imprensa e anatematizá-la como “partido de oposição”.

Sabem o que é trágico? Isso já funcionou no passado — sim, sim, com exceção daqueles que não se deixam domesticar. Quando Lula começa com essa ladainha, tem início o esforço desesperado de muitos diretores de redação: “Precisamos de denúncias contra a oposição também”. A rede a soldo de blogueiros e chicaneiros começa a patrulhar os veículos — tentam fazer isso no meu blog; eu os chuto — e acabam emplacando as suas pautas; até porque a patrulha está presente de modo acachapante nas redações. Sim, pouco importa a camisa do malfeitor, notícia é notícia. Mas o PT não pode ser o tribunal a julgar a isenção do noticiário.

Eles estão de volta à sua natureza! Vem aí outra guerra contra a imprensa. Podem apostar.

É MESMO UM ARTISTA ESSE JOSÉ DIRCEU.

O ex-ministro, ex-deputado, ex-líder estudantil e atual consultor de enorme sucesso José Dirceu (como se sabe, a consultoria é a atividade de maior sucesso no país ultimamente) tem uma impressionante capacidade de sobrevivência. Ele ganhou destaque, na semana passada, de duas formas: atacando duramente a imprensa e como novo patrono da Fundação Nemirovsky, dona de um dos maiores acervos do país.
No caso da imprensa, a atitude de Dirceu é, de certa forma, repetitiva. Num encontro de "blogueiros progressistas", ele fez uma convocação de guerra contra "a grande mídia". Em tom de bravata, disposto a derrotar os meios de comunicação, Dirceu bradou: "Se não travarmos essa batalha, ela não será travada. É hora de dar um grande salto, partir pra mobilização. Estou disposto a travar essa luta junto com vocês".

O ex-deputado foi acompanhado por Lula em seus ataques. Ambos têm uma relação de amor e ódio com a imprensa. Enquanto estavam na oposição, eram fonte primeira de informação e de denúncias contra quem estava no poder. Ao virarem alvo de denúncias, passaram a ver na imprensa a mão nefasta da conspiração. Mas mesmo hoje colhem algumas vitórias por conta da ação da "grande mídia". Dirceu não ficou exatamente insatisfeito com a divulgação do espetacular enriquecimento do "companheiro Palocci".

O ex-deputado não perdoa o fato de ter sido apeado do poder por conta das denúncias do mensalão. É bem verdade, ele acabou se virando muito bem na planície. E a prova maior é a sua escolha para o cargo de patrono da Fundação Nemirovsky. Os blogueiros progressistas certamente verão no ato um reconhecimento à impressionante bagagem cultural do ministro, dono de enorme conhecimento das artes plásticas. A grande mídia, sempre mal-humorada, poderá ver nessa indicação a tentativa da fundação, recentemente envolvida em ações judiciais, de garantir de maneira concreta a captação de mais recursos para suas atividades. De qualquer forma, a fundação fez a escolha certa. Porque, de uma forma ou de outra, José Dirceu é, sem dúvida, um artista...

Fonte: A Gazeta.

domingo, 1 de maio de 2011

O BULLYNG NA POLITICA.



O estilo é a marca principal do político, a estética de sua ação. O senador Roberto Requião que o diga. Faz do estilo montaria de batalha. São muitos os episódios em que o ex-governador do Paraná aparece dando vazão a um repertório de manifestações, gestos e atitudes que dão realce a um ator cujo desempenho poderia surpreender o renomado mestre da arte teatral Constantin Stanislavski. Pois Requião "vive" intensamente o papel, não fica na mera interpretação. Daí parecer autêntico, sem meias palavras, despachado, um cabra da peste. Como um dândi no meio da plantação, chama a atenção pelo prazer de espantar as mais distintas plateias. O senador cultiva o hábito de guerrear com palavras e acaba borrando a imagem com tintas da polêmica. O recente episódio em que tomou o gravador de um repórter que lhe perguntara sobre a aposentadoria vitalícia ocorreu para se defender de uma imprensa "absolutamente provocadora e irresponsável", a quem acusa de praticar bullying. O conceito, como se recorda, ganhou ênfase no meio da discussão provocada pelo assassinato de 12 crianças numa escola de Realengo, no Rio de Janeiro. Trouxe à tona a história do assassino Wellington Menezes, que, em carta, lembrou os atos de violência psicológica a que foi submetido quando estudante naquele estabelecimento.


O tema está na ordem do dia dos educadores, pela gravidade que tem assumido nos espaços escolares. Puxá-lo, agora, para a arena política e, mais ainda, pela expressão de um senador da República é um ato que carece fundamentação. A intenção de Requião ao acusar a imprensa de praticar bullying seria mero artifício para justificar a "perda de paciência", caracterizada pelo gesto de arrancar o gravador das mãos do repórter (e depois devolvê-lo sem a gravação), ou ele está mesmo convencido de que jornalistas e programas, como os citados CQC e Pânico, invadem a esfera pessoal de entrevistados com "doses de provocação", praticando, por conseguinte, violência psicológica? A expressão senatorial não se sustenta. Confunde escopos. Programas humorísticos não são eixos centrais da imprensa. Suas funções essenciais são as de informar, interpretar e opinar. Entreter é uma função secundária. Quando um jornalista perquire um mandatário sobre patrimônio, proventos, benesses, prêmios, viagens, ações, gestos e atitudes, ele o faz porque tal acervo é de interesse daqueles que ele representa. O homem público precisa prestar contas de todos os atos que, de forma direta ou indireta, têm relação com os bens e valores da República.

Pelo que se sabe, a entrevista com o senador versaria sobre sua aposentadoria vitalícia, garantida por uma liminar que, posteriormente, foi revogada pelo Tribunal de Justiça do Paraná. O tema, portanto, era pertinente, eis que a aposentadoria vitalícia, prevista pela própria Constituição federal, deverá ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. Sob esse prisma, não se justifica o rompante agressivo do ex-governador. Não se tratava, pois, de abordagem humorística, e sim de pauta jornalística. Um alto representante congressual não pode deixar de discorrer sobre assunto de significação social e muito menos "perder a paciência" com repórteres provocativos. Provocar, aliás, é um verbo conjugado pela missão investigativa da mídia. Vejamos, agora, a questão sob o ângulo do entretenimento, pois tanto o senador Requião quanto outros políticos e celebridades carimbam certos programas de humor como "excrescência, apelativos e constrangedores". O entretenimento, como se sabe, faz parte do menu da comunicação de massa. Levado ao território dos olimpianos - artistas, cantores, políticos, famosos em geral -, incorpora condimentos azeitados com aspectos da vida pessoal. Não raro os entrevistados passam por uma bateria de perguntas embaraçadoras, sarcásticas e, convenhamos, insultuosas em certos casos.

Neste ponto, convém lembrar que o universo das celebridades - incluindo os políticos - cultiva certo gosto pelo dandismo, e este estilo afetado cai bem no perfil de atores do teatro midiático. Não são poucos os que apostam no preceito de que serão mais festejados e glorificados ao "se fazerem notar a qualquer preço". Tal noção lhes impõe uma estética exuberante (indumentária chocante) e uma semântica estrondeante (estrupícios linguísticos). Celebra-se, assim, um casamento de conveniências, o que dá "liberdade" a determinados programas de TV às tais "provocações" - com derrapadas pelo terreno da infâmia - e consequentes conflitos entre as partes. Não raro ocorre interpenetração dos espaços dos verbos "zoar, gozar, tirar sarro, brincar, ironizar" e dos corredores dos verbos "discriminar, humilhar, ofender, agredir, perseguir, ameaçar".

O bullying político, a que se refere o senador, estaria no segundo território. Para se caracterizar como tal, porém, a violência psicológica sobre o político deveria conter o elemento repetição, ou seja, a vítima deveria ser submetida a frequente assédio pelos algozes. Nossas vítimas políticas seriam sempre as mesmas? E mais, no bullying os indivíduos intimidados ou agredidos pelo valentão (bully) não são capazes de se defender. Valentia por valentia, como se pode ver, Requião é mais campeão. Se alguém não desejar responder às "provocações" de um repórter, o silêncio é também uma forma de expressão.

Quem se sente atingido na honra pode apelar aos tribunais. São inúmeros os casos de pessoas que recorrem à Justiça para se defenderem de calúnia, injúria e difamação. Já o bullying nas escolas de nosso país deve ser matéria prioritária de educadores, governantes e políticos. A humilhação infligida a milhares de crianças ensombrece nosso amanhã pela ameaça de termos parcela de uma geração atrofiada pela violência física e psicológica.

Por último, seria conveniente que os tocadores da banda midiática que assedia celebridades e políticos usassem a régua do bom senso.

Gaudêncio Torquato - O Estado de S.Paulo




quarta-feira, 27 de abril de 2011

REQUIÃO, O BRUCUTU.

O Sindicato dos Jornalistas de Brasília protocolou ontem no Senado uma representação solicitando advertência e censura ao senador Roberto Requião (PMDB-PR), por ele ter agredido um repórter. O caso ganhou ampla repercussão na imprensa. Requião tomou o gravador de um repórter e apagou uma entrevista na qual ele era questionado sobre a aposentadoria que recebe, como ex-governador do Paraná, de R$ 24 mil. O senador deve mesmo explicações. Em 2007, em ação relativa ao Mato Grosso do Sul, o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o dispositivo que concedia a aposentadoria a ex-governadores. Tramitam hoje no Supremo ações contra esse tipo de benefício em oito Estados, entre eles, o Paraná. A sociedade tem o direito de questionar o benefício, num país em que a vasta maioria se aposenta pelo INSS. A agressão a um repórter, no exercício de sua função, é algo grave, não apenas pelo repórter em si, mas pelo que ele representa: ele é o profissional que leva a informação à sociedade. As perguntas do jornalista não foram ofensivas. Em determinado momento, ele questionou se o senador não seria capaz de abrir mão da aposentadoria. "Já pensou em apanhar, rapaz? Me dá isso aqui", disse Requião, ao tomar o gravador, num gesto inadmissível numa democracia. Os políticos devem, sim, satisfação à sociedade, que paga os seus salários. Por sua truculência, o senador merece a punição do Senado. E o repúdio da sociedade.

Fonte: A Gazeta




segunda-feira, 21 de março de 2011

IMPRENSA E POLITICA.

Carlos Alberto Di Franco - O Estado de S.Paulo


O governador do Rio Grande do Sul e ex-ministro da Justiça de Lula, Tarso Genro, manifestou desconforto com o trabalho da imprensa. Na contramão do discurso da presidente Dilma Rousseff, defensora dos jornais, "mesmo quando são irritantes, mesmo quando nos afetam, mesmo quando nos atingem", o governador gaúcho vislumbra riscos para a democracia subjacentes ao empenho investigativo dos jornais.

Em artigo na Folha de S.Paulo, Tarso Genro aponta o perigo representado pela imprensa: "É visível que existe, em grande parte da mídia, também uma campanha contra a política e os políticos, o que, no fundo, é, independentemente do objetivo de alguns jornalistas, também uma campanha contra a democracia".

O comentário do governador, em sintonia com a linha mais autoritária de seu partido, o PT, é injusto e infeliz. Não é o jornalismo investigativo que conspira contra a democracia. É a corrupção endêmica e impune. É o pragmatismo aético. É a "governabilidade" que justifica alianças que fariam corar até mesmo representantes de facções.

O fisiologismo político é responsável por alianças que são monumentos erguidos à incoerência e ao cinismo. Quando víamos Lula, José Sarney, Fernando Collor e Renan Calheiros, só para citar exemplos mais vistosos, abraçados e congraçados, no mesmo palanque, pairava no ar a pergunta óbvia: o que une firmemente aqueles que estiveram em campos tão opostos? A "governabilidade", dirão alguns. Na verdade, interesse. Só interesse. Os fisiologistas têm carta-branca para gozar as benesses do poder. Os ideológicos, cúmplices ou lenientes com o apetite dos fisiológicos, recebem deles o passaporte parlamentar para avançar no seu projeto de poder.

Tarso escolheu um momento ruim para investir contra a imprensa, pois recentemente se tornou público um vídeo em que a deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF) aparece recebendo um maço de dinheiro das mãos do delator do mensalão do DEM, Durval Barbosa.

Barbosa, recorda o jornalista Fernão Mesquita, "é o pivô do "mensalão do DEM", aquele no qual tombou sob o fogo das lentes indiscretas da Polícia Federal lulista o governador José Roberto Arruda, em manobra arquitetada para mostrar que isto de "mensalões" não é exclusividade do PT e, assim, animar as "excelências" a aprovar, em unanimidade suprapartidária, uma saída de emergência para "mensaleiros" pegos em flagrante escaparem da cassação".

Foi rigorosamente o que aconteceu. A nova legislação é uma bofetada na cidadania. Diz pura e simplesmente: quem roubar em cargo público só pode ser punido por malfeito flagrado no mandato em exercício. Ficam impunes as roubalheiras praticadas em mandatos anteriores.

Não foi a primeira vez que Jaqueline Roriz esteve envolvida em escândalos. Há precedentes. Suas impressões digitais apareceram em achados da Polícia Federal já em 2006. Mas o que salta à vista de qualquer praticante de empenhos investigativos, sublinha Fernão Mesquita, é que a deputada Jaqueline Roriz "possivelmente não seria eleita em 2010 para o cargo que lhe garante a impunidade de seus crimes anteriores se o filme que a mostra praticando um deles em 2006, desde então dormindo nas gavetas da Polícia Federal lulista à espera de um momento conveniente, tivesse sido divulgado antes" (www.vespeiro.com). É isso que cabe à imprensa. Mostrar o que sonegam. Desnudar o verdadeiro substrato dessa sucessão interminável de escândalos.

É um erro, um grave equívoco, minimizar a gravidade da corrupção. O Brasil está bombando. O desenvolvimento absolve todos os pecados. O crescimento da economia é uma viseira que impede um olhar mais profundo sobre o País que queremos construir. O custo humano e social da corrupção é assustador. A dinheirama que desaparece no ralo da corrupção é uma tremenda injustiça e um câncer que, aos poucos e insidiosamente, vai minando a República.

A corrupção, independentemente do seu colorido partidário, precisa ser duramente combatida. É ela que empurra a juventude desempregada para o consumo e o tráfico de drogas. É ela que abandona os idosos que são maltratados nas filas de uma saúde pública de baixíssimo nível. Saúde para todos. Maravilha. Mas que tipo de saúde? Educação para todos. Formidável. Mas que tipo de educação? O Brasil é VIP na economia, mas é o único entre os emergentes sem universidades top de linha. É o que mostra o novo ranking divulgado pela Times Higher Education (THE), a principal referência no campo das avaliações de universidades no mundo.

A um projeto autoritário de poder o que menos interessa é gente educada, gente que pense criticamente. Multiplicam-se universidades, mas não se formam cidadãos: homens e mulheres livres, bem formados, capazes de desenvolver seu próprio pensamento, conscientes de seus direitos e de seus deveres.

O Brasil pode morrer na praia de uma economia florescente, mas sem um projeto sério de educação. Só a educação de qualidade será capaz de preparar o Brasil para o grande salto. Deixarmos de ser um país exportador de commodities para entrar, efetivamente, no campo da produção de bens industrializados.

Para isso, no entanto, é preciso o acicate de uma imprensa independente e que vá além dos episódios pontuais. Uma imprensa desmistificadora de relatórios oficiais. Um jornalismo capaz de fazer a correta leitura de números, estatísticas e documentos. Impõe-se a prática de um jornalismo que não se vista com as lantejoulas do último escândalo denunciado, mas que saiba o que está no fundo da impunidade.

O governador Tarso Genro está equivocado. A imprensa não ameaça a democracia. O que, de fato, compromete a democracia é a banda podre da política brasileira.


DOUTOR EM COMUNICAÇÃO, É PROFESSOR DE ÉTICA E DIRETOR DO MASTER EM JORNALISMO








domingo, 19 de dezembro de 2010

A IMPRENSA SOB ATAQUE.

Há não muito tempo, uma professora de Jornalismo de São Paulo foi convidada por um órgão do Espírito Santo para dar uma palestra sobre imprensa e violência, no auditório da Rede Gazeta. Chegou com a pompa dos sábios. E soltou algumas das maiores asneiras já perpetradas no auditório da Rede. Entre outras, ela disse: "Nós sabemos como funcionam as Redações. Final de noite, um editor de um jornal liga para outro e pergunta se ele não tem algo para ajudá-lo a fechar a primeira página..."


Assustador não é uma professora falar uma bobagem dessas, sem noção do nível de concorrência existente em todas as Redações. Assustador é o fato de essa ideia ter, de certa forma, ganhado contornos definitivos em grande parte da sociedade, notadamente durante o governo Lula. Para boa parte dos consumidores de informação, existe mesmo uma espécie de telefone vermelho na sala de cada diretor de Redação, acionado sempre que necessário. Ele colocaria em contato todas as Redações do país e é tirado do gancho para os mais diversos assuntos. Do noticiário sobre futebol às notícias a respeito da falta de verbas em prefeituras, da cobertura do último escândalo oficial ao relato sobre a mais recente opinião do papa sobre o aborto, a atuação da imprensa (principalmente da chamada grande imprensa) vem sendo colocada sob suspeita constante. E injustificadamente.

Há uma evidente ideologização nesse movimento. E ela acontece por um fato inquestionável: diante de uma oposição praticamente inexistente, coube à imprensa a tarefa, fundamental, de ser o único contraponto ao governo Lula. O presidente e seus aliados nunca se conformaram com isso, afinal, a estupenda popularidade do presidente o colocaria num patamar de intocabilidade. Não é assim e não pode ser assim. A unanimidade só não é mais tacanha do que a pretensa sapiência de quem imagina poder fazer palestras sobre assunto sobre o qual nada sabe. 2010 será um ano marcado pelo emburrecimento do debate nacional. E, sob esse aspecto, é um ano para ser esquecido.

Antonio Carlos Leite

A Gazeta.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

LULA SE IRRITA COM REPÓRTER E DEFENDE SARNEY.

- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou profundamente irritado, nesta tera-feira, 30, em Estreito (MA), com uma pergunta do Estado sobre sua relação com o grupo do senador José Sarney (PMDB-AP) no Maranhão. A reportagem indagou se a visita era uma forma de "agradecer o apoio da oligarquia Sarney" ao seu governo. Para Lula, a pergunta foi "preconceituosa".


"Agradeço, agradeço... e a pergunta preconceituosa como esta é grave para quem está há oito anos cobrindo Brasília. Demonstra que você não evoluiu nada. O presidente Sarney é presidente do Senado... preconceito é uma doença. O Senado é uma instituição autônoma diante do Poder Executivo, da mesma forma o Poder Judiciário. O Sarney colaborou muito para a institucionalidade. E ademais é o seguinte: o Sarney foi eleito pelo Amapá, eu não sei por que o preconceito. Você tem de se tratar, quem sabe fazer uma psicanálise para diminuir o preconceito", disse o presidente ao repórter.

Irritado, Lula ainda mencionou o palhaço Tiririca, eleito deputado federal. "Se você tiver que fazer algum protesto você vai para o Amapá, porque foi lá que o povo elegeu Sarney. E vai para São Paulo, porque o povo elegeu Tiririca. Na medida que a pessoa é eleita e toma posse, ela passa a ser uma instituição e tem que ser respeitada", afirmou, dirigindo-se ao repórter.

Durante a resposta de Lula, a governadora Roseana Sarney interveio. "É preconceito contra a mulher. Eu fui eleita governadora do Maranhão para tomar conta do povo", no que Lula emendou: "Sarney não é o meu presidente. Ele é o seu presidente do Senado, ele é o presidente do Senado deste País. Eu lamento que não tenha tido evolução (da imprensa)".

O presidente Lula virou aliado fiel de Sarney durante seu mandato de presidente. Em julho de 2009, articulou para que o PT recuasse da decisão de apoiar o afastamento do senador da presidência do Senado, após as revelações, pelo Estado, de envolvimento dele no escândalo dos atos secretos da Casa, e demais irregularidades, dentre elas a fraude na Fundação José Sarney com dinheiro da Petrobrás.

Em entrevista ao Estado em fevereiro, Lula saiu em defesa de Sarney e afirmou que o defendeu porque o governo precisava dele no Senado.

"Agora, quem governa é que sabe o tamanho do calo que está no seu pé quando quer aprovar uma coisa no Senado", disse Lula. "Das acusações que vocês (o jornal) fizeram contra o Sarney, nenhuma se sustenta juridicamente e o tempo vai provar. O exercício da democracia não permite que a verdade seja absoluta para um lado e toda negativa para o outro lado", afirmou na entrevista.

Humildade. Mais cedo, o presidente havia feito um discurso atípico, no qual reconheceu que antecessores não tiveram as mesmas condições que ele ao assumir o comando do País. "Eu tenho consciência que outros presidentes da República não tiveram as mesmas condições que eu", afirmou. "O presidente Sarney pegou o Brasil em época de crise. O Fernando Henrique Cardoso, mesmo se quisesse fazer, não poderia, pois o Brasil estava atolado numa dívida com o FMI. Quando você deve, tem até medo de abrir a porta e o cobrador te pegar", afirmou Lula.

As declarações foram feitas em um discurso de improviso durante visita ao canteiro de obras da usina hidrelétrica de Estreito, na divisa do Maranhão com Tocantins. Ainda em tom de humildade, o presidente observou que a inauguração da obra ficará mesmo para o governo de Dilma Rousseff. "É a Dilma que virá inaugurar, mas eu tinha que vir para fechar a comporta, pelo menos", declarou o presidente.

Lula disse que precisou desmarcar três visitas à obra por causa de problemas nas áreas ambiental e social. Comunidades ribeirinhas denunciam que estão sendo prejudicadas pela construção da usina. O presidente afirmou que recentemente foi firmado um acordo entre o consórcio Estreito Energia, construtor do projeto, com o movimento de atingidos pelas barragens. Pelo acordo, a empresa se responsabilizará por garantir a realocação das famílias e criar condições para que os pescadores continuem suas atividades. "Eu não queria violência com qualquer pessoa", declarou Lula.

Fonte: O Estadão. http://bit.ly/grARVG

domingo, 10 de outubro de 2010

A IMPRENSA É LIVRE MAS NÃO É BOA. EDITORIAL DA FOLHA.

A imprensa é livre no país, ressaltou o ministro da Comunicação Social da Presidência, Franklin Martins. “O que não quer dizer que seja boa”, apressou-se em acrescentar.


Certamente não é boa.

Não foi boa, por exemplo, para o então presidente Fernando Collor de Mello, hoje aliado do PT, quando se revelaram os escândalos que vieram a resultar no seu impeachment.

Não foi boa quando noticiou a compra de votos de alguns parlamentares para aprovar a emenda constitucional que veio a instituir o direito à reeleição, então defendido por Fernando Henrique.

Não foi boa quando revelou o esquema do mensalão, o caso dos aloprados, a trama para expor o sigilo bancário do caseiro Francenildo e as atividades da família de Erenice Guerra, entre outros casos que pontuaram o governo lulista.

Em viagem à Europa, onde afirma colher subsídios para a criação de um marco regulatório na área de comunicações, o ministro Franklin Martins tem, portanto, motivos para reclamar de uma imprensa alheia à notória parcialidade com que costuma pautar as suas avaliações.

Seu comentário merece ser catalogado junto com reclamações de teor equivalente, feitas pelos governistas de todas as épocas.

Dois aspectos, entretanto, requerem atenção. O primeiro é que, neste final de governo, ainda exista empenho em engajar o Executivo num tema que mereceria antes de tudo ser objeto de uma iniciativa do Congresso.

O segundo, e mais importante, é o que revela da reiterada disposição por parte de representantes do PT de exaltar a liberdade de imprensa para em seguida assestar novos ataques a quem publica o que o governo gostaria de ocultar.

No triunfalismo que antecedeu a divulgação dos resultados eleitorais, o presidente Lula elevava a voltagem de suas provocações à imprensa. Diminuíram com a notícia de que haveria um segundo turno. Mas o inconformismo permanece -e o ministro novamente o manifesta. Não será uma breve viagem a países europeus que irá civilizá-lo quanto a isso.