Mostrando postagens com marcador protestos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador protestos. Mostrar todas as postagens

domingo, 14 de julho de 2013

A CONTA DO DESCASO VIRÁ NAS URNAS


De quem é a culpa pela explosão de insatisfação que tomou o país e que, aqui no Estado, resultou na ocupação da Assembleia por centenas de jovens? Do Poder Executivo? Do Legislativo? Ou será das relações frágeis, estabelecidas sobre acordos nem sempre tão fiéis, que há décadas guiam a política? Não existe, até aqui, uma resposta exata. Mas fato é que, diante da multidão que passou a gritar suas críticas livremente, membros dos altos escalões passaram a jogar no colo de “companheiros” a culpa pelo que de errado há nos cenários nacional e local.
Vejamos: na última semana, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o ministro da Educação Aloizio Mercadante, alçado ao posto de homem forte do governo Dilma, disse que “o voto vai cobrar caro” do Congresso pela falta de respostas às manifestações. Referia-se a um conjunto de medidas que adormeceram em gavetas por anos e que, agora, são aprovadas indiscriminadamente.

Mercadante, que nem médico é (e que de Educação fala pouco) diagnosticou que a culpa pelos protestos é dos parlamentares e, de quebra, atacou de futurologista. “Acho que vai ter uma renovação forte no Congresso se o Congresso não ouvir esse sentimento que está na rua”, disse.

O fiel escudeiro da mandatária do Planalto esqueceu-se das emendas jamais liberadas para a base, do modelo “trator” que a petista adota ao tratar seus aliados e das “n” vezes que o PT de Lula comprometeu-se em modificar a política e tirar projetos megalomaníacos do papel sem ter, ao menos, vontade de cumprir compromissos.

Algo semelhante acontece por aqui. O Palácio Anchieta afirma, sem titubear, que ali habita o “governo do diálogo”. Mas a ampla base na Assembleia diz que não é ouvida. O governador Renato Casagrande (PSB) prega equilíbrio nas relações, mas segundo um influente parlamentar, no episódio da ocupação “não fez nenhum movimento para desarmar a bomba”.

As relações se mostram, como pode-se notar, como de “gato e rato”. Enquanto o Executivo (aqui e em Brasília) traça seus planos confiando na vantagem numérica que mantém na base, no Parlamento planos são costurados, entre aliados e adversários, para fazer valer vontades nem sempre baseadas no bom diálogo.

Enquanto os poderes não se resolvem entre si, os problemas do dia a dia vão se acumulando; obras estruturantes se arrastam, os preços nos supermercados são cada dia mais altos, impostos sobem, mas os serviços públicos não melhoram. O povo, que aperta o “confirma” na urna, fica à parte dessa relação. Mas os fatos recentes mostram que isso tende a mudar. Tomara!  


Praça Oito - A Gazeta

quarta-feira, 26 de junho de 2013

DE REPENTE ELES FICARAM BONZINHOS, CUIDADO!!!

PROTESTOS: De repente, com medo das ruas, instituições se põem em movimento e políticos viram bonzinhos — mas há capitulações perigosas diante do radicalismo e da demagogia



Deputados comemoram rejeição da emenda que restringia poderes do Ministério Público. De gravata vermelha, o líder do PSDB, deputado Carlos Sampaio (SP), membro do MP de São Paulo (Foto: Isabel Braga / O Globo)
Amigas e amigos do blog, é uma coisa espantosa: como num passe de mágica, por temor das ruas e também por esperteza, começa a haver uma enorme movimentação por parte de políticos, governantes e ocupantes de outros cargos públicos por mudanças — nem que seja apenas de atitudes.
Há providências de efeito imediato, há promessas claramente demagógicas, há outras razoáveis, há algumas que podem não dar em nada, mas que sinalizam na direção certa, e há, também, atos de capitulação diante de grupos radicais.
Sem nos preocupar necessariamente com a ordem de importância, vamos dar alguns exemplos:
1. Fim da ameaça ao Ministério Público. A Câmara dos Deputados rejeita espetacularmente a PEC-37, a proposta de emenda constitucional que castrava atribuições investigativas do Ministério Público — uma das poucas instituições ainda respeitadas “neztepaiz” — por 420 v0t0s a 9, quando até dias atrás havia um vasto apoio à medida, que claramente se destinava a encurralar e retaliar o MP por sua ação recente e enérgica, especialmente no caso dos mensaleiros.
2. Cadeia para o deputado, já. O Supremo Tribunal Federal reconhece nesta quarta-feira que a condenação do deputadoNatan Donadon (PMDB-RO) é definitiva e determina a expedição do mandado de prisão contra ele.
É medida histórica, por tratar-se do primeiro caso em que um parlamentar no exercício do mandato tem a prisão determinada pelo Supremo desde 1988, quando entrou em vigor a atual Constituição.
Donadon fora condenado a mais de 13 anos de cadeia já em 2010 pelos crimes de peculato e formação de quadrilha, mas desde então vinha empurrando a prisão com a barriga com uma bateria de recursos. Por 8 votos a 1, o Supremo resolveu que se tratavam apenas de recursos protelatórios e mandou prendê-lo. Parece um recado do que pode ocorrer com os mensaleiros.
3. Acaba o anonimato na votação de cassações. Mais uma medida de deputados “bonzinhos”: a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou proposta de emenda à Constituição instituindo o voto aberto dos parlamentares em processos de cassação de mandato. Ainda falta a aprovação pelo plenário, em dois turnos, e, depois, pelo Senado, nas mesmas condições.
Mas é outra reivindicação da sociedade que estava há anos sendo cozinhada no Congresso. Agora, por medo ou esperteza, está indo adiante.
4. Que haja candidatos sem partido. O presidente do Supremo Tribunal, ministro Joaquim Barbosa, visita a presidente Dilma no Palácio do Planalto e sai dizendo que “o povo cansou de conchavos”, que “chega”, e propõe que, nas eleições, candidatos avulsos, sem ligação com os partidos políticos que a rua repudia, possam se apresentar.
5. Renan, acuado, lança agenda e quer trabalho no recesso. O presidente do Senado, Renan Calheiros — fingindo que não a exigência de que renuncie ao cargo está na boca e nos cartazes dos manifestantes — indica que o recesso de julho do Congresso poderá ser suspenso, para que o Legislativo trabalhe nas férias, e desfia uma série de 17 propostas, inclusive a instituição de passe livre para estudantes de todo o país, com parte do dinheiro que virá do pré-sal.
Demagogia barata e concessão absurda aos garotos extremistas do tal do Movimento Passe Livre (MPL), como se pode ver.
Se estudante pode ter passe livre, por que não também o trabalhador? E o desempregado? E o portador de deficiência física? E aposentado que ganha pouco? A velha visão do coronel alagoano de que o Estado deve ser sugado por todos os lados prevaleceu. E daqui a pouco o dinheiro do pré-sal vai acabar antes que o petróleo saia do fundo do mar.
6. Transporte vira “direito social”. Quem paga? Em outra concessão ao Movimento Passe Livre, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou correndo uma proposta de emenda constitucional que inclui os transportes entre os “direitos sociais” dos brasileiros. É a velha história: o Congresso é pródigo em conceder direitos, sem esclarecer bem que os pagará, e extremamente econômico em fixar deveres. Outra capitulação aos gatos pingados radicais do tal MPL.
7. Médicos de toda parte, por toda parte. De repente, como se caísse do céu, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha — que quer ser candidato do PT ao governo de São Paulo — anuncia que vão ser criadas 14 mil vagas de residência médica “neztepaiz”. Pergunta-se porque não se criou antes, se eram (como são) necessárias.
E os médicos estrangeiros, que eram 6 mil cubanos, agora subiram para 10 mil. Compreensivelmente, entidades médicas de todo o país preparam uma greve geral.
8. Os radicais do MPL ganhando mais status. O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), lança um “pacto de transparência” na área de transportes, diz que vai permitir o acesso dos interessados aos números dos contratos com as empresas de ônibus, permite que sua base parlamentar deixe ser aprovada uma CPI dos Transportes na Câmara Municipal e, em outra concessão ao MPL, deverá integrá-lo num Conselho Municipal de Transportes que incluirá membros da “sociedade civil”.
9. Sem-teto no palácio. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, recebe uma comissão de sem-teto no Palácio dos Bandeirantes e, entre outros compromissos, assume o de elevar de 300 para 400 reais por mês o auxílio-aluguel pago a quase 2.000 famílias da Grande São Paulo que aguardam moradia dos programas estaduais de construção de casas.
O governador já recuara no aumento dos preços das passagens do metrô e dos trens urbanos e suburbanos e, igualmente, fizera acordo com as concessionárias de rodovias estaduais para que não aumentassem o valor dos pedágos. Os cofres estaduais serão sacrificados nos três casos.
Ricardo Setti - Veja

sábado, 22 de junho de 2013

UMA MARCHA PARA A HISTÓRIA

Editorial

Há muitas incertezas em torno do futuro das manifestações que estão acontecendo por todo o país. Intelectuais das mais diferentes matizes se revezam na mídia tentando encontrar explicações para o fenômeno que vem das ruas, cujo antro de articulação e mobilização parte de algo extremamente frenético e imponderável: as redes sociais. 
Quem vem acompanhando atentamente a cobertura da imprensa sobre os protestos, com certeza já ouviu ou leu as mais diferentes teses sobre as manifestações. 
Já se falou de tudo um pouco. Houve quem criticou o movimento pela falta de foco; os que condenaram seu caráter exclusivo, não permitindo a participação de agremiações políticas nas marchas; outros ainda que reclamaram comando ao protesto, alegando que sem lideranças o movimento tende a sucumbir e esvaziar. E por ai vai...
Enquanto os intelectuais de plantão quebram a cabeça para entender o fenômeno, os manifestantes seguem exibindo seus cartazes, soltando seus gritos de guerra e planejando novos protestos prometendo quebrar recordes de participação. 
Polêmicas à parte, um ponto é consensual: impressiona a capacidade de mobilização do movimento. O caso de Vitória, em especial, é ainda mais emblemático. 
Comparando a manifestação de Vitória com a de outras capitais, podemos dizer, seguramente, que a Capital capixaba levou, proporcionalmente, o maior número de manifestantes para as ruas.
Considerando que a população da Capital capixaba é de 327 mil habitantes e, segundo a PM, 100 mil estavam nas ruas nessa quinta-feira (20), podemos dizer que quase um terço dos moradores de Vitória trocou o sofá pelo asfalto. 
Os mais ponderados irão dizer que no protesto havia gente de Vila Velha, Serra, Cariacica e até de Viana. Tudo bem. Mais o grosso mesmo veio de Vitória. 
Para atestar a pujança do protesto capixaba é só comparar os números. O Rio de Janeiro levou mais de 300 mil; São Paulo 110 mil e Vitória 100 mil. Respectivamente, esses números representam 4,7%, 0,97% e 30% das populações dessas capitais.
Por trás do retumbante número capixaba pode estar a vontade de democracia represada durante os dois mandatos (2003 – 2010) do governo Paulo Hartung, que fez uma gestão marcada pelo autoritarismo e não deu espaço algum para os movimentos populares. Ao contrário, a Era Hartung asfixiou as lideranças comunitárias que ousaram criticar seu governo e cooptou os mais vulneráveis, que acabaram trocando suas causas por favores políticos. 
A participação maciça dos capixabas revela essa vontade reprimida de participação popular, que ainda não teve ressonância nos dois anos e meio do governo socialista de Renato Casagrande, como muitos esperavam.
Por enquanto, a única autoridade no Estado que desceu literalmente as escadas do poder para dialogar com a massa foi o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Pedro Valls Feu Rosa. Como ele mesmo disse, “a voz das ruas merece o máximo respeito por parte das autoridades constituídas”.
Que fique o exemplo para os que ainda não acordaram.

Século Diário

FOI PRA RUA !

Os últimos dias mudaram o status do país e aquele que estava “deitado eternamente em berço esplêndido”, mostrou que “o filho teu não foge à luta”. Em todo o país, milhões formaram uma só voz que convocava: “Vem pra rua!”. E o povo foi, compondo a maior manifestação da história do país.

As redes sociais agregaram as ideias e uniram causas. Desta vez, viu-se um movimento pacífico, espontâneo, que rejeitava a violência, partidos e trampolins políticos. O povo desta semana não era o mesmo de onze dias atrás, quando tudo começou em São Paulo. Aí está o instigante: em questão de dias, tudo se transformou! As causas se expandiram para além dos 20 centavos. A conduta partidária do início, agora é barrada pelos novos manifestantes. Os vândalos dos primeiros atos são agora enfrentados pela voz da nova maioria. Por isso, em meio à Copa, a rua tornou-se “a maior arquibancada do Brasil”.

Na semana passada, expus aqui críticas acerca dos movimentos iniciais de São Paulo, onde PSTU, PSOL e PT buscavam conduzir os atos, e grupos violentos tentavam tomar a frente, esquecendo-se das causas e orquestrando conflitos. Opus-me, pois, às ações violentas e oportunistas que afastam os bem-intencionados das ruas.

Logo viu-se a velocidade dos tempos que vivemos. Num fim de semana a depredação deu lugar ao ativismo das massas, a falsa sensação de bem-estar econômico ruiu e as feridas foram expostas. Para ver que tudo é novo, basta questionar-se: a partir de quando você, leitor, aderiu ao movimento?

Agora parece que, enfim, “o Gigante Acordou”. Mas, embora manifestações marquem a história, somente elas não a mudam. Para tal, é preciso informação, constante participação e a vigilância política para que as chances de mudança não se percam num desencantamento que, aos poucos, disperse a multidão. Falando nisso, você que foi às ruas, lembra em quem votou nas últimas eleições, certo?

A incoerência não é bem-vinda. De nada adianta contestar a Copa e manter-se vidrado nos jogos da seleção. Ir para passeatas como um evento social que rende fotos para o Facebook também não ajuda. Muito além do modismo politizado, é preciso elencar causas práticas, objetivas, e aproveitar o levante para fomentar a conscientização. Um governo não sofre impeachment tendo o Congresso ao seu lado, e este vive a podridão, pois, como disse um cartaz, “O povo age como leão, mas vota como jumento”.

Infelizmente, há vândalos que, junto das pedras e bombas, arremessam toda a massa cinzenta do cérebro, como os que depredaram lojas, o pedágio e o Tribunal de Justiça. A ação, porém, não pode desanimar os bem-intencionados. Vitória fez história, com 100 mil pessoas! Um terço da população foi às ruas, e apenas 200 eram bandidos. Portanto, como já aconteceu, o povo pode, sim, impedir tais ações, contando com o apoio policial à paisana.
Muito além do modismo politizado, é preciso elencar causas práticas, objetivas, e aproveitar o levante para fomentar a conscientização
Após escrever um capítulo nos futuros livros, agora muitos se mostraram desiludidos por nem tudo sair como o planejado. Infelizmente, isso faz parte, assim como as variadas formas de pensamento e ideologia. Estranho seria se, num mundo de 100 mil, todos agissem e pensassem da mesma forma.

Triste seria abater-se por conta de poucos. Ora, não estampamos o #MudaBrasil? Que mudança é essa que se abate tão fácil e desiste em uma semana? Não podemos perder para nós mesmos. Raposas políticas já apostam na dispersão do movimento. E aí, daremos razão a elas?

Enquanto os novos desafios se revelam, a esquerda segue inquieta e temerosa por não conduzir os atos e ver que o povo não sente sua falta. Finalmente o protagonista virou povo, e não uns poucos donos da verdade. Em tempos de Copa, valem termos futebolísticos: “Entramos em campo. Agora ninguém segura”.

A próxima semana é imprevisível. Mas alguém aí estava satisfeito com o previsível passado que vivíamos? Assim, para enfrentar o que a história nos guarda, vale um provérbio: “Pessoas simples, fazendo coisas pequenas, em lugares pouco importantes, conseguem mudanças extraordinárias”. Então, muda Brasil!

Gabriel Tebaldi, 20 anos, é estudante de História da Ufes

sexta-feira, 21 de junho de 2013

A PERGUNTA DAS RUAS

O Estado de S.Paulo
Perplexos como toda a gente diante da força da onda de protestos que se espraiaram pelo País contra o aumento das tarifas de transportes urbanos, em primeiro lugar, os governos dos maiores Estados e municípios brasileiros, São Paulo e Rio de Janeiro, seguindo o exemplo de numerosos outros, capitularam na quarta-feira, 13 dias depois da eclosão das primeiras manifestações na capital paulistana. Os bilhetes voltaram a custar, respectivamente, R$ 3 e R$ 2,75, abolidos, nos dois casos, os execrados R$ 0,20 de aumento que desataram a ira geral - e acrescentaram ao vasto repertório brasileiro de siglas o MPL do Movimento Passe Livre, que defende o transporte coletivo gratuito e promete persistir na pregação.
O recuo mais dramático foi o do prefeito petista da capital, Fernando Haddad. Na véspera da rendição, não apenas a sede da municipalidade foi atacada por um bando de vândalos, como o prédio onde ele mora com a família esteve perto de ser invadido por agressores que o chamavam, entre outras coisas, de "covarde". Na manhã seguinte, ele foi o oposto disso.
Com um desassombro raro entre os governantes de quaisquer partidos, chegou a dizer que a redução das tarifas seria "uma decisão de caráter populista". O que ele queria era que o governo federal bancasse, de alguma forma, o custo da medida que a presidente Dilma Rousseff e o patrono de ambos, Luiz Inácio Lula da Silva, o pressionavam a tomar.
Instruído pela chefe, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse não. A Prefeitura que ajustasse o seu orçamento e os seus programas às receitas de que teria de abrir mão - R$ 200 milhões já este ano. Isolado, Haddad ainda teve o dissabor de receber uma ligação do prefeito peemedebista do Rio, Eduardo Paes, de quem ouviu que "não aguentava mais" e resolvera ceder. Do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, tampouco tinha algo a esperar. Ele argumentou que as coisas só ficariam piores sem a diminuição das passagens (que incluem as do metrô e trens de subúrbio, de alçada do Estado). O retrospecto dos dias recentes decerto lhe dava razão.
Mas o prognóstico pessimista não há de ter sido o principal fator de seus cálculos - nem nos de todos os demais protagonistas, a começar da presidente que tem em comum com o tucano o fato de serem candidatos à reeleição nas suas esferas. No Rio, o governador Sérgio Cabral já não pode sê-lo, mas joga o seu futuro na candidatura do vice Luiz Fernando Pezão, a ponto de condicionar o seu apoio a Dilma à desistência do aspirante petista, senador Lindbergh Farias. Nas democracias de massa não há como ser diferente: a urna é a servidão dos políticos, e a racionalidade das planilhas é levada de roldão quando o sentimento popular se exprime com a súbita contundência destes dias de som e fúria.
Ela faz supor que a remoção dos R$ 0,20 talvez não equivalha à retirada do proverbial bode da sala, após o que os moradores se resignam a conviver com as mazelas de que tanto reclamavam antes de tudo ficar pior. As concentrações podem refluir por fadiga do material de que se compõem - embora poucos pareçam se dar conta do quanto são, numa palavra, divertidas para quem delas participa, principalmente se não tiver de acordar cedo no dia seguinte.
Mas há na atmosfera a forte impressão de que os protestos expuseram o nervo da demanda compartilhada pela imensa maioria das populações urbanas pela mudança no quadro de descalabro cotidiano que estão fartas de suportar.
Começando pelo detonador das passeatas: desde ontem, no Rio, e a partir de segunda-feira, em São Paulo, as tarifas voltaram ou voltarão ao que eram; mas a qualidade do transporte continuará péssima, em meio a engarrafamentos cada vez maiores e mais duradouros, o que apenas prolonga o suplício dos usuários. As manifestações, apesar do seu intolerável componente de violência - à qual o grosso dos participantes, justiça se lhe faça, se opôs -, tiveram a virtude de lançar em campo uma oportuna e inconveniente pergunta para os detentores do poder: se eles se dispõem a investir bilhões para fazer uma Copa com o "padrão Fifa", por que não adotam o mesmo critério, com a mesma urgência, para melhorar os serviços públicos?

Editorial de O Estado de São Paulo

DESESPERO TOTAL



O imobilismo político de Dilma Rousseff como chefe de Estado e de governo é de tal modo impressionante, que a petista decidiu conversar, ainda nesta sexta-feira (21), com os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Henrique Eduardo Alves e Renan Calheiros, respectivamente, e com o senador José Sarney, caudilho que domina com mão de ferro, há cinco décadas, o mais miserável estado brasileiro, o vilipendiado Maranhão. Da conversa participará também o vice-presidente Michel Temer.

Essa postura que denota extrema insegurança evidencia o descontrole político que ronda o País, terreno fértil para golpes totalitários e ações de extremistas.

É inconcebível que Dilma Rousseff precise se aconselhar com os dirigentes do Legislativo federal, que na última década foi vexatoriamente atropelado pelo Executivo no embalo do som surdo da negociata.

A situação do País torna-se cada vez mais preocupante à medida que se prolonga o silêncio covarde e irresponsável de Dilma Rousseff, que nos bastidores está enfrentando a sordidez que sempre se faz presente nos momentos de crise.

Abrir frentes de diálogo com políticos que estão na pauta dos protestos – e frequentam as críticas diuturnas da população – servirá para incendiar de vez o movimento que por enquanto é passível de ser controlado com ações efetivas e sem discursos populistas. Por questões óbvias, até porque o governo é fraco e sem comando, os manifestantes têm encontrado o caminho livre para recrudescer os protestos.

Mais algumas horas e a situação pode se tornar irreversível, o que não é bom para a democracia, uma vez que pode entrar em cena uma alternativa indesejável e que fere de morte o Estado Democrático de Direito.

Fonte: Ucho.Info

BRASIL, UM PAÍS FÊNIX

Cada um protesta como pode, como acredita que deve. O meu protesto é por meio das palavras, sempre na esperança de que alcancem algum político que não seja analfabeto funcional. Mais do que isso, precisa ser um político idôneo e isso, embora possível, talvez seja o mais improvável.
Porém, um improvável possível depois do que assistimos ontem. Eu, particularmente muito feliz naqueles instantes, porque o povo me devolveu ali o orgulho de ser brasileira.

O Gigante Brasil acordou! Um país Fênix! Que coisa fantástica. Emocionante. Quero crer que os que foram às ruas sabiam pelo que protestavam, pois foi comovente assisti-los caminhando, uma massa gigantesca, sem violência, em tantas cidades brasileiras. Lamentavelmente, como sempre, alguns vândalos para manchar a bandeira da democracia, da união de um povo que cansou de ser explorado, que acordou de um pesadelo. O pesadelo da corrupção.

Que esse pesadelo se transforme no sonho de um país fortalecido pelos direitos dos cidadãos. Direito à saúde, à educação, à segurança. Direito à liberdade de expressão, de ação. Direito à transparência governamental. Sem vândalos!

Vândalos dos dois lados: os que protestam com pedras e pichações e os que governam roubando e envergonhando uma Nação inteira com a própria impunidade.
É de respostas como esse protesto que o Brasil precisa. Não é de uma Copa do Mundo, muito menos de uma Copa das Confederações. É de jovens gritando por seus direitos na educação e na saúde e não de uma mídia que só enaltece o escândalo do quanto vale um jogador de futebol.

O Brasil não precisa de cadeiras confortáveis nos estádios; isso é só para inglês ver! O Brasil precisa de cadeiras de qualidade nas escolas! Isso é para o mundo ver!

O Brasil não precisa de jogadores que valem milhões. O Brasil precisa de professores que formem milhões de cidadãos dignos.

Aproveitando o termo escândalo, é de um mau gosto ímpar o fato do atual Ministro da Educação perguntar qual a relação entre museu e educação.

Para ele, talvez seja a mesma que há entre política e verdade, dinheiro público e honestidade, saúde e eficácia, educação e direito de todos, segurança e sociedade. Ou seja, nenhuma. Absolutamente nenhuma.

Mas para quem tem um mínimo de massa cinzenta, a pergunta é uma afronta, que sequer merece resposta. Com certeza, Sr Ministro, Museu é um local onde jamais estará seu nome e sua história, a não ser que seja criado um Museu da Ignorância e da Incompetência e ali sim, vários de seus colegas farão história também.

Pode um Ministro da Educação não ser formado em Educação? Por acaso algum Pedagogo seria Ministro da Economia? Só no Brasil passado, dos desacordados mesmo! Agora será diferente. Quero crer!

O Brasil acordou. Portanto, agora é chegado o momento em que o povo adormecido se une com força e garra para ter o país de volta, sob o controle da democracia, da legalidade, da educação, saúde e segurança para todos. Que essa luta alcance as urnas!

Esse é o momento em que os corruptos que dormiam, passeavam e roubavam em berço esplêndido, podem começar a gostar de algo além da pizza. Porque dessa vez não vai acabar em pizza. É só o começo!

Parabenizo a todos os educadores e pais que tiveram alunos e filhos nesse belíssimo protesto pela PAZ, pela Justiça, pela Não Corrupção, pela Dignidade de um Povo. Os jovens ali mostraram que são críticos, coerentes e que sabem ser civilizados. Postura essa que é fruto da Educação.

Uma parcela da população de um país enorme, mas foram GIGANTES e representaram uma nação cansada de bandalheira. Eu me senti representada por esse povo maravilhoso. Obrigada a cada um que saiu pelas ruas lutando pela nossa dignidade.

Quero crer que os políticos, analfabetos funcionais, tenham entendido a mensagem. Um povo que ficou dormindo, que ressurgiu das cinzas, um povo FÊNIX, do qual me orgulho muito!
 Lígia Fleury

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

PROTESTO EM VITÓRIA CONTRA A CORRUPÇÃO

Amanhã é dia de ir às ruas contra a corrupção. Manifestações em diversas cidades do país serão realizadas neste feriado visando despertar a população para a importância da educação política e do voto consciente. Em Vitória, a concentração será em frente ao Pier de Iemanjá, na Praia de Camburi, a partir das 15 horas.

A expectativa dos organizadores, que seguirão em caminhada até a Assembleia Legislativa, é que cerca de mil pessoas participem do ato com cartazes, nariz de palhaço e muita disposição de mudar a realidade política do Brasil.

Durante a manifestação, um grupo de organizadores vai colher assinaturas pelo apoio da Lei da Ficha Limpa, da queda do foro privilegiado de políticos, da quebra de sigilo fiscal de denunciados em escândalos de corrupção e a favor do voto aberto na Câmara e no Senado.

Fonte: A Gazeta

Reuri Stein e Guilherme Gouveia, ambos estudantes e organizadores do ato em Vitória, afirmaram que o objetivo é chamar a atenção da população e despertar o interesse pela política. "Queremos atingir o câncer da corrupção", disse Reuri.

A intenção do grupo, apartidário, é seguir com atos e realizar fóruns de discussões para debater o assunto.

Manifestações semelhantes vão ocorrer em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e outros 13 Estados.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

FAXINA NO BRASIL.

Quarta-feira, 7 de setembro de 2011. Não foi mais uma festa da independência, com desfile, continência e homenagem às autoridades da República. Foi diferente. Assistiu-se ao primeiro lance de um movimento de cidadania que tem tudo para mudar a cara do Brasil.

Convocadas pelas redes sociais, manifestações contra a corrupção atraíram pelo menos 30 mil pessoas em várias cidades do país, como Brasília, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

O maior ato foi em Brasília, onde a Marcha Contra a Corrupção reuniu na Esplanada do Ministérios cerca de 25 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, durante o desfile em comemoração ao Dia da Pátria. Os manifestantes apareceram com faixas, cartazes, vassouras representando a faxina na política, nariz de palhaço e roupa preta.

Entre os alvos do protesto, o Congresso Nacional, criticado pela vexatória absolvição da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), flagrada recebendo propina. O movimento cobrou punição dos envolvidos no mensalão do PT, aquele que ex-presidente Lula diz que nunca existiu.

A passeata ocorreu uma semana após o Congresso do PT deixar claro que não apoia nenhum tipo de faxina anticorrupção no governo e de considerar que esses movimentos eram parte de uma "conspiração midiática" e uma forma de promover a "criminalização generalizada" da base aliada ao Planalto.

Mas os manifestantes deixaram claro que não admitem a interrupção da faxina em nome da governabilidade. O poderoso PMDB e os partidos da base aliada sentiram a mordida da cidadania. O jogo começou e ninguém conseguirá parar no apito ou ganhar no tapetão.

Jovens, muitos jovens, exigiram a aplicação imediata da Lei da Ficha Limpa - que depende de julgamentos no Supremo Tribunal Federal (STF). As faixas tinham frases fortes e bem-humoradas.

Havia dizeres como: "País rico é país sem corrupção" (referência ao slogan do governo federal; "País rico é país sem miséria"). O povo, mais perspicaz do que se pensa, sabe que a dinheirama da corrupção está na raiz da pobreza dos brasileiros. Verbas públicas, desviadas da saúde, da educação, da agricultura, ergordam as contas dos parasitas da República e emagrecem a vida e a esperança dos brasileiros.

Um grupo de estudantes se destacou no meio da multidão com baldes e vassouras para completar a "faxina" anticorrupção do governo Dilma.

Os jovens foram "limpar" o Ministério da Agricultura, pasta envolvida no escândalo de corrupção que culminou na queda do ministro Wagner Rossi, do PMDB de São Paulo. "Vamos tentar ir além, já que parece que ela (Dilma) não está muito a fim de continuar com o serviço", disse o estudante Arthur Alves, de 20 anos. Sobrou para todo mundo. "Contra Sarney e sua gangue"; "Menos ratos e mais ratoeiras"; "Não precisa de CPMF, basta não roubar". O pessoal lavou a alma.

Depois dos protestos realizados no Dia da Independência, o jovens prometem mais. O Rio de Janeiro já prepara um grande evento para amanhã, a partir das 17 h, na Cinelândia.

O protesto, organizado pelo movimento "Todos Juntos Contra a Corrupção", criado em agosto deste ano nas redes sociais, também será realizado, simultaneamente, em São Paulo, Campo Grande, Recife e Manaus, entre outras capitais.

Depois, vem aí outra importante rodada de manifestações, marcada para 12 de outubro. Sobram motivos para acreditar que será maior e mais capilar.

A corrupção, infelizmente, sempre existirá. Ela é a confirmação cotidiana da existência do pecado original. Mas uma coisa é a miséria do homem; outra, totalmente diferente, é a indústria da corrupção.

Esta, sem dúvida, deve e pode ser combatida com os instrumentos de uma sociedade democrática. E o Brasil, não obstante os reiterados esforços de implosão da verdade (a mentira e o cinismo tomaram conta da vida pública) e de recorrentes tentativas de cerceamento da liberdade de imprensa e de expressão, ainda conserva importantes reservas éticas.

Vislumbro, nas passeatas da faxina verde-amarela, um reencontro do Brasil com a dignidade e a esperança.
Fonte: A Gazeta

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

DILMA CANCELA VIAGEM A MINAS PARA FUGIR DE PROTESTOS.



Constrangimentos – Até o final da tarde desta quinta-feira (15), a assessoria da Presidência da República não tinha certeza da viagem da presidente Dilma Rousseff (PT) a Minas Gerais, na sexta-feira. A viagem, que contemplará visitas a obras e anúncio de investimentos no “PAC da Mobilidade”, poderá ser cancelada por “falta de ambiente”. É que deverá ocorrer pelo menos três protestos de caminhoneiros, professores e operários.

As manifestações ocorrem em um momento complicado para a presidente Dilma, que há três semanas busca uma agenda positiva para contrapor às notícias dos escândalos que assolam seu ministério. Em nove meses de administração, cinco ministros foram obrigados a entregar a carta de demissão, já que quatro deles foram envolvidos em denúncias de enriquecimento ilícito, corrupção e uso indevido de verba pública.

Os professores da rede pública estadual, que estão em greve há cem dias, querem melhores salários e intentam aproveitar a presença de Dilma Rousseff para que a paralisação tenha repercussão nacional.
Na agenda da presidente está programada uma visita às obras do Mineirão, estádio que poderá receber alguns jogos da Copa do Mundo de 2014. Ocorre que os trabalhadores estão de braços cruzados. Hoje pela manhã, 900 trabalhadores fizeram manifestação dentro do canteiro de obras pedindo melhores condições de trabalho. A reforma faz parte de um esforço do governo federal em dotar o País de condições para receber a maior competição esportiva do planeta.

Dilma também poderá ver de perto as obras de um viaduto próximo a Belo Horizonte, na BR-381. A visita também está ameaçada porque caminhoneiros preparam um protesto contra o grande número de acidentes e mortes nas rodovias de Minas Gerais. A manifestação está sendo organizada para não chamar a atenção, mas o serviço reservado da Presidência já sabe que haverá mobilização significativa da categoria.

No sábado à noite, Dilma Rousseff deverá viajar para Nova York. Como primeira presidente do Brasil, será a primeira mulher a abrir um debate da Assembleia Geral das Nações Unidas, em ano “de turbulência incomum e alta ansiedade”, como afirmou nesta quinta-feira (15) o secretário-geral da organização, Ban Ki-Moon.

Mesmo nos Estados Unidos, Dilma poderá ser constrangida. É que um requerimento apresentado pelo senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) não permitiu a votação da Lei de Acesso à Informação. A mandatária brasileira participará justamente de um debate sobre transparência governamental.
Na manhã desta quinta, decidiu-se que a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional só deverá votar o projeto de lei da Câmara, que regulamenta o acesso a documentos governamentais, depois de receber resposta a um requerimento de informações sobre o tema, enviado ao ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, general José Elito Carvalho Siqueira.

A provocação do presidente da comissão, Fernando Collor, provocou um bate-boca com o líder da bancada do PT, senador Humberto Costa (PE). “Tivemos oportunidade de ouvir opiniões as mais diversas de dentro e fora do governo sobre o tema, que extrapola os limites de governo e oposição”, disparou Costa.

Fonte: Ucho.Info