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domingo, 18 de dezembro de 2011

ONDE FALTAM ESCOLAS, SAÚDE CULTURA, SOBRA VIOLÊNCIA


ES - Vila Velha - Sem Área de lazer, moradores do Bairro Barramares usam a rua sem pavimentação como campo de futebol

Na falta de um campinho, as traves improvisadas na rua são a alternativa para passar o tempo no bairro; o jogo é interrompido quando alguém precisa passar


Anny Giacomin

A cada semana, uma pessoa é assassinada na Grande Terra Vermelha, região de Vila Velha que concentra mais de 40 mil moradores em 12 bairros e 2,8% dos homicídios registrados no Espírito Santo. Um estudo feito pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) ajuda a entender a razão de o tráfico conseguir atrair tantos jovens. E porque é tão difícil deixarem essa realidade para trás.

O trabalho - feito a pedido do governo para subsidiar a implantação do Programa Estado Presente, que visa a reduzir os índices de violência no local - mostra que o desafio é enorme. Falta literalmente de tudo nos bairros que fazem parte de uma das áreas mais assoladas pelo medo no Estado.

A população é predominantemente jovem - metade tem até 24,7 anos e 44% têm entre 25 e 59 anos - mas faltam vagas no ensino médio e centros que ofereçam lazer e cultura. O estudo classifica como "precárias" as estruturas básicas de saúde, educação e saneamento no bairro.

Em 75% das escolas, há lixo em locais próximos; em 30%, esgoto a céu aberto. Além disso, quase 60% das unidades de ensino contam com bares por perto.

Vontade não basta O diagnóstico, que também envolve a realidade de Nova Bethânia, em Viana, revela que a precariedade é tanta que exige muito mais do que somente a vontade do poder público e o reforço na área de segurança para mudá-la.

Nessas áreas, viver sem perspectivas é a regra. Por causa das poucas vagas no ensino médio - que conta com apenas uma escola - muitos adolescentes abandonam os estudos quando terminam o ensino fundamental. Assim,
foto: Carlos Alberto Silva
ES - Viana - Erley Gaudino Neves, de 42 anos,  junto da esposa Alessandra Rodrigues Nascimento, de 27 anos, e os filhos. Eles são moradores do bairro Vale do Sol
Saúde? Onde?
A dona de casa Alessandra Nascimento, 27, sofre quando precisa levar os filhos ao posto de saúde da região de Nova Bethânia. Além de ter que andar 30 minutos a pé, ainda corre o risco de chegar lá e não ter médico. "É uma loteria, e tem vez que perdemos a viagem", critica ela.
arranjar emprego fica difícil.

Juliana (nome fictício), 21 anos, como a maioria dos jovens de Terra Vermelha, nunca chegou ao ensino médio. Diz que abandonou a escola na 7ª série, depois de ficar grávida.

Desempregada, passa o dia cuidando da casa - que fica em uma rua sem calçamento e bem próximo a um esgoto a céu aberto - e dos dois filhos, de 1 e 3 anos de idade.

Sua maior preocupação, hoje, é não deixar as crianças saírem de casa, por causa da violência. "Não tenho como deixar meus filhos brincarem nessa lama misturada com esgoto. Criar um filho aqui é sinônimo de ficar preso dentro de casa, enquanto os bandidos estão soltos", constata.

O medo é companheiro constante, e as alternativas são escassas. "É difícil. Não temos nada para fazer, um curso, uma praça. Por mais que tentem melhorar, aqui nunca terminam o que começam. Se um traficante acha que você está olhando torto para ele, vem e te mata", desabafa a jovem.

Juliana não está só. Assim como ela, a prima Roberta, de 20 anos, e boa parte dos 20 mil jovens que moram na Grande Terra Vermelha não frequentam a escola.

Além da falta de estrutura nas unidades de ensino, é comum na região a violência invadir a escola, com tráfico, roubos frequentes a professores, batidas policiais e tiroteios na rua.

Falta saúde

Problemas nas escolas de Nova Bethânia também existem. Mas muito maiores são os das unidades de saúde da região. Em todas as cinco, as paredes e telhados apresentaram mau estado de conservação. Em 80% há problemas na pintura, assentos, portas e janelas, banheiros, instalações hidráulicas e elétricas. Todas elas estão localizadas em locais próximos do tráfico de drogas.

A dona de casa Alessandra Rodrigues do Nascimento, 27, vive em Vale do Sol e sofre todas as vezes que precisa levar os filhos ao médico. São 30 minutos de caminhada até o posto mais próximo. "Eu e meu marido estamos desempregados. Se pudéssemos, nos mudávamos para um lugar melhor. Já passamos dificuldade, mas não temos muito o que fazer. Aqui pelo menos a casa é nossa".

A pior situação é a da unidade de saúde de Nova Bethânia. A estrutura foi condenada pela defesa civil municipal, mas continua funcionando. O banheiro dos funcionários está interditado por problemas no esgoto. Não há cozinha, refeitório, nem água para o consumo.

foto: Carlos Alberto Silva
ES - Vila Velha - Rua sem pavimentação e com esgoto aberto no Bairro Ulisses Guimarães
Em meio ao esgoto
A maioria das ruas de Terra Vermelha, além de não ser calçada, não tem rede de esgoto e funciona como um verdadeiro depósito de lixo, já que, segundo os moradores, não há coleta. "Isso aqui é um verdadeiro esgoto a céu aberto. Dá nojo", destaca Lívia, 20

SonhosOs filhos de Alessandra sonham com um campo de futebol e um lugar para brincar. Para ela, esse espaço de lazer é fundamental para manter as crianças ocupadas. "A gente tem medo de que eles se envolvam com coisa errada. Conversamos bastante, mas só Deus para livrá-los disso", diz a mulher.

Sem lugar, as crianças se divertem jogando bola na rua. A mesma coisa acontece em Barramares, Vila Velha, onde traves móveis improvisadas ajudam a matar o tédio nas tardes em que a bola rola. Mas o jogo tem que ser interrompido quando alguém passa pela rua.

Mudanças

Mudar cenários como os de Terra Vermelha e Nova Bethânia exige investimentos. E o secretário de Ações Estratégicas, André Garcia, reconhece que esse não é um processo rápido.

"Precisamos de um trabalho multidisciplinar, e proteção policial para sustentar isso. Estamos olhando para o problema. Trabalhamos com a perspectiva de que tudo esteja bem melhor em 2014, mas queremos que esse trabalho seja permanente", explica o secretário.

O diagnóstico do IJSN vai nortear o planejamento das ações a serem implantadas pelo Estado Presente. Para isso, o governo conta com a parceria das prefeituras e da iniciativa privada.

Já estão sendo entregues 400 casas populares em Jabaeté, Vila Velha, assim como foram desenvolvidos projetos e cursos de corte e costura nas regiões. Ruas estão para ser pavimentadas e serão construídos mais escolas e postos de saúde.

Anny Giacomin - A Gazeta
EnchentesMorador de Campo Verde, Viana, há 26 anos, o aposentado Ciro Garcia Vieira, 67, diz que adora o local. O problema, segundo ele, é quando chove. "Enche tudo de água aqui. As ruas não são calçadas, aí já viu, né?". Também falta rede de esgoto. "Cai tudo dentro do rio", lamenta ele.

Insegurança
Moradora de Ulisses Guimarães, Juliana, de 21 anos, não deixa que os dois filhos saiam de casa para brincar. "Tem tiroteio a todo momento, nunca se sabe. Melhor prevenir", diz a jovem, que abandonou a escola na 7ª série e hoje, desempregada, admite: "Não temos muitas perspectivas".

quinta-feira, 28 de abril de 2011

PAI DA OVELHA DOLLY CRITICA OPNIÃO DE JUÍZ SOBRE CÉLULA-TRONCO



O pai da ovelha Dolly, Ian Wilmut, e outros cientistas britânicos reconhecidos criticaram a opinião do advogado-geral do Tribunal de Justiça Europeu, que é contra a autorização de patentes que envolvam invenções baseadas em células-tronco embrionárias humanas.
O homem que clonou a primeira ovelha e seus colegas afirmam que a opinião legal do juiz francês Yves Bot, advogado-geral do tribunal com sede em Luxemburgo, que ainda precisa ser aprovada pelos 14 juízes da Câmara, marcaria o fim das pesquisas europeias que poderiam servir para curar doenças degenerativas como o mal de Parkinson.
Em sua sentença, que respondia ao recurso apresentado pelo titular de um patente alemã, o advogado-geral assinalou que o processo de patentear "uma invenção que utilize células-tronco embrionárias" deveria ser proibido, pois sua "aplicação industrial" significaria utilizar embriões humanos "como banal matéria, o que vai contra a ética e a ordem pública".
"As pesquisas que se referem a células-tronco só podem ser patenteadas se não houver detrimento de um embrião, inclusive destruição ou alteração", assinalou o juiz Bot na sua opinião legal, que não tem, no entanto, caráter vinculativo para o tribunal.
De acordo com a publicação do jornal britânico "The Independent", Wilmut e outros 12 pesquisadores renomados no setor das células embrionárias assinalam que essa opinião legal, se for finalmente aceita, encerraria as pesquisas europeias sobre células embrionárias.
"A opinião do advogado-geral supõe uma ameaça para nossas pesquisas e para a ciência europeia em geral. As patentes são essenciais para proporcionar novos produtos com fins médicos", afirma o professor Austin Smith, presidente do centro de pesquisas de células embrionárias de Welcome Truste na Universidade de Cambridge.
O professor Peter Coffey, pesquisador de células-tronco na University College de Londres, que espera começar o teste clínico para tratar um tipo de cegueira conhecida como degeneração macular relacionada com a idade, disse que proibir esse tipo de patentes permitiria aos Estados Unidos e a outros países explorar as invenções europeias nesse setor.




fonte: Folha.com

terça-feira, 26 de abril de 2011

HIPERTENSÃO ARTERIAL ATINGE 23,3% DOS BRASILEIROS, DIZ MINISTÉRIO.



A hipertensão arterial atinge 23,3% dos brasileiros, segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira (26) pelo Ministério da Saúde. A proporção de brasileiros diagnosticados com hipertensão arterial, de acordo com o levantamento, aumentou nos últimos cinco anos, passando de 21,6%, em 2006, para 23,3%, em 2010. Em relação ao ano passado, no entanto, o levantamento aponta recuo de 1,1 ponto percentual. Em 2009, a proporção foi de 24,4%.

Percentual nas capitais de adultos com diagnóstico de hipertensão arterial
Rio de Janeiro 29,2
Belo Horizonte 25,5
Porto Alegre 25,5
João Pessoa 25,4
Recife 24,9
Vitória 24,5
Maceió 24,3
Campo Grande 23,5
Distrito Federal 23,1
Curitiba 23,0
Rio Branco 23,0
São Paulo 22,9
Natal 22,1
Aracaju 22,0
Cuiabá 22,0
Goiânia 21,5
Salvador 21,2
Fortaleza 21,1
Teresina 21,0
Florianópolis 20,8
Macapá 19,4
Boa Vista 18,8
Porto Velho 18,3
Manaus 18,1
São Luís 18,0
Belém 17,5
Palmas 13,8

Fonte: Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel).
Os dados fazem parte da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel). Em 2010, foram entrevistados 54.339 adultos nas 26 capitais e no Distrito Federal.
Segundo o Ministério da Saúde, a pessoa é considerada hipertensa quando a pressão arterial é igual ou superior a 14 por 9. A doença é causada pelo aumento na contração das paredes das artérias para fazer o sangue circular pelo corpo. Esse movimento acaba sobrecarregando vários órgãos, como coração, rins e cérebro. Se a hipertensão não for tratada, pode causar entupimento de artérias, acidente vascular cerebral e infarto.
Diagnóstico
De acordo com a pesquisa, o diagnóstico de hipertensão é maior em mulheres - 25,5% - do que em homens - 20,7%. Nos dois sexos, no entanto, o diagnóstico de hipertensão arterial se torna mais comum com a idade, alcançando cerca de 8% dos indivíduos entre os 18 e os 24 anos de idade e mais de 50% na faixa etária de 55 anos ou mais de idade. “Mais da metade da população brasileira acima de 55 é hipertensa”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Segundo o Ministério da Saúde, "o aumento das prevalências se deve ao maior acesso da população ao diagnóstico na atenção primária de saúde. E as mulheres procuram mais o diagnóstico na atenção básica, daí uma prevalência mais significativa entre elas".
O estudo aponta que a associação inversa entre nível de escolaridade e diagnóstico é mais marcada na população feminina: enquanto 34,8% das mulheres com até oito anos de escolaridade apresentam diagnóstico de hipertensão arterial, a mesma condição é observada em apenas 13,5% das mulheres com doze ou mais anos de escolaridade.
“Os dados também mostram que o índice cresce em quem tem escolaridade menor. Então dizer que hipertensão é doença da classe média alta é um mito”, disse o ministro da Saúde.
Capitais
Entre as capitais, Palmas tem o menor percentual de adultos com diagnóstico de hipertensão, com 13,8%. O Rio de Janeiro tem o maior percentual - 29,2%. Entre os homens, as maiores frequências de hipertensão ocorrem no Distrito Federal (28,8%), Belo Horizonte (25,1%), e Recife (23,6%); e as menores, em Palmas (14,3%), Boa Vista (14,6%) e Manaus (15,3%).
Entre mulheres, os maiores percentuais foram no Rio de Janeiro (33,9%), Porto Alegre (29,5%) e João Pessoa (28,7%); e os menores, em Palmas (13,2%), Belém (17,4%) e Distrito Federal (18,1%).


Fonte:  G1.com

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

NOVA NANOPARTICULA PODE AJUDAR A DIAGNOSTICAR A DIABETES.

Pesquisadores israelenses da Universidade Hebraica de Jerusalém descobriram um novo tipo de nanopartícula, no formato de uma estrela de David, que pode abrir novos caminhos tanto para ajudar na detecção da glicose no diagnóstico da diabetes quanto para prover um catalisador capaz de captar a energia solar e transformá-la em combustível limpo.


A pesquisa contribui enormemente para a compreensão de como se formam as nanopartículas híbridas, que combinam dois ou mais materiais diferentes nas mesmas partículas e possibilitam que elas tenham múltiplas funções. As nanopartículas em formato de estrela de David têm um diâmetro dez mil vezes menor que um fio de cabelo e foram descobertas pela equipe de Uri Banin, diretor do Centro Harvey M. Kruger Family para Nanociência e Nanotecnologia da Universidade Hebraica de Jerusalém.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

MÉDICOS ALERTAM QUE FILME 127 HORAS PODE PROVOCAR DESMAIOS.

Médicos australianos advertiram os cidadãos do país de que o filme "127 Horas", que estreia no Brasil na semana que vem, não é indicado para algumas pessoas devido ao realismo de uma cena de mutilação. O hospital St. Vincent, em Sidney, atendeu três pessoas que sofreram desmaios, vômitos e até um ataque epilético no cinema.


A produção narra a história real do alpinista americano Aron Ralston, que precisou arrancar o próprio braço para se livrar de uma rocha que o prendeu por mais de cinco dias. O diretor Danny Boyle foi obrigado a pedir desculpas ao público quando seis espectadores desmaiaram durante a exibição do filme no Canadá e nos EUA. "127 Horas" foi indicado ao Oscar em seis categorias, entre elas as de Melhor Filme e Melhor Ator (James Franco).

Fonte: http://glo.bo/hz8VSL

sábado, 8 de janeiro de 2011

CHILENOS DESENVOLVEM VACINA CONTRA ALCOOLISMO.

Cientistas chilenos estão desenvolvendo uma vacina contra o alcoolismo. O produto é desenvolvido a partir de uma mutação genética presente em 20% da população asiática.


Através de um vírus, a vacina produz efeitos colaterais incômodos, como enjoos, náusea e vasodilatação, que fazem com que os viciados não sintam mais vontade de beber.

O médico da Universidade do Chile, Juan Asenjo, disse que "a vontade de beber será muito pequena devido às reações".

A vacina já foi testada em ratos alcoólatras e o resultado foi a redução do consumo em 50%. Asenjo acredita que o consumo de álcool nos humanos tenha redução de até 95%. A previsão é que a vacina comece a ser testada em humanos em 2012.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

EXAME DE SANGUE DETECTA UMA ÚNICA CÉLULA CANCEROSA ENTRE BILHÔES.

Cientistas dos Estados Unidos desenvolveram um teste sanguíneo que pode identificar uma única célula

cancerosas entre milhares de células saudáveis e que em breve estará disponível nos consultórios médicos.

Os desenvolvedores do exame anunciam nesta segunda-feira, 3, uma parceria com a gigante da saúde Johnson & Johnson para levar a invenção ao mercado. Quatro grandes centros de tratamento do câncer já começam neste ano estudos usando o teste de forma experimental.

Células cancerosas dispersas no sangue significam que o tumor se espalhou ou poderá se espalhar para outras partes do corpo, acreditam muitos médicos. O teste pode capturar essas células com potencial para se transformar em muitos tipos de câncer, especialmente de mama, próstata, cólon e pulmão.

Inicialmente, os médicos querem usar o exame para tentar prever quais tratamentos serão melhores para o tumor de cada paciente e descobrir mais rapidamente se eles estão funcionando.

"É como uma biópsia líquida" que evita a remoção dolorosa de tecido de amostra e pode ser uma maneira melhor de monitorar pacientes do que as tomografias periódicas, disse o Dr. Daniel Haber, chefe do Hospital Massachusetts General e um dos inventores do exame.

Ao fim, o teste pode oferecer uma maneira de detectar o câncer além das mamografias, colonoscopias e outros métodos pouco ideais utilizados hoje em dia.

"Há muito potencial aqui e é por isso que há muita animação", disse Dr. Mark Kris, chefe de tratamento do câncer de pulmão no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center em Nova York.

Muitas pessoas têm seus diagnósticos feitos através de biópsias por agulha. Esses exames muitas vezes não oferecem uma amostra grande o suficiente para determinar quais genes controlam o crescimento do tumor. Ou a amostra pode não estar mais disponível quando o paciente vai consulta um novo especialista.

Médicos normalmente prescrevem um medicamento ou terapia de radiação e então fazem uma tomografia dois meses depois para verificar se o tumor reagiu ao tratamento. Alguns pacientes vivem tempo suficiente para testar apenas um ou dois tratamentos, então um teste que possa avaliar o sucesso dos medicamentos mais cedo, avaliando as células cancerosas presentes no sangue, pode dar mais opções para os pacientes.

"Se você pudesse descobrir mais rapidamente 'esse medicamento está funcionando, continue com ele' ou 'esse medicamento não está funcionando, tente outra coisa', isso poderia mudar muita coisa", disse Haber.

Atualmente, o único teste no mercado que encontra células cancerosas no sangue é o CellSearch, fabricado pela Veridex, unidade da J&J, mas ele apenas fornece uma contagem das células. Ele não captura células inteiras que os médicos podem analisar para avaliar tratamentos.

O teste usa um microchip que lembra uma lâmina de laboratório coberta por 78.000 minúsculos cilindros, como cerdas de uma escova de dente. Os cilindros são cobertos de anticorpos que se ligam às células cancerosas. Quando o sangue passa pelo chip, as células batem nos cilindros como bolas em uma máquina de pinball. As células de câncer ficam presas e manchas fazem-nas brilhar para que os pesquisadores possam contar quantas ficaram e, em seguida, capturá-las para estudo.

O exame é capaz de identificar uma célula cancerosa entre um bilhão ou mais de células saudáveis, disse Mehmet Toner, da Universidade de Harvard, que ajudou a desenvolver o teste.

Fonte: http://bit.ly/eLs8kx


MÉDICOS REPROVADOS.

Os resultados do projeto-piloto criado pelos Ministérios da Saúde e da Educação para validar diplomas de médicos formados no exterior confirmaram os temores das associações médicas brasileiras. Dos 628 profissionais que se inscreveram para os exames de proficiência e habilitação, 626 foram reprovados e apenas 2 conseguiram autorização para clinicar. A maioria dos candidatos se formou em faculdades argentinas, bolivianas e, principalmente, cubanas.


As escolas bolivianas e argentinas de medicina são particulares e os brasileiros que as procuram geralmente não conseguiram ser aprovados nos disputados vestibulares das universidades federais e confessionais do País. As faculdades cubanas - a mais conhecida é a Escola Latino-Americana de Medicina (Elam) de Havana - são estatais e seus alunos são escolhidos não por mérito, mas por afinidade ideológica. Os brasileiros que nelas estudam não se submeteram a um processo seletivo, tendo sido indicados por movimentos sociais, organizações não governamentais e partidos políticos. Dos 160 brasileiros que obtiveram diploma numa faculdade cubana de medicina, entre 1999 e 2007, 26 foram indicados pelo Movimento dos Sem-Terra (MST). Entre 2007 e 2008, organizações indígenas enviaram para lá 36 jovens índios.

Desde que o PT, o PC do B e o MST passaram a pressionar o governo Lula para facilitar o reconhecimento de diplomas cubanos, o Conselho Federal de Medicina e a Associação Médica Brasileira têm denunciado a má qualidade da maioria das faculdades de medicina da América Latina, alertando que os médicos por elas diplomados não teriam condições de exercer a medicina no País. As entidades médicas brasileiras também lembram que, dos 298 brasileiros que se formaram na Elam, entre 2005 e 2009, só 25 conseguiram reconhecer o diploma no Brasil e regularizar sua situação profissional.

Por isso, o PT, o PC do B e o MST optaram por defender o reconhecimento automático do diploma, sem precisar passar por exames de habilitação profissional - o que foi vetado pelo Conselho Federal de Medicina e pela Associação Médica Brasileira. Para as duas entidades, as faculdades de medicina de Cuba, da Bolívia e do interior da Argentina teriam currículos ultrapassados, estariam tecnologicamente defasadas e não contariam com professores qualificados.

Em resposta, o PT, o PC do B e o MST recorreram a argumentos ideológicos, alegando que o modelo cubano de ensino médico valorizaria a medicina preventiva, voltada mais para a prevenção de doenças entre a população de baixa renda do que para a medicina curativa. No marketing político cubano, os médicos "curativos" teriam interesse apenas em atender a população dos grandes centros urbanos, não se preocupando com a saúde das chamadas "classes populares".

Entre 2006 e 2007, a Comissão de Relações Exteriores da Câmara chegou a aprovar um projeto preparado pelas chancelarias do Brasil e de Cuba, permitindo a equivalência automática dos diplomas de medicina expedidos nos dois países, mas os líderes governistas não o levaram a plenário, temendo uma derrota. No ano seguinte, depois de uma viagem a Havana, o ex-presidente Lula pediu uma "solução" para o caso para os Ministérios da Educação e da Saúde. E, em 2009, governo e entidades médicas negociaram o projeto-piloto que foi testado em 2010. Ele prevê uma prova de validação uniforme, preparada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais do MEC, e aplicada por todas as universidades.

Por causa do desempenho desastroso dos médicos formados no exterior, o governo - mais uma vez cedendo a pressões políticas e partidárias - pretende modificar a prova de validação, sob o pretexto de "promover ajustes". As entidades médicas já perceberam a manobra e afirmam que não faz sentido reduzir o rigor dos exames de proficiência e habilitação. Custa crer que setores do MEC continuem insistindo em pôr a ideologia na frente da competência profissional, quando estão em jogo a saúde e a vida de pessoas.

Fonte: O Estadão - http://bit.ly/fGV2VX

NÃO É SÓ A DENGUE QUE MATA.

ALADIR LEITE


O Mosquito Aedes aegypti mede menos de um centímetro, tem aparência inofensiva, cor café ou preta e listras brancas no corpo e nas pernas. Idêntico aos maus gestores, que por sua vez são mais altos, com boa aparência demonstrando através de seus trajes, paletó e gravatas de listas brancas, aparentemente, inofensivos.

Costuma picar nas primeiras horas da manhã e nas últimas da tarde, evitando o sol forte, mas, mesmo nas horas quentes, ele pode atacar à sombra, dentro ou fora de casa. Há suspeitas de que alguns, ataquem também durante a noite.

Os defraudadores agem também nas primeiras horas da manhã, e no final da tarde, evitando confrontos, mesmo em horários diferentes dentro ou fora do setor de trabalho, há indícios de que, também podem atacar.

O indivíduo não percebe a picada, pois no momento não dói e nem coça. A pessoa infectada mantém o vírus na saliva e o retransmite. A sociedade muitas vezes não percebe as ações dos maus gestores tendo em vista a confiança depositada nos mesmos, em épocas de eleições.


A transmissão ocorre pelo ciclo homem-Aedes aegypti-homem. Após a ingestão de sangue infectado pelo inseto fêmea transcorre na fêmea um período de incubação. As fraudes geralmente acontecem através dos corruptores x corruptos, frases do saudoso Leonel Brizola.

Após esse período, o mosquito torna-se apto a transmitir o vírus e, assim permanece durante toda a vida. Não há transmissão pelo contato de um doente ou suas secreções com uma pessoa sadia, nem fontes de água ou alimento. O mosquito Aedes aegypti também pode transmitir a febre amarela.

Após essas negociações ambos tornam-se aptos a concretização da fraude, não há fraude sem estas conexões, tendo em vista que, os que são nomeados já estão sintonizados com os que financiam as campanhas. O ciclo do Aedes aegypti é composto por quatro fases: ovo, larva, pupa e adulto. As larvas se desenvolvem em água parada, limpa ou suja. Na fase do acasalamento, em que as fêmeas precisam de sangue para garantir o desenvolvimento dos ovos, ocorre a transmissão da doença.

O desvio do dinheiro publico, também tem suas fases, conversações, convenções, eleições, apurações e distribuições de cargos aos financiadores de campanhas. O seu controle é difícil, por ser muito versátil na escolha dos criadouros, onde deposita seus ovos, que são extremamente resistentes, podendo sobreviver vários meses até que, a chegada de água propicia a incubação. Uma vez imersos, os ovos desenvolvem-se rapidamente em larvas, que dão origem às pupas, das quais surge o adulto.

O controle dos Aedes aegypti, de alguns que compõe a classe política, também são versáteis, pois, infelizmente andam na sombra de decisões judiciais que transformam esses transmissores resistentes, de tal forma que, sobrevivem até ao ano eleitoral, desenvolvendo sua arte através de seu instinto.


O único modo possível de evitar a transmissão da dengue é a eliminação do mosquito transmissor. A melhor forma de se evitar a dengue é combater os focos de acúmulo de água, locais propícios para a criação do mosquito transmissor da doença. Sabemos que o único modo de evitar a proliferação deste foco é nas urnas, neutralizando os que possuem fichas sujas, mas a justiça tem que fazer sua parte.


A sociedade espera que no ano vindouro os Aedes Aegypti da política e os que ocuparem cargos de 1º escalão e 2º escalão não venham contaminados com o vírus, da corrupção.

Fonte: http://bit.ly/edlZ3o

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

POR UM BRASIL MAIS IGUAL.

Há 25 anos uma criança nascida com hidrocefalia não conseguia sobreviver. Hoje, com uma cirurgia para implante de válvula no cérebro ela pode ter vida longa e saudável. Situação parecida ocorre com aqueles que nasceram com paralisia cerebral e não conseguem fisicamente falar. Graças aos avanços tecnológicos, essas pessoas se comunicam por meio de um sistema de computador. Outras, com doença muscular degenerativa, já podem sair das UTIs com respiradores portáteis que contam com baterias de longa duração. Todas elas têm algo em comum: foram agraciadas pelo avanço da medicina e da tecnologia. No entanto, ainda convivem com o pensamento retrógrado de grande parte da sociedade quando têm seu ir e vir ou sua entrada impedida nas edificações por falta de acesso físico, ou, então, quando sofrem com algo muito mais excludente e limitador: falta de conduta acessível e discriminação.


É de espantar que crianças e jovens com deficiência física, visual, auditiva, intelectual, múltipla – beneficiadas por tantos avanços médicos – ainda tenham sua matrícula recusada em escolas comuns. O motivo? As instituições alegam não estar preparadas para isso. Pode até soar responsável, porém uma escola que se diz atualizada, com os melhores professores, laboratórios e tantas outras qualidades, estará pronta para a diversidade humana quando? A mim soa como falta de interesse e, sobretudo, preconceito em razão da deficiência que tais indivíduos têm.

Em 1950, Marlon Brando estreava no cinema como um veterano de guerra que fica paraplégico, no filme Espíritos Indômitos, um drama sobre a angústia e a dificuldade de adaptação que os combatentes da 2.ª Guerra sofriam por terem ficado deficientes. Uma cena foi particularmente marcante para mim: quando o médico explica a altura de sua lesão e conta que, se tivesse atingido o pescoço, não teria chance de sobreviver. “Quem quebra o pescoço morre”, decretava. Puxa, eu quebrei o pescoço num acidente de carro, em 1994, e graças aos avanços da medicina estou aqui produzindo, trabalhando.

É paradoxal a ciência possibilitar a continuidade da vida, enquanto a sociedade, de um modo geral, não oferece os suportes necessários para a retomada da vida cotidiana. Garantias legais para vida digna há: desde a Constituição de 1988, a lei federal de acessibilidade (Lei 10.098/ 2000) e o decreto que a regulamenta (Decreto 5296/2004) até a incorporação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU, com força de emenda constitucional. Falta aplicá-las para avançar nas políticas de direitos humanos. A própria Câmara dos Deputados, que aprovou tais leis, somente agora tornará a tribuna acessível a um deputado cadeirante.

Desenvolvemos coisas que o cinema de 1950 chamaria de ficção científica: membros robóticos movidos com a força do cérebro, células que regeneram músculos, neurônios e ossos. Eu mesma ando e pedalo toda semana com a ajuda da tecnologia – quem me vê sentada na cadeira não imaginaria – e o astrofísico Stephen Hawking, que tem uma doença degenerativa, surpreende o mundo com suas ideias.

Conquistamos o mais valioso: o direito a vida. Mas até quando viver vai soar estranho a tantas pessoas com deficiência habituadas a uma sobrevida? Muitos dos progressos que esperamos para as próximas décadas na medicina não beneficiarão a todos porque a maioria das pessoas com deficiência não consegue fazer a manutenção de sua saúde e qualidade de vida porque, simplesmente, os serviços as excluem.

Ouço muito a expressão “preso a uma cadeira de rodas”. Nada mais errado: a cadeira é sinal de mobilidade. Ela dá liberdade para ir a qualquer lugar. A verdadeira prisão é a discriminação e o desrespeito ao direito constitucional de igualdade, cujo resultado é visível no número expressivo de pessoas com deficiência que ainda não usufruem os benefícios de educação, trabalho, saúde, esporte, cultura, lazer e transporte por falta de acessibilidade. Ficam trancadas dentro de sua casa.

Por isso, cobrar as políticas públicas necessárias para fazer valer os direitos já garantidos pela legislação e provocar novas mudanças nas cidades é um movimento sem retorno.

A mídia tem papel fundamental e vem contribuindo, seja por meio do noticiário mais abrangente ou pela ficção e pelo entretenimento. A novela das 21 horas da Globo mudou, este ano, costumes e visões. Antes já havia ocorrido, por meio de personagens cegos, surdos, com síndrome de Down. A Eldorado AM tem programa focado nessa temática e chegou a entrevistar no rádio dois surdos, num programa memorável.

O respeito à dignidade da pessoa, inclusive a liberdade de fazer as próprias escolhas, a não discriminação, a plena e efetiva participação e a igualdade de oportunidades são compromissos da República que precisam sair da letra fria da lei e ser adotados pelos cidadãos. Isso é profundamente libertador. Para quem tem uma deficiência e para quem não tem, porque este tema faz parte do coletivo. Não se trata de um segmento isolado ou de uma política específica, mas de habitantes de uma mesma nação democrática.

Somos 28 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência (Censo 2000 IBGE). Não queremos mais brigar para provar que existimos. Queremos dividir o mundo com pessoas de peso, altura, cor, idade, características e condições físicas diferentes das nossas. O movimento pela acessibilidade e a adoção de práticas que atendam a todos está nas ruas para ser visto, comentado e, sobretudo, entendido e promovido. Faça parte deste encontro e se comprometa com a inclusão. Está em suas mãos a escolha de viver num País mais igual.

(*) Mara Gabrilli é vereadora em São Paulo, deputada federal eleita pelo PSDB em 2010, psicóloga, publicitária, comanda o programa de rádio “Derrubando barreiras: acesso para todos”, na Eldorado AM.

domingo, 19 de dezembro de 2010

A CASA ESPERANÇA (BY MARCO SOBREIRA)

O bairrismo é a característica mais marcante do cachoeirense, daí Cachoeiro de Itapemirim ser a capital secreta do mundo. A terceira cidade mais importante do Espírito Santo também é conhecida pelo calor infernal que faz por aqui, ao ponto do ex-prefeito Teodorico Ferraço ter entrado para o folclore nacional ao mandar construir uma torre para fazer chover bem na praça principal da cidade. O outrora caudaloso e navegável rio Itapemirim, agora teima em correr entre as pedras afloradas pelo assoreamento , cortando a cidade de oeste a leste, aumentando ainda mais o calor, como uma formidável panela de pressão. Terra do Rei Roberto Carlos, de Rubem Braga, berço da Itapemirim, maior empresa de transportes de passageiros e cargas do País, Cachoeiro de Itapemirim ainda é a capital do mármore e do granito, mas viu sua importância econômica diminuir em função do esvaziamento político do sul do Estado e seu parque industrial sofre a concorrência desleal dos produtos chineses em decorrência da super valorização do Real.

Mesmo assim, seu comércio, sua tradição cultural e o setor de pedras ornamentais e os seus 180. 000 habitantes a colocam em posição de destaque , sendo ponto de referência para todo o sul do Espírito Santo.

Como todo o País, Cachoeiro sofre com a epidemia das drogas, principalmente do crack e a administração atual que é petista não tem um programa Municipal para assistência aos dependentes químicos, o que fez florescer algumas clinicas para abrigar e tratar os usuários dessas drogas e entre elas está a Casa Esperança.

É sobre essa entidade que quero reportar um fato ocorrido recentemente e que deixou chocada a sociedade cachoeirense. Sem convênio com o SUS ou qualquer outra entidade, a Casa Esperança cobrava 3 000 reais de cada interno em suas dependências, pois bem, após denuncia o Ministério Público, policia civil e militar invadiram a clinica e o que encontraram foi dois grandes cômodos, com beliches superpostos, acomodando no total 98 pacientes, amontoados, sem assistência médica adequada e em péssimas condições. Interditada a Clinica, o Promotor chamou a Secretaria Municipal de Saúde e determinou que mandasse fazer avaliação psiquiátrica de cada interno e os remanejasse, já que a Casa Esperança seria fechada, dando um prazo de 72 horas para que sua determinação fosse cumprida, sob pena de responsabilidade, já que a Prefeitura tinha autorizado seu funcionamento, conforme comprova o alvará de funcionamento.

Começa o martírio da Secretaria, liga para uma psiquiatra que trabalha comigo e implora para que ela faça o serviço, só que avisa, que não teria como pagar, evidentemente que não foi atendida e confessa que já tinha procurado todos os colegas da especialidade com igual resposta. Questionada por que não mandava um psiquiatra dos quadros da Prefeitura atender os pacientes, ouviu estupefada a Secretaria confessar que não tinha esse tipo de profissional no quadro médico municipal.

Como o impasse foi resolvido não sei, mas o que importa aqui é constatação do descaso desse grande município com a saúde mental e deixa claro um jogo de empurra entre o Estado que mantém um Centro de Atendimento Psiquiátrico , a filantrópica Clinica Santa Izabel e o Município, cada qual puxando a sardinha pro seu lado em prejuízo dos doentes mentais e dependentes químicos.

Assim é a saúde pública oferecida ao povo brasileiro, insuficiente, de péssima qualidade, mal gerenciada e daí cada vez mais desacreditada e a mercê de oportunistas como o proprietário da Casa Esperança que vêm no desespero das famílias uma chance para ganhar dinheiro fácil à custa do sofrimento alheio. Até quando, nós profissionais da saúde e a sociedade vão se calar diante do descaso e do sofrimento de nosso povo?

domingo, 12 de dezembro de 2010

MÉDICOS X PLANOS DE SAÚDE.

RIO - Um rapaz de 28 anos está na Unidade de Terapia Intensiva de um hospital privado na Zona Sul do Rio. Internado com infecção respiratória, evoluiu rapidamente para choque séptico - uma condição extremamente grave - com falência múltipla de órgãos. Para aumentar suas chances de sobrevivência é preciso usar um medicamento de ponta, o único recomendado para o quadro, porém de custo elevadíssimo: quatro dias de tratamento podem chegar a R$ 60 mil.


O plano de saúde, no entanto, não autoriza o gasto. É sexta-feira e ele pede dois dias úteis para analisar o pedido. O médico responsável pelo atendimento liga pessoalmente para a operadora e tenta argumentar com o funcionário:

- O medicamento só é eficaz se usado nas primeiras 48 horas. Ou seja, eu só posso usá-lo até amanhã. Não posso esperar dois dias úteis para vocês avaliarem o pedido. Será que não dá para apressar a avaliação? Não tem ninguém de plantão?

O plano não autoriza e o hospital não vai bancar para não correr o risco de não ser pago. É isso todo dia

.O atendente se mostra inflexível: nada pode ser feito, é preciso aguardar. O médico insiste:

- Eu não tenho como esperar, o paciente está em risco de vida - sustenta. - E o hospital não vai me liberar o remédio para o uso se vocês não derem a autorização.

A operadora não cede. O médico se frustra:

- Agora eu estou amarrado. O plano não autoriza e o hospital não vai bancar para não correr o risco de não ser pago. É isso todo dia. A saída é sugerir a família que procure a Justiça.

A cena ocorrida na tarde de anteontem se repete diariamente em praticamente todos os hospitais privados, como revelou uma pesquisa do Datafolha divulgada na semana passada pela Associação Médica Brasileira (AMB). O levantamento, feito com 2.184 profissionais de todo o país, apresentou um número alarmante: 92% dos entrevistados afirmam que os planos de saúde interferem em sua autonomia, ou seja, em suas decisões terapêuticas.

O presidente da AMB, José Luis Gomes do Amaral, disse que o resultado não o surpreendeu, dadas as queixas recorrentes da categoria.

- A relação dos médicos e operadoras de planos vem se desgastando, sobretudo em função do esforço muito grande (das operadoras) para reduzir custos, restringindo a independência dos médicos para prescrever e tratar - afirma. - Não posso ter alguém interferindo no meu julgamento, no medicamento que tenho que prescrever, no exame que tenho que pedir. A decisão é do médico e do paciente, não de uma terceira pessoa, sobretudo uma que está interessada em ampliar seus lucros.

O médico Luiz Roberto Londres, diretor da Clínica São Vicente e autor do livro "Sintomas de uma época - quando o ser humano se torna um objeto", concorda com o colega.

- Foi criada uma situação puramente comercial, que interfere no ato médico com graves prejuízos para o paciente - afirma. - O executivo do plano de saúde sentado na cadeira de balanço não está nem aí para que vai acontecer com o paciente, o que está comandando é o comércio.

Na prática, como contam os médicos, cada vez que um exame ou tratamento é prescrito, uma cirurgia marcada ou uma internação é solicitada, o hospital consulta o plano para ter garantia de pagamento.

- Os hospitais enxergam o plano de saúde como seu cliente principal, porque ele é a fonte pagadora, e fazem tudo o que ele determina - afirma o presidente da Comissão de Ética da Associação de Medicina Intensiva do Brasil, Fábio Miranda. - Hoje, por exemplo, para se pedir uma segunda tomografia do paciente, só com justificativa por escrito e autorização prévia do auditor do plano. Com isso, eles conseguem evitar um certo percentual de tomografias, que é um exame caro.

Muitas vezes, o plano simplesmente não autoriza a conduta. Em outras, pede um prazo para avaliar. Em muitos casos, limita os dias de internação ou o número de exames.

- Já tive problemas com todos os planos de saúde - sustenta o cardiologista José Balli. - Todos tentam interferir para tornar a coisa mais barata.

As operadoras argumentam que há muito desperdício, e que elas precisam ser cautelosas com os gastos, já que estão gerindo o dinheiro de todos. Os médicos não veem dessa forma.

- Essa autorização, infelizmente, não é ilegal, mas é de uma grande imoralidade - diz José Luiz Gomes do Amaral. - Existem formas de racionalizar custos sem ofender os interesses dos doentes.

A relação dos médicos e operadoras de planos vem se desgastando

.Médicos conveniados a planos de saúde dizem que são ameaçados de descredenciamento se não seguirem as recomendações da operadora. Outros contam que há pagamento de gratificações para os que solicitam menos exames a seus pacientes. As operadoras negam as denúncias.

- Os médicos dos planos estão permanentemente sujeitos a serem descredenciados sem justificativa se não colaborarem com as políticas da operadora - conta o cirurgião vascular Márcio Meirelles, coordenador da Participação Médica, um movimento criado para "mobilizar médicos em prol de uma saúde digna". - Se eles só têm clientes daquele plano, correm o risco de ficar com o consultório vazio da noite para o dia.

Em situação similar estão os médicos que trabalham em hospitais particulares. Mesmo não sendo conveniados, eles acabam sujeitos às regras dos planos de saúde, como ocorreu com o especialista do hospital da Zona Sul do Rio na sexta-feira.

- Os que precisam se submeter ao plano e à administração do hospital, ficam entre a cruz e a caldeirinha - sustenta Fábio Miranda. - Se não fizerem o que o hospital está mandando, acabam sendo demitidos.

O resultado é a interferência direta na relação entre médico e paciente.

- Gera desconfiança em relação ao que o médico está pedindo - diz Londres. - E há médicos mesmo que enveredam por caminhos ruins, como aceitar imposições e mesmo indicações de laboratórios. Isso é crime e deve ser denunciado.

Muitos médicos veem a Justiça como a saída mais imediata.

- Muitas vezes o paciente não sabe das interferências do plano por covardia do médico - acusa Fábio Miranda. - Ele tem obrigação de falar que o plano está prejudicando o tratamento. E, embora eu seja contra a judicialização da medicina, acho que ele deve orientar o paciente no sentido de procurar o plantão do Tribunal de Justiça.

Fonte: http://bit.ly/gjBB5x

sábado, 13 de novembro de 2010

11 BEBÊS MORREM EM 40 DIAS EM BRASILIA.

Onze bebês morreram em 40 dias em uma das principais maternidades de Brasília. todos vítimas de infecção.


Os bebês morreram no único hospital público do Distrito Federal com UTI neonatal para casos muito graves. As trigêmeas da estudante Adriela Santos nasceram em outubro e, em menos de um mês, morreram com infecção. “Eu queria tanto ter as minhas filhas, como eu, como minha família, como o pai delas”, diz.

Ela conta que chegou a reclamar da falta de cuidados básicos de alguns profissionais do hospital. “Pegavam minha filha e depois pegavam a filha de outras pessoas. Não passavam álcool na mão. Eu briguei com duas enfermeiras por causa disso”, revela a estudante Adriela Santos.

Uma funcionária, que pediu para não ser identificada, denuncia que, nas atuais condições do hospital, é impossível atender os bebês da forma correta. “Com o número inadequado de profissionais, faltando equipamento, faltando material, obviamente a higienização e o cuidado, por mais que a pessoa tenha boa vontade, ela não consegue oferecer uma assistência digna para esses bebês”, declara.

Até agora, os exames mostraram que o surto de infecção foi provocado por três bactérias. Seis bebês infectados estão em uma área isolada. Para diminuir a superlotação, o hospital restringiu novos atendimentos. Só recebe os casos mais delicados.

O diretor do hospital, o Dr. Alberto Barbosa, diz que, com a medida, a UTI que já esteve com 38 bebês, está com 30, que é a capacidade máxima. Ele reconhece que precisaria de mais 20 médicos e confirma a falta de materiais básicos.

“Faltam luvas, esparadrapos, embalagens de soro, cateter, uma série de medicamentos. Eu não sei se isso vai ser resolvido, de hoje para amanhã. Com certeza, não. Mas até o final da semana todos os insumos devem estar aqui. A previsão é essa”, afirma Dr. Alberto Barbosa, diretor regional da Assistência à Saúde. As informações são da TV Globo.

Fonte: http://bit.ly/9FfgOn

URGÊNCIA, DESAFIO NA SAÚDE.

A Gazeta


Tentar entender e propor soluções para saúde apenas pela avaliação da urgência e emergência sempre induzirá a um raciocínio superficial e sujeito a equívocos. Diferentemente da Europa que, desde os anos 20, organizava a saúde pela lógica do cuidado integral, passamos o século XX focando na cura das doenças, tratadas quando os sintomas já estão graves.

O SUS incluiu milhões de brasileiros antes desassistidos e trouxe novas demandas para uma estrutura arcaica. O programa Saúde da Família que inclui, não soluciona os 80% de problemas de saúde como esperado. Vem daí a sobrecarga dos hospitais que, subfinanciados, reduziram a oferta de serviços ao longo dos anos 90.

No Espírito Santo não foi diferente. Nossos hospitais estagnaram e fecharam leitos na década de 90 e início desta. Somente a partir de 2004 houve gestão para, ao mesmo tempo, ampliar os serviços hospitalares e dar mais resolubilidade à Atenção Primária à Saúde (APS). Estas diretrizes, cujos frutos começamos a colher agora, foram conduzidas em sintonia com Conselho Estadual de Saúde e gestores municipais.

Resolvemos, de forma ousada, implantar a Rede de Urgência e Emergência, enfrentando as três principais causas de morte precoce: o trauma, infarto e o AVC. Criamos condições para, entre outros, implantar 150 leitos intensivos, ampliar o Hospital Estadual Materno Infantil em Vila Velha, de 13 para 130 leitos, expandir o Hospital Estadual Roberto Silvares, em São Mateus, e abrir 40 vagas para paciente crônicos no Hospital Estadual de Atenção Clínica, em Cariacica.

Por decisão coletiva e empenho da Secretaria, inauguramos o Hospital Estadual Central, nossa primeira experiência com organizações sociais. Em dez meses, foram 2.252 cirurgias, antes não disponíveis no sistema, com 94% de aprovação pelos pacientes, e será o primeiro hospital público acreditado no Espírito Santo. E ainda os novos Dório Silva e São Lucas, que, somados, terão 200 leitos UTI.

Entretanto, essas iniciativas são insuficientes sem uma APS resolutiva. Em 2010, dos 271 mil acolhimentos com Classificação de Risco nos prontos-socorros, 136 mil (50%) pacientes poderiam ter ido às unidades de saúde. Parte significativa das solicitações de leitos à Central de Internação é de pacientes que não continuaram o tratamento após a alta hospitalar.

Neste contexto, o governo do Estado e municípios iniciaram o fortalecimento da APS. Estão sendo construídos e equipados: 66 Unidades Saúde da Família, 15 Centros de Tratamento ao Toxicômano, mais quatro prontos-atendimentos. Como infra-estrutura não é tudo, 3.400 profissionais dos municípios frequentam pós-graduação em APS. Em dezembro próximo, os 78 municípios concluem o Plano Diretor da Atenção Primária, que indicará as ações prioritárias e a alocação de recursos municipais e estadual.

É consenso entre gestores do Estado que avançamos, e as atuais diretrizes devem nortear a continuidade do trabalho. Apesar do muito que foi feito, os acidentes de trânsito, as doenças crônicas e o financiamento são exemplos de desafios para gestores públicos e privados em todo o mundo. A nova gestão estadual encontrará condições favoráveis para agregar outros benefícios à população, uma grande vantagem em relação ao contexto encontrado há oito anos.

Francisco José Dias é médico sanitarista e subsecretário Estadual da Saúde

sexta-feira, 18 de junho de 2010

VERGONHA NACIONAL;

SAÚDE, EDUCAÇÃO E SEGURANÇA, certamente este é o tripé que qualquer governante comprometido com o bem estar de seu povo deve priorizar. Ninguém pode negar que nas duas últimas décadas o Brasil melhorou em diversos aspectos e citamos aqui como exemplo, a estabilidade da moeda com o fim da inflação galopante que tantos males trouxe ao trabalhador em especial, o avanço tecnológico, especialmente nas comunicações, a valorização do salário mínimo, melhorando a renda de parte significativa da população, a auto suficiência na produção de petróleo, entre outras. O Governo FHC teve o mérito de implantar as bases da recuperação econômica, dos projetos sociais e o Governo Lula, o mérito de segui-las e melhora-las em alguns aspectos, principalmente na área social. Entretanto o triplé principal continua a ser motivo de vergonha pois sem saúde, sem educação de qualidade e sem segurança estamos condenados a não sair desse subdesenvolvimento preconceituoso com o qual somos vistos pela Comunidade Internacional. Analisemos cada vértice desse tripé.               







A SAÚDE que tem no SUS um modêlo avançado, cumpre no papél o Preceito Constitucional de que é um direito de todos e obrigação do Estado, na prática esbarra em problemas crônicos de custeio ocasionando a precariedade dos serviços prestados à comunidade. Hospitais públicos com equipamentos sucateados, falta de leitos, UTIs insuficiêntes, corredores usados como enfermarias, pacientes espalhados até pelo chão em situação de humilhação extrema. Profissionais em números insuficiêntes para atender a demanda. Hospitais filantrópicos, convêniados ao SUS usando todo tipo de malabarismo para sobreviver com o ridículo preço dos procedimentos pagos pelo sistema, valorizando o paciente particular e de planos de saúde em detrimento dos mais pobres chegando muitas vezes em um mesmo hospital ter atendimentos de urgências e emergências em espaços distintos, criando uma vergonhosa divisão dos usuários. Médicos que se négam ou protelam ao máximo os procedimentos necessários em virtude da baixa remuneração da tabela do SUS, fazendo com que cirurgias e procedimentos de maior complexidade demore meses e até mais de um ano para serem realizadas com sofrimento de quem necessita. Neste contexto salva-se alguns hospitais ligados às Universidades e a Atenção Primária que ainda consegue alguma qualidade, alavancada pelo PSF (Programa de Saúde da Família) e porque, na responsabilidade dos Municípios sofre pressão e fiscalização mais eficiênte da população. As prefeituras no entanto estão tendo sérias dificuldades em manter esse programa por falta de reajuste da contra-partida Federal e os médicos já não se interessam tanto em participar devido ao salário nada atrativo se considerarmos a carga horária de 8hs diárias.






 A EDUCAÇÃO apesar de ter recursos, esbarra na falta de visão da maioría dos gestores, preocupados com o imediatismo, que proporciona naturalmente mais rendimentos politicos. Profissionais com baixa capacitação, salários indignos, escolas precárias, muitas vezes improvisadas, sem segurança para alunos e professores, grade curricular que não atende às demandas do mercado de trabalho. Artificios diversos para desvio dos recursos da educação, como construção de quadras poliesportivas grandiosas, compra de veículos em quantidade e qualidade desnecessárias, pagamento a funcionários de outras secretarías, colocados à disposição da educação, como pedreiros, pintores, motoristas, festas diversas, enfim criatividade é que não falta quando se trata de burlar a lei. Classes com quantidades enormes de alunos, falta de escolas em tempo integral, merenda, transporte escolar de péssima qualidade e abonos de fim de ano para o magistério mascaram os péssimos salários , completam o quadro trágico de Educação no país.







 Na SEGURANÇA PÚBLICA a situação é ainda mais caótica, senão vejamos, nosso sistema carcerário, é dos mais indignos do mundo. Cadeias e penitenciárias fétidas, superlotadas, verdadeiras universidades do crime e da insalubridade, proporcionando a propagação de todo tipo de doenças infecto-contagiosas. Falta programas de ressocialização, trabalho digno com renda para manutenção da família, fazendo com que o preso fique a mercê de favores dos chefões do crime, que depois cobram essas dívidas obrigando que o mesmo ao ser solto pratique assaltos ou assassinatos para pagamento, sob ameaça à vida do mesmo e de familiares, causando um ciclo vicioso. Policiais despreparados, mal remunerados, obrigados muitas vezes a morar em bairros periféricos ou favelas, convivendo com os criminosos e colocando em risco a sua vida e a de familiares. Obrigados a enfrentar criminosos com armamentos sofisticados, muito superiores aos usados por eles, são constantemente atingidos por problemas psicológicos e psiquiátricos que sem o tratamento adequado, os tornam um barril de pólvora pronto a explodir a qualquer momento, ocasionando ações intenpestivas com mortes muitas vezes de inocentes. Os policiais honestos, e são muitos, viram alvo fácil dos bandidos, enquanto os corruptos, que também são muitos, são poupados pois fazem parte da engrenagem. Falta de entendimento entre a Policia Militar e a Civil é parte do problema que envolve a segurança pública e não é, ao que parece, de interesse de solução por parte dos governantes. Portanto, o tripé SAÚDE, EDUCAÇÃO E SEGURANÇA está corroído pela corrupção, pela omissão dos gestores em todos os níveis e por uma incrível falta de vontade politica de proporcionar a todos nós que sofremos com uma carga tributária exorbitante, o que temos direito por determinação Constitucional.