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domingo, 7 de abril de 2013

REALIDADE PERTUBADORA



O Mapa da Violência 2013 – “Mortes Matadas por Armas de Fogo” – apresenta um dado perturbador. De acordo com o estudo, as drogas não são a principal causa das mortes por armas de fogo.
 
Essa conclusão apresentada no Mapa da Violência foi tema de matéria publicada esta semana em Século Diário. O texto assinado pela repórter Lívia Francez ganhou elogios do sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, que coordena o estudo.
 
Ao contrário do que revela a pesquisa, porém, o discurso das autoridades ligadas à área da segurança pública no Espírito Santo tem atribuído os altos índices de homicídios às drogas e organizações criminosas envolvidas com o narcotráfico.
 
Durante o governo Paulo Hartung (2003 – 2010), o então secretário de Segurança Rodney Miranda (hoje prefeito de Vila Velha), ao perceber que sua gestão à frente da pasta fora desastrosa, passou a jogar na conta das drogas todo o insucesso de seu trabalho, que teve resultados pífios.
 
Esse mesmo discurso vem sendo hoje repetido pelo secretário André Garcia, que também identifica a droga como a grande “culpada” pelos altos índices de criminalidade, que conferem ao Espírito Santo a segunda posição absoluta no ranking nacional de homicídios. 
 
Na versão das autoridades, a ligação droga e violência é praticamente automática. Boa parte da sociedade está convencida de que essa é a explicação mais plausível para o problema. No ano passado, o governo do Estado chegou a lançar uma campanha publicitária para consolidar essa tese. Os outdoors espalhados pelas ruas alertavam que 70% dos homicídios estavam relacionadas às drogas. Mensagem implícita da campanha: “Se a culpa é das drogas, o governo está inocentado. Vamos todos nos unir para enfrentar o ‘mal do ‘século’”.
 
O professor Julio Jacobo Waiselfisz, um dos mais respeitados especialistas sobre o tema, mostra que a droga é uma das causas, mas não a principal. Mesmo após 10 anos da implantação da Campanha do Desarmamento, o sociólogo aponta que mais de 15,2 milhões de brasileiros têm acesso a armas de fogo. Desse total, 6,8 milhões de armas são registradas e 8,5 milhões são clandestinas. Waiselfisz alerta que muitos conflitos acabam sendo resolvidos à bala, inclusive os domésticos. 
 
Outro fator, segundo o sociólogo, que explica os altos índices de homicídios por armas de fogo é a chamada “cultura da violência”. Quem conhece bem o Espírito Santo sabe que o Estado tem um histórico repleto de matadores famosos, que viraram figuras lendárias, quase folclóricas. 
 
Ainda hoje, esse passado de pistolagem motiva muita gente a resolver conflitos no “bico do revólver”. 
 
Para provar que a droga não é a principal vilã dos homicídios, um estudo encomendado pelo Ministério da Justiça analisou os boletins de ocorrência em três cidades brasileiras: Belém (PA), Maceió (AL) e Guarulhos (SP), no ano de 2010. Nos três municípios, uma parte substancial das mortes por arma de fogo está relacionada a vinganças pessoais, violência doméstica e motivos banais. Os casos de mortes por arma de fogo no resto do País, segundo o estudo, seguem essa mesma tendência.
 
Na avaliação do Mapa 2013, Waiselfisz aponta um terceiro fator como muito importante para o crescimento das mortes por armas de fogo: a impunidade. 
 
O estudo revela outra realidade preocupante: o CSI (Investigação Criminal) – nome do seriado norte-americano de enorme sucesso – brasileiro é só na TV. 
 
A realidade mostra que os índices de elucidação de crimes de homicídios são baixíssimos no Brasil. De acordo com o Relatório Nacional da Execução da Meta 2 da Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública (Enasp), a estimativa é que a elucidação no Braasil varie entre 5 e 8%. O mesmo percentual é de 65% nos Estados Unidos, 90% no Reino Unido e de 80% na França. 
 
Se a média brasileira varia entre 5 e 8%, no Espírito Santo deve ser bem pior. Podemos afirmar seguramente que o Estado, no levantamento do Enasp, era o que detinha o maior número de inquéritos de homicídios inconclusos: mais de 12 mil. 
 
O “CSI capixaba”, em estado de greve devido às péssimas condições de trabalho, é um retrato do descaso do governo com as políticas de segurança. Apenas 2% dos crimes cometidos no Estado são solucionados. Isso ocorre porque faltam provas, ou melhor, faltam condições para que os peritos papiloscópicos apurem as evidências nas cenas dos crimes que possam se tornar provas para a Justiça. Sem materialidade, muitas vezes, o juiz não tem como condenar o suposto autor do crime. 
 
Somente no ano passado, dos 1.944 inquéritos devolvidos pelo Ministério Público Estadual (MPE) à Polícia Civil, apenas 41 voltaram concluídos, ou seja, apenas 2% dos casos foram apurados.
 
Para quem ainda não acredita que a droga não é a principal vilã dos homicídios, basta olhar para o vizinho Rio de Janeiro. Em 2000, o Rio, segundo o Mapa da Violência, era o segundo estado mais violento do País; o Espírito Santo era o terceiro. Dez anos depois, o Rio passou a ser o 17º e o Espírito Santo o segundo. 
 
O tráfico de drogas acabou no Rio? Claro que não. O narcotráfico, como qualquer negócio, está onde há mercado em potencial. E o Rio é um dos mais rentáveis. 
 
O exemplo do Rio, que poderia ser estendido a São Paulo, maior mercado de drogas do País  – que também diminuiu os índices de homicídios a quase um dígito -, comprova que a droga é uma das causas da violência, mas não a principal. Já passou da hora do poder público parar de se esconder atrás das drogas e criar coragem para enfrentar essa perturbadora realidade.
 
Fonte: século diário

segunda-feira, 5 de março de 2012

CRACK, O PESADELO DA MATERNIDADE

Entre as mulheres, os danos causados pela dependência de crack afetam seriamente uma segunda vida: a do feto. Pesquisas indicam o alto índide de gravidez não planejada entre as usuárias da droga, muitas vezes fruto da prostituição. A situação é de tal gravidade que autoridades de saúde discutem a oferta de contraceptivos, nos casos mais urgentes, a fim de impedir a gestação por até dois anos. Aos 30 anos, Laura (foto, nome fictício) está há quatro meses em tratamento numa comunidade terapêutica de Ceilândia.
Ao consumir o crack, muitas dependentes se prostituem e acabam por engravidar de desconhecidos. A droga prejudica a saúde dos bebês, criando uma geração órfã e cheia de sequelas
Lugar de proteção, o útero é o primeiro lar na jornada da existência. Mulheres sadias acolhem, alimentam, confortam seus filhos. As que esculpem suas alegrias, medos, frustrações e fantasias nas pedras do crack se tornam uma ameaça às suas crias. São recorrentes as histórias de viciadas que não suspendem o uso da droga durante a gestação. O veneno que entorpece os sentidos da mãe ultrapassa a placenta e circula pelo corpo em formação. Os fetos são as primeiras vítimas de almas escravizadas pela química.

Os que sobrevivem a abortos induzidos pela substância podem nascer com síndrome de abstinência, insônia, agitação. Alguns terão anemia, retardo mental, má formação. Na infância, enfrentarão dificuldade de aprender. Há chances de crises nervosas, dislexia, distúrbios do sono, hiperatividade. Consequências que filhos do crack herdarão sem escolha.

Quando, aos 27 anos, Laura(*) fumou a primeira pedra, assumiu o risco de comprometer para sempre o futuro de alguém que ainda estava para nascer. Começou com a maconha, mas em poucos meses evoluiu para a cocaína, a merla e chegou ao crack. Desceu o mais fundo que podia. Conheceu a solidão, a violência, o crime, a prostituição, a doença. Dessa mulher, depende o pequeno Victor, o filho que Laura teve sem querer, fruto de uma relação sexual para sustentar seu vício. Até os seis meses de gestação, ela não sabia que estava grávida. Descobriu depois de um acidente, quando, sob o efeito da droga, foi atropelada e socorrida em um hospital.

Laura desejou abortar. Batia com a barriga na parede, continuou a fazer programas e não parou, nem por um dia, de fumar a pedra. Um dos efeitos da mistura da cocaína com solventes é a vasoconstrição, um processo de contração dos vasos sanguíneos que compromete a passagem de nutrientes e de oxigênio para o bebê, o que pode causar hemorragia intracraniana, redução do perímetro cefálico, diminuição do ritmo do crescimento, pressão alta, deficiência visual, auditiva, do coração, no esqueleto, no intestino. Outro sintoma comum entre as usuárias é a falta de apetite. Mesmo grávidas, dependentes do crack são capazes de passar dias sem se alimentar.

Na tese de graduação pelo Centro Universitário de Brasília (Uniceub) chamada "Caracterização da cultura do crack no Distrito Federal", que observou usuários atendidos pelos Centros de Atenção Psicossocial de Álcool e Drogas (CapsAD), 96% dos entrevistados relataram que o apetite diminui com o consumo do crack. Outros 84% disseram que sentem insônia. Sete a cada 10 dependentes relataram desconforto gastrointestinal. Sintomas da droga que comprometem a gestação. Além disso, nos primeiros meses da gravidez, o feto ainda não tem a pele queratinizada, o que funciona como espécie de uma capa protetora formada de proteína. Assim, fica vulnerável a substâncias tóxicas que se acumulam no líquido amniótico e podem se tornar um reservatório da droga.

Sobrevivente
O pequeno Victor superou a falta de nutrientes, de oxigênio, a contaminação tóxica. Sobreviveu mesmo recebendo doses diárias da cocaína em pedra, via placenta. Ele nasceu abaixo do peso, sofre crises de refluxo e tem sífilis, uma doença sexualmente transmissível, que o contaminou ainda no útero. A enfermidade compromete o sistema nervoso central, o coração e, se não for corretamente tratada, pode matar. A poucos dias do parto, Laura pediu ajuda. Chegou vestida em farrapos, descalça, bateu na porta da casa de uma irmã mais velha, que lhe deu R$ 3 para chegar ao CapsAD do Guará. Lá, foi atendida e encaminhada para a comunidade terapêutica das Mulheres de Deus, em Ceilândia, onde está há quatro meses. Em abstinência desde a internação, conseguiu o direito de amamentar.

Laura conheceu as drogas por influência de amigos. Ela conta que teve pais amorosos. Na casa onde passou a infância, em Samambaia, as desavenças eram resolvidas com conversa. Mas as boas recordações não foram a principal referência da menina, que ficou órfã aos 17 anos. O pai morreu de enfizema. A mãe, de cirrose. Os dois bebiam e fumavam muito. Entregaram-se ao vício. Perderam uma firma de limpeza, o apartamento e o carro no jogo do bingo. Laura foi espelho do exemplo de destempero que viu em casa. Chegou a ter marido e um filho, hoje com 11 anos. Mas optou por viver uma aventura. E cortou o caminho com as drogas, que lhe encorajaram para a prostituição.

As viciadas costumam ter muitos parceiros, porque vendem o corpo para conseguir a pedra. Alucinadas com os efeitos da droga, não se preocupam em se proteger de doenças. O "Perfil dos usuários de cocaína e crack no Brasil", de 2008, mostrou que a maioria das dependentes faz sexo diariamente com até cinco parceiros para manter o vício. Laura não sabe quem é o pai da criança em quem hoje deposita a própria salvação. Chegou a ter dezenas de companheiros em apenas uma noite. "Já fiz mais de R$ 1 mil em algumas horas." Ela cobrava entre R$ 20 e R$ 50 pelo programa.

Todo o dinheiro que conseguiu com o corpo, empregou no crack. Desenvolveu compulsividade pela pedra. Passou a roubar os parceiros. "Uma mulher sabe como seduzir. Eu pegava o celular, o boné, até tênis eu já levei", conta. Laura tem os cabelos pretos, ondulados, quase até a cintura. Os olhos castanhos, puxados, seios fartos e coxas grossas. É uma mulher bonita. Mesmo maltratada pelo desgaste que o crack provoca no corpo, atraiu advogados, professores e até dois juízes para encontros íntimos. Chegou a passar uma semana trancada com um magistrado, também viciado em crack, em um motel de Ceilândia.

Foi a mulher e a mãe do juiz que foram buscá-lo. "Elas que me pagaram o programa e o motel. Ele saiu de lá direto para uma clínica. Mas ninguém me perguntou se eu precisava de ajuda, se queria tratamento", diz a mulher, que voltou para a rua, por onde perambulou três meses sem voltar para casa. "Um dia fui comprar pão, desviei do caminho, passei na boca de fumo e não voltei mais. Já estava viciada."

Recomeço
Laura, que ficou viúva do primeiro marido, perdeu a guarda do filho mais velho. O menino mora com o padrasto em Samambaia. "Eu fiz os dois sofrerem demais. Quando fumava, meu filho ligava para o pai de criação e dizia: "A mãe está fumando na latinha". Eu batia muito nele. Várias vezes meu ex-marido foi me pegar na rua, pagar as minhas dívidas. Ele não usa droga. Era apaixonado por mim, mas um dia não me procurou mais. Ninguém aguenta."

Depois que se internou, Laura, hoje com 30 anos, tem recebido a visita do filho mais velho a cada três semanas. "Ele nunca ficou tão feliz comigo. Diz sempre que eu vou melhorar. Eu sei que vou. Quando Victor nasceu, tudo mudou, eu me senti forte, vou superar e voltar a ser uma mulher de verdade", diz.

Ela não está curada. Ainda sofre crises de abstinência. É vigiada sempre. Mas os profissionais do CapsAD e da comunidade terapêutica que dão atendimento médico e psicológico a Laura avaliam que o contato com o bebê pode ajudá-la a largar o vício no crack. Após dois meses de internação, a mulher foi liberada para amamentar. Agora são as mãos minúsculas de Victor, que nasceu de oito meses, com apenas dois 2kg, que sustentam a mãe.

LILIAN TAHAN » ALMIRO MARCOS
Correio Braziliense - 05/03/2012

sábado, 3 de dezembro de 2011

JUSTIÇA, LEI E DROGAS - UMA OUTRA VISÃO

No início de outubro fez cinco anos que o consumo de drogas no Brasil deixou de ser crime. Tecnicamente, por um simples detalhe, ainda consta como autor de crime "quem adquirir, guardar, tiver em depósito, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar".
Na prática, entretanto, essa conduta tem como consequência mera "advertência sobre os efeitos das drogas", "prestação de serviços à comunidade" ou a obrigatoriedade de comparecer a programa ou curso educativo, de modo que o consumo de drogas é o único crime no Brasil no qual seu autor não pode ir preso de forma alguma.

O interessante é que quem disponibiliza a droga é tido como vilão, e merece pena de cinco a 15 anos de reclusão. Isso é justo? Não.

Na verdade, a Lei nº 11.343/06, que despenalizou o consumo de drogas, apenas deixou de tratar a questão com hipocrisia. Ou melhor, tratou apenas com "meia hipocrisia". Explico: nunca se vencerá a guerra contra as drogas, e todos sabemos disso. Enquanto existirem pessoas querendo comprar, surgirão pessoas dispostas a vender. Essa a lógica do mundo para tudo. E a hipocrisia surge quando se demoniza quem vende, mas se adula quem compra.

Não seria o caso, contudo, de retroceder, e voltar à antiga lei antidrogas, de 1976, que estabelecia pena de prisão para o usuário (embora os juízes já não mais aplicassem essa sanção).

O que defendo é acabar de vez com o crime organizado, liberando-se a venda de drogas, todas, para quem quiser. Em contrapartida à liberação das drogas nas lojas especializadas, deveriam ser exigidos exames dos servidores públicos, sejam policiais ou juízes, defensores ou professores, de todos enfim que recebem do erário, para atestar o não consumo de drogas, sob pena de demissão.

Assim também aconteceria na iniciativa privada, em que os patrões poderiam demitir empregados nessa mesma situação. Dessa forma, e propiciando um tratamento efetivo a quem queira deixar o vício, daremos um passo à frente nessa questão que atinge de igual modo devastador tanto os grandes centros urbanos como pequenas cidadezinhas do interior, pois acabaríamos com a maior fonte de renda do poder paralelo e do crime organizado.

Se a droga é uma questão social, deve ser enfrentada com inteligência e astúcia. E quem ganha é o Brasil e sua sociedade.

Vladimir Polízio Júnior - A Gazeta

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

FRONTEIRAS ABANDONADAS



Protesto justo – Policiais federais promoverão na quinta-feira (24) manifestações e Operação Padrão por melhores condições de trabalho e valorização dos servidores da instituição. Os policiais federais lotados em regiões de fronteira farão operação padrão para protestar contra o abandono e as precárias condições de trabalho dos servidores que atuam nas localidades de difícil provimento.

Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Tocantins, Acre, Rondônia, Roraima, Amazonas, Maranhão e Amapá são os estados que servirão de palco para os protesto, que devem acontecer em delegacias e unidades de fronteira. Cerca de 500 policiais federais lotados nestas localidades participarão do movimento.

Na manhã de quinta-feira, policiais federais em Brasília (DF) reúnem-se em frente ao edifício-sede da PF para cobrar melhores condições de trabalho. Na pauta de reivindicações consta também o repúdio às perseguições, por parte de dirigentes da Polícia Federal, contra representantes sindicais dos servidores, o fim da terceirização de serviços da PF, falta de critérios nas remoções dos servidores, além de outros problemas de gestão na Polícia Federal.

A cobrança dos policiais federais é mais do que justa, pois a quantidade de drogas e armas apreendida durante a ocupação das favelas da Rocinha, do Vidigal e Chácara do Céu, no Rio de Janeiro, mostra o grau de abandono das fronteiras brasileiras por parte do governo

Fonte: Ucho.Info

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A REVOLUÇÃO DOS "BICHOS GRILOS" MIMADOS DA USP

A Universidade de São Paulo (USP) é a maior instituição pública de ensino superior do Brasil. Com 11 câmpus e 89 mil alunos matriculados, dos quais 50 mil na Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira, figura também entre os mais reconhecidos centros de excelência em pesquisa científica e produção de pensamento filosófico do subcontinente latino-americano. No entanto, nenhum de seus mais respeitáveis mestres de Matemática será capaz de explicar de que tipo de legitimidade foram ungidos os 73 vândalos que ocuparam dois prédios - um da administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e outro da Reitoria - para merecerem do reitor anistia "administrativa" pelos danos cometidos contra o patrimônio, de propriedade da cidadania brasileira, que sustenta suas atividades de aprendizado.

Nem sequer o grego Aristóteles, preceptor de Alexandre, o Grande, encontraria alguma lógica na concessão dada a, digamos, 600 estudantes para decidirem sobre a permanência de jovens turbulentos e estranhos ao expediente nos dois prédios, a pretexto de protestarem contra a presença da Polícia Milita (PM) no câmpus, que consideram "território sagrado" e inviolável.

Quem se depara com a informação de que os invasores dos prédios só admitiam negociar com a Reitoria se os policiais fossem afastados da Cidade Universitária pode ter a falsa ideia de que, de repente, num pesadelo inimaginável, tivéssemos voltado à ditadura, que reprimia a liberdade acadêmica. Nada disso! Entre janeiro e abril deste ano, os roubos no câmpus aumentaram 13 vezes e os atos de violência - entre os quais estupros e sequestros relâmpagos - cresceram 300%. Em maio, um estudante de Economia foi morto num assalto. O sangue dele foi a gota que fez o cálice transbordar e a direção da USP assinar um convênio com a PM para que soldados fizessem o papel que vinha sendo desempenhado por 130 agentes de segurança patrimonial, que, em dois turnos, vigiavam dezenas de prédios e vários estacionamentos e garantiam a segurança de 100 mil pessoas que circulam todo dia pelas ruas da sede da USP. Em quatro meses de policiamento, os furtos de veículos caíram 92,3%; os sequestros relâmpagos, 87,5%; os roubos, 66,7%; e os delitos de lesão corporal, 77,8%.

Tudo corria muito bem até o dia em que policiais militares que patrulhavam as ruas amplas e arborizadas do aprazível local abordaram três alunos que fumavam maconha no prédio da História e da Geografia. Quando tentaram levá-los para o 91.º Distrito Policial (DP) para registrar a ocorrência, os agentes da lei foram atacados por uma horda de cerca de 200 estudantes. Do entrevero resultaram policiais feridos e seis viaturas apedrejadas. Minorias radicais que controlam diretórios acadêmicos e sindicatos de servidores e professores usaram o incidente como pretexto para um violento protesto contra a presença da polícia "repressora" em "seu" câmpus. Os rebeldes ocuparam um prédio da FFLCH, transformado em QG de sua guerra contra a "neorrepressão".

A congregação da faculdade cujo prédio foi invadido apoiou a invasão e a reivindicação dos amotinados. Mas, numa demonstração de que, felizmente, é possível estudantes aprenderem certo, mesmo quando seus mestres ensinam errado, a maioria dos alunos aprovou, em duas assembleias, a imediata desocupação dos prédios e o policiamento das ruas. A decisão era de uma sensatez cristalina. Afinal, as únicas prejudicadas com a presença de policiamento no local foram as quadrilhas instaladas nas favelas que cercam a sede da universidade, as quais tiveram reduzidos seus lucros no furto de bens, na sevícia de pessoas e na venda de drogas. A serviço dessas quadrilhas - da mesma forma que as Farc, na Colômbia, se tornaram a guarda pretoriana dos traficantes de cocaína e o crime organizado no México se aliou ao terrorismo internacional patrocinado pelo Irã -, os grupelhos esquerdistas desprezaram a decisão democrática dos colegas, ocuparam a Reitoria e exigiram a retirada da polícia para negociar a retirada.

Ao invadirem os prédios, mascarados, os ativistas da revolução dos filhinhos dos papais da USP mostraram que não tinham vergonha de se comportar como os assaltantes de diligências no Velho Oeste americano. E que contavam com a possibilidade de não ser identificados na hora de terem de pagar por seus crimes. Ao aceitar sua exigência de que os anistiaria desses delitos, o reitor João Grandino Rodas agiu com a pusilanimidade com que habitualmente os administradores universitários enfrentam esses delinquentes.

Desde que a escolha dos reitores passou a ser feita pelo voto de alunos, funcionários e professores, a politicagem vem sendo a moeda de troca que tem permitido esse tipo de baderna, nociva ao livre aprendizado e à pesquisa que a sociedade paga caro para manter em instituições como a USP. Felizmente, contudo, a autoridade policial não precisa dos votos dos baderneiros e fez o que devia ser feito: numa operação espetacular e exemplar, retomou os prédios dos invasores e os levou em ônibus para a delegacia, da qual cada "bicho grilo" mimado só saiu depois de pagar fiança de R$ 545, valor razoável para as famílias de privilegiados de elite que não frequentam aulas que poderiam estar sendo ministradas a filhos de pobres, que pagam as contas da USP e não têm chance de frequentar seus cursos caros e disputados.

O câmpus de qualquer instituição acadêmica é sagrado para a transmissão do saber, não para o consumo de drogas. É proibido fumar maconha na nave da Sé, na rua, em boates e na Cidade Universitária. Os "bichos grilos" mimados que se disseram "torturados" por terem sido levados de ônibus - e não nos carrões dos pais - para a delegacia devem ser fichados como bandidos comuns e expulsos da universidade para que outros que querem e precisam estudar recebam a educação que desprezam

José Nêumanne Pinto

sábado, 30 de julho de 2011

MERGULHADOS NO VICIO.

A recente prematura e dramática morte da cantora Amy foi um estridente grito de alerta para o nosso nojento vício, e mostrou como o consumo desvairado de entorpecentes pode inebriar, e proporcionar instantes de incontido prazer e deleites orgásticos pontuais, mas levar à ruina, à degradação, à morte moral e à putrefação ainda em vida.

Diante do infausto, impõe- se redobrados cuidados. Se não pararmos, ainda sucumbiremos disso. E nossas futuras gerações, também.

Nós e milhões de brasileiros estamos nos últimos degraus da decadência humana. Fomos escravizados por prazeres passageiros e palavras enganosas.

Os traficantes sabem como somos dependentes, acostumados a injetar nas veias doses letais dos mais variados estupefacientes, e nem ligamos.

Acorda, incauto Brasil!

Há décadas, embriagados pelos alucinógenos e entorpecidos pela mágica dos populistas, passamos a ingerir pequenas doses que se tornaram cavalares e a viver em outras galáxias, e ficamos viciados em qualquer droga que nos ofereçam.

Por falta de opções, fomos degradando, aviltando, e hoje temos que aguentar a droga da metamorfose ambulante, a droga da guerrilheira, a droga do congresso, as arrepiantes decisões do judiciário e os abusos dos estupradores da moral. Tudo, sem um ai.

Assim, não há veia que aguente. Em suma, somos viciados em porcarias.

Por quanto tempo será possível sobreviver a tanta intoxicação? Percebem - se os efeitos colaterais do entorpecimento, a perda do bom - senso, a falta de honestidade, de dignidade, a falência da indignação e o descaso com todo o tipo de devassidão.

Sim, somos viciados e, sem nenhuma ou pouca possibilidade de recuperação. É triste, mas é a pura verdade. Enlouquecidos pelo vício, nada mais importa, nem que a mula manque, o que eles querem é nos rosetar.

Reviramos os olhinhos à simples menção “de nunca na história desse País...”, deliramos com as propagandas, nos apegamos às mentiras, pois se o governo anunciou na mídia, passou a ser verdade. Diariamente, somos brindados com novas conquistas, repetitivas inaugurações, com novos feitos. O céu é o limite.

Mas quem se preocupa se forem falsos, superestimados, e que bradem que este é o Brasil de todos? O da propaganda sim, o real não.

E não nos perguntem o que o desgoverno fará por nós, mas o que faremos por ele. E nós, em uníssono e, totalmente chapados, responderemos felizes, “pagaremos os mais altos impostos do planeta, aplaudiremos promessas e viveremos na doce ilusão, de que afinal de contas, como Deus é petista, tudo vai dar certo”.

Vivemos na ilusão dos discursos (até as pregações de Jesus Cristo sofreram recentes reparos), dos foguetórios, engolimos o PAC com sofreguidão, entramos na orgia dos estádios, preferimos templos do esporte bretão às escolas, às universidades, nos alucinamos com corrupções, sonhamos com uma viagem alucinante no trem – bala, estamos, desde já, gastando as riquezas do pré - sal, e a cada manhã, como dose de psicotrópico matinal, aguardamos o escândalo nosso de cada dia.

Inapelavelmente drogados, numa alucinação de dar medo, vemos o ex adentrar na ESG para mais um espasmo de populismo. É terrível, é tétrico, pois o gajo, no nosso delírio, é aplaudido de pé, como o Stédile.

Sim, é melhor acordar antes que o pesadelo se torne realidade (já é).

Valmir Fonseca Azevedo Pereira

domingo, 3 de julho de 2011

AS DESPROTEGIDAS PORTAS DO BRASIL.

 

Tabatinga, Amazonas: todo tipo de mercadoria passa livremente pela zona portuária
Bruno Abbud
Três cães farejadores da Força Nacional de Segurança descansam num canil em Tabatinga, na Amazônia brasileira ─ que se limita por terra com a cidade colombiana de Letícia e é separada do Peru por um rio ─ enquanto dezenas de carros e caminhões ultrapassam a fronteira livres de vigilância. Sobre as águas turvas do Solimões, uma lancha da Receita Federal avaliada em 4 milhões de reais enferruja estacionada desde 2008. Mais de cem toras de madeira clandestina flutuam à espera de um navio cargueiro que as levará para os Estados Unidos. Um dos afluentes do extenso Solimões alcança Marechal Thaumaturgo, no Acre, onde um agente da Polícia Federal lamenta a falta de um farolete no mesmo instante em que incontáveis canoas peruanas motorizadas esquentam as turbinas para entrar em território brasileiro durante a noite, carregadas com pasta-base de cocaína.
Esses exemplos ilustram a imensa constelação de irregularidades que assolam as fronteiras nacionais e comprometem a segurança dos brasileiros. Durante quatro dias, a reportagem do site de VEJA percorreu 17 municípios do Amazonas e do Acre e fez entrevistas com 31 pessoas. O quadro é perturbador. Bananas, galinhas, refrigerantes, gasolina, cimento, brinquedos, roupas, toras de madeira, drogas, praticamente tudo passa livremente pelas fronteiras do norte. E passa muita gente. (Veja as fotos no infográfico)
Nos 1.644 quilômetros que separam o Brasil da Colômbia, por exemplo, há apenas uma delegacia da Polícia Federal e um posto do Fisco. Ambos ficam em Tabatinga. São 33 agentes da PF, um para cada 49 quilômetros de fronteira. O efetivo da Receita Federal é ainda menor. Apenas uma inspetora está incumbida de fiscalizar toda a divisa com a Colômbia. Nos 2.995 quilômetros que marcam a linha entre o Brasil e o Peru, há três postos da Polícia Federal ─ cada um com dois agentes ─ em Santa Rosa do Purús, Marechal Thaumaturgo e Assis Brasil, três municípios do Acre. Para controlar o contrabando, um deles teria de patrulhar 499 quilômetros de fronteira todos os dias. Nem sequer um metro é fiscalizado.
Crime ambiental: toras de madeira brasileira flutuam na divisa do Amazonas com o Peru
O governo espalha duplas de agentes federais em municípios considerados estratégicos. Em vez de vigiarem a travessia de produtos ilegais, os policiais passam o dia carimbando documentos e regularizando o uso de armas pela população ribeirinha. A mesma disfunção se repete com o quadro de funcionários da Receita Federal. Enquanto sobram fiscais nas capitais, algumas cidades nos confins do país têm um só. Por conta das más condições de trabalho, eles não vêem a hora de transferir-se para cidades maiores, mais movimentadas e menos perigosas. Pelas desprotegidas fronteiras do Amazonas e do Acre, entram 70% da cocaína vendida no Brasil.
Um Brasil esquecido
Tabatinga é um microcosmo das fronteiras na região. É fácil sair do Peru ou da Colômbia e alcançar o solo brasileiro em qualquer dia, com qualquer bagagem de qualquer tamanho. Ninguém é abordado. Não há indício da presença de integrantes da Polícia Federal, Receita Federal, Vigilância Sanitária ou Ibama. A bagagem que vem do Peru e da Colômbia pode percorrer o Solimões a bordo de lanchas alugadas por 370 reais e chegar até Manaus sem sobressaltos. Nesse trajeto, não há um único posto policial. Nenhuma lancha da Polícia Federal ou da Receita Federal costuma aparecer. Existem três cidades ─ Tefé, Fonte Boa e São Paulo de Olivença ─ que comportam aeroportos em que não há revista pessoal, raio x ou a inspeção com cães farejadores. As pistas de pouso são cercadas de mato alto. Um avião carregado com qualquer coisa pode pousar e decolar sem vistorias.
Em Tabatinga, até o que está dentro da lei apresenta riscos para o país. Às 21h19 da quarta-feira, 25 de maio, 80 estivadores descarregavam 15.000 sacos de cimento no principal porto da cidade. Tudo veio do Peru. A carga estava com toda a documentação em dia, garantiu Daniela Sampaio, única inspetora da Receita Federal em Tabatinga. O problema é que, no momento em que descarregavam o gigantesco carregamento, não havia qualquer fiscal. “Se fosse cocaína, por exemplo, nós estaríamos descarregando do mesmo jeito, mas sem saber”, disse Geraldo Daniel Vela, presidente do Sindicato dos Estivadores de Tabatinga. As fronteiras do norte retratam um Brasil esquecido.
Drogas e religião
Às 8h14 no porto da Feira, o segundo mais movimentado da cidade, um grupo de mulheres com véus pretos cobrindo a cabeça começam a descarregar enormes cachos de banana, sacos de batata, tomate e galinhas engaioladas de barcos peruanos. Elas vêm do outro lado do rio, dos municípios peruanos de Isla Santa Rosa e Islândia, ambos na província de Mariscal Ramón Castilla. Pertencem à Associação Evangélica da Missão Israelita do Novo Pacto Universal, uma seita de fanáticos que se vestem como personagens bíblicos e costumam sacrificar animais nos seus templos. Segundo o delegado Mauro Spósito, da PF em Manaus, os chamados “israelitas” também constituem o principal grupo de produtores de folha de coca no Peru. “Em Tabatinga, do outro lado do rio, há pelo menos mil famílias que plantam coca”. Os fanáticos, informa o delegado, colhem as folhas, retiram delas a pasta-base da cocaína e repassam aos traficantes, que atravessam a fronteira e levam às capitais brasileiras o produto que pode ser transformado em pó de cocaína, crack e, ultimamente, oxi.
O véu preto caracteriza as integrantes de uma seita que produz folhas de coca no Peru
Toda manhã ─ e frequentemente também à noite ─ os barcos dos israelitas e de outros traficantes atravessam o Solimões. Toda manhã, uma lancha da Receita Federal avaliada em 4 milhões de reais, blindada e equipada com aparelhos de visão noturna, pode ser vista parada e enferrujando na margem brasileira. Segundo a Receita, não há agentes preparados para pilotá-la nem dinheiro para manutenção. Tais carências também mantêm paralisadas duas embarcações da Polícia Federal. A repressão ao tráfico e contrabando nos rios que dividem a fronteira do Amazonas é zero. Centenas de toras de madeira são derrubadas por peruanos perto do município amazonense de Benjamin Constant. Os criminosos amarram umas às outras e as conduzem por vias fluviais até uma madeireira clandestina no Peru. Também no lado peruano, postos de combustível flutuantes vendem gasolina e diesel a 1,75 real o litro. Um tonel de 240 litros sai por 420 reais. Como no outro lado o preço é duas vezes maior, os municípios amazonenses só consomem a gasolina peruana.
Violência urbana
O contrabando desenfreado está na origem da crescente violência. Logo pela manhã, um velório em curso num dos bares da zona portuária pouco altera os rostos sonolentos. O caixão sobre uma mesa de sinuca abriga um peruano de 48 anos, morto com cinco tiros na cabeça por envolvimento com o tráfico. Só a viúva chora. Os mototaxistas da cidade, muito solicitados por quem procura pasta-base de cocaína, invadem o lugar à caça de clientes interessados em chegar ao cemitério junto com o finado. “Todos os dias matam um”, conta a viúva. “Há muitos pistoleiros em Tabatinga”, revela um mototaxista.
A poucos metros do caixão, algumas lanchas descarregam haitianos que, por 2.000 dólares, contrataram um “coiote” que os conduziu até o Brasil. “Chegam quase 40 haitianos por dia neste porto”, diz Pedro Pereira da Silva, vereador em São Paulo de Olivença, município vizinho a Tabatinga. Alguns haitianos pagam mais dólares para tentarem a sorte como operários na usina de Jirau, em Rondônia. Outros esperam pela documentação emitida pela Polícia Federal, algo que os classifica como refugiados, e partem na direção de São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Segundo o delegado Spósito, essa sempre foi a rotina de Tabatinga. “João Figueiredo, Sarney, Collor, Lula. Todos os presidentes estiveram aqui e prometeram fazer algo por Tabatinga”, diz. “Eu estava aqui. Nada fizeram”. A cidade ainda não recepcionou Dilma Rousseff.

Delegado Mauro Spósito mostra, em sua mesa de trabalho, uma muda de folhas de coca
O atalho ideal
O barulho do aparelho de ar condicionado faz vibrar toda a estrutura de madeira do posto da Polícia Federal em Marechal Thaumaturgo, que separa o Acre do Peru. Dois agentes – o pernambucano Alisson Costa e o paranaense George Haikal – ambos com cabelos pretos e óculos de grau, são responsáveis pela fronteira. Para Guilherme Delgado, também agente da Polícia Federal, mas lotado em Rio Branco, esse é “o ponto do Acre onde mais passam drogas”.
“Se vierem do rio metralhando o posto, estamos perdidos”, diz Costa. “Somos só dois. O ideal seria ter mais quatro agentes aqui”, lamenta Haikal. Cada um recebe 177 reais por dia para trabalhar em Marechal Thaumaturgo. Cada temporada dura dois meses, ao fim dos quais outros agentes chegarão. Durante a madrugada, quando os contrabandistas peruanos atravessam o estreito Rio Amônia, que marca a divisa entre o Acre do Peru, Costa e Haikal permanecem imóveis. “Não temos nem farolete, que é uma coisa básica”, diz Costa. “Não há o que fazer”, concorda Haikal. Às vezes, eles têm de dividir a única lancha com os militares do Exército, instalados na área rural do município. Os soldados estão sempre confinados no quartel ou em treinamento militar nas redondezas. São odiados pelos moradores, que os acusam de engravidar as mulheres da cidade e sumir. Haikal e Costa nunca saem do posto.
Quilômetros ao sul, centenas de veículos saem da boliviana Cobija para a acreana Brasiléia com o posto da Receita Federal às escuras. Mais ao norte, em Santa Rosa do Purús, duas funcionárias da Câmara de Vereadores redigem ofícios em máquinas de escrever Olivetti. Outros dois agentes trabalham sozinhos à beira de um rio que, à noite, se transforma num viveiro de contrabandistas. “O movimento é intenso de madrugada”, conta a agente federal Ana Paula. “Não dá para fazermos nada, somos só dois”, reclama seu parceiro Bina. Neste ano, a policial foi infectada por sarna ao dormir no colchão do posto.
Em Epitaciolândia (a mais de 550 quilômetros de Santa Rosa do Purús), para onde Ana Paula voltará daqui a dois meses, colchões semelhantes forram o chão do ginásio municipal. Servem para acomodar quase 300 haitianos, que costumam cantar à noite, utilizar um banheiro de odor insuportável e conferir num mapa cravejado de tachinhas vermelhas qual será o destino a comportar a vida melhor que vieram buscar depois que descobriram a fragilidade das fronteiras brasileiras. Pelas divisas acreanas, chegam mais de cem haitianos por dia, informa o agente Guilherme Delgado, da Polícia Federal em Rio Branco. Poucos tiveram suas vidas abaladas pelo terremoto de janeiro de 2010. A maioria decidiu mudar de país em busca de trabalho, algum dinheiro e mais conforto. Encontraram no Amazonas e no Acre o atalho ideal.

Augusto Nunes - @Veja

sexta-feira, 1 de julho de 2011

AIDS E CRACK.

Muito tem se falado sobre o crack. A droga está cada vez mais presente nas ruas de grandes cidades do Brasil e de outros países do Cone Sul. A preocupação dos governos para entender os efeitos e, principalmente, os fluxos da cocaína e o crack é crescente. Uma questão, no entanto, vem recebendo pouca atenção. Trata-se da vulnerabilidade dos usuários de crack ao HIV e a outras doenças infectocontagiosas como a tuberculose, as hepatites e infecções transmitidas sexualmente de um modo em geral.

No final dos anos 80 e início dos 90, o Brasil foi protagonista no desenvolvimento de estratégias inclusivas ao promover ações de redução de danos entre usuários de drogas injetáveis, que então constituíam um dos grupos mais vulneráveis à transmissão do HIV por via sanguínea. O resultado foi um decréscimo de 72,6% do número absoluto de casos de aids associados ao uso injetável de drogas entre 1996 e 2006.

Naquele momento, foi necessário que o enfoque não fosse a droga, mas o usuário, com ações de enfrentamento ao estigma e ao preconceito que representavam grandes barreiras na promoção do acesso desta população aos serviços de saúde. Hoje, quase 20 anos depois, o país enfrenta um novo desafio: a vulnerabilidade dos usuários de crack.

Surgido na década de 80, o crack é uma droga derivada da cocaína, com alto poder de criar dependência e que apresenta consequências devastadoras para a saúde física e mental do usuário. O baixo custo da pedra, comercializada, às vezes por apenas R$ 5,00 faz com que qualquer pessoa tenha acesso à droga.

Diferentemente de outras substâncias, o consumo problemático do crack é diário e ocorre até o esgotamento físico, psíquico ou financeiro do usuário. Os usuários de crack consomem em média entre seis e 10 pedras por dia e, quando em grupo, compartilham o "cachimbo" e até mesmo a fumaça para economizar no consumo da droga.

Estudos com recortes específicos demonstram os fatores de vulnerabilidade dos usuários de crack em relação ao HIV: práticas sexuais sem proteção, associadas a um número elevado de parceiros; a troca de sexo por dinheiro ou mesmo pela droga; o baixo nível de instrução dos consumidores; a substituição do uso exclusivo pelo uso de múltiplas drogas; e a baixa imunidade colocam o usuário em situação ainda mais vulnerável.

Essa relação com a droga, potencializada pelo viver em situação de rua, tem tornado o usuário de crack alvo de estigmatização, preconceito e marginalização, fragilizando todos os laços sociais que poderiam oferecer alternativas. No Brasil, um estudo publicado em 2004 sobre o comportamento de risco de mulheres usuárias de crack em relação às DSTs/aids revelou uma prevalência de 20% para o HIV na amostra estudada.

Os estudos e a própria experiência mostram que é preciso agir rapidamente, para evitar a propagação dessas doenças entre os usuários de crack. Os tempos mudaram, o perfil do uso de drogas mudou, os desafios são outros, mas o objetivo deve ser o mesmo: prevenir e reduzir o consumo de drogas e minimizar os riscos e as vulnerabilidades à saúde de usuários por meio de serviços de atenção integral

Bo Mathiasen e Pedro Chequer

sexta-feira, 24 de junho de 2011

DROGAS: A MENTIRA COMO ELA É.

Aguarda-se, para breve, a releitura da bíblica pela militância
                   maconheristamente correta: o homem veio do pó e ao pó retornará.


Tempos em que o consumo de drogas entorpecentes era uma forma de profetas de meia pataca, manipulando os incautos, alcançarem interseção com os deuses. Momentos em que o entorpecimento dos corpos pelas drogas servia para homens suportarem privações, sofrimentos, suplícios de todas as formas. Períodos em que o uso de drogas foi ora tolerado, ora permitido, ora incentivado, ora proibido... De fato, percebe-se uma diacronia não linear na relação do homem com as substâncias entorpecentes.

Até há pouco tempo, vivia-se, ao menos, uma quadra em que era insofismável a vedação ao consumo e o tráfico ilícito de drogas, considerados crimes. Todavia, hoje, com o domínio destepaiz pela militância esquerdistamente correta e pelo desgoverno da Idade das Trevas, experimenta-se, aqui, um tipo de progressismo entorpecedor, ao menos nos extratos mais se dizentes “evoluídos” da sociedade e das instituições, pelo que o consumo de tais substâncias significaria uma nova interseção, não com os deuses de antanho, porém com a ciência, a clarividência, a racionalidade, enfim, o “novo homem”, o “homem ideal”, o “homem final”, a se construir.


Neste momento, ocorre, nestepaiz, uma disputa, na qual a militância do progressismo estupefaciente arma-se de todos os estratagemas irracionais para “comprovar” que tem razão, para convencer os incautos da vez e grande maioria da sociedade – contrária às drogas – de todos os benefícios da sua descriminalização. Inclusive, a liberdade de expressão, direito fundamental tão esquecido pelos esquerdistas “evoluídos”, quando não simplesmente vilipendiado em prol da construção do “novo homem”... destepaiz.

Portanto, fazendo-se uma miscelânea de todos os estratagemas da militância esquerdistamente correta e do desgoverno da Idade das Trevas, não será de se surpreender que, em um período não muito distante, nestepaiz, chegar-se-á ao extremo não somente de total descriminalização do uso e do tráfico de drogas, como tais práticas tornar-se-ão categoria dogmática definitiva, impeditiva de opiniões contrárias, para se inibir a drogafobia, como também entidade justificadora da criação de novas cotas antidiscriminatórias, para acesso aos serviços e produtos sociais, por exemplo, cotas para drogados em programas de televisão, em universidades, no SUS, nos partidos políticos, etc.


Mas continuarão em falta cotas antidiscriminatórias para os homens cristãos, trabalhadores, honestos, pais de família, pagadores de impostos, que não têm tempo para militar em prol dos seus direitos.

BSchopenhauer . Publicado originalmente no BLOG "VENENO VELUDO"

terça-feira, 21 de junho de 2011

O SUPREMO, DE MAL A PIOR

            Digo e provo. Cada povo tem o Supremo que merece. Não é por outro motivo que convivemos com tantas decisões chocantes, contra as quais nada, absolutamente nada se pode fazer porque expressam a vontade da mais alta Corte. A Corte... Já escrevi sobre isso. Uma das características de toda corte é seu alheamento em relação à realidade. É um alheamento que começa no luxo dos salões, nas mordomias dispensadas aos cortesãos, nas necessárias garantias que lhes são concedidas com exclusividade em relação à caterva circundante. E que, como não poderia deixar de ser, se reflete na visão de mundo e nos critérios de juízo. A corte contempla a realidade com luneta de marfim e ouro, enquanto balança os pés à borda de uma cratera lunar, lá no mundo onde vive. Marfim e ouro? Sim, marfim e ouro. Afinal, aquela Corte tem 11 membros, um orçamento de R$ 510 milhões (um sexto do orçamento da Câmara dos Deputados com seus 513 membros) e cerca de 2600 funcionários, entre servidores concursados, terceirizados e estagiários (cf. Luiz Maklouf Carvalho, Revista Piauí, ed. 57).

Por outro lado, dado que cada povo tem o governo que merece, sendo o governo quem escolhe os ministros do Supremo, a frase que se aplica àquele, faz-se vigente, também, para este. Lula cansou de nomear ministros para o STF. A presidente Dilma tem mais quatro anos para fazê-lo. Antes dos dois, FHC era adepto do mesmo relativismo e materialismo. Quod erat demonstrandum: duas décadas de governos com esse perfil deu-nos o STF que temos. Então, entrega a Amazônia para os índios; então, solta o Battisti; então, véu e grinalda para as uniões homossexuais; então, marche-se pela maconha. E preparemo-nos para o que vem por aí, pois desse mato continuarão saindo cobras e lagartos. Está tudo dominado!

Não conheço um único pai, uma única mãe que chame seu filho e lhe diga: "Filhão, já que hoje é sexta-feira, toma vinte e vai comprar uma erva". Ou então: "Guri, vai fumar esse baseado no teu quarto que eu não suporto esse cheiro". Não. Todo o esforço vai no sentido de alertar os filhos para os riscos do consumo de uma droga cujos menores danos ocorrem na saúde dos pulmões, na redução da atividade cerebral e da intelecção, na perda de interesse pelos estudos, e na percepção de tempo e espaço. E cujos maiores prejuízos advêm da motivação para o uso de substâncias ainda mais tóxicas e que geram dependência muito maior. Quem não está no mundo da lua sabe que raros são os usuários de outras drogas que não entraram nesse buraco sem fundo pela abertura proporcionada pela cannabis.

Consultado sobre a marcha da maconha, que faz STF? Decide que o que estava em julgamento era a liberdade de expressão... E a maconha ganha as ruas. Desnecessário continuarem marchando. Podem os chapados parar de caminhar. Nada consagrará mais o consumo e o brindará com maior tolerância do que essa decisão do STF! A partir dela, ficou muito mais difícil aos pais convencerem os filhos de que aquela substância cuja marcha foi liberada lhes será nociva ou, até mesmo, fatal. Note-se que a posição ocupada pela maconha na longa e mortal galeria das drogas, é absolutamente estratégica e se baseia, exatamente, na difusão da ideia de que ela "faz menos mal do que o tabaco". O tabaco faz mal, sim, e por isso está banido do mundo publicitário, mas ninguém saiu dele para a cocaína ou para a heroína.

Os membros do STF têm sido perfeitamente capazes, para atender seus pendores, de espremer princípios constitucionais e extrair deles orientações que contrariam a letra expressa e a vontade explícita dos constituintes. Mas sequer cogitaram de fazer o mesmo em relação à marcha que propagandeia a maconha. Saibam, contudo, os leitores: não faltariam aos membros da Corte preceitos constitucionais relativos à proteção da infância e das famílias para uma decisão que travasse a propaganda da maconha. Bastaria que houvesse em relação ao bem estar social um apreço superior ao que eles demonstram por suas próprias filiações filosóficas. Podem começar a marchar, agora, pelo óxi, pelo crack e pela cocaína. A Corte vai deixar. Ela está nem aí.

Por Percival Puggina

sexta-feira, 29 de abril de 2011

MARCHA DA MACONHA?!


O juiz Alberto Fraga, do 4º Juizado Especial Criminal (Jecrim), do Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro, concedeu nesta quinta-feira (28) habeas corpus preventivo para que manifestantes possam participar, sem serem presos, da Marcha da Maconha, marcada para o próximo dia 7, em Ipanema.

A decisão foi proferida em favor de Renato Athayde Silva, João Gabriel Henriques Pinheiro, Thiago Tomazine Teixeira, Adriano Caldas Cavalcanti de Albuquerque, Achille George Telles Lollo e Antonio Henrique Campello de Souza Dias, mas é válida para todos os demais participantes. Eles deverão participar do movimento sem usar ou incentivar o uso da substância entorpecente.

O juiz acolheu o pedido com base em decisões anteriores, proferidas pelo então juiz titular do Jecrim do Leblon, hoje desembargador Luis Gustavo Grandinetti Castanho de Carvalho, que concedeu a ordem a fim de evitar a prisão dos manifestantes na marcha realizada em 1º de maio de 2010.

O magistrado afirmou ainda que a proposta da manifestação é discutir uma política pública e defender a exclusão da maconha do rol das substâncias ilícitas, sem, todavia, incentivar o seu uso ou comércio. Ele alertou, no entanto, que o Poder Judiciário, por meio da decisão, não está a chancelar o uso de qualquer tipo de droga.

No último sábado (23), quatro pessoas foram detidas na Lapa, na região central, quando faziam panfletagem para a Marcha da Maconha. O material continha frases apoiando a legalização da droga para uso particular e o calendário das passeatas do grupo.

Com eles foram apreendidos panfletos e camisas com propaganda do evento. O grupo foi autuado por apologia ao crime mas todos vão responder o processo em liberdade.


fonte: IG Rio de Janeiro

sexta-feira, 22 de abril de 2011

OXI - UM ALERTA (By Marco Sobreira)

Um novo e devastador perigo ameaça nossos jovens, principalmente os de menor poder aquisitivo, refiro-me ao OXI ou OXIDATO como é conhecido entre os seus usuários. Imaginem uma droga pior que o crack, barata, com poder de viciar instantaneamente e com repercussões orgânicas ainda não estudada o suficiente para se avaliar o tamanho e a velocidade dos danos ao organismo de seus consumidores?


O crack é produzido ao se adicionar bicarbonato e amoníaco ao cloridrato de cocaína, já o oxi é fabricado através da adição de querosene e cal virgem à cocaína. Estudada inicialmente nas cidades acreanas, onde o refugo da cocaína, conhecida como “tia”ou “mescla” era misturada até com solução de bateria, tudo dependendo do que o traficante tinha às mãos.

Brasiléia ou Epitaciolândia são cidades pobres, onde os habitantes moram em casas de madeira sobre palafitas, são amplamente conhecidas por qualquer um que estude o tráfico de drogas oriundos da Bolívia, sua proximidade com a cidade de Cobija. O rio que separa as duas cidades é alagadiço, enche no período de chuvas e fica tão raso na seca que pode ser atravessado a pé, facilitando o tráfico.

Vendido em pedras, que podem ser mais amareladas ou bem esbranquiçadas dependendo da quantidade de querosene ou cal virgem adicionados, o grande apelo do OXI é justamente o seu preço, enquanto a “mescla” custa de 5 a 10 reais por trouxinha que serve para três cigarros, o OXI é vendido de 2 a 5 reais por 5 pedras. É uma droga popular.

A pedra é consumida em latinhas com furos, como o crack, o que torna a fumaça mais pura e seu efeito ainda mais forte, também é consumida misturada ao cigarro ou à maconha e em pó, aspirado. Seja como for, o consumo é sempre acompanhado de bebida, cachaça, cerveja ou coisa pior, há relatos de uso com álcool etílico na falta ou impossibilidade de se adquirir outras bebidas.

O uso do álcool é quase indispensável, por causa de uma das características do OXI, a “fissura”. No começo seu usuário sente uma sensação de euforia, de ânimo, depois vem o medo, a mania de perseguição, a paranóia. A droga só dá “barato” enquanto é consumida e cada pedra dura cerca de 15 minutos , para perpetuar o barato , o uso do álcool serve de alívio entre uma pipada e outra, num ritual que geralmente dura em torno de seis horas, preferencialmente à noite.


Para conseguir mais drogas e calar a “fissura”, os usuários em sua grande maioria sem poder aquisitivo e desempregados, praticam pequenos roubos ou se prostituem aumentando o risco de doenças sexualmente transmissíveis, principalmente a AIDS entre eles, que começam a atividade sexual geralmente entre os 9 e 14 anos.

Pelo pouco que se sabe ainda, os efeitos no organismo se traduzem por danos ao sistema nervoso, levam à paranóia e ao medo constante, mas vai além disso, emagrecimento rápido, cor amarelada, problemas estomacais, no fígado, vomitam e têm diarréia freqüentemente, há inclusive relatos de que quando pipam a pedrinha, caem, vomitam, defecam e têm o “barato” entre fezes e vômitos até se levantarem e piparem novamente.

Um dado alarmante, é que aproximadamente 30% dos usuários morrem em um ano, seja pela efeito da droga ou assassinados pelos pequenos furtos ou dívidas com os traficantes, sua paranóia e medo de tudo, os impede de procurar ajuda, se isolando cada vez mais agravando o quadro deste novo perigo que ronda nossa juventude.

Marcados, discriminados pela policia e até mesmo pelos agentes de saúde, os consumidores do OXI são relegados à condição de escória humana, se hoje nos chocamos com as cracolândias, podemos nos preparar para algo muito pior que está vindo por aí. Ou o Governo encara o combate às drogas como prioridade e providencia assistência médica, psicológica, clinicas de tratamento, ou grande parte de nossa juventude, prioritariamente as de maior risco social, estará irremediavelmente condenada. "NÃO PODEMOS PERMITIR"



quinta-feira, 21 de abril de 2011

VIDAS EM RISCO.

Governo precisa adotar medidas eficazes de combate às drogas, afirmam deputados


Os deputados César Colnago (ES) e Raimundo Gomes de Matos (CE) classificaram de insuficiente a atuação do governo federal no combate às drogas e cobraram rapidez no enfrentamento do problema. Apesar da necessidade de ações de prevenção e tratamento ao usuário, o Programa Integrado para Enfrentamento do Crack e Outras Drogas, lançado pelo ex-presidente Lula em maio do ano passado, até agora não foi colocado em prática.

Para os tucanos, a situação está cada vez mais preocupante. E, para agravar a situação, uma nova droga começa a ameaçar a tranquilidade dos brasileiros: o oxi, uma substância derivada da cocaína e com elevado poder de destruição. O Conselho Federal de Medicina, conforme reportagem do jornal “O Globo”, tem criticado a paralisia do governo para colocar o plano de enfrentamento ao crack em prática. O primeiro vice-presidente do Conselho, Carlos Vital Corrêa Lima, considera os R$ 400 milhões previstos para o programa insuficientes para solucionar essa equação.

Na opinião de Colnago, o governo precisa adotar uma política de interação com os estados e, principalmente, controlar a entrada de drogas e entorpecentes pelas fronteiras. O tucano criticou o governo por não criar um programa nacional nas unidades de saúde para dar atenção ao usuário.

“O consumo só aumenta e isso mostra que não temos um resultado eficaz em relação a essa questão”, apontou. Sem uma política efetiva, segundo o parlamentar, o crack continuará destruindo a vida e o futuro das famílias brasileiras. “O governo tem que se preocupar permanentemente e colocar esse assunto sempre em pauta. Uma nação que não cuida dos seus jovens não cuida do seu futuro.”

Por sua vez, Gomes de Matos condenou a administração federal por não ter planejamento em nenhuma das ações públicas. “Cada vez mais os jovens consomem drogas e isso gera uma vulnerabilidade grave para o país. O governo prefere gastar dinheiro em publicidade em vez de investir na área social”, sentenciou. Ele destacou ainda a inexistência de mecanismos de recuperação dos usuários, o que só agrava o problema.

Segundo “O Globo”, no Acre, meninas de oito anos e mulheres de até 60 anos consomem oxi, que custa entre R$ 2 e R$ 5. Diante dessa mazela, o deputado Márcio Bittar (AC) pediu uma audiência pública na Comissão da Amazônia para debater a entrada da droga no país e as consequências da redução do orçamento da Polícia Federal para fiscalização das fronteiras.

Inoperância

→ O primeiro vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, Carlos Vital Corrêa Lima, disse que a baixa execução orçamentária é um entrave: de R$ 124 milhões disponíveis para a gestão da política nacional sobre drogas em 2010, apenas R$ 5,3 milhões (4%) já foram pagos.

→ Segundo estudo da Confederação Nacional dos Municípios, 98% das cidades do país enfrentam problemas relacionados ao uso do crack. A pesquisa, realizada no mês de novembro, mapeou 71% das cidades do Brasil, isto é, 3.950.

Fonte: http://bit.ly/gGldjh

quarta-feira, 20 de abril de 2011

FALHAS NO COMBATE ÀS DROGAS.

OConselho Federal de Medicina (CFM) criticou ontem a demora do governo para pôr em prática o Plano Integrado para Enfrentamento do Crack e Outras Drogas, lançado pelo então presidente Lula, em maio de 2010. O primeiro vice-presidente do Conselho, Carlos Vital Corrêa Lima, afirmou também que os R$400 milhões previstos para as ações emergenciais do plano são insuficientes. Segundo Vital, o que vale para o crack serve também para o oxi, um subproduto da cocaína mais barato e mais devastador, como revelaram reportagens do GLOBO publicadas desde domingo:


- Sabemos que o que está posto (em termos de verbas) está muito aquém do necessário.

O CFM promoveu ontem o segundo de uma série de três seminários com o título de "Crack: Construindo um Consenso". O objetivo é formular diretrizes nacionais para o tratamento de usuários e combate ao vício.

Nas aldeias, índios plantam maconha, estão viciados até em oxi e trabalham para o tráfico

Aldeias indígenas do Acre, do Amazonas e de Mato Grosso do Sul estão na rota de entrada das drogas no país. Sem policiamento, reservas próximas às fronteiras com Bolívia, Colômbia e Peru se tornaram pontos estratégicos para o narcotráfico e locais de recrutamento de mão de obra barata. Indígenas têm consumido cocaína, merla, crack e também oxi - uma nova droga, subproduto da cocaína e pior que o crack, que surgiu no Acre, já se espalhou pela Região Norte, por alguns estados do Nordeste e do Centro-Oeste e chegou a São Paulo, conforme O GLOBO mostrou no último domingo. Índios das aldeias Marienê e Seruini, no Amazonas, perto do município de Pauini, na fronteira com o Acre, plantam maconha nas terras indígenas para traficar e consumir. Eles levem a droga para a cidade, vendem para as bocas-de-fumo ou trocam por óleo, açúcar e sabão. Cocaína, oxi e merla também podem ser encontrados nas aldeias do Acre, especialmente em Boca do Acre, segundo índios que vivem perto da região.

Fonte: O Globo

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

DEVAGAR COM O ANDOR QUE O SANTO É DE BARRO.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, derrubou em poucas horas a proposta apresentada no início da semana pelo secretário nacional de Políticas sobre Drogas, Pedro Abramovay, que havia defendido o fim da prisão para os pequenos traficantes, aqueles que atuam no varejo para sustentar o vício, sem ligações diretas com os chefões do crime. O secretário defendeu na terça-feira uma ampla discussão com a sociedade para a elaboração desse projeto de lei, e na quinta o ministro apressou-se em esclarecer que o governo não enviará ao Congresso nenhuma proposta que represente a redução de penas para traficantes. "A posição que nós temos defendido é a oposta", acrescentou o ministro.


Apesar da falta de sintonia no governo num assunto tão relevante, a posição do ministro se mostra a mais prudente.

No Espírito Santo, a medida sugerida pelo secretário Abramovay representaria a liberação de 1,8 mil presos, segundo estimativas das autoridades locais. A ideia do secretário, em tese, não seria de todo esdrúxula, todavia. Ele argumenta que, com a nova legislação de 2006, que estabeleceu a distinção entre o usuário e o traficante, houve uma explosão da população carcerária. O usuário não é mais punido com prisão, mas a pena para o traficante é pesada.

"Só que a realidade é muito mais complexa. Você não tem só essas duas divisões. A gente está pegando pessoas que não têm ligação com o crime organizado (os pequenos traficantes), botando na prisão e, depois de um ano e pouco, já com ligação com o crime, devolvendo à sociedade. Temos de fazer uma opção: vamos disputar esse pequeno traficante para reintegrá-lo à sociedade ou vamos desistir dele e entregá-lo ao crime organizado?", argumentou Abramovay, em entrevista publicada no jornal O Globo.

Ocorre que o delegado Cláudio Victor, chefe da Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Espírito Santo, assinala que são justamente os pequenos traficantes que cometem homicídios, por dívida ou para conseguir dinheiro para comprar droga: "O número de mortes pode aumentar". Já o juiz de Direito William Silva, da 6ª Vara Criminal de Vitória, observa que a Lei 11.343, de 2006, já prevê redução de penas para os réus primários, com bons antecedentes: "Esse projeto é chover no molhado".

É fato que a política atual de combate às drogas não apresenta bons resultados. Apesar da repressão, dos recordes de apreensão de entorpecentes e do aumento do número de prisões, não há redução da violência ligada ao tráfico, nem dos casos de abuso de drogas. Pelo contrário, a praga do crack, por exemplo, não para de se alastrar, atingindo de grandes centros a pequenas cidades do interior. A Polícia Militar do Espírito Santo constatou, recentemente, que cada bairro da Grande Vitória tem a sua cracolândia. Essa política de enfrentamento, portanto, precisa de ajustes. O país, infelizmente, ainda não encontrou o rumo para enfrentar esse drama. Mas é preciso cautela na condução da discussão. Reduzir a pena para traficantes, pequenos ou grandes, não parece mesmo o melhor caminho.

Editorial de A Gazeta

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

DROGAS, A MÃO QUE SALVA.

Carlos Alberto Di Franco

Retomo, amigo leitor, com tristeza e preocupação, o tema de recente artigo publicado neste espaço opinativo: o flagelo das drogas. O avanço da dependência química no Brasil é assustador. E o crack, brutalmente devastador, ocupa o primeiro lugar no mapa da morte. Em mais de 3,8 mil, dos 5,5 mil municípios brasileiros, há graves problemas de segurança pública, saúde e assistência social decorrentes do consumo do crack. Como lembrou recente editorial do jornal O Estado de S.Paulo, o consumo da droga já se disseminou por todas as regiões do país, expandindo-se dos grandes centros urbanos para as cidades de pequeno e de médio portes e até para zonas rurais. As estimativas mais conservadoras são de que o consumo do crack leve cerca de 300 mil pessoas à morte nos próximos seis anos.


Não se faz jornalismo, nem mesmo matéria de opinião, fechado entre as quatro paredes de uma redação ou circunscrito ao rarefeito ambiente de um laboratório acadêmico. É preciso ver, ouvir, apurar, sentir, refletir e, só então, escrever. Nada supera o realismo da velha e boa reportagem. Com esse espírito, movido pelo dever de obter informação verdadeira, mergulhei numa pauta assustadora: a dependência química.

Cabeça baixa, olhos cravados no chão, coração encharcado de dor. "Será que Deus ainda olha para mim?" Paira no ar uma tristeza densa, que se pode cortar. A falência da autoestima e o sentimento de culpa, à semelhança de uma laje de chumbo, esmagam a alma.

A cena, dura e forte, retrata day after de um adicto de cocaína. O drama, tragicamente rotineiro no frio anonimato da cidade sem alma, não é um recurso ficcional. É real. Tem nome e sobrenome, obviamente preservados por razões éticas elementares. Recuperou-se na Comunidade Terapêutica Horto de Deus, em Taquaritinga, no interior de São Paulo (www.hortodedeus.org.br). Seus olhos recobraram a luz da esperança. Retomou os estudos, concluiu a faculdade de Publicidade e Propaganda e está batalhando. Com cabeça erguida e dignidade resgatada. Sua história, parecida com a de milhares de jovens, deve ser registrada. E a mão que o salvou, o Horto de Deus, merece uma matéria.

Com gravíssimas dificuldades financeiras e sem qualquer apoio dos governos, a entidade tem sido responsável pela recuperação de inúmeros dependentes químicos. Os governos não se dão conta de que o trabalho dessas instituições repercute diretamente na qualidade da segurança pública e no custo da saúde. Elas rompem o círculo vicioso das drogas e criam o círculo virtuoso da recuperação e da ressocialização.

Reuni-me com internos do Horto de Deus. A conversa, franca e direta, foi ao cerne do problema, desfez inúmeros equívocos e me transmitiu a sinceridade afiada daqueles que conheceram o fundo do poço. Ao contrário, por exemplo, dos que defendem a descriminalização das drogas e proclamam o caráter supostamente inofensivo da maconha, todos afirmaram que o primeiro baseado foi o passaporte para as drogas mais pesadas.

TKM, de 21 anos, fumou seu primeiro cigarro de maconha com 12 anos. Com 16 anos já tinha mergulhado na cocaína. Chegou à comunidade terapêutica dominado pela dependência do crack. Recupera-se bem, resgatou valores e recuperou a esperança. "Agora, eu sonho com o futuro. Antes, vivia só para as drogas." Seus olhos têm brilho. Um belo exemplo do que pode fazer um bom trabalho de recuperação.

Debates no Congresso Nacional sugerem que as comunidades terapêuticas, bem como as demais instituições idôneas que trabalham na recuperação de adictos, possam, num futuro próximo, receber recursos provenientes do Fundo Nacional Antidrogas e do Sistema Único de Saúde (SUS). Seria uma providência inteligente. É sempre melhor apoiar o que já funciona e bem do que cair na tentação de criar novas estruturas.

O governo da presidente Dilma Rousseff precisa olhar o trabalho das comunidades terapêuticas com seriedade. Elas são, de fato, as grandes parceiras no cerco ao submundo das drogas. Impõe-se um decidido apoio às entidades idôneas que batalham pela recuperação dos dependentes. Afinal, um adicto recuperado é o melhor aliado na luta contra as drogas.

Carlos Alberto Di Franco é diretor do Master em Jornalismo e professor de Ética e doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra

domingo, 19 de dezembro de 2010

A CASA ESPERANÇA (BY MARCO SOBREIRA)

O bairrismo é a característica mais marcante do cachoeirense, daí Cachoeiro de Itapemirim ser a capital secreta do mundo. A terceira cidade mais importante do Espírito Santo também é conhecida pelo calor infernal que faz por aqui, ao ponto do ex-prefeito Teodorico Ferraço ter entrado para o folclore nacional ao mandar construir uma torre para fazer chover bem na praça principal da cidade. O outrora caudaloso e navegável rio Itapemirim, agora teima em correr entre as pedras afloradas pelo assoreamento , cortando a cidade de oeste a leste, aumentando ainda mais o calor, como uma formidável panela de pressão. Terra do Rei Roberto Carlos, de Rubem Braga, berço da Itapemirim, maior empresa de transportes de passageiros e cargas do País, Cachoeiro de Itapemirim ainda é a capital do mármore e do granito, mas viu sua importância econômica diminuir em função do esvaziamento político do sul do Estado e seu parque industrial sofre a concorrência desleal dos produtos chineses em decorrência da super valorização do Real.

Mesmo assim, seu comércio, sua tradição cultural e o setor de pedras ornamentais e os seus 180. 000 habitantes a colocam em posição de destaque , sendo ponto de referência para todo o sul do Espírito Santo.

Como todo o País, Cachoeiro sofre com a epidemia das drogas, principalmente do crack e a administração atual que é petista não tem um programa Municipal para assistência aos dependentes químicos, o que fez florescer algumas clinicas para abrigar e tratar os usuários dessas drogas e entre elas está a Casa Esperança.

É sobre essa entidade que quero reportar um fato ocorrido recentemente e que deixou chocada a sociedade cachoeirense. Sem convênio com o SUS ou qualquer outra entidade, a Casa Esperança cobrava 3 000 reais de cada interno em suas dependências, pois bem, após denuncia o Ministério Público, policia civil e militar invadiram a clinica e o que encontraram foi dois grandes cômodos, com beliches superpostos, acomodando no total 98 pacientes, amontoados, sem assistência médica adequada e em péssimas condições. Interditada a Clinica, o Promotor chamou a Secretaria Municipal de Saúde e determinou que mandasse fazer avaliação psiquiátrica de cada interno e os remanejasse, já que a Casa Esperança seria fechada, dando um prazo de 72 horas para que sua determinação fosse cumprida, sob pena de responsabilidade, já que a Prefeitura tinha autorizado seu funcionamento, conforme comprova o alvará de funcionamento.

Começa o martírio da Secretaria, liga para uma psiquiatra que trabalha comigo e implora para que ela faça o serviço, só que avisa, que não teria como pagar, evidentemente que não foi atendida e confessa que já tinha procurado todos os colegas da especialidade com igual resposta. Questionada por que não mandava um psiquiatra dos quadros da Prefeitura atender os pacientes, ouviu estupefada a Secretaria confessar que não tinha esse tipo de profissional no quadro médico municipal.

Como o impasse foi resolvido não sei, mas o que importa aqui é constatação do descaso desse grande município com a saúde mental e deixa claro um jogo de empurra entre o Estado que mantém um Centro de Atendimento Psiquiátrico , a filantrópica Clinica Santa Izabel e o Município, cada qual puxando a sardinha pro seu lado em prejuízo dos doentes mentais e dependentes químicos.

Assim é a saúde pública oferecida ao povo brasileiro, insuficiente, de péssima qualidade, mal gerenciada e daí cada vez mais desacreditada e a mercê de oportunistas como o proprietário da Casa Esperança que vêm no desespero das famílias uma chance para ganhar dinheiro fácil à custa do sofrimento alheio. Até quando, nós profissionais da saúde e a sociedade vão se calar diante do descaso e do sofrimento de nosso povo?

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

QUAL A SOLUÇÃO, ENTÃO?

Percival Puggina



Os recentes episódios do Rio de Janeiro trouxeram à tona um debate recorrente - a liberação ou não do comércio de drogas ilícitas. Os argumentos pela liberação, ou pela descriminação, obedecem à lógica que descrevo a seguir. Se o consumo e o comércio forem liberados, a maconha, a cocaína, a heroína e os produtos afins serão disponibilizados aos seus infelizes consumidores, inviabilizando a atividade do traficante, cujos lucros fabulosos alimentam o crime organizado e a corrupção.. Tal providência, dizem, determinaria um efeito em cascata benéfico para o conjunto da segurança pública. Alegam mais, os defensores dessa tese. Sustentam que a repressão agride o livre arbítrio, que os indivíduos deveriam ter a liberdade de consumir o que bem entendessem, pagando por isso, e que os valores correspondentes a tal consumo, a exemplo de quaisquer outros, deveriam ser tributados para gerar recursos ao setor público e não ao mundo do crime. Há quem se deixe convencer por esses argumentos.


No entanto, quando se pensa em levar a teoria à prática, surgem questões que não podem deixar de ser consideradas. Quem vai vender a droga? As farmácias? As mesmas que exigem receita para um antibiótico passarão a vender cocaína sem receita? Haverá receita? Haverá postos de saúde para esse fim? Os usuários terão atendimento médico público e serão cadastrados para recebimento de suas autorizações de compra? O Brasil passará a produzir drogas? Haverá uma cadeia produtiva da cocaína? Uma Câmara Setorial do Pó e da Pedra? Ou haverá importação? De quem? De algum cartel colombiano? O consumidor cadastrado e autorizado será obrigado a buscar atendimento especializado para vencer sua dependência? E os que não o desejarem, ou que ocultam essa dependência, vão buscar suprimento onde? Tais clientes não restabelecerão a demanda que vai gerar o tráfico? A liberação não vai aumentar o consumo? Onde o dependente de poucos recursos vai arrumar dinheiro para sustentar seu vício? No crime organizado ou no desorganizado?

A Holanda, a Dinamarca e a cidade de Zurich, na Suíça, adotaram políticas liberais em relação ao consumo e à descriminação do tráfico. Decorridos vários anos dessas experiências, estão regredindo em suas posições porque a experiência mostrou que o consumo aumentou e que regiões inteiras de seus centros urbanos se converteram em áreas de convergência de fornecedores e consumidores, e polos de um indesejável turismo da droga e da prostituição.

Por outro lado, o uso da droga, todos sabem, não afeta apenas o usuário. O dependente químico danifica sua família inteira e afeta todo o seu círculo de relações. Ao seu redor muitos adoecem dos mais variados males físicos e psicológicos. A droga é socialmente destrutiva e o Estado não pode assumir atitude passiva em relação a algo com tais características sem grave renúncia a suas responsabilidades morais.

"Qual a solução, então?", perguntou-me um amigo com quem falava sobre esse tema. E eu: quem pensa, meu caro, que todos os problemas sociais tem solução não conhece a humanidade. O máximo que se pode fazer em relação às drogas é ampliar o que já se faz. Ou seja, mais rigor legal e penal contra o tráfico, mais campanhas de dissuasão ao consumo, menos discurso em favor da maconha, menos propaganda de bebidas alcoólicas, e mais atenção aos dependentes e às suas famílias.