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sábado, 18 de maio de 2013

CLASSIFICADOS DE XEPA OU BALCÃO DE NEGÓCIOS

Gabriel Tebaldi |
                  
As eleições são uma grande vitrine de peças de segunda mão travestidas de produto de primeira linha. Nesse meio, é comum haver queima de estoque da civilidade, moral e ética. Passado o saldão, os exemplares defeituosos se anunciam por aí pra ganhar a vida. Assim, não é difícil abrir os classificados e encontrar certas figuras por lá.

Uma seção muito procurada é a de ex-prefeitos. Nela, as ex-excelências mostram todo o seu valor (ou a falta dele) e dão um verdadeiro exemplo de metamorfose ambulante. Em outras palavras, é como se dissessem: “Fazemos qualquer negócio”.

Comprador assíduo dos classificados, o governador Renato Casagrande não tem preconceito: serve base aliada, oposição, “amigo” do povo ou da Justiça. Não há barreiras para quem quer comprar, vender e, por que não, alugar.

Uma de suas aquisições foi Elieser Rabello (PMDB). No anúncio, seu recado era claro: ex-prefeito de Vargem Alta, condenado por improbidade administrativa e sem direitos políticos por cinco anos. Mas quem se apega a detalhes? Agora Elieser é diretor do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) do Estado.

Ao lado de um anúncio de caminhão estava o ex-prefeito de Iconha, Edelson Paulino (PT), que, segundo a oposição, deixou uma dívida de R$ 5 milhões. Agora é coordenador da Agência do Trabalhador, cabide ligado à Secretaria de Ciência e Tecnologia.

As portas de Casagrande também se abriram para Raquel Lessa (PSD). Após dois mandatos em São Gabriel da Palha e a acusação de conceder privilégios salariais a servidores amigos, Raquel agora é presidente do Instituto de Desenvolvimento Urbano e Habitação. Segundo as más línguas, o cargo foi cedido, pois nosso líder estava preocupado com o fato de Raquel ter que trabalhar. “Depois de oito anos, a gente até esquece como se conjuga esse verbo”, teria dito.

Provando que não guarda rancor, Casagrande ainda arrematou Gilson Amaro (PMDB), ex-prefeito de Santa Teresa, que não poupava críticas ao governo até ano passado. Nos classificados, Gilson oferecia seus serviços: “Lavo roupa suja e passo tudo a limpo”. A habilidade de moldar o discurso ao oportunismo rendeu-lhe o cargo de assessor especial da Secretaria de Governo. Mas não se preocupe, leitor! Você não é o único que não sabe para que serve esse cargo.

As listas de desempregados também correm na Assembleia Legislativa, onde o presidente Theodorico Ferraço (DEM) dita o trabalho (ou, novamente, a falta dele). Enquanto buscava um novo auxiliar, Ferraço encontrou seu amigo de fé, irmão camarada, Edson Magalhães. Preso na Operação Derrama, o ex-prefeito de Guarapari perdeu quase tudo: a liberdade, o partido, o celular, os assessores. Mas amigo é pra essas horas: Edson foi convidado para ser chefe de gabinete de Ferraço.

Em solenidade na Assembleia, Theodorico foi recebido ao som de “Esse cara sou eu”. E as incessantes más línguas garantem: nos bastidores, o presidente cantou para Edson: “O cara que pega você pelo braço / que esbarra em quem for que interrompa seus passos / Que está do seu lado pro que der e vier...”

Mas “o herói esperado por toda mulher” foi Casagrande, que firmou a relação com o compadre Theodorico e contratou sua esposa, Norma Ayub (DEM). A ex-prefeita de Itapemirim nem esquentou nos classificados: foi arrematada por R$ 8 mil para assessorar na Casa Civil.

Assim, o mercado político comprova que melhor que ser governador é ser amigo dele. Até as notas de rodapé sabem que toda essa articulação objetiva construir a base para a eleição de 2014. Em 2010, a coligação de Casagrande somou 16 partidos e, como “Crescer é com a gente”, a conta só deve aumentar.

Bancar os novos funcionários custa R$ 70 mil por mês. Ou seja: é salário de luxo para produtos da xepa. E mais: xepa que o povo rejeitou nas eleições e que, agora, o governo empurra goela abaixo. Melhor seria se as figuras de classificados tivessem o como destino o esquecimento, já que, cada vez mais, eles parecem não fazer falta para o eleitor.

Gabriel Tebaldi, 20 anos, é estudante de História da Ufes 

PMDB ENTRA NO JOGO

O governador Renato Casagrande (PSB) já estava às voltas com os riscos de debandada do PT, e agora tem um novo um problema para administrar. A pressão do PMDB nacional para o partido ter candidato ao Palácio Anchieta é mais um elemento desagregador à aliança política e partidária que o governador tenta manter para a sua reeleição.

Presidente do PMDB no país, o senador Valdir Raupp mandou recados duros, na entrevista para A GAZETA ontem, ao defender a candidatura da sigla. Até então, líderes locais do partido defendiam a manutenção da aliança em torno de Casagrande.

Mas a fala de Raupp trouxe um novo elemento, antes só ventilado nos bastidores: apesar da candidatura à reeleição do governador, o PMDB também está no jogo. Isso foi expresso, por exemplo, quando ele citou que o partido tem Ricardo Ferraço e Paulo Hartung como alternativas para o governo: “Com esses dois nomes, é difícil não vencermos a eleição”, pontuou.

Outro recado foi que a aliança feita no Estado em 2010 com o PSB já ficou para trás. Agora, o parceiro preferencial é o PT. Ele revelou inclusive haver entendimentos nesse sentido com o PT nacional.

Por fim, o senador disse que a intenção de candidatura do PMDB no Estado independe de Eduardo Campos disputar contra a presidente Dilma. Além de uma orientação do comando nacional, esse é inclusive um “apelo grande” do partido. 

Como já dito aqui, a ideia da candidatura própria ganha força em setores do PMDB no Estado. E a fala de Raupp foi nessa linha, trazendo a legenda, Ferraço e Hartung para o debate. 

Um deputado estadual do partido avalia que se a sigla topar a disputa, a Ferraço só restam dois caminhos: ser candidato ao governo ou cabo eleitoral de PH. Mas como este sequer sinalizou se será candidato ao Senado, Ferraço é o plano A peemedebista. 

Há quem diga que ao colocar a possibilidade de candidatura, o PMDB busca na verdade entrar na chapa de Casagrande, tendo mais peso nos acordos para 2014 e 2018. De fato, é comum ouvir de lideranças partidárias reclamarem que o atual governo é “muito socialista”, com ampla presença do PSB e pouca participação dos aliados.

Por outro lado, caso a candidatura de Eduardo Campos se confirme, o PMDB sinaliza para o PT que pode disputar o governo e fazer a campanha de Dilma no Estado. Mas o fato concreto é que a cúpula peemedebista deverá deixar o debate sobre a candidatura no ar enquanto puder. Afinal, se o partido confirmar a hipótese, antecipa o conflito eleitoral; se negar desautoriza seu comando nacional.

Fonte: A Gazeta

sábado, 6 de abril de 2013

PACOTE DE BONDADES DE CASAGRANDE, VER PRA CRER!!!

Radanezi Amorim              
As medidas trarão maio fôlego financeiro e administrativo para os prefeitos, num momento em que eles estão aterrorizados com a falta de dinheiro em caixa

O governador Renato Casagrande (PSB) vai aproveitar o encontro com a nova diretoria da Amunes na tarde de hoje para entregar o pacotão de bondades e de socorro às prefeituras, anunciado por ele no início do ano.

As medidas trarão maio fôlego financeiro e administrativo para os prefeitos, num momento em que eles estão aterrorizados com a falta de dinheiro em caixa. Para Casagrande, o pacote também deverá representar uma turbinada na imagem dele.

Afinal, diante da queda de receita nos municípios, o governo abre o cofre e realiza ações milionárias, que incluem cerca de R$ 118 milhões para a Saúde e a Educação, R$ 75 milhões para o transporte escolar e R$ 45 milhões para pegar pessoal e despesas com a atenção primária à saúde.

Casagrande destaca em especial essa última, uma iniciativa inédita no país: “Não tem Estado que ajude no financiamento da Saúde dos municípios”. O auxílio será concedido com base no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) das cidades e na população.

Hoje o governo já anuncia o primeiro repasse para essa ajuda, de R$ 10 milhões. O dinheiro servirá para as prefeituras contratarem médicos e custearem as unidades de saúde. “Muitos prefeitos dizem que não podem contratar mais médicos, e então estamos ajudando.”
Outra medida do pacote agiliza o repasse para as prefeituras pagarem o transporte escolar, e amplia em R$ 10 milhões esse recurso. Mas o fundamental, segundo o governador, é a redução da “burocracia infernal”.

Por fim, Casagrande vai oferecer dois “bônus” aos prefeitos. Vai conceder o perdão de uma dívida das prefeituras com o Estado referente ao pagamento de professores, no processo de municipalização da Educação. “O governo não cobra o pagamento, os municípios não pagam, mas o débito fica pendente na conta das prefeituras”.

Outro bônus do pacote será o anúncio de uma comissão a ser criada para ajudar as prefeituras a elaborarem projetos realizados em parceria com o governo estadual e federal.

As ações fazem parte do programa emergencial de apoio às prefeituras, criado para amenizar a redução de receita causada pela crise econômica e pela nova alíquota do ICMS/Fundap. Mas são também medidas que ajudam a descentralizar o desenvolvimento do Estado, diz Casagrande.
O fato é que o governo tem o dever de socorrer as prefeituras nessa hora difícil. Mas uma parceria assim, nesse momento, deverá alavancar a imagem do governo e de sua maior liderança

Fonte: A Gazeta

domingo, 10 de março de 2013

CÉU E INFERNO


“É melhor reinar no inferno do que servir no céu”, escreveu John Milton, classicista inglês do século XVII. Há quem acredite nisso. Na semana que passou, céu, santidade, inferno e ignorância quase se confundiram e frequentaram a mídia mais que presidente venezuelano em televisão estatal.
Justamente da Venezuela veio o primeiro marco: aos 58 anos de idade e 14 de governo, Hugo Chávez chegou ao fim. Em busca da beatificação, alguns destacaram que o líder diminuiu o analfabetismo, desenvolveu a saúde e combateu a pobreza. Já as más línguas disseram que o calor dos últimos dias tem explicação: o ex-presidente teria deixado a porta do inferno aberta.

Durante o chavismo, a dívida interna alcançou recorde, a inflação passou dos 30% e a moeda perdeu cinco vezes o seu valor. 40% da população trabalham na informalidade e há carência de bens primários. 60% das importações são de alimentos. E mesmo com uma das maiores reservas de petróleo do mundo e uma exploradora estatal, o país importa petróleo, além de carros e eletrodomésticos, pois a indústria é obsoleta.

O conflito entre idolatria e condenação foi agravado pelo controle da imprensa. A RCTV, emissora mais popular do país, perdeu sua concessão. Na campanha de 2012, diversas transmissões de atos políticos da oposição foram interrompidas com pronunciamentos de Chávez em cadeia nacional. Além disso, o ex-líder enviou petróleo para o ditador sírio Bashar Assad e declarou apoio ao iraniano Mahmoud Ahmadinejad.

Sua política externa isolou o país. Na ONU, disse que Bush era o demônio e “cheirava a enxofre”. Com câncer, acusou o Estados Unidos de causar a doença. O sentimento internacional com Chávez foi resumido pelo rei da Espanha, Juan Carlos. Na Cúpula Ibero-Americana, Chávez recebeu a célebre pergunta: “Por que não te calas?”.

E assim segue a política venezuelana, num interminável conflito entre bem e mal, perdida em meio às paixões que corrompem a política. Não obstante, excelências do outro canto do continente resolveram entrar no jogo do céu e do inferno. Ironicamente, o debate nada divino se deu no Espírito Santo.

Curiosamente no dia da morte de Chávez, o presidente da Assembleia, Theodorico Ferraço (DEM) resolveu recorrer a um argumento chavista. Sobre a Operação Derrama, Ferraço disse que é tudo “obra do diabo”. Seu demônio, porém, parece que não cheira a enxofre.

Disse: “Isso não vai me pegar. Carrego um crucifixo para espantar os capetas que vieram e os que ainda virão”. Faltou ao presidente explicar quem seriam “os capetas”. E, claro, qual (ou quais) “divindade” o protege.

A fala de Theodorico abriu a porteira do submundo e até quem andava no purgatório ressurgiu. Em rede social, o “invencível” José Carlos Gratz resolveu dar nomes aos seus demônios, a quem chamou de “picaretas de toga”. Segundo Gratz, seu crime foi “fazer obras para o povo que vivia em ruas enlameadas e empoeiradas”. Em tom profético, prometeu que “agora vai começar uma nova etapa”. Resta saber se o retorno será para a política ou para algo ainda mais obscuro.

Obscura. Assim terminou a semana, com a eleição do pastor Marco Feliciano (PSC-SP) para a presidência da (C)omissão de Direitos Humanos e Minorias. Em 2011, o líder da Assembleia de Deus escreveu: “Sobre o continente africano repousa a maldição do paganismo, ocultismo, misérias, doenças”. E completou: “A podridão dos sentimentos homoafetivos leva ao ódio, ao crime e à rejeição”. Sob os aplausos de Bolsonaro, Feliciano celebrou o novo cargo.

Há, pois, absurdos para todos os gostos, locais, nacionais e até continentais. Se o temido 2012 não assustou na prática, 2013 mostra-se cada vez mais preocupante. Dia a dia o injustificável ganha ares de rotina. E no circo político há enorme vocação para reinar no inferno ao invés de servir. Mas não há porque temer! Como disse o cronista, filósofo e poeta Henrique Herkenhoff, isso “não é alarmante”.

Assim, após uma semana de turbilhão de absurdos, nada melhor que “tirar esse restinho de ano para descansar”.

CÉUGabriel Tebaldi, 20 anos, é estudante de História da Ufes.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

O INFERNO ASTRAL DE ROSE DE FREITAS

O inferno astral de Rose A deputada Rose de Freitas (PMDB) acabou tendo um desgaste bem maior que o esperado na eleição da presidência da Câmara. Ao colocar uma candidatura alternativa no próprio partido, ela desagradou aos cardeais nacionais do PMDB. Depois desse revés, fica mais distante a possibilidade de ela colocar uma eventual candidatura ao Senado em 2014.

Os 47 votos obtidos por Rose foram muito abaixo dos 150 esperados por ela. A deputada acreditava que ela e o também candidato Júlio Delgado (PSB-MG) poderiam levar a disputa para o segundo turno, o que não ocorreu, apesar da divisão dos votos.

Para piorar, a Rose é atribuída a confecção de um dossiê entregue anonimamente nos gabinetes dos deputados, na segunda-feira pela manhã, antes da eleição na Câmara. O material continha a lista de denúncias contra o candidato oficial do PMDB, Henrique Alves (RN).

Além disso, o discurso dela após a eleição soou como desabafo. Ela disse que os colegas de partido foram enquadrados para votar no agora presidente Henrique Alves.

“O ambiente para ela era de saída do partido”, avalia um colega de bancada de Rose. Diante do clima de mal-estar no PMDB, já surgem cogitações que a deputada poderia migrar para PSD – onde teria mais chances para pleitar a candidatura ao Senado ou a reeleição –, ou para o PSDB.

Qualquer que seja a opção, contudo, o resultado da eleição na Câmara fez Rose perder densidade política. É bom lembrar que ela sempre foi considerada uma espécie de “despachante” de prefeitos.

Porém, após ela bater de frente com o partido, não é improvável que agora passe a encontrar algumas portas fechadas na Esplanada dos Ministérios.

Para um integrante da bancada capixaba, Rose errou feio com a candidatura. Por ter sido vice-presidente, ela poderia ter negociado um espaço importante numa comissão da Câmara.

Até a eleição de 2014 ainda falta uma eternidade. Pode ser que até lá a deputada consiga se reinventar ou reduzir os desgastes. Mas, por enquanto, ela se tornou persona non grata no PMDB. E o clima já não andava bom para ela entre os companheiros da bancada capixaba. Por ora, a deputada vive uma espécie de inferno astral.

Fonte: A Gazeta

domingo, 18 de setembro de 2011

AFINAL QUEM MANDA? (POLITICA CAPIXABA)

PAPO DE REPÓRTER

O fim da novela envolvendo a filiação de Max Filho ao PSB, com a negativa dos socialistas, deflagrou uma busca das lideranças do Estado pela companhia do ex-governador Paulo Hartung. Isso mostra que no pleito de 2012 o PMDB vai se fortalecer para dar uma sustentação a Hartung. Sustentação para o quê, não se sabe.

Nerter: – A semana começou com uma reviravolta política muito grande no episódio do desconvite do PSB à filiação do ex-prefeito Max Filho ao partido e acabou com a movimentação intensa do PMDB ocupando os espaços abertos pelo governador Renato Casagrande no campo político depois desse caso. Apesar de o governador Renato Casagrande tentar se esquivar da responsabilidade e tentar encerrar o assunto, essa discussão parece que vai longe.

Renata:
– Vai longe e terá repercussões para dentro e para fora do PSB, em 2012 e em 2014. Esse episódio foi um erro estratégico muito grande do governador, e em um momento em que ele não podia errar. Dada à dificuldade que ele vem enfrentando desde que chegou ao governo para dialogar com a classe política, esse recuo aumentou a insegurança sobre a postura de grande líder do Estado na figura do governador.

Nerter: – Uma coisa, aliás, que não se via quando Hartung estava no palácio Anchieta. Com uma dinâmica bem conservadora, ele colocou todos os partidos e lideranças do Estado sob sua regência. Os que ousavam se desalinhar desse arranjo político – leiam-se Max Filho e Max Mauro – sofreram as consequências com o isolamento. Outros sentiram a força do arranjo institucional que colocou o Ministério Público e o Judiciário numa função de caça às bruxas, eliminando qualquer tentativa de rebeldia.

Renata: – Pois é, o Renato Casagrande mudou essa dinâmica. Em vez de colocar uma posição firme e vertical sobre os caminhos a serem seguidos pela classe política, adotou a estratégia parlamentar de ouvir, prometer e cozinhar o galo. Isso abriu um precedente para que a base aliada pressionasse, algo impensável na era Hartung.

Nerter: – O recuo foi justamente para acalmar a base aliada. O problema é que, uma vez criado o precedente, ou seja, Casagrande cedendo diante da pressão da base aliada, será difícil o governador conseguir qualquer coisa sem enfrentar resistência. O governador corre o risco de ficar refém de sua base.

Renata: – Outro sério risco que Casagrande corre é o de sair da eleição do próximo ano enfraquecido. O partido está perdendo um importante parceiro nesse processo. O PSDB, que vinha costurando alianças nos municípios com o partido do governador, agora se reconcilia com Hartung. O PT vai pressionar muito para conseguir repetir seu desempenho de 2008, forçando o PSB a abrir mão de uma importante prefeitura, Colatina, onde disputaria com o deputado federal Paulo Foletto. Mas o PT, com necessidade de tirar o socialista do caminho da reeleição de Leonardo Deptulski, vai intensificar esse debate.

Nerter: – É bom o Foletto ficar esperto, porque em nome da governabilidade, apesar de todas as costuras que ele já preparou, não há mais uma garantia de que ele vá mesmo disputar, não pelo PSB. E não para por aí. Na Serra, a coisa é até mais complexa. Audifax não tem sequer o apoio do diretório municipal do PSB. O prefeito Sérgio Vidigal e seu PDT fazem parte do primeiro pelotão de aliados e não foram contemplados a contento na distribuição de cargos no governo. Muito porque o partido gira em torno de Vidigal, assim como o PSB gira em torno de Casagrande, diga-se de passagem. Mais do que uma demarcação de território ou demonstração de força política, a reeleição em 2012 é uma questão de sobrevivência política para Vidigal.

Renata: – Em menos de uma semana, o PSB saiu de estrela da eleição na Grande Vitória para um sério risco de isolamento em 2012. Se a estratégia tivesse sido bancada pelo governador, o partido teria candidato na Serra, com Audifax Barcelos; em Vila Velha, com Max Filho, e em Cariacica, com Juninho. Max foi desconvidado, Juninho não quis embarcar nessa furada e há quem diga que perder Audifax é uma questão de tempo. Saindo enfraquecido em 2012, Renato Casagrande terá dificuldade para erguer seu palanque à reeleição em 2014, o que ele mesmo admite.

Nerter: – Se por um lado Casagrande saiu enfraquecido dessa discussão, o mesmo não se pode dizer do ex-governador Paulo Hartung. Diante do erro estratégico do socialista, o presidente do PMDB, deputado Lelo Coimbra, voz e ouvidos de Hartung no partido, saiu a campo para ocupar o espaço aberto com esse episódio. Acelerou as investidas à classe política, conseguindo atrair os favoritos na disputa em vários municípios do Estado. Isso vai permitir que o partido venha para a eleição com uma articulação política forte, o que vai deixar o PMDB muito fortalecido para 2014.

Renata: – Aí é que fica o questionamento. Ao se fortalecer, o PMDB fortalece, é claro, Paulo Hartung. Agora, o que ele fará com esse capital é que não se sabe, ainda. Se Hartung não confirma nem a participação no pleito de 2012, imaginar o que ele fará em 2014 seria muita pretensão nossa. O fato é que ele terá um bom arco de lideranças políticas eleitas no sistema dele, restabelecendo assim seu posto de comando na política capixaba.

Nerter:
– E esse é o fantasma com que Casagrande terá de lidar até 2014. O governador pode até disputar a reeleição, mas terá que fazer com o crivo deste sistema que se consolida em 2012. E Casagrande já parece ter entendido esse recado.

Fonte: Séculodiário

domingo, 11 de setembro de 2011

AS VAIAS SÃO UM RECADO (Politica do Esp.Santo)


Entre vaias e declarações dúbias a respeito da filiação de Max Filho no PSB, a estreia do governador Renato Casagrande (PSB) no desfile do Dia 7 de Setembro não foi nada confortável.

Verdade que não dá para dizer com certeza que as vaias recebidas por ele e João Coser (PT), quando os dois passaram em carro aberto, eram direcionadas ao prefeito. Mas é mais provável que sim, até porque o desgaste de quem está em fim de mandato, como é o caso de Coser, costuma ser maior.

O petista tem enfrentado uma série de protestos de professores na porta da prefeitura, por isso supõe-se que a reação tenha sido para ele. Alguns ouviram ainda no palanque as tais vaias, porém mais discretas, quando o nome de Coser foi anunciado. Mas como o prefeito e Casagrande, logo em seguida, estavam colados exibindo acenos sem graça em cima do carro aberto, sobrou para o governador. Ele acabou virando sócio do protesto. Uma imagem desconcertante para quem ainda está no começo de um governo.

Na época de Paulo Hartung (PMDB), Coser também desfilou ao lado do então governador, mas não estava enfrentando os desgastes já apontados em pesquisas de opinião. Por isso há quem avalie que faltou quem alertasse o governador para o fato de que seria melhor ter ido sozinho. Seria uma quebra de protocolo, poderia parecer deselegante com o prefeito, mas Casagrande está no primeiro ano de mandato e talvez pudesse assumir esse tipo de posição.

Aliás, há quem avalie até mesmo que Casagrande estaria enfrentando uma espécie de "solidão no poder", que teria ficado evidente no palanque esvaziado do Dia 7 de Setembro. Os únicos secretários que compareceram ao desfile foram Frei Paulão (Cultura) e Henrique Herkenhoff (Segurança) - sendo que este acabou chamando mais atenção por conta do novo penteado estilo Neymar.

As vaias podem ter sido um recado do eleitor para Coser e são motivo para deixar o PT preocupado na sucessão, mas também servem de reflexão para Casagrande e sua assessoria.

Já a fala do governador no desfile cívico reascendeu o debate sobre a filiação e Max Filho ao PSB e trouxe o "problema" para o colo de Casagrande. A questão é que o governador quer ficar bem com o partido - dizendo que o PSB é livre para se movimentar - e manter a governabilidade - dizendo que os aliados insatisfeitos precisam ter compreensão. Mas dificilmente ele vai conseguir as duas coisas. Casagrande só espalhou dúvidas pelo mercado político.

Já há quem avalie que, por incrível que pareça, falta habilidade política ao governador. Toda aquela habilidade que o tornou candidato em 2010, derrotando o nome que era a aposta de Paulo Hartung, não se vê agora nas articulações do governo e na relação com aliados. Talvez porque este seja seu primeiro cargo Executivo. Talvez porque ainda não tenha acontecido a transição do senador para o governador.

Ciciliotti: "Tem que ser de forma tranquila"

O secretário-chefe da Casa Civil, Luiz Ciciliotti, evita falar sobre a filiação de Max Filho ao PSB. Braço direito do governador Renato Casagrande, ele diz que essa articulação vem sendo feita pelo próprio partido.

Mas, depois de muita insistência, resolveu quebrar o silêncio: "Toda liderança para entrar no PSB tem que entrar de forma tranquila, sem causar desgaste. Mas a decisão de filiar Max Filho vai ser tomada pelo partido".

Ciciliotti também é contra uma possível votação interna para definir a filiação do ex-prefeito. "Não pode passar por processo de votação ou de disputa. Tem que ser de forma tranquila". Sobre a interpretação que fez da fala do governador no desfile do Dia 7 de Setembro, disse apenas: "Não queremos desgaste para o governo, nem para o partido".

Ainda não está certo o que o PSB vai fazer. Por enquanto, está dando tempo ao tempo, colocando a filiação de Max Filho em compasso de espera, verificando, assim, se a reação negativa da base diminui ou não.
Mas a avaliação no mercado é de que esse tipo de conta, por mais que não seja cobrada agora, vai ser cobrada pelos aliados na eleição, quando os ânimos costumam ficar mais acirrados, surgem crises para todos os lados.

E essa tentativa de ganhar tempo continua dando visibilidade a Max Filho. Para ele, está ótimo. Pode estender o assunto ate outubro. Ruim está para o PSB e para o governador

Fonte: Andréia Lopes - A Gazeta

sábado, 20 de agosto de 2011

POLITICA CAPIXABA, FIQUE POR DENTRO.

"Não entendo que um eventual ato de filiação de Max tenha conotação de ruptura com Hartung"
Macaciel Breda, presidente do PSB no Estado

Cada um por si e a base ameaçada

A movimentação do PSB Estado afora já vinha levantando insatisfações na base aliada do governo de Renato Casagrande (PSB), mas a aproximação com o ex-prefeito Max Filho (PTB), de Vila Velha, foi a mais desastrada das articulações. Trazer o principal adversário político do ex-governador Paulo Hartung para o partido que hoje comanda o Palácio Anchieta seria interpretado como sinal de guerra com o ex-chefe do Executivo. Sem contar a reação que surgiu na Assembleia, principalmente nas bases do DEM e do PMDB.

É natural que o PSB, por estar no poder, tenha como objetivo o aumento de sua representação, a exemplo do que fez o PMDB no tempo de Paulo Hartung. Mas seria preciso tomar cuidado com a mensagem que cada movimento repassa ao mercado político. Se Neucimar Fraga (PR), atual prefeito de Vila Velha, Hércules Silveira (PMDB) e Rodney Miranda (DEM) são da base aliada e pré-candidatos em Vila Velha, como trazer para o partido justamente o principal adversário eleitoral deles? Agir dessa forma traz o risco de implosão da ampla base de apoio político que o governo tem. Ou é amadorismo ou é sede demais de marcar espaço e lançar candidatos - muitos apostam nesta segunda opção.

E não é só isso. Já há algum tempo algumas lideranças vinham reclamando do assédio do PSB no interior do Estado. E se por um lado o discurso do governador é de que não vai tutelar a sucessão, por outro o seu partido aparenta ações atropeladas.

Outro exemplo está num possível convite de filiação de Juninho (PPS), vice-prefeito de Cariacica e pré-candidato à sucessão. O vice anda estremecido com o prefeito Helder Salomão (PT), que, por sinal, é aliado de longa data do grupo de Casagrande. Se Juninho vai para o PSB, ele embola o jogo da sucessão em Cariacica com o patrocínio do Palácio Anchieta - até porque não dá para separar o partido do governador.
"O que o PSB e o governador precisam é saber mexer nas peças do tabuleiro. Qualquer mexida errada coloca a estabilidade da base em risco", avalia um deputado.
Sem contar que a relação com a Assembleia já é instável por outros motivos: queixas de interlocução, liberação de emendas... Misturar problemas de sucessão nessa base que aparenta pouca convicção com o governo é um risco. Num momento em que o Estado enfrenta sérios desafios na economia - possível perda de royalties e reforma tributária -, criar problemas políticos não parece o melhor caminho.

Algumas lideranças reclamam do fato de que os aliados estariam "soltos" nas cidades. Estariam em construção vários cenários de conflito. "As movimentações eleitorais do governador têm sido tímidas. E, quando o PSB age, consegue errar. É uma engenharia muito mal organizada", assinala um aliado.

Sobre a conversa com Max Filho, o presidente regional do PSB, Macaciel Breda, diz que não há veto a nenhuma liderança. "A possibilidade de filiação do Max Filho foi colocada, assim como a de outras lideranças, mas não houve um convite formal. Ele não pediu e nós não o convidamos", diz, destacando que o partido só tem mantido conversas com as lideranças que já estão sem legendas - esse não é, portanto, o caso de Max.

Macaciel avalia que as queixas que surgiram na base merecem avaliação: "Sempre que há um partido no governo as críticas se direcionam a ele. O partido que tem o governador se torna atrativo". Pelo menos por enquanto, avalia, o "mapeamento" de regiões, a exemplo do que aconteceu na última eleição municipal com a chamada geopolítica, não vai acontecer. É o cada um por si. E o resultado pode ser arriscado.

Prévias
O PSDB pode fazer prévias para decidir quem será o candidato a prefeito de Vitória em 2012. A avaliação é do deputado federal César Colnago: "Eu também quero ser candidato. Então o partido tem dois nomes: o meu e o de Luiz Paulo (Vellozo Lucas). O PSDB vai optar por quem tiver uma melhor avaliação na cidade. Podemos realizar prévias, ou, então, avaliações qualitativas e quantitativas".

Sem dono
Vice-presidente da Câmara dos Deputados, a deputada federal Rose de Freitas, do mesmo PMDB de Paulo Hartung, diz que a sucessão na Capital "não pode ter dono".

Quem manda

A avaliação de Rose é a seguinte: "Todos sabem a liderança que o ex-governador tem, mas eu acho que todos (os políticos) colocam o futuro nas mãos de uma pessoa e esquecem que o povo pensa. Eu não gostaria de discutir uma sucessão pensando que quem manda é fulano. Não é dessa maneira que gosto de discutir política".

A ministra vem
Informações que vêm do PT dão conta de que o prefeito João Coser começou a trabalhar mesmo pela candidatura da ministra Iriny Lopes em Vitória. Aliás, o que se tem ouvido no partido é que Iriny será candidata até o fim - com ou sem Hartung no páreo. O PT, aliás, já começou a conversa sobre a sucessão com os aliados.

Escaldados

O que os petistas não querem é repetir o erro de 2010, quando se entregaram para Hartung antes da hora. O resultado foi que Ricardo Ferraço (PMDB) não foi candidato ao governo nem Hartung disputou o Senado

Andréia Lopes - A Gazeta

domingo, 23 de janeiro de 2011

PRIMEIROS SINAIS DE ALERTA.

Um dos maiores desafios do Espírito Santo, a Segurança Pública foi certamente o assunto mais comentado durante as entrevistas, sabatinas e debates da campanha eleitoral, no ano passado. Todos os candidatos reconheceram a gravidade do problema, alimentado principalmente pela guerra do tráfico na Grande Vitória. Só em 2010, foram mais de 1.800 vítimas - média de 150 por mês.


A campanha eleitoral passou. O governador eleito, Renato Casagrande (PSB), escolheu a sua equipe, preparou o plano de Segurança Pública e renovou as promessas de redução dos índices de violência. Entre as metas, deixar o percentual de mortes, pelo menos, dentro da média nacional.

Agora, três semanas após o início do governo, os primeiros números preocupam. Reportagem publicada ontem neste jornal mostra que o número de crimes aumentou cerca de 70% em Guarapari, principal balneário turístico do Estado.

De acordo com a polícia, a elevação é natural, devido ao alto número de pessoas circulando pelo município na temporada de verão. Com 110 mil pessoas, a cidade passa a abrigar mais de 500 mil nesta época. Outra explicação para o incremento da criminalidade seria, curiosamente, o aumento do efetivo policial nas ruas. "Como há mais policiais nas ruas, as pessoas se encorajam a denunciar e registrar as ocorrências", informou o delegado do município, na edição de ontem.

O delegado pode ter razão, mas um aumento de 70% no número de crimes não pode ser considerado normal, mesmo que o índice esteja no mesmo patamar de outros verões. Se a meta era reduzir a violência, isso parece não estar acontecendo no município.

Os primeiros sinais de alerta na Segurança vêm também do número de homicídios. Em apenas nove horas, da noite de sexta-feira até a manhã de ontem, cinco pessoas foram assassinadas na Grande Vitória. Os crimes aconteceram em bairros da periferia. E pelas primeiras investigações, parecem estar relacionados com o tráfico de drogas. Ou seja, um velho drama capixaba.

É claro que ainda é cedo para levantar críticas sobre o trabalho na área de Segurança. Não há nem estatísticas para apontar a redução, a manutenção ou o aumento da criminalidade no Estado - o balanço só deve ser fechado no final do mês ou do trimestre -, mas é preciso iniciar a discussão, começar do começo, sob o risco de chegar ao fim do ano com números muito parecidos com os de anos anteriores.

O Estado conseguiu reduzir um pouco - 9,3% - o número de homicídios em 2010. Foram 189 mortes a menos que em 2009. Também conseguiu acabar com as detenções provisórias em celas metálicas e tirar todos os presos das delegacias, transferindo-os para presídios.

São dados positivos, que geram em toda a população a esperança de dias mais tranquilos e seguros. É preciso, entretanto, que haja grande vigilância sobre o que parece rotineiro. Afinal, a rotina no Estado é de uma violência maior do que a média nacional. São estatísticas que envergonham e preocupam o capixaba há muito tempo.

Editorial de A Gazeta

sábado, 8 de janeiro de 2011

O MAIOR DESAFIO

O Espírito Santo que o governador Renato Casagrande está recebendo é um Estado muito melhor que o recebido por Paulo Hartung em 2003, mas nem por isso menos desafiador. O Espírito Santo está mais bem estruturado, com as finanças saneadas, vivendo um ambiente de estabilidade política ímpar na sua história. Mas ainda vive o crônico desconforto de ser um dos Estados que menos recursos recebe do governo federal e de sistematicamente ficar à margem dos grandes programas de desenvolvimento nacionais.


Não é à toa que temos gargalos significativos de infraestrutura como um aeroporto caótico, portos operando no limite e rodovias defasadas e recordistas em acidentes, situação que gera deseconomias e desvantagens competitivas importantes. Há ainda o agravante de termos no calendário de 2014 uma Copa do Mundo que vai drenar, nos próximos anos, os recursos federais para as obras nas cidades onde serão realizados os jogos. Ou seja, o dinheiro federal vai ficar ainda mais distante de nós.

Por isso, não devemos relaxar diante do anúncio de que estariam preservados os nossos royalties do petróleo das áreas já licitadas, pois isso ainda depende de muitas negociações. Esses royalties são essenciais para manter as nossas perspectivas de desenvolvimento, até para compensar tantos anos de descaso com que fomos, e continuamos sendo, tratados pela federação.

Mas este não é o único desafio a ser enfrentado por Casagrande. O Espírito Santo pós-crise mundial ainda se ressente da instabilidade dos mercados mundiais, já que sua economia é fortemente atrelada ao comércio exterior. É por isso que Paulo Hartung costuma dizer que quando o mundo vai bem o Espírito Santo vai melhor que o Brasil, mas se o mundo vai mal, a economia capixaba sofre mais que a do país. Em outras palavras: enquanto o mundo não retornar a uma trajetória virtuosa de crescimento, a economia capixaba não reencontrará o seu melhor desempenho. Sem falar que a valorização do real perante o dólar reduz a competitividade dos nossos produtos e nos insere na tão falada rota de desindustrialização.

Há ainda a ser considerado o cenário brasileiro que mantém um sistema tributário oneroso e injusto, juros pornográficos e uma preocupante tendência de desequilíbrio fiscal fruto do aumento das despesas do governo federal. Se essa combinação de fatores consolidar a trajetória de crescimento da inflação, Dilma Rousseff terá que pisar no freio e desacelerar a economia interna.

Todas essas circunstâncias aconselham a Casagrande a ter cautela nos gastos, priorizando a conclusão das obras já iniciadas e lutando para não perdermos os royalties do petróleo. E, além disso, a tentar arrancar do governo federal os recursos previstos na proposta orçamentária de 2011 (R$ 685 milhões) que, além de poucos (só são maiores que os do Acre e Amapá), costumam ficar no discurso, como ocorreu neste ano, em que só recebemos 10,71% dos R$ 673 milhões antes aprovados.

Casagrande sabe que o Espírito Santo, neste início de década, vive um momento inteiramente diferente do que vivia há dez anos. Demonstra isso o otimismo com que o capixaba hoje encara o futuro. O maior desafio que se coloca diante de Casagrande é, assim, o de manter elevada a autoestima do capixaba.

Que Deus o ilumine a encontrar o melhor caminho para alcançar esta meta.

Jose Carlos Corrêa.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A ARTE DE GOVERNAR.

André Hees

Governar nunca é fácil, para ricos, pobres, corporações, segmentos organizados ou não, empresários ou excluídos. Se algo fosse fácil na gestão do Estado, outros teriam sido bem-sucedidos no passado recente, e o Espírito Santo não teria permanecido por mais de dez anos sem rumo, sem planejamento, sem dinheiro para investir ou pagar as contas em dia.


O governador Renato Casagrande assume cercado de esperança e otimismo, e uma certa expectativa. A equipe que sai é de primeira linha. Ele teve apoio político dos que ajudaram a tirar o Estado do atoleiro, é um governo de continuidade, até certo ponto. É natural que ele tenha a sua marca. Não há nessa continuidade um alinhamento tão amarrado como ocorre com Dilma em relação a Lula, por exemplo.

Nos anos 90, quando Paulo Hartung e Luiz Paulo Vellozo Lucas administraram Vitória, dizia-se que a tarefa era muito fácil. Afinal, a Capital tinha dinheiro, ficava com a maior fatia de ICMS, a maioria dos bairros têm boa infraestrutura, não há bolsões como em Cariacica, Serra ou Vila Velha. Era uma cidade pronta, era só cuidar dos jardins. Era esse o discurso corrente entre os adversários de Hartung e Luiz Paulo que, na época, dominavam o cenário na política estadual. O tempo mostrou que, mesmo em Vitória, administrar não é tão fácil: a atual gestão acumula dívidas e tem dificuldades para concluir obras.

Em seu discurso de posse, na Praça João Clímaco, o governador Casagrande disse o seguinte: "É fácil governar para aqueles que já estão estruturados. É fácil governar para aqueles que já têm organização. É fácil governar para as corporações. O difícil é governar para os excluídos, para quem não tem apoio, para quem não chega até o Palácio. É para esses que nós temos que governar".

Muitos viram aí uma crítica à gestão que sai. É possível que o sentido não seja tão literal. O novo governador busca, talvez, assinalar as diferenças que deverão marcar a sua gestão: mais preocupação com inclusão social, oportunidade para os mais pobres, mais diálogo e participação da sociedade. Talvez seja mais aberto a críticas. Mas governar nunca é fácil, e ele deve saber: foi vice-governador e secretário de Agricultura no governo Vitor, teve chance de observar, por dentro, o que pode ou não dar certo.

A desorganização financeira e administrativa atravessou três gestões, de 1990 a 2002. Só foi superada a partir de 2003. Isso sem falar na corrupção, na chantagem e na cobrança de "intermediações onerosas" para liberar financiamentos. O Espírito Santo superou essa fase. Casagrande assume com R$ 1,2 bilhão em caixa. Mantém o compromisso com o equilíbrio financeiro e promete um salto de desenvolvimento, com respeito ao meio ambiente e atenção ao interior. Entre as metas, a redução da criminalidade.

"Unidos, sob a liderança do governador Paulo Hartung, enfrentamos a incompetência, a corrupção e o crime organizado que minavam nossas instituições públicas. Unidos, transformamos o cenário capixaba. Ao receber a faixa, assumo também a responsabilidade de aprofundar esse trabalho e levar o Espírito Santo ainda mais longe", disse o novo governador, na posse. Na segunda-feira, ele reafirmou que pretende respeitar as conquistas e avançar mais. Torcemos todos para que faça um bom governo.

André Hees é jornalista

domingo, 2 de janeiro de 2011

DESAFIOS DE UM NOVO TEMPO.

Esse é o tipo de problema que não se prevê. Mas há outros que batem no gabinete do novo governador e que poderiam ter sido remediados. E nesse caso se encaixam os projetos do Ministério Público e do Tribunal de Justiça, que garantem R$ 60 milhões em pagamentos retroativos para promotores, procuradores, juízes e desembargadores.


Não houve articulação do novo governo junto à Assembleia para impedir esse tipo de aprovação. Sabendo que essa bomba financeira ficaria no seu colo, era prudente que o novo governador, junto com o que saiu do cargo, mostrasse aos deputados que esse não é o momento de aumentar gastos. Se esse tipo de concessão for feita para a casta do Ministério Público e do Judiciário, deixará a impressão de que a austeridade financeira do novo governo é frágil. E outras categorias do funcionalismo poderão começar a exigir o mesmo tratamento.

Já foi um equívoco do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) e também de Casagrande não ter negociado com os parlamentares um aumento de salário menor para os deputados estaduais. Pagou-se o teto, e os contracheques vão saltar para R$ 20 mil. Esse exercício de negociação política poderia ter sido iniciado antes do início do mandato, até porque esta é uma conta que vai ficar para o atual governo.

Um outro desafio de Casagrande diz respeito ao secretariado que ele escolheu. Começou muito bem, com a indicação do desembargador federal Henrique Herkenhoff para a pasta de Segurança, mas terminou com uma enorme interrogação - e certo ar de decepção -, com a ida do ex-prefeito de Muqui Frei Paulão (PSB) para a pasta de Cultura. Sem contar, como já foi dito aqui, que este é um governo de continuidade, mas com rupturas. A Educação, por exemplo, ia muito bem com Haroldo Corrêa, mas o novo governador preferiu colocar um novo técnico. Tem todo o direito e legitimidade de testar novos profissionais em seu governo, mas haverá cobrança, obviamente, de continuidade administrativa.

Verdade que no primeiro mandato de Paulo Hartung não se pode dizer exatamente que seu secretariado foi brilhante. Ele já colocou, por exemplo, políticos em áreas das mais estratégicas - e eles não deram certo. Pastas consideradas periféricas também foram usadas para abrigar aliados derrotados nas eleições. Mas no segundo mandato o secretariado estava mais afinado e é essa a comparação que será feita.

Então, passada a festa da emocionante cerimônia de posse realizada ontem, Casagrande vai precisar mostrar sua experiência como gestor, já tem um primeiro problema batendo à porta - que é a chuva -, vai precisar provar que escolheu uma boa equipe e lidar com a sede salarial dos Poderes. E ainda há a eleição da mesa Diretora da Assembleia batendo à porta.

Saiu quietinho

Foi uma das transições mais tranquilas da história recente do Estado, e também por isso a cerimônia de posse de Renato Casagrande foi marcante. Mas faltou pelo menos uma mensagem de "boa sorte" na solenidade de transmissão da faixa. Colaboradores de Hartung disseram que aquele era o momento de Casagrande, que o ex-governador não queria disputar atenções no evento. Talvez tenha pesado também o fato de que, na primeira posse de Hartung, o ex-governador José Ignácio fez um discurso interminável. De todo modo, faltou uma palavra final. Havia também um convite inicial para que Hartung acompanhasse a solenidade até o final, inclusive o discurso de Casagrande na Praça João Clímaco. Mas o ex-governador foi embora. Deixou Ricardo Ferraço (PMDB), que voltou mais cedo do Havaí.

Fonte: A Gazeta -

domingo, 26 de dezembro de 2010

SEMPRE MAIS DO MESMO.

Paulo Hartung dominou a Assembleia Legislativa e o cenário político de uma maneira geral. Renato Casagrande fará a mesma coisa. Numa ocasião, vi um político capixaba das antigas perguntar privadamente a Casagrande se ele seria um "czar". Sua resposta foi: "O meu estilo é diferente". É verdade. A partir do ano que vem, o clima para críticas públicas deve se tornar mais desanuviado. Porém, do ponto de vista qualitativo, nada vai mudar.


É curioso observar como a elite política do nosso Estado se porta perante Paulo Hartung. Publicamente, o atual governador é um santo. Pelas costas, os políticos adoram lançar-lhe epítetos, do tipo "imperador", "czar" ou coisas assim. A insatisfação com uma suposta capacidade de perseguir e destruir os inimigos, que é atribuída a Hartung, é muito disseminada.

A única pessoa que teve coragem de trazer o assunto a público foi o deputado federal Luiz Paulo Vellozo Lucas. Ele usou um termo de origem marxista para falar da concentração de poder em torno de Hartung, quando afirmou que havia uma "unanimidade bonapartista" no Estado. Posteriormente, preferiu uma terminologia mais adequada ao seu perfil neoliberal, que é "condomínio de poder".

A economia capixaba é altamente concentrada em poucas empresas muito grandes. Ao mesmo tempo, a Sociedade Civil é marcada por lideranças conservadoras (de tipo empresarial, religioso, corporativo), e concentradas geograficamente (mesmo nas cidades da Grande Vitória). A soma destes elementos não cria condições favoráveis a uma autêntica representação de interesses coletivos alicerçada em projetos alternativos. Quando o governo vai mal (Albuino, Vitor Buaiz, José Ignácio), a dispersão de lideranças abre espaço para a chantagem e a ascensão de práticas criminosas.

Quando o governo vai bem, é lógico que o chefe do Executivo concentre poder, visando diminuir o espaço de manobra dos adversários. Hartung foi o primeiro a ter condições para fazer isso em muitos anos. Nestas circunstâncias, só restou aos prejudicado as lamúrias em conversas de pé de ouvido.

Os que acham que Casagrande é "bonzinho" estão enganados. Ele cresceu na política enfrentando inimigos, fazendo alianças, ganhando e perdendo. Ele está recebendo uma boa herança. Trabalhará por oito anos de mandato e fará o que é natural no nosso caso: atrair lideranças, esvaziar a oposição e comandar o processo político-partidário. O estilo será diferente, mas o resultado será o mesmo.

André Pereira é professor da Ufes.

POLITICA CAPIXABA.

A seis dias de assumir o cargo político mais importante do Estado, o governador eleito Renato Casagrande (PSB) indica sinais de que será austero no trato das contas públicas. A aliados e segmentos da sociedade, ele avisa que se necessário pisará no freio dos investimentos, para evitar risco de desequilíbrio no caixa estadual. Essa será uma de suas primeiras prioridades após receber a faixa do governador Paulo Hartung (PMDB), no próximo sábado.


Haverá outras tarefas na pauta, claro. O novo governador instalará o Gabinete de Gestão Integrada da Segurança Pública, passará a discutir com mais força a eleição para a presidência da Assembleia Legislativa - que já estaria atrasado, segundo certas avaliações -, debaterá o planejamento estratégico de fevereiro e avançará nas conversas sobre os demais escalões.

Mas o secretariado que toma posse no dia 3 de janeiro já tem uma primeira missão: detalhar a situação financeira do Estado e dos contratos, especialmente os de obras. Uma reprogramação orçamentária não está descartada, mas o objetivo é evitar descontinuidade de obras e serviços.

Situações internas e externas mantêm o governador eleito e seus principais colaboradores em alerta. Internamente, há perspectiva de aumento do custeio, com os novos investimentos do governo e com os aumentos salariais dos deputados e nas carreiras do Executivo.

Na semana passada, o salário do próximo governador foi reajustado para R$ 18,6 mil e gerou um efeito cascata. Como esse valor é o teto salarial do serviço público no Executivo, outras categorias foram "premiadas": receberão o mesmo que o governador, porque seus vencimentos agregam gratificações e benefícios. Tudo isso aumenta as contas a pagar.

Mas Casagrande e a equipe também focam nos cenários nacional e mundial, que inspiram cuidados. Como se sabe, há indicativos de um repique inflacionário em 2011. E no exterior, a crise econômica não dá trégua. Em 2009, ela chegou por aqui como marola. Mas o país e o Estado podem não estar tão imunes da próxima vez.

Esse é o tema na ordem do dia do grupo que logo toma assento no Palácio Anchieta, portanto. São sinais de responsabilidade com o equilíbrio financeiro conseguido a duras penas no início do atual governo, após anos a fio de instabilidades e desorganização com as contas públicas antes de 2003.

O recado é particularmente importante para as prefeituras, sobretudo as que atravessam dificuldades, como as de Vitória e da Serra. Em conversas reservadas, lideranças políticas já especulam sobre o chororô de prefeitos batendo à porta do Palácio pedindo socorro em 2011.

É claro que Casagrande não vai ignorar aliados, mas a prevenção do novo governo é correta e na linha da gestão que termina. A austeridade fiscal foi importante para o Estado ter fôlego, acelerar e chegar até os atuais avanços. Mas é importante também saber a hora de se reduzir o ritmo, para evitar riscos futuros.

Cena política

Antes de começar uma entrevista coletiva na quinta-feira com a presença de vários líderes petistas, a deputada Iriny Lopes anunciou o vereador Alexandre Passos como ex-presidente da Câmara de Vitória. Um companheiro lembrou que ele ainda era presidente e alfinetou: "Ela mal virou ministra e já quer cassar o mandato do Alexandre!"

Início. A primeira reunião do novo secretariado estadual será na manhã do dia 3, no Palácio Anchieta. Em seguida, o governador Renato Casagrande dará posse à equipe.

Largada. Em entrevistas, o governador eleito diz que só tratará da eleição para a presidência da Assembleia Legislativa em janeiro, após a posse, mas aliados afirmam que ele já abriu o diálogo com os deputados.

Formato. Em fevereiro, após a eleição na Assembleia, Casagrande monta o segundo e o terceiro escalões com base também na nova configuração de partidos e de lideranças em posições da Casa.

Repercussão. Mal foi indicada para a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, a deputada Iriny Lopes (PT) começa a ser chamuscada na imprensa nacional. Ela apareceu numa reportagem de página inteira do jornal O Globo de sexta-feira ao lado de outros deputados escolhidos para o ministério. Segundo o texto, eles usaram verba da Câmara para pagar empresas que também atuaram em suas campanhas.

Pegou mal. Em meio a esse contratempo, Iriny recebeu os cumprimentos do deputado federal eleito César Colnago (PSDB) pela indicação para o ministério. O tucano escreveu no Twitter: "Nosso reconhecimento e saudações a Iriny Lopes pela indicação para ministra. Uma homenagem às mulheres capixabas".

Dúvida. Diante da posição de Colnago, resta perguntar: será que o tucanato gostou do elogio do novo líder da oposição no Estado?

Fonte: PRAÇA OITO, A GAZETA.