Mostrando postagens com marcador Collor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Collor. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 12 de julho de 2013

GOVERNO COLLOR, GOVERNO DILMA


Dona Dilma está possessa. E quando está assim desconta a sua raiva em todos os que trabalham ao seu lado. Estes, se tivessem mais brios, apresentariam de imediato sua carta de demissão. Mas o problema que os aflige não é só de ego ferido, é, no fundo, de empregabilidade. Quem na área privada se disporia a arranjar uma colocação condigna para o atual ministro da Pesca, se ele só conhece peixe de supermercado, que já vem carimbado com o selo do SIF? Prefiro não citar o nome de ninguém, até porque os desconheço. Sei, porém, que há uma ministra para garantir a igualdade racial, outra para formular políticas que promovam as mulheres no espaço público e outros tantos cujo desempenho passa despercebido, porque são nada menos que 39 - até agora. Em sua maioria, nunca tiveram uma chance de garantir um despacho a sós com nossa presidente. Nem que fosse na base do "se vira nos 30"...

Essa equipe, tão zelosa, ao que se sabe, quando cruza em algum corredor com a presidente, leva ao menos um desaforo para casa: é a chamada "bronca preventiva".

"O segundo violino está claramente desafinado!"

"Mas, sra. maestrina, o segundo violino não está presente!"

"Não importa, quando ele chegar, repreendam-no!"

No breve período em que estive no Ministério, tinha apenas 12 colegas de função. As viagens de jatinho só podiam ser feitas por motivo de saúde ou a trabalho, quando nossos destinos não eram contemplados por linhas aéreas regulares. Vali-me desse serviço somente quando precisei ser operado de emergência. Justiça seja feita, o único colega com quem sempre me encontrava nos voos de carreira de sexta-feira, após o expediente, era o respeitável ministro da Saúde, o dr. Adib Jatene.

Apesar de todo esse recato e tanta cautela, o presidente Fernando Collor acabou sofrendo impeachment no Congresso. E eu tratei de voltar para lá. Ainda contava com algum prestígio, tanto que dois anos após logrei obter nas urnas novo mandato.

Dediquei ao menos um ano a desvendar o mistério Collor. No frigir dos ovos, ele acabou sendo impedido por duas razões: apropriação indébita de uma Fiat Elba e pagamento dos mitológicos "jardins da Dinda". Ora, isso era migalha perto do que vem ocorrendo no País nos últimos dez anos. Não havia, de fato, provas mais contundentes para ensejar o que houve.

Questionei todos os parlamentares que respeitava e de quem era amigo. O então senador Fernando Henrique Cardoso apresentou-me o seguinte argumento: "Eu até poderia absolvê-lo. Ocorre que, mesmo se Collor vencesse no Congresso, não teria mais nenhum crédito. Sua governabilidade fora a pique. Não havia mais nada a fazer". Já Delfim Netto deu sua resposta em entrevista a um órgão da mídia: quem dissesse que Collor caíra por corrupção era cínico ou mal informado. Segundo Delfim, a classe política não podia mais tolerar um presidente tão volúvel, que, qual biruta de aeroporto, mudava de posição a cada momento. Collor não caiu por corrupção, mas porque se tornara absolutamente inconfiável.

Por último, a opinião de Roberto Campos: Collor falhou várias vezes. A primeira, antes da posse, ao convidar para compor seu Ministério pessoas de quem nem sequer ouvira falar - Antônio Rogério Magri, para o Trabalho e Previdência Social, e Zélia Cardoso de Mello, do quinto escalão do Ministério da Fazenda no governo Sarney, de quem acabou se tornando amigo por ser ela a responsável por manter relacionamento com os governadores do Norte. 

O mais pitoresco foi Bernardo Cabral. Collor conhecia-o da Constituinte, de que Cabral fora o relator. Só isso bastou para guindá-lo à pasta da Justiça. Notório conquistador, Cabral resolveu arrebatar o coração de Zélia, o que conseguiu levando-a Paris. Foi uma grande decepção para ela: ao acordar, percebeu que quem lhe jurara amor eterno partira, deixando-lhe um simples bilhete.

A situação de Collor a essa altura já era crítica. Cabe lembrar que, por sugestão de sua ministra da Fazenda, ele havia confiscado a poupança de todos os brasileiros. Foi então que decidiu mudar todo o Ministério. Nessa ocasião é que fui convocado e, confesso, tive imenso prazer em viver essa experiência. Todos nós, os 13 ministros da segunda fase do governo Collor, tínhamos ciência de que não haveria outra chance. Corria entre nós, dos escalões superiores, um gracejo que tinha muito de verdade: errar é humano, perdoar é divino, mas dali em diante nenhum dos dois seria aceito no governo. Jorge Bornhausen, uma espécie de primeiro-ministro, alertava-nos de que, mais do que ministros, representávamos uma nova face do governo. O novo Ministério haveria de ocupar exclusivamente as páginas de política dos jornais, jamais as de crimes, como antes. Esse novo Ministério durou apenas seis meses. Saí de lá com a cara lavada e reassumi minha cadeira na Câmara dos Deputados. Reeleito, fiquei em Brasília mais quatro anos. 

A título de lembrança da época, um amigo comentou comigo que assistira no YouTube aos momentos finais do governo e constatara que, fora eu, não havia nenhum outro ministro presente. Essa é uma passagem de que, paradoxalmente, guardo uma ponta de orgulho. Por três dias a Casa Militar convidara insistentemente todos os membros do primeiro e do segundo escalões a prestar solidariedade ao presidente que saía. Quase todos se esquivaram, com receio, talvez, de cair no opróbrio popular. Outros deixaram de comparecer por motivo mais mesquinho: já se haviam acertado com o vice-presidente e temiam que sua presença ao lado de Collor pudesse gerar algum mal-entendido com a equipe que entrava.

Eu tratei de ficar o tempo todo ao lado do presidente e ainda fiz questão de acompanhá-lo até o helicóptero, sob vaia geral. Voltei para casa sozinho. Aos 36 anos de idade, acabara de vivenciar a experiência política mais dramática de toda a minha vida.

João Mellão Neto


sexta-feira, 25 de maio de 2012

OS BONS COMPANHEIROS

De "caçador de marajás" Fernando Collor transfigurou-se em caçador de jornalistas. Na CPI do Cachoeira seu alvo é Policarpo Jr., da revista Veja, a quem acusa de se associar ao contraventor "para obter informações e lhe prestar favores de toda ordem". Collor calunia, covardemente protegido pela cápsula da imunidade parlamentar. Os áudios das investigações policiais circulam entre políticos e jornalistas - e quase tudo se encontra na internet. Eles atestam que o jornalista não intercambiou favores com Cachoeira. A relação entre os dois era, exclusivamente, de jornalista e fonte - algo, aliás, registrado pelo delegado que conduziu as investigações.



Jornalistas obtêm informações de inúmeras fontes, inclusive de criminosos. Seu dever é publicar as notícias verdadeiras de interesse público. Criminosos passam informações - verdadeiras ou falsas - com a finalidade de atingir inimigos, que muitas vezes também são bandidos. O jornalismo não tem o direito de oferecer nada às fontes, exceto o sigilo, assegurado pela lei. Mas não tem, também, o direito de sonegar ao público notícias relevantes, mesmo que sua divulgação seja do interesse circunstancial de uma facção criminosa.

Os áudios em circulação comprovam que Policarpo Jr. seguiu rigorosamente os critérios da ética jornalística. Informações vazadas por fontes diversas, até mesmo pela quadrilha de Cachoeira, expuseram escândalos reais de corrupção na esfera federal. Dilma Rousseff demitiu ministros com base nessas notícias, atendendo ao interesse público. A revista em que trabalha o jornalista foi a primeira a publicar as notícias sobre a associação criminosa entre Demóstenes Torres e a quadrilha de Cachoeira - uma prova suplementar de que não havia conluio com a fonte. Quando Collor calunia Policarpo Jr., age sob o impulso da mola da vingança: duas décadas depois da renúncia desonrosa, pretende ferir a imprensa que revelou à sociedade a podridão de seu governo.

A vingança, porém, não é tudo. O senador almeja concluir sua reinvenção política inscrevendo-se no sistema de poder do lulopetismo. Na CPI opera como porta-voz de José Dirceu, cujo blog difunde a calúnia contra o jornalista. Às vésperas do julgamento do caso do mensalão, o réu principal, definido pelo procurador-geral da República como "chefe da quadrilha", engaja-se na tentativa de desqualificar a imprensa - e, com ela, as informações que o incriminam.

O mensalão, porém, não é tudo. A sujeição da imprensa ao poder político entrou no radar de Lula justamente após a crise que abalou seu primeiro mandato. Franklin Martins foi alçado à chefia do Ministério das Comunicações para articular a criação de uma imprensa chapa-branca e, paralelamente, erguer o edifício do "controle social da mídia". A sucessão, contudo, representou uma descontinuidade parcial, que se traduziu pelo afastamento de Martins e pela renúncia ao ensaio de cerceamento da imprensa. Dirceu não admitiu a derrota, persistindo numa campanha que encontra eco em correntes do PT e mobiliza jornalistas financiados por empresas estatais. Policarpo Jr. ocupa, no momento, o lugar de alvo casual da artilharia dirigida contra a liberdade de informar.

No jogo da calúnia, um papel instrumental é desempenhado pela revista Carta Capital. A publicação noticiou falsamente que Policarpo Jr. teria feito "200 ligações" telefônicas para Cachoeira. Em princípio, nada haveria de errado nisso, pois a ética nas relações de jornalistas com fontes não pode ser medida pela quantidade de contatos. Entretanto, por si mesmo, o número cumpria a função de arar o terreno da suspeita, preparando a etapa do plantio da acusação, a ser realizado pela palavra sem freios de Collor. Os áudios, entretanto, evidenciaram a magnitude da mentira: o jornalista trocou duas - não 200 - ligações com sua fonte.

A revista não se circunscreveu à mentira factual. Um editorial, assinado por Mino Carta, classificou a suposta "parceria Cachoeira-Policarpo Jr." como "bandidagem em comum". Editoriais de Mino Carta formam um capítulo sombrio do jornalismo brasileiro. Nos anos seguintes ao AI-5, o atual diretor de redação da Carta Capital ocupava o cargo de editor de Veja, a publicação em que hoje trabalha o alvo de suas falsas denúncias. Os editoriais com a sua assinatura eram peças de louvação da ditadura militar e da guerra suja conduzida nos calabouços. Um deles, de 4 de fevereiro de 1970, consagrava-se ao elogio da "eficiência" da Operação Bandeirante (Oban), braço paramilitar do aparelho de inteligência e tortura do regime, cuja atuação "tranquilizava o povo". O material documental está disponível no blog do jornalista Fábio Pannunzio (http://www.pannunzio.com.br/), sob a rubrica Quem foi quem na ditadura.

Na Veja de então, sob a orientação de Carta, trabalhava o editor de Economia Paulo Henrique Amorim. A cooperação entre os cortesãos do regime militar renovou-se, décadas depois, pela adesão de ambos ao lulismo. Hoje Amorim faz de seu blog uma caixa de ressonância da calúnia de Carta dirigida a Policarpo Jr. O fato teria apenas relevância jurídica se o blog não fosse financiado por empresas estatais: nos últimos três anos, tais fontes públicas transferiram bem mais de R$ 1 milhão para a página eletrônica, distribuídos entre a Caixa Econômica Federal (R$ 833 mil), o Banco do Brasil (R$ 147 mil), os Correios (R$ 120 mil) e a Petrobrás (que, violando a Lei da Transparência, se recusa a prestar a informação).

Dilma não deu curso à estratégia de ataque à liberdade de imprensa organizada no segundo mandato de Lula. Mas, como se evidencia pelo patrocínio estatal da calúnia contra Policarpo Jr., a presidente não controla as rédeas de seu governo - ao menos no que concerne aos interesses vitais de Dirceu. A trama dos bons companheiros revela a existência de um governo paralelo, que ninguém elegeu.

Demétrio Magnoli

sábado, 5 de maio de 2012

COLLOR NA CONTRAMÃO

Celebrou-se ontem o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Por coincidência, em Brasília, a data transcorreu sob os ecos da intervenção do senador Fernando Collor na CPI do Cachoeira, quando sustentou a importância de manter-se sigilo nas atividades do grupo que investigará o mais recente escândalo político nacional. Faz tempo o ex-presidente declarou guerra aos meios de comunicação, chamando jornalistas de rabiscadores e agora ameaçando o presidente e o relator da CPI com punição, caso vazados detalhes dos trabalhos iniciados agora.

Com todo o respeito, mas as atividades de qualquer CPI são abertas à mídia. Não há segredo para os depoimentos, que a televisão transmitirá ao vivo. Quaisquer iniciativas de seus responsáveis serão públicas. Acresce estar na Internet todo o relatório da Polícia Federal sobre a lambança envolvendo o bicheiro Cachoeira e sua quadrilha. Na Justiça, certos processos podem tramitar em sigilo, mas na CPI, não.

Estaria Fernando Collor querendo reviver os tempos da ditadura militar, quando decretos secretos eram produzidos? Ou, mesmo, imitar o senador José Sarney, que durante algum tempo assinou resoluções secretas na presidência do Senado, envolvendo nomeações de parentes e amigos?

A Constituição estabelece a plena liberdade imprensa. Nenhum jornalista pode ser punido por divulgar informações, exceto as caracterizadas como sigilosas, ligadas à segurança nacional. Se uma CPI é constituída para investigar e elucidar malfeitos, como supor a censura em seus trabalhos?

Carlos Chagas

domingo, 29 de abril de 2012

QUEM DIRIA, O COLLOR VIROU INVESTIGADOR

O REVERSO - Como linha auxiliar do lulismo, o senador Fernando Collor resfolega como tarefeiro e tenta convocar o procurador da República para depor na CPIO REVERSO - Como linha auxiliar do lulismo, o senador Fernando Collor resfolega como tarefeiro e tenta convocar o procurador da República para depor na CPI (Alan Marques/Folhapress)

Vinte anos depois de ter o mandato de presidente da República cassado ao cabo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, o senador Fernando Collor voltou a ser protagonista de uma CPI. Alvo da investigação em 1992, ele assumiu agora o papel de investigador, escalado por seu atual partido, o PTB, para ser titular na CPI do Cachoeira. Acossado pelos petistas em 1992, Collor volta como aliado dos seus antigos algozes. De rival e desafeto do ex-presidente Lula, a quem derrotou na campanha presidencial de 1989, Collor foi reduzido à condição de tarefeiro das legiões lulopetistas no objetivo de usar a CPI para desviar a atenção do julgamento do mensalão, que deverá ser feito em breve pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Do gasto "não se deve deixar a raposa vigiar o galinheiro", passando por "o mundo dá voltas", até o sábio "a política une os mais estranhos parceiros", são muitos os ditados consagrados para descrever a presente situação. O mais exato talvez seja o atribuído a Karl Marx (1818-1883), segundo o qual "a história se repete; primeiro como tragédia, depois como farsa".

Collor estreou propondo a convocação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Alegou que Gurgel deve explicações por ter demorado a pedir a abertura de inquérito contra o senador Demóstenes Torres, acusado de defender os interesses da máfia da jogatina. O requerimento de Collor não foi votado. O comando da CPI acha mais adequado apenas convidar Gurgel. É dos mensaleiros o interesse maior em desqualificar Gurgel, peça-chave no julgamento do mensalão. Ele ratificou a denúncia contra os mensaleiros feita pelo seu antecessor, Antonio Fernando de Souza. Caberá a Gurgel ler no plenário do STF o pedido de condenação dos réus por crimes que vão de formação de quadrilha, passando pela lavagem de dinheiro, até chegar à corrupção ativa. Constranger publicamente Gurgel na CPI ajudaria a empanar o brilho litúrgico da abertura dos trabalhos no STF. Collor recebeu dos petistas outras missões na CPI. Da tarefa de envolver a imprensa, ele mostrou que se esforçará para se desincumbir até com prazer. Collor atribui à imprensa o desencadeamento do processo de impeachment que lhe custou a Presidência da República.

Fonte: Veja.com

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

JADER DE VOLTA. COLLOR QUER MAIS

STF determina que Jader Barbalho, barrado pela Lei da Ficha Limpa, tome posse no Senado. Enquanto isso, Sarney articula candidatura de Collor à presidência da Casa.
Voto de minerva do presidente do Supremo determina a posse do parlamentar paraense no Senado. Antes barrado pela Lei da Ficha Limpa, o parlamentar pressiona para assumir o mandato até o início do recesso

Nove meses depois de fixar que a Lei da Ficha Limpa não poderia ter sido aplicada nas eleições de 2010, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou, em sessão realizada ontem, que a Justiça Eleitoral diplome Jader Barbalho (PMDB) na condição de senador eleito pelo Pará. Segundo colocado no pleito do ano passado, ele havia sido barrado com base na lei que veta a candidatura de políticos com o currículo manchado por renúncias para escapar de processos de cassação. Com a decisão do STF, o Senado terá de dar posse ao peemedebista no lugar da senadora Marinor Brito (PSol-PA).

O Supremo iniciou o julgamento do recurso apresentado por Jader no começo de novembro. A análise, porém, acabou interrompida após um empate de cinco votos a cinco. Ontem, o presidente do STF, Cezar Peluso, chamou a responsabilidade para si e resolveu definir o julgamento. Ele lançou mão do chamado voto de qualidade para desempatar o caso e manifestou-se pela posse de Jader. Peluso não falou sobre a decisão, mas ela segue o entendimento de que, como a Ficha Limpa não teve validade nas eleições de 2010, não poderia impedir a candidatura de Barbalho.

O político paraense conquistou em 2010 um total de 1,8 milhão de votos e tomará posse no lugar de Marinor, a quarta colocada no pleito para o Senado. O candidato que ficou em terceiro, Paulo Rocha (PT-PA), também entrou com recurso no Supremo. No entanto, o advogado de Jader alertou que haveria uma situação esdrúxula caso Rocha tomasse posse, uma vez que o petista também havia sido declarado inelegível com base na Lei da Ficha Limpa. "É uma condição absurda em que o perdedor iria para a cadeira e o vencedor seria excluído dela", reclamou Eduardo Alckmin.

No Senado, a recondução de Jader Barbalho 24 horas depois da aprovação de Rosa Maria Weber para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal levantou acusações sobre suposto acordo entre a corte de Justiça e a bancada do PMDB. "Não estava na pauta do Supremo, o ministro recebeu uma pressão pesada do PMDB e fez uma coisa inusitada. Vou recorrer, tenho direito a recurso. Foi beneficiado alguém que a vida inteira ocupou cargos públicos para se beneficiar. A responsabilidade é do ministro Peluso, que passou por cima de uma decisão tomada por ele mesmo", disse Marinor.

O Senado informou que a posse de Barbalho pode não ocorrer este ano. Marinor tem cinco dias úteis para deixar o gabinete após a diplomação do peemedebista e a Mesa Diretora tem que se reunir para indicar relator do processo de Jader. O novo senador pelo Pará pressiona para assumir o mandato já na semana que vem. "Fez-se Justiça. Espero agora a diplomação e a posse, de preferência, o mais rápido possível", disse Jader Barbalho.
A assessoria do Supremo disse que Peluso não comentaria as declarações de Marinor.

Correio Brasiliense

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

COLLOR E SARNEY NO MESMO BARCO: É A NOSSA POLÍTICA...

Para quem tem memória, a cena vista ontem no Senado - e relatada hoje na editoria de Política - resume o nível de seriedade (ou a falta de) reinante no mundo político nacional. No meio da discussão sobre a aprovação da PEC da Desvinculação das Receitas da União, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-MA), partiu para cima do senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

Pouco importa quem estava certo. Importa o fato de Sarney ter sido contido por Fernando Collor de Mello (PTB-AL). Logo quem. Collor construiu toda sua campanha presidencial em cima de críticas pesadíssimas a Sarney, a quem chamou de "irresponsável, omisso, um fraco". Para Collor, Sarney era "um político de segunda classe, que nunca teve uma só atitude de coragem". Hoje, os dois se dão as mãos na base de apoio ao governo petista...

Políticos têm mesmo uma maneira muito peculiar de enxergar o mundo. O "desapego pessoal" é enorme, a tal ponto de conseguir esquecer os confrontos, ataques e ofensas "para buscar o bem público". No mesmo discurso onde enfileirou aqueles adjetivos ao então presidente da República, Collor prometeu construir um novo país, "onde seria restabelecida a confiança nos homens públicos". Com alianças como as vistas hoje no Congresso, isso está longe, muito longe de acontecer.

Fonte: A Gazeta

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O BRASIL DE HOJE É O MARANHÃO DE 1966

Nesta semana, este Estadão ainda não se livrou da censura imposta pelo Judiciário às notícias a respeito da Operação Boi Barrica, na qual a Polícia Federal (PF) investigou negócios suspeitos da família Sarney. Esta também foi aliviada com a notícia de que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) invalidou as provas que a referida autoridade policial levantou na dita investigação. O YouTube revelou a cinéfilos e interessados em política um curta-metragem de propaganda feito pelo baiano Glauber Rocha, ícone do Cinema Novo e da sétima arte no Brasil, por encomenda do então jovem governador do Maranhão, registrando o início de uma carreira política que, contrariando as previsões mais otimistas, o levou à Presidência da República. E a um poder, na presidência do Senado, que ora lhe permite substituir no Ministério do Turismo um indicado, Pedro Novais, afastado por suspeita de corrupção e evidências de má gestão, por outro, Gastão Vieira, cuja única virtude notória é a de ser mais um ilustre desconhecido e leigo nos assuntos da pasta a assumi-la.

O filme de Glauber Rocha, Maranhão 66, suscitou um debate inócuo em torno das intenções e dos verdadeiros interesses do cineasta e da notória sagacidade do político profissional que patrocinou um comercial da própria posse e terminou por financiar um documentário vivo e cru da dura realidade do País e de seu Estado miserável. Questionou-se se o cineasta foi leal a seu patrocinador ou se se aproveitou do patrocínio dele para, com imagens chocantes, denunciar o abismo existente entre o discurso barroco do empossado e a revoltante miséria de seu eleitorado. Também foram levantadas dúvidas sobre o papel do protagonista do filme no relativo ostracismo em que a obra mergulhou, não merecendo a fortuna crítica que obras como Deus e o Diabo na Terra do Sol e Terra em Transe viriam a ter. Glauber foi um militante de esquerda, mas aderiu à ditadura em seus estertores quando voltou ao Brasil, chegando a chamar o ideólogo da intervenção militar contra a pretensa República sindicalista, general Golbery do Couto e Silva, de "gênio da raça". O Sarney por ele filmado era da "Bossa Nova" da UDN, com tinturas pink, mas aderiu ao regime autoritário e, depois, se afastou dele para entrar na chapa que lhe pôs fim no colégio eleitoral.

Personagem e autor podem, assim, alinhar-se na galeria das "metamorfoses ambulantes" em que Luiz Inácio Lula da Silva se introduziu, inspirando-se em Raul Seixas, para justificar na prática sua adesão ao lema de Assis Chateaubriand, segundo o qual "a coerência é a virtude dos imbecis". Mas, com todo o respeito às boas intenções de quem entrou no debate, não é a incoerência do material do curta-metragem que interessa, e sim exatamente o contrário: a permanência das práticas denunciadas com a imagética bruta da fita sob a gestão do orador inflamado e empolado, que as usava para detratar seus antecessores, dos quais assumiu os mesmos vícios ao tomar-lhes o lugar nos braços do povo que, "bestializado", na definição de José Murilo de Carvalho, o ouvia e aclamava.

O autor deste texto é glauberiano de carteirinha: presidi o Cine Clube Glauber Rocha em Campina Grande um ano depois de o curta ter sido produzido, mas nunca me interessei por ele. Graças ao mesmo YouTube que trouxe de volta obras-primas perdidas da música para cinema no Brasil, como as trilhas de Sérgio Ricardo para Deus e o Diabo na Terra do Sol e de Geraldo Vandré para A Hora e a Vez de Augusto Matraga, Maranhão 66 emergiu. E despertou o debate errado: não importa se Glauber exaltou ou execrou Sarney nem se este foi elogiado ou ludibriado pelo cineasta contratado. Interessa é perceber a genialidade da peça cinematográfica no que ela tem de mais poderoso: a constatação de que a cena de um homem fazendo um penico de prato antecede outra em que urubus sobrevoam um lixão, ao som da retórica barroca e vazia de um demagogo, retratando o Maranhão daquela época e, sem tirar nem pôr, o Brasil de agora.

Sarney, que preside o Senado e o Congresso e põe no Ministério do Turismo de Dilma Rousseff quem lhe apraz, é o símbolo vivo do Brasil em que, no poder, o PT da presidente, associado ao saco de gatos do PMDB do senador pelo Amapá, mantém incólume "tudo isso que está aí" e que Lula prometeu a seus devotos exterminar. O problema do filme feito para exaltar a esperança no jovem político que assumiu o poder prometendo mudar tudo não é ter seu diretor traído, ou não, o acordo feito com o financiador ao expor as mazelas que ele garantiu que acabaria e não acabou. A tragédia é que nada mudou.

E não é o caso só de Sarney. A vassoura com que Jânio Quadros varreria o Brasil terminou sendo posta atrás da porta do Palácio do Planalto para expulsá-lo do poder. O caçador de marajás Fernando Collor foi defenestrado sob a acusação de ter executado com desenvoltura as práticas daninhas que usou como chamarizes para atrair eleitores incautos e, depois do período sabático fora do poder, voltou ao Congresso para bajular os novos guardiães dos cofres da viúva. E estes também desempenharam com idêntico cinismo o papel de restauradores da moralidade que engrossaram o caldo sujo da malversação do erário, primeiro, sob Luiz Inácio Lula da Silva e, depois, sob Dilma Rousseff, cuja meia faxina em nada fica devendo aos arroubos de falso moralismo de antanho.

Desde sempre, vem sendo cumprida a verdadeira missão dos políticos no poder no Brasil sob qualquer regime e com qualquer bandeira partidária: "O Estado brasileiro usa as leis para manter os maus costumes", definiu, magistralmente, o antropólogo Roberto DaMatta na entrevista das páginas amarelas da Veja desta semana. Foi por isso que aqui se inverteu o aforismo de Heráclito de Éfeso: o rio em que nos banhamos tem sido emporcalhado a jusante por quem promete limpar a água - Sarney, Jânio, Collor, Lula, Dilma, etc.

JOSÉ NÊUMANNE - O Estado de São Paulo

sábado, 5 de março de 2011

COLLOR RESPONDE POR POR FRAUDAR PESQUISAS.

O Ministério Público Eleitoral (MPE) apresentou recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a condenação do senador Fernando Collor (PTB-AL) com base na Lei da Ficha Limpa. O MPE argumenta que houve manipulação do resultado de pesquisa eleitoral divulgada nas eleições de 2010. Na ocasião, ele era candidato ao governo de Alagoas.


Segundo o Ministério Público, Collor deve ser enquadrado no dispositivo da Lei da Ficha Limpa que torna inelegível político condenado por abuso do poder econômico ou de autoridade e por utilização indevida de veículos ou meios de comunicação social em benefício de candidato ou de partido político.

O recurso contesta decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) que, apesar de reconhecer que ocorreu fraude na pesquisa eleitoral, entendeu que o caso não configurou abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação a ponto de gerar a inelegibilidade de oito anos, como está prevista na Lei da Ficha Limpa.

O Ministério Público informou que a pesquisa foi realizada pelo instituto Gape, que pertence ao grupo de comunicação da família do petebista, e teve os dados deturpados com o claro intuito de beneficiar a candidatura de Collor e seu vice, Galba Novais Júnior.

Os dados foram veiculados no jornal Gazeta de Alagoas, que foi multada pela divulgação. "Impossível reconhecer que a fraude não importa em abuso, notadamente quando é visível o escopo de privilegiar candidato determinado, atentando-se para o fato de que este é, nada mais nada menos, que sócio-proprietário da pessoa jurídica responsável pela manipulação e divulgação dos dados", afirma o MPE no recurso.

Conforme o texto da Lei da Ficha Limpa, a manipulação da pesquisa já pode ser considerada ato abusivo mesmo que não altere o resultado da eleição. Se o recurso for acolhido pelo TSE, Fernando Collor poderá ficar inelegível até 2018.

Fonte: A Gazeta - http://glo.bo/ibNywv