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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

BARRIL DE PÓLVORA



Solto na tarde terça-feira (11) em Aparecida de Goiânia, onde estava preso em decorrência de sentença judicial que o condenou a 39 anos de prisão, o contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, deixou a prisão mandando um duro recado à cúpula petista. Disse que é “o garganta profunda do PT”, numa referência ao informante do jornal “The Washington Post” durante o escândalo que ficou conhecido como Watergate e derrubou o presidente Richard Nixon, dos Estados Unidos.

Que Cachoeira tem muito a revelar todos já sabiam, inclusive os próprios petistas. Tanto é assim, que o advogado Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça, comandou inicialmente a defesa do contraventor, a mando de Lula, que temia algum depoimento revelador de Cachoeira.

Nas vezes que compareceu à CPI batizada com o seu nome, Cachoeira se reservou ao direito de permanecer em silêncio, mas ele disse que está disposto a depor à Comissão ainda nesta quarta-feira (12), para revelar ao Brasil todos os escândalos envolvendo o PT.

Se isso de fato acontecer, a farsa de Lula será desmontada e alguns políticos de destaque devem ficar em situação delicada, começando pela presidente Dilma Rousseff e os governadores Sérgio Cabral Filho, do Rio de Janeiro, e Agnello Queiroz, do Distrito Federal. De quebra será arrastado ao olho do furacão o empresário Fernando Cavendish, dono da Delta Construção, que alimentou financeiramente o esquema.

A cada dia que surge o PT vê a sua imagem sendo destruída no rastro dos tantos escândalos que ocorreram na última década, cujos alguns dos protagonistas dos mesmos decidiram contar a verdade. É o caso de Cachoeira e Marcos Valério, só faltando Rosemary Nóvoa de Noronha, a Marquesa de Garanhuns e namorada de Lula

Fonte: Ucho.Info

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

HOMEM-BOMBA



Circulou na manhã desta terça-feira (27) o boato de que Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, fora internado em um hospital de Goiânia por causa de um suposto envenenamento, o que até prova em contrário é obra de ficção. Cachoeira foi internado por estresse e insônia, além de alguns problemas relacionados ao seu estado emocional.

O máximo que se poderia imaginar é que Carlinhos Cachoeira teria procurado um hospital como forma de se proteger de o séquito de seus irritados inimigos, que estão sem dormir desde que o contraventor anunciou que colocará “os pingos nos is” e o povo goiano voltará a sentir orgulho dele.
Cachoeira, como é de conhecimento de todos, sabe muito mais do que a extensa maioria dos envolvidos nos escândalos gostaria que ele de fato soubesse. Acostumado a gravar suas reuniões e encontros, Carlinhos Cachoeira tem um invejável arsenal de provas contra muita gente.

Se de fato o contraventor goiano, que permaneceu preso desde o dia 29 de fevereiro, resolver contar o que sabe, por certo a República virá abaixo. Afinal, correu muito dinheiro de caixa 2 na campanha presidencial de Dilma Rousseff, grande parte doada pela Delta Construção por meio das fatídicas empresas laranjas.

Resumindo, quando Cachoeira resolver colocar os anunciados pingos nos is, com certeza faltará a terceira vogal para tantos pingos. E corra quem puder, pois o conteúdo dos pingos é explosivo e o contraventor não pagará sozinha a conta que é de muitos. Com ele cairão pelo menos duas dúzias de autoridades.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

CHEGA DE INTERMEDIÁRIOS, VOTE CACHOEIRA



Feliz com o julgamento do Mensalão? Pois a CPI do Cachoeira, que investiga a movimentação ilegal de R$ 30 bilhões pelo bicheiro e sua turma, parou: como disse o presidente da CPI, até o primeiro turno da eleição não há como fazer com que parlamentares apareçam lá para trabalhar. Ele é otimista: depois de 7 de outubro, dia do primeiro turno, há cidades com segundo turno, há composições em torno dos eleitos, coisas de interesse deles a fazer com o nosso dinheiro. Aí entra a temporada de férias e festas de fim de ano.

 O ano que vem (após a Semana Santa, claro) é outro ano, com outros temas. O objetivo maior da CPI já foi atingido: criar problemas para o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo. E a Construtora Delta? Esqueça: Delta é apenas a quarta letra do alfabeto grego.

E, saiba o caro leitor, é preciso reconhecer o talento de Cachoeira. Indicou secretários, presidente de autarquia, botou a irmã de seu operador num carguinho legal – fora isso, nomeou muito mais gente para empregos menos cotados. Interferiu em concorrências, aliou-se a uma grande construtora, espalhou-se por Tocantins, Goiás, Brasília, tinha sob controle, trabalhando para ele, até um promotor daqueles bravos, metido a honesto, denunciando os malfeitos dos outros.

Amasiou-se por dois anos com a mulher de um amigo. Quando o amigo soube, foi buscar consolo com quem? Com Cachoeira. E, ao que se comenta, mesmo preso Cachoeira já recompôs seu esquema operacional.

Quando ele for solto, esqueça os intermediários: vote no Cachoeira.

Carlos Brickman

domingo, 9 de setembro de 2012

PIZZA AMARGA

O Estado de S.Paulo

A CPI que investiga as relações do contraventor Carlinhos Cachoeira com políticos e empresários decidiu suspender seus trabalhos até 9 de outubro - menos de um mês antes de sua conclusão, em 4 de novembro. A comissão, disse o vice-presidente da CPI, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), não pode se deixar "contaminar" pelas eleições municipais de 7 de outubro. O fato, porém, é que a decisão praticamente sepulta a comissão, sem que ela tenha analisado dados que poderiam esclarecer a amplitude do esquema que envolve a Delta Construtora e outras empreiteiras.

O cheiro de "pizza" ficou mais forte em meados do mês passado, quando a CPI adiou a votação de requerimentos para a quebra do sigilo bancário de empresas de fachada que receberam cerca de R$ 220 milhões da Delta, a principal empreiteira envolvida nas obras do governo federal no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento. Segundo investigações da Polícia Federal, essas empresas, no Rio e em São Paulo, teriam intermediado o repasse ilegal de recursos públicos para campanhas eleitorais. A retomada dos trabalhos da comissão, em 9 de outubro, não deixaria tempo útil para a quebra do sigilo, uma vez que o prazo para que as informações bancárias cheguem à CPI é de cerca de um mês.

Todo o esforço dos integrantes governistas da CPI foi no sentido de limitar o caso somente às relações da Delta com Cachoeira, e apenas no Centro-Oeste - para atingir o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, cujo nome aparece nas escutas telefônicas referentes ao escândalo. Cachoeira seria o "sócio oculto" da Delta e teria distribuído propinas para favorecê-la em Goiás, e Perillo é acusado de ter cobrado uma "comissão" da Delta para que seu governo pagasse o que devia à construtora, numa transação intermediada pelo contraventor. Esse deverá ser o enredo do relatório final da comissão.

Com a suspensão de suas atividades, a CPI confirma sua irrelevância. As duas consequências mais importantes da investigação do escândalo até aqui não nasceram das sessões inquisitivas do Congresso. Carlinhos Cachoeira está preso graças exclusivamente ao trabalho da Polícia Federal (PF); e Demóstenes Torres - o parlamentar que vituperava contra corruptos no plenário do Senado enquanto recebia mimos de Cachoeira em troca de sua influência política - teve seu mandato cassado em vista do que a PF descobriu.

Em favor da CPI, diga-se que ela teve ao menos um momento esclarecedor, quando Luiz Antonio Pagot, ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), contou, com a maior sem-cerimônia, que arrecadou para a candidatura de Dilma Rousseff à Presidência cerca de R$ 6 milhões em doações de empresas contratadas pelo órgão. Pagot admitiu que não foi lá muito "ético" em sua empreitada.

Não se esperava mesmo grande coisa de uma CPI que nasceu em boa medida graças ao desejo petista de fazer um contraponto à exploração política do caso do mensalão no Supremo. A ideia era constranger os tucanos, por meio do cerco a Perillo, e desacreditar o autor da acusação do mensalão no Supremo, o procurador-geral da República Roberto Gurgel, ao dizer que ele ajudou a atrasar o processo contra Cachoeira e Demóstenes.

Para o PT, uma parte de seus objetivos foi atingida, porque provavelmente um dos poucos "graúdos" a serem citados no relatório final da CPI será o governador do PSDB - poupando o PMDB, que por muitos anos governou o Estado onde já operava Cachoeira, e outros aliados que também têm negócios e relações íntimas com a Delta, como o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.

Diante disso, o vexame de uma CPI onde quase todos entram mudos e saem calados não é surpresa. Com tão inequívocas evidências de ilegalidades manufaturadas com dinheiro público, numa rede de corrupção cuja superfície foi apenas arranhada pelas investigações, saber que graças a um conluio político nada disso será objeto de escrutínio dá a esta "pizza" um sabor especialmente amargo.

domingo, 2 de setembro de 2012

É ASSIM QUE FUNCIONA


O Estado de S.Paulo

Não é todo dia que os brasileiros que ainda não perderam inteiramente o interesse pela política têm a oportunidade de encontrar no noticiário um manual, claro como o sol, do funcionamento do sistema que entrelaça autoridades, parlamentares, candidatos e empresários em torno dos recursos - em todos os sentidos do termo - que o Estado, e ninguém mais do que este, pode proporcionar a tutti quanti. O melhor do manual é a descrição dos passos essenciais dessa ciranda, que se complementam admiravelmente. Em um dos movimentos, o político de alguma forma associado a um grupo de homens de negócio, ou que lhe deve favores, procura um órgão oficial para conseguir que sejam beneficiados numa determinada parceria da administração pública com agentes privados. No outro volteio, por iniciativa própria ou a pedido, a autoridade procura empresários do setor que comanda do outro lado do balcão para que contribuam para a campanha de um candidato.

Todos os envolvidos têm algo a ganhar e algo a temer. A autoridade receia cair futuramente em desgraça se não carrear dinheiro alheio para os cofres da tal candidatura. Carreando, espera, se ela vingar, que os seus esforços venham a ser devidamente reconhecidos. O mesmo se dá com os donos do dinheiro: recusando-se a contribuir, serão rotulados de ingratos - porque, afinal, já foram premiados em transações com a área pública -, prenúncio, a seu ver, de dificuldades até então não enfrentadas por suas empresas; fazendo a parte que lhes toca, é como se fizessem um investimento de risco mínimo e alto retorno. Com os políticos, a dialética dessa modalidade de custo-benefício é ainda mais evidente. Tendo sido eleitos com a mão em geral invisível do poder econômico, seria irracional do ponto de vista de suas ambições deixar de retribuir os favores recebidos. O sociólogo Fernando Henrique cunhou a expressão "anéis burocráticos" para retratar esses enlaces de recíproca conveniência à sombra do Estado e às expensas do contribuinte. Mas pode-se chamá-los simplesmente "toma lá dá cá".

Dois casos de livro didático vieram à luz nos jornais de quarta-feira passada. Um deles, nas citações do depoimento do ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antonio Pagot à CPI do Cachoeira. O apadrinhado do rei da soja e senador Blairo Maggi deixou a função em julho do ano passado, ao ser alcançado pela faxina da presidente Dilma Rousseff nos altos escalões do governo. Ele contou ter arrecadado cerca de R$ 6 milhões em doações legais de mais de 30 empresas detentoras de contratos com o Dnit para a candidatura Dilma Rousseff. Teria também intermediado financiamentos para as campanhas aos governos de Santa Catarina e Minas Gerais da atual ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, do PT, e do senador Hélio Costa, do PMDB. Os dois negam e Pagot confirma. Quem o procurou para ajudar Dilma foi o tesoureiro da campanha, o deputado petista por São Paulo, José de Filippi. Ele o orientou para deixar de lado as grandes empreiteiras, das quais outros se ocupariam, e se concentrasse nas de menor porte.

As confissões de Pagot, além de tirar da catalepsia a CPI do contraventor, nacionalizando o seu alcance até então concentrado no Centro-Oeste, parecem justificar o cínico dito de que, na política, deve prevalecer a presunção de culpa, salvo prova em contrário. Isso se aplica, evidentemente, ao deputado Henrique Eduardo Alves, do PMDB do Rio Grande do Norte - o outro personagem da hora. O Estado revelou que o candidato a presidente da Câmara em 2013 fez lobby no Tribunal de Contas da União (TCU) para que o Consórcio Rodovia Capixaba ganhe a concessão por 25 anos da BR-101 entre o Espírito Santo e a Bahia - um contrato da ordem de R$ 7 bilhões. "Fiz um favor pessoal a um empresário meu amigo", alega o parlamentar, como se a gentileza não configurasse tráfico de influência. O TCU, afinal, é um órgão do Legislativo. Na realidade, é pior: o consórcio cujos interesses foram abraçados por Alves é ligado a um grupo do qual ele é sócio no controle da TV Cabugi de Natal. Pagot, um tanto tardiamente, pelo menos admitiu na CPI ter sido "antiético".

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

MULHER FAZ CPI PASSAR VERGONHA

Sem saber, Roseli Pantoja da Silva teve o nome usado pela quadrilha. Intimada, foi de ônibus ao Senado, sentou-se diante de 23 parlamentares e não deixou sem resposta uma só pergunta. Uma humilhação para políticos e contraventores que temem ser presos se abrirem a boca.
Dona de uma banca na Feira dos Importados, Roseli Pantoja foi de ônibus ao Congresso e enfrentou a CPI sem advogados
Roseli Pantoja da Silva virou exemplo. Chegou à CPI do Cachoeira na condição de empresária milionária, dona da Construtora Alberto & Pantoja, e saiu de lá como uma cidadã brasileira pobre, que teve o nome usado de forma criminosa pela Delta, empreiteira investigada por montar um esquema de empresas fantasmas para lavar dinheiro e financiar campanhas políticas. Ela, que é dona apenas de uma banca na Feira de Importados, foi de ônibus para o Senado e, sem nenhum advogado ou assessor, sentou-se na bancada diante de 23 parlamentares e não deixou de responder a nenhuma pergunta. Envergonhou políticos, empresários e funcionários públicos que, escorados em habeas corpus, se calaram. Antes mesmo de Roseli acabar o relato, vários integrantes da comissão declararam que a CPI do Cachoeira havia morrido naquele momento. "A partir de agora, esta é a CPI da Delta. A CPI do Cachoeira acabou", concluiu o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ).

Tranquila e bastante segura nas respostas, ela revelou, logo no início do depoimento, que só ficou sabendo pela internet que era dona de uma empresa de engenharia que, nos últimos anos, recebeu R$ 27,7 milhões da Delta. "Pelo que li na internet, sou dona da Alberto & Pantoja. No entanto, meu nome é Roseli com i e não com y", disse a comerciante. Constrangido, o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), perguntou o número do CPF dela. Ao responder, o deputado verificou que não batia com o número que estava em suas mãos. Por um momento, os integrantes chegaram a pensar que tinham convocado a Roseli errada.

A confusão só foi desfeita quando os parlamentares descobriram que também havia empresas fantasmas no nome do ex-marido de Roseli, Gilmar Carvalho Moraes. A depoente assegurou que Gilmar é um homem pobre e endividado. Informou que ele recebeu uma procuração dela para abrir uma loja de artigos para roqueiros na Feira de Importados. "Ele abriu uma conta bancária, tomou empréstimos e não pagou. Por isso, meu nome foi parar no Serasa", esclareceu. Os parlamentares vão convocar Gilmar para saber se ele também é vítima do esquema ou se recebeu alguma vantagem em troca do uso do nome dele para abertura de empresas de fachada do esquema fraudulento.

Pedido de prisão
Durante a sessão de ontem, vários parlamentares chegaram a pedir a prisão do dono da Delta, Fernando Cavendish. Ele vai prestar depoimento no dia 29 de agosto. No entanto, ao contrário de Roseli, deve ficar calado. "Se o Brasil fosse um país sério, o dono da Delta estaria preso. A senhora é a única brasileira que veio aqui contribuir com a verdade e sem advogados. Parabéns", elogiou o senador Pedro Taques. O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e o deputado Domingos Sávio (PSDB-MG) também cobraram a prisão de Cavendish.

Dados preliminares da CPI, divulgados na semana passada, apontam que 16 empresas fantasmas do esquema receberam mais de R$ 300 milhões da Delta. Dos mais de R$ 27 milhões repassados para a Alberto & Pantoja, o contador da quadrilha de Carlinhos Cachoeira, Geovani Pereira da Silva, sacou R$ 8,66 milhões. A firma fantasma também repassou R$ 3,41 milhões para a JR Construtora e a Mapa Construtora LTDA, também laranjas.

Edivaldo Cardoso de Paula, ex-presidente do Departamento de Trânsito (Detran) de Goiás, e Hilner Ananias, que foi segurança do ex-senador Demóstenes Torres, também foram convocados para prestar depoimento na CPI. Os dois, resguardados por habeas corpus concedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ficaram em silêncio.
"A partir de agora, esta é a CPI da Delta. A CPI do Cachoeira acabou"
João Valadares - Correio brasiliense

sábado, 21 de julho de 2012

UM TIRO NA NUCA DA NAÇÃO


 
Carlinhos Cachoeira disse que vai à CPI quando quiser, porque a CPI é dele. Quase simultaneamente, um dos agentes federais que o investigaram é executado num cemitério, enquanto visitava o túmulo dos pais. Al Pacino e Marlon Brando não precisam entrar em cena para o país entender que há uma gangue atentando contra o Estado brasileiro. Em qualquer lugar supostamente civilizado, os dois tiros profissionais na nuca e na têmpora do policial Wilton Tapajós poriam sob suspeita, imediatamente, os investigados pela Operação Monte Carlo - alvos do agente assassinado. Mas no Brasil progressista é diferente.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, se pronunciou sobre o crime. Declarou que "é leviano" fazer qualquer ligação entre a execução do policial federal e a operação da qual ele fazia parte. E mais não disse. Tapajós foi enterrado no lugar onde foi morto. Se fosse filme de máfia, iam dizer que esses roteiristas exageram. No enterro, alguém de bom-senso poderia ter soprado ao ouvido do ministro: dizer que é leviano suspeitar dos investigados pela vítima, excelência, é uma leviandade.

Mas ninguém fez isso, e nem poderia. O ministro da Justiça não foi ao enterro. Wilton Tapajós era subordinado ao seu ministério, atuava na principal investigação da Polícia Federal e foi executado em plena capital da República, mas José Eduardo Cardozo devia estar com a agenda cheia. (Talvez seja mais fácil desvendar o crime do que a agenda do ministro.) Por outro lado, o advogado de Cachoeira, investigado pelo agente assassinado, é antecessor de Cardozo no cargo de xerife do governo popular. Seria leviano contrariar o companheiro Thomaz Bastos.

Assim como o consultor Fernando Pimentel (ministro vegetativo do Desenvolvimento) e Fernando Haddad (o príncipe do Enem), Cardozo é militante político de Dilma Rousseff e ministro nas horas vagas. O projeto de permanência petista no poder é a prioridade de todos eles, daí os resultados nulos de suas pastas. Cardozo anunciara que ia se aposentar da política, e em seguida virou ministro. Lançou então seu ambicioso plano de espalhar UPPs pelo país e se aposentou (da função de cumpri-lo). Deixou de lado o abacaxi do plano nacional de segurança, que não dá voto a ninguém, e foi fazer política, que ninguém é de ferro. Para bater boca com a oposição e acusá-la de politizar a operação da PF, por exemplo, o ministro não se sente leviano.

Carlinhos Cachoeira era comparsa da Delta, a construtora queridinha do PAC. O bicheiro mandava e desmandava no Dnit, órgão que, além de acobertar as jogadas da Delta, intermediava doações para campanhas políticas, segundo seu ex-diretor Luiz Antonio Pagot. Entre essas campanhas estava a de Dilma Rousseff, da qual Cardozo fazia parte. O policial federal assassinado estava entre os homens que começaram a desmontar o esquema Cachoeira-Delta, e seus tentáculos palacianos. O mínimo que qualquer autoridade responsável deveria dizer é que um caçador da máfia foi eliminado de forma mafiosa. Mas o falante ministro da Justiça preferiu ficar neutro, como se a vítima fosse o sorveteiro da esquina. Haja neutralidade.

Montar golpes contra o Estado brasileiro é, cada vez mais, um crime que compensa. Especialmente se o golpe é montado dentro do próprio Estado, com os padrinhos certos. Exemplo: às vésperas do julgamento do mensalão, um conhecido agente do valerioduto acaba de ser inocentado, candidamente, à luz do dia.

Graças a uma providencial decisão do Tribunal de Contas da União - contrariando parecer técnico anterior do próprio TCU -, Henrique Pizzolato, ex-diretor de marketing do Banco do Brasil que permitiu repasses milionários à agência de Marcos Valério, não deve mais nada a ninguém. Os famosos contratos fantasmas de publicidade, que permitiram o escoamento sistemático de dinheiro público para o caixa do PT, acabam de ser, por assim dizer, legalizados. Nesse ritmo, o Brasil ainda descobrirá que Lula tinha razão: o mensalão não existiu (e Marcos Valério se sacrificou por este país).

O melhor de tudo é que uma lavagem de reputação como essa acontece tranquilamente, sem nem uma vaia da arquibancada. No mesmo embalo ético, Delúbio Soares já mandou seu advogado gritar que ele é inocente e jamais subornou ninguém. O máximo que fez foi operar um pouquinho no caixa dois, o que, como já declarou o próprio Lula, todo mundo faz. Nesse clima geral de compreensão e tolerância, o ministro do Supremo Tribunal Federal que passou a vida advogando para o PT já dá sinais de que não vai se declarar impedido de julgar o mensalão. O Brasil progressista há de confiar no seu voto.

Esses ventos indulgentes naturalmente batem na cela de Cachoeira, que se enche de otimismo e fala grosso com a CPI. Se o esquema de Marcos Valério está repleto de inocentes, seria leviano deixar o bicheiro de fora dessa festa.

Guilherme Fiúza

terça-feira, 10 de julho de 2012

PREFEITO PETISTA COLOCOU PALMAS À DISPOSIÇÃO DE CACHOEIRA



Pressão total – Prefeito de Palmas, capital do Tocantins, o petista Raul de Jesus Lustosa Filho disse, durante depoimento à CPI do Cachoeira, que teve a “infelicidade” de ser filmado. Raul Filho, como é conhecido o petista, foi flagrado em vídeo negociando apoio financeiro de Carlinhos Cachoeira em troca de negócios na prefeitura. Raul, que à época da gravação era apenas candidato do PT à prefeitura de Palmas, começou seu depoimento com a leitura de um texto produzido por sua assessoria jurídica e que deixou a sessão da Comissão enfadonha. Sem convencer em qualquer das suas respostas, o prefeito petista não teve sequer o apoio da base alaida, o que mostra que sua expulsão do PT está mais consolidada do que muitos imaginam.

Líder do PPS na Câmara, o deputado federal Rubens Bueno (PR) cobrou de Raul Filho a postura de colocar a cidade que ele administra à disposição do contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos. “O senhor coloca Palmas, no vídeo divulgado pela imprensa, como se a cidade lhe pertencesse, como se fosse de sua propriedade privada, oferecendo negócios no setor imobiliário, na coleta do lixo e na exploração do abastecimento de água em troca de ajuda na campanha eleitoral”, disse Bueno.

O parlamentar paranaense referia-se à conversa do prefeito com Cachoeira, assessores de campanha e empresários em um vídeo levado ao ar pelo programa Fantástico e no Jornal Nacional, ambos da Rede Globo. Na fita, Raul Filho discute com o contraventor uma ajuda para a campanha para a prefeitura, que poderia ser um show de Amado Batista, e lista uma série de negócios que Cachoeira poderia explorar na capital do Tocantins.

Empréstimos no BMG

O líder do PPS questionou o prefeito, ainda, sobre empréstimos que a empresa Delta fez no Banco BMG, o mesmo do Mensalão do PT, e que foram pagos pala prefeitura. O prefeito respondeu que houve um período de dificuldade no qual a Delta ficou sem receber e teve de tomar dinheiro emprestado, que foi reposto pela prefeitura. “E a população de Palmas teve de pagar por esses empréstimos com altos juros”.

Enquanto Rubens Bueno falava, um homem interrompeu suas palavras. Os seguranças do Senado pediram que ele se retirasse da CPI porque somente parlamentares podem se pronunciar na Comissão. Quando pediram identificação, souberam que tratava-se de Robledo D’Montalverde da Silva Suarte, secretário municipal de Desenvolvimento Social de Palmas.

Jagunços

O prefeito de Palmas foi acusado por Rubens Bueno de levar “sua entourage e jagunços para intimidar os membros da CPI e lhe defender, em vez de estar lá em Palmas trabalhando pela população”. O deputado começou sua intervenção com reação indignada, na qual perguntou se o depoente havia mesmo declarado, na apresentação inicial na CPI, que deixara o PPS “porque quis buscar respeitabilidade”. Raul Filho disse que retirava a declaração se a houvesse perpetrado.
“O PPS é um partido decente, que tem uma história neste país, que lutou para que o senhor pudesse ser candidato a prefeito”, disse o líder, lembrando que o próprio prefeito informou ter iniciado sua carreira política no PDS. “Não merecia ser acolhido pelo PPS, que é um partido sério”.

FONTE: Ucho.Info

sexta-feira, 6 de julho de 2012

CPI ESQUENTA COM DONO DA DELTA, PAGOT E PAULO PRETO

Além de Cavendish, ex-diretor do Dnit e ex-chefe de estatal paulista vão prestar esclarecimentos à comissão, embora a data não tenha sido marcada. Prefeito de Palmas depõe na próxima quarta

Após dois meses e meio de trabalhos e poucos avanços, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira aprovou ontem a convocação do dono da Delta Construções, Fernando Cavendish, e do ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antônio Pagot, dois dos principais personagens do roteiro costurado pelas relações da organização criminosa comandada pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com políticos e agentes privados. Nenhum dos dois, porém, têm data para comparecer à CPI. A única oitiva prevista é a do prefeito de Palmas, Raul Filho (PT), para a próxima terça-feira, outro passo acertado na sessão de ontem.

"Todos que desejam a evolução das investigações tiveram uma vitória hoje (ontem). Cada dia com a sua agonia. Agora, vamos começar a cobrar a presença desses senhores. Mas hoje (ontem) a CPI entrou em campo", resumiu o senador Randolfe Rodrigues (PSol-AP). Com exceção do prefeito da capital do Tocantins, que enviou ofício ao colegiado se colocando à disposição, os demais só irão à comissão depois do recesso parlamentar, de 17 de julho a 1º de agosto, e poderão permanecer em silêncio, direito garantido pela Constituição.

Além desses três, considerados ameaças em potencial para PT e PMDB, o colegiado conseguiu arrastar mais um tucano para o centro das apurações: Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, ex-diretor da estatal paulista Dersa e um dos encarregados de angariar recursos para a campanha de José Serra nas eleições de 2010. Ele é acusado por Pagot de fazer caixa 2 para o tucano. A tropa de choque do governo impediu, no entanto, a convocação do tesoureiro da campanha da presidente Dilma Rousseff, o deputado estadual José de Fillipi (PT-SP).

Discussão
O debate em torno do requerimento de Paulo Preto se transformou em disputa partidária na sessão de ontem, capítulo recorrente nas reuniões da CPI. "Convocar Paulo Preto é tão importante quanto chamar Pagot, mas o PSDB está com medo de que Paulo Preto seja convocado. Esse medo todo já seria motivo para ele vir aqui. Estão com medo de quê?", provocou o deputado Silvio Costa (PTB-PE). O contra-ataque veio com o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), ao afirmar que o relator não sabia ler, referindo-se a uma entrevista em que Pagot faz acusações tanto contra Paulo Preto quanto a José de Fillipi. "Pelo menos conseguimos trazer Pagot e Cavendish, que a base não queriam de jeito nenhum", comemorou o líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR).

A estratégia de petistas e peemedebistas agora é protelar a ida de seus aliados. O ex-tesoureiro tucano deverá comparecer em meados do mês que vem, quando o Supremo Tribunal Federal estiver julgando os réus do escândalo do mensalão — caso de suspeita de pagamento de propina do Executivo a parlamentares da base aliada, em 2005, durante o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Foram aprovados ainda os requerimentos de convocação de José Augusto Quintela e Romênio Marcelino Machado, sócios da Sigma Engenharia, que, segundo a Polícia Federal, é uma empresa de fachada usada pela quadrilha de Cachoeira; Andréa Aprígio de Souza, ex-mulher do bicheiro e suspeita de ter o nome usado como laranja pela organização criminosa; e Adir Assad, sócio de uma empresa que teria recebido R$ 50 mil da Delta.

Já a construtora de Cavendish teria Cachoeira como sócio oculto e mantém diversos contratos com o governo federal. Pagot saiu do Dnit no ano passado, sob suspeitas de fazer parte de um esquema de pagamento de propina a parlamentares do PR, do qual ele era filiado, e afirma que deixou o cargo por "não atender a interesses da quadrilha". Raúl Filho foi flagrado em um vídeo, gravado em 2004, oferecendo facilidades ao contraventor em troca de financiamento de campanha.

"Todos que desejam a evolução das investigações tiveram uma vitória hoje (ontem)"
Randolfe Rodrigues, senador do PSol-AP
Os novos convocados
Fernando Cavendish, dono da Delta Construções
Luiz Antônio Pagot, ex-diretor-geral do Dnit
Raul FIlho (PT-TO), prefeito de Palmas

Fonte: Correio Brasiliense - Gabriel Mascarenhas
Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa

FARINHA DO MESMO SACO



Cerco fechado – Integrantes da CPI do Cachoeira aprovaram nesta quinta-feira (5) a convocação do empresário Fernando Cavendish, ex-presidente e sócio da Delta Construção, para prestar esclarecimentos sobre as atividades da empreiteira com o esquema criminoso comandado pelo contraventor goiano Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, que tinha na teia de relacionamentos políticos, autoridades e empresários.

A Comissão também aprovou a convocação do ex-diretor do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Luiz Antônio Pagot, e de mais cinco testemunhas: Adir Assad, Andréa Aprígio, Paulo Vieira de Souza, Paulo Moreira Lima e Raul Filho. Os depoimentos de Pagot e Cavendish preocupam os petistas palacianos, pois enquanto o primeiro sabe muito sobre o sistema de arrecadação para a campanha de Dilma Rousseff, o segundo foi um dos grandes doadores.

A tábua de salvação da base governista pode ser Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, ex-diretor da Dersa, órgão do governo paulista que tinha contratos com a Delta. Paulo Preto ganhou o noticiário durante a disputa presidencial de 2010, quando foi acusado pela então candidata Dilma Rousseff de participar de um esquema que teria desviado R$ 4 milhões do caixa da campanha do tucano José Serra.

O trunfo da oposição pode ser o prefeito de Palmas, o petista Raul Filho, flagrado em vídeo acertando doações de campanha com Carlinhos Cachoeira. Os adversários do Palácio do Planalto tentaram, em vão incluir no requerimento de convocação o nome do deputado federal José de Filippi (PT-SP), ex-tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff e homem de confiança do ex-presidente Luiz Inácio da Silva. De acordo com reportagem da revista IstoÉ, o deputado petista teria pedido a Pagot para que arrecadasse junto às empreiteiras dinheiro para a campanha presidencial do PT. Por força da blindagem patrocinada pela sempre obediente base aliada, o requerimento será analisado em outra sessão da CPI.

Fonte: Ucho.Info

segunda-feira, 2 de julho de 2012

TSUNAMI POLITICO



Recado dado – Quando a Polícia Federal prendeu, na esteira da Operação Monte Carlo, Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o ucho.info afirmou que o contraventor goiano, dependendo do desenrolar do caso, não cairia, pois tem em seu poder uma videoteca de acabar com a tranquilidade de muitos políticos e autoridades. O vídeo divulgado na noite do domingo (1), em que o então candidato petista à prefeitura de Palmas, Raul Filho, aparece negociando com Cachoeira, é uma amostra grátis do que deve vir pela frente.

A entrevista da mulher do contraventor, Andressa Mendonça, depois de oito semanas de tentativa por parte da Rede Globo não foi por acaso. Andressa, que já foi eleita como a musa da CPI do Cachoeira, mandou um recado preocupante. Que o marido é um preso político. Para quem acompanha com afinco o cotidiano da política brasileira sabe que o pavio foi aceso e que quando a centelha alcançar o rastilho de pólvora o estrago será enorme. Como temos afirmado com frequência, é cada vez maior a chance de a República cair como castelo de areia.

Acostumado a gravar seus encontros nada ortodoxos, Carlinhos Cachoeira deixou clara a sua obsessão por imagens por ocasião do primeiro escândalo de corrupção do governo Lula, protagonizado por Waldomiro Diniz, então assessor do agora cassado José Dirceu de Oliveira e Silva, o camarada Daniel.

Segundo apurou a reportagem do ucho.info, Cachoeira tem gravações de encontros com pessoas próximas à presidente Dilma Rousseff, algumas das quais ex-integrantes da campanha da neopetista. Em um dos vídeos, Cachoeira entrega uma polpuda contribuição para um assessor graduado da campanha.

Os brasileiros que se preparem, pois os próximos capítulos serão devastadores e podem aniquilar a supremacia da base governista na Comissão Parlamentar de Inquérito criada para investigar a teia de relacionamentos do contraventor. Resumindo, Cachoeira pode a qualquer momento se transformar em tsunami político.

Fonte: Ucho.Info

terça-feira, 12 de junho de 2012

ÓPERA BUFA - CPI DA VERGONHA



A forma como o Partido dos Trabalhadores vem conduzindo os trabalhos da CPI do Cachoeira é ultrajante e vai além dos limites máximos do bom senso. Criada sob a pressão do ex-presidente Luiz Inácio da Silva, que tinha nessa manobra dois objetivos claros – atingir o governador Marconi Perillo e desqualificar o procurador da República Roberto Gurgel, a CPI foi transformada em ferramenta partidária, uma vez que a ordem do ex-metalúrgico é deixar o PSDB em má situação, o que em tese poderia ajudar o ex-ministro Fernando Haddad, candidato petista à prefeitura paulistana, com pífios 3% de intenção de voto.

Fora do palco do cotidiano político após a trapalhada com o ministro Gilmar Mendes (STF), Lula passou a disparar ordens a partir dos bastidores, as quais têm sido cumpridas de maneira tão submissa quanto irresponsável.

Ligado ao ex-ministro e deputado cassado José Dirceu, o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), é reconhecidamente despreparado para a função, pois não apenas desconhece detalhes do assunto investigado, como está direcionando as investigações com o intuito de poupar os muitos petistas envolvidos nos esquema criminoso comandado por Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Ao perguntar se o governador aceitava abrir mão do seus sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático, Odair Cunha, um inepto confesso, disse que Perillo estava na CPI na condição de investigado, quando na verdade sua participação se dá como testemunha. E nessa condição, a de testemunha, não há razão para pedir a quebra de sigilos. Isso mostra que Cunha está a serviço de seus verdadeiros mentores, o ex-presidente Lula e o ex-ministro José Dirceu, que tentam a todo custo esvaziar o julgamento do caso do Mensalão do PT.

Esse escorregão proposital de Odair Cunha foi suficiente para que os oposicionistas que integram a Comissão partissem em defesa do depoente, sendo que o relator foi obrigado a ouvir calado uma precisa carraspana técnica proferida pelo deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP), membro licenciado do Ministério Público paulista.

Antes desse ruidoso entrevero, o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) fez questão de destacar que a sessão desta terça-feira não passa de um massacre ao governador encomendado pelo PT. “É importante que conste dos anais dessa CPI que o massacre em cima da figura Marconi Perillo ocorreu pelo papel que ele desempenhou nas denúncias do escândalo do Mensalão, quando procurou o ex-presidente Lula para alertá-lo”, afirmou o senador paranaense.

Essa missa encomendada por Lula ganhou reforço na fala do deputado petista Dr. Rosinha (PR), que questionou a evolução patrimonial do tucano Marconi Perillo. Se no patrimônio do governador de Goiás há algo suspeito, que as autoridades investiguem a fundo, mas que o PT não se esqueça da evolução patrimonial de alguns diletos companheiros, como Antonio Palocci Filho, Fernando Pimentel, Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), ou, então, explique a origem do dinheiro que seria utilizado pelos aloprados de Lula para pagar o chamado Dossiê Cuiabá, conjunto de documentos apócrifos contra candidatos do PSDB.

Outra questão que poderia ser elucidada nessa lufada de moralismo que sopra a partir do PT é a contabilidade da campanha do então senador Aloizio Mercadante, cujos números foram contestados durante a CPI dos Correios pelo marqueteiro Duda Mendonça, que recebeu em conta bancária no exterior parte dos honorários referentes à campanha presidencial petista de 2002. Se esses poucos escândalos aqui descritos são poucos para esses moralistas de ocasião, que se investigue o crescimento meteórico da Delta Construção durante a era Lula. Só não o fazem porque a empreiteira pagou caro por esse crescimento e fez doações à campanha de Lula e de Dilma Rousseff. Fora isso, a Delta será poupada ao máximo porque um de seus lobistas junto ao governo federal atendia pelo nome de José Dirceu de Oliveira e Silva, popularmente conhecido nos subterrâneos da subversão como camarada Daniel.

Os integrantes da CPI do Cachoeira, começando por esses patrulheiros de plantão que ostentam estrela no peito, deveriam poupar o povo brasileiro de um espetáculo tão pífio e vergonhoso, facilmente considerado um atentado contra a democracia e também uma ode à corrupção, pois é sabido que os culpados sairão ilesos pela abundância do dinheiro e a manipulação do tempo.

Fonte: Ucho.Info

segunda-feira, 4 de junho de 2012

BOMBA!!! E A INTEGRIDADE FISICA DO CACHOEIRA COMO FICA SE TUDO ISSO É VERDADE?

Ainda estava escuro quando, às 6 horas da manhã, do dia 29 de fevereiro de 2012, a mansão de luxo, na Rua Cedroarana, Quadra G-3, Lote 11, no Residencial Alphaville Ipês, em Goiânia, de propriedade do Governador de Goiás Marconi Pirillo, até 2010, foi invadida pela "swat" da Polícia Federal. Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso numa ação cinematográfica.O arrombamento da porta da sala e a chegada dos agentes federais ao quarto de Carlos Cachoeira coroava a Operação Monte Carlo. Cachoeira, como é chamado, acordou assustado. No corredor, a sua prisão era assistida pela fresta da porta por uma criança de 12 anos, sua enteada, e pela esposa, Andressa.

O Delegado que comandava a operação pediu que o contraventor abrisse o cofre, mas Cachoeira argumentou que não sabia o segredo. Só Andressa tinha a senha. A polícia entrou no quarto e exigiu que o cofre fosse aberto. Imediatamente a esposa de Cachoeira mostrou o que havia guardado em segredo: joias, inclusive de família, uma quantia em dinheiro de um imóvel vendido por Andressa, documentos e alguns DVDs de conteúdo ainda não revelado.Era Governador de Goiás Marconi Perillo.O delegado espalhou sobre a cama todas as joias, a maioria herança de família, principalmente dos avós e do ex-marido de Andressa, Wilder Morais, atual suplente do Senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

 A esposa do contraventor pediu ao delegado que deixasse as joias e que não invadisse o quarto em que sua filha dormia. O pedido foi atendido. Cachoeira foi levado pela polícia, enquanto a criança, atônita, tentou ir ao seu encontro, sem entender o que se passava. Até este momento, Andressa estava forte. Mas, ao ver a filha, a esposa de Cachoeira desmontou.A Polícia Federal acreditou ter fechado a Operação Monte Carlo naquele momento, mas não sabia que ali começava um dos maiores escândalos da política brasileira. Cachoeira foi para a carceragem da PF, em Brasília, e preferiu o silêncio.Em fevereiro de 2004, Carlinhos foi protagonista do escândalo Waldomiro Diniz, em que o Assessor do Ministro Chefe da Casa Civil José Dirceu, foi denunciado por receber propina do esquema de jogo clandestino no país.

Naquele momento, Cachoeira recebeu total apoio do PT comandado por Zé Dirceu, que rotulava o contraventor como "empresário do jogo", e o Ministério Público como "aparelho repressor e conspiratório." O ministro da Justiça era Márcio Tomaz Bastos. O advogado era Antônio Carlos de Almeida e Castro, o Kakay. Quem acusava era o mesmo Ministério Público que, agora, também comanda a operação, só que a serviço do PT .As digitais do PT foram constatadas quando a Polícia Federal começou as investigações sob o comando da sede em Brasília.

 O Palácio do Planalto acompanhava tudo e aguardava o momento certo para contrapor o escândalo do Mensalão que será votado, nos próximos meses, pelo Supremo Tribunal Federal.Cachoeira tinha um forte esquema de proteção na Polícia Federal de Goiás, onde contava com seu fiel escudeiro o Chefe da Inteligência da Polícia Federal. Cachoeira sempre foi um homem muito bem relacionado.

Colaborador de todas as horas nas campanhas políticas, principalmente do PT. As investigações aconteciam e surpreendiam o comando da PF. Políticos de alto escalão se misturavam comempresários e contraventores.Cachoeira foi transferido, como preso comum, para a Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Desembarcou na cidade sob um sol escaldante, de 42 graus, e foi levado para a cela 17 do presídio.Parecia que a situação tinha chegado ao fim, quando o contraventor foi chamado para raspar a cabeça e receber o tratamento de preso de alta periculosidade.Enquanto a máquina deixava à vista o couro cabeludo de Cachoeira, lágrimas de ódio rolavam pelo seu rosto. Naquele momento, revendo o filme da prisão de Fernandinho Beira Mar, o silêncio de Carlos Cachoeira se transformava em ira contra o PT. Somente no dia seguinte teve o direito de encontrar seu advogado Ricardo Sayeg.Aí começava o desabafo de alguém que sabe muito e não vai evitar a vingança! Os responsáveis pela Operação Monte Carlo foram os petistas; o alvo, o líder de oposição Demóstenes Torres (DEM-GO) e a isca, o mesmo Cachoeira que, no passado, foi tão amigo do PT, e agora é tão usado.Com a chegada do Senador Aécio Neves (PSDB-MG) ao Congresso, era esperado que, naturalmente, o neto de Tancredo Neves fosse o líder da oposição ao Governo Dilma.

Aécio recebeu algum recado e se mantém apagado no cenário político. Com isso, o líder do Democratas destacou-se nacionalmente como o homem que lidera a oposição. Com o destaque, o Senador passou a ser o inimigo número um do Partido dos Trabalhadores, que começou a caçada. Aécio Neves, taxado por ter telhado de vidro, trabalhou como bom mineiro: no silêncio, e assiste o colega de oposição servindo de boi de piranha. Nos bastidores comenta-se que Aécio só irá assumir a liderança da Oposição no último ano do Governo Dilma, evitando o desgaste prematuro.Apesar de o PT ter pesado a mão sobre Demóstenes Torres, não foram encontradas provas que possam calar a voz da oposição. A relação do Senador com Carlos Cachoeira é meramente social, como as mantidas com outros empresários do estado de Goiás. É menos íntima, por exemplo, do que a mantida entre o Ex-Presidente Lula e o seu churrasqueiro Jorge Lorenzetti, envolvido num escândalo de repasse de R$ 18,5 milhões em verba pública para sua ONG.

Tanto barulho por conta de um fogão e uma geladeira, presentes de casamento da esposa de Carlinhos para a esposa de Desmóstenes, amigas de longa data? Com certeza, há mais fartura à mesa do PT.O exército de Cachoeira também foi desestabilizado. Funcionários públicos, empresários, políticos, policiais, familiares e pessoas que emprestavam o próprio nome para manter a força e o poder de quem hoje detém um arsenal capaz de mudar a história política do país foram presos ou desarticulados com a Operação Monte Carlo.Cachoeira sempre foi um homem prevenido.

 Na era dos escândalos detonados, dentro e fora dos Governos, o contraventor documentava todos os encontros com seus "parceiros", em vídeo, áudio, contratos de gaveta, e transações bancárias, no Brasil e no exterior. Monitorava seus "sócios" através de agentes de informações. Durante todos esses anos que transitou nas altas rodas políticas e sociais do País, Carlinhos Cachoeira produziu vários documentários, capazes de mudar o curso da vida, principalmente de quem será julgado ainda este ano pelo Supremo, com a chance de ter o Ministro algoz do Mensalão do PT, Joaquim Barbosa, na Presidência da maior instância jurídica do País.No encontro com o seu advogado Ricardo Sayeg, em Mossoró, Cachoeira avisou que a família e amigos têm nas mãos "esse" material que será despejado na imprensa nos próximos dias.

Nesta sexta-feira, o contraventor começou a cumprir sua promessa. A Revista Veja divulgou ‘on line’, vídeo no qual Carlinhos tem uma conversa com o Deputado Federal Rubens Otoni (PT-GO), na qual oferece R$ 100 mil para ajudar o petista e insinua já ter contribuído com a mesma quantia para o candidato, em outra campanha. Só um detalhe: Otoni nunca declarou a quantia ao Tribunal Regional Eleitoral e não consegue explicar o porquê disso.

A TRAJETÓRIA DE CACHOEIRA

Carlinhos Cachoeira cresceu no meio da jogatina. Seu pai fez parte do grupo de Castor de Andrade e levou para Goiás o conhecido jogo do Bicho. Seus irmãos difundiram pelo Estado o jogo e a chegada das máquinas caça-níqueis. Cachoeira, no entanto, aperfeiçoou-se em projetos oferecidos em vários Estados, batizados de “On Line Real Time”. Trata-se de um ‘software’ que permite ligar as caça-níqueis diretamente à Caixa Econômica, buscando, nos moldes das Loterias, a legalização do jogo.Carlinhos montou várias empresas, para gerenciar o jogo nos Estados. E começou sua fortuna. Procurava grupos coreanos, italianos, espanhóis e vendia à vista, a exploração do jogo pelo País.

Assim passou a recrutar políticos que viabilizavam a exploração dos jogos de azar pelos Governos estaduais. Cachoeira sofisticou seus negócios, a partir da implantação de seu novo sistema, com o apoio do então Governador de Goiás Maguito Vilella, padrinho do seu primeiro casamento.

Carlinhos criou a empresa Gerplan no governo de Vilella.Com a entrada do governador tucano Marconi Pirillo, o empresário do jogo expandiu seus negócios para vários Estados, até bater de frente com os interesses do então Ministro Chefe da Casa Civil, o petista Zé Dirceu.Waldomiro Diniz, assessor de Zé Dirceu na Casa Civil, trabalhava para a família Ortiz, forte concorrente de Carlinhos Cachoeira. Os Ortiz lutavam pela permanência do jogo clandestino, pois reconheciam que o negócio era mais rentável. Carlos Cachoeira queria a legalização, porque detinha toda uma estrutura profissional, com tecnologia de ‘hardware’ e ‘software’ para a arrecadação do jogo pelo governo, em tempo real e com a garantia de desconto dos impostos.

Cachoeira então gravou Waldomiro, pedindo propina para a campanha do PT em 2002. Com isso, o empresário do jogo usava o flagrante para combater a propina paga pela família Ortiz ao assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz, responsável também pelo pagamento do mensalão do PT dentro do Congresso Nacional.Waldomiro era tido como uma águia, mas foi abatido pelo Ministério Público em pleno voo. O escândalo fragilizou José Dirceu, permitindo o ataque de Roberto Jefferson, que culminou com a cassação do mandato de Deputado e a demissão da Casa Civil.Cachoeira foi cercado de atenções pelo PT durante todos esses anos, para evitar um escândalo maior em torno do financiamento de campanhas em vários Estados.

Esse roteiro, com conteúdo explosivo, desta vez virá à tona, pois Carlinhos planeja, em sua solidão na cela 17 do Presidio de Segurança Máxima de Mossoró, como se vingar do PT que o abandonou e o colocou nessa situação.Nesse arsenal explosivo há várias empresas: Construtoras, Laboratórios, Bancos no Brasil e no Exterior. Na próxima edição, o “Quidnovi” vai mostrar, com documentos, como a máfia do jogo atua com o braço político nos cofres públicos.

Repasse, pois é chegada a hora !!!

Milton Jensen Júnior

QUEM TEM MEDO DO PAGOT?

Bruxa solta – Por causa do feriado de Corpus Christi, a semana será mais curta em Brasília, pois na tarde de quarta-feira (6) o Congresso Nacional será uma espécie de cidade-fantasma, uma vez que os parlamentares que foram até à capital dos brasileiros estarão voando rumo aos seus estados.

Enquanto a política anda de lado nos próximos dias, a CPI do Cachoeira vive momentos de tensão. Ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot deixou o cargo debaixo de uma enxurrada de acusações, mas agora parece disposto a dar o troco. Desde que a CPI foi criada para investigar a teia de relacionamentos do contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o ex-chefão do DNIT tem dado mostras inequívocas de sua disposição para revelar o que sabe sobre o órgão vinculado ao Ministério dos Transportes, o contraventor e a Delta Construção.

Desde suas primeiras declarações, integrantes da CPI, em especial os petistas, estão com o pé atrás em relação a Pagot, que a qualquer momento pode apontar sua verborragia na direção do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), cujas obras estão em maior número em poder da Delta, investigada pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo.

Filiado ao Partido da República, Luiz Antonio Pagot pode atingir também a oposição, mas esse detalhe pode sair de cena por conta do apoio do PR à candidatura do tucano José Serra à prefeitura paulistana, costurado no final de semana.

Mesmo assim, o medo maior é da chamada base aliada, pois Pagot disse recentemente que, em 2010, o caixa da campanha de Dilma Rousseff, o petista José de Filippi Júnior, o procurou para arrecadasse dinheiro juntos às empreiteiras. Fora isso, o ex-diretor do DNIT já declarou que peemedebistas trabalharam nos bastidores do Ministériodos Transportes para favorecer a Delta Construção.

Fonte: Ucho.Info

sábado, 2 de junho de 2012

O LARANJAL DA DELTA

Empreiteira pagou mais de 100 milhões de reais a empresas de fachada que repassavam o dinheiro a políticos e funcionários públicos

Fernando Cavendish, dono da DELTA Fernando Cavendish, dono da DELTA (Oscar Cabral)

A devassa nas contas da construtora Delta, aprovada pela CPI do Cachoeira, é uma medida que pode mexer profundamente com o meio político brasileiro. Como mostra a edição de VEJA que chega às bancas neste sábado, ela põe a CPI na trilha de um dinheiro clandestino que abasteceu campanhas políticas e pagou propinas a servidores públicos. O montante das transações secretas? Mais de 100 milhões de reais.

VEJA revela dados de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão do governo federal encarregado de monitorar transações financeiras suspeitas de constituir lavagem de dinheiro. Nele, a Delta aparece relacionada a movimentações atípicas entre 2006 e o ano passado.
Numa delas, uma empresa chamada GM Comércio de Pneus e Peças Ltda., com sede num pequeno escritório de contabilidade em Goiânia, recebeu entre novembro de 2009 e maio de 2010 depósitos bancários realizados pela Delta em valores superiores a 6 milhões de reais. A GM está registrada no nome do policial civil aposentado Alcino de Souza.

Localizado por VEJA, Alcino admitiu receber 1.500 reais mensais para emprestar o nome à firma e para prestar um único serviço: sacar os valores que entravam na conta da empresa, acondicionar os maços em sacolas e entregar ao seu patrão. O homem que recebia o dinheiro é o empresário Fabio Passaglia, que mantém estreitas ligações com a política de Goiás – foi auxiliar dos ex-governadores Iris Resende e Maguito Vilela, as duas maiores lideranças do PMDB no estado.

Como investigador que foi, Alcino sabe que atuou como parte de um esquema criminoso. “Tem gente grande envolvida nisso, mas não posso falar porque tenho medo de morrer”, disse ele.
O caso da loja-fantasma de pneus ilustra bem o motivo da preocupação de muitos políticos com a iminente devassa nas contas da empreiteira. As “operações atípicas” indicam que os saques de dinheiro feitos pela matriz da empreiteira sempre aumentavam nos períodos eleitorais.
Em se tratando de CPI, o que era cachoeira virou tsunami.

Fonte: Revista Veja

O ADVOGADO DO DIABO

quinta-feira, 31 de maio de 2012

LULA E A CPI, ENTENDA A RELAÇÃO

Data: 24/05/2012 - ES - Mimoso do Sul- Cristo redentor da cidade. Editoria: Cidades. Foto: leitor Beto Barbosa
O ex-presidente Lula é alvo de críticas porque fez reunião com ministro do STF e a pauta da conversa teria sido o mensalão, escândalo que envolveu seu governo

Nos bastidores, o ex-presidente trabalhou para atingir aliados com CPI e pressiona ministro do Supremo para adiar julgamento do mensalão
 
Talvez "nunca antes na história deste país" a relação de um ex-presidente da República com o poder tenha ficado tão evidente aos olhos da nação. Trata-se da ativa atuação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mesmo em recuperação de um câncer na laringe, na criação e nos desdobramentos da CPI de Carlos Cachoeira no Congresso Nacional. Depois de arquitetá-la para pegar na curva adversários políticos ligados aos negócios e contratos suspeitos do contraventor e dublê de lobista sofisticado, eis que Lula agora aparece em uma constrangedora reunião com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O petista insinuou ao ministro, que outrora já o chamou "às falas", o adiamento do julgamento do mensalão em troca de não insuflar aliados na CPI a investigar uma viagem do casal Gilmar Mendes a Berlim. O tour ocorreu junto ao casal Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), supostamente bancado por Cachoeira - embora Gilmar negue. Lula, segundo os relatos, deixou claro ter controle político da CPI e ofereceu blindagem a Gilmar - já flagrado nos grampos com Demóstenes na crise de espionagem da Abin que derrubou Paulo Lacerda do comando da Polícia Federal.

Nos corredores do Congresso, é voz corrente que Lula agiu desde o começo incentivando a criação da CPI. Seu primeiro intento seria equilibrar o ambiente político com uma crise para a oposição administrar – a desmoralização do senador Demóstenes e os elos de Cachoeira com o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo. A CPI, assim, ajudaria a quebrar a pressão da opinião pública e até atrasar o julgamento do mensalão, escândalo de pagamento de propina a parlamentares e fraudes em contratos que abalou o primeiro mandato de Lula, em 2005.

A rede de Cachoeira cresceu

Para isso, Lula também teria tido a ajuda do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, indicado por ele e que só em março último apresentou a denúncia da Operação Vegas contra Demóstenes. Só que a CPI, mesmo modorrenta em primeiras sessões de bate-bocas e fatos sem relação com apurações, chegou aos governos de Agnelo Queiroz (PT-DF) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ), sem contar que a empresa Delta, que teria Cachoeira como sócio oculto, foi a empreiteira com mais obras do PAC no governo federal. Para que não estoure mais sujeira, a Delta, apontada pela Polícia Federal como braço financeiro do esquema, está perdendo um contrato após o outro.

Agora, depois de repercutir no meio político e nas redes sociais, o encontro de Lula e Gilmar Mendes - articulado pelo ex-ministro Nelson Jobim, uma água nos bastidores - reposiciona os holofotes na CPI do Cachoeira. Não se sabe ao certo se o encontro foi intencional ou mesmo quem tocou no assunto mensalão. Fato é que o encontro "errado" não será esquecido até agosto, quando deve começar o julgamento dos 36 réus mensalão, entre eles José Dirceu (PT).

"É inconveniente julgar esse processo agora", teria dito Lula a Gilmar, tentando sensibilizá-lo a assumir uma posição técnica, não política. Um efeito imediato de adiá-lo seria eliminar dois votos pró-condenação: os dos ministros Ayres Brito e Cézar Peluso, que se aposentarão em breve. Advogados advertem da forte chance de condenação e prisão de réus. Lula, temeroso de que o desfecho do mensalão carimbe a imagem de seu próprio governo, até teria mandado emissários sensibilizarem a ministra Cármem Lúcia.

Sem ingenuidades


Também soou estranho a um ministro do Supremo, que se reserva a receber advogados, ir ao encontro de Lula. Gilmar, aliás, já ajudou o PT rejeitando a denúncia contra Luiz Gushiken no mensalão, votando a favor de Antonio Palloci e recusando denúncia contra Aloisio Mercadante. Da reunião pipocarão especulações, mas não se pode crer na ingenuidade de nenhum dos três presentes, mesmo que o ato de Lula, urdido como infalível, tenha lhe escapado ao controle.

A CPI não deve convocar Gilmar. E, por ora, Cachoeira silenciou, mas continua sendo um homem-bomba. Estendeu suas ligações na política a ponto de tramar a derrubada de um ministro dos Transportes e de querer Demóstenes prefeito de Goiânia e até ministro do Supremo, não sem antes filiá-lo ao PMDB para aproximá-lo da presidente Dilma Rousseff (PT).

"Eu sabia que Cachoeira era contraventor do jogo do bicho. Não suspeitava dos tentáculos além de Goiás: Brasília, Rio, Delta. É um Marcos Valério mais sofisticado, com penetração no poder e que se infiltrou nos governos dando dinheiro para campanhas", diz um deputado sobre o perfil do bicheiro preso. A propósito, a CPI dos Anões do Orçamento (1993) foi a última com algum resultado de longo prazo: a lei de licitações, que, aliás, à luz da farra de contratos públicos fraudados como os revelados neste caso, urge ser revisada.

Desde o fim do Estado Novo, em 1946, o Congresso fez dezenas de CPIs, que são rotina. O que causa enorme interesse agora é o mensalão, prestes a ser julgado pelo STF. Em paralelo, na CPI do Cachoeira, a sociedade se pergunta por que governadores e parlamentares foram se envolver com um contraventor. Ainda não se pode falar em pizza, pois a função da CPI é apurar e não punir, mas não se deve esperar nenhuma grande transformação, já que o relatório final da CPI seguirá para o Judiciário, onde novo processo se inicia. O problema é se o inquérito da CPI só apresentar indícios, e não provas: aí perde-se o interesse público e o caso é esquecido. Por enquanto, nos primeiros dias de trabalho, a CPI foi a mais lenta em 20 anos, e o que está ocorrendo é para "espantar burguesia". Não houve conclusão alguma até agora. Quanto ao governo temer uma devassa na Delta, acho difícil o Planalto controlar tudo. Pior mesmo foi o encontro de Lula com Gilmar Mendes. Foi lamentável Lula, num relacionamento não democrático, tentar forçar um ministro a manobrar julgamento. Lula não se controla, errou muito e não se convenceu de que seu mandato acabou. Este encontro não mudará os rumos da CPI, mas o STF vai dar uma resposta: o processo do mensalão está findo e as provas, corrigidas. O Supremo não tem decepcionado a opinião pública e age com equilíbrio e muita cautela.
foto: STF
Data: 24/05/2012 - ES - Mimoso do Sul- Cristo redentor da cidade. Editoria: Cidades. Foto: leitor Beto Barbosa
Soou estranho a um ministro do Supremo, como Gilmar Mendes, que se reserva a receber advogados, ir ao encontro de Lula
Entenda a CPI

Cachoeira
Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em fevereiro, 8 anos após divulgação de vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu (PT), lhe pedia propina. O escândalo culminou na CPI dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares conhecido por mensalão.

Dia D de Demóstenes
Escutas telefônicas da PF apontaram contatos entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (GO). Reportagens afirmaram que o grupo de Cachoeira forneceu telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, e que o senador pediu ao empresário que lhe emprestasse dinheiro e vazou informações reservadas de reuniões.

Quebra de sigilo Demóstenes saiu do DEM e o PSOL representou contra ele no Conselho de Ética. As denúncias começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas. Após a publicação de suspeitas de que a construtora Delta, maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos anos, faça parte do esquema de Cachoeira, a empresa perdeu contratos.

Governadores
O vazamento das conversas apontam encontros de Cachoeira com os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás. Em 19 de abril, o Congresso criou a CPI mista do Cachoeira. Após um primeiro mês de marasmo e troca de farpas entre membros, o depoimento dos governadores e a quebra de sigilo do comando central da Delta podem provocar estragos.

Impacto no Planalto
O que a CPI produzir pode trazer problema para Dilma. A Delta é a empreiteira favorita dos políticos governistas. "Tiraram o gênio da lâmpada e não sabem como colocar dentro de volta", diz um deputado.
Análise
"Ato de Lula foi lamentável"
Octaciano Nogueira, cientista Político – UnB

Desde o fim do Estado Novo, em 1946, o Congresso fez dezenas de CPIs, que são rotina. O que causa enorme interesse agora é o mensalão, prestes a ser julgado pelo STF. Em paralelo, na CPI do Cachoeira, a sociedade se pergunta por que governadores e parlamentares foram se envolver com um contraventor. Ainda não se pode falar em pizza, pois a função da CPI é apurar e não punir, mas não se deve esperar nenhuma grande transformação, já que o relatório final da CPI seguirá para o Judiciário, onde novo processo se inicia. O problema é se o inquérito da CPI só apresentar indícios, e não provas: aí perde-se o interesse público e o caso é esquecido. Por enquanto, nos primeiros dias de trabalho, a CPI foi a mais lenta em 20 anos, e o que está ocorrendo é para “espantar burguesia”. Não houve conclusão alguma até agora. Quanto ao governo temer uma devassa na Delta, acho difícil o Planalto controlar tudo. Pior mesmo foi o encontro de Lula com Gilmar Mendes. Foi lamentável Lula, num relacionamento não democrático, tentar forçar um ministro a manobrar julgamento. Lula não se controla, errou muito e não se convenceu de que seu mandato acabou. Este encontro não mudará os rumos da CPI, mas o STF vai dar uma resposta: o processo do mensalão está findo e as provas, corrigidas. O Supremo não tem decepcionado a opinião pública e age com equilíbrio e muita cautela.
 
Fonte: A Gazeta

sexta-feira, 25 de maio de 2012

ERA UMA VEZ UMA CPI

A expressão do presidente da CPI do Cachoeira, Vital do Rêgo Filho, é um retrato do fiasco que se anuncia. Tudo conspira para que os trabalhos da comissão acabem em pizza. Exemplo disso foi a reunião em que senadores e deputados do PSDB, às 7h30, no então deserto cafezinho do Senado, decidiram: para evitar a convocação do governador tucano Marconi Perillo, eles deixam de brigar para que Agnelo Queiroz (PT), do DF, e Sérgio Cabral, do Rio, também sejam obrigados a depor na CPI. Ontem, dados do contador de Cachoeira mostraram que o escritório de Geraldo Brindeiro, subprocurador-geral da República, recebeu R$ 161 mil de empresas ligadas ao esquema do bicheiro.
Reunidos ontem de manhã, tucanos avaliam que é melhor abrir mão da investigação para evitar a convocação do governador de Goiás. Governistas, no entanto, pretendem forçar o depoimento
O PSDB fez um balanço dos primeiros trabalhos da CPI criada para investigar os elos do bicheiro Carlinhos Cachoeira e chegou à conclusão de que, até agora, o partido é o maior prejudicado. E para proteger o governador de Goiás, Marconi Perillo, os tucanos vão abrir mão da investigação. Em vez de trabalhar para aprovar requerimentos de convocações de integrantes e de envolvidos com a quadrilha de Cachoeira, os correligionários de Perillo apostam no aprofundamento de dados do inquérito, dando ênfase ao envolvimento da Delta Construções em âmbito nacional e na influência do bicheiro em órgãos do governo federal.

Na manhã de ontem, 11 tucanos — quatro senadores e sete deputados — se encontraram às 7h30 no cafezinho do Senado para combinar estratégia de condução do depoimento de comparsas de Cachoeira na CPI e de participação na sessão administrativa de votação de requerimentos para evitar a convocação de Perillo. A conversa secreta foi municiada por um envelope repleto de documentos elaborados pela assessoria parlamentar da Câmara com informações que pudessem ampliar para o plano nacional as questões direcionadas aos comparsas de Cachoeira que atuavam em Goiás.

No encontro, os parlamentares chegaram a um consenso de que os depoimentos de integrantes da quadrilha tendem a fragilizar mais a situação de Perillo do que de outros envolvidos. Citaram o exemplo do ex-vereador Wladimir Garcez. Apesar de o ex-presidente da Câmara Municipal de Goiânia ter sido flagrado fazendo lobby para empresas farmacêuticas de Cachoeira, é a história do suposto pagamento da casa do governador com cheques da Delta, informação dada por Garcez, que prevalece no noticiário (leia matéria abaixo).

Ao Correio, um dos parlamentares que participou da reunião de ontem afirmou que o objetivo do partido agora é "começar a fechar o cerco pelos depoimentos". Se for para aprovar requerimento de depoente que possa provocar mais problemas a Perillo, os tucanos não têm interesse. O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), um dos que madrugaram ontem no Senado para a reunião, contou que os tucanos se encontraram para combinar perguntas para o depoimento do ex-vereador, do araponga Idalberto Matias, o Dadá, e Jairo Martins.

Delta
A polêmica do requerimento de convocação dos governadores só pode ser contornada se a comissão aprovar requerimento dando preferência a texto do senador Alvaro Dias (PSDB-PR) que lista o nome dos três chefes de Executivo — Perillo, Sérgio Cabral Filho (PMDB-RJ) e Agnelo Queiroz (PT-DF) — no mesmo documento, para que o tucano não seja o único a depor. "O PT quer circunscrever a CPI. Dos 60 da CPI, nós não chegamos a 16. Para nós não interessa ouvir um só." Para os tucanos, apenas a quebra de sigilo da Delta nacional e uma possível convocação do ex-presidente da empreiteira Fernando Cavendish poderia ampliar o assunto, que atualmente tem foco em Goiás.

O líder do PSDB, senador Alvaro Dias (PR), nega que o encontro no cafezinho do Senado tenha sido uma reunião institucional do partido para discutir a atuação na CPI. "Pode ter tido encontro de alguns, mas não foi uma reunião de liderança."

Sem votação
Na sessão de ontem, o único tucano que defendeu abertura de sessão administrativa para votar requerimento de convocação dos governadores foi o deputado Fernando Francischini (PR). A bancada do PT também não se arriscou em aprovar nenhum requerimento e o fim da sessão foi esvaziado, deixando para a próxima terça-feira decisão sobre a participação dos governadores na comissão.

Josie Jeronimo - Correio Brasiliense

terça-feira, 22 de maio de 2012

SILÊNCIO E IRONIA

Data: 26/01/2012 - ES - VitÃ?ria - JosÃ? AntÃ?nio Pimentel, cconselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo - Editoria: Política - Foto: Fábio Vicentini - GZ------LARG 15ALE
"Estou aqui como manda a lei. Fui advertido
pelos meus advogados para não dizer nada. Eu não vou falar nada aqui"
Carlinhos Cachoeira, em depoimento à CPI

Brasília


O contraventor Carlinhos Cachoeira confirmou a expectativa de sua defesa e se limitou, ontem, a dizer que não iria falar nada durante a sessão da CPI que investiga esquema de corrupção comandando por ele.

A reunião durava pouco mais de duas horas quando – sem obter nenhuma resposta do depoente – o presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), decidiu pôr fim ao "depoimento". Antes mesmo de ser encerrado, alguns deputados e senadores já tinham deixado a sala.

De terno e gravata, mais magro e com o cabelo um pouco branco, Cachoeira aparentou na sessão estar bem abatido. A sessão foi aberta por Vital, que logo em seguida chamou o bicheiro. Ele teria 20 minutos para falar no início, mas o fez em menos de três.

"Boa tarde para os senhores e senhoras. Estou aqui como manda a lei. Fui advertido pelos meus advogados para não dizer nada. Eu não vou falar nada aqui. Somente depois da audiência que vamos ter no juiz, se por ventura achar que eu deva contribuir, pode chamar que eu virei para falar", disse. "Tenho muito a dizer depois da audiência", comentou para logo em seguida, a uma nova pergunta, responder com ironia: "Esta é uma boa pergunta para ser respondida depois".

Audiência
Aparato policial e sem algemas
Um total de 36 pessoas, entre policiais federais, agentes penitenciários e membros da Polícia Legislativa do Congresso, atuaram na operação para levar Cachoeira à CPI. Ele foi trazido desde o presídio da Papuda, onde está preso, sob escolta de quatro viaturas. Ele veio em uma delas, uma van da PF e foi entregue sem algemas à Polícia Legislativa.
A audiência de Cachoeira na Justiça, segundo seu advogado, Márcio Thomaz Bastos, será em 31 de maio e 1º de junho.

Ainda durante sessão, convicto de que o contraventor nada falaria, o presidente da CPI propôs antecipar o fim da reunião, para ouvi-lo somente depois da audiência.

Ao entrar na sala da CPI, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL -AP ) defendeu que a comissão convoque para depor a atual mulher de Cachoeira. "Ela tem muitas informações importantes. Toda a negociação se passava com o conhecimento dela".

Fernando Francischni (PSDB-PR) fez vários questionamentos sobre a relação de Cachoeira com o governo do Distrito Federal e do Paraná. A CPI deve marcar nova data para o depoimento do contraventor.
Tudo o que ele (não) disse

31 vezes
"Respostas"
Carlinhos Cachoeira se manifestou 31 vezes durante o depoimento.

Relator
Ao deputado Odair Cunha (PT-MG)
- "Tenho muito a dizer, depois da minha audiência. Pode me convocar."
- "Vou te ajudar demais, é outra pergunta muito boa para responder depois disso."

Calado
Ao deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP)
"Vou permanecer calado, deputado, por favor."

Depois
Ao deputado Filipe Pereira (PSC-RJ)
"Posso muito ajudar, mas depois."

Sempre
Ao deputado Rubens Bueno (PPS-PR)
"Eu só respondo...Quero permanecer calado. Sempre."

Direito
Ao deputado Ronaldo Fonseca (PR-DF)
"Em respeito a V. Exª, não vou responder. Vou usar meu direito constitucional."
 
Fonte: A Gazeta

PARA A SORTE DA BASE ALIADA E DO GOVERNO, CACHOEIRA NÃO ABRIU A BOCA


(Foto: ABr)
Boca fechada – Como era esperado, Carlos Augusto Ramos se recusou a responder às perguntas dos membros da Comissão Parlamentar de Inquérito batizada com sua alcunha, CPI do Cachoeira, criada para investigar a teia de relacionamentos do contraventor goiano.

Sem a obrigação de prestar juramento de dizer apenas a verdade, Cachoeira tem utilizado o vernáculo “calado” após todas as perguntas formuladas pelos parlamentares. A defesa do bicheiro, comandada pelo criminalista e ex-ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), solicitou ao Supremo Tribunal Federal mais três semanas para analisar os documentos e arquivos de áudio constantes do inquérito, mas o pedido foi rejeito pelo ministro Celso de Mello, que confirmou para esta terça-feira (22) o depoimento do empresário da jogatina.

O Brasil precisa desvendar a rede de corrupção que existia por trás das operações de Carlinhos Cachoeira, mas é preciso reconhecer ser inviável analisar em poucos dias mais de 15 mil documentos e 90 mil arquivos de áudio. Melhor seria ter acolhido o pedido formulado pelos advogados, mesmo que em audiência futura o acusado se valesse do direito de permanecer calado.

A decisão de manter a audiência para esta a tarde desta terça-feira faz parte da estratégia da base aliada de dificultar a solução do caso, uma vez que os envolvidos no esquema criminoso de Carlinhos Cachoeira estão em todas as instâncias do Estado, inclusive no governo federal, seja por contatos diretos, seja por conexões transversas por meio da Delta Construção.

Sem qualquer esboço de resposta por parte do investigado, a inquirição de Carlos Augusto Ramos está servindo apenas e tão somente como vitrine política para os parlamentares, que em ano eleitoral têm dificuldades para prestar contas aos respectivos eleitores. Não faz muito tempo, o ucho.info afirmou sem medo de errar que a CPI do Cachoeira tem tudo para dar em nada. E a sequência dos fatos tem comprovado essa tese. Tudo financiado com o suado dinheiro do contribuinte.

Fonte: Ucho.Info