Mostrando postagens com marcador brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador brasil. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

O BRASIL NA BANGUELA

CARLOS ALBERTO DI FRANCO - O Estado de S.Paulo
Armação da imprensa. Distorção da mídia. Patrulhamento de jornalista. Quantas vezes, caro leitor, você registrou essa reação nas páginas dos jornais? Inúmeras, estou certo. Elas estão contidas, frequentemente, em declarações de homens públicos apanhados com a boca na botija, no constrangimento de políticos obsessivamente preocupados com a própria imagem e no destempero de lideranças que pescam nas águas turvas do radicalismo. Todos, independentemente de seu colorido ideológico, procuram um bode expiatório para justificar seus deslizes e malfeitos. A culpa é da imprensa! É preciso partir para o controle social da mídia, eufemismo esgrimido pelos que, no fundo, defendem a censura às empresas de conteúdo independentes.
Sou otimista. Acho que o Brasil é maior que seus problemas. Mas não sou cego. O Brasil está na banguela. Corrupção crescente, educação detonada e gestão pública incompetente, não obstante as lantejoulas do marketing político, começam a apresentar sua inescapável fatura. E a sociedade está acordando. As ruas, em junho deste ano, deram os primeiros recados. A violência black bloc, um desvio condenável e inaceitável dos protestos, precisa ser lida num contexto mais profundo. Há um cansaço do Estado ineficiente, corrupto e cínico. E a coisa não se resolve com discursos na TV, mas com mudanças efetivas.
Corrupção endêmica e percepção social da impunidade compõem o ambiente propício para a instalação de um quadro de desencanto cívico. Alguns, equivocadamente, vislumbram uma relação de causa e efeito entre corrupção e democracia. Outros, perigosamente desmemoriados, têm saudade de um passado autoritário de triste memória. Ambos, reféns do desalento, sinalizam um risco que não deve ser subestimado: a utopia autoritária.
O Brasil tem instituições razoavelmente sólidas, embora parcela significativa da sociedade já comece a questionar a validade de um dos pilares da democracia: o Congresso Nacional. O descrédito generalizado, sobretudo dos parlamentares, captado em inúmeras pesquisas de opinião, é preocupante.
O fisiologismo político é responsável por alianças que são monumentos erguidos à incoerência e ao cinismo. Quando vemos Lula, Dilma, Sarney, Collor e Maluf, só para citar exemplos mais vistosos, no mesmo barco, paira no ar a pergunta óbvia: o que une firmemente aqueles que estiveram em campos tão opostos? Interesse. Só interesse. Os fisiologistas têm carta-branca para gozar as benesses do poder. Os ideológicos, lenientes e tolerantes com o apetite dos fisiológicos, recebem deles o passaporte parlamentar para avançar no seu projeto autoritário.
A arquitetura democrática de fachada recebe a certidão do "habite-se" na força cega dos currais eleitorais. Para um projeto autoritário o que menos interessa é gente educada, gente que pense. Educação de qualidade, nem falemos. O sistema educacional brasileiro é um desastre. Multiplicam-se universidades, mas não se formam cidadãos: homens e mulheres livres, bem formados, capazes de desenvolver seu próprio pensamento, conscientes de seus direitos e de seus deveres. Há, sim, um apagão do espírito crítico. Desaba o Brasil no declive de uma unanimidade que, como dizia Nelson Rodrigues, é sempre perigosamente burra. Nós, jornalistas, precisamos trazer os candidatos para o terreno das verdadeiras discussões. É preciso saber o que farão, não com chavões ou com o brilho do marketing político, mas com propostas concretas em três campos: educação, infraestrutura e ética.
A competitividade global reclama crescentemente gente bem formada. Quando comparamos a revolução educacional sul-coreana com a desqualificação da nossa educação, dá vontade de chorar. Como lembrou recente editorial do jornal O Estado de S. Paulo, se "ainda faltasse alguma prova da crise educacional brasileira, o novo relatório da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre a escassez de pessoal para a construção seria mais que suficiente". A assustadora falta de mão de obra com formação mínima é um gritante atestado do descalabro da educação brasileira.
Governos, independentemente de seu colorido partidário, sempre exibem números chamativos. E daí? Educação não é prédio. Muito menos galpão. É muito mais. É projeto pedagógico. É exigência. É liberdade. É humanismo. É aposta na formação do cidadão integral. O Brasil pode morrer na praia. Só a educação de qualidade será capaz de preparar o Brasil para o grande salto. Deixarmos de ser um país fundamentalmente exportador de commodities para entrar, efetivamente, no campo da produção de bens industrializados.
Para isso, no entanto, é preciso menos discurso sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e mais investimento real em infraestrutura. É preciso fazer reportagem. Ir ver o que existe e o que não existe. O que foi feito e o que é só publicidade. Ver e contar. É o nosso papel. É a nossa missão. Nós, jornalistas, sucumbimos com frequência ao declaratório. Registramos, com destaque, a euforia presidencial com o futuro do pré-sal. Mas como andam os projetos reais que separam a propaganda da realidade? É por aí que devemos ir.
Tudo isso, no entanto, reclama o corolário da ética. Rouba-se muito. Muito dinheiro público desaparece no ralo da impunidade. Queixa-se a sociedade da impunidade radical. Seis anos após aceitar a denúncia do mensalão, o Supremo Tribunal Federal determinou a prisão dos principais condenados no esquema de corrupção do governo Lula. Trata-se de uma decisão histórica e de um claro divisor de águas.
Educação, infraestrutura e ética podem mudar o destino do Brasil.
DOUTOR EM COMUNICAÇÃO PELA UNIVERSIDADE DE NAVARRA, É DIRETOR DO DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO DO INSTITUTO INTERNACIONAL DE CIÊNCIAS SOCIAIS

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

KAYO, 8 ANOS, APENAS UMA VIDA QUE SE PERDEU

Cenas de um Brasil surreal de nossos dias, um grupo de bandidos tenta resgatar comparsas em um Fórum no Rio de Janeiro, ocorre um tiroteio e um policial é morto e um pobre garoto, jogador do Bangu e torcedor do Vasco da Gama é atingido por uma bala perdida na cabeça e morre. A imprensa noticia, nós ficamos indignados, a avó que acom nadas pela perda do único filho. O que acontece? Nada, é apenas mais uma vida que se perde, dentro de poucos dias cai no nosso esquecimento e deixa de ser noticia na mídia, para as autoridades apenas um número na estátistica, mas para os pais, uma dor insuportável que os acompanhará para o resto de suas vidas.
Que País é esse onde o Estado não consegue sequer dar um mínimo de segurança ao seu povo, onde sair de casa é uma aventura perigosa, uma incerteza da volta aos seus? 
A corrupção da polícia, a omissão dos governantes, a impotência da população, o descaso, a falta de respeito à vida é o cotidiano  de nosso tempo. Falta uma política séria de segurança, falta investimento em salários e condições dignas para que tenhamos uma policia confiável e que proteja a população efetivamente, quem sabe assim, o Kayo de apenas 8 anos ainda estivesse entre nós, agora ele é apenas uma vida que se perdeu, simples assim.

domingo, 29 de setembro de 2013

GABRIELA MONTERO SUFRIÓ IMPASSE POLÍTICO DURANTE CONCIERTO EN BRASIL

Un simpatizante del gobierno de Nicolás Maduro la insultó cuando ella hablaba sobre las condiciones sociales y políticas de Venezuela que la inspiraron a crear la pieza. El público y la orquesta reaccionaron apoyando a la artista.


imageRotate


EL UNIVERSAL
domingo 29 de septiembre de 2013  05:04 PM
La pianista venezolana Gabriela Montero sufrió un impasse político cuando fue increpada por un simpatizante del gobierno de Nicolás Maduro, durante un concierto en la ciudad brasileña de Paraná.

Antes de ejecutar su conocida pieza "Ex-Patria", y para darle contexto a la misma, Montero habló al público sobre la situación política y social que vive Venezuela. Esto provocó la ira de un señor mayor, aparentemente simpatizante del actual gobierno venezolano, que le gritó "mentirosa", lo que provocó un acalorado debate con la pianista que involucró a un público que demostró su solidaridad aplaudiendo de pie a la concertista.

Unas horas después, Montero relató lo ocurrido en su Facebook, con un post llamado "Actualización de estado", que se puede leer a continuación:

"Anoche, toque ExPatria y el Concierto No.5 de Beethoven con el maravilloso director Osvaldo Ferreira y la Orquesta Sinfónica de Paraná. Como no habían insertado el texto sobre mi obra en el programa, tuve que hablar y explicársela al público. Les expliqué cómo Venezuela está tomada por la violencia y la corrupción. Les expliqué que mi dolor está claramente ilustrado en 'ExPatria' y que describe el llanto y frustración de millones de venezolanos que no tienen la posibilidad de hablar públicamente como yo puedo hacerlo.

Les expliqué que muchos sentimos que hemos perdido nuestro país. También expliqué que no me interesa la política, pero sí me interesan los seres humanos y el sufrimiento que trae la política corrupta, deshonesta y que sirve a los intereses de aquellos que se están enriqueciendo . Me importan los efectos que tienen sobre la sociedad de mi país. En ese momento, un hombre mayor, empezó a gritar: "¡Mentirosa! ¡Eres una mentirosa! ¡Son todas mentiras!" Estaba muy agitado y el público, sorprendido y desagradado con su ataque hacia mí, empecé a defenderme y pedirle que se callara.

Insistió, llamándome mentirosa, y mi respuesta fue decirle que era mi derecho y mi deber hablar sobre los eventos que nos afectan y brillar luz sobre las verdades que están siendo ignoradas por el mundo. Le dije que Rachmaninov y Chopin escribieron sobre su anhelo de regresar a su patria. Sobre todo lo que habían perdido. También debí haber mencionado a Prokofiev y Shostakovich. El volumen de la conmoción aumentaba, y alguien le gritó al señor lo que una vez el Rey Juan Carlos de España le dijo a Chávez, "Por qué no te callas".

Me senté en la banqueta para comenzar ExPatria. El hombre continuaba ofendiéndome, y en ese momento me paré y con voz muy firme grité " YO SOY VENEZOLANA Y SÉ EXÁCTAMENTE LO QUE ESTOY DICIENDO Y POR QUÉ LO ESTOY DICIENDO". Me senté nuevamente al piano, mi corazón latiendo fuertemente, y el público se levantó, aplaudiendo. La orquesta golpeaba el piso del escenario creando una ola de sonido de apoyo y todo el mundo en la sala seguía de pie, aplaudiendo y apoyándome. Apoyando lo que estaba a punto de hacer y de expresar a través de la música. Apoyando el hecho de que entienden lo doloroso que es que exista una obra como ExPatria porque no debería de existir. Deberíamos celebrar el amor, el respecto y la libertad entre todos.

Gracias a todos los que estuvieron presentes. Gracias a todos los que hablaron conmigo después del concierto y entendieron cada mensaje en mi obra y mi ejecución. Gracias a la gran humanidad de la orquesta y la demostración de afecto y solidaridad. Gracias a Osvaldo por estar ahí conmigo. Y gracias al hombre que me insultó, por demostrarnos una vez más lo peligrosa que es la ignorancia y cómo siempre debemos luchar por aquellos que no pueden y nunca darles la espalda a aquellos que lo necesitan. Que no se sientan olvidados. Anoche, los aplausos fueron para los venezolanos que se sienten representados por ExPatria. Gracias".

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

NA BOLIVIA MÉDICOS CUBANOS SEGUIRAM CARTILHA DITATORIAL


Em 2006, os cubanos eram proibidos de namorar nativos e de sair de casa após às 18 horas sem autorização e de pedir empréstimo local

Pacientes internados en el Hospital de ClÌnica de La Paz, permacen sin atenciÛn mÈdica debido a una huelga que por segundo dÌa llevan los mÈdicos exigiendo al Gobierno el cobro de los salarios correspondientes al mes de noviembre y un decreto que regularice sus 6 horas de trabajo, el 14 de diciembre de 2004. AFP PHOTO/Aizar RALDES
Pacientes internados no Hospital das Clínicas de La Paz, na Bolívia (Aizar Raldes/AFP)
Em 2006, a Bolívia fechou um convênio com os irmãos Castro para levar médicos cubanos para trabalhar no país. Era um acordo similar ao assinado pelo Ministério da Saúde brasileiro na última quarta-feira. Aos que foram enviados à Bolívia, foi entregue uma cartilha de doze páginas, à qual o site de VEJA teve acesso, com normas e restrições que deveriam ser cumpridas à risca. Para quem desobedecesse, a punição variava da advertência pública ao regresso imediato a Cuba.
Dividido em onze capítulos, o grau de detalhamento do Regulamento Disciplinador chegava ao nível de dizer o que os cubanos deveriam fazer caso começassem algum relacionamento amoroso com uma nativa. A título de curiosidade: obrigava os cubanos a informar às autoridades o relacionamento. Além disso, a parceira deveria estar ciente do pensamento revolucionário das missões cubanas — e concordar com ele.

Os profissionais também estavam proibidos de sair de casa após às 18 horas sem autorização prévia do chefe imediato. Para conseguir o aval, eles deveriam informar aonde iam, se estariam com colegas cubanos ou com nativos e qual a finalidade da saída. Os médicos eram proibidos de ingerir bebidas alcoólicas em lugares públicos, fora algumas poucas exceções: festividades cubanas, aniversários coletivos, despedidas de outros colaboradores e outros.
De acordo com a cartilha, os cubanos não poderiam participar de atos públicos para os quais não fossem convocados. Estavam também proibidos de falar com a imprensa sem autorização prévia, de pedir dinheiro emprestado aos bolivianos e de manter amizade com outros cubanos que tivessem abandonado a missão.
Punição — Os cubanos que não cumprissem as normas do Regulamento cometeriam infração, que poderia resultar em processo e punição pela Comissão Disciplinar. Entre as punições previstas estavam advertência pública, transferência para outro posto de trabalho, expulsão da missão e o regresso a Cuba.
                                                SEM O REVALIDA FICOU FÁCIL
Mais Médicos: Os brasileiros Christian Uzuelli e Thiago da Silva e a argentina Natalia Allocco, todos médicos formados na Argentina, vão atuar no estado de São Paulo
Mais Médicos: Os brasileiros Christian Uzuelli e Thiago da Silva e a argentina Natalia Allocco, todos médicos formados na Argentina, vão atuar no estado de São Paulo (Vivian Carrer Elias / VEJA)
Os primeiros profissionais do exterior selecionados pelo Programa Mais Médicos para trabalhar em regiões carentes do Brasil desembarcaram em oito capitais nesta sexta-feira: São Paulo, Brasília, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife e Salvador. O Ministério da Saúde espera que, até domingo, 244 médicos cheguem ao país. Esse número não inclui os 400 cubanos que virão ao Brasil neste fim de semana graças a um convênio entre a pasta e a Organização Panamericana de Saúde (Opas).
A partir desta segunda-feira, os médicos estrangeiros ou os brasileiros formados no exterior participarão de um curso de três semanas no qual terão contato com as normas do Sistema Único de Saúde (SUS) e com as particularidades dos municípios para os quais foram designados. Os cursos serão dados nessas oito capitais. Somente depois disso, os médicos se instalarão nas respectivas cidades. O salário dos profissionais selecionados pelo programa será de 10.000 reais, e eles também contarão com uma ajuda de custo dos municípios.
Em São Paulo, o primeiro voo a trazer profissionais de fora veio da Argentina, com cinco médicos – três argentinos e dois brasileiros formados no país vizinho. Outros voos deveriam trazer, ainda nesta sexta-feira, mais dois médicos da Argentina, além de profissionais da Espanha e de Portugal. O Ministério da Saúde espera que, até domingo, 47 médicos estrangeiros desembarquem em São Paulo: dez deles trabalharão na cidade e o restante em outras regiões do estado.
Sem Revalida — Os cinco médicos vindos da Argentina chegaram ao Aeroporto Internacional de Guarulhos por volta das 14h30, mas o Ministério da Saúde não permitiu que a imprensa acompanhasse o desembarque. Somente cerca de uma hora e meia depois, três médicos, dois brasileiros e uma argentina, conversaram com os jornalistas presentes no aeroporto. Os outros dois argentinos não apareceram e detalhes sobre eles não foram divulgados. 
Um dos três médicos que falou com a imprensa é o brasileiro Christian Uzuelli, de 32 anos. Formado pela Universidade Nacional de La Plata, obteve especialização em medicina legal e ciências forenses em Portugal. Ele vai trabalhar em Itaquaquecetuba. "Não conheci a cidade, mas a escolhi para ficar perto de onde meus pais moram", disse. "Trabalhei em uma unidade de saúde de medicina familiar em Coimbra, em Portugal. Eu gostei de trabalhar com medicina familiar. Se a bolsa para trabalhar aqui fosse para atuar em psiquiatria, eu não viria", disse. Uzuelli afirmou que teve vontade de trabalhar no Brasil quando voltou da Europa, mas que seria "financeiramente impossível" deixar de trabalhar para se dedicar aos estudos e realizar a prova de revalidação do diploma, o Revalida.
O outro médico brasileiro é Thiago da Silva, de 32 anos, cuja especialidade é pediatria. "Meus pais moram aqui e faz muitos anos que estou fora, e sempre tive a vontade de oferecer a medicina que aprendi no Brasil", disse. "Acredito que é possível fazer uma boa medicina na área primária da saúde e oferecer melhor qualidade de vida à população com baixos recursos." Quando questionado sobre a bolsa que ganhará no país, o médico disse ser "totalmente desprovido de valores materiais". Ele vai atuar em Francisco Morato. Da Silva não quis responder se ele acreditava que médicos brasileiros não gostam de tratar a população mais pobre. "Prefiro não dar a minha opinião", disse.
A médica argentina que chegou em São Paulo se chama Natalia Allocco e tem 26 anos. Formada pela Unversidade Nacional de Rosário, em Santa Fé, ela abandonou a residência em medicina da família para participar do programa brasileiro. A mãe de Natalia é brasileira e o pai, argentino e médico cardiologista. Ele também atua no Brasil. "Sempre tive vontade de morar aqui. Não tem a ver com o salário. É uma boa oportunidade, pois não é mais preciso o Revalida, então ficou mais fácil", afirmou, em português fluente. A argentina trabalhará na capital.
Portunhol — Formado há quatro anos na Espanha, o médico Thiago Carvalho, 33 anos, desembarcou nesta sexta-feira em Brasília. Acreano, ele trabalhará em Rio Branco e, mesmo sem ser obrigado, disse estar disposto a se submeter ao Revalida. "Eu volto para minha casa e com o propósito de trabalhar na minha região. Médico pode ser japonês, alemão ou de qualquer parte do mundo, é médico e exerce a medicina", disse.
A espanhola Sonia Gonzales, 38 anos, que também se inscreveu no Programa Mais Médicos, declarou, em portunhol, estar "emocionada com o desconhecido", mas com "muita vontade mesmo de trabalhar e ter uma nova experiência”. Médica de família, ele vai trabalhar no distrito indígena do Alto do Rio Negro. ´

Fonte: Revista Veja

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

NO RUMO ERRADO

Os grandes protestos de junho passaram, mas a insatisfação popular ficou. Pesquisas recentes confirmam isso. E mostram que a opinião pública está mais crítica e continua contra “tudo o que está aí”. Um levantamento feito em julho trouxe mais elementos nesse sentido, indicando que, para 58% dos entrevistados, o país está no rumo errado. Outros 42% veem o país no rumo certo.

Citada pelo colunista José Roberto Toledo, do Estado de S. Paulo, a pesquisa do Instituto Ipsos aponta uma reversão repentina e inédita da avaliação sobre o país. A partir de junho, 57% dos entrevistados passaram a reprovar as decisões sobre as principais questões nacionais.

Em julho, a avaliação se manteve. É a primeira vez desde 2007 que a maioria vê o país caminhar para o lado errado.

Outro levantamento recente do Ibope mediu o descontentamento com as instituições. O Índice de Confiança Social do Ibope, divulgado no início deste mês, revelou que entre julho de 2012 e julho passado, todas as 18 instituições avaliadas pelo Ibope foram consideradas menos confiáveis.

Foi a primeira vez nas cinco edições da pesquisa em que todas as instituições perderam credibilidade.

O Congresso e os partidos ocupam os últimos lugares no ranking. Mas a maior queda foi da presidente da República. Para especialistas do Ibope, Dilma pode ter personificado as causas da insatisfação popular.

No geral, os números das duas pesquisas sugerem que se o gigante voltou mesmo a dormir, está tendo um sono intranquilo.

Isso deveria servir de alerta para políticos e governantes. Por mais que os grandes protestos tenham perdido força se tornando movimentos de partidos ou forças políticas, o cidadão parece ter ficado mais crítico com o poder público e com as instituições.

No caso da pesquisa sobre os rumos do país, a leitura do Instituto Ipsos é que as pessoas percebem a necessidade de discutir a agenda nacional com mais profundidade. É um bom sinal, portanto.

problema é que, reduzido o calor das manifestações, o Congresso e muitos políticos voltaram à velha agenda, PSDB e PMDB estão no alvo de suspeitas, enquanto o PT volta a ser ligado ao julgamento do mensalão.

Ou seja, não faltam motivos para manter ou aumentar o pessimismo dos eleitores. É impossível prever se esse quadro vai persistir até as eleições de 2014, mas os sinais hoje são de que o crivo nas urnas tende a ser bem maior. A questão é que isso também pode levar a generalizações perigosas sobre a política, como se todos nela fizessem parte do mesmo saco.


Fonte: Praça oito , A Gazeta


segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Brasil continúa con el perdón de la deuda a los gobiernos dictatoriales de África


El gobierno brasileño ha decidido perdonar cerca de 870 millones de dólares de deuda a doce gobiernos africanos, entre ellos cuatro dirigidos por dictadores


El gobierno brasileño ha decidido continuar con el perdón de la deuda apaíses africanos como Zambia, Tanzania, Costa de Marfil y la República Democrática del Congo, después de haberlo hecho ya a las cuatro naciones en las que están al frente conocidos dictadores que enfrentan procesos en tribunales de Europa y de los Estados Unidos, acusados de desvío de dinero público, enriquecimiento ilícito, corrupción, blanqueo de dinero y genocidio.
Son los gobiernos de la República del Congo, Sudán, Gabón y Guinea Ecuatorial. Estos cuatro países concentran la mitad de la deuda pública de Brasil con los países de África. La oposición ha criticado la decisión del gobierno de perdonar la deuda a estos dictadores que mantienen a sus pueblos en la miseria mientras ellos acumulan riquezas repartidas en medio mundo. “Es una agresión al sentimiento de la sociedad que ha salido a protestar a la calle contra la corrupción. Son figuras corruptas”, ha dicho el senador José Agripino del partido oposicionista DEM.
Por el contrario, el senador Eduardo Braga del PMDB, el partido aliado del gobierno, ha defendido la decisión del gobierno de perdonar esa deuda. Según él, “Brasil tiene intereses económicos en países de África. Si esos dictadores practican crímenes contra la humanidad o corrupción , los mecanismos e instituciones que tratan de esos asuntos harán su parte. Son cosas distintas”, ha afirmado Braga.
El catedrático de Ética y Filosofía Roberto Romano considera que la diplomacia brasileña se equivoca al apoyar y favorecer a países con regímenes complicados desde el punto de vista ético y de Derecho Internacional. “Jugar con piedras ruines en el tablero internacional no crea credibilidad”, ha afirmado.
Desde el punto de vista comercial, el Gobierno de Brasil, según los expertos, tiene interés en presentar una amnistía de la deuda a esos países para que el Banco Nacional de Desarrollo Económico y Social (BNDS) pueda a partir de ahora financiar proyectos de empresas brasileñas en esos países africanos. El problema es que la sociedad brasileña se ha hecho más exigente en materia de corrupción política y no ve con buenos ojos que puedan ser favorecidos a costa de los contribuyentes dictadores que aparecen internacionalmente como presuntos corruptos.
Los políticos brasileños están siendo especialmente vigilados por una sociedad que por haber crecido tanto económica como educacionalmente, aparece también más sensible a los valores éticos. El diario O Globo titulaba ayer a toda página: "Dictadores perdonados" comentando la polémica decisión del gobierno

Fonte: El País

sexta-feira, 19 de julho de 2013

DE: UCHO HADDAD - PARA LULA - ASSUNTO: IMBECILIDADE, CANALHICE, BOÇALIDADE

Lula, finalmente você reapareceu, apesar de continuar fugindo da imprensa. A sua estratégia de marketing foi interessante, pois um histriônico confesso quando desaparece o faz porque a necessidade de estar em evidência, mesmo que na condição de fugitivo, é muito maior do que se imagina. Esse tipo de comportamento muitos psicólogos são capazes de resolver, mas às vezes é caso de psiquiatra, com direito a medicamento “tarja preta”. Ainda bem que não existe remédio para mitomania, pois do contrário você seria ainda mais insuportável. Pense, Lula, num lobista mentiroso e estabanado que acredita ser deus imaginando que fala a verdade. Por certo Messias, o original, já estaria desempregado.

Depois de suas incursões pela África, para onde seguiu a bordo de um refinado jatinho de empreiteira – afinal ninguém é de ferro –, você ressurge do nada e barra a imprensa falada e escrita em uma das suas ufanistas palestras. Compreendo essa atitude, pois se registram tudo o que você fala a sua fama de parente de Aladim vai pelos ares. Na verdade, quem acredita nessa sua genialidade só pode ser tão boçal quanto você.
Sabe, Lula, depois de quase 55 anos uso pela primeira vez a palavra boçal. E também pela primeira vez não me sinto incomodado, apesar de não ser dado às deselegâncias. Não que jamais tenha encontrado nas estradas da vida pessoas parecidas com você, mas é que aprendi a respeitar o próximo. Como tudo na vida um dia muda, você me mostrou nos últimos dez anos que não merece respeito. Se enquanto você estava presidente eu o tolerava por imposição da visão míope de parte do eleitorado, imagine agora que é nada.
Na sua mais recente palestra, que somente jovens incautos e pouco experimentados foram capazes de assistir, em Santo André, você chamou de canalhas e imbecis os que inventaram notícias a respeito da sua saúde. Meu finado pai, Lula, me ensinou que antes de mandar é preciso saber fazer, pois se não a ordem perde sua força e essência. E meu pai foi ainda mais longe. Disse-me que também é necessário saber a fundo sobre determinado fato antes de qualquer afirmação. Sendo assim, creio que você tem conhecimento sobre o que é canalhice e imbecilidade.
Lula, quando começou a circular a notícia de que você estava frequentando o Sírio-Libanês de madrugada para se submeter a um escondido e misterioso tratamento quimioterápico, de chofre afirmei que se tratava de mentira, de armação barata. E fui além, Lula. Disse que todo ser humano deve torcer pelo bem do próximo, inclusive do inimigo, do adversário. Sou obrigado a concordar com você que mentira é uma imbecilidade. Dependendo da extensão e da gravidade, é uma canalhice. Eu torço por você, Lula, pois sem a sua presença a palhaçada em que se transformou a política nacional perde a graça. Pense numa enorme lona cobrindo um picadeiro sem palhaço. Que coisa sonsa!
Apesar de não lhe tirar a razão nesse caso específico, você precisa saber os motivos que levam as pessoas a essas notícias esculpidas com o cinzel da inverdade. Você é uma pessoa tão espetacular e adorada, Lula, que as pessoas querem vê-lo morto. E desejam que a morte ocorra da pior forma possível, como merece todo político que engana o povo. Não fosse você esse salvador da pátria amada e idolatrada chamada Brasil, o boato sobre a recidiva do câncer não teria o Sírio-Libanês como destino das suas escapadas noturnas e secretas, mas, sim, aquele hospital de Havana em que seu concorrente, agora finado, Hugo Chávez escafedeu-se. Na mesma Cuba de onde a sua companheira Dilma, a “gerentona inoperante”, quer importar seis mil agentes da ditadura castrista disfarçados de médicos.
Compreendo perfeitamente esse desapontamento com os que inventaram a boataria sobre a sua saúde. Até, porque Lula, no caso foi o câncer que lutou para se livrar de você. Sem fugir do assunto, explico as razões que me permitem compreender a sua decepção. Certa vez, Lula, ainda jovem, ouvi falar de um comunista de boteco, desses que ficam dependurados à porta das fábricas ou à beira da linha do trem. Do nada esse especialista em água que passarinho não bebe começou a ganhar espaço na mídia – afinal a imprensa canhestra sempre precisa de um fato novo, mesmo que seja uma farsa – e a ser incensado como se fosse a versão sindicalista de Sassá Mutema.
Tão boçal quanto você, Lula, esse sujeito, sempre abusado, passou a acreditar que era a derradeira solução do planeta. Diante de uma vastíssima plateia de ignaros, esse imbecil logo foi aclamado como líder dos trabalhadores e dos pobres. Trabalho que é bom o sujeito nunca soube o que é e pobreza ele já não lembra o que significa. Até porque, Lula, uma pessoa que compra um relógio Cartier, em Nova York, com o dinheiro do povo não sabe o que é pobreza. No máximo sabe o que é banditismo consentido.
Voltando ao assunto… O tal comunista de botequim, cachaceiro convicto e conhecido, um dia resolve ser presidente. Chega ao poder e começa a rasgar o discurso de décadas e a mentir continuadamente para o povo. Pois bem, Lula, você há de concordar comigo que esse sujeito abusado é um canalha, um imbecil. Fosse pouco o fato de encarnar um Messias de araque, o tal comunista de boteco começou a patrocinar a corrupção. Quando o escândalo vinha à tona, o malandro dizia que de nada sabia. Paciência, porque dizem por aí que cada povo tem o governante que merece.
Para cair nas graças do povo, o tal cachaceiro-presidente começou a distribuir esmolas oficiais. Como se não bastasse tamanho absurdo, o comunista de camelô arremessou 40 milhões de desavisados cidadãos na vala do consumismo. Constatada a tragédia, o espertalhão surgiu com um discurso novo, apesar de ter espetado um pesado carnê nas costas de cada um. Disse o malandro que os endividados integravam a nova classe média. Pense, Lula, na ousadia e na irresponsabilidade desse alarife com mandato. O sujeito é ou não um canalha? Mas Lula, veja como existem imbecis no planeta. O comuna do boteco que virou presidente conseguiu enganar uma legião de gente letrada e arrebatou mais de uma dúzia de títulos de “doutor honoris causa”, apenas porque enganou o povo e destruiu o próprio país.
Deixemos esse imbecil de lado, Lula, e retomemos a sua insana verborragia. A extensa maioria da imprensa brasileira, para a sua sorte, tem dificuldades para pensar ou passa com frequência pelo caixa do desgoverno que se instalou no Palácio do Planalto. Você dedicou adjetivos ácidos aos que criaram o boato sobre a sua saúde, mas os jornalistas não tiveram a capacidade de interpretar o seu discurso nas entrelinhas. Se diante de uma mentira você esperneou, o seu silêncio em relação a determinadas polêmicas as transformam em verdade.
Veja só, Lula! A Rosemary Noronha, que você deve conhecer, disse que era – não sei se ainda é – sua namorada. E fez essa afirmação enquanto protagonista de um escândalo de corrupção. A polícia desmontou o esquema comandado pela Marquesa de Garanhuns e você se viu obrigado a sair de circulação. Tudo absolutamente natural em se tratando de um covarde. Mas em nenhum momento você disse que a Rose é mentirosa, canalha, imbecil. Possivelmente porque as declarações dela não são boatos.
Esse caso sobre o seu namoro com a Rose é assunto para resolver em casa, com a esposa, os filhos, os netos. Vocês são vermelhos e que se entendam. Apenas dê uma explicação ao povo brasileiro sobre o esquema criminoso que surgiu no vácuo de uma traição conjugal. E cá pra nós, Lula, você tem um péssimo gosto para mulher ou é um azarado no assunto. Mas gosto e preferências não são passiveis de discussões. De tal modo, sejam todos felizes.
Agora pinço mais uma das aberrações que levam a sua digital. Lula, sou adepto da teoria longínqua de que sabe escrever aquele que lê com frequência. Como você mesmo disse ser avesso à leitura, escrever por certo não faz parte das suas maiores predileções. Mesmo assim, a reboque de um escriba qualquer de aluguel, que como sempre rascunha as bobagens do contratante, você se transforma em colunista do “The New York Times”. Se isso tivesse acontecido com aquele comunista do boteco, diria que ele é um imbecil canalha. Mas não é o seu caso, porque você é um homem justo, verdadeiro, cumpridor da palavra dada, um verdadeiro Don Quixote a lutar contra a corrupção e que jamais traiu a confiança da população.
Mas Lula, pense bem no teor da sua primeira coluna no NYT. Se o seu escriba de aluguel não lhe aplicou uma troça, você deveria estar transtornado quando afirmou que os recentes protestos que tomaram as ruas de várias cidades brasileiras representam a satisfação do povo, que depois das conquistas alcançadas durante o seu desgoverno querem mais. Lula, em qualquer país minimamente sério você já teria sido apedrejado. Então, Lula, quer dizer que as últimas pesquisas de opinião que apontam o calvário político de Dilma refletem a satisfação do povo? Veja só, mestre (sic) Lula, pensava eu, no topo da minha ingenuidade, que fosse o contrário, que aquelas pessoas gritando nas ruas estavam enfurecidas com o seu magnífico legado e a competência do governo da “companheira” Dilma. Não sei o que seria de mim e dessas pessoas ingratas que protestam se você não existisse, Lula.
Apesar de você ser essa pessoa magnânima e celestial, sinto-me na obrigação de lhe passar uma carraspana. Você disse, ao criticar os criadores do boato sobre sua saúde: “Graças a Deus não tenho mais câncer, e não é correto que algum canalha, imbecil fique pela internet contando mentiras”. Se é que compreendi de fato sua declaração, Lula, canalha e imbecil é aquele que conta mentira na internet. Fora da rede mundial de computadores o mentiroso é divindade. É isso ou estou enganado?
Não contente, você abusou em seu discurso eivado pela ira. “Não tenho câncer, não quero ter câncer, não vou ter câncer e não gosto de quem tem câncer”. Lula, fico feliz por você ter se livrado do câncer. Sei o quanto é difícil essa batalha, mas a alta médica não significa que você está curado. Isso só será possível afirmar dentro de mais alguns anos. E garanto que torço para que esse dia chegue o quanto antes, pois o quero vivo e com energia para ser criticado como merece.
Sei da sua vocação para divindade, mas não querer ter câncer ou afirmar que não terá câncer não é assunto da sua competência. Quem decide isso é o Criador, que já deve ter reservado a lição que lhe cabe. Se em algum momento você tem lapsos de consciência, certamente deve imaginar o que vem pela frente. O pior foi você ter afirmado que “não gosta de quem tem câncer”. Lula, você é metido a deus e deveria saber que pensamentos desse naipe não coadunam com divindades. Mas é preciso reconhecer que o céu também tem seus embusteiros de plantão. Eu gosto do ser humano incondicionalmente, com ou sem câncer, e torço pelo bem do próximo. Atitude pequena para alguém da sua grandeza.
Lula, para finalizar e não tomar o seu precioso tempo, pois sei que agenda de lobista e palestrante é muito concorrida, preciso revelar a conclusão a que cheguei depois de uma década convivendo com os seus desvarios. Você é, pelo menos por enquanto, o tumor maior do Brasil, que pela peçonha da própria existência colocou no comando do País a sua metástase.
Para mim, Lula, você é apenas um boçal que acredita ser gênio, mas se na sua opinião aquele que mente é canalha e imbecil, o problema é seu.
(*) Ucho Haddad é jornalista político e investigativo, analista e cometarista político, cronista esportivo, escritor e poeta

quarta-feira, 26 de junho de 2013

O BRASIL PRECISA MUDAR E RETOMAR A DIGNIDADE





Políticos são eloquentes contumazes que enganam a opinião pública com palavrório visguento e de encomenda. Escondem a própria incompetência na mesma trincheira em que camuflam o banditismo de aluguel. Agem com tanta desenvoltura, que parte da população sequer percebe o grau de ousadia de quem mente com mais frequência do que ora.
Gostem ou não as autoridades, a política no Brasil é um próspero negócio, sempre em expansão. Pouco importa se a nação e o povo serão prejudicados. A ordem é manter em voga a armação ilimitada que tem levado o País a um quase irreversível grau de degradação. No contraponto, a cornucópia transgressora não cansa de soar na direção dos bolsos de uma minoria que deveria estar atrás das grades.
Quando um político é eleito pelas vias democráticas, o máximo que os descontentes podem fazer é protestar à sombra da lei. De nada adianta patrocinar um movimento a fórceps, pois perde-se a legitimidade do manifesto e da revolta. A inteligência e a coerência, sempre implacáveis, são as melhores armas contra políticos que insistem em ultrapassar as fronteiras do bom senso. E no Brasil tromba-se com essas figuras com facilidade que chega a impressionar. E é exatamente esse detalhe, a quantidade de utópicos, que faz com que a situação seja insustentável.
Quem conhece o modus operandi que impera na Esplanada dos Ministérios e adjacências, por exemplo, sabe que jamais o País viveu um período de tanta corrosão moral e despreparo por parte dos parlamentares, que fazem do mandato eletivo a senha para um seleto e privado reduto de escambos. Agem em questões políticas como se fossem rufiões da cidadania, sempre obrigada a se deitar com o escárnio que brota da vida pública.
Em termos políticos, o Brasil é uma nau à deriva em mares revoltos e sob a força de um teimoso furacão. A culpa por esse cenário nada simpático tem nome. Chama-se Dilma Vana Rousseff, a mulher que foi apresentada ao eleitorado como a garantia de continuidade. Essa filigrana do embuste oficial anunciava, pelo menos aos mais atentos, que Dilma seria uma marionete de luxo a alegrar a plateia sob o comando do antecessor.
A República e suas instituições estão sendo diuturnamente ultrajadas por um projeto totalitarista de poder, que não pode ser aceito em qualquer hipótese pelos brasileiros de bem. Em qualquer parte do planeta beira o inimaginável que um governante, diante de repentina crise política, se aconselhe com o chefe da corrupção e com um marqueteiro. Essa atitude explica o perigoso descontrole em que se encontra o País, situação que só não é mais grave porque não tem quem assuma responsabilidades imediatas com o cenário atual. Outrossim, a máquina estatal está dominada de tal forma que qualquer tentativa de mudança radical levaria o País ao colapso.
O Brasil foi saqueado contínua e paulatinamente nos últimos dez anos, mas algo precisa ser feito para reverter uma situação que no mínimo pode ser classificada como caótica. Nas ruas a sociedade resolveu soltar a voz na esteira de irrisórios vinte centavos, mas esse eco, que tanto encheu os brasileiros de orgulho, pode emudecer se a população permitir que armadilhas sejam esparramadas no caminho dos incautos. Eleger um incompetente é no máximo um equívoco, consentir com sua continuidade no cargo é irresponsabilidade.
Mudar não é substituir pessoas, muito menos patrocinar o revanchismo. Mudar é renovar ideias em favor do País e manter a integridade dos ideais pátrios. É impedir o avanço de projetos políticos obtusos, é combater a corrupção de forma incansável e ininterrupta. Mudar é repensar politicamente o País, é agir com coerência e planejamento. Mudar é não aceitar a trapaça dos donos do poder, como querem impor os bandoleiros palacianos. Mudar exige mudança de atitudes, requer compromisso. Mudar obriga que cada um se envolva na missão de devolver ao Brasil a dignidade como nação, algo pilhado por habilidosos saltimbancos. Mudar é preciso e a hora é agora. Mude para o Brasil mudar. Mude sem ficar mudo, pois a mudez impede a mudança.
Mude, pois o Brasil precisa desse gesto!
Ucho.Info

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

2013, O ANO QUE JÁ TERMINOU


     O ano de 2012 se encerrou de forma absolutamente normal no Congresso Nacional. Em sua última sessão, o Senado aprovou um trem da alegria para os Três Poderes, com a criação de milhares de cargos numa só canetada. É normal porque a caneta era de José Sarney, companheiro de Dilma Rousseff, uma aliança que, todos sabem, serve ao Brasil de todos – todos os que fizeram as amizades certas. Se você está fora dessa, terá de cumprir em 2013 o destino trágico dos reles mortais, esses infelizes que não têm uma Rosemary para chamar de sua – e que ainda fazem uma coisa primária que os companheiros revolucionários não precisam mais fazer: trabalhar.

Mas não se desespere. A vida dos excluídos (do banquete petista) tem lá suas compensações. É bem verdade que você nunca verá um filho seu ficar famoso da noite para o dia por ter arranjado uma boquinha na Anac ou no Senado. Nunca o convidarão, também, para uma reunião com José Dirceu para “reforçar o Marco Maia”.

Enfim, você não tem a menor importância na República do Oprimido, mas nem tudo são espinhos. Ninguém lhe pedirá para cantar “olê, olê, olê, olá, Lula, Lula” em desagravo ao filho do Brasil – o que já é um vidão.

Para consolar os excluídos, os que vivem miseravelmente sem acesso a uma única teta do Estado brasileiro, uma ponderação: o Brasil se tornou um país previsível, de rumo firme. Isso torna possível antecipar o que acontecerá em 2013. Isso jamais seria possível antes do Descobrimento (em 2003) – portanto, não reclame de barriga cheia.

Em março, Dilma Rousseff convocará a primeira cadeia nacional de rádio e TV da série 2013. Fará um pronunciamento à nação pelo Dia Internacional da Mulher. Falará com a voz embargada, sobre um fundo de violinos, e, se a iluminação do estúdio estiver correta, parecerá ter os olhos molhados. Encherá os brasileiros de orgulho por ser governados por uma “presidenta” – palavra que seus assessores saberão encaixar no discurso – e anunciará algum programa social novo, tipo Brasil Caridoso, Brasil Sem Tristeza ou Brasil Fofo. Apresentará uma estatística impressionante, encomendada ao Ipea e à FGV, mostrando que nos anos Fernando Henrique lugar de mulher era na cozinha.

A inflação em 2013 continuará subindo, e a aprovação a Dilma tambémEm 2013, o Brasil sofrerá novos apagões, provocados por raios neoliberais e elitistas. A tarifa populista de energia será implantada, ajudando a sucatear as empresas do setor, que por isso investirão menos ainda em manutenção – mas os blecautes não terão nada a ver com isso. O ministro Edison Lobão explicará que nosso sistema é um dos melhores do mundo e que essa mania de ter luz o tempo todo é coisa de burguesia consumista. Sarney ficará orgulhoso de seu afilhado – e pedirá a Roseana, com jeito, que deixe Lobão governar um pouquinho o Maranhão (“Filha, agora descansa e deixa seu colega brincar também.”).

A inflação em 2013 continuará subindo, e a aprovação a Dilma também. Explica-se o paradoxo: a principal causa da subida dos preços será um novo aumento explosivo dos gastos públicos, incluindo a distribuição de mais dinheiro de graça para a população – através dos programas carinhosos, o Bolsa Tudo. É a “destruição invisível” da economia nacional, que em 2013 será caprichada, porque em 2014 tem eleição. Os simpatizantes do governo popular ficarão felizes com a farta distribuição de bolsas, cargos, convênios a granel para os ministérios parasitários, e Dilma marchará tranquila para a reeleição. Aécio Neves assistirá a tudo escondido nas Alterosas e rezando para que Eduardo Campos o ultrapasse na corrida para não chegar.

Joaquim Barbosa, o redentor, fará muitos comícios sociais na presidência do Supremo, deixando pela primeira vez os brasileiros na dúvida: talvez exista outro ser tão bonzinho quanto Lula da Silva. Barbosa evidentemente será mordido pela mosca azul, mas o eleitor acabará ficando mesmo com o pacote Lula/Dilma, para não arriscar a mesada (o mensalão popular).

Rosemary não entregará seu chefe. Terá um ano sofrido, sem passaporte diplomático, mas ficará firme. Afinal, Lula não sabia (dona Marisa muito menos), e o amor sempre vence.

Como se vê, 2013 já foi. Se quiser uma passagem direta para 2014, passe no caixa da revolução, que o pessoal da Rose na Anac arranja para você.

Guilherme Fiúza

sábado, 13 de outubro de 2012

LEIS PARA OS MENSALEIROS E PARA OS LADRÕES DE GALINHA

 

Por Carlos Chagas


Quando condenados, um traficante, um seqüestrador, um assassino e até um ladrão de galinha saem da sala do juiz ou do júri diretamente para a cadeia, se lá não estavam antes, presos preventivamente. Assim dispõe a lei.
A condenação final dos mensaleiros será conhecida no final deste mês, no máximo nos primeiros dias de novembro. Seus advogados, porém, calculam que só em meados do próximo ano entrarão nas penitenciárias aqueles que tiverem sido sentenciados a prisão fechada e, em alguns casos, prisão aberta, quando só precisarão dormir atrás das grades.
O rito, para os réus de colarinho banco, é demorado. Depois das condenações, os ministros do Supremo Tribunal Federal se reunirão para a chamada dosimetria, ou seja, a fixação das penas para cada um dos condenados, pelo diversos crimes em que tiverem incorrido. Trabalho longo, quando onze ou dez decisões sobre 36 réus serão expostas, cotejadas, somadas e submetidas à média afinal definida pelo plenário.
Em seguida vem a preparação do acórdão de mil páginas, a exigir, da mesma forma, entendimento entre os meretíssimos. Uma vez publicado o texto no Diário da Justiça, abre-se a temporada para os recursos. Apesar de última instância, a mais alta corte nacional de Justiça estará obrigada a examinar embargos de declaração, referentes a duvidas sobre as sentenças, e embargos infringentes, a que tiverem direito os réus que apesar de condenados obtiveram quatro votos a seu favor. Só então as condenações ganharão o finalíssimo registro do “transitado em julgado”. A etapa seguinte envolverá as varas de execuções penais dos diversos estados ou municípios onde residirem os réus, para definição dos locais de cumprimento das penas.
Em suma, muita água passará sob a ponte até que os mensaleiros vejam o sol nascer quadrado, se é que verão. Tudo de acordo com a lei, mas o que dizer daquela outra, citada inicialmente, para os ladrões de galinha? Ainda mais estando em ação luminares da ciência do Direito, como são os advogados dos réus, mestres na arte da procrastinação e do apelo a recursos...


OS MESMOS ERROS


Não só pessoas costumam incidir nos mesmos erros antes praticados. Empresas também. Depois de escancarados fracassos na previsão dos resultados das eleições de domingo, os institutos de pesquisa atacam novamente. De forma açodada, apontam Fernando Haddad dez pontos acima de José Serra no segundo turno do dia 28. Pode até ser, mas é temerário concluir qualquer coisa a partir de duas mil consultas num universo de milhões de eleitores. E antes que tenham começado o período de propaganda gratuita pelo rádio e a televisão. Fariam melhor os institutos se utilizassem seus recursos com mais cautela, porque pega mal ficar depois oscilando como biruta de aeroporto e concluindo que quem mudou foi o volúvel eleitor...

A MESMO PERSONALIDADE

Ninguém se iluda sobre a performance de Joaquim Barbosa na presidência do Supremo Tribunal Federal. Na direção dos trabalhos da corte ele será o mesmo, quer dizer, inflexível, seco e duro como sempre foi. Não terá, é claro, adversários ou desafetos entre seus pares, mas manterá a mesmas características demonstradas desde muito. Até para o intervalo de que gozem os ministros entre as sessões, para o lanche, não deverá admitir delongas. Chá e café com leite deverão ser deglutidos no devido tempo.

domingo, 26 de agosto de 2012

MEU AMIGO PETISTA


“Meu Amigo Petista”

 
Tenho um amigo petista (pessoa incrível e honestíssima), que escreveu sobre o relatório da OIT - Organização Internacional do Trabalho, mostrando que a pobreza no Brasil caiu 36% em 6 anos, e dizendo que deve ter gente mordendo os cotovelos de tanta raiva. Não resisti e respondo publicamente.

 
‘Rir com dente é fácil’.

 
Quero ver agora que o preço das commodities caiu, que o modelo de exploração de petróleo criado pela presidenta prova-se inviável, que a Petrobras não consegue mais segurar a inflação artificialmente baixa, que o pibinho petista não vai sequer chegar a 2%, que o Brasil começa a ser encarado como um país onde é difícil fazer negócio por tanta intervenção e achaques às empresas, que o prazo razoável de fazer as importantes reformas (previdenciária, tributária, fiscal, política…) já venceu, que não houve um mísero progresso nas variáveis que impactam o aumento da produtividade e da competitividade (infraestrutura, educação, ciência e tecnologia), que todos os esforços foram direcionados à anabolização dos números no curto prazo em detrimento da poupança e do investimento no longo, que os sete (eu disse SETE) pacotes lançados nos últimos meses para tentar ressuscitar o paciente moribundo mostraram-se tão patéticos quanto as pessoas que os maquinaram, que as famílias estão endividadas até o talo de tanto estímulo ao consumo, que a arrecadação já dá demonstração de queda (mesmo com o aumento das alíquotas, o que representa perda real em base tributável — ou atividade econômica)…

 
Eu poderia continuar por mais uma semana elencando a sequência de burradas dos governos petistas. E olha que eu nem entrei no mérito moral — aí, é “capivara” mesmo, ficha policial!

Com economia aquecida e uma carga tributária boçal (em ambos sentido: quantidade e qualidade), é fácil ter muito dinheiro para gastar. Distribuir aos pobres parece coisa de gente de bom coração. Renda na mão de pobre vira consumo e consumo conta para o PIB. E, na mão de petista, vira voto na certa.

Mas agora que o dinheiro vai começar a rarear, quero ver onde vai estar o coração dessa gente. Ou vão cravar mais fundo os dentes no setor produtivo da sociedade ou vão ter que escolher o que deixa de receber recursos. Tenho certeza de que o caixa 2 das campanhas eleitorais deles está garantido — até porque este parece ser (por mais surreal que possa parecer) o ÁLIBI dos 36 réus do mensalão.

O fato é que, 10 anos depois, o pobre brasileiro pode ter ficado momentaneamente menos pobre na carteira, mas não se tornou um milímetro mais capaz de enfrentar os desafios do mundo moderno em que o país compete. Basta ver que os analfabetos funcionais das faculdades de gesso do Luladdad chegam a 38% (é inacreditável, mas é verdade).

Acabada a farra da gastança, voltaremos para a mesma estaca em que estávamos antes. Um pouco piores, na verdade, graças aos retrocessos que representam os constantes ataques às instituições da sociedade (a Justiça, a liberdade de imprensa, a independência dos poderes, o que restava de honradez no Congresso, a política externa que deixou de servir à nação para se dobrar a um projeto particular de poder…) e às bases da economia de mercado tão sólidas que os petistas herdaram de seus antecessores mais capazes (a Lei de Responsabilidade Fiscal, o Bolsa Escola — este, sim, carregava uma contrapartida que produzia um efeito positivo no longo prazo em vez de boçalizar a população com esmola–, a autonomia do Banco Central, a confiabilidade dos dados oficiais, o modelo de privatização, o ordenamento jurídico que atraiu o investidor estrangeiro, a estabilidade econômica e de regras, a não-intervenção nos mercados…).

Eu não mordo os cotovelos porque as pessoas estão menos pobres. Mordo de ver que o PT transformou em mais um vôo de galinha a maior oportunidade que o Brasil jamais teve de entrar definitivamente para a elite global. Mordo de ver que gente inteligente como você não consegue perceber a destruição do nosso futuro que está sendo promovida dia após dia por gente que só quer se locupletar e perpetuar seu poder sobre a máquina estatal — cada dia maior e mais nefasta para a economia e, por extensão, à sociedade. Mordo de ver que estamos abandonando as fontes que trouxeram riqueza para este país para nos alinharmos cada dia mais aos membros do Foro de São Paulo — do qual fazem parte o mais abominável ditador do século na América do Sul e o grupo narco-guerrilheiro que ele apóia no país vizinho. Mordo de ver que gente do bem ainda se alinha com os maiores bandidos que já ocuparam o poder central deste país. Mordo de pena. Mordo de tristeza. Mordo de desesperança.
 
Escrito pela Dra. Elizabeth Rondelli, Doutora em Ciências Sociais, professora aposentada das Universidades Federais do Rio de Janeiro e Juiz de Fora:

sábado, 18 de agosto de 2012

O HOSPICIO BRASUCA


Senhoras, senhores, respeitável público, enlouquecemos todos em bloco e ao mesmo tempo. Imaginamos que paira no país um esquema de roubo explícito, fortemente protegido, o mensalão. Chegamos a ouvir vozes gravadas por imaginários aparelhos, em muitos surtos de alucinação auditiva, onde eram confessadas as falcatruas, com roteiro e tudo. Mesmo as raras alucinações visuais, raramente encontradas em esquizofrenias, tivemos.

Deliramos, também, com as cenas filmadas e gravadas pela Polícia Federal, onde centenas de ladrões públicos e privados comentavam sobre operações criminosas retirando bilhões dos bolsos da plebe rude, cujo governo não tem dinheiro nem para honrar os compromissos com seus funcionários, a grande maioria ganhando miséria. E ainda por cima levam a culpa diante da população quando no auge da impotência resolvem apelar para a antipática greve.

Senão, vejamos. Estamos todos em processo de mania de grandeza. O primeiro time organizado que a seleção brasileira enfrentou nas Olimpíadas, ganhou da gente. Mais uma vez o processo maníaco nacional impôs para todos que foi azar de um grupo cujo técnico está para o futebol assim como Sophia Loren está para Zezé Macedo.

Fala sério! Não é mesmo, Bussunda? Um país que fica em 22º lugar no quadro de medalhas, inflamando o delírio coletivo, conseguirá com os parcos tostões arrancados das ferrovias, das rodovias, da saúde... sediar um evento caríssimo e impagável, como a próxima Olimpíada? E de quebra uma Copa do Mundo?

Tragam meu ansiolítico que estou quase acordando. Uma privação de sentidos reluta em reconhecer que o Brasil há muito tempo não é o melhor no futebol, na economia e na democracia. Agora vão mostrar os porões de tortura para onde a esquerda festeira dirige suas paranoicas suspeitas. Pura mentira psicótica. Ninguém é capaz de maltratar, queimar e humilhar pessoas amarradas de cabeça para baixo para obter informações que já sabiam e não serviam para nada.

Tem gente que acredita que houve isso na democrática ditadura, que encontrando o país à beira do abismo afastou os corruptos e subversivos e deu um passo à frente. Essa paranoia tupiniquim chega em surtos a duvidar das amáveis defesas dos advogados que certamente sem cobrar um tostão tentam evitar a injustiça. A verdade é que o único culpado até agora está morto. Não é bacana?

Vamos permanecer em estado de delírio. É mais fácil.

Paulo Bonates

terça-feira, 24 de julho de 2012

PORQUE ME ENVERGONHO DO MEU PAÍS


 Desde que o PT foi entronizado no posto mais alto da República a nação foi se acanalhando. A sucessão de escândalos anestesiou as mentes e poucos se indignam com a imoralidade reinante nos Poderes Constituídos. Os sentimentos populares foram amestrados pela propaganda incessante e o mito do pobre operário foi suficiente para que a corrupção sempre havida alcançasse seu paroxismo sem que nenhum protesto fosse ouvido. Não houve nem partidos, nem instituições, nem grupos de pressão que agissem como oposição ao desgoverno populista, perdulário, enganador.

Lula foi reeleito. Verborrágico como um caudilho latino-americano, debochado como um frequentador de boteco, praticante do autoelogio, ególatra ao extremo, ele conquistou as massas pobres iludidas com bolsas da caridade pública. Atraiu o apoio dos ricos que financiaram suas campanhas e, depois, se refestelaram nos lucros que ele lhes proporcionou. A classe média, especialmente a composta por professores e estudantes universitários, artistas, clérigos da Teologia da Libertação, ou seja, os entusiastas das utopias que prometeram o céu e transformaram a vida em inferno, viram no pelego sindicalista a ansiada personificação do proletário que iria liderar a lutas de classes.

Com Lula lá empunhando seu cetro diante de companheiros e seguidores, o pior da América Latina em termos de governantes se tornou expressivo. E o magnânimo presidente, em detrimento dos interesses brasileiros, facilitou a vida de déspotas travestidos de democratas como Fidel Castro, Hugo Chávez, Evo Morales, Rafael Correa e outros mais. Com tais compadres Lula compartilhou o ódio à liberdade de imprensa, como é também o caso de Cristina Kirchner, sempre adulada pelo petista.

Em todo mundo a política externa lulista seguiu vergonhosamente apoiando os piores tiranos que exercitam aberrante desrespeito aos direitos humanos como, por exemplo, o iraniano Mahmoud Ahmadinejad.

Acontece que Lula da Silva sempre foi um homem de muita sorte, o que é confundido com capacidade. Herdou a herança bendita do Plano Real, surfou durante seus dois mandatos, até 2008, nas águas calmas da economia mundial e ainda logrou eleger sua sucessora, Dilma Rousseff. Esta fiel seguidora do seu criador político imita seus gestos, perpetua seu populismo, não dá um passo sem consultá-lo. Sobre ela também um mito é tecido: é a gerente, a “faxineira”, a economista.

Entretanto, se Lula satisfazia a plateia contando piadas de mau gosto em péssimo português, Rousseff, quando discursa, parece não conseguir ligar um parágrafo com outro se levanta os olhos do papel. Sua linguagem é confusa. Seu pensamento obtuso. Mesmo quando tenta agradar assume uma atitude colérica como se vivesse em perpétua fúria.

Em política externa ele segue, como em tudo mais, as ordens do mestre. Foi assim que, por seu intermédio, em conluio com Cristina Kirchner e aquiescência de José Mujica, o Brasil mais uma vez encenou procedimento vergonhoso, covarde, arbitrário ao suspender o Paraguai do Mercosul por causa do impeachment de Fernando Lugo, um ato legítimo, legal e soberano daquele país.

Esta, sim, foi uma manobra desonesta levada a efeito para introduzir no Mercosul Hugo Chávez, o despótico governante da Venezuela que tentou assumir o poder através de um fracassado golpe. Posteriormente foi eleito, mas, alterando a Constituição a seu-bel prazer tem se perpetuado no cargo desde 1999. Prepara-se agora para nova eleição com pleno apoio e intromissão de Lula na política venezuelana.

Enquanto seguem as lutas do poder pelo poder, sinais preocupantes vão aparecendo na esfera econômica, em que pese o falso otimismo da presidente e de seu ministro da Fazenda, Guido Mantega. A produtividade da economia encolheu pelo segundo ano consecutivo. A Petrobrás estagnou. Segundo O Estado de S. Paulo, “a produção industrial recuou cinco anos e vai cair mais”. “De janeiro a junho o valor das exportações foi de 1,7%, menor do que um ano antes, enquanto o das importações foi 3,7% maior”. Aumenta a inadimplência e a inflação. O reflexo no desemprego será inevitável e já começou acontecer. E o PIB, que agora não tem importância para a presidente, pode ficar abaixo de 2%.

Culpa dos ricos, da crise mundial, dirão Rousseff e Mantega para esconder o próprio fiasco. Será só isso? Segundo o BIS, o Banco Central dos Bancos Centrais: “O caminho escolhido nos últimos anos para promover o crescimento econômico – crédito – se tornou insustentável e pode levar o Brasil ao desastre”.
Por essas e por outras me envergonho do meu país.

Maria Lucia Victor Barbosa

sexta-feira, 6 de julho de 2012

PHODA-SE? O BRASIL

Não há mais dúvida sobre a tentativa indecorosa de Lula em interferir no julgamento do mensalão. O assédio do ex-presidente foi confirmado por alguns outros ministros do Supremo e sua atitude não deveria ser surpresa a ninguém. Em seu primeiro ano de governo, ao ser informado que a Constituição não o permitia expulsar do país um jornalista norte-americano que relatou seu apreço pelo álcool, Lula exclamou: “foda-se a Constituição”.

Essa expressão foi a que regeu seus dois governos, aliás, foi a regente de sua vida. “Foda-se”. Já comentei antes com vocês e sempre volto nesse tema. Lula não tem noção de moral ou de ética simplesmente por não ter sido programado para isso. Lula não recebeu referência desses conceitos básicos.

Para Lula, transgredir regras é “driblar o destino”, é “se dar bem”, “ser esperto”. Há tempos que me convenci que Luiz Inácio é um salafrário congênito. Foi programado desde antes da concepção para ser um delinqüente. Para sua família, achado nunca foi roubado. E o produto de um roubo, se usado para fins eleitos pela família como nobres, é perdoado e exaltado.

O livro com a biografia de Lula, apesar de romancear passagens de sua vida, revela o ambiente delinqüente e sem parâmetros de moralidade em que Lula se criou, onde o roubo e o desvio de conduta eram encarados como sorte, como uma esperteza ou malandragem a ser utilizada como um drible à pobreza. Não há em sua programação princípios fundamentais como o respeito ao próximo.

Lula é uma massa amorfa moldada pelo que há de pior no ser humano. E seus dois governos foram assim. Por ignorância, má fé ou simplesmente por amoralidade, tentou desestabilizar todas as Instituições democráticas. De Agências Reguladoras, Congresso Nacional e Justiça, seu governo tentou desmoralizar, infelizmente com algum êxito, é verdade.

Lula não driblou seu destino, como gosta de afirmar sua malta. Ele forjou uma vida se apossando do que não é dele. Foi programado para isso: para não ter caráter e “foda-se” o resto.

Adriana Vandoni

sexta-feira, 29 de junho de 2012

A LEVIANA DIPLOMACIA DO ESPETÁCULO


 Poucas vezes a diplomacia brasileira meteu-se numa estudantada semelhante à truculenta intervenção nos assuntos internos do Paraguai. O presidente Fernando Lugo foi impedido por 39 votos a 4, num ato soberano do Senado.

Nenhum soldado foi à rua, nenhuma linha de noticiário foi censurada, o ex-bispo promíscuo aceitou o resultado, continua vivendo na sua casa de Assunção e foi substituído pelo vice-presidente, seu companheiro de chapa.

Nada a ver com o golpe hondurenho de 2009, durante o qual o presidente Zelaya foi embarcado para o exílio no meio da noite.

Quando começou a crise que levou ao impedimento de Lugo, a diplomacia de eventos da doutora Dilma estava ocupada com a cenografia da Rio+20.

Pode-se supor que a embaixada brasileira em Assunção houvesse alertado Brasília para a gravidade da crise, mas foi a inquietação da presidente argentina Cristina Kirchner que mobilizou o Brasil.

A doutora achou conveniente mobilizar os chanceleres da Unasul, uma entidade ectoplásmica, filha da fantasia do multilateralismo que encanta o chanceler Antonio Patriota.

As relações do Brasil com o Paraguai não podem ser regidas por critérios multilaterais. Foi no mano a mano que o presidente Fernando Henrique Cardoso impediu um golpe contra o presidente Juan Carlos Wasmosy em 1996. Fez isso sem espetacularização da crise. A decisão de excluir o Paraguai da reunião do Mercosul é prepotente e inútil. Quando se vê que o presidente Hugo Chávez, da Venezuela, cortou o fornecimento de petróleo ao Paraguai e que a Argentina foi além nas suas sanções, percebe-se quem está a reboque de quem.

Multilateralismo no qual cada um faz o que quer é novidade. Existe uma coisa chamada Mercosul, banem o Paraguai, mas querem incluir nele a Venezuela, que não está na região e muito menos é exemplo de democracia.

Baniu-se o Paraguai porque Lugo foi submetido a um rito sumário. O impedimento seguiu o rito constitucional. Ao novo governo paraguaio não foi dada nem sequer a palavra na reunião que decidiu o banimento.

Lugo aceitou a decisão do Congresso e agora diz que liderará uma oposição baseada na mobilização dos movimentos sociais. Direito dele, mas se o Brasil se associa a esse tipo de política, transforma suas relações diplomáticas numa espécie de Cúpula dos Povos. Vai todo mundo para o aterro do Flamengo, organiza-se um grande evento, não dá em nada, mas reconheça-se que se fez um bonito espetáculo.

O multilateralismo da diplomacia da doutora Dilma é uma perigosa parolagem. Quando ela se aborreceu, com razão, porque um burocrata da Organização dos Estados Americanos condenou as obras da hidrelétrica de Belo Monte, simplesmente retirou do foro o embaixador brasileiro. A OEA é uma irrelevância, mas para quem gosta de multilateralismo, merece respeito.

A diplomacia brasileira teve um ataque de nervos na bacia do Prata. O multilateralismo que instrui a estudantada em defesa de Lugo é típico de uma política externa biruta. O chanceler Antonio Patriota poderia ter se reunido com o então vice-presidente paraguaio Federico Franco 20 vezes, mas se a Argentina queria tomar medidas mais duras, ele não deveria ter ido para uma reunião conjunta, arriscando-se ao papel de adorno.

Elio Gaspari