domingo, 3 de novembro de 2013

AMANHÃ, SEREMOS UMA ARGENTINA?

Por Ciro Bondesan dos Santos*
(Amanhã, seremos uma Argentina?)
Diz-se que o estudo da historia serve para sabermos o que aconteceu para entendermos o presente e para planejarmos o futuro. Assim, não precisamos ir longe, e basta estudar apenas os primeiros anos deste século.
Hoje, o pais mais estável do mundo é a Alemanha. Por que?
O PT de lá (a esquerda), após fazer uma analise criteriosa da economia mundial, revelou que seus pares do Ocidente estavam se "dobrando" à China e aos produtos chineses, e que a sua Alemanha também ia se tornando um pais inviável e com muito desemprego, só ultrapassada, na Europa, pela Polônia e Eslováquia.
Assim, algo tinha que ser feito imediatamente.
Em 2003, o governo Gerhard Schröder adotou, em pleno acordo com sindicatos, as empresas e o governo, a medida de decretar o congelamento do salário no país. Tal pacote foi chamado de NULLRUNDE e culminou com a Agenda 2010 de Angela Merkel, na qual ela (de 'direita') adotava a carga semanal de horas trabalhadas, facilitando contratações, e aprovou uma reforma previdenciária na qual, hoje, o alemão só se aposenta com 67 anos de idade, além de ser removida uma série de feriados.
Com estas medidas sendo mantidas e efetivamente estarem em vigor até hoje nem precisou esperar os 10 anos calculados para que a Alemanha atingisse o que é hoje. Ou seja, a esquerda começou o 'serviço sujo' que a direita continuou.
Aqui, no Brasil, a direita fez o serviço difícil e a esquerda (até a saída de Antônio Palocci em 2006) continuou. Infelizmente, após a saída de Palocci, o populismo do tipo peronista, que desgraça a Argentina, começou a tomar corpo.
Dessa forma, visando o continuísmo no poder (do tipo do que ocorreu no México e que durou quase 70 anos, o chamado PRIismo), o Brasil está numa encruzilhada: ou seus políticos assumem uma atitude de amor a Pátria ou, então, de amor ao Poder, conformando-se, em troca disso, seguirem com o país sem crescimento, sem justiça, sem saúde, sem transporte, sem segurança pública, com apagões recordes a serem batidos ou não, com aumento vertiginoso da criminalidade, de mortes no transito (1º lugar no mundo), do favorecimento a cada município com incentivos governamentais e de leis que os estimulem a ter, cada um, a sua própria Cracolândia. Também será incentivada a construção de penitenciárias municipais de modo que cada município tenha o seu próprio "depósito de presos", uma vez que a simples cadeia não comporta a quantidade de foras da lei.
Outra coisa, vemos a retomada de crescimento nos USA (resultado de uma lida árdua de aumento de tecnologia na matriz energética, com o gás americano custando US$ 3,50 o m3, enquanto o europeu sai entre 10 a 12 dólares e o nosso, para que possamos manter o nosso grande amigo Evo Morales – que nos respeita muito –, nas mãos da estatal PETROBRÁS custará ao otário do consumidor tupiniquim a merreca US$ 18,00 o m3, fato esse que já fez com que o motorista brasileiro praticamente parasse de usar GNV.
A União Europeia investe maciçamente em energia renovável (eólica na Europa, atômica na Inglaterra, bioenergia, etc.).
Será que, assim, quando o 'Pré-Sial' estiver produzindo, o petróleo custará mais ou menos 80 dólares o barril, ou seja, haverá realmente rentabilidade ou não no 'Pré-Sial'?
Toda a população e o Governo se rejubilaram, mas será que estão certos? Se, no século passado, se dizia que mexer no petróleo do Oriente era coisa que os USA não deixariam, hoje, os americanos não fazem mais o mesmo esforço e nenhuma empresa americana foi a leilão. Mas, há indícios de que algo não vai bem.
Enfim, todos dizem que o que acontece na Argentina, hoje, vai acontecer aqui amanhã. Mascararam os balanços, fraudam as estatísticas, e aqui estamos a começar a esconder a inflação real, estamos a vê-la de avolumando firme, uma vez que o que está a segurar o "DRAGÃO INFLACIONÁRIO são os preços manejados pelo governo, (energia, água, etc., todos inflados de impostos) com uma inflação mantida, assim, em torno de 3% ao passo que os preços livres sofrem aumentos que variam entre 8 e 19%, dando um índice médio entre 5 e 6 %.
Pergunta-se então, quando esses preços forem soltos desse controle estatal, como a gasolina e o diesel, para onde iremos todos nós? A Petrobrás esta à beira da falência e as nossas leis (vindas de um Congresso que não trabalha com a cabeça, mas com o bolso dos congressistas, dificultando a vida de um brasileiro que não pode ser julgado sem ter milhares de provas concretas, a ver o dinheiro sumir criminalmente levado por pessoas inteligentíssimas que não deixam rastros e, como não deixam provas, in dúbia pro réu, acaba por prejudicar toda a sociedade.
Mas que o dinheiro tem sumido, lá isso tem, e aos borbotões. Assim, se uma pessoa incendeia um ônibus, é condenada, cumpre uma parte pequena da pena e é solto "em regime semiaberto", um eufemismo para a impunidade. Nem pensar em fazê-lo pagar o prejuízo que causou ou, muito menos, devolver ao erário o dinheiro surrupiado ao povo pagador de impostos.
Na Europa, o meliante de "colarinho branco", que não rouba para comer, mas para enriquecer de modo fraudulento e covarde, é obrigado a ressarcir o prejuízo durante anos de trabalho e reeducação, pagando principalmente ao governo. Na China, se o réu é fuzilado, a família tem que pagar até a bala que o matou.
A Justiça é lenta e, assim sendo, dá enorme prejuízo a todos, à sociedade e até ao réu. Apreendem-se carros irregulares e roubados e estes são deixados nos pátios até virarem sucatas inúteis corroídas pela ferrugem.
A Transbrasil foi à falência e, ao invés de se julgar logo o seu processo, digamos, em no máximo um ano, apreenderam no Aeroporto de Brasília uma série de seus aviões B-767, que valiam de 20 a 40 milhões de reais cada, se leiloados, o que dariam para pagar os funcionários e os impostos devidos pela empresa falida. Mas, como o processo de falência dessa empresa só foi julgado 13 anos depois e estes aviões viraram sucatas, o que se pode apurar da venda deles, mal chegou a 140 mil reais cada.
Perdeu-se, destarte, muito dinheiro lesando todos os interessados na distribuição da justiça. Será que é essa mesma justiça que finge ser justa ou serão as nossas leis que são ineficientes demais?
Não é à toa que, no exterior, tendo em vista que o nosso comércio exterior é 30 a 40 % feito com a União Europeia e com os USA, nosso governo considere, no entanto, Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador, Argentina, Irã, etc., como nossos 'melhores amigos', mesmo que os citados não nos tragam lucro algum e somente 'despesas'... As melhores piadas são sempre feitas a partir de absurdos como esses.
Quantos anos a Venezuela levou para tornar-se uma espécie de Cuba ampliada?
Quantos anos a Bolívia e a Argentina levaram para virarem nações como a Venezuela? E então, quantos anos levará o Brasil para se tornar uma Argentina?
O PT e os sindicatos abreviarão ao máximo este período ou serão minimamente patriotas para impedir que tal retrocesso ocorra?
*Ex-professor da USP – Engenheiro e economista

COMO BARRAR A CORRUPÇÃO, UMA BOA IDÉIA

Sem alarde, Observatórios Sociais se alastram por cidades médias e pequenas do Brasil, monitorando editais de licitação de forma sistemática, antevendo fraudes e garantindo vultosa economia para os cofres municipais. E agora querem pôr o pé nas principais metrópoles do país

Daniel Jelin
Corrupção mãos dinheiro
Fiscalização sistemática previne a corrupção e eleva o debate sobre a qualidade dos gastos públicos (iStock)
Há dois caminhos para combater a corrupção. Um deles é o de punir os malfeitos — e todos sabem como é difícil obter condenações no Brasil, e mais ainda reaver os valores desviados. O outro caminho é o da prevenção, o de se antecipar aos corruptos. É a isso que se dedica o Observatório Social do Brasil (OSB), uma rede de ONGs que se alastrou por 14 estados. O ponto de partida é a constatação de que boa parte das fraudes pode ser adivinhada nas entrelinhas das licitações. Basta ter acesso à papelada, o olho treinado e (muita) paciência para desenredar suas tramas. O mesmo método evita que erros que não envolvem má fé, mas saem caro para o contribuinte, sejam cometidos. Em 2012, a OSB conseguiu impedir que 305 milhões de reais escoassem dos cofres municipais.
A ideia nasceu em Maringá, no Paraná, na esteira de um escândalo de corrupção que estourou na gestão do prefeito Jairo de Moraes Gianoto, tendo por pivô seu secretário de Fazenda, Luiz Antonio Paolicchi. Gianoto se afastou do cargo em 2000, perdeu a reeleição e se retirou da política — e da cidade. Em 2006, foi condenado a 14 anos de prisão por desvio de verbas públicas, sonegação e formação de quadrilha. Em 2010, em nova sentença condenatória, a Justiça cobrou o ressarcimento de estratosféricos 500 milhões de reais em ação por improbidade administrativa. Gianoto recorre em liberdade. Paolicchi foi assassinado em 2011.
Enquanto os processos se arrastavam na Justiça, um grupo de moradores indignados resolveu, em vez de vandalizar as lojas da cidade ou incendiar caminhões, organizar um sistema de fiscalização do poder público que prevenisse futuras tramoias. O marco zero é 2005. Naquele ano, a prefeitura lançou um edital para a compra de 2.918.000 comprimidos para dor de cabeça. Na licitação, foi fixado o valor de 0,009 centavos por drágea. Na hora do empenho, "esqueceram" um zero, e o preço saiu por 0,09. Esse singelo "descuido" teria então o efeito de multiplicar por dez o gasto total (de 26.262 mil reais para 262.620 mil reais). Revelada a trapalhada, o processo foi suspenso.
A experiência em Maringá deu tão certo que começou a ser reproduzida por outras cidades. Com o tempo, ganhou um amplo leque de apoios institucionais: Ministério Público, OAB, Federações da Indústria e do Comércio, Receita Federal, Tribunais de Contas, universidades e, principalmente, as Associações Comerciais, que abrigam 70% dos Observatórios Sociais (OS). Atualmente, 77 municípios contam com seus próprios observatórios. Na próxima segunda-feira, Curitiba sedia o quarto encontro nacional, para que as boas práticas de cada unidade sejam compartilhadas pelas demais.
Divulgação
Ater Cristofoli, presidente do OSB: "O grande negócio está na prevenção"
"Depois que roubam..." – O empresário Ater Cristofoli, de 49 anos, dirigiu a primeira réplica do Observatório, em Campo Mourão, no interior do Paraná, onde nasceu e hoje mantém fábricas, uma fundação, escola técnica e incubadora. "A gente se tocou que, enquanto fazia rifa, vendia jantar e colhia doações para ajudar a Santa Casa, o Lar dos Velhinhos ou a APAE, milhares de reais eram jogados fora em compras mal feitas ou desvios", diz. "E o grande negócio está na prevenção. Depois que roubam... aí esquece." Com a entrada em cena do Observatório Social, os custos com material escolar caíram para um terço, e o gasto com medicamentos, pela metade. Cristofoli hoje está à frente da organização nacional dos Observatórios Sociais, e seu objetivo é acelerar a irradiação da franquia.
Basicamente, os Observatórios Sociais funcionam assim: um punhado de técnicos, voluntários e estagiários debruça-se sobre os editais das principais modalidades de licitação (concorrência, convite, tomada de preços e pregões), com especial atenção aos casos em que o governo a descarta (inexigibilidade ou dispensa de licitação); encontrada uma suspeita, a secretaria ou a prefeitura é formalmente notificada; não havendo providências, o caso é reportado aos vereadores (que têm, a propósito, o dever constitucional de fiscalizar a administração municipal); se nada funcionar, recorre-se então ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas. "Mas em geral você liquida o caso logo na primeira etapa", conta Cristofoli. "É muita exposição. Quando a gente pega uma irregularidade, é que está muito evidente."
O roteiro básico dos Observatórios Sociais se completa com a divulgação dos editais, para aumentar a concorrência, a presença nos pregões, para apontar os lances suspeitos, e o acompanhamento das entregas, para garantir que os contratos sejam efetivamente cumpridos. "O efeito psicológico é muito grande", diz José Roberto de Jesus, do OS de Rolim de Moura (RO). A entidade entrou em operação em 2009, seguindo um roteiro comum: antes de abrir as portas, azeitou o trânsito com o Ministério Público e arrancou, na campanha municipal de 2008, o compromisso público dos candidatos com a iniciativa. Já no primeiro ano, a cidade conseguiu reduzir o custo de várias compras: cálices de plástico baixaram de 12,90 reais em 2008 para 1,05 a unidade; anticoagulante, de 47 reais para 17,50 reais; papel para impressora, de 15 reais para 1,92 reais.
Metrópoles no alvo – A economia para os cofres públicos vai bem além das miudezas. A partir da análise de 378 licitações, Itajaí (Santa Catarina) conseguiu salvar do desperdício ou da corrupção 29 milhões de reais em 2012. Em São José (também em SC), a revogação de um único edital — para exploração do serviço de estacionamento rotativo — evitou desembolsos que somariam 15 milhões de reais ao longo de dez anos. "O grau de confiança dos observatórios é muito grande. Eles têm conhecimento técnico para verificar os documentos", diz o promotor Davi do Espírito Santo, coordenador do Centro de Apoio Operacional da Moralidade Administrativa. Em 2013, o MP de Santa Catarina formalizou uma parceria com OSs do estado. São duas frentes. Por uma delas, os OS vão ajudar a verificar se as administrações municipais estão cumprindo a lei de acesso de informação efetivamente. Na outra frente, as ONGs farão chegar aos promotores as denúncias de editais viciados.
Segundo Espírito Santo, uma das razões da credibilidade dos observatórios é seu caráter técnico. "Não são denúncias movidas por partidarismo ou vingança", diz. Para manter este perfil, os observatórios não aceitam militantes entre seus 1.500 voluntários nem funcionários dos órgãos que eventualmente serão fiscalizados. "O foco é a gestão, não o prefeito", diz Roberto de Jesus.
Esta neutralidade política tem se mostrado um empecilho para a implantação dos Observatórios Sociais nas grandes metrópoles, onde a agenda dos partidos, governo e oposição exerce maior influência sobre as entidades que costumam prestar auxílio aos escritórios. "Nas cidades de pequeno ou médio porte, a experiência tem funcionado muito bem. Mas ainda não sabemos lidar com cidade grande", admite Cristofoli.
Em São Paulo, a iniciativa está sendo gestada com apoio do sindicato dos auditores-fiscais da Receita Federal. Para além da questão política, Luiz Fuchs, vice-presidente do Sindifisco em São Paulo, aponta o tamanho da cidade como o principal desafio. Por exemplo: o orçamento da cidade aprovado para 2013 foi de 42,1 bilhões, quase cinquenta vezes o de Maringá, de 870 milhões. Fuchs explica que ainda está em estudo a melhor estratégia para enfrentar as contas municipais, se por região ou subprefeitura, por exemplo.
Má gestão – O monitoramento sistemático das contas eleva o debate sobre a qualidade do gasto público. Em junho de 2013, por exemplo, a Câmara de Ponta Grossa licitou a compra de sete veículos. Exigências: freio a disco nas quatro rodas, faróis de neblina, vidros elétricos nas quatro portas, aparelho de MP3 e câmbio automático. Total orçado: 311.184,60 reais. Os números vieram a público, e pipocaram as críticas. Os vereadores então baixaram as exigências, e o custo final da compra saiu por 198.800 reais, uma economia de 112.384,60 reais.
Às vezes nem se trata de corrupção. É má gestão, mesmo. Depois dos casos dos comprimidos, os maringaenses descobriram, por exemplo, que a cidade mantinha estocados cadernos de desenho em quantidade suficiente para os próximos 24 anos, carbono preto para 62 anos e pincéis marcadores para 133 anos. Em resposta à revelação desses e de outros absurdos, a prefeitura promoveu a organização de um almoxarifado central e a informatização do controle de estoques. "Hoje temos uma execução orçamentária mais racional", diz a presidente do Observatório Social de Maringá, Fábia dos Santos Sacco. "Não está perfeito. Mas avançamos bastante."
Fonte: Revista Veja

INDICADA PELO MST, EX-ASSENTADA HOJE É MÉDICA EM CUBA

Indicada pelo Movimento dos Sem-Terra (MST), Sheila deixou um assentamento de Apiacá, no Estado, para cursar faculdade em Cuba


Sheila Ramos Vieira, 25 anos, torce para que o tempo passe depressa e ela possa concluir logo o maior projeto da sua vida. Há seis anos, Sheila deixou o Assentamento Santa Fé, em Apiacá, no Sul do Espírito Santo, para cursar Medicina na Escola Latino Americana de Medicina (Elam), em Cuba, onde sua formatura acontecerá em agosto de 2014. Sheila é filha de Maria Ramos Vieira, 46, coordenadora do assentamento e ligada ao Movimento Sem terra (MST). A mãe fala com orgulho da jovem – a mais velha dos seus quatro filhos –, a primeira a conquistar um diploma de curso superior na família. Por telefone, Sheila contou para A GAZETA como é sua vida na ilha de Fidel e sobre sua expectativa de voltar ao Brasil para exercer aqui sua carreira.


Foto: Arquivo Pessoal
Arquivo Pessoal
Sheila admite que sua vida em Cuba a fez compreender a ideologia do país e a ver que há razão no que o governo cubano pratica



Quando você foi para Cuba?
Deixei o Brasil quando estava com 19 anos de idade. Cinco pessoas do Espírito Santo estavam no mesmo grupo. Eu era de Apiacá, e as outras eram de São Mateus, de Linhares e de Vitória.

Todas foram estudar Medicina?
Sim, todas tinham esse objetivo. Naquela época, ao todo, vieram do Brasil 280 estudantes, todos para fazer o mesmo curso. Só alguns – não sei dizer quantos – desistiram.

De que forma essas pessoas foram indicadas?
Um desses capixabas que viajaram comigo é ligado ao Movimento de Pequenos Agricultores (MPA); um é ligado ao Partido dos Trabalhadores (PT), o outros a prefeituras – não lembro bem. Eu vim por minha ligação com o Movimento dos Sem Terra (MST).

E você. Como foi sua indicação?
Fiquei sabendo de três companheiras do MST do Espírito Santo que estavam estudando em Cuba, e como eu era da área da Saúde, no movimento, tinha esse sonho também. Quando surgiu a vaga, o pessoal do setor de Saúde perguntou se eu queria, eu disse: “Claro que sim!”. Uma das capixabas que estudavam em Cuba, quando eu vim, fez o processo de revalidação do diploma para o Mato Grosso, a outra foi para o Ceará, mas a terceira não sei hoje onde está.

Você era militante?
Minha família e eu, há muitos anos, somos ligados ao MST, que tem vários setores. Eu atuava do setor da saúde. Quando o governo cubano ofereceu a bolsa de estudos, o MST do Espírito Santo me indicou. Então, a Embaixada de Cuba fez uma seleção, com entrevista e aplicação de prova de conhecimentos gerais.

Como foi sua formação estudantil?
Fiz o ensino médio em Apiacá, no Espírito Santo, em escola pública. Mas em Cuba, durante um ano fiz um curso com aulas de Física, Química, Biologia e Espanhol, como se fosse um pré-vestibular para o curso de Medicina, que tem seis anos de duração.

Foi difícil a sua adaptação aos estudos?
No início, foi difícil. Não dominava o idioma, não conhecia ninguém. A adaptação longe da família, sabendo que tinha mais seis anos pela frente, não foi mesmo fácil.

Você se sentia preparada, com o seu nível de conhecimento?
Cursei ensinos fundamental e médio em Apiacá, e a gente sabe que a escola pública no Brasil não dá muita base para o os alunos. Imagine, então, a dificuldade que é para alguém como eu entrar numa faculdade de Medicina. A salvação em Cuba foi o cursinho preparatório que eu fiz.

E como foi e ainda é o nível de cobrança na faculdade cubana?
Em Cuba eles são muito exigentes. Na faculdade, se você não faz bem alguma coisa é chamado a atenção, é cobrado. E estar longe da família – eu só pude ir ao Brasil a cada dois anos – é muito sofrido. Houve dia em que até chorei.

O que você planeja fazer após se formar?
Se eu quisesse – embora hoje não seja fácil conseguir –, poderia ficar em Cuba por mais dois anos, além da graduação, fazendo o curso de MGI, que no Brasil se chama Saúde da Família. Mas eu quero mesmo é voltar para o meu país.

E, no Brasil, você vai buscar atuar no Programa Mais Médicos?
Quero sim. Vai ser preciso obter o número do registro. Não sei se as pessoas sabem, mas a prova piloto aplicada no Brasil é muito difícil. Alguns médicos já disseram que essa prova tem nível alto, de uma residência médica. Eu sei que vou ter que batalhar muito, que terei que me empenhar para conseguir. Mas vou tentar, com certeza.

Como é o curso de Medicina em Cuba, em comparação com o Brasil?
Há algumas diferenças entre os dois. Em Cuba, não recebemos formação em algumas patologias, nas áreas de epidemiologia e infectologia. Enfermidades como cólera, hanseníase, malária, pelo avanço da Medicina aqui, muito raramente, aparecem. Acontece, às vezes, mas por causa da vinda de turistas. Então a gente não aprende sobre essas doenças. O forte em Cuba é a prevenção, é a atenção básica. Um Acidente Vascular Cerebral (AVC), por exemplo, pode ser evitado se há cuidados preventivos.

Quando será sua formatura? Sua família irá?
Vou terminar meu curso e me formar em agosto de 2014. Mas acho que ninguém da minha família vai poder vir a Cuba para participar da formatura.

Como é o seu dia a dia em Havana?
Também por ter que morar longe da minha família, do meu país, me dedico muito mais aos estudos, em Cuba. Estou no sexto ano de Medicina, e a minha rotina é a seguinte: vou bem cedinho para o hospital, volto para casa às quatro horas da tarde, e, uma vez por semana, faço um plantão de 24 horas. E, durante o tempo livre que a gente tem, é preciso estudar, porque temos que nos preparar para seminários na faculdade.

Como você vive?
Vivo numa residência com outros estudantes de Medicina, pessoas de várias nacionalidades. Há muito mais latino-americanos no grupo. São porto-riquenhos, peruanos, guatemaltecos. Tem também argentino, paraguaio, venezuelano. O governo cubano dá a residência, alimentação. A faculdade empresta os livros. Após conclusão de uma disciplina, devolvemos para um colega estudar.

Como você avalia a sua formação?
O governo cubano quer formar médicos humanistas, que atendam os pacientes com sensibilidade, o que não acontece na maioria dos países, onde os médicos são um pouco arrogantes, não estão muito preocupados com as pessoas. É essa a minha formação: humanista.

Você estará preparada para, no Brasil, atuar num pronto-socorro, fazer um parto?
Em Cuba aprende-se de tudo um pouco. O profissional tem condições de diagnosticar o que o paciente tem para, depois, ser tomada outra medida. Eu, no sexto ano, estou revendo cirurgia, ginecologia e obstetrícia, MGI, medina interna, que é a clínica geral, no Brasil. E estou sim, sendo preparada em Cuba para fazer um parto, atuar em certas emergências cirúrgicas.

Como é viver e trabalhar num país com restrição? Como você se informa?
A gente só pode usar a intranet, para fazer pesquisa, estudar. Recebo e mando e-mails para a minha família, mas não tenho acesso a informações pela internet, não acesso redes sociais. Também posso falar com minha família, no Brasil, pelo telefone. É que com o bloqueio econômico dos Estados Unidos, em Cuba só alguns lugares têm internet, entende?

Que informações você obteve sobre a receptividade dos médicos cubanos no Brasil?
Ouvi dizer que no Sul do Brasil eles foram bem recebidos – acho que no Rio Grande do Sul –, mas que em outro Estado, Pernambuco ou Ceará, foram vaiados por médicos brasileiros no aeroporto. Parece que uma pessoa chamou um doutor cubano de escravo. Não sei se porque ele era negro ou sobre o que a mídia informou sobre eles.

A informação é que médicos recebem em torno de R$ 70 mensais em Cuba.
É mais ou menos isso que os médicos recebem por mês. Mas é que o custo de vida é bem menor do que no Brasil, e a situação econômica cubana é difícil. A remuneração é de acordo com a condição do país.

Você está pronta para enfrentar desafios? Trabalhar em áreas distantes, carentes?
Voltando para o Brasil, estou disposta a trabalhar em qualquer lugar. Nossa, já passei tanta dificuldade na minha vida, que trabalhar numa comunidade muito carente não vai ser nada complicado.

Como foi sua infância. Você sonhava ser médica?
Sempre pensei em estudar, em ser uma médica, mas, ao mesmo tempo, achava que não seria possível, que era algo muito distante da minha realidade. Nasci no Assentamento Georgina, em São Mateus, no Espírito Santo. Não dava para sonhar muito naquela situação. No Brasil, com certeza, seria muito difícil para mim fazer um curso de Medicina. Mesmo que eu passasse no vestibular, não teria como comprar livros, pagar moradia, me manter. Minha infância e adolescência foram muito pobres.

Além de acadêmica, sua formação envolve também orientação político-ideológica?
A gente, na convivência, acaba entendendo a ideologia cubana. Olha, essa é uma questão diária de quem está no país. Não há como não aprender. Você começa a compreender as coisas, a ver que há muita razão, que o que o governo prega está certo.

O que trará na “bagagem” para divulgar?
Acho que vai valer a pena contar para as pessoas o que considero positivo. Por exemplo: em Cuba não tem analfabeto, as pessoas têm direito à saúde – são atendidas quando precisam. E também têm direito de fazer uma faculdade.

Mas não há unanimidade do povo cubano em relação ao regime.
Todo ser humano é ambicioso, e em Cuba, embora a maioria compreenda o sistema, algumas pessoas não conseguem compreender. Querem sair, trabalhar em outros países.

Você é ambiciosa? Quais são seus desejos?
Não me acho ambiciosa. Meu sonho, além de trabalhar na minha profissão, é ter uma vida melhor do que eu tinha antes, no Brasil. Tenho vontade de ter uma casa melhor, garantir uma vida melhor para a minha família. Mas não tenho ambição de ter vários bens
Cláudia Feliz - A Gazeta

CUBA: O PAÍS ONDE É PROIBIDO PROSPERAR


Agência de correios com imagem de Che Guevara, em Camaguey

Correios com imagem de CHE GUEVARA

Idosa em venda estatal de alimentos, em Camaguey

Idosa em loja estatal de alimentos

Interior de caminhão usado como ônibus, na província de Camaguey

Interior de caminhão usado como ônibus

Obras de saneamento básico, em Camaguey

Obras de saneamento básico

Pescadores no Malecón, em Havana. Eles são proibidos de vender o peixe

Pescadores em Havana, é proibido vender os peixes.

Padaria no centro de Havana

Padaria no centro de Havana

Cocotáxis de Havana. Os veículos são puxados por uma moto e os motoristas são funcionários estatais 

Cocotáxis, veículos puxados por moto, os condutores são funcionários do Governo

Mulheres aguardam abertura de loja estatal em promoção, em Camaguey

Mulheres aguardam abertura de lojas em promoção.
Veículo abandonado em rua de Havana. Peças de reposição são uma raridade

Veículo abandonado nas ruas de Havana, peças de reposição são raridades.

 Lanchonete na cidade Camaguey. “Rico”, em espanhol, significa gostoso

Lanchonete, Rico significa gostoso.

Estudantes em rua de Camaguey

Estudantes em rua de Camaguey

Desde 2006, quando o ditador Fidel Castro transferiu a presidência de Cuba para o seu irmão, o general Raúl Castro, o governo vem anunciando o que chama de reformas com o intuito de "atualizar o regime socialista". Com a queda do Muro de Berlim, em 1989, e o esfacelamento da União Soviética e dos regimes do Leste Europeu, no início da década de 90, restaram no planeta apenas dois países com esse sistema político e econômico: Cuba e Coreia do Norte. Ao alardear "reformas", o regime cubano passa a impressão de que está preparando o país para uma transição gradual para um modelo inspirado na China ou no Vietnã, que do comunismo mantiveram apenas a ditadura, mas se abriram para a economia de mercado. Amargo engano. A reportagem de VEJA esteve durante oito dias em Havana e em Camaguey, cidade com 320 000 habitantes, para avaliar o efeito das mudanças anunciadas nos últimos sete anos. Entre conversas com fazendeiros, pescadores, médicos, barbeiros e dissidentes, a conclusão é que, a despeito da ajuda de países como Venezuela, China, Canadá e Brasil, a vida ficou mais difícil. O Estado, dominado pelos militares, mantém o controle de todas as atividades relevantes. A perseguição política não foi aliviada. Apenas mudou sua natureza. Se antes era realizada buscando algum suporte na lei, agora se dá de forma clandestina, com milícias governistas reprimindo os opositores. Por fim, a população continua impedida de progredir. Aos olhos do regime castrista, a concentração da propriedade contradiz a essência do socialismo e jamais será permitida. "A China precisou de apenas cinco anos para liberar o capitalismo de maneira irrevogável", diz o economista Rafael Romeu, da Associação para o Estudo da Economia Cubana, em Washington. "Raúl Castro completou sete anos no poder e a economia continua na mesma."

Fonte: Revista Veja

INSTITUTO FUTURA, NO ESP.SANTO CASAGRANDE GANHARIA NO 1º TURNO, MAS ...

Em segundo aparece Magno Malta, com 21,05%. Se Paulo Hartung entrar na disputa, o cenário muda


A 11 meses das eleições, o governador Renato Casagrande (PSB) lidera a corrida para o Palácio Anchieta, de acordo com pesquisa do Instituto Futura. Ele tem 46,6% das intenções de voto na simulação estimulada – quando uma lista de candidatos é apresentada ao entrevistado –, à frente dos senadores Magno Malta (PR) e Ricardo Ferraço (PMDB), respectivamente com 21,5% e 14,1%. Nesse cenário, se a eleição fosse hoje Casagrande seria reeleito no primeiro turno.

A disputa ao governo poderá ficar mais acirrada, caso o PMDB opte pelo ex-governador Paulo Hartung em vez do senador Ricardo Ferraço como candidato à sucessão do governador Renato Casagrande (PSB). A entrada de Hartung pode levar a disputa para o Palácio Anchieta para o segundo turno, conforme pesquisa do Instituto Futura.

Nesse cenário estimulado, Casagrande aparece com 36% e o ex-governador tem 30,9%.

Ainda sem apresentar sua decisão sobre a disputa eleitoral do ano que vem, o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) lidera com folga a corrida pela vaga do Senado, hoje ocupada pela senadora Ana Rita (PT). De acordo com a pesquisa do Instituto Futura, Hartung tem 59,6% das intenções de voto na estimulada.

O segundo lugar no levantamento está o ex-prefeito de Vitória João Coser (PT), com 13,5% – 46,1 pontos percentuais atrás do ex-governador. Recém-filiado ao PR e cotado para a sua primeira disputa eleitoral, o delegado de Trânsito Fabiano Contarato vem depois do petista, com 10,2%.

Um segundo cenário também foi apresentado aos entrevistados, no qual Hartung foi substituído pela deputada federal Rose de Freitas (PMDB), a qual já se colocou à disposição do partido para concorrer ao Senado. Nessa simulação, há um empate técnico no primeiro lugar: Rose tem 22,9% e Coser, 22,2%. Contarato aparece em seguida, com 16,8%.

Sem realizar nenhuma visita ao Espírito Santo desde que assumiu o cargo, em janeiro de 2011, a presidente Dilma Rousseff (PT) aparece em primeiro lugar em todas as simulações da pesquisa do Instituto Futura sobre a sucessão presidencial. Mas a disputa aperta quando a ex-senadora Marina Silva é o nome do PSB para presidente da República.

No cenário em que Marina é a opção socialista, Dilma tem 29,5% e a ex-senadora, 27,6%. Isso representa um empate técnico, já que a margem de erro é de 3,5 pontos percentuais para mais ou para menos. O senador Aécio Neves (PSDB) tem 18,8% nessa simulação estimulada.

No cenário em que Marina é substituída pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), a vantagem de Dilma cresce: 32,5%, contra 20,6% do tucano e 12,2% de Campos.


Fonte: Inst. Futura, A Gazeta

sábado, 2 de novembro de 2013

CRÊ OU MORRE, UM TEXTO DE J.R.GUZZO

J. R. GUZZO
E se de repente, um dia desses, ficasse demonstrado por A + B que o grande problema do Brasil, acima de qualquer outro, é a burrice? Ninguém está aqui para ficar fazendo comentários alarmistas, prática que esta revista desaconselha formalmente a seus colaboradores, mas chega uma hora em que certas realidades têm de ser discutidas cara a cara com os leitores, por mais desagradáveis que possam ser. É possível, perfeitamente. que estejamos diante de uma delas neste momento: achamos que a mãe de todos os males deste país é a boa e velha safadeza, que persegue cada brasileiro a partir do minuto em que sua certidão de nascimento é expedida pelo cartório de registro civil, e o acompanha até a entrega do atestado de óbito, mas a coisa pode ser bem pior que isso. Safadeza aleija, é claro, e sabemos perfeitamente quanto ela nos custa ─ basicamente, custa todo esse dinheiro que deveria estar sendo aplicado em nosso favor mas que acaba se transformando em fortunas privadas para os amigos do governo, ou é jogado no lixo por incompetência, preguiça e irresponsabilidade. Mas burrice mata, e para a morte, como também se sabe, não existe cura. Ela está presente pelos quatro cantos da vida nacional.
Um país que tem embargos infringentes, por exemplo, é um país burro ─ não pode existir vida inteligente num sistema em que, para cumprir a lei, é preciso admitir a possibilidade de processos que não acabam nunca. Também não há atividade cerebral mínima em sociedades que aceitam como fato normal trens que viajam a 2 quilômetros por hora, a exigência de firma reconhecida, o voto obrigatório e assim por diante. A variedade a ser tratada neste artigo é a burrice na vida política. Ela é especialmente malvada, pois age como um bloqueador para as funções vitais do organismo público — impede a melhora em qualquer coisa que precisa ser melhorada, e ajuda a piorar tudo o que pode ser piorado.
A manifestação mais maligna desse tipo de estupidez é a imposição, feita pelo governo, e a sua aceitação passiva, por parte de quase todos os participantes da atividade política brasileira, da seguinte ideia: no Brasil de hoje só existem dois campos. Um deles, o do governo, do PT, da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula, é o campo do “bem”; atribui a si próprio as virtudes de ser a favor da população pobre, da verdadeira democracia, da distribuição de renda, da independência nacional e tudo o mais que possa haver de positivo na existência de uma nação. É, em suma, a “esquerda”. O outro, formado automaticamente por quem discorda do governo e dos seus atuais proprietários, é o campo do “mal”. A ele a máquina de propaganda oficial atribui os vícios de ser a “elite”, defender a volta da escravidão, conspirar para dar golpes de Estado, brigar contra a redução da pobreza e apoiar tudo o mais que possa haver de horrível numa sociedade humana. É, em suma, a “direita”. O efeito mais visível dessa prática é que se interditou no Brasil a possibilidade de haver um centro na vida política. Ou você está com Lula-Dilma ou vai para o inferno: “crê ou morre”, como insistia a Inquisição da Santa Madre Igreja.
Essa postura é um insulto à capacidade humana de pensar em linha reta, que continua sendo a distância mais curta entre dois pontos. O Brasil não é feito de extremos; isso simplesmente não existe em nenhum país democrático do mundo. Abolir o espaço para um centro moderado é negar às pessoas o direito de pensar com aquilo que lhes parece ser apenas bom-senso, ou a lógica comum. Por que o cidadão não poderia ser, ao mesmo tempo, a favor do Bolsa Família e contra a conduta do PT no governo? É dinheiro de imposto; melhor dar algum aos pobres do que deixar que roubem tudo, (o programa, aliás, foi criado por Fernando Henrique; de Júlio César para cá, passando por Franklin Roosevelt, dar dinheiro ou comida direto ao povão é regra básica de qualquer manual de sobrevivência política.) Qual é o problema em defender a legislação trabalhista e, ao mesmo tempo, achar que quem rouba deve ir para a cadeia? O que impediria alguém de ser a favor do voto livre e contra o voto obrigatório? Nada, a não ser a burrice que obriga todos a se ajoelharem diante do que o PT quer hoje, para não serem condenados como hereges. É por isso que no Brasil 2013 Fernando Gabeira, Marina Silva e tantos outros que querem pensar com a própria cabeça são de “direita”, segundo os propagandistas do governo. Já Paulo Maluf, José Sarney etc. são de esquerda.
Vida inteligente?

UMA MENTIRA ATRÁS DA OUTRA



Chumbo trocado – Líder do Democratas na Câmara dos Deputados, Ronaldo Caiado (GO) rebateu as acusações do ex-presidente Luiz Inácio da Silva de que adversários políticos criticaram de alguma forma o programa Bolsa Família. “A tensão pré-eleitoral toma conta do governo do PT. Hoje, nos 10 anos do Bolsa Família, uma mentira atrás da outra”, disse.
Caiado afirmou que foi Lula quem criticou os programas transferência de renda antes de chegar ao poder, em 2003. “Lula na época falava que transferir renda era assistencialismo, compra de votos. Lula diz uma coisa diferente hoje, mas o que ele realmente pensa sobre transferência de renda é fácil de comprovar”, disse, ao citar programas eleitorais de Lula que estão no YouTube. Em um desses programas, o ex-presidente dizia que “assistencialismo conduz a pensar com o estômago”.
Ronaldo Caiado disse ainda que Fernando Henrique Cardoso criou o piloto do programa Bolsa Escola, mas o falecido senador Antônio Carlos Magalhães, então no PFL, elaborou o fundo contra a pobreza, que permitiu a expansão dos programas sociais, que mais tarde foram unificados com o nome de Bolsa Família. Caiado citaartigo de Gilberto Dimenstein, publicado pela Folha de S. Paulo, em 4 de outubro de 2006.
De acordo com o líder do Democratas, o governo do Partido dos Trabalhadores perdeu todo o seu discurso. “O PT dizia combater a corrupção, mas o Mensalão provou o contrário. O governo do PT se disse contra as privatizações. É só ver algumas estradas e aeroportos para comprovar mais uma falácia. O governo do PT fazia terrorismo contra a privatização da Petrobras. Semana passada, o Campo de Libra quebrou mais um discurso O governo do PT dizia o mesmo sobre o Banco do Brasil, que hoje tem 30% de capital estrangeiro. Na época de FHC, não passava de 12,5%”, disse.
De acordo com Ronaldo Caiado, a perda de discurso “tira o sono dos petistas”. “O ano 2014 está aí e Dilma e Lula estão sem ter o que apresentar e propor. O Brasil acordou”, disse.
Fonte: Ucho.Info
Fp

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

GOVERNISTAS EM PÉ DE GUERRA

Falhas na condução dos projetos de infraestrutura acirram os ânimos da equipe comandada pela presidente Dilma Rousseff. As rusgas já causaram desentendimentos, cobranças públicas e, até mesmo, pedidos de demissão

A troca de farpas nos últimos dias entre a presidente da Petrobras, Graça Foster, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em torno da necessidade de reajustar os preços da gasolina, é só uma amostra dos embates que vêm se acumulando dentro do governo, provocados pelas falhas de condução dos projetos de infraestrutura. A pressa da presidente Dilma Rousseff em viabilizar, até o começo de 2014, um ambicioso plano de concessões de rodovias, portos, aeroportos e ferrovias, em meio a todos os jogos de interesses, gerou desgastes entre as principais autoridades envolvidas.
Com obras emperradas, fraco desempenho da economia e crescente pressões da agenda eleitoral, os auxiliares do Planalto já não conseguem mais esconder suas diferenças. No duelo mais recente, a equipe econômica foi surpreendida pelo anúncio de nova fórmula para atualizar os preços dos combustíveis, com aumentos periódicos e automáticos, apresentada pela presidente da Petrobras.
A boa notícia evitou o tombo das ações da estatal no começo da semana. Mas o ministro da Fazenda, Guido Mantega, descartou mudanças imediatas em favor do gatilho. "A sugestão de Graça Foster é benéfica para a petroleira, sobretudo diante dos compromissos de investimento. Sua postura desafia o presidente do conselho de administração (Mantega), que tem um olho no lucro e outro no combate a inflação", comentou Vinícius Carrasco, economista da PUC-Rio.
Antes de Graça levar ao mercado seu plano para dar mais previsibilidade às receitas da Petrobras, as cobranças dos ajustes de preço estavam sendo feitas pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão: "Não sei se tem, nem se terá aumento dos combustíveis", disse certa vez, exigindo um retorno de Mantega.
Feridas
A segunda rodada de concessões de aeroportos, com o leilão de Confins (MG) e do Galeão (RJ), marcada para 22 de novembro, acabou reabrindo feridas do primeiro certame, realizado no começo de 2012, no qual foram
arrematados os terminais de Brasília, Guarulhos (SP) e Campinas (SP). Diante da crítica do titular da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Wellington Moreira Franco, sobre o "sacrifício para o Tesouro" de uma participação compulsória da Infraero no capital das concessionárias dos aeroportos, a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, desautorizou o colega. As opiniões de Gleisi e Moreira já tinham trombado no plano de ajuda apresentado pelas companhias aéreas.
"As empresas envolvidas com os consórcios que estão se formando para disputar os aeroportos não estão preocupadas com esses atritos. O modelo está amadurecido e vai garantir a desejada concorrência", avaliou o advogado Lucas Sant"Anna, sócio de infraestrutura do escritório Machado Meyer. Ele lembra que, contratualmente, a Infraero tem a opção de não acompanhar os aumentos de capital das Sociedades de Propósito Específico (SPE), reduzindo assim sua fatia no capital.
Estresse
No limite, as rusgas entre autoridades encarregadas de grandes projetos já levaram a danças de cadeiras. O exemplo mais explícito foi a saída, agendada para até o fim do ano, de Bernardo Figueiredo à frente da Empresa de Projetos e Logística (EPL). Elevado à condição de principal planejador dos investimentos estratégicos em transportes, acabou desgastado com as frustrações que levaram a mais um adiamento do Trem de Alta Velocidade (TAV), sua maior especialidade. Nas concessões de ferrovias, ele admitiria taxa de retorno maior que a dada pelo secretário do Tesouro, Arno Augustin, técnico ligado a Dilma, que esvaziou a grande influência de Figueiredo no arranjo das concessões.
Menos conhecidos do público, os pontos de tensão ligados ao Ministério dos Transportes estão relacionados ao campo de ação do seu titular, Cesar Borges, político baiano indicado pelo PR. Logo após a sua posse, em abril, ele tentou, em vão, ampliar a sua influência sobre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), comandado pelo general Jorge Ernesto Pinto Fraxe. Servidores da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) também reclamam da ingerência de Borges.
Silvio Ribas - Correio Braziliense

A DEFESA DE FERNANDO HENRIQUE


O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), que afina o discurso para concorrer à Presidência da República, aceitou de bom grado a provocação feita aos tucanos pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas comemorações de 10 anos do Bolsa Família. "O ex-presidente Lula tem que parar de brigar com a história. Se não houvesse o governo do presidente Fernando Henrique, com a estabilidade econômica, com a modernização da economia, não teria sequer havido o governo do presidente Lula", disparou ontem.
Para o tucano, as duas grandes virtudes do petista foram dar sequência e ampliar os programas sociais de transferência de renda do governo do presidente Fernando Henrique, a cargo da falecida primeira-dama Ruth Cardoso, e manter a política macroeconômica do governo anterior, isto é, o famoso tripé meta de inflação, superavit fiscal e câmbio flutuante. Aécio viu nas comemorações um expediente de campanha eleitoral, com propósito de colar ainda mais a imagem da presidente Dilma Rousseff à de Lula e monopolizar a bandeira da redistribuição de renda.
O tucano teme ser acusado de querer acabar com o Bolsa Família, como aconteceu com o ex-governador José Serra (PSDB) e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), em eleições presidenciais anteriores. "Não vamos esquecer que o presidente Fernando Henrique deixou 6,9 milhões famílias cadastradas e recebendo algum benefício: Bolsa Escola, Bolsa Alimentação ou Vale Gás", destaca. Seu problema é que o governo FHC não cacarejou esse ovo como deveria. E quem o pôs em pé, como já disse na coluna de segunda-feira, foi o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao unificar o cadastro de seus beneficiados e transformar essas bolsas e vales num só programa assistencialista e ampliá-lo para 13,5 milhões de famílias.
Avessos ao populismo, os quadros tucanos têm horror à palavra assistencialismo. O Programa Comunidade Solidária, de Dona Ruth Cardoso, foi concebido como um projeto autônomo em relação ao governo. Todo o seu propósito era mobilizar a sociedade civil para coordenar e promover o combate à pobreza, com subsídios do governo, é claro, mas tecendo parcerias com a iniciativa privada. Vem dessa concepção mais sofisticada, principalmente, as críticas dos tucanos ao Bolsa Família. Mas isso foi um erro crasso na campanha eleitoral, mais ou menos como jogar a criança fora com a água da bacia.
O resgate da imagem de Fernando Henrique Cardoso na Presidência da República, do ponto de vista eleitoral, não é uma tarefa fácil. Lula trabalha dia e noite para "descontruir" o legado positivo de seu antecessor. Além disso, o tempo se encarrega de apagar a memória dos eleitores. Por que, então, o tucano mineiro insiste nisso? Ao contrário de José Serra, que quando foi candidato não queria aparecer ao lado do amigo nem em fotos de campanha de candidatos proporcionais. A razão é simples: pode perder ainda mais votos do que ganhar com isso. Dilma, Lula e o PT se encarregarão de colar a imagem de Aécio à de FHC. Se tudo o que disserem do ex-presidente tucano não for contestado, aí sim, o prejuízo será maior. Foi o que aconteceu nas duas campanhas de Serra e na de Alckmin à Presidência da República. Tentaram se livrar do passado e se deram mal.
Miscelânea
O que fazer? — A propósito, Aécio Neves telefonou ontem para o presidente do PPS, Roberto Freire (SP), para pedir um encontro oficial com a legenda. Não desistiu do apoio do velho aliado, que já está com um pé na canoa do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). A candidatura da ex-vereadora paulistana Soninha Francine ainda não empolgou a legenda. O PPS deve fazer um congresso, em dezembro, para definir a estratégia política. A principal tese é a construção de uma terceira via eleitoral e a formação de uma nova esquerda.
Pão e água — O Palácio do Planalto joga pesado. Quem se lembra da lei aprovada pelo Congresso para restringir a formação de novos partidos? Foi sancionada ontem pela presidente Dilma Rousseff, sem vetos. A votação da proposta chegou a ser suspensa por uma polêmica liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que, depois, acabou derrubada pela Corte. A lei tinha o objetivo de inviabilizar a criação da Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, e a fusão do PPS com o PMN para formar o MD, frustradas por outros motivos. Mas pode acertar o Solidariedade e o Partido Republicano da Ordem Social (Pros), que correm o risco de ficar sem o tempo de televisão e os recursos do Fundo Partidário proporcional aos deputados federais que aderiram às duas legendas. Polêmica para o TSE.
Luiz Carlos Azedo - Correio Braziliense

ESSA MEDICINA MATA

Do remédio feito com veneno de escorpião-azul, que serve para todo tipo de câncer mas não cura nenhum, aos abortos em série, a saúde pública em Cuba é uma tragédia.

O escorpião-azul (em espanhol, alacran) é um animal peçonhento só encontrado em Cuba. Desde 1995, cientistas da ilha estudam o seu veneno e garantem que é eficaz no tratamento de vários tipos de câncer. A partir dele, fabricam e comercializam os remédios Escozul e Vidatox. Outra espécie endêmica na ilha é a medicina avessa às evidências. Submeter os estudos a uma publicação científica é considerado traição à pátria comunista, submissão ao imperialismo americano. Não há nenhuma comprovação de que o veneno funciona. No Pubmed, a maior base de dados científica sobre saúde no mundo, não há um registro sequer sobre o tal remédio. Sua suposta eficácia é um dos muitos mitos sobre a medicina cubana criados e perpetuados pelos irmãos ditadores Fidel e Raúl Castro para enganar governos incautos como o do Brasil, que pretende contratar 4000 médicos cubanos até o fim do ano (os primeiros 400 chegaram há duas semanas).
A mentira — e não apenas na medicina — é a principal política de estado na ilha dos irmãos Castro. A atual epidemia de cólera, por exemplo, que as autoridades não conseguem mais esconder, é controlada com um remédio homeopático. "Dar cinco gotas via oral de uma droga homeopática sem eficácia comprovada em um país onde não há tratamento adequado da água e onde a falta de higiene é regra parece uma piada de mau gosto", diz o médico cubano Eloy González, exilado nos Estados Unidos. Para se ter uma ideia de como Cuba está atrasada, a cólera foi erradicada no século XIX em vários países com o saneamento básico. Propagandear a obsoleta medicina cubana como avançada e pioneira é indispensável para a ditadura, que depende da exportação de mão de obra do setor de saúde para se sustentar. Os missionários de jaleco são atualmente a principal fonte de divisas do regime. Em dezesseis escolas de medicina, Cuba formou neste ano mais de 10 000 doutores e outros 20 000 profissionais de outras carreiras de saúde, como enfermagem e nutrição. Seria uma notícia boa em 1959, quando a Faculdade de Medicina de Havana era uma das dez melhores do mundo. Hoje o curso é uma vergonha e está em 68° lugar no ranking de qualidade da América Latina. Com as missões no exterior, pouquíssimos médicos ficam na ilha, o que levou ao fechamento de 54 hospitais nos últimos três anos. "Antes era preciso levar lençóis, lâmpadas, comida e seringas para o hospital para ser atendido. Daqui a pouco será preciso levar também o médico e a enfermeira", diz por telefone um morador de Havana, que preferiu não ser identificado. Não é incomum ser atendido por um jamaicano ou um estudante chinês, que falam o espanhol com dificuldade.
O regime cubano esconde a decadência do seu sistema de saúde por trás de um único indicador: a baixa taxa de mortalidade infantil. Trata-se, sem dúvida, do produto do esforço governamental — alcançado por meios antiéticos, para não dizer criminosos. Cuba pune os médicos que dão atestado de óbito a bebês com menos de 1 ano de vida. Testemunhei certa vez um patologista recusando-se a alterar a idade de dois bebês mortos, o que faria com que eles não entrassem na taxa de mortalidade infantil. Ele foi recriminado pelo diretor do hospital, que sofria forte pressão do Partido Comunista para manter a estatística em níveis baixos", diz González. Ao menor sinal de anormalidade no feto, as mulheres são submetidas a um aborto. O grande número desse tipo de operação reflete-se na elevada taxa de mortalidade materna, que também é uma conseqüência da falta de condições nos partos. Até oito semanas de gestação, o aborto é feito numa simples consulta médica, sem anestesia, com um aspirador. "O procedimento é traumático e feito sem os devidos cuidados", diz o clínico geral Pedro Riera.
Para evitarem as filas nos hospitais, é comum os pacientes darem uma caixinha ao médico. Vinte dólares é um bom agrado, mas um filme em DVD também é bem-vindo. Os doutores não ganham mais do que 40 dólares por mês e muitos estão abandonando a profissão. Na falta de remédios, receitam placebos feitos por eles próprios, na esperança de que os pacientes melhorem apenas pelo fator psicológico de acreditar que foram medicados. "Não há diagnósticos precisos nem medicamentos adequados, só dipirona", diz a advogada Laritza Diversent, de Havana. Ela levou seu filho de 14 anos ao hospital da cidade depois que ele cortou o pé durante uma partida de futebol. Voltou para casa sem a sutura necessária. "Não havia material para dar pontos, e ele ficou meses com o corte aberto e sangrando", diz Laritza.
Como tudo se reutiliza e as condições de esterilização estão longe das ideais, muitos pacientes pegam doenças de outros, como hepatite C, aids e sífilis. Em Cuba, câncer e aids ainda são tratados como tabu. A palavra câncer, aliás, não é utilizada. Na cartilha da medicina comunista, os tumores são chamados de "inflamação" ou "aumento" de certo órgão, para não assustar os pacientes. No passado, os soropositivos eram mantidos em prisões, isolados do resto da sociedade. O enclausuramento só foi abolido, por falta de recursos financeiros, nos anos 90, quando o país ficou sem ajuda da União Soviética. Ainda hoje, algumas doenças psiquiátricas são atribuídas à falta de ideologia comunista. A medicina de Cuba é cheia de exemplos a não ser seguidos — muito menos importados.
Nathalia Watkins

KAYO, 8 ANOS, APENAS UMA VIDA QUE SE PERDEU

Cenas de um Brasil surreal de nossos dias, um grupo de bandidos tenta resgatar comparsas em um Fórum no Rio de Janeiro, ocorre um tiroteio e um policial é morto e um pobre garoto, jogador do Bangu e torcedor do Vasco da Gama é atingido por uma bala perdida na cabeça e morre. A imprensa noticia, nós ficamos indignados, a avó que acom nadas pela perda do único filho. O que acontece? Nada, é apenas mais uma vida que se perde, dentro de poucos dias cai no nosso esquecimento e deixa de ser noticia na mídia, para as autoridades apenas um número na estátistica, mas para os pais, uma dor insuportável que os acompanhará para o resto de suas vidas.
Que País é esse onde o Estado não consegue sequer dar um mínimo de segurança ao seu povo, onde sair de casa é uma aventura perigosa, uma incerteza da volta aos seus? 
A corrupção da polícia, a omissão dos governantes, a impotência da população, o descaso, a falta de respeito à vida é o cotidiano  de nosso tempo. Falta uma política séria de segurança, falta investimento em salários e condições dignas para que tenhamos uma policia confiável e que proteja a população efetivamente, quem sabe assim, o Kayo de apenas 8 anos ainda estivesse entre nós, agora ele é apenas uma vida que se perdeu, simples assim.

LULA O REI DA BANÂNIA RESOLVE PATRULHAR SHEHERAZADE

Vejam um vídeo com um comentário da jornalista Rachel Sheherazade, do SBT. Volto em seguida.
Na terça-feira, o ex-presidente Lula almoçou com a bancada do PTB. Com aquele seu estilo muito característico, disse que vai reeleger Dilma em 2014. O homem toma o lugar do eleitorado sem nenhuma cerimônia. E avisou que está se preparando para 2018 se for preciso. Em novo almoço nesta quarta, no Senado, embora em certo tom de pilhéria, repetiu que se apresentará, sim, daqui a cinco anos caso encham o seu saco. Que se entenda: para “encher o saco” do Apedeuta, basta existir alguém que lhe faça oposição. Mas voltemos àquele encontro com o PTB. A parte mais significativa foi outra.
Segundo informou Lauro Jardim no “Radar”, Lula fez outras considerações. Transcrevo em vermelho:Na conversa, dedicou-se também a um dos seus esportes favoritos, descer a borduna na imprensa, a qual chamou de despreparada e parcial em relação aos políticos. Contou que recentemente assistia TV e, ao zapear, parou no SBT. Sem dar nomes, diz que viu uma jornalista de “vinte e poucos anos” criticar pesadamente o governo e os políticos. Em sua avaliação, as críticas não tinham embasamento algum.
Retomo
Todo mundo entendeu. Lula só poderia estar se referindo a Rachel Sheherazade, âncora do SBT Brasil. Este senhor sabe que suas opiniões, diatribes e acusações acabam vazando. Não satisfeitos em manter com dinheiro público uma rede de difamação na Internet, parece que os petistas agora decidiram que é chegada a hora de apontar o dedo contra os profissionais. Sei bem do que estou falando, hehe…
Sheherazade não se ajoelha no altar do politicamente correto nem recita a cartilha do “partido” em seus comentários. É dona de suas opiniões. Não é uma legião que fala em seu lugar. E isso, definitivamente, a muitos parece insuportável.  O homem mais poderoso do Brasil — sim, é Lula — resolve se insurgir contra a âncora de um programa jornalístico. Trata-se de um absoluto despropósito. Mais um vídeo:
“Opiniões polêmicas”Aqui e ali, sites e blogs que reproduziram a nota de Lauro Jardim aproveitaram para classificar as opiniões de Sheherazade de “polêmicas”. Soubessem a origem da palavra, poderiam estar dizendo a verdade. Ocorre que se empresta à dita-cuja o sentido de “coisa exótica”, que está fora dos parâmetros, dos cânones ou do decoro.
E, nesse caso, não há nada de polêmico no que diz a jornalista. Ela só não segue a manada. Celerados invadem um laboratório de pesquisas para resgatar animais? Em vez de fazer média, ela diz na TV que isso é inaceitável. Baderneiros saem quebrando tudo por aí, ela afirma que assim não pode ser. O assunto é Bolsa Família? Ela pensa que um país cresce mesmo é com trabalho.
Afinal de contas, o que há de tão “polêmico” nisso? Parece que o seu pecado é se negar a endossar falsos consensos.
Absurdo!
As TVs, no Brasil, não é segredo pra ninguém, são, no geral, governistas — pouco importando o regime ou o governo. Há razões para ser assim, mas não entro nelas agora. As opiniões de Sheherazade, com a clareza com que as emite (e ninguém precisa gostar delas), são um das poucas exceções dentro da regra. E notem: não é que ela seja antigovernista. O que andei vendo na Internet revela apenas alguém que não pede licença a milicianos do politicamente correto.
Mas Lula já resolveu se comportar como uma espécie de dedo-duro. Espero que Sheherazade não se intimide e continue a dizer o que pensa. E torço para que o SBT não se deixe patrulhar por Lula. Encerro com mais um vídeo.
Por Reinaldo Azevedo