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segunda-feira, 21 de maio de 2012

MENSALÃO E CACHOEIRA TERÃO IMPACTO SOBRE ELEIÇÕES

José Eduardo Martins Cardozo, titular da Justiça, afirma que escândalos devem atrapalhar PT e PSDB
Para o ministro da Justiça, o "caso Cachoeira" e seus desdobramentos e o julgamento do processo do mensalão terão impacto sobre as eleições municipais de outubro. José Eduardo Martins Cardozo, em entrevista à repórter Vera Rosa, não se arrisca, entretanto, a mensurar o tamanho do prejuízo nas campanhas de Fernando Haddad (PT) e de José Serra (PSDB) à Prefeitura de São Paulo. "Se vai atrapalhar ou ajudar, vamos aguardar", diz Cardozo, que foi secretário-geral do PT. Ele afirma, por outro lado, que tem certeza de que o julgamento do mensalão não vai interferir no governo. O ministro falou ainda sobre a Comissão da Verdade que, segundo ele, é a comprovação de que o Brasil está superando divergências políticas e ideológicas: "Ninguém quer o revanchismo".
Para titular da Justiça, escândalos podem atrapalhar tanto a campanha de Haddad como a de Serra em SP; Cardozo afirma, porém, que julgamento do mensalão não afeta governo

BRASÍLIA - Conhecido por recomendar "juízo" a seus interlocutores, o ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, admite que o julgamento do processo do mensalão e o "caso Cachoeira" terão impacto sobre as eleições de outubro. Diante dos dois escândalos, porém, ele não se arrisca a medir o tamanho do prejuízo nas campanhas de Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB) à Prefeitura de São Paulo.
"Um julgamento como o do mensalão será amplamente debatido, ao longo das eleições. Se vai atrapalhar ou ajudar, vamos aguardar. Pode ajudar uns, prejudicar outros. O mesmo pode valer para o caso Cachoeira e outras campanhas eleitorais, como por exemplo a de José Serra, caso as forças políticas que as apoiem estejam envolvidas no escândalo", afirma o ministro, que é ex-secretário-geral do PT.
O processo do mensalão se arrasta há quase sete anos e preocupa a cúpula do PT porque deve ser julgado no segundo semestre pelo Supremo Tribunal Federal (STF), perto das eleições. A denúncia é de compra de voto parlamentar no governo Lula, em troca de apoio no Congresso. O comando da campanha de Haddad sabe que o escândalo será usado pelos tucanos na disputa e prepara a contraofensiva, já que a CPI para investigar as ligações do contraventor Carlos Cachoeira com o senador Demóstenes Torres (ex-DEM) pode respingar no PSDB.
Cinco dias após a instalação da Comissão da Verdade, Cardozo ainda ameniza as resistências de alguns militares à investigação exclusiva dos crimes de tortura praticados por agentes de Estado. "Talvez um dia, quem sabe, eles se convençam de que a democracia é bem-vinda", observa o titular da Justiça.
Por que a Comissão da Verdade vai investigar apenas crimes cometidos por agentes do Estado durante a ditadura militar?
A lei deixa muito claro que o objetivo dessa comissão é a busca da verdade naquele período triste da história brasileira. Porém, o caminho a seguir, a estratégia e quem será chamado a depor é um problema da comissão, que tem total autonomia legal e política. O governo não vai interferir nesses trabalhos.
A advogada Rosa Maria, que defendeu a presidente Dilma quando ela era presa política, disse que a opinião pública pode levar o Supremo Tribunal Federal a rever a Lei da Anistia. O sr. é favorável a essa revisão?
Eu já debati muito essa questão na academia. Mas, como ministro da Justiça, tenho de fazer valer e respeitar o Estado de Direito. Na medida em que há uma decisão judicial, ela tem de ser cumprida.
Como o sr. responde ao ex-ministro do Exército Leônidas Pires Gonçalves, para quem a Comissão da Verdade é uma "moeda falsa, que só tem um lado" e a presidente Dilma deve deixar de olhar o passado?
Os aplausos da sociedade são a melhor resposta aos que criticam a Comissão da Verdade e a postura da presidenta Dilma. Ninguém quer o revanchismo. O ato de criação da Comissão da Verdade simbolizou o Brasil superando divergências políticas e ideológicas.
Mas há insatisfações. O Clube Naval, por exemplo, anunciou a criação de uma "comissão paralela" para acompanhar os trabalhos da Comissão da Verdade.
Nós vivemos numa democracia. Então, mesmo aqueles que no passado foram contra essa democracia hoje podem se valer dela para expressar suas opiniões. Talvez um dia, quem sabe, eles se convençam de que a democracia é bem-vinda.
O sr. não teme reações da caserna?
Absolutamente. Não tenho dúvida de que as Forças Armadas têm total engajamento na estrutura democrática.
A presidente Dilma mandou publicar na internet os salários de funcionários do Executivo. No Legislativo e no Judiciário, porém, há resistência a essa medida. Como a Lei de Acesso à Informação pode funcionar assim?
Eu não diria que há resistência.
Como não? O Senado já avisou que não divulgará salários de servidores.
Existe uma diferente compreensão da aplicação da lei, que terá de ser objeto de discussão. Ninguém pode resistir ao cumprimento da lei. Quem não quiser cumpri-la, responderá por isso.
Como o sr. avalia as declarações do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, de que petistas querem intimidá-lo para desviar o foco do julgamento do mensalão e proteger os envolvidos no escândalo?
Não me cabe comentar.
Mas o sr. integrou a CPI dos Correios como deputado e, à época, disse que o mensalão existiu. O sr. mudou de opinião?
Em nenhum momento eu disse que o mensalão existiu. Cheguei até a pedir uma correção à revista Veja. Afirmei que existia uma situação de destinação de recursos ilegais, de caixa dois. Isso era indiscutível.
Qual é a sua expectativa em relação ao julgamento do mensalão?
Que seja feita justiça.
Na sua opinião, seus antigos companheiros de partido, como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, devem ser condenados?
A Justiça é que dirá. Eu confio imensamente na sobriedade e na imparcialidade do STF para fazer um julgamento que condiga com as provas existentes nos autos.
Mas o mensalão até hoje atemoriza o governo...
Não. O julgamento do processo do mensalão não interfere absolutamente em nada no governo.
Esse julgamento, perto das eleições, não pode atrapalhar a campanha do candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad?
Na vida política pesa, naturalmente, tudo o que está no seu entorno. Um julgamento como o do mensalão será amplamente debatido pela sociedade, ao longo das eleições. Se vai atrapalhar ou ajudar, vamos aguardar. Pode ajudar alguns, prejudicar outros.
O que pode prejudicar o candidato do PSDB, José Serra?
Quaisquer questões que acontecem na vida pública interferem na vida política eleitoral. O mesmo pode valer para o caso Cachoeira e campanhas eleitorais, como por exemplo a de José Serra, caso as forças políticas que as apoiem estejam envolvidas no escândalo.
Foi fechado um acordão na CPI para que não haja investigação de governadores, da matriz da Delta e de parlamentares. Essa CPI não está esvaziada?
Tenho certeza de que o Congresso fará o melhor para conseguir atingir o objetivo investigativo.
A segunda fase da Operação Monte Carlo vai gerar filhotes, pegando nova leva de parlamentares?
A vida dirá. Tudo está sob sigilo.
O Ministério Público investigará a venda da Delta, a empreiteira do PAC, para a J&F, que controla o frigorífico JBS. Não é estranho o BNDES ser sócio desse frigorífico e o governo não ter dado aval para o negócio?
Se algum dia o governo começar a avalizar ou orientar situações de mercado, estará fugindo muito do seu papel. Isso seria descabido.
Como o sr. viu a tentativa frustrada de petistas, na CPI do Cachoeira, de pedir a quebra do sigilo telefônico de um jornalista?
Eu não quero magoar parlamentares tecendo considerações sobre realidades que fogem à atuação do Ministério da Justiça.
Mas o sr. é a favor do controle da imprensa?
Alguém que seja contra a liberdade da imprensa está na contramão da história. O que hoje deve ser discutido é algo que cria normas disciplinadoras de direitos, tanto do ponto de vista de quem tem sua honra atingida quanto da própria segurança das empresas jornalísticas. É correto, por exemplo, que crimes de calúnia, difamação e injúria, praticados no âmbito de veículos de imprensa, sejam tratados no Código Penal? Não podemos ter medo desse debate.


Vera Rosa
O Estado de S. Paulo -

sexta-feira, 13 de abril de 2012

RUI FALCÃO NÃO TEM MORAL PARA ALEGAR QUE MENSALÃO É UMA FARSA



A prova que faltava para confirmar as intenções petistas em relação à “CPI do Cachoeira” veio com uma declaração do presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Rui Falcão, que está conclamando a militância para tentar provar que o escândalo que ficou nacionalmente conhecido como “Mensalão do PT” é uma farsa. O palavrório de Falcão provocou reação imediata do presidente do PSDB, Sérgio Guerra, que disse ser o dirigente petista um mentiroso.

A queda de braços entre os situacionistas e a oposição deverá marcar a CPI que, de acordo com a vontade de estrelados petistas, será criada para interferir no julgamento do mensalão, pelo Supremo Tribunal, que deseja colocar o assunto na pauta da Corte até junho próximo.

Em vídeo produzido exatamente para esse fim, Rui Falcão ataca o governador de Goiás, Marconi Perillo, mas não faz qualquer menção ao envolvimento do governador petista do Distrito Federal, o neopetista Agnelo Queiroz, e seus assessores com o esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

“Nós queremos que uma CPI possa apurar todos os vínculos desse senador e de vários políticos de diferentes partidos com o jogo do bicho, com contrabando, com informações privilegiadas sobre operações policiais. É um esquema que chega ao governador de Goiás Marconi Perillo, que tenta colocar todo mundo na vala comum. Essa semana mesmo ele disse que em Goiás todo mundo tinha relações com Carlinhos cachoeira”, diz Falcão, que preferiu ignorar o suposto envolvimento do deputado Rubens Otoni e do secretário Olavo Noleto, da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República e que responde à já enrolada ministra Ideli Salvatti.

O discurso boquirroto de Rui Falcão aponta o grau desespero que toma conta da cúpula do PT, cada vez mais convicta da condenação da extensa maioria dos envolvidos no caso do mensalão. A operação foi arquitetada à distância por Luiz Inácio da Silva, que forçou a bancada petista do Congresso a aderir a ideia de se criar a CPI do Cachoeira, desde que respeitadas as limitações que interessam ao partido.

Não foi por acaso que o advogado Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça no governo Lula, assumiu a defesa do bicheiro goiano. Qualquer criminalista minimamente experiente sabe que um cliente do naipe de Cachoeira tem informações de sobra para derrubar seus acusadores. Na hipótese de isso acontecer, o PT seria alvo de uma implosão sem precedentes, que colocaria por terra não apenas o partido, mas o ganancioso projeto de poder de alguns “companheiros”.

Se Rui Falcão é o mais recente paladino da moralidade que aterrissou no planeta, que ele cobre explicações de José Dirceu de Oliveira e Silva, o poderoso-chefão do PT. Dirceu, como provam documentos, foi contratado pelo empresário Fernando Cavendish para facilitar a aproximação da Construtora Delta com o governo federal. Coincidência ou não, a Delta é uma das empreiteiras que mais cresceram no governo de Luiz Inácio da Silva.

Ainda questionando a lufada de moralidade que sopra sobre o histriônico Rui Falcão, é preciso que Antonio Palocci Filho, que conseguiu a proeza de turbinar seu patrimônio em velocidade meteórica, explique como se lida com empresários da jogatina. Afinal, Palocci recebeu dinheiro de bingueiros angolanos em sua campanha eleitoral. Os mesmos bingueiros despejaram R$ 1 milhão na campanha de Lula, em 2002.

Se Rui Falcão tiver dúvidas a respeito do assunto, o que é normal em um partido que se transformou em usina de corrupção, que pergunte ao empresário Roberto Carlos Kurzweil, que foi sócio dos angolanos Artur José Valente de Oliveira Caio e José Paulo Teixeira Cruz Figueiredo, o Vadinho.

Uma das empresas de Kurzweil, a Locablin, tinha listado em seu imobilizado o Chevrolet Ômega que foi cedido ao mensaleiro Delúbio Soares, após ter sido ejetado da tesouraria do PT. A mesma Locablin locou, antes disso, três outros carros – dois Ômegas e um Passat alemão – usados na campanha petista de 2002. Em depoimento à CPI dos Bingos, Kurzweil disse sem titubear: “O Lula, o Palocci e o Dirceu andaram em carros alugados por minha empresa na campanha”.

Rui Falcão pode dizer o que bem quiser, pois ainda vivemos em uma democracia, mesmo que já esgarçada, mas não se pode desdenhar da memória de jornalistas que não integram a “imprensa chapa branca”, régia e mensalmente remunerada com polpudos contratos publicitários, quando não com dinheiro oriundo da corrupção que grassa do Oiapoque ao Chuí.

Quando os tentáculos do “Mensalão do PT” começaram a avançar sobre o Congresso Nacional, o então deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) alertou Lula, José Dirceu, Ciro Gomes, Miro Teixeira e Walfrido dos Mares Guia sobre o fato de que o governo estava comprando a base aliada com as tais mesadas, assunto que foi confirmado por todos perante a Justiça, muito antes de vir à tona o vídeo em que Maurício Marinho aparece recebendo propina de um outrora fornecedor dos Correios.
Mesmo assim, Rui Falcão, que teme ser obrigado a visitar os “companheiros” na prisão, pode contestar todos esses fatos aqui relatados, mas não poderá ignorar o acordo que Silvio Pereira, o Silvinho Land Rover, então secretário-geral do PT, fez com o STF, substituindo uma eventual pena por prestação de serviços comunitários. Ora, se Silvinho Pereira optou por essa barganha jurídica é porque o crime realmente foi cometido.

Contudo, Rui Falcão pode não estar convencido diante de tantas provas incontestáveis, mas é um direito que cabe a qualquer cidadão que ousa ser uma ode à desfaçatez. Sendo assim, um colóquio rápido com o marqueteiro Duda Mendonça, responsável pela campanha petista de 2002, pode servir como divisor de águas parra o pensamento de Falcão. Afinal, Duda recebeu em conta bancária no exterior, registrada em nome da “offshore” Düsseldorf, parte dos honorários da campanha que levou Lula ao Palácio do Planalto pela primeira vez.

Fonte: Ucho.Info 

quinta-feira, 12 de abril de 2012

PT E PMDB ENGESSAM PODERES DA CPI DO CACHOEIRA



Pau mandado – Sem consultar o PSol, legenda que vem defendendo investigação ampla e irrestrita do escândalo que tem no vértice principal o bicheiro Carlinhos Cachoeira, lideranças partidárias reuniram-se nesta quinta-feira (12) no Congresso Nacional e definiram os parâmetros da CPI que será criada para esclarecer as relações do contraventor goiano preso pela Polícia Federal em 29 de fevereiro passado.

Para provar que o interesse do Partido dos Trabalhadores é criar um factóide que crie uma cortina de fumaça sobre o julgamento do escândalo do “Mensalão do PT” e leve a oposição a sangrar politicamente até as eleições de outubro, a CPI do Cachoeira se limitará a investigar dados relativos às operações Vegas e Monte Carlo, ambas da Polícia Federal, o que evitará incômodos para José Dirceu e Delúbio Soares, entre tantos outros petistas envolvidos no caso do mensalão.

A outra decisão tomada é que as investigações da CPI não se limitarão à seara política, mas serão estendidas aos Poderes Executivo e Judiciário, à iniciativa privada e à imprensa nacional. Essa manobra diversionista não passa de uma jogada rasteira dos partidos que comandam o Congresso (PT e PMDB), pois é sabido que uma investigação profunda e adequada alvejará, com larga facilidade, integrantes de ambas as legendas.

Na cascata de denúncias que surgiu após a estreia do calvário do senador Demóstenes Torres estão políticos destacados, como os governadores Sérgio Cabral Filho (PMDB), do Rio de Janeiro, e Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal.

No Rio de Janeiro, a Construtora Delta, empresa que segundo a PF pertence a Carlinhos Cachoeira, tem contratos com o governo de Cabral Filho no valor de R$ 600 milhões, sendo que R$ 164 milhões foram contratados sem licitação. Para quem não se recorda, o governador fluminense usou um jatinho do empresário Eike Batista para ir a Salvador, onde comemorou o aniversário de Fernando Cavendish, que documentalmente consta como proprietário da Delta. Naquele trágico final de semana, que deveria ser dedicado a festas e tapinhas nas costas, um acidente de helicóptero na capital baiana ceifou a vida de alguns integrantes do grupo convidado por Cavendish, inclusive a nora de Sérgio Cabral Filho.

Ainda no universo da Delta, a empresa comandada por Fernando Cavendish tem ligações com José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil e deputado cassado no vácuo do escândalo do “Mensalão do PT”. E não foi por acaso que a Delta foi incumbida de construir o “puxadinho” no Aeroporto de Guarulhos, em um antigo e desativado terminal de cargas da falida Vasp. Para quem não se recorda, o telhado do treminal de passageiros erguido pela Delta desabou dias antes da inaguração.

A ligação entre José Dirceu é Fernando Cavendish foi confirmada pelos empresários José Augusto Quintella Freire e Romênio Marcelino Machado, antigos proprietários da Sigma Engenharia, que acabou incorporada pela Delta. Quintella e Machado acusam o ex-comissário palaciano e chefão do PT de fazer tráfico de influência em favor da Delta. De acordo com os dois empresários, Dirceu foi contratado por Cavendish para facilitar negócios com o governo federal. O negócio entre o trio – Cavendish, Quintella e Machado – deu errado e acabou na Justiça.

Para não levantar suspeitas, a Delta contratou José Dirceu como consultor para negócios no Mercosul. Receberia modestos R$ 20 mil mensais pelo trabalho. Segundo relataram os antigos donos da Sigma, a empresa de engenharia passou a ser usada por Cavendish para fazer transferências bancárias a Dirceu.
No que se refere ao petista Agnelo Queiroz, a Polícia Federal divulgou gravações em que o governador do Distrito Federal mostra interesse em conversar com Carlinhos Cachoeira. O contraventor, por sua vez, deu ao araponga Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, homem de sua confiança, a missão de identificar o desejo de Queiroz. Fora isso, o assessor palaciano Olavo Noleto, subordinado à ministra Ideli Salvatti, acenou com pedido de demissão depois que seu nome apareceu na lista de contatos de Cachoeira. Contudo, o staff palaciano fez o assessor desistir da ideia.

Se dependesse do Palácio do Planalto, a criação da CPI para investigar Carlinhos Cachoeira seria abortada, pois ainda é grande o temor por conta de eventuais respingos. A ideia só avançou por pressão de Luiz Inácio da Silva, que quer turbinar a candidatura do inócuo Fernando Haddad, que em outubro disputará a prefeitura da maior cidade brasileira, São Paulo. Resumindo, a CPI do Cachoeira será um escândalo maior do que o protagonizado pelo bicheiro e sua horda

Fonte: Ucho.Info

terça-feira, 10 de abril de 2012

ESCÂNDALO CACHOEIRA ATINGE ASSESSOR DE IDELLI



Saindo de cena – Na tarde de segunda-feira (9), o senador Gim Argello (PTB-DF), que tem bom trânsito no governo da presidente Dilma Rousseff, estranhou a informação de que o Palácio do Planalto preferia não ver o escândalo envolvendo Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira transformado em objeto de Comissão Parlamentar de Inquérito. A indignação de Argello se explica pelo fato de a bancada do PT no Senado estar se movimentando para colher as assinaturas necessárias para a criação da CPI.

O temor da assessoria da presidente Dilma é que o escândalo respingasse no Planalto, como de fato acabou acontecendo. Subchefe de Assuntos Federativos da Secretaria de Relações Institucionais, comandada pela petista Ideli Salvatti (SC), o goiano Olavo Noleto sinalizou nesta terça-feira (10) com um possível pedido de demissão, depois que Dilma Rousseff pediu explicações sobre o suposto envolvimento do assessor palaciano com o bicheiro preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal.

Petista de longa data, Noleto foi para a Casa Civil em 2003, quando a pasta era comandada por José Dirceu de Oliveira e Silva, que tinha sob a sua tutela o assessor Valdomiro Diniz, que ao lado de Cachoeira protagonizou o primeiro escândalo do governo do ex-metalúrgico Luiz Inácio da Silva. Na conversa que teve com a chefe Ideli Salvatti e Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, Olavo Noleto repetiu o que disse o governador Marconi Perillo (PSDB), Que todos os políticos de Goiás têm algum tipo de ligação com Carlos Augusto Ramos, o contraventor Cachoeira.

Oficialmente, a assessoria do Palácio do Planalto informou que Noleto não tem relações com Cachoeira e muito menos foi apresentado a ele. Noleto, por sua vez, disse a Ideli e Gilberto Carvalho que o bicheiro lhe ofereceu um tablet Ipad, presente que foi recusado, segundo o próprio assessor.
Conhecido nas coxias do poder como “Itamaraty”, por faz a conexão entre políticos goianos e o Palácio do Planalto, Olavo Noleto foi sondado para ser candidato a vice na chapa do prefeito do atual prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela (PSDB). O Planalto convenceu-o a ficar no cargo, mas Noleto não descartou a proposta, pois Maguito Vilela, se reeleito, ficará no cargo até 2014, quando concorrerá ao Senado. Sendo assim, Olavo Noleto assumiria a prefeitura de Aparecida de Goiânia pelo restante do mandato, ou seja, três anos.

Por enquanto Noleto é inocente, mas a possibilidade de um escândalo pode reforçar seu desejo de deixar o governo da companheira Dilma Vana Rousseff. Por meio de nota, a ministra Ideli Salvatti informou que são infundadas as notícias sobre a saída de Noleto.

Fonte: Ucho.Info

sábado, 7 de abril de 2012

CACHOEIRA ORIENTOU DEMÓSTENES A TROCAR DEM PELO PMDB

Em conversas telefônicas gravadas com autorização judicial, o empresário Carlinhos Cachoeira orientou o senador Demóstenes Torres (sem partido) a trocar o DEM pelo PMDB, para aderir à base de apoio ao governo e se aproximar da presidente Dilma Rousseff. O empresário queria ampliar os seus negócios.

Os diálogos foram divulgados pela revista "Época". "E fica bom demais se você for pro PMDB... Ela quer falar com você? A Dilma quer falar com você, não?", pergunta Cachoeira. Demóstenes responde: "Por debaixo, mas se eu decidir ela fala. Ela quer sentar comigo se eu for mesmo. Não é pra enrolar".
Cachoeira se empolga: "Ah, então vai, uai, fala que vai, ela te chama lá". Demóstenes demonstra estar disposto a acatar a recomendação. Era final de abril de 2011 e o senador democrata estava em negociação com caciques do PMDB, como os senadores Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP), para mudar de legenda.

O objetivo da troca de lado era posicionar melhor Demóstenes para ajudar o esquema de Cachoeira. Até então, o senador atacava sem piedade os governistas acusados de corrução. Com o apoio do PMDB, o aliado poderia até chegar ao cargo de ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), sonhava Cachoeira.

A revista afirmou que a mudança de partido já tinha o aval do Palácio do Planalto naquele momento. Mas o plano deu errado. O senador estaria convencido de que a cúpula do DEM pediria à Justiça a cassação de seu mandato por infidelidade partidária.

A assessoria do Palácio do Planalto informou que a presidente Dilma Rousseff não falou com Demóstenes desde que assumiu a Presidência. Cachoeira está preso no presídio federal de Mossoró (RN) desde que foi deflagrada a operação Monte Carlo, em 29 de fevereiro.

Fonte: folha.com

DELEGADOS FEDERAIS RECEBIAM ORDENS DE CARLINHOS CACHOEIRA

 Empresário do Jogo Carlinhos Cachoeira - Editoria: Política - Foto: ABr
Investigações apontam ligações entre o bicheiro Carlinhos Cachoeira...


Ele pagava para ter informações prévias sobre as operações contra o jogo do bicho
Além de elos com políticos, a organização criminosa comandada pelo bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, tinha sob suas ordens dois delegados da Polícia Federal, seis delegados da Polícia Civil e 30 policiais militares, que vazavam informações privilegiadas e driblavam até a ação da Força Nacional de Segurança, quando atuava na repressão a jogos ilícitos em Goiás e nos arredores de Brasília.

Uma das investigações aponta que um funcionário da Federal - o auxiliar administrativo e chefe da Divisão de Serviços Gerais, Anderson Aguiar Drumond - atuava como espião para o bicheiro.

Ele comandava a liberação de veículos para os policiais e por isso “recebia informações antecipadas sobre datas e locais de operações policiais”.

Segundo a Federal, o servidor “repassava informações privilegiadas” a um integrante da quadrilha, Idalberto Matias de Araújo, o Dadá.

Em um diálogo interceptado pela polícia, em dezembro de 2010, Dadá conta a Lenine, apontado como braço direito de Cachoeira, as informações sobre uma operação que teriam sido vazadas por Anderson. Em outra gravação, Cachoeira autoriza Lenine a fazer o pagamento do informante.

 Empresário do Jogo Carlinhos Cachoeira - Editoria: Política - Foto: ABr
...e o senador Demóstenes Torres
Na contabilidade do grupo, aparece o nome “Ander” com o valor de R$ 3 mil, quatro dias depois da conversa. Ele recebia pagamentos mensais do grupo do bicheiro.
Ainda de acordo com investigações da Operação Monte Carlo, que levou o bicheiro à prisão em fevereiro, R$ 200 mil teria sido o valor pago por Cachoeira para contar com os serviços do delegado da Federal Fernando Antonio Heredia Byron Filho, também preso na operação.

Byron integrava o time de interlocutores de Cachoeira que, como o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), falava com o contraventor por meio de aparelhos de rádio Nextel habilitados no exterior para tentar escapar de escutas telefônicas.

Seu papel era garantir a exploração de máquinas de caça-níqueis, vazar e direcionar investigações, a pedido de Cachoeira.

Em agosto do ano passado, Byron prestou contas de um serviço para o contraventor e aproveitou para pedir um adiantamento de dinheiro para pagar um apartamento.

A outro delegado da Federal preso na ação, Deuselino Valadares dos Santos, o preço pago por Cachoeira foi mais alto. Uma fazenda de R$ 1 milhão pode ter sido o pagamento.
Até a Força Nacional deixou de agir
Preso na operação Monte Carlo, o comandante da PM de Luziânia (GO), major Uziel Nunes dos Reis, foi um dos que prestaram serviço a Cachoeira. Em agosto do ano passado, o major teria contribuído para evitar o fechamento de bingos clandestinos pela Força Nacional de Segurança. Uma única casa de jogos clandestina faturava cerca de R$ 1 milhão por mês.


Diálogos

Informação sobre operação
Dezembro de 2010

Dadá:
É, o parceiro tá dizendo que os caras estão tudo pronto, já pediram esse reforço todo pra ir pra lá pra aquela região.
Lenine Araújo: Perfeito.
Dadá: Deve ser lá pra 6 horas, 7 horas.

Dinheiro a informante
Fevereiro de 2011

Lenine: Tem aquele amigo... Pode passar alguma coisa pra ele? Aquele lá que passa as informações.
Cachoeira: É o dos carros, né?
Lenine: Exatamente
Carlinhos: Tá bom, passa lá.
 
Fonte: A Gazeta

sexta-feira, 6 de abril de 2012

GOVERNO AGNELO QUEIROZ ALUGOU ÁREA DE EMPRESA LIGADA A CACHOEIRA

Uma das empresas suspeitas de lavar dinheiro da organização comandada por Carlinhos Cachoeira mantém contrato com o governo do Distrito Federal. Investigações do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal revelam que a máfia dos caça-níqueis usava os serviços do empresário José Olímpio Queiroga Neto para movimentar o dinheiro arrecadado com jogos de azar e manter a estrutura ligada a Cachoeira.
A Emprodata Administradora de Imóveis e Informática, registrada em nome dos filhos de Queiroga, assinou em 30 de dezembro de 2010 contrato com a Secretaria de Estado de Planejamento, Orçamento e Gestão de locação de área para uma unidade da Praça do Cidadão, serviço similar ao Poupa Tempo paulista, chamado Na Hora.

O contrato foi renovado em 9 de dezembro, na gestão Agnelo Queiroz (PT), a um custo anual de R$ 494 mil. O acordo passou para a Secretaria de Justiça, comandada pelo delegado e deputado distrital Alírio Neto (PPS). A empresa também tem contrato com o Banco de Brasília (BRB) para criar serviço de autoatendimento. Todos foram feitos com dispensa de licitação.

Segundo o MP, Olímpio é subordinado a Cachoeira na exploração de casas de jogos no Entorno do Distrito Federal. Ele foi denunciado, assim como seus irmãos Raimundo Washington de Sousa Queiroga, Francisco Marcelo Queiroga e Otoni Olímpio Júnior.

“Integrante da quadrilha desde 2004 era o responsável, com a permissão de Cachoeira, por escolher, consentir a presença de pessoas na região de domínio territorial do capo ou excluí-las da atividade, bem como fechar, abrir e transferir pontos de jogos para outros localidades”, define a investigação. Olímpio, segue o texto, atuva como “principal interlocutor entre os exploradores diretos, prestando contas a eles e recolhendo e repassando porcentagens sobre o faturamento bruto arrecadado as casa de jogos, como forma de pagamento pela autorização na exploração da atividade - de 25% a 30% dos rendimentos brutos”.

‘Injetada’

Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça mostram como José Olímpio usava empresas para movimentar dinheiro do grupo. Em 17 de janeiro de 2011, Rosalvo Cruz, uma espécie de contador do grupo, e Olímpio conversam sobre a necessidade de dar uma “injetada em uma das empresas do grupo”. O pedido, segundo Olímpio, veio de Cachoeira. “Não, quem me ligou foi o próprio Carlinhos, mas é porque a pendência lá tá, tá quanto a pendência você sabe dizer mais ou menos”, questiona. O valor a que se referem é de aproximadamente R$ 130 mil, segundo a PF.

A Perícia Criminal Federal analisou os principais destinatários e remetentes de recursos das empresas. A Emprodata, além de passar dinheiro paras outras empresas dos Queirogas, transferiu recursos a laranjas. No período analisado, a empresa movimentou mais de R$ 2 milhões.

Uma das formas da movimentação, diz o MP, foi através de Cláudio Kratka. Ele operaria como agiota, como uma espécie de instituição financeira ou como factoring, facilitando a introdução no sistema financeiro de valores milionários. “Desse modo, poderia ser peça auxiliar no ciclo da lavagem de dinheiro quando da aquisição de inúmeros bens móveis e imóveis.” Kratka enviou cerca de R$ 1,3 milhão para as empresas de Queiroga.

Kratka foi funcionário do BRB de 1974 a setembro de 2011. “A consequência dessa intermediação de Kratka indica uma grande operação muito bem estruturada para a lavagem de dinheiro oriundo de uma estrutura criminosa organizada para a corrupção de agentes públicos e exploração de jogos de azar, onde Cláudio cobra 6% para efetuar essa troca”, diz a PF. Estima-se que ele tenha recebido cerca de R$ 200 mil.

O porta-voz do DF, Ugo Braga, disse que o governo vai pedir informações à PF sobre o envolvimento da empresa nas investigações e no suposto esquema de lavagem e abrir auditoria para apurar eventuais irregularidades no contrato e no serviço. O Grupo Estado não localizou Olímpio nem Kratka.
 
Fonte: O Estado de Minas

DE BRAÇOS DADOS COM CACHOEIRA

No fecho de editorial sobre o envolvimento do senador Demóstenes Torres com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, publicado na quarta-feira (4/4), perguntávamos, a respeito das atividades do chefe da jogatina em Goiás: "Até onde terá chegado esse indivíduo, agindo com desenvoltura - e impunemente - há anos, graças a suas privilegiadas relações políticas?". Reportagem publicada no mesmo dia por O Globo levanta o que, aparentemente, é a ponta do véu que encobre as atividades criminosas do contraventor goiano e demonstra que a impunidade de que até agora ele tem desfrutado certamente se deve às relações políticas que mantém com agentes públicos importantes em todos os níveis de governo e da Polícia Federal (PF), além de empresários que o auxiliam na tarefa da lavagem de dinheiro. Revela a matéria que, além do dinheiro vivo, outra importante moeda de troca de Cachoeira com as autoridades que o beneficiam e protegem são informações policiais sigilosas que lhe são vazadas por uma ampla rede de agentes que certamente não trabalham para ele de graça.



Desde o dia 29 de fevereiro Carlinhos Cachoeira é prisioneiro da Polícia Federal, indiciado com mais 81 pessoas, acusado de crimes como corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, exploração de jogo de azar - tudo apurado pela Operação Monte Carlo, que desarticulou a quadrilha que explorava caça-níqueis em Goiás. Grande proprietário de terras e de empresas beneficiadas por vantagens indevidas, obtidas por meio de seus contatos na política, Cachoeira, como ficou demonstrado pelos grampos telefônicos da PF, exerceu influência importante nos negócios do governo do Distrito Federal e, mais importante, nos domínios do governador de Goiás, por intermédio da chefe de gabinete, Eliane Pinheiro, que se demitiu do cargo. Apesar de o governador Marconi Perillo (PSDB) negar que tivesse conhecimento da relação de sua funcionária de confiança com o contraventor, as investigações da PF indicam que Cachoeira influenciou a nomeação dos ocupantes de vários cargos públicos em Goiás.

O sucesso de Carlinhos Cachoeira nas tarefas de ampliar seu elenco de cúmplices e de prosperar em seus negócios escusos só foi possível pela associação inescrupulosa entre o que é público e o que é privado. Esse nefasto tipo de lassidão moral se expressa na desculpa hipócrita de que não é possível administrar a coisa pública com base em "moralismos rígidos e inócuos" e de que é plenamente justificável algum nível de tolerância com os malfeitos para manter a máquina do governo em bom funcionamento. Recentemente, matéria jornalística divulgada por uma emissora de televisão chocou a Nação com a exposição do comportamento cínico de empresários e seus prepostos que ofereciam propina a quem pensavam ser um agente público com o argumento de que se trata de uma "prática normal" e até mesmo de uma imposição da "ética do mercado".

Embora esta não seja uma postura, pelas razões óbvias, abertamente assumida, ela inspira o comportamento de governantes que se vangloriam de, com paciência e habilidade, em nome do mais elevado interesse público, terem descoberto a fórmula infalível da governabilidade. É óbvio que os exemplos que vêm de cima, mesmo quando apenas inconscientemente percebidos, têm grande poder de influenciar, para o bem ou para o mal, o comportamento de uma sociedade. Até para fornecer, no caso de contaminação, desculpas para desvios de conduta. E esta talvez seja uma das explicações para o fato de que, como nunca antes na história deste país, se tende hoje a acreditar que a corrupção é algo inevitavelmente inerente ao trato da coisa pública.

As revelações das ligações de Carlinhos Cachoeira com políticos e funcionários públicos ajudam a explicar como o banqueiro do bicho goiano conseguiu prosperar em suas atividades ilícitas e permanecer impune por tanto tempo. A seu modo, Cachoeira e todos os demais empresários sem escrúpulos que gravitam em torno dos poderes públicos em todo o País são parceiros do pacto de poder que domina boa parte da governança brasileira em todos os níveis. E a tendência natural de parceiros é protegerem-se mutuamente. Pelo menos até que a casa caia.

Fonte: O Estado de São Paulo

domingo, 1 de abril de 2012

AS LIGAÇÕES SUSPEITAS DE DEMÓSTENES

Demóstenes Torres
Demóstenes tinha ligações com Cachoeira desde 2004, antes do Caso Waldomiro
Brasília
Embora tenha sido ex-procurador-geral de Justiça de Goiás em duas ocasiões e ex-secretário de Segurança do Estado entre 1999 e 2002, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) transita com desenvoltura entre pessoas ligadas, direta ou indiretamente, ao mundo dos jogos ilegais, do qual Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, é apenas a face mais conhecida.

Além da agora notória amizade com o contraventor, Demóstenes também recebeu dinheiro na campanha de um advogado preso duas vezes pela Polícia Federal sob acusação de integrar uma quadrilha para permitir o funcionamento de bingos e a exploração de caça-níqueis.

O senador também teria influído na nomeação do atual presidente do Detran local, genro do ex-prefeito da Cidade de Goiás, assassinado quando deixava uma casa de jogos irregulares em Goiânia.

Quase um ano antes de vir a público o primeiro escândalo do governo Lula, envolvendo o então assessor parlamentar da Casa Civil, Waldomiro Diniz, Carlinhos Cachoeira e a empresa de loterias Gtech, Demóstenes já atuava em favor do amigo que está preso, utilizando sua condição de senador. Quando o escândalo estourou e a oposição se revezava na tribuna do Senado para atacar o PT, o governo Lula e o próprio bicheiro, Demóstenes calou-se sobre Cachoeira e, nas quatro intervenções que fez sobre o assunto, não citou uma só vez o nome do amigo, que era desclassificado por outros líderes oposicionistas.

Em 13 de fevereiro de 2004, a revista "Época" trouxe a transcrição dos diálogos entre Cachoeira e Waldomiro Diniz, gravados em 2002 pelo próprio bicheiro. A publicação revelava que o então assessor da Casa Civil pedia propina a Cachoeira para tentar facilitar a contratação da Gtech pela Caixa Econômica Federal (CEF).

Novas acusações complicam senador

Novas gravações divulgadas neste fim de semana complicam ainda mais a situação do senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Segundo a revista "Época", escutas telefônicas, obtidas com autorização da Justiça, mostram a intensa troca de favores entre o senador e o bicheiro Carlinhos Cachoeira até mesmo em licitações da Copa do Mundo.

Em uma dessas conversas, em 11 de abril de 2011, Demóstenes pediu ajuda a Cachoeira para que um amigo, dono de uma agência de publicidade, vencesse uma licitação em Mato Grosso. A disputa era para a prestação de serviços de marketing relacionados à Copa.

Escutas obtidas pela "Veja" mostram novamente o senador prestando favores a Cachoeira. Ao receber um pedido para resolver um problema de um colega no Ibama, Demóstenes se oferece para falar com a ministra do Meio Ambiente. As investigações fazem parte do inquérito da Operação Monte Carlo, remetido ao Supremo Tribunal Federal.

Fonte: A Gazeta