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sábado, 21 de maio de 2011

LULA TENTA CONTER CRISE E SEGURAR PALOCCI


Na primeira crise política do governo Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou em campo para ajudar a defender o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, e garantir a permanência dele na equipe. 'Vocês não podem baixar a guarda', disse Lula ontem, em telefonema para o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho.

Lula ligou para Carvalho do Panamá, onde fez palestra para empresários da construtora Odebrecht. Preocupado com a escalada de denúncias contra Palocci, o ex-presidente conversa quase que diariamente com Dilma e com o chefe da Casa Civil.
Apesar de comentários sobre o 'fogo amigo' na seara do PT contra o ministro, tanto Lula como dirigentes do partido estão convencidos de que o tiroteio contra Palocci partiu do PSDB e, mais especificamente, de pessoas ligadas ao ex-governador José Serra na Prefeitura de São Paulo. Por essa avaliação, o objetivo de Serra seria derrubar Palocci, o mais importante ministro da equipe, para atingir Dilma, inviabilizar o governo logo em seu primeiro ano e torpedear o PT. O partido não tem dúvidas de que Serra é pré-candidato à sucessão municipal, em 2012.
No PSDB, a análise de que o ex-governador teria interesse em desestabilizar Palocci é considerada 'insustentável', digna de uma 'teoria da conspiração'. Serra, quando questionado sobre a crise envolvendo Palocci, na segunda-feira, afirmou que o ministro não poderia ser crucificado. 'Não tenho o papel de julgador a esse respeito. Acho normal que uma pessoa tenha rendimentos quando não está no governo e que esses rendimentos promovam uma variação patrimonial', disse o tucano.
Cargos
Na tentativa de esvaziar a ameaça de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e barrar a convocação de Palocci no Congresso, o governo já acena com cargos para acalmar a base aliada. A previsão é a de que, a partir da próxima semana, o quebra-cabeça do segundo escalão comece a tomar forma final.
A oposição não tem votos suficientes para abrir uma CPI mista, mas já está atrás dos insatisfeitos da base aliada. É 'suprapartidário' o grupo dos descontentes com a demora de Dilma em definir presidências e diretorias de estatais, autarquias e bancos oficiais. O time reúne parlamentares do PT ao PMDB, passando pelo PSB, PC do B e PR. Na lista dos cargos cobiçados pelos aliados estão as presidências do Banco do Nordeste, do Banco da Amazônia e da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Vera Rosa, estadao.com.br, Atualizado: 21/5/2011 8:06


terça-feira, 10 de maio de 2011

FH FALARÁ SOBRE A DESCRIMINALIZAÇÃO DO USO DE DROGAS NO SENADO...


BRASÍLIA - Foi aprovado nesta terça-feira um convite para que o sociólogo e ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso participe de audiência na Subcomissão Temporária de Políticas Sociais sobre Dependentes Químicos de Álcool, Crack e outras Drogas, que funciona no âmbito da Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado. A autora do requerimento, a senadora Ana Amélia (PP-RS), justificou sua iniciativa destacando que Fernando Henrique preside a Comissão Global sobre Política das Drogas, uma organização não governamental formada por personalidades internacionais que propõe novas formas de abordagem da questão das drogas.
- Penso que a presença do ex-presidente da República possa dar uma contribuição valiosa a esta comissão pela relevância da matéria - previu Ana Amélia.

Fonte: Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

JOSÉ DIRCEU ACUSADO DE TRÁFICO DE INFLUÊNCIA...


BRASÍLIA e SÃO PAULO - O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu está sendo acusado por dois empresários de tráfico de influência em favor da Delta Construções, a empreiteira que mais recebeu recursos de obras do governo federal em 2010. José Augusto Quintella Freire e Romênio Marcelino Machado disseram à revista "Veja", na edição desta semana, que Dirceu foi contratado para aproximar o presidente do Conselho de Administração da empresa, Fernando Cavendish, de pessoas influentes do PT. Os líderes da oposição no Senado querem ouvir Cavendish, Freire e Machado, para que ele falem sobre o suposto tráfico de influência de José Dirceu.
O líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), vai procurar o PSDB e o PPS para, numa ação conjunta da oposição, apresentarem requerimento de convite aos empresários.
"Com alguns milhões, seria possível comprar um senador"
Freire e Machado eram donos da Sigma Engenharia, comprada pela Delta em 2008. Durante as negociações de fusão, houve um desentendimento entre eles e Cavendish. Os dois empresários afirmam que o presidente do Conselho de Administração da Delta não pagou o valor combinado pelo negócio. O caso está hoje em disputa na Justiça.
Ainda nas palavras de Freire e Machado à "Veja", Cavendish contratou a JD Assessoria e Consultoria, de Dirceu, por meio da Sigma para encobrir a relação. Machado afirmou que, quando recebeu as notas fiscais da consultoria prestada pela empresa do ex-ministro, decidiu não pagá-las porque não sabia do que se tratava. Mas depois o pagamento, no valor de R$ 20 mil, acabou sendo feito por ordem de Cavendish. Oficialmente, a JD foi contratada para ampliar a participação da Delta em negócios no Mercosul. Mas Machado afirmou que o verdadeiro trabalho da consultoria do ex-ministro era "tráfico de influência, aproximar o Fernando Cavendish de pessoas influentes do governo do PT".
A reportagem afirma ainda que Cavendish teria dito que, "com alguns milhões, seria possível comprar um senador" para conseguir um bom contrato com o governo.
Para a "Veja", a Delta informou que, quando a Sigma foi comprada, o contrato com a empresa de Dirceu já havia sido feito, e o grupo só manteve o compromisso, que depois foi rescindido, porque a promessa de ampliar os negócios no Mercosul não tinha sido cumprida. Freire nega e disse que nunca viu o ex-ministro.
De acordo com reportagem publicada ontem pelo GLOBO, a Delta recebeu R$ 758,2 milhões por obras federais no ano passado, o maior valor entre todas as construtoras do país. O crescimento da empresa tem chamado a atenção do mercado.
O líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), vai procurar o PSDB e o PPS para, numa ação conjunta da oposição, apresentarem requerimento de convite aos empresários.
"Com alguns milhões, seria possível comprar um senador"
Freire e Machado eram donos da Sigma Engenharia, comprada pela Delta em 2008. Durante as negociações de fusão, houve um desentendimento entre eles e Cavendish. Os dois empresários afirmam que o presidente do Conselho de Administração da Delta não pagou o valor combinado pelo negócio. O caso está hoje em disputa na Justiça.
Ainda nas palavras de Freire e Machado à "Veja", Cavendish contratou a JD Assessoria e Consultoria, de Dirceu, por meio da Sigma para encobrir a relação. Machado afirmou que, quando recebeu as notas fiscais da consultoria prestada pela empresa do ex-ministro, decidiu não pagá-las porque não sabia do que se tratava. Mas depois o pagamento, no valor de R$ 20 mil, acabou sendo feito por ordem de Cavendish. Oficialmente, a JD foi contratada para ampliar a participação da Delta em negócios no Mercosul. Mas Machado afirmou que o verdadeiro trabalho da consultoria do ex-ministro era "tráfico de influência, aproximar o Fernando Cavendish de pessoas influentes do governo do PT".
A reportagem afirma ainda que Cavendish teria dito que, "com alguns milhões, seria possível comprar um senador" para conseguir um bom contrato com o governo.
Para a "Veja", a Delta informou que, quando a Sigma foi comprada, o contrato com a empresa de Dirceu já havia sido feito, e o grupo só manteve o compromisso, que depois foi rescindido, porque a promessa de ampliar os negócios no Mercosul não tinha sido cumprida. Freire nega e disse que nunca viu o ex-ministro.
De acordo com reportagem publicada ontem pelo GLOBO, a Delta recebeu R$ 758,2 milhões por obras federais no ano passado, o maior valor entre todas as construtoras do país. O crescimento da empresa tem chamado a atenção do mercado.
Procurada ontem pelo GLOBO, a assessoria de imprensa da Delta não retornou a ligação. Dirceu também foi procurado por meio de sua assessoria, que também não respondeu. Em seu blog, o ex-ministro negou que o crescimento da Delta tenha relação com o trabalho de consultoria que prestou para a empresa. "Meu contrato com a Delta, de R$ 20 mil, durou quatro meses e foi como os demais do mercado, firmados por qualquer consultoria com seus clientes. Prestei um serviço profissional. Portanto, é pura má-fé atribuir a alta no faturamento da Delta ao meu trabalho de quatro meses, quando o setor em que ela atua se expandiu muito nos últimos anos", escreveu o ex-ministro.
Dirceu promete ir à Justiça.
Fonte: Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

domingo, 8 de maio de 2011

CONSELHO APROVA QUATRO PERFIS DO ENSINO MÉDIO

O Conselho Nacional de Educação aprovou nesta quarta-feira, por unanimidade, as novas diretrizes do ensino médio, que devem trazer mudanças nas escolas brasileiras, públicas e privadas. As diretrizes - que precisam ser homologadas pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, para entrar em vigor - pretendem conferir mais autonomia e flexibilidade às escolas na definição da grade curricular e permitir que os estudantes de ensino médio noturno tenham mais tempo para concluir os estudos. Hoje, a duração é de três anos.

Um dos pontos apoiado pelo conselho é a montagem do projeto pedagógico a partir de quatro áreas - ciência, tecnologia, cultura e trabalho. Cada escola escolheria a sua vocação, por meio do 'diálogo' entre corpo docente, alunos, redes de ensino e as comunidades locais. Uma escola de uma região industrial, por exemplo, poderia enfocar a área de tecnologia, abrindo mais espaço às disciplinas de física e química, sem deixar de lado outras matérias, como língua portuguesa e história.
Quanto ao noturno, o texto aprovado ontem não estabelece um prazo máximo para a conclusão do ensino médio, mas permite diluir a carga mínima de 2,4 mil horas do curso em um intervalo de tempo maior. Como muitos estudantes dos cursos noturnos conciliam a rotina de trabalho com o período de aula, chegam atrasados e cansados às salas. A saída, nesses casos, seria ter menos aulas por dia e concluir o ensino médio em um prazo maior.
'O ensino médio tem de ser entendido como uma etapa final da educação básica, capaz de atender ao projeto de vida das pessoas', defende o conselheiro José Fernandes de Lima, relator das diretrizes. 'Ele não é o trampolim para a universidade, pode preparar para a universidade, mas essa não é a sua única missão. Tem de preparar para a vida, servir para o mundo do trabalho e da cidadania; deve ter uma unidade, mas para que seja aplicado em todo o Brasil é preciso que seja flexível'.
A definição das novas diretrizes surge uma semana após o lançamento do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), que visa a formar mão de obra qualificada por meio de capacitação técnica e profissional de alunos do ensino médio, além de beneficiários do Bolsa-Família e reincidentes do seguro-desemprego. Enquanto isso, uma comissão especial na Câmara trata do Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê metas para ser atingidas até 2020.

Fonte: Por Rafael Moraes Moura, estadao.com.br, Atualizado: 4/5/2011 20:54

sexta-feira, 6 de maio de 2011

SENADO COMPLETA 185 ANOS...

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), fez hoje um pronunciamento celebrando os 185 anos da Casa e destacou que o Senado sofre uma "campanha contrária" e que o objetivo das críticas é "fragilizar as instituições".
Em um discurso de 20 minutos, Sarney relatou a história do Senado brasileiro e o papel da instituição em outros países. Ele citou o Senado como um ponto de equilíbrio na Federação e fez a reflexão de que há uma "campanha" contra a Casa.
"Identifico muito essa campanha contra o Senado ao fato de ele ser uma Casa forte, a quem o Brasil deve muito com relação à sua construção. Em um momento em que se procura fragilizar instituições, ataca-se muito o Senado, porque aqui continuamos a ser uma fonte permanente de ajuda ao Brasil", disse Sarney

Fonte: Agência Estado

A Gazeta.Online

quinta-feira, 5 de maio de 2011

SENADO APROVA PROJETOS AMPLIANDO FREQÜÊNCIA ESCOLAR

A Comissão de Educação do Senado aprovou  terça-feira [03/05/2011] o projeto do ex-senador Wilson Mattos (PSDB-PR) que aumenta de 800 para 960 horas-aula o tempo mínimo de ensino nos níveis fundamental e médio das escolas públicas de todo o país.
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) destacou que quanto mais tempo as crianças e jovens passarem na escola, melhor. Ele disse ainda que o Brasil está atrasado na adoção do ensino de tempo integral, em que os estudantes passam o dia inteiro em atividades escolares.
"Já deveríamos ter feito isso 50 anos atrás. Ao criar a demanda, a gente vai atrás dos recursos. Nós temos que fazer isto. Estas crianças não vão esperar só crescer daqui a alguns anos. Elas crescem todo dia", disse.
Na prática, a proposta aumenta em 40 minutos por dia o tempo mínimo de aula nas escolas públicas de todo o país, levando-se em conta o turno mínimo de 4 horas.

A comissão também aprovou em turno suplementar o projeto de Inácio Arruda (PC do B-CE), que aumenta a frequência mínima do aluno em sala de aula para passar de ano, de 75 para 80% das aulas. Os dois projetos seguem diretamente para a Câmara dos Deputados.


Fonte: Rádio Senado
Rádio Folha

CINCO MAIORES PARTIDOS ACUMULAM DÉFICIT DE 31 MILHÕES...

Números fazem parte da prestação anual de contas, entregue ao TSE.
Segundo os relatórios, maiores gastos foram com disputa eleitoral de 2010.


Os cinco maiores partidos do Brasil acumularam em 2010 um déficit de R$ 31 milhões, apesar de terem arrecadado no ano eleitoral mais de R$ 500 milhões. Os números fazem parte da prestação anual de contas, entregue por 27 partidos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O material foi divulgado nesta quarta-feira (4).

A diferença entre o valor gasto e o arrecadado foi maior nos cofres petistas. O partido da presidente Dilma Rousseff terminou 2010 com um resultado negativo de quase R$ 16 milhões. Principal adversário do PT nas eleições presidenciais, o PSDB teve o segundo pior déficit, com um rombo de R$ 11,4 milhões na contas do ano passado.
A legenda do vice-presidente, Michel Temer, PMDB, acumulou déficit de R$ 1,6 milhão e o partido da ex-candidata Marina Silva, PV, terminou o ano no vermelho em quase R$ 2,5 milhões.
O principal motivo dos rombos nas contas dos partidos, segundo os relatórios entregues, foi a disputa eleitoral do ano passado. Só o PT gastou com despesas eleitorais mais de R$ 184 milhões dos R$ 212 milhões arrecadados no ano passado. Juntos PT, PSDB, PMDB e PV gastaram mais de R$ 390 milhões com fins eleitorais.

O DEM saiu do ano eleitoral com receita maior do que as despesas. Depois do anúncio da saída de integrantes, a legenda teve um saldo positivo de pouco R$ 547 mil.
Balanço

As prestações de contas foram entregues ao TSE na última segunda-feira (2) e trazem um balanço consolidado das contas do ano. O detalhamentos dos gastos e receitas da campanha de 2010 foi feito separadamente e enviado à Justiça Eleitoral no ano passado.
As contas partidárias anuais trazem a detalhamentos das receitas e despesas e a origem e valor das contribuições e doações, com a especificação e comprovação dos gastos. Esses números são analisados pelo TSE e, caso seja identificada alguma irregularidades, os partidos terão 72 horas para fazer os ajustes. Se não houver correção, a legenda pode ter as contas desaprovadas.
Doações ocultas
Do total investido pelos petistas nas eleições, aproximadamente 85% foram gastos com transferências da legenda para candidatos e comitês financeiros de campanha, as chamadas doações ocultas.
Esse tipo de doação é permitida pela Justiça, mas impede o eleitor de saber para quem foi o dinheiro de determinado doador. Isso acontece porque os recursos são entregues aos partidos que distribui o bolo.
No PMDB, as doações ocultas representaram quase R$ 75 milhões, dos R$ 84,5 milhões de contribuições recebidas pelo partido, em 2010. Situação parecida foi verificada no PSDB que recebeu mais de R$ 112 milhões em contribuições e repassou a candidatos, comitês e diretórios da sigla cerca de R$ 110 milhões.
O PV declarou a menor transferência de recursos do partido para candidatos num total de R$ 4,7 milhões. A legenda informou ter recebido R$ 10,7 milhões em doações, no ano passado.
Doadores
Os relatórios de prestação de contas dos partidos no ano de 2010 revelam ainda que os principais financiadores dos partidos políticos são bancos, construtoras e frigoríficos.
Análise das prestações de contas revela a importância das doações de empresas em relação aos que pessoas físicas contribuíram para os partidos em 2010. O PT, por exemplo, recebeu R$ 42,7 milhões em doações de pessoas jurídicas e R$ 990 mil de pessoas físicas. O partido que mais recebeu contribuição de pessoas físicas foi o PV, com um total de R$ 5,36 milhões arrecadados.

Fonte: Débora Santos
Do G1, em Brasília



quarta-feira, 4 de maio de 2011

Censura ainda é ameaça ao jornalismo no Brasil

AE - Agência Estado


O caso da censura imposta ao jornal O Estado de S. Paulo pelo Judiciário "é emblemático de como é difícil, atualmente, fazer jornalismo investigativo no País". E isso "é uma pena", porque o Brasil vive "um cenário de amplas liberdades como há muito não se via". A avaliação é do diretor de Desenvolvimento Editorial do Estado, Roberto Gazzi, que participou ontem do Fórum Democracia e Liberdade, promovido pelo Instituto Millenium em São Paulo para marcar o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.

A afirmação foi dada durante debate sobre Jornalismo Investigativo e Democracia, em mesa na qual estavam o jornalista Eugênio Bucci e Cláudio Weber Abramo, da ONG Transparência Brasil. Em discussão, os desafios que enfrentam os jornais, tendo de custear a busca de informação e enfrentar pressões de setores contrários às investigações.

Abramo e Bucci fizeram depoimentos pouco otimistas. O primeiro destacou que "cerca de 80%" dos 820 jornais diários brasileiros são de cidades pequenas e dependem de dinheiro público. "Essa imprensa está nas mãos dos caciques em cada região", citando como exemplos "Sarney, Collor, Jader Barbalho, Alves ou Maia, Tasso".

Bucci citou a morte de Osama Bin Laden para questionar a transparência das informações: "Como saber em que condições aquilo realmente ocorreu?". E cobrou transparência das próprias empresas, principalmente a respeito de suas fontes de receita, já que, ressaltou, parte da publicidade é paga por estatais. "Como falar em jornalismo investigativo nessa condição?"



Fonte:  AE - Agência Estado







terça-feira, 3 de maio de 2011

Brasil tem 16,27 milhões de pessoas em extrema pobreza, diz governo

Programa ‘Brasil sem Miséria’ vai atender, assim, 8,5% da população.

Dilma lançará programa ‘nas próximas semanas’, segundo ministra.

                                A ministra de Desenvolvimento e Combate à Fome, Tereza Campello, anunciou nesta terça-feira (3) que o Brasil tem 16,27 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza, o que representa 8,5% da população. A identificação de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza foi feita pelo Instituto de Geografia e Estatística (IBGE) a pedido do governo federal para orientar o programa “Brasil sem Miséria”, que será lançado, segundo Campello, nas próximas semanas pela presidente Dilma Rousseff.


O objetivo do programa será garantir transferência de renda, acesso a serviços públicos e inclusão produtiva para resgatar brasileiros da miséria.

“Essa taxa [de 8,5% dos brasileiros em situação de miséria] indica que não estamos falando de uma taxa residual. A taxa de extrema pobreza atinge quase um brasileiro a cada dez”, afirmou o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, que participou da entrevista coletiva ao lado do presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes, e da ministra Tereza Campello.

De acordo com o IBGE, do contingente de brasileiros que vivem em condições de extrema pobreza, 4,8 milhões têm renda nominal mensal domiciliar igual a zero, e 11,43 milhões possuem renda de R$ 1 a R$ 70.


Negros e pardos
Ainda segundo o levantamento, a grande maioria dos brasileiros em situação de miséria é parda ou negra, tanto na área rural quanto na área urbana.

“Na área urbana, quanto maior é a renda da população maior é o contingente de população branca. Quanto menor a renda maior a população parda e negra. O mesmo acontece na área rural, quanto menor a faixa de renda, maior a proporção de cor negra ou parda”, disse o presidente do IBGE.

Áreas rural e urbana


Segundo o IBGE, 46,7% das pessoas na linha de extrema pobreza residem em área rural, apesar de apenas 15,6% da população brasileira morarem no campo. O restante das pessoas em condição de miséria, 53,3% mora em áreas urbanas, onde reside a maoria da população - 84,4%.

A região Nordeste concentra a maior parte dos extremamente pobres - 9,61 milhões de pessoas ou 59,1%. Destes, a maior parcela (56,4%) vive no campo, enquanto 43,6% estão em áreas urbanas. A região Sudeste tem 2,72 milhões de brasileiros em situação de miséria, seguido pelo Norte, com 2,65 milhões, pelo Sul (715,96 mil), e o Centro Oeste (557,44 mil).

A ministra Tereza Campello afirmou que a pesquisa do IBGE vai ajudar a direcionar as ações do “Brasil sem Miséria”. Segundo ela, o governo será capaz de erradicar quase que por completo a extrema pobreza em quatro anos.

“A ideia é de que estamos fazendo um esforço extraordinário do governo federal, dos governos estaduais e dos municípios para erradicar a extrema pobreza. Não estamos falando de um plano que continuará, mas de uma força tarefa [para erradicar a pobreza em quatro anos]. O plano acaba em quatro anos”, disse a ministra.

Ela explicou que os programas sociais que beneficiam famílias pobres mas com renda superior a R$ 70 continuarão, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida.

“Continuaremos com as ações de transferência de renda e ações de saúde e educação na faixa dos R$ 70 a R$ 140. Mas quando você vê o grau de fragilidade para os que vivem abaixo dessa faixa, justifica que a gente tenha um olhar especial”, disse, explicando a escolha de dedicar próximo programa do governo aos brasileiros que ganham menos de R$ 70.

Metodologia
Para demilitar os brasileiros que vivem em condição de extrema pobreza, o governo utilizou dados preliminares do Censo Demográfico de 2010. A linha de pobreza foi estabelecida em R$ 70 per capita considerando o rendimento nominal mensal domiciliar.

Desse modo, qualquer pessoa residente em domicílios com rendimento menor ou igual a esse valor é considerada extremamente pobre. Há, no entanto, integrantes de uma família que, apesar de não terem qualquer rendimento, não se encaixam na linha de extrema pobreza.

Para calcular as pessoas sem rendimento que, de fato, se incluem na linha de miséria, o IBGE realizou um recorte que considerou os seguintes critérios: residência sem banheiro ou com uso exclusivo; sem ligação de rede geral de esgoto ou pluvial e sem fossa séptica; em área urbana sem ligação à rede geral de distribuição de água; em área rural sem ligação à rede geral de distribuição de água e sem poço ou nascente na propriedade; sem energia elétrica; com pelo menos um morador de 15 anos ou mais de idade analfabeto; com pelo menos três moradores de até 14 anos de idade; com pelo menos um morador de 65 anos ou mais de idade.



Fonte:  Do G1, em Brasília
Nathalia Passarinho



















sexta-feira, 29 de abril de 2011

A IRRESPIRÁVEL ATMOSFERA POLÍTICA

Uma grande discussão sobre as classes médias emergentes foi provocada por um artigo de Fernando Henrique Cardoso. É um debate típico de grupos que disputam o poder estatal. Mas existe no mundo também um grande debate voltado para as pessoas que não disputam o poder estatal, não têm projetos de salvação, muito menos acreditam no mito do fim dos tempos.


Bruno Latour, na introdução do livro de 1.070 páginas Atmosferas da Democracia, que traz inúmeras contribuições criativas, usa uma imagem que talvez sintetize o sentimento das pessoas diante da política. Segundo ele, há conjunções planetárias tão pavorosas que os astrólogos recomendam que fiquemos em casa até que os céus mandem novas mensagens. A cena política, com seus picaretas, bufões, terroristas, é algo que desanima.

Mas se é assim, por que tanto esforço e tanto papel para detectar novas possibilidades? O próprio Latour responde no parágrafo seguinte: a astrologia e a ciência política não são exatas e há sempre a possibilidade de novas conjunções, de mudanças. O momento de desespero político permite, pelo menos, que se investiguem outras ideias, novas matérias. Aliás, a tônica de sua intervenção é defender uma política orientada para o objeto, uma política que não seja realista como no tempo de Bismarck porque a palavra realidade perdeu o sentido, diante de tantos crimes cometidos em seu nome.

De forma mais abstrata, esses temas podem ser discutidos numa série de conversas que estou preparando. No momento, vou usá-los, parcialmente, para expressar minha perplexidade diante do que acontece na Líbia.

Por que na Líbia? No século passado aderi ao socialismo revolucionário, que continha uma proposta de salvação. Nas últimas décadas tenho defendido a luta ecológica, que também encerra, embora muitos não percebam, elementos da mitologia religiosa, como o fim dos tempos.

Neste princípio do século 21, sinto a democracia liberal, pressionado pela busca de recursos naturais, caminhar pelas mesmas trilhas mitológicas, da invasão do Iraque aos bombardeios à Líbia. A suposição de que um regime político pode ser imposto de fora para dentro, com a força das bombas, só pode ser movida por sentimentos religiosos de salvação.

John Gray, cujo livro Anatomia acaba de ser lançado no Brasil, abordou essa questão na forma de sátira, escrevendo um artigo sobre a importância da tortura para preservar a democracia e a necessidade de proteger os torturadores no seu delicado papel. Foi alvo de inúmeras críticas de gente que até hoje não entendeu a sátira, escrita na tradição de Jonathan Swift, que, uma vez, propôs que os irlandeses dessem suas crianças para serem comidas pelos ingleses.

Entendo também como uma sátira o texto de Peter Sloterdjick, no livro coordenado por Latour, propondo o parlamento pneumático para levar a democracia de cima para baixo aos povos da África e do Oriente Médio. A proposta, bastante detalhada, implica um grande parlamento que, lançado de paraquedas de um avião, a uma altura de mil metros, ao cair seria inflado automaticamente. O parlamento pneumático de Sloterdjick teria lugar para 160 representantes e contaria também com algumas baterias de energia solar.

Quando John Gray questionou a imposição da democracia pela força e a tortura, estava se baseando apenas nos fatos revelados em Abu Ghraib, prisão do Iraque. Esta semana o WikiLeaks revelou inúmeros outros problemas em Guantánamo, onde até um octogenário, com demência senil, era mantido como perigoso terrorista.

O que acontece na Líbia não precisa só das sátira para se incluir na dimensão do absurdo. Basta um exame frio dos efeitos colaterais da luta pela democracia. Esses efeitos não são apenas bombardeios que às vezes atingem civis. São mais concretos e podem, paradoxalmente, representar um recuo na democracia ocidental.

Um exemplo disso é o drama dos refugiados que se concentram na Ilha de Lampedusa e obrigaram a França a interromper os trens que vinham da Itália. Apesar de o papa Bento XVI ter pedido por eles, os refugiados do Norte da África podem provocar um recuo no próprio processo de integração da Europa. Alguns países, como a França e a Alemanha, tendem a questionar o Tratado de Schengen, que permite ao estrangeiro circular, livremente, pela Europa, uma vez admitido num dos países-membros.

Outro efeito colateral interessante foi revelado esta semana pelo jornal The New York Times: um companheiro de Bin Laden, que lutou com ele no Afeganistão, foi preso em Guantánamo e libertado em 2007, é hoje líder de um dos grupos meio bizarros que lutam contra Kadafi. Sem querer, os Estados Unidos tornam-se aliados de um militante da Al-Qaeda.

Todos esses paradoxos que envolvem a democracia liberal não são novos, mesmo dentro do contexto autoritário do comunismo. Quando os tanques entraram em Praga, um grupo pequeno entre nós denunciou aquilo afirmando que o socialismo não poderia ser imposto de fora para dentro, na ponta das baionetas.

O próprio liberalismo, a julgar por pensadores como Gray e Isaiah Berlin, este já morto, pode encontrar um caminho no seu labirinto. Basta desvencilhar-se de um dos polos da contradição que o deforma. O problema é escolher entre o consenso racional sobre o melhor modo de vida ou a aceitação de que seres humanos podem desenvolver-se adotando os mais diversos modos de vida.

Isso não implica passividade diante dos crimes de Kadafi. Mas significa apenas admitir que é um absurdo imaginar que a democracia se vai impor de fora para dentro, com bombas e tortura.

O marxismo foi uma religião secular, com seus ritos e sua mensagem de salvação universal. A ecologia, com o mito do fim dos tempos, corre o mesmo risco, assim como a democracia ocidental, com suas guerras pela liberdade. Ao fundar sua ação na fé, a política, conforme observa o próprio Gray, provou ser tão destrutiva como a religião, nos seus piores momentos.

Fonte: Fernando Gabeira - O Estado de S.Paulo