quarta-feira, 30 de junho de 2010

Governo Lula: gestão das finanças é irresponsável,

Para o economista Reinaldo Gonçalves, da UFRJ, os números divulgados hoje pelo Banco Central mostram que a gestão das finanças públicas por parte do governo é irresponsável. Em 12 meses, os gastos com juros somaram R$ 179,363 bilhões, o nível mais alto da série histórica, o equivalente a 5,42% do PIB. Já as contas do governo central registraram déficit de R$ 509,7 milhões em maio, o maior resultado negativo para o mês desde 1999, quando atingiu R$ 650,8 milhões.


- A gestão das finanças públicas é um dos pontos mais fracos do governo do presidente Lula. É um fracasso. Ele deve terminar o mandato com uma relação dívida pública/PIB média superior a 42%. Desde 1850, nunca se pagou tanto juro nem se teve uma dívida pública tão alta quanto agora. Um desequilíbrio recorde. É a síndrome de prefeito do interior que, em ano de eleição, sai gastanto desesperadamente – diz o economista.

CONTRADIÇÕES DE DILMA SOBRE O ABORTO.

É impressionante a dificuldade de alguns políticos de se posicionar sobre certos temas. É o caso do aborto. O problema é que têm receio de afrontar o eleitor, mas também não querem comprar briga com o jornalismo politicamente correto — já que defender o aborto passou a ser um dos índices de correção política…


Dilma foi indagada no Roda Viva se era favorável à descriminação do aborto. E aí veio aquela cascata de sempre:

“Nenhuma mulher pode ser favorável ao aborto, mas eu defendo que as mulheres tenham direito à assistência pública”.

Até aí, ok. Em quais casos? Ora, naqueles permitidos em lei: estupro e risco de morte para a mãe.

Ora, isso é o que já está garantido. É uma pena que os jornalistas não tenham lembrado uma entrevista de Dilma à revista Marie Claire, de 2007. Ela defendeu a descriminação do aborto. E ponto final. O que mudou?

Também não lembraram o Programa Nacional-Socialista dos Direitos Humanos, que trazia a descriminação do aborto como diretriz. Como se trata de um decreto, quem deu forma final ao texto foi a Casa Civil. E a titular era Dilma Rousseff.

Assim, há o que Dilma pensa sobre o aborto na boca da urna e há o que… Dilma pensa sobre o aborto. No período eleitoral, achou mais conveniente esconder o que pensa.

via Veja.

De #OZT: Eu acuso ao governo cubano

- Ajuda-nos a duplicar as mais de 49 000 assinaturas recebidas pela liberdade dos presos políticos cubanos

- Participa connosco na entrega das assinaturas entre os próximos dias 18 e 23 de Julho

Queremos chegar às 100 000 assinaturas antes de 15 de Julho e duplicar, desta forma, o apoio à demanda pela liberação dos presos políticos e o respeito pelos direitos humanos. Com a tua ajuda, podemos conseguilo. Para tal, precisamos que:

Envies aos teus contactos um e-mail, convidando-os a assinar a Declaração da campanha. É muito breve. Por exemplo: "Convido-te a assinar esta Declaração pela liberdade dos presos polí­ticos cubanos. Para mim é muito importante". Não te esqueças do link (http://firmasjamaylibertad.com/ozt).

Convides os teus amigos do Facebook, Twitter e outras redes sociais a assinar a Declaração

A entrega das assinaturas será realizada entre os dias 18 e 23 de Julho nas sedes do governo cubano de todo o mundo e também em Cuba, na OEA, na ONU,... À frente de algumas sedes do governo cubano, vamos realizar uma concentração; noutras, uma pequena cerimónia de entrega. Se vives perto de uma embaixada, consulado o sede oficial cubano e estás disposto a participar, entra em contacto connosco.

Obrigada por fazer parte desta campanha.

#OZT: Eu acuso ao governo cubano

O VICE.

Com vice definido, Serra busca confronto com Dilma.

"Já tendo vice eu vou tentar muito mais tempo para responder perguntar sobre que vou fazer no Brasil", diz Serra


Adriano Ceolin, iG Brasília

Terminada a novela em torno do vice, o candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, tenta se concentrar na campanha e nos confrontos com a petista Dilma Rousseff. Logo após o anúncio do nome do deputado Indio da Costa (DEM-RJ) como seu companheiro de chapa, o tucano cobrou a presença na ex-ministra no debate na CNA (Confederação Nacional da Agricultura) marcado para esta quinta-feira em Brasília.

“Eu fui ao debate da Confederação Nacional da Indústria, que é presidida pelo deputado Armando Monteiro Neto, do PTB, que apoia o PT. Não sei por que levar em consideração uma questão política para não ir à CNA”, afirmou Serra. O tucano cobrou a presença de Dilma no debate na entidade, que é presidida pela senadora Kátia Abreu (DEM-TO). Candidata do PV ao Palácio do Planalto, Marina Silva (PV) também não vai ao debate na CNA.

Desde que Dilma cresceu nas pesquisas, Serra busca o enfrentamento para tentar se mostrar mais preparado do que ela. No debate da CNI em maio passado, antes de dar inicio a sua fala, cobrou a realização de confrontos direito entre os concorrentes à presidência. Nesta quarta-feira, comemorou o fato de ter resolvido a polêmica indicação. “Já tendo vice eu vou tentar muito mais tempo para responder perguntar sobre que vou fazer no Brasil”, completou.

Por que Indio da Costa

Em entrevista coletiva, Serra afirmou que Índio da Costa representa a renovação. O tucano ressaltou, principalmente, a atuação do deputado como relator do projeto Ficha Limpa, que veta a particição de políticos com problemas na Justiça na eleição. “Esse projeto do Ficha Limpa estabelece uma nova relação entre políticos e eleitores”, disse. “Ele (Indio) foi uma das peças chaves”, completou o candidato tucano.

Sequelas com o DEM

Serra afirmou que a crise em torno da escolha do vice não deixou sequelas. Em princípio, havia sido lançado o nome do senador Alvaro Dias (PSDB-PR), que acabou vetado pelo DEM. “A gente tem de olhar para frente. Às vezes, no processo democrático, o tipo de negociação implica em ideias diferentes. Não há outras moedas”, disse. “Indio da Costa representa hoje também uma aliança [com o DEM que é muito forte pelo Brasil”, completou.

Saída de Alvaro

Serra afirmou que foi surpreendido com o lançamento de Osmar Dias (PDT) como candidato ao governo do Paraná com o apoio do PT. O fato acabou sendo decisivo para a retirada da indicação de Alvaro Dias (PSDB) como vice na chapa tucana, já que ele foi apresentado como solução para um palanque forte no Paraná.

“Foi surpreendente. Havia uma solução com um grande nome. O senador Alvaro Dias é um nome preparado, atuante e que se sobressai”, disse. “[Com ele] tinha uma determinada perspectiva política que não se materializou infelizmente. Então, a partir daí, abriu o caminho para outro tipo de solução”, concluiu Serra.

VEJAM, ANTES QUE SEJA PROIBIDO.

VICE DE SERRA ATACA INCHAÇO DO ESTADO.

Encerrada a novela da decisão tucana e democrata sobre quem seria o vice de José Serra, o deputado federal do DEM, Indio da Costa (RJ), foi confirmado por aclamação pelos convencionais de seu partido para ocupar o posto. "Essa candidatura é uma candidatura do Brasil, para quem quer dizer não ao que está acontecendo por aí", afirmou o parlamentar carioca, para depois detalhar: "ninguém aguenta mais que tratem a coisa pública como vem se tratando".

O deputado Indio da Costa se disse muito honrado com a escolha e criticou o governo Lula: "ninguém aguenta mais que inchem o Estado, que tratem os servidores públicos como estão tratando". "O Brasil pode mais", concluiu usando o bordão de Serra. "Vou me esforçar a trabalhar muito mais para o bem do Brasil e para as pessoas que precisam".

Durante este começo de semana, o DEM e o PSDB reuniram seus principais quadros para aparar as arestas deixadas com a indicação feita pelos tucanos do senador Alvaro Dias (PSDB-PR) para assumir o posto. O parlamentar paranaense deixou de ser a opção dos peessedebistas quando, fruto de uma articulação do PT, por um lado, e do DEM por outro, o seu irmão, senador Osmar Dias (PDT), anunciou que seria candidato ao governo do Paraná pela coligação PT-PMDB, o que inviabilizou a sustentação do nome de Alvaro a vice.


"É com muito orgulho que aceito essa tarefa em nome do DEM. Foi uma surpresa para vocês e para mim também". Costa falou sobre suas razões para aceitar a indicação: "em primeiro lugar, porque um partido como o meu partido me dá uma tarefa como essas não dá para dizer não. Em segundo, porque Serra é um homem muito preparado e (...) de fato é um orgulho maior ainda o que vocês podem imaginar".

INDIO É RENOVAÇÃO E ESPERANÇA, DIZ SERRA.

Em coletiva após de homologado o deputado do DEM Indio da Costa (RJ) como vice, o candidato tucano à presidência, José Serra elogiou, nesta quarta-feira (30), o parlamentar carioca e disse que ele significa "uma novidade que é sinal de renovação e esperança para o País. Queremos fazer um governo que abra oportunidade para os brasileiros de maneira continua em relação ao futuro, que abra caminhos que renovem nosso País e que faça nosso País seguir avançando. O Brasil pode mais. Indio é um parceiro".

Serra disse que a campanha está alavancada e que pretendem alavancar ainda mais. Serra usou o seu bordão e reafirmou que o vice é um parceiro nesta "árdua, difícil e vitoriosa batalha". Ele se preocupou em listar uma série de predicados de seu novo parceiro de chapa, inclusive com um currículo sobre estudos do parlamentar em Nova York.

O ex-governador de São Paulo, que elogiou principalmente a capacidade administrativa de Índio da Costa - eleito por três vezes vereador no Rio e subprefeito de Copacabana - disse que o Índio da Costa estará sempre disposto a debates e não vai "se esconder". "Nosso vice vai fazer o contrário de se esconder, vai se mostrar, ir a debates, discutir, estar presente, com muito prazer e com muito orgulho", observou.

Impasse

Serra negou que o impasse na escolha de seu vice - a indicação do senador Alvaro Dias (PSDB-PR) e depois a troca pelo deputado Indio da Costa (DEM-RJ) - tenha provocado algum desgaste ou sequela com o DEM, partido aliado que se rebelou após ter sido alijado na escolha da chapa oposicionista a Lula na corrida pelo Palácio do Planalto.

"Não ficou (sequela). A gente tem que olhar para a frente. A gente olha para a perspectiva da unidade. Às vezes o processo democrático, o tipo de negociação que se faz implicam divergências. É natural que aconteça. Tínhamos uma proposta de alguém muito preparado, altamente qualificado que envolvia determinada combinação política em um Estado. Não era uma escolha partidária. Dentro da lógica política acrescentava componente interessante a eleição", disse o candidato, que viajou a Brasília após a definição de seu vice e posou ao lado de Índio da Costa ao final da convenção nacional do DEM.

Na tarde desta quarta, o DEM oficializou o nome de Costa para ocupar o posto. O senador Alvaro Dias (PR) foi descartado pelo PSDB quando o seu irmão, Osmar Dias (PDT), manifestou ao DEM e PSDB que se candidataria ao governo paranaense numa coligação com PT e PMDB. Os tucanos propuseram Alvaro na vice justamente para tentar atrair Osmar para ser senador na chapa encabeçada pelo ex-prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB).

Um dos relatores do projeto que prevê a exigência de Ficha Limpa para políticos disputarem as eleições, Indio da Costa foi vereador por três vezes no Rio de Janeiro e está em seu primeiro mandato na Câmara Federal. O carioca, que iniciou carreira política no PTB, é ligado ao ex-prefeito Cesar Maia e é filiado ao DEM desde 1995. O novo vice de Serra desbancou nomes como o senador paranaense Alvaro Dias, indicado pelo PSDB; a ex-vice-governadora do Pará, Valéria Pires; o deputado federal José Carlos Aleluia e o ex-deputado e ex-ministro Carlos Melles.

SERRA E SEU VICE. "FichaLimpa"

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, afirmou nesta quarta-feira (30) que o deputado federal Indio da Costa (DEM-RJ), indicado para vice em sua chapa, é “um político da nova geração”, que, segundo ele, irá trazer uma contribuição do “que tem de mais jovem e renovador na política”.


“Venho com muita satisfação para apresentar o nosso candidato a vice na coligação PSDB, DEM, PPS e PTB, uma coligação para o Brasil. Quero dizer que o nosso Indio é um político da nova geração. É um político jovem, mas que tem experiência na vida pública. Apresentamos uma novidade que é sinal de renovação e esperança para o país. Ele vai ser meu parceiro”, afirmou Serra.

O candidato tucano chegou por volta de 18h30 ao hotel onde o DEM realizou a convenção nacional que sacramentou a aliança com os democratas e referendou o nome do deputado federal Indio da Costa (DEM-RJ) para vice no projeto tucano. Foi a primeira entrevista de Serra ao lado de seu novo colega de chapa.

Serra disse conhecer Indio de encontros no Rio de Janeiro. “Estive com ele no Rio de Janeiro. Conheço o Indio. O nosso vice vai fazer o contrário de se esconder, vai se mostrar, debater”, disse. “Já tendo vice, vou poder ter mais tempo para responder perguntas sobre o que eu vou fazer pelo Brasil, do que responder perguntas de vice”, afirmou.

Sobre eventuais sequelas criadas na relação com o DEM pelo impasse na escolha do vice, o presidenciável tucano disse que todo o episódio foi superado. “Não ficou sequela. A gente tem que olhar para a frente. Às vezes, num processo democrático, o tipo de negociação que a gente faz, não há outra moeda a não ser a negociação. Essa é a nossa moeda de troca.”

Serra também falou de Alvaro Dias, o primeiro indicado para ser seu vice, afastado da disputa devido à resistência do DEM. “Tínhamos uma proposta de alguém muito preparado, qualificado, que envolvia uma combinação política em um estado. Era alguém que dentro da lógica política apresentava um componente interessante naquela formação”, justificou Serra.

Oficializado

A indicação de Costa foi aprovada por aclamação pelos integrantes do DEM, por volta de 16h desta quarta. A aprovação ocorreu pouco mais de uma hora depois de Maia ter anunciado na capital paulista a opção pelo deputado carioca. Serra e o presidente nacional do DEM não participaram da convenção, porque estavam viajando de São Paulo para Brasília. O encontro foi comandado pelo vice-presidente do partido, deputado ACM Neto (BA).

Em seu primeiro discurso como companheiro de chapa de Serra, Costa revelou ter se surpreendido com a indicação para o posto de vice-presidente no projeto tucano e afirmou que aceitaria a “missão” com orgulho: “É com muito orgulho que aceito essa tarefa em nome do Democratas. Foi surpresa pra vocês, mas foi surpresa para mim também.”

Indio da Costa disse que “não tinha como recusar” o convite e classificou Serra como “o mais preparado para governar o país”. Costa criticou o “loteamento da máquina pública” no governo federal e cunhou o slogan de Serra: “O Brasil pode mais.”

Na fala rápida, de cerca de cinco minutos, Costa agradeceu ao ex-prefeito do Rio de Janeiro César Maia (DEM), responsável por tê-lo lançado na política, e outras lideranças do partido.

Para o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), a escolha de Costa, deputado de 39 anos, foi o “fator de novidade” da campanha tucana e poderá ser utilizado para aproximar a juventude de Serra.

“Em campanha, vale muito a simbologia. Ele [Indio da Costa] é a simbologia da juventude. Ele é cara limpa, é ficha limpa, é bonitão e ocupou um espaço que nenhuma candidatura ocupou. Ele vai reunir a juventude do Brasil”, resumiu o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN).

Polêmica

O impasse em torno do candidato a vice na chapa do presidenciável José Serra foi encerrado nesta quarta depois de sucessivas negociações entre democratas e tucanos. A crise na aliança entre os dois partidos eclodiu no dia 25 de junho, quando o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, anunciou em seu Twitter que o PSDB havia decidido indicar os senador tucano Alvaro Dias (PR) para a vaga de vice. Principal aliado do projeto tucano, o DEM reivindicava o posto e foi surpreendido pela confirmação pela cúpula do PSDB da indicação de Dias.

O senador paranaense teve o nome vetado pelo DEM em reunião do presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), e do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, com Serra e líderes tucanos. Realizado na madrugada desta quarta, em São Paulo, o encontro encerrou a polêmica e pacificou a aliança em torno de Serra ao decidir pela escolha de Costa.

Como forma de demonstrar que a retirada de sua indicação não desgastou a relação com o DEM, o senador Alvaro Dias foi ao encontro de Costa e de Serra no hotel, em Brasília, onde a dupla concedeu entrevista.

“Temos que reunir forças. Não tenho mágoas. Agora vamos trabalhar para eleger Serra presidente do Brasil”, afirmou Dias. O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), também acompanhou Dias.

Biografia

Antônio Pedro de Siqueira Índio da Costa tem 39 anos, nasceu no Rio de Janeiro e está em seu primeiro mandato como deputado federal. É bacharel em Direito pela Universidade Cândido Mendes, com especialização em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele se filiou ao antigo PFL, atual DEM, em 1995. Saiu da legenda em 1999, junto com Cesar Maia, para se filiar ao PTB. Dois anos depois seguiu os passos de Maia de volta ao PFL.

Em 1993, primeiro mandato de Cesar Maia na prefeitura do Rio, foi assessor do gabinete do Prefeito. Foi secretário municipal de Administração nos outros dois mandatos de Maia, em 2001 e 2005. Foi três vezes vereador do Rio de Janeiro antes de se eleger deputado federal em 2007. Índio da Costa foi o relator do grupo de trabalho que analisou o projeto ficha limpa, que impede as candidaturas de políticos com condenações judiciais em órgãos colegiados.

CONHEÇA O FUTURO VICE-PRESIDENTE.

O DEM anunciou nesta quarta-feira (30) que o deputado federal Indio da Costa (DEM-RJ) será o vice na chapa de José Serra (PSDB) à presidência da República.


Antes de ser anunciado como vice, ele tentava acalmar a crise entre o PSDB e o DEM, desencadeada com o anúncio do tucano Álvaro Dias como vice de Serra, nome que não havia sido aprovado pelo DEM: "Conveção Nacional do DEM hoje garantirá apoio ao Serra", afirmava em sua página no twitter pela manhã.

Antônio Pedro de Siqueira Indio da Costa tem 39 anos, nasceu no Rio de Janeiro e está em seu primeiro mandato como deputado federal. É bacharel em Direito pela Universidade Cândido Mendes, com especialização em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Foi três vezes vereador do Rio de Janeiro antes de se eleger deputado federal em 2006. Indio da Costa foi o relator do grupo de trabalho que analisou o projeto ficha limpa, que impede as candidaturas de políticos com condenações judiciais em órgãos colegiados.

Em 1993, primeiro mandato de Cesar Maia na prefeitura do Rio, foi assessor do Gabinete do Prefeito. Foi Secretário Municipal de Administração nos outros dois mandatos de Maia, em 2001 e 2005. Ele esaiu da função ao se eleger deputado.

Indio da Costa se filiou ao antigo PFL, atual DEM, em 1995, seguindo os passos de Cesar Maia, que havia deixado o PMDB. Os dois saíram do PFL em 1999, e filiaram-se ao PTB. Em 2001, voltaram ao PFL. Cesar Maia é pai do deputado Rodrigo Maia (RJ), atual presidente do DEM. O anúncio do nome de Indio da Costa foi feito por Rodrigo após uma reunião com Serra, em São Paulo.

USO ELEITOREIRO DAS CESTAS BÁSICAS.

O Ministério Público de Alagoas está investigando um possível desvio, com interesses políticos, dos donativos destinados às vítimas das enchentes no Estado.


Uma das denúncias aponta que cestas básicas doadas estariam sendo guardadas para serem distribuídas apenas durante o período de campanha eleitoral.

Segundo o procurador-geral de Justiça, Eduardo Tavares, a denúncia é de "extrema gravidade", embora ainda não passe ainda de suspeita. “Alguns promotores nos passaram essas informações, que ainda não foram comprovadas. Há alguns indícios apenas, mas já expedimos uma recomendação para que, à mínima comprovação desse ato, aconteça a prisão dessa pessoa. Não podemos aceitar que alguém tire proveito de uma situação como essa”, afirmou.

Vítimas da enchente de 1988 vivem em presídio abandonado e esperam por casa

Maria do Carmo, 57, vai abrigar a irmã que perdeu a casa com a enchente da semana passada; ela vive no presídio que serve de abrigo para cerca de 100 famílias que ficaram desabrigadas pela enchente do rio Mundaú desde 1988 na zona rural

Outra informação que chamou a atenção ao MP foi a existência de listas paralelas à da Defesa Civil para a entrega de donativos. Para Tavares, essas listas poderiam favorecer a grupos políticos. “Sabemos como é política partidária, e por isso nos reunimos hoje [terça-feira, 29] com a Defesa Civil e expedimos recomendação, que será publicada no Diário Oficial, para que exista um cadastro único de vítimas, assim como um comando único de operações”, defendeu.

O MP ainda ameaça ingressar com ações de improbidade administrativa contra autoridades que venham a descumprir as regras de gestão pública dos repasses emergenciais.

Uma comissão foi criada também para acompanhar o Fundo da Defesa Civil, para onde estão sendo destinados os recursos federais e doações da população em geral.

Para o procurador-geral, é necessário também estabelecer horários para distribuição de “quentinhas” aos desabrigados, já que estariam sendo registradas confusões nas cidades em calamidade pública.

Preocupação com a violência

O MP ainda solicitou que sejam adotadas medidas para garantir a segurança das vítimas das enchentes nas cidades atingidas. Entre as recomendações expedidas estão: o toque de recolher a partir das 22 horas, o funcionamento 24 horas das delegacias e a proibição da venda de bebidas alcoólicas por um período de 90 dias.

Até o momento, segundo balanço da Defesa Civil Estadual, Alagoas já registra 37 mortos, 69 desaparecidos, 19 mil casas afetadas e 74 mil desabrigados e desalojados por conta das enchentes.

terça-feira, 29 de junho de 2010

ÁLVARO DIAS NÃO SERÁ O VICE.

30 de junho, 01,43hs.
Com a confirmação da candidatura de Osmar Dias ao governo do Paraná, com apoio do PT E PMDB, o Senador Álvaro Dias vai desistir de ser o Vice do Serra. Estará preservada a aliança Nacional DEM/PSDB e o Senador vai apoiar seu irmão. Minha intuição diz que o vice se for do DEM, será o deputado JOSÉ CARLOS ALELUIA. É esperar pra ver.

OSMAR DIAS DECIDE SER CANDIDATO COM APOIO DO PT E PMDB.

O senador Osmar Dias (PDT-PR) planeja para hoje o anúncio oficial de que vai disputar o governo do Paraná numa coligação envolvendo o seu partido, o PMDB e PT no Estado.


Osmar Dias reuniu-se a portas fechadas por mais de quatro horas na noite de ontem, em Curitiba, com a cúpula nacional do PDT. Ele admitiu, segundo participantes do encontro, sair candidato após ter garantias de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao seu nome e de que será "o candidato a governador mais importante" da aliança encabeçada pela candidata petista Dilma Rousseff na disputas estaduais.

Com isso, consolida-se no Estado um palanque forte para Dilma após mais de seis meses de negociações, marcadas por rompimentos com os petistas locais e por ameaças de apoio ao ex-prefeito de Curitiba Beto Richa (PSDB) na disputa para o governo.

A confirmação de Dias deve acirrar a eleição no Paraná. O Richa e Osmar Dias estão empatados tecnicamente nas pesquisas. O pedetista chegou a receber oferta de candidatura ao Senado em união com o PSDB, mas a cúpula nacional do PDT vetou.

A Folha apurou que na reunião Osmar Dias também aceitou negociar um vice do PMDB. Antes, ele exigia a indicação da petista Gleisi Hoffmann, mulher do ministro Paulo Bernardo (Planejamento).

A formalização da aliança PDT-PT- PMDB precisa ainda do aval do atual governador do Estado, Orlando Pessuti (PMDB), que também estava na disputa pelo governo estadual. Ele já sinalizou oficialmente que pode abrir mão da candidatura.

Sobre a possibilidade do irmão Alvaro Dias, também senador (PSDB-PR), ser indicado como vice do presidenciável tucano José Serra, Osmar Dias argumentou na reunião que como a eleição envolve cargos diferentes, sem existir "disputa direta", não haverá problemas de relacionamento entre eles. O pedetista usou ainda como argumento o fato de a situação do irmão tucano não estar definida, já que há resistências de aliados do PSDB, como o DEM.

Via folha.

CONTINUA A NOVELA DO VICE.

A pesquisa Vox Populi divulgada no final da tarde desta terça-feira, com a ampliação da margem possível de votos da candidata petista, Dilma Rousseff, sobre o adversário tucano, José Serra, repercutiu com um tom amargo no cafezinho servido durante a reunião de última hora, realizada na capital paulista, para a qual o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) foi convocado e declarou, ao deixar o encontro, sua dúvida quanto à solidez da aliança com o Partido Democratas (DEM), de extrema direita. Observadores próximos aos dois partidos, no entanto, já prevêem que o DEM irá ceder para que a aliança com os tucanos seja preservada.


– O DEM, na realidade, não tem outra opção a não ser ir a reboque do PSDB. Além de não dispor, imediatamente, de um candidato à Presidência da República, corre o risco de ajudar, ainda mais, a candidata petista (Dilma Rousseff) a obter mais tempo de televisão na propaganda eleitoral. Ou cede, ou desaparece do panorama político nacional de forma irreversível. Mas, com certeza, o candidato (José Serra) já perdeu o apoio entusiasta que receberia do DEM. À essa altura, no mínimo, consideram-se traídos pela direção do partido aliado – disse um parlamentar do Democratas, que preferiu o anonimato.

Ainda segundo o deputado do DEM, que conversou com o Correio do Brasil, por telefone, a queda de Serra nas pesquisas é um fator que irá catalizar ainda mais o afastamento gradual de seu partido da campanha serrista.

– Nos municípios onde o DEM ainda guarda uma parcela de apoio político significativo junto aos eleitores, a atitude do PSDB, de preterir os aliados de primeira hora, alia-se ao fato de Serra estar em queda perante a opinião pública. Isso se transforma num efeito cáustico para a candidatura tucana. Ninguém quer aparecer ao lado de um candidato que, além de não cumprir o que combina, ainda está em franca decadência junto ao eleitorado. A equação é perversa, não há como negar – lamentou.

No encontro, que contou também com a presença do presidente nacional do DEM, o deputado Rodrigo Maia (RJ) – filho do ex-prefeito do Rio, Cesar Maia – nem houve acordo para o apoio à candidatura Serra, nem o PSDB cedeu a vaga de vice-presidente na chapa tucana ao DEM.

– Não teve acordo. Vamos trabalhar para que nas próximas horas a gente possa chegar a um acordo – disse Maia ao deixar o hotel onde esteve reunido por mais de três horas. Uma nova rodada de negociações deverá ocorrer ao longo da madrugada desta quarta-feira, dia da convenção nacional do Democratas, em Brasília.

Maia disse estar otimista com as negociações mas, no provável jogo de cena, insiste ainda que o DEM não abre mão de indicar o candidato a vice.

– O PSDB indicou o Serra. Nós entendemos que o Democratas, independentemente do nome, deve indicar o vice, porque gera unidade e gera palanques fortes e políticos empolgados em todos os Estados – afirmou aos repórteres que o abordaram.

Segundo o presidente do DEM, o importante é que os dois partidos tenham a capacidade de compreender a posição do aliado e possam recuar de suas posições. Para vencer as eleições, Maia pediu uma união “verdadeira” entre o PSDB e o DEM.

– Estar unidos de verdade significa o PSDB mostrar ao nosso partido que respeita, que entende a importância do nosso partido na aliança e a importância do nosso partido na vaga de vice-presidente – acrescentou.

O ex-presidente FHC também disse estar otimista ao deixar encontro. Apesar de a convenção nacional do DEM ocorrer nesta quarta-feira, ele afirmou que ainda há tempo para negociar.

– Estou otimista. O que está em jogo é um processo histórico e não pessoas. Não se faz política com precipitação. Tem de conversar muito. Tem muito tempo (até esta quarta-feira) – prevê.

SOFRIMENTO SEM FIM.

GOSTO NÃO SE DISCUTE.

SOB SUSPEITA.

Relatório do TCU põe em xeque números oficiais do PAC, alertam deputados


Os deputados Leonardo Vilela (GO) e Otavio Leite (RJ) alertaram para relatório aprovado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) que coloca sob suspeita as avaliações divulgadas pelo governo federal sobre o andamento das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Para os tucanos, o documento é mais um alerta do TCU para a ineficiência da gestão do PT, além de levantar dúvidas sobre a credibilidade dos balanços apresentados pela Casa Civil sobre o programa.

“Contra números não há argumentos. A verdade é que a execução do PAC é quase ridícula, comprovando a ineficiência do atual governo. O PAC não passa de mera retórica eleitoral. Não é a primeira vez que o TCU e o PSDB alertam para essa situação”, afirmou Otavio Leite nesta segunda-feira (28).

O parlamentar acredita que a credibilidade do Palácio do Planalto é posta em xeque com o relatório. “A ausência de informação apontada pelo documento é própria de quem se esconde. É a comprovação de que a execução das obras está muito aquém do que o próprio governo gostaria. Esse é um momento propício para mostrar a realidade dos fatos à população”, afirmou.

Segundo o TCU, o governo não tem como comprovar, pelos sistemas que possui e pelas informações disponíveis neles até o ano passado, se o que divulga está correto. "Como esses sistemas oficiais não permitem o monitoramento completo do programa, questiona-se, então, como são elaborados os balanços", diz trecho do relatório.

Para Vilela, o PAC é mal elaborado e mal gerenciado. O deputado lembrou que o programa enfrenta suspeita de uma série de irregularidades, como superfaturamento e atrasos em obras. “O relatório desnuda a má gestão do PAC e merece atenção especial. O TCU tem frequentemente batido nessa tecla. Isso é preocupante, pois o governo não toma nenhuma providência para corrigir erros e falhas”, alertou.

O tribunal constatou, inclusive, truques para melhorar a classificação das obras. Das mais de 10 mil integrantes do PAC, o TCU havia fiscalizado 72. Em 20% delas (14), os auditores discordaram da classificação de andamento. As críticas são semelhantes às que o órgão tinha feito quando avaliou as contas do governo de 2009. Segundo o texto, o Planalto estava computando como executadas obras que nem sequer foram iniciadas.

Lentidão comprovada

6,6%

É o percentual de execução financeira das obras do PAC no Orçamento da União de 2010. De acordo com levantamento da assessoria técnica do PSDB com base em dados do Siafi, dos R$ 28,6 bilhões previstos para este ano, foram pagos até o último dia 23 apenas R$ 1,8 bilhão.

Contas turbinadas

→ Segundo o texto, o governo estava computando como executadas obras que nem sequer foram iniciadas. É o caso das concessões de estradas e dos financiamentos do Fundo da Marinha Mercante. No caso das concessões, as obras acontecerão ao longo de 25 anos. No Fundo da Marinha Mercante houve R$ 4,7 bilhões de empréstimos e o governo já contabiliza no PAC R$ 10 bilhões, o valor total contratado.

→ A cada quatro meses, o governo divulga balanço com o andamento das obras.


(Reportagem: Alessandra Galvão/Fotos: Eduardo Lacerda)

NÃO SOU POSTE, NÃO SOU POSTE.

GOVERNO REGISTRA DEFICIT DE 509,7 MILHÕES EM MAIO.

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BRASÍLIA - As contas do governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) voltaram ao vermelho e apresentaram em maio o pior resultado para o mês em 11 anos. O governo central registrou um déficit de R$ 509,7 milhões no mês de maio, segundo dados divulgados hoje pelo Tesouro Nacional. No mês de abril, o governo central havia registrado um superávit de R$ 16,596 bilhões. O resultado negativo de maio foi gerado, principalmente, por um desempenho ruim das contas do Tesouro, que teve um superávit de R$ 2,119 bilhões, ante um superávit de R$ 19,689 bilhões em abril. A Previdência Social registrou um déficit de R$ 2,589 bilhões em maio, enquanto o Banco Central teve um resultado negativo de R$ 39,3 milhões. Tanto a Previdência quanto o Banco Central computaram resultado melhor do que em abril, quando o déficit nas contas previdenciárias foi de R$ 3,011 bilhões e do Banco Central, de R$ 80,9 milhões.





Os dados contrariaram fortemente as expectativas dos analistas, que não previam resultado negativo. As estimativas eram de superávit de R$ 248 milhões a R$ 5,1 bilhões, de acordo com um grupo de 13 instituições do mercado financeiro consultadas pela Agência Estado. Com base neste intervalo de expectativas, a mediana calculada era de R$ 3,1 bilhões de superávit. De janeiro a maio, o governo central registra um superávit de R$ 24,209 bilhões. Esse valor supera em R$ 5,052 bilhões o superávit do mesmo período de 2009. Segundo os dados, o resultado do governo central no acumulado do ano equivale a 1,73% do Produto Interno Bruto, ante 1,56% do PIB registrado de janeiro a maio de 2009. Em maio de 1999, as contas do governo central apresentaram déficit de R$ 650 milhões.



O déficit nas contas do governo central em maio é o terceiro resultado negativo obtido neste ano. Nos cinco primeiros meses de 2010, as contas do governo central apresentaram déficit em fevereiro, março e em maio. Porém, os fortes superávits registrados em janeiro (R$ 13,866 bilhões) e em abril (R$ 16,596 bilhões) compensaram os resultados negativos apurados nos outros três meses do ano.

As receitas do governo central cresceram 17,9% de janeiro a maio deste ano, na comparação com o mesmo período de 2009. As despesas registraram um aumento de 18,5%, no mesmo período de comparação. Segundo dados divulgados hoje pelo Tesouro Nacional, os gastos aumentaram 33,3% com custeio e capital, 14,1% com pagamento de benefícios e 8,4% com pagamento de pessoal. As transferências para Estados e Municípios subiram 12,4%, de janeiro a maio, em relação ao mesmo período de 2009.

SERRA INTERVÉM, MAS IMPASSE CONTINUA.

À véspera da convenção nacional do DEM, continua o impasse em torno do vice de José Serra à Presidência. O candidato do PSDB participou na madrugada desta terça-feira (29) de uma reunião na casa do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), com democratas e tucanos, para tratar sobre a reação do DEM à indicação do senador Alvaro Dias (PSDB-PR), numa chapa tucana puro-sangue.


No encontro, Serra --que inicialmente resistiu em participar da reunião-- alegou que não interessa o partido, pois democratas e tucanos terão a mesma participação na campanha. Apesar da intervenção, o impasse entre os dois partidos continua e ainda nesta terça-feira será realizada uma nova reunião.

"O impasse continua. Deveríamos ter negociado antes, como estamos fazendo agora", afirmou o presidente do PSDB, Sérgio Guerra. "Começamos a superar o impasse porque estamos na mesa de negociação", completou.

O comando do DEM --inclusive o comedido ex-senador Jorge Bornhausen (SC)-- alertou Serra para o risco de "derrota na convenção do partido", que será realizada na quarta-feira, caso seja mantida a indicação de Dias. Segundo participantes da reunião, Bornhausen fez o mais contundente discurso de crítica à indicação de um tucano a vice.

De acordo com participantes, a reunião foi tensa. Rodrigo Maia, presidente do DEM, negou o argumento de que não estaria disposto a negociar.

Em meio a discussão, um democrata sugeriu a análise do nome de outro candidato do PSDB a vice. Maia reagiu e, segundo participantes, disse que "agora tem que ser do DEM. Eu estou fechado com 70% do partido".

De acordo com Guerra, houve o reconhecimento de que o PSDB errou na forma de indicação de Dias. Esse era o gesto que o DEM reivindicava para abrir as negociações com o partido.

Questionado sobre o apoio do PSDB a escolha de Dias, Guerra disse que "todos nós do PSDB defendemos um candidato".

Inicialmente, Serra resistiu em participar da reunião para ser poupado da crise, mas os democratas alegaram que a ausência do candidato só iria fomentar o embate. A reunião começou com um jantar entre tucanos e democratas. O candidato foi chamado por volta das 23h40 e deixou a casa do prefeito à 1h.

via folha.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Marina Elali - Só Por Você (Love By Grace)

Sem Dilma, Marina desiste de participar de sabatina da CNA,

A coordenação da campanha da candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, informou na noite desta segunda-feira que ela não irá mais participar da sabatina organizada pela CNA (Confederação Nacional da Agricultura e da Pecuária) marcada para a próxima quinta-feira.

O coordenador-executivo da campanha, João Paulo Capobianco, afirma que a decisão foi tomada depois que a entidade não atendeu ao pedido da candidata de mudar as regras do evento. Segundo ele, as regras atuais não garantiriam a isonomia entre os candidatos.

O evento terá a presença do tucano José Serra. Já a petista Dilma Rousseff negou o convite da entidade.

"Dada a vinculação legítima de dirigentes da CNA com a candidatura adversária, apenas o conhecimento dos temas definidos para as perguntas não asseguraria a necessária isonomia para que as visões estratégicas sobre a condução do agronegócio brasileiro fossem expostas adequadamente", diz nota assinada por Capobianco.

Segundo o coordenador, Marina pediu à direção da CNA as perguntas que seriam feitas na sabatina "a exemplo de encontros com presidenciáveis promovidos por outras entidades representativas do empresariado brasileiro ou do municipalismo". No entanto, não foi atendida.

Marina reclama ainda que a CNA entregou para Serra em abril o documento referência da sabatina, enquanto ela só o recebeu nesta segunda-feira.

A presidente da CNA, senadora Kátia Abreu (DEM-TO), respondeu em nota que lamenta a decisão de Marina. Segundo a senadora, as questões foram elaboradas por personalidades reconhecidas sobre as questões da agricultura.

"Estas perguntas, formuladas pelos convidados, seriam apresentadas, igualmente, a cada um dos presidenciáveis, durante o encontro na CNA, na próxima quinta-feira, conforme as regras acordadas com as assessorias dos candidatos à Presidência da República. Assim, cada um dos candidatos receberia as mesmas perguntas, abordando temas previamente apresentados aos assessores dos candidatos, que constam do material disponibilizado às assessorias durante o dia de hoje."

GAROTINHO PROMETE REVELAÇÃO BOMBÁSTICA.

O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (PR) afirmou nesta segunda-feira que a decisão do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de manter sua inelegibilidade por três anos já era esperada e que continua confiando no julgamento independente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) no caso.

"Sempre disse que não tinha esperanças, porque todo o processo sofreu influências poderosas nos bastidores. Não era um julgamento com base nas provas, que não existem, nem podem existir porque nem eu, nem Rosinha fizemos nada de errado. Foi um julgamento político para atender interesses eleitorais. As impressões digitais de Sérgio Cabral [governador do Rio, do PMDB] são flagrantes", disse ele em seu blog.

Garotinho e sua mulher, que é prefeita de Campos dos Goytacazes (RJ), são acusados de abuso de poder econômico ao supostamente usar uma rádio em benefício da eleição de Rosinha em 2008. O TRE-RJ também manteve hoje a cassação da prefeita.

TRE do Rio de Janeiro mantém cassação de Rosinha e inelegibilidade de Garotinho por três anos

"Daqui a pouco, vocês vão ter aqui no blog uma revelação bombástica, que comprova o jogo sujo de interesses cruzados, a imoralidade, que está contaminando instituições no Estado do Rio de Janeiro", disse Garotinho.

"Estou certo que o TSE, de forma independente, sem o comprometimento que existe hoje, por parte de setores do MP [Ministério Público] e da Justiça, aceitará o meu pedido de liminar, que está nas mãos do ministro Marcelo Ribeiro", reiterou.

Eleição

Na tentativa de disputar o governo do Rio nas eleições deste ano, Garotinho marcou para quarta-feira a convenção do partido. No entanto, para registrar sua candidatura até 5 de julho, precisa derrubar a decisão do TRE no TSE.

O TSE havia decidido aguardar a decisão da Justiça Eleitoral do Rio antes de se pronunciar sobre o assunto.

"Levando em conta, ainda, que o registro das candidaturas ocorrerá até 5 de julho, entendo que se deva aguardar o citado julgamento", afirmou o ministro Marcelo Ribeiro.

GOVERNO LULA.

LIDER DO DEM NO SENADO FALA EM ENTENDIMENTO COM O PSDB.

Na tentativa de amenizar o discurso de parte do DEM que prega o rompimento da aliança em torno do candidato à sucessão presidencial José Serra (PSDB) caso o vice não seja indicado pelo partido, o líder do partido no Senado, José Agripino Maia (RN), divulgou nota na qual defende o diálogo.


No documento, ele diz que "na relação entre o DEM e o PSDB não podem haver ultimatos nem fatos consumados". "A história de parcerias e reciprocidades entre os dois partidos recomenda a superação das divergências pelo diálogo e pela determinada busca do entendimento."

Líder do DEM diz que partido não pode dar ultimato ao PSDB por indicação de Álvaro Dias com vice

A posição do senador revela uma divisão entre as bancadas do partido na Câmara e no Senado. Enquanto os deputados são os mais contundentes na cobrança pela vaga de vice, os senadores apostam no diálogo.

O PSDB indicou o senador do partido Álvaro Dias (PR) para a vaga de vice na última sexta-feira, o que provocou protestos de democratas, especialmente do presidente do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ), que dizem não aceitar a chapa puro sangue.

Nesta segunda-feira, o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), disse, em entrevista à rádio "CBN", temer que a reação do DEM comprometa a vitória de Serra na eleição presidencial.

"Eu temo que nós tenhamos, nesse episódio, atuado para comprometer a nossa vitória. Isso é o que eu acho. Na questão de um partido ter o apoio do outro, nós já votamos nos democratas e os democratas votam conosco há muitos anos. Não é esse o problema. O problema é de ter unidade, tranquilidade e uma noção construtiva da luta que nós enfrentamos".

SAÍDA POLÍTICA

Ontem, a alta cúpula do DEM se reuniu no apartamento de Rodrigo Maia e decidiu fazer um recuo a respeito das críticas à escolha de Dias.

A ideia é tentar uma saída política até depois de amanhã, dia 30 de junho --data limite para a formalização de alianças eleitorais e também quando o DEM realiza sua convenção nacional.

Entre os que defenderam uma saída política --mantendo o apoio formal a Serra-- estavam o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, José Agripino, o deputado federal ACM Neto (BA) e o ex-presidente nacional da legenda Jorge Bornhausen.

Os mais radicais a favor de romper com Serra caso Dias não saia foram Rodrigo Maia, o deputado Ronaldo Caiado (GO) e Vic Pires (PA).

Ao final, todos concordaram em recuar a respeito de fazer críticas públicas. Caberá a Rodrigo Maia buscar saída honrosa para continuar dando apoio a Serra.

domingo, 27 de junho de 2010

Candidato do PSDB, Sílvio Mendes lança carta aberta no Piauí.

Ao lado dos senadores Heráclito Fortes (DEM) e Mão Santa (PSC), o ex-prefeito de Teresina, Sílvio Mendes (PSDB), foi oficializado candidato das oposições ao governo do Piauí. Em convenção realizada no Atlantic City Clube, em Teresina, o tucano disse que quer um "debate limpo" e lançou carta aos piauienses. Ao discursar, Sílvio Mendes criticou o governo estadual e disse que é candidato dos "sonhadores".


"O PSDB, PPS, DEM e PSC somos todos iguais. Declaro a cada um que aceito o desafio. Aceito ser candidato dos sonhadores e que querem um governo mais justo", disse Sílvio Mendes para um público de cerca de 10 mil pessoas - dados dos organizadores - que o aplaudia.

Sílvio Mendes, 60 anos, que foi reeleito prefeito de Teresina com mais de 70% dos votos, é médico ortopedista, e terá como seu principal marketing a gestão à frente da Prefeitura de Teresina. Ele conta com o apoio de dois ex-governadores Hugo Nepoleão (DEM) e Mão Santa.

Em seu discurso, Sílvio Mendes atacou a falta de investimento, a educação e os baixos indicadores econômicos no Estado. Na carta aberta aos piauienses, o candidato do PSDB diz que o "Piauí precisa pensar grande" e avisa: "a realidade não pode vencer a esperança".

O tucano lidera as pesquisas eleitorais e é o principal adversário do governador Wilson Martins (PSB), que tenta a reeleição. No Estado, já estão confirmados as candidaturas estaduais do senador João Vicente Claudino (PTB), da Teresa Britto (PV) e Geraldo Carvalho, pelo PSTU.

No Piauí, o PSDB lança chapa puro-sangue com o empresário Raimundo Sá como vice de Sílvio Mendes. Os candidatos a senadores na chapa do tucano são Heráclito e Mão Santa.

Vice de Serra

Amigo pessoal do candidato José Serra, Sílvio Mendes, disse que defendia um vice que fosse do Nordeste. "Eu preferia que fosse um nordestino, mas o Álvaro (Dias) tem as suas virtudes, mas é uma solução que veio do Paraná que é importante para a candidatura do Serra". O nome defendido por Sílvio Mendes para a vice de Serra foi o senador Sérgio Guerra, presidente Nacional do PSDB.

Via Portal Terra

REUNIÃO PODE SELAR PAZ NA OPOSIÇÃO.

Direto de São Paulo


Após longa reunião neste domingo (27), o DEM decidiu baixar o tom nos ataques direcionados aos aliados tucanos. O partido pedirá um encontro com o candidato ao planalto José Serra (PSDB) para expor o descontentamento com a decisão do PSDB em sustentar o nome do senador Alvaro Dias (PSDB) como vice na chapa presidencial. No entanto, pretende recuperar o diálogo e sinalizar que a aliança está firme, reforçando que está aberto a conversas sobre a questão.

Líderes do Democratas se reuniram na casa do presidente da sigla, o deputado pelo Rio de Janeiro Rodrigo Maia, para discutir a decisão do PSDB. O parlamentar carioca é o porta-voz da ala que reivindica a vaga de vice e encabeçou a onda de críticas aos aliados.

Segundo um lider do DEM, seu correligionários se mostraram bastante irritados com a condução dada pelo PSDB à questão. O ex-PFL reivindica a vaga de vice desde que o ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves. se negou a ocupar o posto. O anúncio de Alvaro Dias despertou a fúria dos Democratas. Além de Maia, líderes como o deputado Ronaldo Caiado engrossaram o teor das críticas, o que, na avaliação de ambos os partidos, desgastou a imagem da coligação.

A tática do DEM é retomar a elegância e acertar onde o PSDB não acertou: na condução do processo, afirmou um líder da legenda. Segundo uma fonte da campanha tucana, Serra está disposto a se reunir com seus aliados, desde que tenha garantias de que o DEM aceitará a decisão tucana sem fazer novos ataques, mesmo que o partido seja alijado da decisão de indicar um vice.

Durante a reunião deste domingo, o descontentamento dos líderes do Democratas com o PSDB foi geral. No entanto, a ala do DEM que se diz mais moderada não faz questão da vice e aceita que Serra decida sobre seu companheiro de chapa. O partido agrega três minutos ao tempo de televisão do candidato tucano à presidência.

Entre os líderes do DEM, fala-se em riscos de se manter Alvaro Dias, mas não se fala mais em rompimento com o PSDB, que, segundo um dos dirigentes que participou desta reunião no domingo, está muito inflexível. O DEM tentará valorizar o partido diante da opinião pública e de Serra, demonstrando interesse em reverter a decisão tucana, tida como irrevogável.

O PSDB ofereceu a vice a Alvaro com a intenção de atrair seu irmão para a vaga de senador na chapa com o candidato tucano ao governo do Paraná, o ex-prefeito de Curitiba Beto Richa. Osmar já declarou, mais de uma vez, que, caso seu irmão seja mesmo o vice, não fará campanha contra ele, e já sinalizou à direção de seu partido o desejo de se coligar com os tucanos no Estado.

A crise entre DEM e PSDB foi desencadeada pelo anúncio de que Alvaro Dias era o nome indicado pela cúpula tucana para ser vice de Serra. O DEM se sente no direito de ficar com a vaga e não gostou de ter recebido a notícia pelo Twitter de Roberto Jefferson, presidente do PTB, que, na última sexta-feira (25), fez uma série de ofensas ao ex-PFL na sua página do microblog.

RELEMBRE O MENSALÃO DO PT.

 No Brasil, 2005 entrou para a história como o ano em que o vocabulário da roubalheira nacional ganhou a palavra "mensalão". Um dos períodos em que o Brasil assistiu à mais alucinante sucessão de escândalos de desvio do dinheiro público teve início com um vídeo em que Maurício Marinho, chefe de departamento nos Correios, é flagrado embolsando uma propina de 3.000 reais. Divulgado por VEJA em maio daquele ano, o vídeo levou o então deputado Roberto Jefferson a denunciar as entranhas do petismo e acabou por desencadear a maior crise política do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Jefferson, ele mesmo um dos beneficiários do esquema, revelou que, em troca de apoio político, o governo petista pagava uma mesada a deputados da base aliada - o mensalão. Orquestrados por Delúbio Soares, então tesoureiro do PT, os pagamentos eram feitos pelo empresário Marcos Valério, com dinheiro desviado de empresas estatais. Em junho, nove fontes confirmariam a VEJA a existência das propinas, negadas veementemente por todos os envolvidos até então.

Um a um, os desmentidos foram sendo derrubados por documentos revelados pela revista em suas edições seguintes - como a agenda da secretária de Valério, que atestava sua proximidade com a cúpula petista, ou a confirmação de que o empresário foi avalista de um empréstimo milionário do banco BMG ao PT. A posterior divulgação do intenso movimento de suas contas bancárias, que registravam vultuosos saques em dinheiro feitos por ele e por uma série de petistas, comprovariam a participação de Valério no esquema.

À medida que novas falcatruas foram sendo descobertas - 100.000 dólares na cueca de um assessor do irmão de José Genoíno, ligações suspeitas de José Dirceu com a Portugal Telecom e caixa dois de campanha eleitoral para pagar o publicitário Duda Mendonça, só para citar algumas - a permanência de Lula no governo passou a ficar ameaçada. Em julho, com base em 29 depoimentos, VEJA mostrou que o presidente sabia da existência do mensalão, ao contrário do que parte de seu governo afirmava. Quando, em agosto, Lula fez um pronunciamento na TV em que se disse traído, o escândalo já havia tragado quase todos os auxiliares mais próximos do presidente. Logo após, até o então ministro da Fazenda Antônio Palocci seria acusado de receber propina quando era prefeito de Ribeirão Preto.

Seis meses depois, o Ministério Público entregou ao Supremo Tribunal Federal a denúncia contra a quadrilha do mensalão. Quarenta nomes foram apontados. O documento acusava a cúpula do PT de formar uma "sofisticada organização criminosa", que se especializou em "desviar dinheiro público e comprar apoio político", com o objetivo de "garantir a continuidade do projeto de poder" do partido. O ex-ministro José Dirceu é descrito como o "chefe do organograma delituoso". José Genoíno, ex-presidente do PT, aparece como o "interlocutor visível da organização criminosa". Delúbio Soares é o "elo com as ramificações operacionais da quadrilha". Silvio Pereira, o ex-secretário Silvinho Land Rover, tinha a "função primordial" de distribuir cargos no governo - de onde saíam oceanos de dinheiro público para o PT e outros partidos.

No fim de agosto de 2007, os ministros do Supremo Tribunal Federal acolheram a denúncia contra a máfia, abrindo processo contra seus integrantes. No julgamento histórico em que o STF pôs os mensaleiros (e o governo e o PT) no banco dos réus, Joaquim Barbosa foi a estrela. Em 2008, VEJA voltou a publicar informações exclusivas sobre os esquemas corruptos. O relatório final da Polícia Federal sobre o escândalo dos Correios dizia que o fisiologismo político e o desvio de dinheiro infestavam os órgãos públicos e as empresas estatais.

Fonte: Arquivos Veja.

Frank Sinatra New York New York.

PÃO E CIRCO.

Por Dr. Alex Mendes

Importante destacar que: "Panem et circenses" é a forma acusativa da expressão latina panis et circenses , que significa "pão e [jogos] circenses", mais popularmente citada como pão e circo. Esta foi uma política criada pelos antigos romanos, que previa o provimento de comida e diversão ao povo, com o objetivo de diminuir a insatisfação popular contra os governantes.


Espetáculos sangrentos, como os combates entre gladiadores, eram promovidos nos estádios para divertir a população; nesses estádios, pão era distribuído gratuitamente.

O custo desta política foi enorme, causando elevação de impostos e sufocando a economia do Império[1].

A frase teria sua origem nas Sátiras de Juvenal, mais precisamente na décima (Sátira X, 77–81). Eram tantas festas que o calendário Romano chegou a ter 175 feriados.

Tomara que não cheguemos a este ponto, antes o povo não podia reagir, pois se o fizesse, seria violentamente reprimido, mas hoje podemos fazê-lo, assim, vamos ficar de olho. Como se diz por aí: "Um olho no gato, outro no peixe"!

POVÃO NA COPA, RATOS NA COZINHA.

O FILÉ E A CARNE DE PESCOÇO.

A saúde pública no Brasil é realmente um descaso com  todos nós que sofremos com uma carga tributária das maiores e mais injustas do mundo, requer uma revisão de conceitos e de custeio, tornando-se um desafio ao novo Governo a se instalar a partir de 2011. O que vemos atualmente é um completo distanciamento entre o que se imagina nos gabinetes do Ministério da Saúde e o que acontece nos municípios, principalmente nos pequenos, onde a arrecadação é insuficiente para cumprir os compromissos de responsabilidade com a atenção básica, que afinal de contas é onde poderia se resolver mais de 80% de todas as ações de prevenção e tratamento. Postos de saúde suntuosos , distribuição de ambulâncias são programas eleitoreiros que não se sustentam por falta da capacidade de custeio pelas Prefeituras.


Enquanto a saúde pública enfrenta todo tipo de problemas , já conhecidos de todos e por isso mesmo vou me abster de comentar, a medicina de grupo vai muito bem obrigado, e todo aquele que quer dar um mínimo de tranqüilidade à sua família, tendo recursos para tal, se vê obrigado a espremer o orçamento e aderir a um plano, que diga-se de passagem, tem para todas as faixas de renda. O que está acontecendo é que estão ficando com o filé enquanto para o SUS sobra na melhor das hipóteses a carne de pescoço e explico porque. Primeiro existem procedimentos que os planos não cobrem e que acabam caindo nas costas do setor público, segundo, nas situações de emergências , só o SUS mantem plantões com equipes multidisciplinares para o atendimento dos poli traumatizados. Geralmente pacientes que necessitam de cirurgias complexas e de Unidades de tratamento intensivo, gerando altos custos no atendimento imediato e na recuperação. Existe uma lei de 1998 que obriga aos planos privados ressarcirem ao SUS os gastos com atendimentos aos pacientes de planos de saúde. Lei que nunca foi obedecida e estima-se que só no período de 2003 a 2008 em plena gestão petista, o prejuízo aos cofres públicos cheguem a 5 bilhões de reais.

Como médico que trabalha em hospitais públicos , sou testemunha disto, não é incomum sermos procurados para exames e procedimentos que não são cobertos pelos planos privados. Atendemos diariamente nos serviços de urgências clientes de planos de saúde e, naturalmente estes custos estão recaindo nas costas da grande maioria de nosso povo que é justamente àqueles que não podem pagar e dependem exclusivamente do atendimento do SUS.

Que força misteriosa é essa que impede que o Governo faça prevalecer esta lei? Acredito que é uma causa importante a ser abraçada por àqueles que querem governar o Brasil, que querem um País mais justo. Nada contra os planos ou a medicina de grupo, contra sim, o fato de que enquanto as empresas que comercializam a saúde enriquecem, nadam em dinheiro, prosperam, nosso povo, grande maioria dependente dos serviços públicos, tenha um serviço de péssima qualidade, sofrendo e morrendo à espera de um cirurgia ou até mesmo exames que possam significar diferenças entre a vida e a morte.

Saúde é um direito de todos e obrigação do Estado, se o serviço oferecido não é de qualidade, nada mais justo que as empresas explorem a incapacidade do serviço público em obedecer a determinação constitucional, o que não é justo, são que  usem o já deficiente atendimento do SUS para suprir o que não querem oferecer, tirando vagas em UTIs, cirurgias e exames sem pagar por isso. As doenças, os acidentes, a dependência química, acometem ricos e pobres, que cada um tenha um atendimento justo e competente e que os proprietários dos planos privados paguem pelo tratamento que não são capazes ou não querem oferecer.

O Brasil precisa e pode ser muito mais justo com o seu povo, basta ter vontade política, obrigar o ressarcimento de clientes de planos privados ao atendimento prestado pelo serviço público é um belo começo, fica aqui a minha contribuição àquele que espero seja o novo Presidente de nosso País. O que vemos até aqui é que enquanto uns comem carne de primeira, a grande maioria nem têm carne pra comer.

RACHA NO SUL.

O PMDB oficializou ontem suas coligações em seis estados. Em Santa Catarina, o partido desafiou a Executiva Nacional do partido e confirmou aliança com o PSDB e o DEM, que lançará o senador Raimundo Colombo para o governo estadual. Com 288 dos 425 votos, os catarinenses optaram pela coligação, indicando o ex-governador Eduardo Pinho Moreira para vice na chapa de Colombo. O ex-governador Luiz Henrique é o escolhido para disputar uma vaga no Senado.



Em Goiás, Iris Rezende foi confirmado para a disputa do governo. A novidade, porém, é o apoio ao deputado federal Pedro Wilson (PT) para o Senado. No Pará, a surpresa ficou por conta da indicação de Hildegardo Nunes como vice na chapa de Domingos Juvenil.


Nos demais estados não houve surpresas. O PMDB escolheu João Correia para disputar o Senado na coligação que terá Tião Bocalom (PSDB) como candidato ao governo do Acre. Em Mato Grosso do Sul, o partido confirmou que o governador André Puccinelli tentará a reeleição e Wladimir Moka concorrerá ao Senado. E no Rio Grande do Sul, o ex-prefeito de Porto Alegre José Fogaça (PMDB) disputará o governo, tendo como vice Pompeo de Mattos (PDT), e o ex-governador peemedebista Germano Rigotto como candidato ao Senado.

ITAMAR FRANCO DE VOLTA À POLITICA.

O ex-presidente da República e ex-governador de Minas Gerais Itamar Franco quer voltar à vida política como senador — cargo que já ocupou em plena ditadura militar, ao ser eleito pelo MDB, partido oposicionista, nas eleições de 1974. Aclamado pelo seu partido, o PPS, e com o apoio do ex-governador Aécio Neves (PSDB), Itamar recebeu ontem, durante convenção realizada em Belo Horizonte, o sinal verde para disputar uma das duas cadeiras para o Senado nas eleições de outubro. A campanha será feita em conjunto com o PSDB, aliando as imagens de Itamar, Aécio e do governador de Minas Gerais, Antonio Augusto Anastasia (PSDB), que tenta a reeleição.


Fortemente aplaudido pelos militantes e políticos que participaram da convenção, Itamar ouviu vários elogios sobre a sua “ética e honestidade”. Entusiasmado, Aécio Neves afirmou que a partir de ontem passou a se chamar “Aécio Anastasia Franco” — em alusão aos nomes dos integrantes da chapa majoritária, composta pelos dois candidatos ao Senado e a governador. “Quem quiser votar em Aécio, comece votando em Itamar”, discursou Aécio, arrancando aplausos. O governador Anastasia disse que a presença de Aécio e Itamar no Senado será uma garantia da defesa dos interesses de Minas.

Em rápida entrevista, Itamar Franco afirmou que vai trabalhar pela eleição de Aécio e Anastasia, não deixando claro se vai fazer campanha para José Serra (PSDB) – o candidato a presidente da República apoiado pela coligação. “Só penso em Minas”, limitou-se a dizer, completando que o estado perdeu a oportunidade de ter um presidente da República ao não emplacar a candidatura de Aécio Neves para a sucessão do Palácio do Planalto. Questionado sobre prováveis dissidências dentro do partido, Itamar apelou para a “consciência de cada um” e aproveitou para criticar a legislação eleitoral, que permite aos partidos fazerem alianças diferentes em níveis federal e estadual.

Inflação domada

Itamar ingressou na vida pública como prefeito de Juiz de Fora, sua terra natal, em cargo que reconquistou na disputa de 1972. Em maio de 1974, garantiu uma vaga no Senado e lá permaneceu mais dois mandatos. Em meados de 1989, aceitou convite de Fernando Collor de Melo, ex-governador de Alagoas, para concorrer a vice-presidente da República na chapa encabeçada pelo PRN.

Com apenas 2% das intenções de votos, o alagoano já havia convidado outros políticos, que recusaram a oferta. Itamar então surgiu como o melhor nome, pela sua imagem de honesto e ter base eleitoral em Minas Gerais. Em meio às acusações de corrupção que levaram ao impeachment de Collor em 1992, assumiu a Presidência de um país com uma inflação na casa de 20% ao mês e desemprego em alta. No seu governo a inflação foi finalmente domada e as classes menos favorecidas recuperaram poder de compra.

Impedido de disputar a Presidência em 1998 pelo PMDB, que optou pelo apoio à reeleição de Fernando Henrique Cardoso, Itamar elegeu-se para o governo de Minas, derrotando Eduardo Azeredo (PSDB), que disputava a reeleição. Durante seu mandato no Palácio da Liberdade, passou três anos travando uma batalha contra FHC, incluindo a moratória da dívida mineira. Em 2006, disputou com Newton Cardoso a convenção que escolheria o candidato do PMDB a senador: foi derrotado com uma larga diferença de votos.

Políticas rasteiras e tragédias chuvosas.

Ao distribuir verbas públicas de forma desigual, um político é mais responsável do que São Pedro quando o céu desaba sobre a cabeça de brasileiros. No caso, brasileiros que atendem os pedidos de Lula para votar em Dilma Rousseff


Leonardo Cavalcanti

Em linha reta, o município baiano de Salvador e a cidade alagoana de Santana do Mundaú estão a 480km de distância. Na última semana, porém, a política rasteira uniu os dois locais de uma forma definitiva em episódios distintos. O primeiro ocorrido na última segunda-feira. O outro, na quarta-feira passada. Vamos a eles, pois.

Cena 1: Dilma Rousseff (PT) e Geddel Vieira Lima (PMDB), em um mesmo palanque, festejam a homologação da candidatura do peemedebista ao governo da Bahia.

Cena 2: Quitéria Celestina lamenta a impossibilidade de sair de casa e tentar encontrar comida para a família no município de Alagoas devastado pelas chuvas.

O elo entre as duas cenas está escondido em números da burocracia governamental. Mais especificamente do Ministério da Integração Nacional. O que segue a partir daí é uma ciranda.

Um ministério há até bem pouco tempo comandado pelo peemedebista Geddel, hoje um dos cabos estaduais de Dilma, a candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que colocou — ou pelo menos teve de engolir — e manteve o político baiano na Esplanada.

Aí está o pulo do gato. Reportagem do Correio mostrou que, de 2004 a 2009, o Ministério da Integração Nacional, comandado por Geddel a partir de 2007, pagou R$ 357 milhões para obras preventivas a desastres nos estados.

Do total de recursos, 37% foram parar na Bahia, onde Dilma e Geddel comemoram a candidatura do ex-ministro na segunda-feira.

Alagoas, o estado onde na quarta-feira Quitéria Celestina tentava encontrar comida, ficou com 0,3%.

É o tal do jogo político rasteiro. Ao distribuir dinheiro de forma desigual, um político é mais responsável do que São Pedro quando o céu desaba. Eu sei, é a segunda vez que cito o santo aqui neste espaço, mas isso não significa que tenha alguma procuração para defendê-lo ou mesmo seja devoto.

No caso de Geddel, ele até fez graça em abril passado, depois que as chuvas devastaram os morros de Niterói, no Rio de Janeiro: “Não é bem assim, mas enquanto disserem que eu dei mais dinheiro para a Bahia não deixa de ser bom para mim”.

(...) Ainda no último mês de abril, Lula saiu em defesa de Geddel ao falar sobre os desmoronamentos no Rio de Janeiro. “É uma leviandade de quem falou. O que eu acho pobre neste país é que as pessoas esperam acontecer uma desgraça dessa magnitude para ficar tentando fazer um joguinho político pequeno.”

Na quinta-feira passada, em visita a Alagoas, Lula não falou sobre Geddel ou fez qualquer defesa a políticos. Ao contrário, mostrava-se emocionado ao ver in loco a tragédia que abateu brasileiros de Pernambuco e de Alagoas. No caso, brasileiros que atendem pedidos de Lula para votar em Dilma.

JÁ ME SINTO EM CAMPANHA, DIZ ÁLVARO DIAS.

Assumindo postura de candidato, o senador paranaense Álvaro Dias (PSDB), candidato a vice na chapa de José Serra (PSDB) a Presidente da República, endureceu o discurso contra o governo Lula, ontem, durante convenção do Partido em Cuiabá (MT) que homologou o nome de Wilson Santos (PSDB) candidato a governo de Estado.


"Tenho recebido recomendação do partido e do Serra. Já me sinto em campanha", disse.

Dias disse também que o endurecimento adotado durante discurso de críticas ao governo Lula já faz parte de sua postura. "É a minha postura no Parlamento - o de repulsa à corrupção e denúncia das falcatruas -, mas vou seguir o tom do Serra. Ele é que vai comandar. Cada campanha tem a estratégia que deve ser obedecida. E serei leal e absolutamente fiel ao Serra. Estarei como coadjuvante como tantos outros no Brasil dando suporte a esse projeto comandado pelo Serra."

Em Cuiabá, o tucano voltou a afirmar que continua candidato a vice na chapa de José Serra apesar da posição do DEM. "Isso valoriza o DEM. É parte do jogo democrático. O DEM é um partido importante na aliança. É legítimo que postule a indicação de um nome, mas certamente a prioridade é o projeto maior. Isso é que vai motivar o DEM a aceitar eventuais ponderações que possam ser feitas pelo PSDB, pelo candidato José Serra e o Sérgio Guerra."

O senador disse que acredita num entendimento. "O DEM estará como está hoje inteiramente alinhado ao projeto de nação comandado pelo José Serra."

DEM - O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), acirrou ainda mais o clima de confronto com os tucanos e deixou claro que não pretende voltar atrás na exigência de que o partido indique o candidato a vice na chapa presidencial de José Serra. E anunciou que, se necessário, levará o confronto até a convenção nacional do DEM na quarta-feira.

Segundo ele, o partido vai esperar até lá que Serra indique um nome do DEM. Caso contrário, a própria legenda fará a indicação. "Vamos esperar que ele indique. Se ele não indicar vamos aprovar nosso nome na convenção do dia 30", afirmou Maia.



Questionado sobre como se resolveria o impasse, já que o PSDB se definiu pelo senador tucano Álvaro Dias, Rodrigo Maia respondeu: "Pergunte ao advogado do PSDB. Na convenção, vamos aprovar apoio ao Serra com candidato a vice do DEM."

FICHA LIMPA, TEORIA E PRÁTICA.

GAUDÊNCIO TORQUATO - O Estado de S.Paulo


Nunca foi tão evidente na esfera eleitoral a diferença entre teoria e prática. Em teoria, uma batelada de brasileiros não poderá pleitear mandatos na eleição de outubro próximo em razão da recente decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de que candidatos com ficha suja, tanto os condenados por um colegiado antes da sanção da Lei da Ficha Limpa quanto os que vierem a ser condenados depois, estarão impedidos de buscar o voto. Na prática, muitos tentarão driblar a disposição legal, dentre eles os quase 5 mil agentes públicos que o Tribunal de Contas da União (TCU) tornou inelegíveis. Na teoria, o sonho acalentado por brasileiros de todas as classes está prestes a se realizar com a aplicação rigorosa da importante lei encaminhada ao Congresso Nacional com o endosso de 1,6 milhão de assinaturas. Na prática, o sonho poderá não resistir às peripécias de uma turma que, inconformada, dará plantão nos sinuosos corredores da Justiça. A teoria segue a pista fornecida pelo presidente do TSE, ministro Ricardo Lewandowski, cuja expressão é firme: "Não temo enxurrada de recursos no STF porque a lei é bastante clara. Dificilmente algum recurso chegará ao Supremo, notadamente agora, em função da chamada repercussão geral." A prática segue a baliza de outro experiente ministro, ex-presidente do TSE, Marco Aurélio Mello, que garante: "Essa matéria vai bater no Supremo."


Dada essa visão dicotômica, nuvens espessas cobrem o horizonte das alianças eleitorais. A predominar a interpretação do presidente do TSE, deverá haver reviravoltas em algumas campanhas. Ao contrário, se os condenados baterem à porta do Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo que este, mais adiante, acolha a interpretação da Justiça Eleitoral, a tendência é de que os fichas-sujas entrem no pleito, arriscando-se à perda do mandato. O cerne da discussão, como se recorda, esbarra na visão do relator no TSE, Hamilton Carvalhido, de que não há necessidade de se observar o princípio da anualidade - na aplicação da lei -, eis que as intervenções não alteram o processo eleitoral. O direito à presunção de inocência, segundo seu argumento, não pode estar acima da relevância de ações criminais contra políticos que pretendem se candidatar. O ministro Marco Aurélio, porém, calejado na arte de descobrir as curvas do caminho, pinça o artigo 16 da Constituição, que não permite à lei retroagir. O imbróglio está posto. Qual é a situação, por exemplo, de governadores que foram cassados por lei de iniciativa popular anterior, cuja punição para compra de votos e abuso do poder econômico é a perda de mandato e a condição de inelegível por três anos? Se já cumpriram a pena, devem se submeter a uma lei aprovada posteriormente e que prevê, para as mesmas situações, a inelegibilidade por oito anos? É o caso dos ex-governadores Jackson Lago (PDT-MA), Marcelo Miranda (PMDB-TO) e Cássio Cunha Lima (PSDB-PB).

Elevar a pena de inelegibilidade de três para oito anos para quem já foi condenado e por decisão já transitada em julgado parece, na visão de juristas, um despropósito. Enquanto persiste a dúvida, brande-se o argumento de que a norma constitucional vale para medidas que poderão alterar o resultado do pleito, enquanto a exclusão de fichas-sujas não viria a contribuir para mudar o panorama eleitoral, sendo apenas medida profilática de caráter regulatório. Como se pode aduzir, alguns deverão apelar ao Supremo caso sejam impedidos de entrar no processo. Há ainda uma parcela que renunciou ao mandato para não ser cassada, garantindo, assim, a condição de elegibilidade no pleito seguinte. Ora, a Lei da Ficha Limpa estende também a essa clientela a punição de oito anos de inelegibilidade. Entre estes casos estão o ex-senador Joaquim Roriz, que pleiteia o cargo de governador do Distrito Federal, e alguns do grupo do mensalão no entorno do ex-governador José Roberto Arruda, todos se preparando para enfrentar as eleições de outubro. Ainda nessa roda está o ex-governador Anthony Garotinho, do Rio de Janeiro, condenado por abuso de poder econômico à inelegibilidade por três anos, desde 2008. O TSE aguarda decisão de recurso que está sendo analisado no Tribunal Regional Eleitoral do Rio. Os nomes deverão ser homologados em convenção até 30 de junho. Eis aí pequena amostra do contencioso.

As perguntas se estendem ao jogo partidário nos Estados. Como se sabe, com o fim da verticalização, as coligações estaduais, tornando-se autônomas, passaram a jogar suas pedras no tabuleiro regional, independentemente do jogo nacional. Por esse prisma, os protagonistas locais alcançaram o direito de fazer coligações diferentes da coligação formada por seu partido em âmbito nacional. Assim, dissidentes do PMDB, aliados ao PSDB, argumentam que podem inserir José Serra em sua propaganda política nos Estados. Mesmo assim, dúvidas permanecem: como se enquadra o caso de dois palanques nos Estados para um mesmo candidato a presidente da República? Dilma Rousseff poderá pedir votos na Bahia tanto para Jaques Wagner (PT) quanto para Geddel Vieira Lima (PMDB)? Lembre-se que nesse Estado os partidos não se coligaram. Em outros Estados, a salada mista é a mesma. O pano de fundo é: o mandato, na visão do TSE, pertence ao partido, e não ao candidato; se assim é, pode um candidato se rebelar contra a decisão de seu partido, em nível nacional, e se colocar a favor de outros partidos e candidatos?

Ao lado de políticos tradicionais, entram no buraco negro da inelegibilidade os 4.922 agentes públicos com contas julgadas irregulares nos últimos oito anos. A relação, preparada pelo TCU e encaminhada à Justiça Eleitoral, inaugura um novo capítulo na história da moralização política no País. O que sobrará da camada suja que chegará aos tribunais para um banho de purificação? Neste novo ciclo da vida política, a sociedade fixa os olhos na toga dos juízes. Para saber se pode continuar a sonhar no futuro ou voltará a ter os pesadelos do passado.

ESTRATÉGIA TUCANA.

O comando do PSDB pretende manter em banho-maria durante este final de semana a crise interna na aliança tucana provocada pela escolha de Álvaro Dias para vice na chapa de José Serra. A ordem é manter o nome do senador paranaense na vaga, e deixar esfriar a reação contrária da cúpula dos Democratas. Neste sábado, Dias foi advertido a parar de dizer que abre mão do posto para o DEM.

A estratégia busca ganhar tempo para permitir a ação de bombeiros do próprio DEM, que tentam acalmar o presidente Rodrigo Maia (DEM/RJ) e convencê-lo do equívoco de sua reação. Deixarão claro, por exemplo, que a ameaça de ruptura com a aliança nem sequer é crível, já que o DEM depende do PSDB para sobreviver eleitoralmente, inclusive em coligações estaduais. De tal maneira que, uma reação intempestiva de Maia fatalmente o levará ao isolamento.

Resumindo, os tucanos apostaram desde sempre no racha do DEM, cujo comando vem desafinando das diretrizes do núcleo tucano da campanha de Serra. Para emplacar um vice de fora das fileiras dos democratas, contaram com o apoio dos demais partidos da aliança, isolando o DEM.

Nas últimas 48h, justamente PPS e PTB abasteceram o noticiário com declarações pró-Álvaro Dias, e críticas à postura “contra-producente” do DEM. Roberto Jefferson, do PTB, pediu desculpas pela ofensa ao partido – que chamou de “merda” - alegando que ela foi divulgada por acidente em seu twitter, mas deixou claro que o DEM não pode “empurrar” um vice para a chapa. Coube ao petebista lançar a idéia de que a resistência dos democratas pode levar o conselho político da campanha a decidir no voto o nome do vice.

O presidente do PPS, Roberto Freire, reverberou de lá, ressaltando que o DEM está criando um problema desnecessário. Serra não compareceu à convenção nacional do PPS, que formalizou apoio ao tucano neste sábado. Alegou cansaço, após viagem ao Amazonas. Seria demais, no meio da guerra, baixar em território inimigo e sem poder comentar o caso. Mas permitiu que tornassem público o que pensa. Num telefonema a Freire, Serra teria deixado claro que "está firme em suas decisões e não vai se submeter à imposição de quem quer que seja".

Por Christina Lemos.

sábado, 26 de junho de 2010

PSDB E DEM UNIDOS NO CEARÁ.

Os tucanos preferiam fazer a convenção em um dos bairros de maior concentração popular da Capital, o Siqueira


A convenção do PSDB realizada ontem, homologou a candidatura do deputado estadual Marcos Cals (PSDB) para concorrer ao Governo do Estado e a do empresário do ramo da construção civil, Pedro Fiuza, como vice na chapa. Tasso Jereissati concorrerá mais uma vez a uma vaga no Senado e a primeira suplência de senador é do presidente do DEM, empresário Chiquinho Feitosa. A segunda suplência ficou em aberto.

Antes de subir no palanque Tasso deu uma coletiva à imprensa e afirmou que era preciso romper com o retrocesso instalado no Estado e apresentar para o cearense uma nova alternativa.

Sobre a escolha do vice de Cals ser um nome desconhecido na política, Tasso argumentou que Pedro Fiuza representa uma renovação para o Ceará. "Estamos precisando de cara nova, sem vícios", defendeu.

Críticas

No palanque, discursando aos militantes e partidários que compareceram ao Clube G4, Tasso foi duro nas críticas ao atual governo, pontuando que o PSDB enfrentará agora nas eleições uma política "velha, antiga e carcomida".

O principal líder dos tucanos no Estado lembrou da sua primeira campanha ao Governo do Estado em 1986 quando disputou com os coronéis que até então governavam o Ceará (César Cals, pai de Marcos Cals era um deles) destacando que agora o PSDB está em um momento semelhante, posto que o Ceará voltou ao vício da política. "Está travestido com outra cara, outro penteado, mas todos os vícios antigos voltaram", disse.

Para Tasso, o Estado está andando para trás e as oposições ficaram "anestesiadas", assumindo uma certa "culpa" pelo atual quadro na política estadual, já que por mais de três anos o PSDB prestou apoio administrativo à Cid Gomes.

Segundo Tasso, no Interior do Estado o que percebeu é o "medo" das lideranças em relação ao governador Cid Gomes. Ele assevera que não viu nenhum prefeito que vá votar com Cid Gomes "de coração", mas por medo de haver retaliação. Antes do líder tucano, o presidente estadual do PSDB, Marco Penaforte, deu seu recado.

No mesmo tom crítico utilizado por Tasso, Penaforte declarou que o partido entrará numa guerra para derrubar a prepotência que se instalou no atual governo. "Temos para colocar contra a prepotência e a arrogância, a humildade, o humanismo e a democracia que se chama Marcos Cals o futuro governador do Estado". Ele disse que o PT mente. "Vamos derrotar a mentira. Quero que vocês tenham uma verdade, nós vamos vencer essa eleição".

This I Promise You .

NOVO TIME DO FLAMENGO.

Sem Serra, PPS fecha apoio a chapa com Dias na vice.

"Apoiamos Serra e Alvaro Dias, que será o vice", afirmou o presidente do PPS, Roberto Freire, após lamentar a ausência do presidenciável José Serra na convenção que oficializou o apoio à candidatura dele. "(Serra) chegou realmente a chorar. Disse que lamenta muito, mandou um grande abraço. Disse que está firme. Ele não vai se submeter às imposições de quem quer que seja", afirmou Freire à frente de um banner do tucano.

O PSDB apresentou a todos os partidos aliados o nome de Alvaro Dias para ocupar a vice. O presidente nacional dos tucanos, senador Sergio Guerra (PE), apresentou formalmente o nome do parlamentar como opção consensual da legenda. O PTB e o PPS não apresentaram resistência à indicação. Já o DEM, que agrega três minutos de televisão a Serra, questiona a escolha e reivindica a vaga.

O presidente do PPS tentou apaziguar os ânimos exaltados com a queda nas pesquisas de intenção de voto. "Alguns ficam atemorizados com pesquisa de opinião... nesse último Ibope, Dilma tem mais votos...", afirmou, para depois acrescentar: a pesquisa indica alguns números interessantes, preocupantes, porque estamos tendo perda aqui no Sudeste.

Freire pondera: "a adversária não cresceu naquilo que parece ser o seu quintal, o Nordeste... A pesquisa mostrou que Lula parece ter perdido o seu mito". Durante o seu discurso o presidente do PPS fez duras críticas ao presidente Luis Inácio Lula da Silva. "Ele deveria ser o primeiro a dar o exemplo", afirmou, e acrescentou que o petista faz "deboche" das leis.

Subprefeita da Lapa (SP), Soninha deu o seu depoimento. A paulista falou de sua experiência no PT e explicou suas motivações para ter deixado a base do governo Lula. "Nenhum de nós está livre de problemas, conflitos e desvios, mas a questão é como a gente se posiciona frente a isso", afirmou. "O antigo rigor que o partido tinha em relação aos erros dos outros não foram assimilados em seus próprios erros".

Soninha falou também em critérios para se fazer alianças para criticar o PT. "Já não condicionavam mais as alianças em torno de um projeto", criticou a ex-petista. "Falta alcançar o verdadeiro resultado: um País menos injusto e que disperdice menos potencial".

Gabeira diz que atrito entre PSDB e DEM não deve atrapalhar sua campanha

Recém-saído de outra crise causada pelo PSDB que quase racha sua coligação de apoio, o candidato do PV ao governo do Rio de Janeiro, Fernando Gabeira, disse não acreditar que o atrito entre tucanos e o DEM pelo vice de Serra atinja sua campanha no Estado.

"Acabamos de passar por uma crise, mas definimos nossa campanha no Rio, na qual agora entramos em completa paz", afirmou Gabeira, cujo partido tem candidata própria, Marina Silva, à presidência, mas no Rio, além do PV, é apoiado justamente pelos três partidos da coligação nacional de José Serra - PSDB, PPS e DEM.

Em seu discurso, Gabeira pediu um minuto de silêncio para as vítimas das enchentes no Nordeste. O candidato também fez críticas ao governo Lula. "Enquanto contruímos o avanço material, perdemos o contato com os valores", afirmou. "Há políticos que podem ter coerência entre o que dizem, falam e são". "Os eleitores são tratados como crianças. Ora dizem que não sabem, que não é com eles... eles acham que a população é infantil", atacou.

O PSDB chegou a ameaçar sair da coligação no Rio, caso o PPS não cedesse a vaga de uma das duas candidaturas ao Senado, para mostrar mais o número 45 do partido no programa eleitoral do Estado. A ameaça aconteceu na véspera da convenção que homologou a chapa de apoio a Gabeira, no sábado passado (19). Mas o PPS não aceitou retirar a candidatura de Marcelo Cerqueira a senador e os tucanos acabaram desistindo e continuando na coligação na última hora.

PMDB-SC AFRONTA TEMER E FECHA ALIANÇA COM O DEM.

A convenção do PMDB de Santa Catarina aprovou neste sábado, em desacordo com o comando nacional do partido, a aliança com o DEM para a disputa do governo do Estado. Com 288 entre 425 votos, venceu o apoio ao candidato do Democratas, Raimundo Colombo.

O presidente do PMDB no Estado, Eduardo Pinho Moreira, foi o escolhido para disputar como vice de Colombo. Ele ficou com com 319 votos contra 129 de Edson Andrino.

Para o Senado, foi aprovada a candidatura de Luiz Henrique da Silveira, ex-governador do Estado.

Soberana

Apesar do resultado da convenção, Moreira descartou a possibilidade de uma intervenção nacional no diretório do Estado.

Nesta terça-feira (22), o presidente nacional do PMDB, Michel Temer, candidato a vice-presidente da República na aliança com Dilma Roussef (PT), chegou a indicar dois nomes como opção de candidaturas ao governo catarinense, em defesa de uma eleição própria do partido. O diretório nacional queria evitar que a legenda apoiasse Raimundo Colombo (DEM), o que acabou acontecendo.

Segundo Moreira, a decisão da convenção foi "soberana" e o partido cumpriu "todas as determinações estatutárias" para as candidaturas, o que inclui determinar em edital o tempo para inscrição das candidaturas e respeito aos prazos finais destas inscrições.

"Não há nada em nível nacional que determine este ou aquele caminho", disse Eduardo Pinho Moreira.

Dias assume tom de candidato e endurece discurso.

Assumindo a postura de candidato, o senador paranaense, Álvaro Dias, candidato a vice na chapa do José Serra (PSDB) a Presidente da República, endureceu o discurso contra o governo Lula, neste sábado, durante a convenção do partido em Cuiabá (MT) que homologou o nome de Wilson Santos (PSDB) candidato a governo de Estado. "Tenho recebido recomendação do partido e do Serra. Já me sinto em campanha", disse ele.


Álvaro Dias disse também que o endurecimento adotado durante discurso de críticas ao governo Lula já faz parte de sua postura no Parlamento. "Mas vou seguir o tom do Serra. Ele é que vai comandar. Cada campanha tem a estratégia que deve ser obedecida. E serei leal e absolutamente fiel ao Serra. Estarei como coadjuvante como tantos outros no Brasil dando suporte a esse projeto", acrescentou.

Em Cuiabá, Álvaro Dias voltou a afirmar que continua candidato a vice na chapa do José Serra apesar da posição do DEM. "Isso valoriza o DEM. É parte do jogo democrático. O DEM é um partido importante na aliança. É legítimo que postule a indicação de um nome, mas certamente a prioridade é o projeto maior. Isso é que vai motivar o DEM a aceitar eventuais ponderações que possam ser feitas pelo PSDB, pelo candidato José Serra e o Sérgio Guerra".

O senador disse que acredita em um entendimento. "O DEM estará como está hoje inteiramente alinhado ao projeto de Nação comandado pelo José Serra ". Sobre uma possível saída da condição de vice por ameaça da aliança com a saída do DEM, o senador paranaense, disse que "na verdade foi advertido pela Executiva do Partido". O senador declarou na sexta-feira em Cuiabá que caso o DEM se mantenha irresistível quanto á iniciação do seu nome preferia ceder a vaga do que perder a sigla democrata no arco de alianças. "Se o DEM tiver que sair, saio eu".

Neste sábado, o senador disse que o cargo de vice não foi postulado e reivindicado por ele portanto ele não pode sair. "Não advoguei em causa própria. Fui convocado. Aceitei e, portanto, não tenho direito de abrir mão ou ser intransigente. Minha posição é a do PSDB e principalmente do José Serra. Já está determinado deste forma e desta forma deve caminhar. Não sai eu e nem o DEM", disse.

Segundo ele, na reunião com os democratas de Mato Grosso teria percebido que a rejeição não é unanimidade dentro do DEM. "Tenho ouvido estímulos de democratas. Não há uma intransigência do DEM. Como houve recuo do Aécio Neves, o DEM voltou a postular a vice na chapa do Serra. É democrático eles postularem a vaga de vice. Mas acredito no entendimento".

Durante o discurso, o senador paranaense disse que o "governo Lula usa a mentira como a arma para esconder suas falcatruas". Ainda segundo ele, "o governo Lula alimenta a si próprio com o dinheiro do povo". Para encerrar, o senador afirmou que o que se tem hoje tem que ser remetido ao passado: "a estabilidade econômica se deve ao Real do governo do PSDB. A semente foi implantada pelo PSDB".

Aécio Neves cobra compromisso do DEM com aliança.

O ex-governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), cobrou hoje do DEM o compromisso com as mudanças propostas pela aliança oposicionista. Ao comentar a reação irritada do principal partido aliado com a escolha do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) para vice na chapa encabeçada pelo candidato tucano à Presidência, José Serra, Aécio disse que o "norte" que deve ser buscado é o da unidade. O DEM resiste à chapa puro-sangue do PSDB, afirmando que só abriria mão da indicação em favor de Aécio - que não se rendeu aos apelos e será candidato ao Senado.


"O que aproxima o DEM do PSDB é a nossa visão de País, é o nosso compromisso com os avanços, é o nosso compromisso com algumas mudanças, com um governo que privilegia a meritocracia e não o aparelhamento da máquina pública", afirmou Aécio, ao chegar para a convenção do DEM-MG.

Antes, durante a convenção do PPS-MG, o ex-governador mineiro disse que confia num entendimento que mire a unidade da oposição. "Não tenho dúvidas de que o Democratas tem, acima das preferências pessoais por nomes, um compromisso com o País, com as mudanças, com os avanços e é isso que vai prevalecer", insistiu, afirmando que no momento de decisão é natural que surjam "algumas insatisfações".

Confuso

Embora publicamente tenha procurado minimizar o impasse, Aécio manifestou a interlocutores preocupação com os rumos da campanha presidencial. "Está confuso lá o negócio."

Nas entrevistas, o ex-governador evitou se estender sobre o assunto, preferindo tratar da sucessão estadual. Também não demonstrou entusiasmo com o nome de Dias. "Respeito a decisão, é um senador atuante, importante. Se for essa a decisão temos todos de estar ao lado dela", disse. "Tenho muita confiança que a liderança do governador Serra prevalecerá."

Aécio participou no início da tarde da convenção do PPS, que formalizou a candidatura de Itamar Franco ao Senado. O ex-presidente - que chegou a ser cogitado como possível vice de Serra e depois passou a atacar a estratégia presidencial do candidato tucano, de poupar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva -, chegou ao evento dizendo que estava apenas "empenhado" na candidatura do governador Antonio Anastasia (PSDB), que disputará a reeleição, e na de Aécio. "No momento estou pensando só em Minas", disse, lamentando mais uma vez o fato de Aécio ter sido preterido na disputa interna com Serra. "Deixei de analisar o processo nacional porque acho que ele se apresentou, digamos, com muitas incógnitas e com poucas equações. Matematicamente isso não se resolve."

No seu discurso, o ex-governador prometeu uma campanha vinculada com os dois aliados. "O meu nome, a partir desse instante é Aécio Anastasia Franco." Pouco depois, ele voltou a dizer que está "plenamente confiante" de que Anastasia vencerá a eleição no primeiro turno. "E vamos eleger os dois senadores."

Vice

O PSDB-MG realiza amanhã sua convenção, mas o anúncio do vice na chapa encabeçada por Anastasia será feito apenas na quinta-feira, em um ato com todos partidos aliados. A exemplo da aliança nacional, o DEM reivindica o posto - e já indicou os deputados federais Carlos Melles e Marcos Montes -, mas nos bastidores é dado como certo o nome do presidente da Assembleia Legislativa do estado, deputado Alberto Pinto Coelho (PP). O PDT, com o deputado estadual Zezé Perralla, e PSB, com o ex-embaixador do Brasil em Cuba e ex-petista Tilden Santiago, também pleiteiam a vaga. Porém, com poucas chances.

Ao chegar para a convenção dos Democratas, Aécio, ao lado de Melles - presidente do diretório estadual -, chamou o partido de "irmão siamês" do PSDB no Estado. O deputado aproveitou para mais vez reivindicar a vaga de vice. O mais provável, contudo, é que o DEM fique com a primeira suplência de Aécio - que deverá ser candidato em 2014. "Não vejo que esses problemas que estão surgindo em nível nacional e que serão solucionados possam ter qualquer tipo de influência aqui", salientou o ex-governador.

Agencia Estado.

A ESCOLHA DO VICE.

José Goldemberg: “O Brasil quer a bomba atômica”.

O Brasil aderiu ao Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) em 1998, durante o governo FHC. O tratado tem 189 signatários. Entre as exceções estão Israel, Paquistão, Índia e Coreia do Norte – países detentores de arsenais nucleares. Desde 2008, os Estados Unidos pressionam o Brasil a assinar o Protocolo Adicional do TNP. Mais restritivo, o protocolo obriga os países a abrir quaisquer instalações suspeitas à inspeção. O Irã não aderiu e construiu uma usina secreta, revelada em 2009. O Brasil se recusa a assinar o protocolo e defende o direito do Irã de ter a energia nuclear – oficialmente apenas para fins pacíficos. Para o físico José Goldemberg, uma autoridade internacional em assuntos de energia, essas são evidências, somadas a outras, de que o Brasil busca a posse de armas nucleares.


ENTREVISTA - JOSÉ GOLDEMBERG

QUEM É

Gaúcho de Santo Ângelo, José Goldemberg, de 82 anos, é físico nuclear

O QUE FEZ

Foi reitor da Universidade de São Paulo (1986-1990), ministro da Educação (1991-1992), secretário federal da Ciência e Tecnologia (1990-1991) e do Meio Ambiente (1992)

PRÊMIOS

Prêmio Volvo do Meio Ambiente (2000) e Prêmio Planeta Azul (2008), o “Nobel” do Meio Ambiente

ÉPOCA – Por que o senhor afirma que o governo Lula vê com simpatia a posse da bomba?

José Goldemberg – Motivos não faltam. Eles vão desde o apoio ao programa nuclear do Irã até as declarações de membros do primeiro escalão, como o vice-presidente José Alencar. Ele defende o desenvolvimento de armas atômicas. Parece uma volta aos tempos da ditadura.

ÉPOCA – Qual era a posição dos militares com relação à construção da bomba?

Goldemberg – O governo Geisel fez o acordo nuclear com a Alemanha. Era caríssimo. Previa a construção de oito reatores com grau crescente de nacionalização. Cobria todas as etapas da tecnologia nuclear, incluindo o enriquecimento e o reprocessamento de urânio. Lê-se na ata de uma reunião do Conselho de Segurança Nacional, em 1975, que o projeto era para fins pacíficos, mas seria mantida aberta a opção militar. Do ponto de vista técnico fazia sentido. Para quem domina o ciclo nuclear pacífico, o militar não é tão diferente. Claramente, em 1975, o governo deixou a porta aberta para fazer armas nucleares.

ÉPOCA – O programa não andou.

Goldemberg – A Alemanha iria repassar a tecnologia de supercentrífugas para enriquecer urânio, mas os EUA vetaram. Em troca, os alemães ofereceram outra tecnologia, experimental e duvidosa, a das centrífugas a jato. Aí veio a crise dos anos 1980, tornando o programa nuclear inviável. Das oito usinas, só Angra 1 saiu do papel (em 1984). No governo Sarney, em 1986, revelou-se a existência do poço cavado pelos militares para testes nucleares subterrâneos na Serra do Cachimbo, no Pará. Em 1988, a nova Constituição proibiu o uso da energia nuclear para fins militares. Em 1990, o governo Collor contrariou os militares ao desativar o programa nuclear do Exército e da Força Aérea. A Marinha continuou enriquecendo urânio, nominalmente para fins pacíficos – e sonhando com o submarino nuclear. Em 1998, o governo Fernando Henrique aderiu ao Tratado de Não Proliferação Nuclear.

ÉPOCA – O que prevê o TNP?

Goldemberg – Foi criado em 1968 para impedir a proliferação de armas nucleares. Sua posse ficou restrita às potências que já as possuíam: EUA, União Soviética, Inglaterra, França e China. O TNP visa o desarmamento nuclear e o uso pacífico da energia nuclear. Até hoje deu certo. Nenhuma bomba foi usada desde 1945. Os americanos cogitaram usar na Guerra da Coreia (1950-1953) e na Indochina, em 1954, para evitar a derrota francesa. A Crise dos Mísseis de 1962 foi o auge da Guerra Fria. Os EUA e a União Soviética tinham 65 mil ogivas. Hoje, EUA e Rússia têm 2 mil cada um.

ÉPOCA – Como é a fiscalização do TNP?

Goldemberg – É feita pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Ela tem acesso às instalações nucleares oficiais dos signatários – não às secretas.

ÉPOCA – Como assim?

Goldemberg – A AIEA só pode fiscalizar instalações oficiais. O TNP não permite à AIEA investigar instalações suspeitas. Os EUA temiam o desenvolvimento de programas nucleares secretos no Iraque, no Irã e na Coreia do Norte. Em 1997, criou-se o Protocolo Adicional do TNP. Ele autoriza inspecionar qualquer instalação passível de uso nuclear – como o reator secreto do Irã, revelado em 2009.

ÉPOCA – O Brasil apoia o direito do Irã de desenvolver energia nuclear para fins pacíficos. Há relação com o protocolo?

Goldemberg – Claro. Desde 2008, os EUA pressionam o Brasil a assinar o Protocolo Adicional. O governo se recusa. O Irã de hoje poderá ser o Brasil de amanhã.

ÉPOCA – O secretário de Assuntos Estratégicos, Samuel Guimarães, diz que “foi um erro assinar o TNP” porque a Constituição brasileira já proíbe o uso militar do átomo.

Goldemberg – Ele tem razão. Mas, se um dia algum governo decidir mudar a Constituição, não abrirá nenhum precedente. A Constituição de 1988 é a oitava desde a Independência e acumula 62 emendas. Em comparação, os EUA têm a mesma Constituição desde 1776, só com 27 emendas, e a Inglaterra nem Constituição escrita tem. Quando pressionam Brasília a assinar o protocolo, as potências devem estar olhando com atenção nosso histórico constitucional.

”O silêncio de Lula encoraja a desconfiança de que o Brasil teria intenções de fazer armas nucleares para exercer sua soberania”

ÉPOCA – Ter o submarino nuclear na defesa do pré-sal é o argumento do ministro da Defesa, Nelson Jobim, contra a assinatura do protocolo.

Goldemberg – Não assinar o protocolo pode tornar o Brasil alvo de sanções internacionais, como as impostas ao Irã pelas Nações Unidas (ONU).

ÉPOCA – Nossa economia é muito maior e mais diversificada que a do Irã. Neste cenário, qual sanção teria efeito contra o Brasil?

Goldemberg – A ONU pode congelar os bens e as contas bancárias brasileiras no exterior, paralisar o comércio externo e barrar transferências de tecnologia. Se nossa economia é maior e estamos mais integrados ao mundo, isso nos torna mais vulneráveis às sanções, não menos.

ÉPOCA – O vice-presidente José Alencar disse o seguinte: “Arma nuclear usada como instrumento dissuasório é de grande importância para um país com 15.000 quilômetros de fronteiras e um mar territorial com petróleo na camada pré-sal. Dominamos a tecnologia nuclear. Temos de avançar nisso aí”.

Goldemberg – Alencar pode dizer o que quiser. Ele foi eleito, não é um político nomeado. Mas não concorrerá às eleições. Está doente e no fim da vida. O que me preocupa é ver o ministro da Defesa e o secretário de Assuntos Estratégicos, auxiliares diretos do presidente da República, se manifestarem contra o Protocolo Adicional. Em nenhum momento o presidente veio a público desautorizá-los. O silêncio de Lula encoraja a desconfiança de que o Brasil teria intenções de fazer armas nucleares para exercer sua soberania. O Brasil quer a bomba.

ÉPOCA – Alencar vê a posse da bomba como uma via de acesso ao assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Ele citou o exemplo do Paquistão, um país pobre, mas com assento em vários organismos internacionais.

Goldemberg – Não me parece que passe pela cabeça de alguém de bom-senso ceder ao Paquistão uma vaga no Conselho de Segurança. O Paquistão é uma fonte de preocupação. Está em guerra civil. Suas instituições estão desmoronando e parte do território caiu sob controle da guerrilha islâmica e da rede Al Qaeda. Se o Paquistão deixar de existir, quem será o primeiro a tentar pôr as mãos numa de suas bombas? Osama Bin Laden.

ÉPOCA – Temos gente para fazer a bomba?

Goldemberg – Sim, muita. A tecnologia não é nova. Havendo vontade governamental e recursos, bastaria alguns anos.

ÉPOCA – Não basta ter a bomba. É preciso meios de lançá-la.

Goldemberg – O governo retomou o projeto de lançador de satélites. Se existisse, poderia levar ogivas.