sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

POR UM DIA!

Luiz Inácio Lula da Silva acaba hoje - tem mais uma solenidadezinha para a pantomima da despedida e só! Depois é passado. Se a sua eleição foi celebrada como o advento, tenta-se fazer de sua despedida um rito sacrificial, embora exultante, como se ele estivesse caminhando para uma imerecida imolação, mesmo sendo sucedido na Presidência por um nome do seu grupo político. A ua cascata lacrimosa - e como ele chora fácil, não? - é só uma nota patética no rito corriqueiro das democracias: os governantes eleitos exercem por um tempo o mandato e depois deixam o poder, seguindo o que vai estabelecido nas leis. O circo que se arma dá a entender que ele está nos fazendo uma generosa concessão. E não está! Ao contrário: a democracia, na qual ele nunca acreditou muito, é que foi generosa com ele.

É claro que o Brasil teve alguns avanços. Lula estava lá para isto mesmo: tentar melhorar o que não ia bem. É essa a função dos governos, ou não precisaríamos deles. Afinal, se o objetivo não fosse aumentar o bem-estar coletivo e garantir o pleno exercício das liberdades públicas e individuais, serviriam para quê? Só para tungar a carteira dos contribuintes? Nem Lula nem governante nenhum têm o direito de nos cobrar por aquilo que nós lhes demos. Eles não nos dão nada! Para ser mais exato, tiram. Aceitamos, como uma das regras do jogo, conceder-lhes algumas licenças em nome da ordem necessária para viver em sociedade. Só isso!

Lula se vai. Não há nada de especial nisso. Na manhã seguinte, como diria o poeta, os galos continuarão a tecer as manhãs - consta que eles só pararam de cantar quando morreu Papa Doc, o ditador do Haiti. Não creio que devotem o mesmo silêncio reverencial a Papa Lula! O petista terá cumprido oito anos de um governo que fez pouco caso das leis, das instituições e do decoro, e tal ação deletéria nada teve a ver com suas eventuais qualidades. A virtude não deriva do vício; o bem não descende do mal.

A democracia, que garante amanhã a posse de Dilma Rousseff, teve no PT - e particularmente em Lula - um adversário importante em momentos cruciais da história do Brasil. Esse é o partido que não participou do colégio eleitoral que pôs fim ao regime militar; que se negou a homologar a Constituição de 1988; que se recusou a dar sustentação ao governo de Itamar Franco; que sabotou - e cabe a palavra - todas as tentativas de reformar o país empreendidas por FHC e que, agora, se esforça para censurar a imprensa.

A sorte foi, sem dúvida, generosa com Lula caso se considere a sua ação efetiva para a consolidação da democracia política. Seus hagiógrafos tendem a superestimar a sua atuação como líder sindical, ignorando a sua histórica irresponsabilidade no que respeita aos marcos institucionais, que são aqueles que ficam e que compõem o molde no qual a sociedade articula as suas diferenças.

Neste último dia de Lula, meu brinde vai para a democracia, que sobreviveu às ações deletérias de um líder e de um partido que se esforçam de modo metódico para solapá-la em nome de suas particularíssimas noções de Justiça.

Vai, Lula! Os que preservam a democracia o saúdam!

Por Reinaldo Azevedo

TRAGÉDIA OU DESAFIO?

Há não muito tempo, a China era considerada uma das nações mais atrasadas do mundo. População imensa e ensino de baixa qualidade eram responsáveis por isso. Agora, entre os 65 participantes do Pisa (exame internacional de avaliação de alunos de 15 anos de idade), a China alcançou o primeiro lugar, com 556 pontos, nos testes de conhecimentos em leitura, matemática e ciências. Isso não é milagre, mas um esforço consciente.


No Brasil, embora tenha havido um pequeno aperfeiçoamento da nossa performance, ficamos num incômodo 53° lugar, atrás de países como Chile, Colômbia e Trinidad e Tobago. Fizemos 412 pontos, o que está longe de ser um resultado sequer razoável, pois há um fator meio escondido nisso tudo: quase 20% dos nossos jovens de 15 anos não participam do exame, pois são vítimas do que chamamos de distorção idade/série (não alcançaram a primeira das séries avaliadas pelo Pisa, que é o 7º ano).

Isso representa tragédia ou desafio? Para alguns analistas, crescendo devagar, como está acontecendo, será difícil chegar perto das nações mais desenvolvidas do planeta. Para o ministro da Educação, Fernando Haddad, "estamos numa luta franca para a redução das desigualdades e temos resultados extremamente positivos nas escolas federais de ensino médio e na política de incentivo às licenciaturas, especialmente em ciências e matemática". Ele vai além: "Se pudermos antecipar a meta de investimento de 7% do PIB em educação para 2015, poderemos dar um salto nesse tipo de avaliação".

O fato concreto é que se vive um clima de penúria, no setor que deveria ser o mais importante do país. A disputa nos estados é amplamente desequilibrada. O Distrito Federal está na frente e Alagoas fica em último lugar, com índices verdadeiramente vergonhosos. Pode-se argumentar que o DF tem o apoio do governo federal, por ser capital, mas a verdade é que há muito a ser feito em todo o Brasil.

Se Xangai venceu Hong Kong, Finlândia, Cingapura, Coréia e Japão, qual é o segredo desse sucesso, que se faz nas três vertentes exploradas nos exames internacionais? Seriedade, formação e remuneração de professores e especialistas estão na linha de frente dos seus vitoriosos e rápidos procedimentos.

Há alguns pormenores sobre os quais devemos nos deter: o pior resultado é em matemática, corroborando o que aconteceu nos Estados; as meninas têm melhores notas do que os meninos; São Paulo está em quinto lugar no Brasil, enquanto o Rio de Janeiro ficou em oitavo lugar; ainda o sistema é pressionado pelas altas taxas de reprovação, nas séries iniciais do ensino fundamental; livros em casa podem ajudar a melhorar os estudos etc.

Soluções caseiras ou de pouca densidade, positivamente, não irão modificar a curto prazo esse quadro melancólico. Conviria que nossos técnicos procurassem estudar as soluções encontradas pelos países que se encontram à frente. Seguramente terão grandes surpresas. Eis aí o desafio.

Arnaldo Niskier é membro da Academia Brasileira de Letras

TROCANDO 6 POR MEIA DÚZIA.

IMAGENS DA MAIOR ENCHENTE DA HISTÓRIA DE CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM-ES

















ENCHENTE EM CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM (30-12-10)



Quem conhece Cachoeiro sabe que o Rio Itapemirim jamais tinha subido tanto, imaginem que as aguas chegaram aos Correios na Praça Jeronimo Monteiro e às escadas do Banco do Brasil. Caos total.



Nunca o rio Itapemirim tinha passado por cima dessa ponte.

NA SARJETA.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

COINCIDÊNCIA SUSPEITA.

Fruet condena aluguel de R$ 12 mil do filho do presidente Lula pago por empresário com contratos com o Planalto


O líder da Minoria na Câmara, deputado Gustavo Fruet (PR), criticou nesta quinta-feira (30) o pagamento do aluguel de um dos filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luís, o Lulinha, em um bairro nobre de São Paulo, por uma empresa que possui contratos com o governo federal. O aluguel no valor de R$ 12 mil é pago desde 2007. Para Fruet, o fato exemplifica a confusão entre os interesses público e privado no país.

O tucano destacou que o empresário de mídia e mercado editorial, Jonas Suassuna, responsável pela quitação do aluguel, é sócio de Lulinha. “É mais uma coincidência nessa relação de um sucesso empresarial com quem tem negócios com o governo. Isso fica no limite entre o interesse público e o privado”, reprovou o parlamentar.

Segundo reportagem do jornal “Folha de S.Paulo”, Lulinha não é sócio da empresa que paga o aluguel. Mas o Grupo Gol (da área de conteúdos multimídia, não a companhia aérea), que alugou o apartamento, é de Jonas Suassuna, sócio de Lulinha em um outro negócio, a empresa de conteúdo eletrônico Gamecorp.

A empresa de conteúdos multimídia tem contrato com vários governos para venda de livro didático. Ainda de acordo com a “Folha”, Jonas é primo do ex-senador Ney Suassuna (PMDB-PB) e fez fortuna com venda de CDs da Bíblia gravados por Cid Moreira. Procurado pelo jornal paulista, o empresário disse que não vai mais pagar o aluguel para o filho do presidente.

“Será que haveria benevolência com outra pessoa que não tivesse nenhuma ligação com o governo? Quem no Brasil tem seu aluguel pago de forma despretensiosa por quem quer que seja?”, questionou Fruet.

Subida meteórica: de professor de inglês a sócio de seis empresas no governo Lula

→ No prédio, há um apartamento por andar, com quatro suítes e o mesmo número de vagas na garagem. O último pavimento conta com deck e piscina. O imóvel é avaliado em R$ 1,8 milhão.

→ O escritório de Lulinha também fica nos Jardins. No mesmo endereço está o escritório da Editora Gol, de Suassuna, e também registrada a G4 Participações, uma das empresas de Lulinha. Lulinha era professor de inglês quando Lula assumiu a presidência. Hoje é sócio do irmão Luís Cláudio em seis empresas
http://bit.ly/gKSMSz
Fonte:

APENAS O ALCOOLISMO NÃO EXPLICA ( by Mara Kramer)

MARA KRAMER.

Ucho Haddad conclui seu artigo “Irresponsável, Lula transformou a Presidência da República em botequim de esquina”[1], aconselhando “se beber não governe!”, indicação que tem como referencia Lula, e suas atrozes palavras e atitudes durante os dois mandatos, culminando em feitos desastrosos neste final de governo, os quais superam os adjetivos disponíveis no rico vocabulário português para definir o descontrole, a vaidade, a ausência de compostura presidencial, etc......

Muito deste descontrole é debitado na conta do alcoolismo presidencial. Em si, esta explicação, embora real, é contraditória. O cargo da presidência de um país deve ser assumido por uma pessoa que tenha e mantenha o controle sobre suas ações em tempo integral, como requisito fundamental de governabilidade. A não ser assim, o país esta a mercê, mesmo que temporariamente, dos impulsos, da irracionalidade, da irresponsabilidade, dos delírios de seu governante, daquele que se exige exatamente o contrario. Portanto, como escreve Ucho, “se beber, não governe”, poderia dizer-se, se beber não se candidate a presidência.

Este é o primeiro ponto que desejo enfatizar. Se Lula, ou qualquer outro homem ou mulher, sendo consciente de seu alcoolismo não pode pretender um cargo de governo. No caso, Lula, conhecedor de sua realidade, nunca deveria ter se candidatado à presidência do Brasil. Dirão, mas nenhum ou poucos alcoolistas assumem sua dependência da bebida. É verdade, mas no caso é uma grande irresponsabilidade. Se o candidato prossegue nesta insensatez, o partido que o apresenta como candidato e o povo que o elegeu são coniventes com um descalabro presente já na sua eleição. Portanto, que Lula seria um presidente descontrolado, referindo-se apenas ao alcoolismo, estava claro desde sua candidatura. Não retiro aqui, a responsabilidade de Lula sobre seus atos, mas mostro que se trata de uma inconseqüência também do PT e do eleitorado petista. Não se pode eleger como presidente de um país um alcoólatra!!!! Com certeza Lula não é o primeiro, nem será o último presidente dependente químico da história, mas é isto que você quer para o Brasil?

O alcoolismo de Lula torna-se de conhecimento público no episódio que envolve o jornalista do “The New York Times” no Brasil, Larry Rother, quem escreve sobre a fraqueza de Lula frente às bebidas alcoólicas, motivo pelo qual quase é expulso do país pelo presidente, que através desta reação confirma a afirmação do norte-americano. Pois bem, dando o alcoolismo de Lula como um fato provado e comprovado, pergunto: Deve-se debitar os despropósitos de seu discurso e de suas ações sobretudo ao álcool excessivo? Este é o segundo aspecto que desejo destacar, estabelecer uma relação primordial entre causa e efeito produz uma justificativa automática e superficial. Lula perde a noção da realidade porque “bebe”, ponto. Ou caímos na primeira situação: um presidente não pode “beber”, nem nos momentos de lazer, pois presidente é presidente 24 por dia, 365 dias por ano, durante 4 anos, constituindo-se um paradoxo em si, governante alcoólatra, mas que deve estar assumido considerando que ele já é o presidente.

Entretanto, penso que o excesso de bebida alcoólica ingerido por Lula é apenas parte das causas de suas palavras e atos abusivos. Atrás desta dependência esta a fraqueza de caráter de um homem soberbo, pretensão de superioridade e conseqüente ausência de humildade e, portanto de verdadeiro valor, inescrupuloso e autoritário. Tais características são alimentadas por uma ideologia que em tese é utópica, e na pratica cria o personalismo e atribui poderes messiânicos (Stalin, Mao, Fidel, Chávez, etc). Que ao sugerir a destruição do existente promove o desrespeito às leis e às instituições, aos valores morais estabelecidos no Estado e na nação, tudo rejeitado devido sua origem burguesa, tomada pejorativamente. Hoje sabemos quais são os princípios “éticos’ seguidos por Lula, são aqueles que favorecem aos seus interesses e aos de seu partido. A conduta exacerbada de Lula, que desrespeita as instituições democráticas e o povo brasileiro, e ultimamente as nações com as quais sempre mantivemos uma relação de amistosa deferência, é resultado de um homem de caráter fraco incapaz de lidar de forma madura e moderada com o poder........e com a bebida alcoólica.

P.S. Escrevo este artigo em nome da indignação decorrente das palavras e atitudes de Lula no final de seu governo.

2010, UM ANO PARA SER ESQUECIDO. (by Marco Sobreira)

2010 começou muito mal, prenunciando um ano difícil para todos. Angra dos Reis, morro do bumba em Niterói e as enchentes de Alagoas e Pernambuco deixaram à mostra, que as catástrofes naturais são muito mais mortais quando aliadas à irresponsabilidade de governantes não comprometidos com a segurança da população.

Corrupção na permissão da ocupação de encostas, omissão na fiscalização e falta de um planejamento preventivo, nos torna reféns das tragédias de verão.

A dengue continuou sua expansão, ceifando vidas e desafiando o Poder Público, incapaz de medidas profiláticas eficientes para contê-la . Felizmente a gripe suína não mostrou-se tão grave quanto esperávamos e talvez bilhões tem sido gastos desnecessariamente , sem falar na polêmica em torno da segurança da vacina aplicadas em milhares de brasileiros e em bilhões de pessoas em todo o mundo a um custo fabuloso. Nada contra a vacina, mas faltou clareza na informação de possíveis efeitos colaterais, como a positividade transitória em testes de HIV o que com certeza causou pânico em muita gente.

As pessoas continuaram morrendo na fila dos SUS, recém-nascidos pereceram por falta de UTINs, renais crônicos continuaram suas longas viagens à procura da hemodiálise que lhes permitia sobreviver à espera de um milagroso transplante, a espera por exames e procedimentos chegou a ser humilhante, enfim, a saúde pública continuou a vergonha que castiga os que dela dependem.

Perdemos a Copa do Mundo, estamos muito longe de voltar a reinar no futebol mundial, falta de critério, planejamento e um técnico absolutamente incompetente e teimoso nos levaram às lágrimas, transformando a paixão do povo em mais um sofrimento coletivo. Ganhamos o direito de realizar as Olimpíadas de 2016 , mas tenham certeza, num País onde os serviços públicos ofertados são tão ruins, que os bilhões a serem gastos na Copa de 2014 e nos Jogos Olímpicos farão falta e agravarão o sofrimento dos que dependem da ação governamental, isso sem contar as fortunas que se esvairão pelos ralos da corrupção, para o deleite de empreiteiros e governantes inescrupulosos e ladrões.

Na política, perdemos uma bela oportunidade de aperfeiçoarmos nossa democracia, com uma salutar alternância no Poder. Assistimos passivamente o maior desrespeito às leis e ao Estado de Direito, numa interferência do Governo em prol de uma candidatura, digna dos verdadeiros regimes facistas. Deixamos escapar a chance de consolidarmos a liberdade de imprensa, a modernização do Estado e a moralidade pública, preferindo a manutenção desse regime pseudo-democrata, populista, demagogo e fisiológico, que nos fará a todos, amantes da democracia ficarmos alertas às tentativas de agressão aos Direitos Constitucionais, conseguidos à custa de muita luta na redemocratização do País.

O fracasso da cúpula do clima em Copenhaque, mostrou ao mundo que os dirigentes estavam muito mais preocupados em fazer turismo com o dinheiro público do que se preocuparem em diminuir o aquecimento do planeta. A natureza agredida vai cobrar um alto preço e todos os governantes omissos deveriam ser processados criminalmente pelas milhares de vidas perdidas e pelos prejuízos materiais incalculáveis, pois o dinheiro gasto na reconstrução desfalca as verbas para saúde, educação, saneamento básico, infra-estrutura, segurança, etc,,,

2010 já trouxe consigo grandes preocupações , enchentes, nevascas, incêndios gigantescos, terremotos,, secas, calor e frio extremos, foram apenas o alerta da natureza para o que pode vir por aí, mas o “homo sapiens” também fez a sua parte, terrorismo, pirataria, massacres étnicos e religiosos vitimaram milhares.

O Iran continua a desafiar o mundo, a Korea do Norte ameaça a irmã do Sul, palestinos e judeus continuaram sua intolerância mútua, Índia e Paquistão sob tensão permanente, irônicamente contidos pelo poderio nuclear e os Somalis ressuscitaram os piratas adormecidos há séculos. O Haiti devastado pelo terremoto, sofre uma epidemia de cólera, agravada pelas péssimas condições sanitárias , pobreza extrema e assistência médica precária, submete seu povo a um sofrimento permanente. Cuba continuou sob o jugo da ditadura dos irmãos Castros, Hugo Chávez levou a Venezuela ao desastre econômico, fechou canais de TVs e Jornais, estatizou empresas e continuou sua estúpida utopia de um socialismo bolivariano e Evo Morales continua incentivando a produção de coca, exportando a desgraça de milhares de jovens por todo o continente.

A crise econômica mundial abalou os EUA e a Europa deixando à mostra a fragilidade da economia das Nações mais poderosas, provocando uma reação em cascata, causando a quebra de grandes bancos, desemprego em massa, diminuição de direitos adquiridos dos trabalhadores e conseqüente reação com protestos violentos em vários países.

Entretanto, nem tudo está perdido, o Chile mostrou ao mundo um belo exemplo de persistência, planejamento e solidariedade, não poupando esforços e recursos para salvar a vida dos mineiros soterrados. EUA e Rússia assinaram o acordo para diminuição das ogivas nucleares e agora só têm poder para “destruir o planeta apenas algumas centenas de vezes”.

No Rio de Janeiro finalmente o Estado deixou de ser conivente e libertou o Complexo do Alemão do jugo dos traficantes, confessando que a omissão era criminalmente cúmplice e a solução só dependia de vontade política.

Que venha 2011 com a esperança de que ao seu final tenhamos motivos para comemorar um mundo melhor, um Brasil melhor, já que 2010 definitivamente foi um ano para ser esquecido.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

POR UM BRASIL MAIS IGUAL.

Há 25 anos uma criança nascida com hidrocefalia não conseguia sobreviver. Hoje, com uma cirurgia para implante de válvula no cérebro ela pode ter vida longa e saudável. Situação parecida ocorre com aqueles que nasceram com paralisia cerebral e não conseguem fisicamente falar. Graças aos avanços tecnológicos, essas pessoas se comunicam por meio de um sistema de computador. Outras, com doença muscular degenerativa, já podem sair das UTIs com respiradores portáteis que contam com baterias de longa duração. Todas elas têm algo em comum: foram agraciadas pelo avanço da medicina e da tecnologia. No entanto, ainda convivem com o pensamento retrógrado de grande parte da sociedade quando têm seu ir e vir ou sua entrada impedida nas edificações por falta de acesso físico, ou, então, quando sofrem com algo muito mais excludente e limitador: falta de conduta acessível e discriminação.


É de espantar que crianças e jovens com deficiência física, visual, auditiva, intelectual, múltipla – beneficiadas por tantos avanços médicos – ainda tenham sua matrícula recusada em escolas comuns. O motivo? As instituições alegam não estar preparadas para isso. Pode até soar responsável, porém uma escola que se diz atualizada, com os melhores professores, laboratórios e tantas outras qualidades, estará pronta para a diversidade humana quando? A mim soa como falta de interesse e, sobretudo, preconceito em razão da deficiência que tais indivíduos têm.

Em 1950, Marlon Brando estreava no cinema como um veterano de guerra que fica paraplégico, no filme Espíritos Indômitos, um drama sobre a angústia e a dificuldade de adaptação que os combatentes da 2.ª Guerra sofriam por terem ficado deficientes. Uma cena foi particularmente marcante para mim: quando o médico explica a altura de sua lesão e conta que, se tivesse atingido o pescoço, não teria chance de sobreviver. “Quem quebra o pescoço morre”, decretava. Puxa, eu quebrei o pescoço num acidente de carro, em 1994, e graças aos avanços da medicina estou aqui produzindo, trabalhando.

É paradoxal a ciência possibilitar a continuidade da vida, enquanto a sociedade, de um modo geral, não oferece os suportes necessários para a retomada da vida cotidiana. Garantias legais para vida digna há: desde a Constituição de 1988, a lei federal de acessibilidade (Lei 10.098/ 2000) e o decreto que a regulamenta (Decreto 5296/2004) até a incorporação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU, com força de emenda constitucional. Falta aplicá-las para avançar nas políticas de direitos humanos. A própria Câmara dos Deputados, que aprovou tais leis, somente agora tornará a tribuna acessível a um deputado cadeirante.

Desenvolvemos coisas que o cinema de 1950 chamaria de ficção científica: membros robóticos movidos com a força do cérebro, células que regeneram músculos, neurônios e ossos. Eu mesma ando e pedalo toda semana com a ajuda da tecnologia – quem me vê sentada na cadeira não imaginaria – e o astrofísico Stephen Hawking, que tem uma doença degenerativa, surpreende o mundo com suas ideias.

Conquistamos o mais valioso: o direito a vida. Mas até quando viver vai soar estranho a tantas pessoas com deficiência habituadas a uma sobrevida? Muitos dos progressos que esperamos para as próximas décadas na medicina não beneficiarão a todos porque a maioria das pessoas com deficiência não consegue fazer a manutenção de sua saúde e qualidade de vida porque, simplesmente, os serviços as excluem.

Ouço muito a expressão “preso a uma cadeira de rodas”. Nada mais errado: a cadeira é sinal de mobilidade. Ela dá liberdade para ir a qualquer lugar. A verdadeira prisão é a discriminação e o desrespeito ao direito constitucional de igualdade, cujo resultado é visível no número expressivo de pessoas com deficiência que ainda não usufruem os benefícios de educação, trabalho, saúde, esporte, cultura, lazer e transporte por falta de acessibilidade. Ficam trancadas dentro de sua casa.

Por isso, cobrar as políticas públicas necessárias para fazer valer os direitos já garantidos pela legislação e provocar novas mudanças nas cidades é um movimento sem retorno.

A mídia tem papel fundamental e vem contribuindo, seja por meio do noticiário mais abrangente ou pela ficção e pelo entretenimento. A novela das 21 horas da Globo mudou, este ano, costumes e visões. Antes já havia ocorrido, por meio de personagens cegos, surdos, com síndrome de Down. A Eldorado AM tem programa focado nessa temática e chegou a entrevistar no rádio dois surdos, num programa memorável.

O respeito à dignidade da pessoa, inclusive a liberdade de fazer as próprias escolhas, a não discriminação, a plena e efetiva participação e a igualdade de oportunidades são compromissos da República que precisam sair da letra fria da lei e ser adotados pelos cidadãos. Isso é profundamente libertador. Para quem tem uma deficiência e para quem não tem, porque este tema faz parte do coletivo. Não se trata de um segmento isolado ou de uma política específica, mas de habitantes de uma mesma nação democrática.

Somos 28 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência (Censo 2000 IBGE). Não queremos mais brigar para provar que existimos. Queremos dividir o mundo com pessoas de peso, altura, cor, idade, características e condições físicas diferentes das nossas. O movimento pela acessibilidade e a adoção de práticas que atendam a todos está nas ruas para ser visto, comentado e, sobretudo, entendido e promovido. Faça parte deste encontro e se comprometa com a inclusão. Está em suas mãos a escolha de viver num País mais igual.

(*) Mara Gabrilli é vereadora em São Paulo, deputada federal eleita pelo PSDB em 2010, psicóloga, publicitária, comanda o programa de rádio “Derrubando barreiras: acesso para todos”, na Eldorado AM.

O PSDB ESTÁ DO LADO CERTO.

Nosso partido não aceita a verdadeira herança maldita que o lulismo busca deixar ao país: a tese de que somos todos iguais nos malfeitos”.


Após as eleições, as discussões sobre o futuro do PSDB aumentaram. Como temos a obrigação de respeitar e representar os mais de 43 milhões de brasileiros que instaram o partido a manter a luta por um Brasil mais evoluído, vamos elencar argumentos que mostram o contrário: o vigor do PSDB.

Como, para nós, liberdade de expressão é cláusula pétrea, não somos nem nunca seremos como outros partidos, que interpretam críticas como campanhas de extermínio empreendidas pela mídia. Isso não significa que admitamos ser desmoralizados, tripudiados ou difamados.

Nossos críticos perdem tempo achando que poderão dizimar a oposição. O apoio da população nos diz que devemos continuar a nos contrapor duramente ao projeto de poder do PT.

Nesse quesito, nestes 22 anos desde a nossa fundação, a história esteve do nosso lado. Sempre em busca do melhor para o país.

Assim, temos o direito de pedir calma aos que corretamente cobram um partido mais dinâmico, ou mais aguerrido, ou mais popular. A esses, afirmo que o PSDB está conversando muito internamente no intuito de superar nossas deficiências e nos organizarmos para aperfeiçoar nossa atuação.

O PSDB perdeu a eleição presidencial pela terceira vez, mas continua vivo como a coluna vertebral da oposição. O partido resiste e vai continuar reinventando o trabalho de se opor ao governo, recusando-se a abraçar a demagogia e a se comportar como sabotador do interesse nacional, como fazia o PT antes de chegar ao poder.

Nas últimas eleições, no Brasil inteiro, os candidatos do PSDB, vitoriosos ou não, ousaram desqualificar as mentiras contadas por nossos adversários. Contamos a verdadeira história das origens dos bons resultados econômicos e sociais obtidos em nosso país.

É a história dos que se colocaram, por vontade própria, fora do abrigo aconchegante representado pelo apoio político de um presidente fanfarrão, que fez da política um vale-tudo, que patrocinou o culto à sua personalidade, mitificada no imaginário do povo mais simples.

O PSDB confia na democracia, na conscientização crescente da população, aposta na política e nos processos eleitorais. Repudia espertezas e atalhos. Sabe que a enganação não prospera por muito tempo. Trabalha a partir de valores e convicções permanentes, que são régua e compasso para suas posições políticas e suas bandeiras.

O PSDB irá, sim, honrar o mandato que as urnas lhe delegaram: contrapor-se ao estado de coisas que aí está. Mais de 43 milhões de brasileiros deixaram claro que não concordam com os rumos que o governo do PT quer impor ao Brasil.

Querem mais: desenvolvimento sustentável, melhores perspectivas de vida e um país que não sobreviva de avanços espasmódicos.

Mais que isso, o PSDB não aceita a verdadeira herança maldita que o lulismo busca deixar ao país: a tese de que somos todos iguais nos malfeitos. Não, não somos e não admitimos que assim seja. O pior legado dessa triste era é a leniência com a roubalheira, a condescendência com quem dilapida o bem público e quer apenas locupletar-se.

Um mal que não se compara a nenhum dos tantos outros que o PT já impingiu ao país.

Não estou aqui para negar fraquezas e conflitos. Como militante e dirigente partidário há 16 anos, luto por um PSDB mais organizado, mais aberto e interligado com a sociedade, mais ativo nos períodos de entressafra eleitoral.

Estou certo, no entanto, de que a verdade está do nosso lado e que estamos do lado certo na luta por um Brasil mais justo e desenvolvido. Essa é a nossa agenda, a agenda que o PSDB vai levar adiante, com o apoio de milhões de brasileiros.

(*) Luiz Paulo Vellozo Lucas, deputado federal pelo PSDB-ES, é presidente do Instituto Teotônio Vilela (ITV).

A GENIAL PROLE DO LULA.

Da Folha de São Paulo: Lulinha e Luís Cláudio têm participações em seis empresas, nas áreas de esporte, entretenimento e tecnologia. Único negócio com sede própria e funcionários é a Gamecorp; outros 5 não funcionam nos endereços informados.


Dois dos filhos do presidente Lula, Fábio Luís e Luís Cláudio, abriram em 16 de agosto deste ano duas holdings -sociedades criadas para administrar grupos de empresas-, a LLCS Participações e a LLF Participações. Ao final de oito anos de mandato do pai, Lulinha e Luís Cláudio figuram como sócios em seis empresas. A Folha constatou, porém, que apenas uma delas, a Gamecorp, tem sede própria e corpo de funcionários. Seu faturamento em 2009 foi de R$ 11,8 milhões, e seu capital registrado é de R$ 5,2 milhões. Ela tem como sócia a empresa de telefonia Oi, que controla 35%. As demais cinco empresas não funcionam nos endereços informados pelos filhos de Lula à Junta Comercial de São Paulo. São, por assim dizer, empreendimentos que ainda não saíram do papel. As seis empresas dos filhos de Lula atuam ou se preparam para atuar nos ramos de entretenimento, tecnologia da informação e promoção de eventos esportivos. São segmentos em alta na economia, que ganharam impulso do governo federal -Lula, por exemplo, foi padrinho das candidaturas vitoriosas do Brasil para organizar a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.

Na maioria desses negócios, Lulinha e Luís Cláudio têm como sócios pessoas próximas de Lula. Um dos mais novos empreendimentos da dupla, a holding LLCS, por exemplo, foi registrada no endereço da empresa Bilmaker 600, na qual os dois não têm participação societária. A Bilmaker tem como controlador o engenheiro Glaucos da Costamarques, 70, que é primo do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do presidente Lula. Os outros sócios da Bilmaker, Otavio Ramos e Fabio Tsukamoto, são sócios de Luís Cláudio, filho do presidente, na ZLT 500, empresa de produção e promoção de eventos esportivos.

Assim como a holding, a ZLT também só existe no papel. Está registrada num endereço no Morumbi onde há só uma casa abandonada. Criada em julho, a ZLT tem ainda como sócio José Antonio Fragoas Zuffo, empresário da região do ABC. Sócio na Bilmaker e na ZLT, Otávio Ramos disse à Folha que não sabia que os filhos de Lula haviam registrado uma empresa na sede da Bilmaker. "Isso me preocupa. Vou ligar para eles. Não sabia nem da existência dessa holding. Não sei nem do que se trata nem quero saber", disse.Ramos afirmou que a empresa não faz negócios com o governo para não gerar especulações. "Somos amigos deles e já iriam ver maldade." A Bilmaker, disse, é uma empresa de exportação e importação de "qualquer coisa".

A outra holding criada pelos filhos de Lula neste ano, a LLF, foi registrada no prédio da PlayTV, emissora de jogos on-line. Os programas da PlayTV só são veiculados na Sky, que distribui o canal como cortesia, e pela OiTV. A PlayTV é controlada pela Gamecorp, o maior dos empreendimentos de Lulinha. A Folha acompanhou um dia de programação e não viu anúncios publicitários. Inaugurada em dezembro de 2004, a Gamecorp recebeu injeção de R$ 5 milhões da telefônica Telemar (hoje Oi), num negócio investigado pela Polícia Federal há três anos -sem resultados. Quando se soube em 2006 que a Oi, então Telemar, havia se associado à Gamecorp, o presidente Lula disse à Folha que seu filho era o "Ronaldinho" dos negócios. "Eles fizeram um negócio que deu certo. Deu tão certo que até muita gente ficou com inveja", afirmou. No final de 2009, a empresa tinha capital negativo.

Meses antes de a Gamecorp ser constituída, Fábio Luís se tornou sócio da G4 Entretenimento e Tecnologia Digital, tendo como parceiros filhos de um velho amigo de Lula, Jacó Bittar, fundador do PT e ex-prefeito de Campinas, hoje no PSB. Foi por meio da G4 que Lulinha virou sócio de outra empresa, a BR4 Participações, criada em 2004, e que, três anos depois, ganhou como sócio Jonas Leite Filho, sobrinho do ex-senador Ney Suassuna (PMDB-PB). Jonas Leite é conhecido pelo projeto que criou a versão da Bíblia lida pelo apresentador Cid Moreira, da TV Globo, um sucesso de vendas. A BR4 é, por sua vez, acionista da Gamecorp

Fonte: Folha on line.

TAXA DE DESOCUPAÇÃO.

AVANÇOS E REAÇÕES NA ESFERA POLITICA.

Logo no seu primeiro dia, o ano de 2011 ficará marcado por um fato político sem precedente na história do país. Trata-se da posse da primeira mulher na Presidência da República - um avanço na nossa democracia, consagrando a igualdade de oportunidades.


Mas, como as coisas não são perfeitas, há também aspectos preocupantes no cenário político brasileiro para 2011. O país ainda não se livrou de práticas inadequadas, herdadas de uma cultura nefasta que perpassa governos e legislaturas nas Casas de Leis. É o caso da feira de cargos nos escalões do Executivo e do escandaloso aumento salarial de 61,8% que os congressista se concederam, e foram seguidos em Estados e municípios.

O Brasil viveu grande festa política em 2010 com as eleições e a aplicação da Lei da Ficha Limpa - um marco ético no processo eletivo. No dia 3 de outubro, cerca de 115 milhões de cidadãos compareceram às seções eleitorais e elegeram a presidente da República e o seu vice, 27 governadores e vices, 54 senadores, 513 deputados federais (entre 5,1 mil candidatos no país) e mais de mil deputados estaduais, entre 12,6 mil candidatos.

E foi uma corrida regada a muito dinheiro. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral, as campanhas para presidente da República e governadores custaram R$ 3,23 bilhões. Os gastos declarados pelos candidatos a governador dos 26 Estados e do DF somaram R$ 735,04 milhões. Já os que pretendiam vaga na Câmara dos Deputados, informaram despesa total de R$ 916,44 milhões. Nos Estados, os aspirantes às Assembleias Legislativas revelaram dispêndio de R$ 936,05 milhões.

Terminada a festa eleitoral, começaram as decepções dos eleitores. Uma semana após o pleito, governadores eleitos já se articulavam para aumentar a carga tributária com a recriação da CPMF. Soou como estelionato eleitoral. O tema não fez parte da campanha. Tal tentativa foi abortada em função da forte reação popular, mas há a sensação de que haverá nova investida no Congresso.

A seguir começou acirrada disputa por cargos nos Executivos federal e estaduais. Explicitaram-se cobranças, apelos e rusgas. Em muitos casos nem se fala em critério de competência, que deveria ser condição sine qua. Mas espera-se que a fase atual seja de acomodação política e que, ao longo das gestões, os quadros funcionais possam ser enriquecidos com novos nomes.

Já o reajuste dos parlamentares vem gerando atos públicos de repúdio em várias partes do país, como os realizados em Brasília e no Espírito Santo, em frente à Assembleia Legislativa. Também corre na internet um abaixo-assinado, até agora com mais de 242 mil adesões, documento que será entregue ao Congresso na próxima legislatura. É uma iniciativa democrática. Há que se aguardar os desdobramentos.

Editorial de A Gazeta.

À ESPERA DE DILMA.

O que esperar o novo governo de Dilma Rousseff? Em tudo e por tudo teremos o continuísmo petista, juntamente com seus aliados. Mas o movimento em espiral descendente continuará no rumo aos ideais jacobinos dos revolucionários, pois estes jamais se satisfazem com a mera chegada ao poder. Precisam implantar sua ordem revolucionária.


Dois indicadores foram dados a público, sublinhando essa realidade terrífica. Em entrevista dada à Folha de São Paulo no último domingo o futuro ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, que é o secretário geral do PT, disse que a primeira ação da pasta sob seu comando será fazer a reforma política. Falou pouco em que consistiria essa reforma, enfatizando apenas o aspecto do financiamento público das campanhas. Nas suas palavras:

"Ela é imprescindível para o país e é a tendência da presidente eleita, DilmaRousseff. Tenho uma série de convicções a respeito, mas, como ministro da Justiça, vou construir o que for possível. Estou absolutamente convencido de que o governo sozinho, sem diálogo com o Congresso e a sociedade, jamais fará uma reforma política. É tarefa inadiável. Defendo com vigor o financiamento público".

O que significa o financiamento público de campanha? A completa autonomia da classe política em relação à sociedade civil, dando poder desmesurado aos partidos políticos vis-à-vis aos empresários e outros agentes não estatais. Os partidos já funcionam como verdadeiras máfias; com o financiamento público teriam o modelo de sonhos: quem estivesse no poder dificilmente seria dele apeado. Estaríamos a meio do caminho andado para que o Estado adquirisse completa autonomia em relação à população, fazendo desaparecer mesmo o problema da representação política.

O segundo ponto não mencionado nesta entrevista, mas que está em outros documentos partidários, é acabar com o Senado Federal, instituindo o sistema unicameral. Cardozo não pôs a mão no vespeiro, pois sabe que qualquer decisão deste quilate envolve a concordância do próprio Senado, que jamais dará o seu endosso. O Senado é o feudo do PMDB, lócus de sua própria fonte de poder. É a reforma dos sonhos do PT. Penso que algo assim só será possível obter pela força, pelo golpe de Estado, e o PT não tem ainda essa força.

Outro indicador da agenda imediata da presidente eleita está no Estadão de hoje, na entrevista de Franklin Martins. Chega a me enternecer a candura do ex-perigoso guerrilheiro. Ele, como Cardozo e toda a cúpula do PT, sentem-se tão à vontade que não têm mais o cuidado de esconder suas más intenções. Franklin anuncia que o PT quer mesmo controlar o conteúdo da mídia, isto é, acabar com a liberdade de imprensa.

Essa é a nefanda agenda preliminar de Dilma para o exercício do poder em seus primeiro meses. O que cabe a nós, os amantes da liberdade, fazer? Temos que dizer como o personagem Durandarte, desde o fundo da Cova de Montesinos, no fabuloso Dom Quixote: "E quando assim não seja, respondeu o triste Durandarte, com voz desmaiada e baixa, quando assim não seja, paciência, e toca a baralhar as cartas".

Paciência e baralhar! Aguardemos o que nos aguarda o destino. O mal jamais terá a vitória final. Vamos baralhar, pois eles tropeçarão nos próprios pés e cometerão erros fatais.

Nivaldo Cordeiro

É... NÃO DEU

Celso Ming


O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o secretário do Tesouro, Arno Augustin, passaram meses e meses garantindo solenemente que a meta do superávit primário do setor público deste ano seria cumprida.

Nesta terça-feira, candidamente, Mantega reconheceu que não conseguiria obter tal superávit e alegou que não podia responder pelos resultados dos Estados e dos municípios. Se antes garantiu o que garantiu, é porque não via nenhum problema em que Estados e municípios fizessem a sua parte. De repente, o problema surgiu.

Superávit primário é o tanto da arrecadação de impostos que é separado para pagamento da dívida pública. No início do ano, deveria ser de 3,3% do PIB, o que daria algo em torno dos R$ 125 bilhões. Depois, o governo anunciou que o reduziria para 3,1%. Em seguida admitiu que usaria espertos truques contábeis para obter o resultado que, na prática, seria reduzido a apenas 2,2% do PIB. Ainda não se sabe a quantas vai parar essa conta, mas já é certo que não tem mais jeito. A disparada das despesas públicas decidida para facilitar a eleição da candidata Dilma Rousseff solapou de uma vez o contrato anteriormente firmado com a sociedade brasileira.

Agora, tanto Mantega como Augustin reviram os olhos e juram com os pés juntos que em 2011 será diferente, será um ano para valer. Será um ano de austeridade orçamentária, aperto de cintos, disciplina fiscal – determinação da presidente Dilma. Diante dos fatos, essa é uma afirmação como as outras, sem credibilidade, até prova em contrário.

O acontecido terá lá suas consequências. A primeira delas é a de que o novo governo começa com uma dívida pública mais alta do que a prevista, porque a atual administração não conseguiu fechar as contas como deveria. A segunda consequência sai do âmbito da política fiscal e mergulha no da política monetária (política de juros).

Ao longo de todos esses meses, nas atas do Copom e nos Relatórios de Inflação (inclusive no último, editado há apenas alguns dias), as autoridades do Banco Central declararam solenemente que o volume previsto de moeda na economia (e, portanto, também os juros) tinha como um dos seus principais pressupostos o cumprimento da meta de inflação. Como a meta fiscal não foi perseguida, está claro que os modelos do Banco Central estão carunchados com dados que não se cumpriram e com outros que, sabe-se lá, se vão ser cumpridos em 2011.

Quer dizer, os furos da administração fiscal vão exigir mais esforço monetário (juros mais altos), é claro, se houver seriedade no objetivo proclamado de empurrar a inflação para dentro da meta de 4,5% no ano que vem. Isto é, outra vez sobrou para o Banco Central.

Isso também acontece porque as autoridades do Banco Central têm, em relação às questões fiscais comandadas pelo Ministério da Fazenda, a atitude dos três macaquinhos de Nikko: não enxergam, não ouvem, não falam. Ou seja, não cobram. E como não cobram, têm lá também sua cota de responsabilidade pelos furos da Fazenda.

Enquanto isso, a inflação vai mostrando desenvoltura. Mantega continua, por exemplo, com seu discurso de que a alta dos alimentos é determinada por choque de oferta, que semanas depois se reverte, e que nada tem a ver com a disparada das despesas públicas. Pode ser outro autoengano ou, simplesmente, outra enganação

Fonte: O Estadão.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

TÔ NEM AÍ !!!!!!

PROPAGANDA, A ALMA DO NEGÓCIO.

LEGADO DO PSDB.

FHC critica governo Lula e afirma que gestão tucana no Planalto mudou o Brasil


Os jornais desta terça-feira (28) repercutiram a entrevista do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao programa “Manhattan Connection”, da GNT no último domingo (26). Na ocasião, o presidente de honra do PSDB criticou a interferência do presidente Lula na formação do ministério da presidente eleita, Dilma Rousseff. “Ele está se metendo em tudo, quando deveria deixar Dilma governar”, declarou.

FHC afirmou também ter dificuldades para entender o que a presidente eleita diz. “A Dilma, às vezes, não termina um raciocínio. E eu confesso que tenho inteligência curta, porque ela não termina um raciocínio e eu não consigo entender o que ela ia dizer”.

O ex-presidente disse que a sua gestão (1995-2002), “sem falsa modéstia”, mudou o Brasil, graças a consolidação da economia conquistada em seu governo. E afirmou que Lula só não herdou um país melhor por causa do medo que o mercado tinha do que o petista poderia fazer.

“Eu mudei o Brasil. Sem falsa modéstia. O Brasil era um, antes da consolidação da economia, e passou a ser outro. O Brasil foi muito melhor do que o que o presidente Lula pegou. O ano que ele pegou piorou, mas por causa dele. Por causa do medo que o mercado tinha do que ele dizia que ia fazer. E, para sorte de todos nós, não fez. A Dilma vai pegar uma economia em bom momento, mas uma situação fiscal bastante difícil também”, destacou ao frisar que, em função do aumento de gastos públicos no governo Lula, a petista terá que fazer “ajustes na economia”.

FHC condenou ainda o dossiê elaborado por Dilma Rousseff, quando chefiava a Casa Civil, e a sua então braço-direito Erenice Guerra, sobre os gastos dele e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso. O dossiê com dados sigilosos, que veio à tona na crise dos cartões corporativos, era apenas um “banco de dados”, segundo Dilma e Erenice.

“Foi grave aquilo. Dilma telefonou para a Ruth e disse que não estava fazendo nada. E não tinham o que fazer mesmo. Fizeram aquilo para justificar gastos que até hoje não justificaram, na primeira parte do governo Lula. Eles ainda não explicaram. No meu tempo não tinha nem cartão corporativo. Fizeram aquela onda toda, aquela chantagem toda, que era para justificar gastos do governo. Mas, se quiserem fazer um dossiê sobre a minha vida, podem fazer porque eu não tenho nada a esconder”, disse o tucano.

Fonte: http://bit.ly/fGit5H

PROMESSA TERCEIRIZADA.

O deputado Otavio Leite (RJ) demonstrou indignação nesta terça-feira (28) com o anúncio do presidente Lula de que não cumprirá a meta de garantir um computador para cada aluno da rede pública. O petista irá “terceirizar” para os governos estaduais e prefeituras o compromisso assumido por ele em 2006. Ontem (27), o Planalto anunciou a criação de uma linha de crédito concedida a estados e municípios pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) com limite de compra correspondente a 25% do total de alunos da rede pública. Ou seja, apenas um quarto da meta original.


Na avaliação do tucano, esse é mais um ponto em que o discurso presidencial se distanciou completamente da prática. “Se quatro anos atrás o governo veio a público com pompa e circunstância anunciar que os estudantes da rede pública teriam direito a um computador nos traz indignação verificar agora que isso não aconteceu”, criticou o parlamentar.

Segundo reportagem da “Folha de S.Paulo”, Lula assumiu, em 2006, o compromisso do projeto “Um Computador por Aluno (UCA)”, no valor de US$ 100. A proposta do laptop de baixo custo foi sugerida por Nicholas Negroponte, professor do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos EUA). Dois anos depois, o presidente acabou desistindo da ideia por considerar que ficaria caro demais instalar laboratórios de informática nas 55 mil escolas públicas do país.

Além de não cumprir a promessa, os computadores sairão mais caros do que o previsto. Na época, fabricantes já afirmavam que o preço de US$ 100 era impossível de ser atingido nas condições pedidas pelo governo federal. Ainda de acordo com a “Folha”, pela linha do BNDES, cada laptop custará R$ 344,18 (cerca de US$ 200) no Centro-Oeste, Norte e Sudeste – o valor engloba custos de entrega, garantia e instalação. No Sul e Nordeste, será ainda mais caro: R$ 376,94 (US$ 220).

Para Otavio Leite, o Planalto assumiu uma responsabilidade “gigantesca” e não conseguiu executar o prometido. “Foi uma irresponsabilidade propor algo que não era exequível. Nesse ponto de inclusão digital isso tudo não passou de mera retórica. A transferência para os estados e municípios deveria ter sido feita lá atrás porque descentralizaria e facilitaria o processo. Mas o governo quis concentrar tudo e aí deu no que deu”, condenou o deputado, ao lamentar que o país não evoluiu como deveria na área de inclusão digital na gestão do PT

Fonte: http://bit.ly/enGtj5

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

ANO NOVO, JÁ O GOVERNO...

POSSE: SINAIS NEFASTOS.

R$ 150 milhões. É a conta que a sociedade pagará, nos próximo quatro anos, pelos aumentos salariais no "andar de cima" de todos os poderes estaduais. É o montante de impostos que, no governo Casagrande, será deslocado de investimentos para salários do topo dos servidores. Ao mesmo tempo, contrastando com o Natal, morreram mais dois cidadãos na Grande Vitória porque não foram arrumados leitos em UTI.


Com rapidez fulminante, em um único dia, a Assembleia aprovou privilégios nas folhas salariais que afrontam a estabilidade em todos os sentidos:

1. Aumento de 61,8% no salário dos representantes do povo - para o qual se sobrepõe a orientação de só reivindicar reajuste de acordo com a inflação, em torno de 5% anuais. Cada um dos 30 parlamentares receberá R$ 20 mil mensais, sem falar do custo dos "penduricalhos": até 18 assessores, verba mensal de gabinete de R$ 7.800, mais carro, gasolina e motorista;

2. Outro aumento: 41% nos "subsídios" do governador - passando para R$ 18,6 mil -, do vice-governador - R$ 16,9 mil - e dos 25 secretários de Estado - R$ 13,2 mil. Esses "subsídios" superam os respectivos do governo do Rio de Janeiro (governador - R$ 17,2 mil) e são quase iguais aos do governo de São Paulo (governador - R$ 18,725 mil, reajustado em 26,09%);

3. "Resíduo vencimental" para o Tribunal de Justiça e Ministério Público, de 1° de janeiro de 2005 a 1° de junho de 2006, referente ao "lapso temporal" em que passou a vigorar o "novo subsídio dos ministros do STF", com impacto total estimado em R$ 60 milhões - a ser parcelado;

Olhando esse conjunto, que satisfaz a "elite" do Estado, observo sinais nefastos, com prováveis repercussões posteriores indesejáveis - inclusive nos municípios, decorrentes: a) da voracidade dos aumentos salariais e a consequente redução dos investimentos em políticas públicas vitais para o desenvolvimento humano; b) da abrangência restrita a um pequeno número de servidores, agravando não só a desigualdade entre os maiores e menores salários, como também abrindo indagações sobre a equidade na política salarial para todos os servidores públicos; c) da simultaneidade em todos os poderes, incluindo um passivo de 2005/2006, só agora cobrado, indicando que poderão aflorar mais demandas reprimidas ao longo do governo hiperpresidencialista Paulo Hartung.

Diante disso, por que o governador Paulo Hartung - que controla 100% da Assembleia -, e o governador eleito Casagrande não agiram para evitar essa instabilidade fiscal? Na veloz apreciação do aumento acintoso dos parlamentares estaduais - indo até o teto de 75% dos federais -, Cláudio Vereza e Dr. Hércules fizeram propostas que preservavam referências da responsabilidade fiscal.

O deputado, e vice eleito, Givaldo Vieira não aparece nem na lista do "não" e nem na do "sim" ao aumento de 61,8%. Não houve apoio explícito dos governadores e do vice às referidas propostas. Antes, o senador Casagrande intercedeu para evitar o incremento de R$ 27 milhões no orçamento da Assembleia para 2011 - o que foi por água abaixo. A negociação do reajuste adequado dos parlamentares também poderia servir de critério para a cúpula do Executivo.

O governo Casagrande teria começado de outra forma se tivesse buscado, desde a preparação para a posse, entrelaçar as responsabilidades fiscal e social - o que está por ser feito no ES.

Roberto Garcia Simões. A Gazeta.

REFORMA DA PREVIDÊNCIA.

A gestão financeira do sistema previdenciário - tema tangenciado ao longo da campanha eleitoral -, é uma questão delicada a ser enfrentada pelo governo Dilma Rousseff. Os problemas não foram atacados estruturalmente na era Lula. Por isso, cresceram.


A previsão do próprio governo indica que, em 2011, o déficit do Regime Próprio da Previdência (dos funcionários públicos) atingirá valor próximo a R$ 50 bilhões, voltando a superar o do INSS (que paga os benefícios aos aposentados da iniciativa privada), estimado entre R$ 42 bilhões e R$ 43 bilhões. É muito dinheiro a ser bancado pelo Tesouro.

E, por enquanto, não há qualquer planejamento visando à redução significativa desses dispêndios. Por outro lado, existe a necessidade de repor, pelo menos em parte, a defasagem do valor dos benefícios de aposentados e pensionistas que ganham acima do salário mínimo.

O Orçamento-Geral da União para 2011, a ser sancionado nesta semana pelo presidente Lula, estabelece salário mínimo de R$ 540, ou seja, 5,9% sobre o valor atual de R$ 510. A se confirmar o INPC de 4,9% neste ano, o ganho real será de menos de 1%, o menor desde o início da gestão de Lula, mas, ainda assim, a despesa com benefícios da Previdência Social crescerá R$ 366,8 milhões.

O dispêndio do INSS não será maior porque aposentados e pensionistas que recebem acima do mínimo terão benefícios corrigidos em 4,11% - percentual muito abaixo dos 5,9% concedidos ao piso nacional dos salários. Isso amplia a defasagem do valor, discriminando 8 milhões de segurados. Em consequência, a renda de mais de 350 mil aposentados cairá para 01 salário mínimo já a partir do próximo ano, segundo cálculo da Cobap (Confederação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas).

Ainda conforme cálculos da Cobap, as perdas acumuladas por inativos em função de percentuais diferenciados já geram diferença de 70% desde 2003. Isso produz uma desconfortável perspectiva. É que a continuação da atual política de reajuste dos segurados do INSS poderá fazer com que, em algum tempo, todos os aposentados e pensionistas recebam apenas o salário mínimo, independentemente do nível de contribuição ao longo da vida profissional - uma brutal injustiça.

Durante a campanha eleitoral vazou a informação de que estaria sendo preparado na Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda um plano de mudanças para apresentação ao Congresso por Dilma Rousseff, caso fosse eleita. O conteúdo não foi revelado por conveniência eleitoral.

Mas não há dúvida de que algo precisa ser feito. O aumento da expectativa de vida e o rápido envelhecimento da população reforçam a percepção, já muito nítida, de que o modelo atual não é sustentável a longo prazo.

Editorial de A Gazeta.

DIREITO DE ESCOLHA.

Discute-se, nos meios políticos nacionais, e até mesmo nos regionais, como no presente caso da Espírito Santo, o chamado "continuísmo" administrativo, a pressão de Lula e das cúpulas partidárias em indicar ministros e a turma do segundo escalão. Aparentemente, com a continuidade de alguns nomes saltando do governo de Lula para o de Dilma, dá a impressão de que há uma integração do chamado "criador" de Dilma com a criatura, ela própria. Mas tudo não passa de um ensaio, de uma tentativa de continuísmo administrativo, quando na realidade todos nós temos ideias próprias e, mesmo que saia errado, queremos ser senhores dos nossos erros e acertos.


Creio firmemente que, com o passar do tempo, alguns nomes que compuseram o governo Lula deverão ter continuidade com Dilma, porque nesse caso presente, toda essa gente repetitiva faz parte de um "caldeirão" de novos donos do Brasil, todos, quase, farinha do mesmo saco, a formidável lata de caranguejo, um puxando o outro para dentro da lata, para que não se sobressaia e fuja daquele centrismo de aproveitadores.

Diz velho aforismo: "Rei morto, rei posto". Não vai ser diferente com Lula, mesmo com todo seu carisma, suas irreverências e sua cara de pau, de se intrometer nos negócios alheios.

Lula vai passar muitas dores de barriga, muitas cólicas, vai curtir muitos porres, quando ver todos seus sonhos de manda-chuva caírem por terra, principalmente suas possibilidades de se tornar um sucessor de Dilma, porque o povo irá exigir isso, no seu entender. Lula não tem jeito! Ele é capaz de tudo para sobreviver, e se não conseguir, morrerá de tédio

No caso do Espírito Santo, devido à certa influência de Paulo Hartung na eleição do senador Renato Casagrande, imagina-se que o futuro governador deva absorver um formidável contingente de secretários do governo que está se extinguindo.

Aparentemente, pode parecer um sinal de prestígio ou até capacidade técnica invejável dos que serão "convidados" a continuar, mas não é, porque, se o continuador não der certo, sob a ótica de um novo governador, vai dar a impressão de que o governador era bom e o auxiliar não prestava, era empurrado.

Existem prós e contra nessa história de continuísmo. A questão da liberdade de escolher é que deve prevalecer. Deixem ao novo governador a incumbência de escolher seu secretariado, afinal, o governador eleito não é nenhum ilustre desconhecido da política capixaba e, pelo que se nota, da inflexibilidade do governador Paulo Hartung, diante da formação de um novo governo, prefere o mutismo, o natural isolamento de quem tem consciência do dever cumprido, o que faz muito bem.

Dilma está sendo embuchada com o monte de ministros, auxiliares os mais diversos que o "professor" Lula lhe tem forçado a continuar, como se fossem as únicas cabeças pensantes desta nação, quando não é verdade. Se persistirem as políticas econômicas da Mantega e Meirelles, a tragédia da educação, com esse tal de Enem, com suas trapalhadas, a questão da insegurança, da Previdência Social, os escândalos da Petrobras e outras organizações públicas, como os Correios, tudo isso deve continuar?

Gutman Uchôa de Mendonça

COMIDA MAIS CARA.

Rogério Marinho defende reforma tributária para que os mais pobres não sejam penalizados pela inflação dos alimentos


O deputado Rogério Marinho (RN) afirmou nesta segunda-feira (27) que os brasileiros com menor poder aquisitivo são penalizados por causa dos altos impostos no Brasil. O tucano voltou a defender a reforma tributária para reverter essa situação. Com a disparada do preço dos alimentos, a inflação este ano teve um peso maior no bolso dos brasileiros mais pobres, que gastam um terço do que ganham com comida. Até novembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que se refere às famílias com renda de um a seis salários mínimos, variou 5,83%. O resultado foi influenciado pelos preços dos produtos alimentícios, que subiram 9,59% em média.

“A inflação de alimentos penaliza sobretudo os mais frágeis economicamente e acontece em função da estrutura tributária arcaica e sobrecarregada que incide em cascata sobre os produtos primários. Só vamos poder contornar essa situação se o governo tomar a decisão política de fazer a reforma tributária. Mudança tão desejada e necessária para que o país possa crescer de forma sustentada a médio e longo prazos”, avaliou o parlamentar.

Segundo reportagem do “O Globo”, o alívio para os brasileiros de todas as faixas de renda, no entanto, não deverá chegar em 2011. Os preços internacionais dos alimentos estão próximos às máximas históricas registradas em junho de 2008, de acordo com informes da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

Na avaliação do economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho, com os preços salgados, o comércio que vende alimentos já apresentou retrações nas vendas em novembro. “O impacto dos alimentos é muito maior entre os brasileiros de menor renda. É um impacto direto na veia e o governo deveria olhar mais atentamente para isso”, destacou em entrevista ao jornal.

Economista, Marinho alertou ainda para a guerra cambial que o país enfrenta devido à valorização do real. “A nossa moeda está supervalorizada, o que inibe a produtividade e cria dificuldades de comercialização dos nossos produtos. Isso porque que são produzidos aqui em real e vendidos em dólar lá fora”, explicou o deputado.

O parlamentar disse também que a próxima gestão do governo federal tem o desafio de solucionar esse problema e garantir o crescimento sustentável. “Uma série de fatores demonstra a necessidade de que tenhamos uma posição firme do Planalto. Isso só vai acontecer, caso o governo tenha coragem e a decisão política de fazer as reformas necessárias como a tributária, a previdenciária e a trabalhista”, declarou.

Fonte: http://bit.ly/gNGB4i

domingo, 26 de dezembro de 2010

EMENDA PARLAMENTAR. EXISTE ISSO?

Stélio Dias


As recentes denúncias contra parlamentares, relatores do Orçamento Geral da União para o próximo ano mostram um assunto que se pensava ter acabado com o caso de corrupção conhecido como o dos Anões do Orçamento.

O novo esquema destinado a fraudar o Orçamento copiou de maneira mais elegante e sofisticada a denominada máfia dos sanguessugas que foram emendas destinadas a compra de ambulâncias.

O Senador, Relator titular e a Senadora que o substituiu, supostamente cometeram as mesmas irregularidades como fartamente denunciaram as reportagens do Estadão e da Veja. Trata-se de recursos públicos orçamentados em decorrência de emendas postadas no Orçamento pelos parlamentares.

O Orçamento Público conhecido pela sigla OGU, Orçamento Geral da União é uma peça que revela em foto ampliada tudo que deveria acontecer no Governo. Deveria porque nunca é cumprido na sua íntegra. Mas, é uma foto que revela o governo.

Por ele qualquer cidadão poderia (de novo poderia) acompanhar todos os passos do Governo Federal e de toda a Federação. O abismo entre o ideal que a teoria dos orçamentos prega e a realidade que os governos produzem e executam é abissal.

A rigor poderíamos imaginar que o país está nos melhores dos mundos. Antes de aprovado o Orçamento, discute-se uma Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Essas diretrizes conduzem as peças orçamentárias que são feitas por técnicos do Ministério do Planejamento, analisadas pelo Congresso através de Comissão Mista Senado Câmara, e sua execução acompanhada pelo mesmo Congresso, Auditoria Geral da União, Ministério da Fazenda e auditores do Ministério e Tribunal de Contas.

Toda essa parafernália da burocracia de controle não justificaria que uma simples ONG usasse verbas do Ministério de Turismo para shows e festas não realizadas e desviassem recursos. Mas acontece, como aconteceu com os Anões do Orçamento e com os sanguessugas. E, continuará acontecendo.

A mal não esta nas ONGS, mas quem se utiliza delas. A mal não está nas emendas, mas nos requisitos e critérios de suas apresentações. Tecnicamente a Emenda parlamentar não existe. A Lei 4.320 (Código Financeiro) não prevê tal instrumento.

A emenda parlamentar mesmo alheia a Lei existe, como existe em outros países. Em todos muito combatida pela sociedade. As emendas parlamentares quando executadas, isto quando se transformam em recursos financeiros não são acompanhadas pela sociedade porque ainda não são muito compreendidas, mesmo pela mídia.

Os parlamentares já incorporaram as emendas a sua saúde legislativa, embora um estudo da USP tenha mostrado que não existe (estudo feito na Câmara) conexão entre sucesso eleitoral e as emendas apresentadas ao Orçamentos. Não existe conexão entre a emenda e o voto. Ao contrario, há um impacto negativo de uma votação para outra. O estudo abrange todos os deputados que apresentaram emendas em três legislaturas seguidas.

Como a emenda parlamentar, tecnicamente não existe; como fica sendo, uma vez incorporada ao Orçamento, uma transferência voluntaria da União essas emendas ficam guardadas no “tesouro” político do Governo e sacadas como “moedas” de troca entre o Executivo e o Legislativo.

Como elas vem do Legislativo (a maioria) sem os pré requisitos republicanos a emenda existente no “mercado” político tanto pode ser uma destinada a uma obra importante para a sociedade, como pode ser para pagamento de “shows” “culturais” (?) que podem ser realizados ou não como provou o Estadão em recente reportagem.

O Orçamento Geral da União para o próximo ano recebeu cerca de dez mil emendas, somando cerca 72,1 bilhões de Reais. O Orçamento em execução recebeu deste mesmo Congresso 68,9 bilhões de reais em emendas, mas o Executivo só cumpriu (ou pagou) 22,5 bilhões. Não existe controle e ninguém sabe o que aconteceu com todas essas emendas. No meio delas estão os “shows” e as festas patrocinadas denunciadas pela mídia.

Como os itens amortização de dividas da União, despesas com juros, benefícios previdenciários e outros custeios consomem na media 80 por cento do Orçamento o que resta fica por conta do Executivo que é o “dono” da banca. O Orçamento por isso é apelidado de peça de ficção. É mais do que isso beira a irracionalidade, e a irrelevância na sua aplicação.

O escândalo dos Anões do Orçamento, dos Sanguessugas e agora dos shows culturais no remete ao recente livro do Prof. Dias Junior “Os Contos e os Vigários – Uma historia da trapaça no Brasil” (leitura recomendada).

Prof. Dias Junior ao historiar a trapaça no Brasil descreve que a “época explica os golpes e os golpes explicam a época” e defende uma tese que “cada pais tem o vigarista que merece – ou seja os vigaristas sabem sintonizar seus golpes com os contextos culturais próprios de seus países”.

Livres são as conclusões e comparações com o que assistimos hoje.

Fonte: http://bit.ly/grgRjg

E AINDA RECEBE O BOLSA DITADURA.

Para fingir que não soube do pedido de socorro emitido por 42 presos políticos cubanos, o presidente Lula compôs um hino à imbecilidade. “As pessoas precisam parar com esse hábito de fazer cartas, guardarem para si e depois dizerem que mandaram para os outros”, começou. Como se o texto não tivesse sido reproduzido por todos os jornais do país. “Quando uma pessoa manda uma carta para um presidente, no mínimo, só pode dizer que o presidente a recebeu se protocolar a carta”, concluiu. Como se a ditadura dos irmãos amigos se dispusesse a fretar um avião para depositar na Praça dos Três Poderes um dos signatários do documento.


Para culpar o preso político Orlando Zapata Tamayo pela própria morte, Lula ergueu um monumento ao cinismo. “Lamento profundamente que uma pessoa se deixe morrer por fazer uma greve de fome”, começou, com um “se” obsceno. Como se Zapata tivesse permanecido 85 dias sem se alimentar para aprender o ofício de faquir. “Vocês sabem que sou contra, porque fiz greve de fome”, concluiu. Como se merecesse tal qualificação o anedótico jejum que simulou durante a paralisação dos metalúrgicos do ABC entre abril e maio de 1980.

“O pessoal escondia bala, acordava para roubar bolacha, uma vergonha”, diz José Maria de Almeida, um dos participantes da comédia. Em 1997, como atesta o video abaixo, Lula confessou que tentara contrabandear para a cela um pacote de balas Paulistinha. A pedido dos próprios metalúrgicos, em busca de uma saída honrosa para o falso problema, o cardeal Paulo Evaristo Arns solicitou-lhes que encerrassem o que nem começou. O fim da paródia foi celebrado com um amistoso jantar entre encarcerados e carcereiros. “Fiquei tão contente quando a greve de fome acabou que mandei servir lula a dorê para o pessoal”, conta o agora senador Romeu Tuma.

O depoimento gravado em vídeo atesta que, enquanto os companheiros permaneceram hospedados no Dops, o delegado Tuma transformou o que deveria ser uma prisão do regime autoritário num aconchegante hotel com celas. Lula nem faz ideia do que é uma cadeia de ditadura. Nunca soube o que é greve de fome. Conjugados, o falatório em Cuba e as declarações de 1997 avisam que o mundo deste começo de século será lembrado como um deserto de estadistas. É esse o habitat do governante das cavernas.



Fonte: Coluna do Augusto Nunes. Veja. http://bit.ly/ezc2Jp

SEMPRE MAIS DO MESMO.

Paulo Hartung dominou a Assembleia Legislativa e o cenário político de uma maneira geral. Renato Casagrande fará a mesma coisa. Numa ocasião, vi um político capixaba das antigas perguntar privadamente a Casagrande se ele seria um "czar". Sua resposta foi: "O meu estilo é diferente". É verdade. A partir do ano que vem, o clima para críticas públicas deve se tornar mais desanuviado. Porém, do ponto de vista qualitativo, nada vai mudar.


É curioso observar como a elite política do nosso Estado se porta perante Paulo Hartung. Publicamente, o atual governador é um santo. Pelas costas, os políticos adoram lançar-lhe epítetos, do tipo "imperador", "czar" ou coisas assim. A insatisfação com uma suposta capacidade de perseguir e destruir os inimigos, que é atribuída a Hartung, é muito disseminada.

A única pessoa que teve coragem de trazer o assunto a público foi o deputado federal Luiz Paulo Vellozo Lucas. Ele usou um termo de origem marxista para falar da concentração de poder em torno de Hartung, quando afirmou que havia uma "unanimidade bonapartista" no Estado. Posteriormente, preferiu uma terminologia mais adequada ao seu perfil neoliberal, que é "condomínio de poder".

A economia capixaba é altamente concentrada em poucas empresas muito grandes. Ao mesmo tempo, a Sociedade Civil é marcada por lideranças conservadoras (de tipo empresarial, religioso, corporativo), e concentradas geograficamente (mesmo nas cidades da Grande Vitória). A soma destes elementos não cria condições favoráveis a uma autêntica representação de interesses coletivos alicerçada em projetos alternativos. Quando o governo vai mal (Albuino, Vitor Buaiz, José Ignácio), a dispersão de lideranças abre espaço para a chantagem e a ascensão de práticas criminosas.

Quando o governo vai bem, é lógico que o chefe do Executivo concentre poder, visando diminuir o espaço de manobra dos adversários. Hartung foi o primeiro a ter condições para fazer isso em muitos anos. Nestas circunstâncias, só restou aos prejudicado as lamúrias em conversas de pé de ouvido.

Os que acham que Casagrande é "bonzinho" estão enganados. Ele cresceu na política enfrentando inimigos, fazendo alianças, ganhando e perdendo. Ele está recebendo uma boa herança. Trabalhará por oito anos de mandato e fará o que é natural no nosso caso: atrair lideranças, esvaziar a oposição e comandar o processo político-partidário. O estilo será diferente, mas o resultado será o mesmo.

André Pereira é professor da Ufes.

POLITICA CAPIXABA.

A seis dias de assumir o cargo político mais importante do Estado, o governador eleito Renato Casagrande (PSB) indica sinais de que será austero no trato das contas públicas. A aliados e segmentos da sociedade, ele avisa que se necessário pisará no freio dos investimentos, para evitar risco de desequilíbrio no caixa estadual. Essa será uma de suas primeiras prioridades após receber a faixa do governador Paulo Hartung (PMDB), no próximo sábado.


Haverá outras tarefas na pauta, claro. O novo governador instalará o Gabinete de Gestão Integrada da Segurança Pública, passará a discutir com mais força a eleição para a presidência da Assembleia Legislativa - que já estaria atrasado, segundo certas avaliações -, debaterá o planejamento estratégico de fevereiro e avançará nas conversas sobre os demais escalões.

Mas o secretariado que toma posse no dia 3 de janeiro já tem uma primeira missão: detalhar a situação financeira do Estado e dos contratos, especialmente os de obras. Uma reprogramação orçamentária não está descartada, mas o objetivo é evitar descontinuidade de obras e serviços.

Situações internas e externas mantêm o governador eleito e seus principais colaboradores em alerta. Internamente, há perspectiva de aumento do custeio, com os novos investimentos do governo e com os aumentos salariais dos deputados e nas carreiras do Executivo.

Na semana passada, o salário do próximo governador foi reajustado para R$ 18,6 mil e gerou um efeito cascata. Como esse valor é o teto salarial do serviço público no Executivo, outras categorias foram "premiadas": receberão o mesmo que o governador, porque seus vencimentos agregam gratificações e benefícios. Tudo isso aumenta as contas a pagar.

Mas Casagrande e a equipe também focam nos cenários nacional e mundial, que inspiram cuidados. Como se sabe, há indicativos de um repique inflacionário em 2011. E no exterior, a crise econômica não dá trégua. Em 2009, ela chegou por aqui como marola. Mas o país e o Estado podem não estar tão imunes da próxima vez.

Esse é o tema na ordem do dia do grupo que logo toma assento no Palácio Anchieta, portanto. São sinais de responsabilidade com o equilíbrio financeiro conseguido a duras penas no início do atual governo, após anos a fio de instabilidades e desorganização com as contas públicas antes de 2003.

O recado é particularmente importante para as prefeituras, sobretudo as que atravessam dificuldades, como as de Vitória e da Serra. Em conversas reservadas, lideranças políticas já especulam sobre o chororô de prefeitos batendo à porta do Palácio pedindo socorro em 2011.

É claro que Casagrande não vai ignorar aliados, mas a prevenção do novo governo é correta e na linha da gestão que termina. A austeridade fiscal foi importante para o Estado ter fôlego, acelerar e chegar até os atuais avanços. Mas é importante também saber a hora de se reduzir o ritmo, para evitar riscos futuros.

Cena política

Antes de começar uma entrevista coletiva na quinta-feira com a presença de vários líderes petistas, a deputada Iriny Lopes anunciou o vereador Alexandre Passos como ex-presidente da Câmara de Vitória. Um companheiro lembrou que ele ainda era presidente e alfinetou: "Ela mal virou ministra e já quer cassar o mandato do Alexandre!"

Início. A primeira reunião do novo secretariado estadual será na manhã do dia 3, no Palácio Anchieta. Em seguida, o governador Renato Casagrande dará posse à equipe.

Largada. Em entrevistas, o governador eleito diz que só tratará da eleição para a presidência da Assembleia Legislativa em janeiro, após a posse, mas aliados afirmam que ele já abriu o diálogo com os deputados.

Formato. Em fevereiro, após a eleição na Assembleia, Casagrande monta o segundo e o terceiro escalões com base também na nova configuração de partidos e de lideranças em posições da Casa.

Repercussão. Mal foi indicada para a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, a deputada Iriny Lopes (PT) começa a ser chamuscada na imprensa nacional. Ela apareceu numa reportagem de página inteira do jornal O Globo de sexta-feira ao lado de outros deputados escolhidos para o ministério. Segundo o texto, eles usaram verba da Câmara para pagar empresas que também atuaram em suas campanhas.

Pegou mal. Em meio a esse contratempo, Iriny recebeu os cumprimentos do deputado federal eleito César Colnago (PSDB) pela indicação para o ministério. O tucano escreveu no Twitter: "Nosso reconhecimento e saudações a Iriny Lopes pela indicação para ministra. Uma homenagem às mulheres capixabas".

Dúvida. Diante da posição de Colnago, resta perguntar: será que o tucanato gostou do elogio do novo líder da oposição no Estado?

Fonte: PRAÇA OITO, A GAZETA.

SALVEM NOSSAS MENINAS (2) by Marco Sobreira.



Um constatação preocupante, “25% dos registros no Brasil não consta o nome do pai”e pensando nas causas, cheguei a conclusão que talvez a mais importante seja a gravidez na adolescência. Vejamos : Desde 1970, tem aumentado os casos de gravidez na adolescência e diminuído a idade das adolescentes grávidas. Segundo os dados do IBGE, desde 1980 o número de adolescentes entre 15 e 19 anos grávidas aumentou 15%. Só para ter idéia do que isso significa, são cerca de 700 mil meninas se tornando mães a cada ano no Brasil. Desse total, 1,3% são partos realizados em garotas de 10 a 14 anos.


Já não causa tanto espanto sabermos que meninas de 10, 11, 12 anos tenham vida sexual ativa, assim como aparecem em consultórios portando alguma doença sexualmente transmissível (DSTs) e ou grávida. As principais causas da gravidez são: o desconhecimento de métodos anti-concepcionais, a educação dada a adolescente faz com que ela não queira assumir que tem uma vida sexual ativa e por isso não usa métodos ou usa outros de baixa eficiência (coito interrompido, tabelinha) porque esses não deixam "rastros".O uso de drogas e bebidas alcóolicas comprometem a contracepção, além das que engravidam para casar-se. A degradação da família, prostituição infantil, abandono religioso(as igrejas hoje se preocupam mais em vender discos e cobrar dizimos), falta de projetos de vida e falta de perspectivas futuras são causas que não podemos ignorar.

A mídia é outro vilão nessa questão, exagerando na erotização do corpo, algumas pessoas que são vistas na passarela, revista, cinema e televisão são para os adolescentes verdadeiros ídolos, ídolos esses que passam uma imagem de liberação sexual, e a tendência de um fã é sempre copiar o que seu ídolo faz.

Geralmente é uma gravidez não programada, que surpreende nossas meninas na fase mais bonita de suas vidas, interrompendo sonhos, discriminando-as na sociedade e muitas vezes provocando o abandono de suas famílias. O afastamento dos estudos é uma conseqüência que marcará sua condição de vida para sempre. O isolamento das amigas contribui para abaixar mais ainda a sua já combalida autoestima. O que é pior, por tudo isso, tende a esconder a sua situação e não procura assistência médica para o pré-natal, indispensável para a sua saúde e de seu filho, principalmente nesta faixa etária, colocando muitas vezes sua própria vida e a da criança em perigo , isso quando não recorre ao aborto, com seus riscos , traumas psicológicos e ilegalidade.

Quando é acolhida pela família, as conseqüências são reduzidas, embora a cobrança e o trauma vai acompanha-la para sempre, muitas vezes verá o filho criado pela mãe, o que modifica para sempre sua relação com o mesmo e cria a categoria filhos/netos.

O mais grave de tudo é a omissão do Estado diante desse grave transtorno social. A falta de uma política específica, a educação deficiente, sem escolas em tempo integral , o descaso do Programa de Saúde da Família que em tese seria o responsável por todas as ações em seu território de atuação , a falta de uma política nacional anti-drogas e o combate insuficiente à pedofilia e à prostituição infantil completam o fracasso do Governo no combate a essa tragédia nacional. Nossa taxa de nascimentos desses casos é de aproximadamente 30%, a pior da América Latina e se compararmos com taxas de 3 a 5% dos países desenvolvidos, nos faz cair na realidade sombria de nosso subdesenvolvimento.

Não podemos mais nos calar, não vejo a grande mídia atacar esse problema com o destaque que merece, não vejo a arrogância cotidiana do Presidente falar sobre o assunto, não vejo principalmente os Ministros de Saúde, de Educação e de Assistência Social divulgarem um plano com metas e datas definidas para resultados. A Sra Dilma Rousseff acaba de ser eleita, as promessas de campanha devem ser cobradas, precisamos de um compromisso , um programa, uma solução, uma prioridade para nossas meninas, afinal se um País não olha por suas crianças, vai olhar por quem?

sábado, 25 de dezembro de 2010

QUÉRCIA, POLÊMICO E DECISIVO.

Maurelio Menezes



Em 1974, fui um dos jovens que se transformaram em cabos eleitorais de um jovem candidato ao Senado e o ajudaram a se transformar no Homem de Seis Milhões de Votos. Proporcionalmente é a maior votação que alguém já conseguiu no país, um número que dificilmente alguém alcançará. Orestes Quércia, um jovem empresário da área de Comunicação que havia sido prefeito e deputado estadual em Campinas era, para nós, a encarnação do novo, a possibilidade de uma representação no antiquado senado, tradicionalmente um reduto, para nós, das velharias da política nacional. O discurso que ele preparou para a posse era a concretização do que esperávamos. Ele seria mesmo a nossa voz: iria denunciar as perseguições dos militares e de políticos da direita conservadora à juventude e aos que lutavam pela democracia no Brasil.

No dia da posse o Correio Brasiliense estampou a manchete : Quércia é Corrupto! Ficamos indignados com aquela manifestação de um jornal vendido, como tinhamos certeza que era o CB. Mas veio a posse, com ela um discurso brando, vazio mesmo. Das denúncias fortes prometidas, nada. Nos quatro anos seguintes, o jovem Senador ficou escondido. Foi como se não tivesse sido eleito. Aos poucos a ficha caiu: os militares, via SNI, investigaram a vida dele e descobriram o que anos mais tarde todo o país comentaria. Quércia estava envolvido em todo tipo de falcatruas possiveis e imagináveis. A manchete do Correio Brasiliense fora apenas um recado do tipo Nós sabemos o que você andou fazendo por ai, logo fique quietinho senão... Para mim e para outras centenas de voluntários cabos eleitorais que nessa época íamos às ruas ideologicamente, foi uma decepção e, ao mesmo tempo, um aprendizado que se ajudou a solificar a defesa da necessidade de sempre se duvidar, seja lá do que ou de quem for.

O mesmo Quércia que se apequenou diante da manchete do CB (e certamente o fez porque tinha mesmo o rabo preso) foi fundamental, quase vinte anos depois no primeiro grande teste de sobrevivência da jovem Democracia brasileira. Quando o governo Collor começou a fazer água devido a denúncias do irmão Pedro (que certamente só as fez por não ter seus interessentes atendidos pela duplaF Collor - PC Farias ou mesmo por se sentir ameaçado pelos dois), o PMDB partido mais forte do país, que tinha em Ulysses Guimarães seu grande líder, era contra o impeachment. e sem o apoio dos peemedebistas Collor não seria deposto. Lula presidia o PT nessa época. E Tasso Jereissati presidia o PSDB, que nascera extamente pela existencia e pela prática política de Quércia (ele, eleito vice governador de Franco Montoro em 1982, foi aos poucos cooptando a peso de ouro os fisiologistas do partido -que eram maioria-, o que fez com que descontentes como Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas, o próprio Montoro, Sérgio Motta, José Serra, entre outros, se rebelassem e criassem um novo partido baseado na Social Democracia, o PSDB).

Lula se reuniu com Tasso (que ironicamente hoje ele tem como inimigo declarado) e juntos foram a Quércia. Ninguém, a não ser o proprio Lula e Tasso, sabe os termos da conversa, mas a partir dessa conversa Quércia se transformou no cabo eleitoral número um do impechment, patrolando lideres como Ulysses e Sarney. Ulysses que não era bobo nem nada, quando percebeu que estava perdendo o bonde da história, virou o jogo, assumiu a luta contra Collore acabou ficando com as glórias, se bem que por pouquissimo tempo porque duas semanas depois da votação do impechment ele morreria num acidente aéreo aqui no litoral do Rio.

Com o enterro do corpo de Quércia hoje em São Paulo enterrou-se parte da história política do Brasil, uma história dúbia por excelência em que a esperança de hoje é a decepção de amanhã, os vilões de hoje são os heróis de amanhã e que o povo nunca é convidado para participar da costura dos acordos celebrados por amigos de hoje que serão inimigos amanhã e especialmente das decisões que mudam a vida dele, embora lhes vendam a ilusória sensação que, ao eleger seus representantes, está decidindo o futuro do pais.

Fonte: Olhares Menezianos. http://bit.ly/gLlmQ8

VEJAM QUEM ESTÁ NO BLOG.

                                   
 Oi amigos do blog, eu sou o MARCO SOBREIRA, estou com 1 mês e 21 dias, sou o filho caçula do Dr. Marco Sobreira. Estou aqui para desejar um Feliz Natal e um Ano Novo de muita saúde e paz para todos.

O GALO ENSOPADO.

Como é tradição nos pequenos municípios do interior do País, em Atílio Vivácqua no sul do Espírito Santo, eleitor exige que o candidato visite a sua casa. Evidentemente que chega o momento em que o crescimento populacional inviabiliza esta prática e como os comícios perderam o atrativo com a proibição de shows, haja criatividade para se comunicar com o eleitor, e convencê-lo que é a melhor opção. Mas por aqui, ainda esse costume vigora, então pés na estrada e disposição para percorrer todas as residências do município à cata dos votos.


Na eleição de 1992, eu era candidato à reeleição para a Câmara de Vereadores , tinha sido Presidente da Constituinte Municipal, o que absolutamente não me garantia como certa a eleição, então pés na estrada. José Luiz era candidato ao segundo mandato como Prefeito e no que diz respeito a visitar os eleitores era incansável, não tinha hora para parar, almoçar ou lanchar.

Um domingo, eu, ele e o também vereador Romildo Sérgio resolvemos aproveitar, já que neste dia da semana é mais fácil encontrar as pessoas em casa, para visitar o maior número possível de eleitores, sabíamos eu e o Romildo Sérgio que seria dura e cansativa tarefa acompanhar o nosso candidato a Prefeito. Saímos lá pelas 8 horas em direção ao interior e começamos nossas visitas, conversa vai, conversa vem, propostas, compromissos, muito cafezinho , mas comida mesmo que é bom nada, pois toda vez que recebíamos o convite para uma boquinha, José Luiz descartava, alegando que precisava aproveitar o dia para andar mais e com o estômago cheio com certeza a preguiça ia bater e não conseguiríamos cumprir o objetivo.

Lá pelas 3 horas da tarde, a fome era negra, olhava para Romildo Sérgio à procura de cumplicidade para pressionar por um almoço, quando chegamos a uma pequena propriedade, casa simples, esteios de madeira, abrigava embaixo arreios, uma charrete, e outros utensílios da lida diária do pequeno agricultor. Paramos o carro perto da porteira, a cachorrada veio nos receber , quando o Sr Antonio chegou à janela e gritou,

- Oi José Luiz, chegue mais, não se preocupe pois os cachorros não mordem,

Fomos entrando, olho nos cães, direção à escada, fomos interrompidos,

- Não, por aí não, entrem por trás, pela cozinha, vocês são de casa.

Assim o fizemos, passamos por uma pequena varanda que abrigava um pequeno fogão a lenha ainda quente e entramos numa espécie de copa, cumprimentos de praxe, família à mesa, ainda almoçando, criançada com a boca amarela de gordura se deliciando com um galo ensopado com batatas, que nos deixou a todos com água na boca.

-Chegaram bem na hora, disse o Sr Antonio, o almoço hoje saiu meio tarde porque fomos à missa, é comida de pobre, mas faço a questão que almocem, ainda mais que é a primeira vez que o Dr Marco vem a minha casa.

José Luiz ainda tentou negar o convite, mas devido a insistência do dono da casa e a nossa cara de fome, acabou por aceitar. Sr Antonio então nos convidou para ir para a sala conversar enquanto a esposa ia despachar a molecada a preparar a mesa para os convidados. Fizemos nossa campanha, pedimos votos, convidamos para comparecer ao comício que ia se realizar ali perto na próxima semana. Voto prometido, gritou para a esposa,

-E aí Maria, está pronto?

-Ao que respondeu, sim Antonio, a mesa está pronta.

Lavamos as mãos numa pequena pia, nos sentamos, arroz, feijão, macarrão , galo com batata e refresco de limão. No momento nos parecia um banquete de Rei.

-Não façam cerimônia, já almoçamos, a comida é simples mas é de coração, falou o Sr Antonio com sinceridade,

Almoçamos, o José Luiz que até então se fazia de durão foi o que mais comeu, não sei se a comida realmente estava boa ou se era a nossa fome, mas o fato é que raspamos os pratos. Terminado o almoço, Sr Antonio oferece um cafezinho, vira-se pro José Luiz e fala,

-E então Zé, fala a verdade, estava gostoso ou não estava?

-Ao que José Luiz recrutou, claro que sim, estava uma delícia,

-Viu mulher, venha cá, ouça isso, não te falei? Olha José Luiz, só porque esse galo amanheceu morto no quintal, a mulher queria jogar fora, não falei que tava bom!!!

Olhamos um para o outro, engolimos em seco , apressamos a nos despedir, saímos, paramos na primeira sombra que encontramos, enfiamos o dedo na goela, vomitamos todo àquele delicioso almoço.

No que me diz respeito, fiquei um bom tempo sem poder nem olhar para galo ensopado.

(histórias de um médico do interior)

A NOVA POLITICA DOS GOVERNADORES.

Por Carlos Chagas


A semente foi lançada pelos oito governadores do PSDB, parece que germinará em outros partidos, compondo um jardim de flores diversas, mas com o mesmo perfume. Até os governadores do PT dispõem-se a integrar o conjunto dos que pretendem relacionar-se com a presidente Dilma Rousseff falando uma só língua. Qual? A de que estão prontos para colaborar com o novo governo, desde que recebam igual tratamento por parte do palácio do Planalto. Nada de chegarem a Brasília de chapéu na mão, muito menos para receber reprimendas e admoestações.

Não se fala do retorno à velha política de governadores, sequer da divisão regional entre eles, como por exemplo os do Nordeste reivindicando uma coisa, os do Norte, outra, e assim por diante. O quadro em vias de ser montado será nacional. O que for bom para uns será bom para outros.

A primeira questão que poderia separar os governadores está sendo equacionada satisfatoriamente. Trata-se da divisão dos recursos gerados pelo pré-sal. Pela proposta do deputado Ibsen Pinheiro, partes iguais do lucro futuro seriam destinadas a todos os estados. O presidente Lula vetou a cláusula de igualdade, permitindo que São Paulo, Rio e Espírito Santo, estados com litoral aberto à nova riqueza, venham a ser melhor aquinhoados que os demais. Não perderão a receita atual e a prevista. A novidade em termos de união dos governadores é que os outros não deverão protestar nem mobilizar suas bancadas para derrubar o veto do presidente, de resto apoiado pela sucessora. Afinal, as despesas aumentaram e muito mais aumentarão nas cidades e regiões onde a indústria, os serviços e congêneres petrolíferos se instalaram e se instalarão. É natural que Sérgio Cabral, Geraldo Alckmin e Renato Casagrande reivindiquem mais dinheiro por conta das estradas, habitações, escolas, hospitais, portos e sucedâneos que necessitam implantar para enfrentar o novo desafio, incluindo o vertiginoso aumento das populações nos locais escolhidos para processar o petróleo recém-descoberto.

Por enquanto as conversas entre os governadores tem sido promissoras, independentemente das filiações partidárias. Admite-se, até, que no correr de janeiro venham a definir uma data para se apresentarem juntos, na capital federal, para diálogo comum com a nova administração. Aliás, juntos estarão pela primeira vez na posse da presidente, ainda que diluídos entre ministros, convidados e a emoção da cerimônia. Tanto os 14 eleitos quanto os 13 reeleitos demonstram bons propósitos. Resta saber até quando, registrando-se apenas uma disputa entre eles: qual será o primeiro estado a ser visitado por Dilma Rousseff, como presidente da República?

O BENEFÍCIO DA DÚVIDA

Composto o novo ministério, não há como deixar de concluir ter sido o ministério possível, não o ideal. É cedo para saber se será o “ministério da experiência” de que falou Getúlio Vargas pouco antes de assumir, em janeiro de 1951. Pode ser, mas, ao menos por enquanto, cada um dos ministros terá oportunidade de revelar-se competente. O diabo é que uns logo demonstrarão ser mais competentes do que outros. Ignora-se a mecânica de funcionamento do novo governo, isto é, se Dilma Rousseff despachará com todos os ministros, habitualmente, ao contrário do que fez o presidente Lula. O mais provável é que pelas manhãs reúnam-se com ela os ministros da casa, com gabinete no palácio do Planalto, mais os comandantes da política econômica, mas nem isso parece resolvido.

À ESPERA DO PLANO DE GOVERNO

Tirante as generalidades expostas durante a campanha, está a presidente Dilma Rousseff devendo um documento ou um pronunciamento onde particularizará suas metas de governo. Suas prioridades, objetivos e propostas nos diversos setores, do econômico ao financeiro, do social ao do desenvolvimento, segurança, saúde e educação, entre outros. Na República Velha esse conjunto chamava-se “plataforma”, lida durante um banquete encasacado na presença de líderes políticos. Alguns presidentes, quando ainda candidatos, como Juscelino Kubitschek e Getúlio Vargas, expunham seus planos e projetos nesse período. Outros, já eleitos, antes de assumir, como Fernando Henrique. Alguns, como Jânio Quadros, deixavam para depois da posse. Quanto a Dilma Rousseff, permanece a dúvida, ainda que faltem nove dias para ela receber a faixa presidencial.

ONDE PESCAR?

O presidente Lula já terá decidido, mas não conta para ninguém onde passará as primeiras semanas depois de deixar o poder. Fala-se em férias numa praia do litoral do Nordeste ou numa fazenda do Pantanal, à beira de um rio. Viajar para o exterior parece fora de cogitações, mas voltar direto ao apartamento de São Bernardo seria tornar-se prisioneiro, sem poder sequer descer à calçada. Como assinalamos dias atrás, não haverá um jornal que não venha a criar uma nova editoria para acompanhara os passos do ex-presidente.