terça-feira, 6 de março de 2012

ENGOLE O CHORO, DILMA

A troca de guarda no Ministério da Pesca comoveu a República. Os momentos históricos são assim mesmo: abalam os corações mais duros.
A presidente Dilma Rousseff é uma gerente implacável, conforme Lula contou ao Brasil. Uma dama de ferro da administração pública. Dizem que barbados e engravatados tremem na base ao despachar com ela.

Ficou famosa a história de que, numa reunião palaciana, a presidente mandou o ministro da Fazenda “engolir o choro”.

Não é difícil imaginar Mantega se derretendo diante da Tatcher brasileira. Os olhinhos perdidos do ministro devem ter piscado mais do que nunca, especialmente se a voz grave da chefe estivesse naqueles dias de tratar os circundantes como “meu filho” e “minha filha”. Sai de baixo.

E será que algum fato da vida seria capaz de emocionar uma comandante assim tão firme, quase rude de tão pragmática?

Sim. Nenhum ser humano está imune a um evento trágico, desses que testam os limites da existência – como a demissão do companheiro Luiz Sérgio.

Assim como o suicídio de Getúlio Vargas, as baixas em Monte Castelo, a renúncia de Jânio Quadros e a morte de Tancredo Neves, a queda de Luiz Sérgio traz uma carga de comoção quase inassimilável.

Duelando com o golpe do destino que deu ao bispo Crivella o emprego de seu companheiro, Dilma chorou.

E tudo indica que o país esteja atravessando um momento histórico especialmente denso, porque um mês antes a dama de ferro também tinha chorado. O outro tsunami emocional viera da despedida do companheiro Fernando Haddad do MEC.

Na ocasião, o detonador da comoção foi a aparição de Lula com a cabeça raspada. Tão ou mais tocante do que o culto evangélico comandado por Crivella na troca de guarda com Luiz Sérgio.

Se você também se emocionou com esse momento histórico, aleluia, irmão.

Mas se você acha que Dilma Rousseff tem que decidir entre a personagem da dama de ferro e a da mulher sensível, e que essas lágrimas todas são para endurecer sem perder a ternura e a eleição de São Paulo, só lhe resta o brado inevitável:

Engole o choro, Dilma! Tenha compostura no cargo e poupe-nos da sua novela mexicana, se não for pedir demais.

Guilherme Fiúza

ELEIÇÕES CAPIXABAS: EM CACHOEIRO FERRAÇO SAI NA FRENTE

Se as eleições fossem hoje, o deputado estadual Theodorico Ferraço (DEM) seria eleito o novo prefeito de Cachoeiro de Itapemirim com vantagem.

Conforme aponta a pesquisa Futura, feita em parceria com A GAZETA, o democrata é citado como opção de voto espontâneo por 27,8% dos moradores. Na pesquisa estimulada, quando são apresentados nomes de pré-candidatos aos entrevistados, o índice chega a 46,5%.

Theodorico é nome dado como certo para presidir a Assembleia Legislativa. O presidente Rodrigo Chamoun (PSB) deve afastar-se, nas próximas semanas, para assumir uma vaga no Tribunal de Contas estadual e, com o aval do Palácio Anchieta, o democrata deve ser eleito.
 A Gazeta
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Espontaneamente, o segundo mais lembrado é o atual prefeito, Carlos Casteglione (PT), que deve tentar a reeleição. Ele é o preferido de 12,5% dos entrevistados.

Na pesquisa estimulada, o deputado Glauber Coelho (PR) tem vantagem num páreo com Camilo Cola (PMDB) e fica na segunda colocação, com 19,2%. Casteglione soma 14,8% e o peemedebista 7,8%. Num segundo cenário, sem Camilo e com o ex-prefeito Roberto Valadão (PMDB), Glauber obtém discreta vantagem (21,2%), ante 15,5% para Casteglione e 2% para Valadão.

O Instituto Futura também simulou uma disputa entre Glauber, Casteglione e Abel Santana (PV). Neste caso, o deputado torna-se a primeira opção de voto dos entrevistados, com 41,2%; o prefeito teria 21,2%

Fonte: A Gazeta

AÉCIO QUER PSB COM SERRA

Cerimônia de posse dos novos ministros da Educação, Aloizio Mercadante, e da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, no Palácio do Planalto com as presenças da Presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula
Aécio Neves alega que, hoje, a identidade do PSB em São Paulo é com o PSDB

São Paulo


O senador Aécio Neves (PSDB-MG) assumiu ontem um discurso de defesa da candidatura de José Serra a prefeito de São Paulo.

Ao participar de uma reunião com aliados políticos em Belo Horizonte para discutir parcerias para a eleição de outubro, Aécio defendeu o apoio do PSB a Serra, em São Paulo, e disse que tem conversado sobre isso com o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos.

Para o senador, deve prevalecer o "sentimento" do PSB, que é de adesão a Serra. Mas a cúpula do PSB ameaça com intervenção, porque a ordem nacional é se aliar a candidatos do PT, como Fernando Haddad em São Paulo.

"Acho que deveria prevalecer o sentimento da base do partido em São Paulo. Tanto do ponto de vista municipal, da cidade de São Paulo, quanto no Estado, o PSB é nosso parceiro em São Paulo. Não tenho dúvida que a identidade hoje em São Paulo do PSB é muito maior com o PSDB", disse Aécio Neves.

Ele alertou: "Qualquer decisão a fórceps pode não trazer o resultado que se busca na base. E uma decisão tomada de cima para baixo pode até garantir minutos de televisão para a candidatura do PT, mas pode não levar junto o apoio efetivo da militância e das bases do PSB".

Aécio disse saber que o PSB participa da base de sustentação da presidente Dilma Rousseff, que o partido tem "seus compromissos com ela". "A eventual eleição do Serra fortalece muito o projeto do PSDB, independentemente de quem seja o candidato do PSDB. Portanto, todos vamos estar unidos, à disposição, para, da forma que pudermos, ajudá-lo nesta eleição. E ele já mostra um enorme potencial desde a sua largada", disse.

Aécio avaliou que a candidatura de Fernando Haddad a prefeito de São Paulo, se não crescer nas pesquisas, poderá sofrer resistências dentro do PT, por ter sido imposta pela cúpula.

"Acho até que, mais uma vez, a imposição da qual foi vítima o PT, inclusive o de São Paulo, na definição de um candidato que não era o candidato das bases, pode levar o PT ainda a ter percalços neste caminho. Então, são coisas da política: um quadro que parecia, para nós, adverso, poucas semanas atrás, hoje, a meu ver, é extremamente adverso para o PT".

Pré-candidato a presidente em 2014, Aécio disse que a eleição municipal e a eleição para presidente não estão "tão ligadas" como se avalia. Ele disse que a eleição de 2014 só deve começar a ser pensada a partir de julho de 2013.

Campos
Já Eduardo Campos negou ontem que os diretórios estadual e municipal da legenda tenham fechado questão em torno da eventual aliança com o PSDB em São Paulo.

E garantiu que esta definição não sairá antes de junho - mês em que serão realizadas as convenções partidárias.

"A eventual eleição do Serra fortalece muito o projeto do PSDB, independentemente de quem seja o candidato do PSDB. Portanto, todos vamos
estar unidos"

Fonte: A Gazeta
 

CRESCIMENTO ECONÔMICO FRACO MOSTRA GASTANÇA DESSE GOVERNO POPULISTA



Vergonha nacional – Criado na era Lula para ser mais uma das gazetas palacianas em favor de Dilma Vana Rousseff, então candidata presidencial, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é um fiasco conhecido. A necessidade de elevar Dilma às alturas obrigou o Palácio do Planalto a inventar a segunda versão do Programa, o PAC 2. Entre um e outro foi criado o programa “Minha Casa, Minha Vida”, que desde a sua criação ainda não entregou 30% das moradias prometidas para um ano.

Enquanto a ineficiência do PAC fica sob o controle dos palacianos, a verdade sobre o assunto sequer desce a rampa do Palácio do Planalto, que dirá chegar ao conhecimento dos cidadãos mais desavisados.

O acanhado crescimento do PIB em 2011 é também prova evidente do fracasso do PAC. Líder do PPS na Câmara, o deputado federal Rubens Bueno ressalta que trata-se de falta de competência do governo em relação à política de desenvolvimento e na gestão da política econômica. “Ao contrário do que alega o governo, o ‘pibinho´ de 2011 não é reflexo direto da crise econômica na zona do euro. Trata-se de má gestão da política econômica e do fracasso do PAC, que não passa de um programa publicitário sem consistência. A queda está diretamente ligada à falta de investimentos, à carga tributária
excessiva, que bate 37% do PIB, e a falta de estímulos ao setor produtivo. É fruto de incompetência governamental. Com o PAC do PT, estamos empacados” declarou Bueno.

O líder oposicionista lembra também que o governo tem apostado na exportação de commodities para compensar a própria inoperância. “Como um país pode entrar num processo de crescimento sustentável se não investe em pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Não tem um plano eficiente para ampliação de seu parque industrial e se esquece da educação. Escora-se apenas no desempenho do setor primário, o que é um erro. O país precisa diversificar os investimentos”, disse Rubens Bueno.

Além desses ingredientes preocupantes, Bueno não deixou de incluir em suas críticas as despesas realizadas pelo governo Lula para eleger Dilma Rousseff, as quais hoje recaem sobre o bolso do contribuinte. “O governo gasta mal, desperdiça uma enorme quantidade de dinheiro em projetos meramente eleitorais, como fez em 2010 para eleger Dilma, incha a máquina pública com a companheirada e, para agravar a situação, despeja milhões no ralo da corrupção”, completou.

Fonte: Ucho.Info

DECIDIDAMENTE, O POSTE ESTÁ MIJANDO NO CACHORRO

Ao acessar no dia de hoje (02 Mar) o site Portal Militar, me deparo com a seguinte notícia: "Celso Amorim negocia punição de militares".

Lendo a matéria, chega-se a conclusão de que o governo (ou melhor a nossa "presidenta") perdeu a noção de tudo e surtou de vez, senão vejamos: Ali está escrito que Dilma determinou que os militares que assinaram a adesão ao manifesto sejam punidos pelos comandantes das forças a qual pertencem, com a pena de repreensão.

Pergunta-se: Que crime cometeram? Baseada em que legislação a Sra. "presidenta" está determinando tal medida? Onde fica o contraditório e o mais amplo direito de defesa? Desde quando estatutos e regulamentos disciplinares se sobrepõem às Leis maiores vigentes no país? Sem dúvida alguma, estamos assistindo a um fato inédito: O poste esta mijando no cachorro. Que fique bem claro o seguinte: Ninguém está acima da Lei e, em se tratando de "mal feitos", a Sra. Dilma talvez não seja a pessoa mais indicada para determinar a punição de pessoas íntegras que sempre tiveram as suas vidas voltadas para a preservação dos mais nobres valores éticos, morais e patrióticos da nação brasileira. Estes, amparados na legislação em vigor ( Lei 7.524 de 17 de julho de 1.986 ) reivindicam tão somente o cumprimento às Leis por parte dos nossos governantes ( em especial a Presidente da República ) e respeito aos seus mais justos direitos constitucionais. Aliás, diga-se de passagem, os militares em questão por serem pessoas, COMPROVADAMENTE, de ilibada conduta, nunca praticaram sequestros, assaltos, terrorismo, atentados, assassinatos e nem crimes de lésa-pátria.

Luiz Carlos Braga

CADA LADO QUE SEGURE OS SEUS RADICAIS

No olho do furacão da tentativa de abertura promovida pelo então presidente Ernesto Geisel, com agentes do próprio governo jogando bombas e queimando bancas de jornais e livrarias, enquanto a oposição denunciava torturas, o chefe do Gabinete Civil, Golbery do Couto, chamou o secretário-geral do MDB, Thales Ramalho, fazendo um apelo: “vocês seguram os seus radicais e nós seguramos os nossos”.

Deu certo, apesar dos obstáculos e dificuldades que se projetaram no governo seguinte, do general João Figueiredo.

Por que se lembra o episódio? Porque a hora seria de aplicação da mesma receita, na tertúlia verificada entre militares e o governo em torno da Comissão da Verdade. Fora disso a temperatura subirá. Depois do manifesto dos presidentes dos três clubes militares contra duas ministras do governo e de sua retirada do site por determinação de Dilma Rousseff, em seguida ao aparecimento de um novo manifesto assinado por 96 oficiais, entre eles 13 generais, protestando e até agredindo as ministras e a própria presidente, surge novo capítulo explosivo: a entrevista do general (da reserva) Rocha Paiva ao Globo de ontem. Se ainda não foi, o militar está para ser punido por insubordinação, já que sugere a convocação da própria Dilma para explicar sua participação como integrante da VAR-Palmares no atentado a um quartel de São Paulo, quando foi assassinado o sentinela Mário Kosel .

Daí para diante, se não houver o refluxo dos radicais, virá o imponderável. Não se imagine o confronto restrito aos militares da reserva. O mesmo sentimento é partilhado pelo pessoal da ativa, preservado da publicidade por conta dos regulamentos castrenses. Como estarão analisando a situação os comandantes das três forças, ainda que obrigados a advertir seus próprios camaradas? Suportarão até que ponto esse instável equilíbrio, mesmo até agora engolindo sapos em posição de sentido.

Algumas premissas devem ser lembradas. Houve tortura, barbaridades foram praticadas pelos agentes da lei, durante a ditadura militar? Sem dúvida, assim como do outro lado registraram-se assassinatos, sequestros, assaltos e justiçamentos.

Só havia uma solução para o conflito: a anistia, afinal aprovada pelo Congresso, significando imenso sacrifício para as duas partes em choque, mas única em condições de promover a volta à democracia. Esquecer, ninguém esquece o passado, mas faz-se de conta, em prol do futuro.

Justa, mas perigosa, foi a criação da Comissão da Verdade, agora, pelo Legislativo. Sua finalidade é a identificação dos envolvidos nos montes de crimes perpetrados à sombra do poder público nos anos de chumbo. Do outro lado também, porque qualquer denunciado fundamentará sua defesa citando exemplos da ação adversária.

Agora, rever a Lei da Anistia e abrir processos de punição aos culpados de décadas atrás equivalerá a um suicídio nacional. Nessa hora é que os radicais de lá e de cá devem ser contidos. Desde o general que sugere a convocação da presidente Dilma à Comissão da Verdade para explicar o atentado promovido pela organização clandestina a que pertencia, até o promotor da Justiça Militar, Octávio Bravo, que defende a suspensão da Anistia e a condenação dos implicados na tortura e no desaparecimento dos corpos de Rubem Paiva, Mário Alves, Stuart Angel Jones, Carlos Alberto Soares de Freitas e quantos mais?

Continuando as coisas como vão, ninguém deve duvidar até da possibilidade de a situação passar da retórica a ações de outro tipo. Por tudo, vale o conselho antigo: cada lado que segure os seus radicais.

Carlos Chagas

segunda-feira, 5 de março de 2012

CRACK, O PESADELO DA MATERNIDADE

Entre as mulheres, os danos causados pela dependência de crack afetam seriamente uma segunda vida: a do feto. Pesquisas indicam o alto índide de gravidez não planejada entre as usuárias da droga, muitas vezes fruto da prostituição. A situação é de tal gravidade que autoridades de saúde discutem a oferta de contraceptivos, nos casos mais urgentes, a fim de impedir a gestação por até dois anos. Aos 30 anos, Laura (foto, nome fictício) está há quatro meses em tratamento numa comunidade terapêutica de Ceilândia.
Ao consumir o crack, muitas dependentes se prostituem e acabam por engravidar de desconhecidos. A droga prejudica a saúde dos bebês, criando uma geração órfã e cheia de sequelas
Lugar de proteção, o útero é o primeiro lar na jornada da existência. Mulheres sadias acolhem, alimentam, confortam seus filhos. As que esculpem suas alegrias, medos, frustrações e fantasias nas pedras do crack se tornam uma ameaça às suas crias. São recorrentes as histórias de viciadas que não suspendem o uso da droga durante a gestação. O veneno que entorpece os sentidos da mãe ultrapassa a placenta e circula pelo corpo em formação. Os fetos são as primeiras vítimas de almas escravizadas pela química.

Os que sobrevivem a abortos induzidos pela substância podem nascer com síndrome de abstinência, insônia, agitação. Alguns terão anemia, retardo mental, má formação. Na infância, enfrentarão dificuldade de aprender. Há chances de crises nervosas, dislexia, distúrbios do sono, hiperatividade. Consequências que filhos do crack herdarão sem escolha.

Quando, aos 27 anos, Laura(*) fumou a primeira pedra, assumiu o risco de comprometer para sempre o futuro de alguém que ainda estava para nascer. Começou com a maconha, mas em poucos meses evoluiu para a cocaína, a merla e chegou ao crack. Desceu o mais fundo que podia. Conheceu a solidão, a violência, o crime, a prostituição, a doença. Dessa mulher, depende o pequeno Victor, o filho que Laura teve sem querer, fruto de uma relação sexual para sustentar seu vício. Até os seis meses de gestação, ela não sabia que estava grávida. Descobriu depois de um acidente, quando, sob o efeito da droga, foi atropelada e socorrida em um hospital.

Laura desejou abortar. Batia com a barriga na parede, continuou a fazer programas e não parou, nem por um dia, de fumar a pedra. Um dos efeitos da mistura da cocaína com solventes é a vasoconstrição, um processo de contração dos vasos sanguíneos que compromete a passagem de nutrientes e de oxigênio para o bebê, o que pode causar hemorragia intracraniana, redução do perímetro cefálico, diminuição do ritmo do crescimento, pressão alta, deficiência visual, auditiva, do coração, no esqueleto, no intestino. Outro sintoma comum entre as usuárias é a falta de apetite. Mesmo grávidas, dependentes do crack são capazes de passar dias sem se alimentar.

Na tese de graduação pelo Centro Universitário de Brasília (Uniceub) chamada "Caracterização da cultura do crack no Distrito Federal", que observou usuários atendidos pelos Centros de Atenção Psicossocial de Álcool e Drogas (CapsAD), 96% dos entrevistados relataram que o apetite diminui com o consumo do crack. Outros 84% disseram que sentem insônia. Sete a cada 10 dependentes relataram desconforto gastrointestinal. Sintomas da droga que comprometem a gestação. Além disso, nos primeiros meses da gravidez, o feto ainda não tem a pele queratinizada, o que funciona como espécie de uma capa protetora formada de proteína. Assim, fica vulnerável a substâncias tóxicas que se acumulam no líquido amniótico e podem se tornar um reservatório da droga.

Sobrevivente
O pequeno Victor superou a falta de nutrientes, de oxigênio, a contaminação tóxica. Sobreviveu mesmo recebendo doses diárias da cocaína em pedra, via placenta. Ele nasceu abaixo do peso, sofre crises de refluxo e tem sífilis, uma doença sexualmente transmissível, que o contaminou ainda no útero. A enfermidade compromete o sistema nervoso central, o coração e, se não for corretamente tratada, pode matar. A poucos dias do parto, Laura pediu ajuda. Chegou vestida em farrapos, descalça, bateu na porta da casa de uma irmã mais velha, que lhe deu R$ 3 para chegar ao CapsAD do Guará. Lá, foi atendida e encaminhada para a comunidade terapêutica das Mulheres de Deus, em Ceilândia, onde está há quatro meses. Em abstinência desde a internação, conseguiu o direito de amamentar.

Laura conheceu as drogas por influência de amigos. Ela conta que teve pais amorosos. Na casa onde passou a infância, em Samambaia, as desavenças eram resolvidas com conversa. Mas as boas recordações não foram a principal referência da menina, que ficou órfã aos 17 anos. O pai morreu de enfizema. A mãe, de cirrose. Os dois bebiam e fumavam muito. Entregaram-se ao vício. Perderam uma firma de limpeza, o apartamento e o carro no jogo do bingo. Laura foi espelho do exemplo de destempero que viu em casa. Chegou a ter marido e um filho, hoje com 11 anos. Mas optou por viver uma aventura. E cortou o caminho com as drogas, que lhe encorajaram para a prostituição.

As viciadas costumam ter muitos parceiros, porque vendem o corpo para conseguir a pedra. Alucinadas com os efeitos da droga, não se preocupam em se proteger de doenças. O "Perfil dos usuários de cocaína e crack no Brasil", de 2008, mostrou que a maioria das dependentes faz sexo diariamente com até cinco parceiros para manter o vício. Laura não sabe quem é o pai da criança em quem hoje deposita a própria salvação. Chegou a ter dezenas de companheiros em apenas uma noite. "Já fiz mais de R$ 1 mil em algumas horas." Ela cobrava entre R$ 20 e R$ 50 pelo programa.

Todo o dinheiro que conseguiu com o corpo, empregou no crack. Desenvolveu compulsividade pela pedra. Passou a roubar os parceiros. "Uma mulher sabe como seduzir. Eu pegava o celular, o boné, até tênis eu já levei", conta. Laura tem os cabelos pretos, ondulados, quase até a cintura. Os olhos castanhos, puxados, seios fartos e coxas grossas. É uma mulher bonita. Mesmo maltratada pelo desgaste que o crack provoca no corpo, atraiu advogados, professores e até dois juízes para encontros íntimos. Chegou a passar uma semana trancada com um magistrado, também viciado em crack, em um motel de Ceilândia.

Foi a mulher e a mãe do juiz que foram buscá-lo. "Elas que me pagaram o programa e o motel. Ele saiu de lá direto para uma clínica. Mas ninguém me perguntou se eu precisava de ajuda, se queria tratamento", diz a mulher, que voltou para a rua, por onde perambulou três meses sem voltar para casa. "Um dia fui comprar pão, desviei do caminho, passei na boca de fumo e não voltei mais. Já estava viciada."

Recomeço
Laura, que ficou viúva do primeiro marido, perdeu a guarda do filho mais velho. O menino mora com o padrasto em Samambaia. "Eu fiz os dois sofrerem demais. Quando fumava, meu filho ligava para o pai de criação e dizia: "A mãe está fumando na latinha". Eu batia muito nele. Várias vezes meu ex-marido foi me pegar na rua, pagar as minhas dívidas. Ele não usa droga. Era apaixonado por mim, mas um dia não me procurou mais. Ninguém aguenta."

Depois que se internou, Laura, hoje com 30 anos, tem recebido a visita do filho mais velho a cada três semanas. "Ele nunca ficou tão feliz comigo. Diz sempre que eu vou melhorar. Eu sei que vou. Quando Victor nasceu, tudo mudou, eu me senti forte, vou superar e voltar a ser uma mulher de verdade", diz.

Ela não está curada. Ainda sofre crises de abstinência. É vigiada sempre. Mas os profissionais do CapsAD e da comunidade terapêutica que dão atendimento médico e psicológico a Laura avaliam que o contato com o bebê pode ajudá-la a largar o vício no crack. Após dois meses de internação, a mulher foi liberada para amamentar. Agora são as mãos minúsculas de Victor, que nasceu de oito meses, com apenas dois 2kg, que sustentam a mãe.

LILIAN TAHAN » ALMIRO MARCOS
Correio Braziliense - 05/03/2012

NÓS ESTAOS ABRINDO A CAIXA DE PANDORA DA JUSTIÇA ( ELIANA CALMON)

 
 
Travando uma batalha para punir maus juízes e romper paradigmas no Judiciário, a corregedora nacional de Justiça conta, em entrevista exclusiva, que foi perseguida porque atravessou o caminho das elites
 
Eliana Calmon
Os corporativistas tentaram me tirar porque atravessei o caminho das elites, mas nunca senti medo pessoal”


Rondinelli Tomazelli
rtomazelli@redegazeta.com.br
Brasília

O Judiciário brasileiro não será o mesmo depois de Eliana Calmon. Há um ano e meio no comando da Corregedoria Nacional de Justiça do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), esta baiana de Salvador bateu de frente com a cúpula do Judiciário, enfrentou pressões corporativistas e bancou, isolada internamente, sua bandeira para investigar e punir maus juízes, apurar a evolução patrimonial de colegas Brasil afora e garantir poderes e autonomia ao CNJ.
Nesta entrevista, a mulher que quebrou paradigmas na Justiça, não mediu palavras para denunciar suas mazelas e criou expressões como “bandidos de toga” e “meia dúzia de vagabundos” comemora os resultados dos flancos de guerra que abriu. A Justiça foi discutida pela sociedade de ponta a ponta, e o debate ganhou corpo nas redes sociais.

Eliana diz que agiliza o processo de mudança, mas não pode quebrar, em dois anos como corregedora, uma cultura de 400 anos. Quando sair do cargo, já avisa: não ficará nem calada nem parada. Ela não descarta viagem ao Estado para tratar da Operação Naufrágio.


foto: ABr
Eliana Calmon
“Talvez o CNJ volte ao TJES, vamos ver o que aparece. Fizemos a inspeção, retornamos e vamos reelaborar o relatório, no qual podemos flagrar algo, mas nada muito grande”
Valeu enfrentar as reações corporativistas na batalha para fortalecer as corregedorias? O que mudou?
O esforço valeu. A sociedade brasileira, a imprensa e uma grande parte da magistratura entenderam perfeitamente a minha mensagem exagerada. Eu exagerei para chamar a atenção. Isso fez as pessoas se movimentarem, fato coroado pela decisão do STF reconhecendo a competência concorrente do CNJ e outros dois pontos fundamentais. Primeiro, a publicidade dos atos de fiscalização e controle e dos processos julgados pelo CNJ: a transparência é o primeiro ingrediente contra a corrupção. Outro aspecto mantido pelo STF é o poder normativo do CNJ. Padronizações do CNJ foram seguidas de forma uniforme pelos tribunais: a resolução sobre o nepotismo, critérios de promoção por merecimento, normas de eleição para as Mesas. Imagine 97 tribunais normatizando a bel prazer tais situações!

Por que é tão difícil punir maus juízes?
É o corporativismo. Há uma cultura no Poder Judiciário de que não devemos tornar públicos nossos pecados. Somos extremamente tolerantes com os sem seriedade. Passamos a ser coniventes, porque as pessoas dedicadas ao mal não se contentam com pouco. Nós, os bons, somos maioria na magistratura. Percorro Estados e vejo no máximo cinco ou seis maus em um tribunal, mas porque a maioria deixa isso acontecer? O silêncio dos bons me preocupa muito. Quero ver a magistratura fortalecida para sermos um exército contra os maus magistrados.
Como quebrar o medo de denunciar?
Um dos aspectos que faz calar na denúncia é a falta de confiabilidade no sistema. Eu denuncio, nada acontece e eu fico mal. Quando houver certeza de que o sistema repulsa maus juízes, este silêncio será quebrado. Tenho segurança absoluta que não vou mudar esse quadro. Em dois anos, não se muda uma cultura de 400 anos, mas apressar o processo é meu trabalho. Minha missão.

Sua campanha foi encampada ‘de porteiros a doutores’, mas o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Nelson Calandra, declarou não se importar com a voz das ruas.
É um pensamento do passado, quando o magistrado não dava satisfações. Com a Constituição de 1988, isso acabou. Lamentavelmente, alguns magistrados não se imbuíram desse espírito de, como agentes políticos nos conflitos da sociedade, ouvir o que o povo quer e precisa. Pela segunda vez, o corporativismo investe contra um órgão que quer sepultá-lo. O primeiro foi a ação no momento da criação do CNJ. Agora, requentam tudo aquilo. Novamente, o STF dá uma resposta em favor do CNJ.
Se a independência para investigar juízes é difícil nos tribunais, como pretende fortalecer as corregedorias?
Se o presidente não se dá bem com o corregedor, asfixia a corregedoria. Criei metas para as corregedorias, como a independência financeira e administrativa. Quero uma simetria, para que as corregedorias locais sejam tão independentes quanto a nacional. O perfil ideal de um corregedor é ser sério, saber gerir o Judiciário. Esta é a solução. Muitas vezes, só com a força moral resolvi problemas nas corregedorias, telefonando aos corregedores honestos. Melhorou muito a situação de corregedor “boneco de presépio”.

O Judiciário ainda é uma caixa-preta?
Ainda há um pouco de escuridão, mas nós já demos alguns passos para a abertura da caixa de Pandora. Não é que o Judiciário seja mais corrupto hoje, é que muita coisa vem à tona. A caixa de Pandora foi aberta e estamos enxergando o que tem dentro dela. Meu trabalho vai contribuir para a abertura do Judiciário. A Justiça precisa se mostrar mais para a cidadania. O brasileiro sabe que o CNJ resolve as coisas com seriedade. Este encontro da cidadania com o CNJ é um momento histórico no combate à corrupção.
A Operação Naufrágio foi a pior crise do Judiciário capixaba e magistrados denunciados foram aposentados. Ainda é uma mancha na Justiça?
Antes de ser uma mancha, é um motivo de parabenizar a Justiça do Espírito Santo por ter conseguido implodir o que se armou dentro do Tribunal de Justiça. A partir desta crise, a Justiça começou a se organizar. Com a censura, a punição interna, melhora a performance do Judiciário, porque as pessoas ficam temerosas em relação à atuação da Justiça. A denúncia na esfera criminal da Naufrágio demora muito por causa do foro especial. Talvez o CNJ volte ao TJES, vamos ver o que aparece. Fizemos a inspeção, retornamos e vamos reelaborar o relatório, no qual podemos flagrar algo, mas nada muito grande.

A acusação de quebra de sigilo na investigação de movimentação financeira foi justa? Houve distorção?
A discussão no mandado de segurança no STF foi totalmente distorcida. A AMB quer fazer crer que quebrei sigilo fiscal e bancário, e na realidade examinei declarações de bens e folha de pagamento. Em relação à movimentação patrimonial indicada pelo Coaf (órgão da Fazenda), não houve identificação de ninguém. E o CNJ não identificou movimentação atípica na Justiça capixaba.

Por que avalia que magistrados de 2º grau são “ainda mais deletérios quando enveredam para o mal”?
Magistratura é carreira hierarquizada e a 1ª instância precisa em tudo dos tribunais. Para quem está no ápice dessa verticalização, é fácil vender essas vantagens funcionais. Quando magistrados de 2º grau enveredam para o mal, fazem estrago muito grande na base.
O Judiciário é classe de privilegiados?
Não. O Judiciário está perdendo muitos privilégios. Mas o movimento corporativista quer manter e recuperar privilégios perdidos pela inércia do tempo e porque o país se modernizou. Há uma quebra de paradigma, os tempos mudaram e magistrados não perceberam.
Apoia férias de 60 dias para juízes?
Para o exercício complexo de julgar, é preciso prerrogativas constitucionais, mas não posso, sendo apenas servidora pública, uma trabalhadora, querer benesses que nenhuma outra categoria tem.

A proposta de emenda constitucional (PEC) no Senado vai mesmo garantir definitiva autonomia do CNJ?
Defendo a proposta, já que ninguém duvida de questionamentos a posteriori à definição do STF. Ouvi que a PEC passará rapidamente, mas é ano de eleição e segmentos poderosos da magistratura têm conchavos lá dentro.
Sofreu perseguição, sentiu medo, temeu pela própria vida ultimamente?
Senti certa insegurança em relação ao desfecho final. Nunca senti medo pessoal ou físico. Este não é o perfil dos corporativistas: eles dão a dita solução limpa, sem sujar as mãos, mesmo com manobras obscuras. Estão acostumados a tirar todas as pessoas que, como eu, atravessam o caminho das elites. Tentaram me tirar.

Isolada internamente, estaria mesmo “frita” se não fosse a imprensa?
Ante a dificuldade interna, havia pedido apoio de intelectuais para um grande debate na área. Mas a academia foi lenta e não houve tempo de esperar. Eu perdia terreno na magistratura, onde não tenho arautos e a corregedoria é secularmente antipatizada. Daí me foram jogadas boias, como a imprensa. A mídia se abriu. Isso fez a opinião publica se posicionar.

A expressão “bandidos de toga” motivou uma reação já arquitetada?
A expressão forte que usei virou a senha para desabrochar um movimento de reação. Eu disse bandidos infiltrados. Eu não falei de magistrados! Falei de bandidos mesmo, que agora chamei de vagabundos. É a mesma coisa!

A senhora se preocupa com seu sucessor, no sentido de evitar retrocesso?
Minha preocupação é criar projetos viáveis na continuidade. Segui todos os projetos do meu antecessor. Estarei corregedora até setembro e, com sinceridade, não sei o que farei depois. Só digo uma coisa: pelo meu temperamento, parada e calada não fico! E não serei candidata a cargos eletivos e nem vou advogar.

É cedo para dizer que Eliana Calmon vai entrar para a História?
É cedo, sim. Estamos na crista de um movimento popular de vanguarda, mas vai passar. Tenho o pé no chão, consciência de que é muito efêmero. Não sei se ficará o resíduo comportamental capaz de ser inscrito na História.

No auge da crise, a senhora disse que ficou dias sem conseguir dormir. E agora?
Agora? Agora eu estou dormindo (risos, e se estica na cadeira).

sexta-feira, 2 de março de 2012

MEU VELHO

MILITARES ENDURECEM REAÇÃO AO GOVERNO, TE CUIDA DILMA

Não será fácil para os comandantes militares resolverem o imbróglio criado pela presidente Dilma Rousseff que decidiu punir todos os militares que assinaram o manifesto "Alerta à Nação - eles que venham, por aqui não passarão", que endossa as críticas a ela por não ter censurado suas ministras que pediram a revogação da lei de anistia. No novo documento os militares dizem ainda que não reconhecem a autoridade do ministro da Defesa, Celso Amorim. Inicialmente, o manifesto tinha 98 assinaturas e na quinta-feira, após terem tomando conhecimento da decisão de puni-los, o número de seguidores subiu para 235. Agora são três os generais de exército da reserva que assinam o manifesto e um deles é o ex-ministro do Superior Tribunal Militar (STM), Valdésio Guilherme de Figueiredo, adicionando um ingrediente político à lista, não só pelo posto que ocupou,mas também como antigo integrante da Corte Militar, tem pleno conhecimento de como seus pares julgam neste caso.

Nessa quinta-feira, 1º, o Ministério da Defesa passou o dia discutindo com que base legal os militares podem ser punidos. Nova reunião foi convocada pelo ministro Celso Amorim e os comandantes militares. Mas há divergências de como aplicar as punições. A Defesa entende que houve "ofensa à autoridade da cadeia de comando", incluindo aí a presidente Dilma e o ministro da Defesa. Amorim tem endossado esta tese e alimentado a presidente com estas informações. O ministro entende que os militares não estão emitindo opiniões na nota, mas sim atacando e criticando seus superiores hierárquicos, o que é crime, de acordo com o Estatuto dos Militares.

Só que, nos comandos, há diferentes pontos de vista sobre a lei 7.524, de 17 de julho de 1986, assinada pelo ex-presidente José Sarney, que diz que os militares da reserva podem se manifestar politicamente e não estão sujeitos a reprimendas. No artigo primeiro da lei está escrito que "respeitados os limites estabelecidos na lei civil, é facultado ao militar inativo, independentemente das disposições constantes dos Regulamentos Disciplinares das Forças Armadas, opinar livremente sobre assunto político, e externar pensamento e conceito ideológico, filosófico ou relativo à matéria pertinente ao interesse público".

Esta zona cinzenta entre as legislações, de acordo com informações obtidas junto a militares, poderá levar os comandantes a serem processados até mesmo por "danos morais", quando aplicarem a punição de repreensão, determinada por Dilma. Nos comandos, há a preocupação, ainda, com o fato de que a lista de adeptos do manifesto só cresce, o que faria com que este tema virasse uma bola da neve. Há quem acredite que o assunto deva ser resolvido de uma outra forma, a partir de uma conversa da presidente com os comandante militares, diretamente, para que fosse costurada uma saída política para este imbróglio que, na avaliação da caserna, parece não ter fim, já que a determinação do Planalto é de que todos que já assinaram e que venham ainda a aderir ao manifesto sejam punidos.

Fonte: O Estado de São Paulo

SAÚDE PÚBLICA: VITÓRIA EM PRIMEIRO LUGAR. SERÁ?


 Frederico Goulart
fgoulart@redegazeta.com.br

O serviço de saúde pública oferecido em Vitória foi considerado o melhor entre as cidades brasileiras com boa infraestrutura e condições de atendimento à população nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS).

Esse foi um dos dados apontados pelo Índice de Desenvolvimento do Sistema Único de Saúde (IDSUS), lançado ontem pelo Ministério da Saúde para avaliar o acesso e a qualidade dos serviços de saúde no país.

A capital capixaba aparece com 7,08 pontos, seguida de Curitiba (6,96) e Ribeirão Preto (6,69). Entre os Estados, o Espírito Santo ficou em 5º lugar, com 5,79. A meta do ministério era 7.

Os municípios foram divididos em seis grupos, de acordo com perfis socioeconômico e de estrutura de saúde. Nos grupos 1 – onde Vitória está – e 2, estão as cidades mais ricas, com estruturas mais complexas. Nos grupos 3 e 4, estão as cidades com pouca estrutura, de média e alta complexidade; e, nos grupos 5 e 6, as cidades menores.

Pesquisa

O índice é o resultado do cruzamento de 24 indicadores que avaliam se a população está conseguindo ser atendida em uma unidade pública de saúde e qual a qualidade do serviço. A demora para o atendimento e a satisfação do usuário, porém, não foram critérios avaliados.

A pesquisa foi feita entre 2008 e 2010 nos diferentes níveis de atenção (básica, especializada ambulatorial e hospitalar e de urgência e emergência). A Região Sul teve pontuação de 6,12, seguida do Sudeste (5,56), Nordeste (5,28), Centro-Oeste (5,26) e Norte (4,67).

O IDSUS será calculado a cada três anos. Mas o ministério pretende fornecer uma avaliação anual a prefeituras e Estados para estimular o cumprimento de metas.


Prefeitura admite que há demora no atendimento

Apesar da boa colocação da cidade de Vitória no Índice de Desenvolvimento do Sistema Único de Saúde (IDSUS), o prefeito João Coser aponta que a demora para a realização dos atendimentos ainda é o principal desafio que falta ser superado. "Nossa capacidade de atender ainda é inferior à demanda", diz.

Coser aponta que o número positivo está relacionado, além da melhoria da estrutura da rede de saúde da cidade, ao fato de 79,4% da cidade já ser atendida pelo Programa de Saúde da Família.

Em 2011, a prefeitura investiu R$ 210 milhões (15% do orçamento) na área da saúde, o que representa
R$ 665 por pessoa ao ano. Ao todo, a rede conta hoje com 478 médicos, 135 dentistas e 3.551 profissionais.


foto: Edson Chagas
ES - Vitória - Pamela Brandenburg, acompanhada de sua filha Alice, entrevistada sobre o atendimento no PA da Praia do Suá - Editoria: Cidade - Foto: Edson Chagas
Horas de espera
Pamela Brandenburg dos Santos, 16 anos, esperou ontem por duas horas no Hospital Infantil de Vitória e depois mais outras duas no Pronto-Atendimento da Praia do Suá só para saber o que a filha, Alice, tinha. "É impossível que esta seja a melhor saúde do país", disse a jovem.

Abaixo da média
Somente 6,4% das cidades conseguiram resultados acima de 7 pontos, média estipulada pelo Ministério da Saúde. 20,7% tiveram notas abaixo de 5

Serra entre os piores do Grupo 2
A Serra aparece entre as dez cidades com pior pontuação em um grupo com municípios que possuem menos infraestrutura e condições de atendimento. A cidade obteve 4,97 pontos, no Grupo 2. O município não quis comentar o assunto, pois não teve acesso à pesquisa.

foto: Edson Chagas
ES - Vitória - Pamela Brandenburg, acompanhada de sua filha Alice, entrevistada sobre o atendimento no PA da Praia do Suá - Editoria: Cidade - Foto: Edson Chagas
Ele se sentiu humilhado
Das 9 até as 17 horas de ontem, Luiz Cláudio Oliveira Souza, 42 anos, esperou. Depois de oito horas, descobriu que tinha úlcera e ainda saiu do Pronto-Atendimento da Praia do Suá sem receita médica. Precisa voltar hoje para saber o que fazer. "Nunca me senti tão humilhado", desabafou.
Confira a relação completa do Índice de Desempenho do SUS (IDSUS) por Estado e nos grupos 1 e 2:

TABELA 1 – ÍNDICES DOS ESTADOS

Unidades Federativas
IDSUS
Santa Catarina
6,29
Paraná
6,23
Rio Grande do Sul
5,90
Minas Gerais
5,87
Espírito Santo
5,79
Tocantins
5,78
São Paulo
5,77
Mato Grosso do Sul
5,64
Roraima
5,62
Acre
5,44
Alagoas
5,43
Rio Grande do Norte
5,42
Bahia
5,39
Sergipe
5,36
Piauí
5,34
Pernambuco
5,29
Goiás
5,26
Maranhão
5,20
Ceará
5,14
Distrito Federal
5,09
Mato Grosso
5,08
Amapá
5,05
Amazonas
5,03
Paraíba
5,00
Rio de Janeiro
4,58
Rondônia
4,49
Pará
4,17
Brasil
5,47

TABELA 2 – ÍNDICES DAS CAPITAIS POR GRUPO HOMOGÊNEO

Capitais
IDSUS 2012
Grupo Homogêneo
Vitória
7,08
1
Curitiba
6,96
1
Florianópolis
6,67
1
Porto Alegre
6,51
1
Goiânia
6,48
1
Belo Horizonte
6,40
1
São Paulo
6,21
1
Campo Grande
6,00
1
São Luís
5,94
1
Recife
5,91
1
Natal
5,90
1
Salvador
5,87
1
Teresina
5,62
1
Manaus
5,58
1
Cuiabá
5,55
1
João Pessoa
5,33
1
Fortaleza
5,18
1
Brasília
5,09
1
Maceió
5,04
1
Belém
4,57
1
Rio de Janeiro
4,33
1

CAPITAIS DO GRUPO HOMEGÊNEO 2

Palmas
6,31
2
Boa Vista
5,76
2
Rio Branco
5,56
2
Aracajú
5,55
2
Porto Velho
5,51
2
Macapá
5,10
2

A GRANDE LAMBANÇA

Quando uma aliança de poder se sustenta quase que exclusivamente sobre as bases voláteis da barganha política e dos interesses rasteiros dos mandachuvas, a máquina do governo inevitavelmente acaba tropeçando na escassez de competência gerencial da companheirada ou no excesso de ambição dos chefetes de facção. Exemplos abundantes da incapacidade do governo federal de tocar com um mínimo de eficiência seus projetos mais importantes, como os do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), esgotam a paciência de qualquer um. Mas a lambança armada na disputa de poder entre executivos de primeiro escalão do Banco do Brasil (BB) e da bilionária caixa de previdência dos funcionários da casa - a Previ - parece ter levado ao limite a tolerância da chefe do governo com aquilo que ela própria costuma chamar, eufemisticamente, de "malfeitos".



O presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, é desafeto declarado do presidente da Previ, Ricardo Flores, que conta com o apoio de gente importante do PT. E a desafeição é recíproca. Ambos são reconhecidos como profissionais competentes na área financeira, julgamento respaldado pelos balanços do banco e do fundo de pensão. Mas nenhum dos dois - obviamente afinados com os interesses dos figurões do governo e dos partidos que lhes garantem a retaguarda - está satisfeito com a extensão de seus domínios. Engalfinharam-se, então, numa disputa pública que ultrapassou o limiar da baixaria quando veio à luz a evidência de que o conflito está sendo municiado com quebra ilegal de sigilo bancário e dossiês destinados a comprometer a reputação dos oponentes. O que, aliás, não chega a ser novidade, considerando que esses são, historicamente, recursos diletos das falanges petistas. E que, afinal, não são usados exclusivamente contra inimigos "de fora".

O imbróglio fez soar o alarme no Palácio do Planalto já no fim do ano passado, quando começaram a vazar informações - ao que tudo indica, baseadas em quebra ilegal de sigilo bancário - de que um dos vice-presidentes do BB, Allan Toledo, estaria envolvido numa "movimentação financeira atípica" de quase R$ 1 milhão. Toledo era aliado do presidente da Previ. Foi demitido em dezembro pelo Conselho de Administração do banco, presidido pelo secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa. O presidente do banco, Bendine, a quem Toledo teria "traído", é considerado homem de confiança do ministro Guido Mantega.

Com o recrudescimento da guerra entre os comandos do BB e da Previ, a presidente da República chegou à conclusão de que era hora de intervir. Enviou, segundo fontes do próprio Palácio do Planalto, emissários para dar um ultimato a Bendine e a Flores: o fim das hostilidades ou a demissão de todos. E agora o Ministério da Fazenda instruiu o Banco do Brasil a abrir uma sindicância para tirar a limpo as suspeitas de quebra ilegal de sigilo bancário e as denúncias de irregularidades que resultaram na queda de um dos vice-presidentes da instituição. Ao que tudo indica, portanto, outras cabeças podem rolar.

É impossível prever o resultado final dessa lamentável lambança que envolve duas das mais importantes instituições financeiras do País controladas pelo governo. Este parece agir agora movido, por um lado, pela preocupação de preservar, num mercado extremamente sensível a extravagâncias de qualquer tipo, a credibilidade tanto do Banco do Brasil quanto da Previ. E, por outro lado, de evitar que a irresponsabilidade política de dois de seus principais agentes e respectivas entourages comprometa a imagem do próprio poder central. Dessa perspectiva, o ultimato de Dilma tem todo cabimento.

Ocorre que, numa situação extrema, a presidente poderá livrar-se dos presidentes do BB e da Previ para salvar as aparências. Mas o sacrifício dos dois peões será claramente insuficiente para abater a ambição desmedida por poder que acaba colocando o interesse público em plano secundário. Por detrás de Bendine e de Flores agem, à sorrelfa, figuras influentes encasteladas nos escalões superiores tanto do governo quanto dos partidos que o apoiam. De pouco adianta espantar as moscas que se refestelam no bolo do poder.

Fonte: O Estado de São Paulo

SAÚDE PÚBLICA "QUASE PERFEITA" RECEBE NOTA DE 5.4 PELO PRÓPRIO GOVERNO



Perna curta – Poder e mitomania andam de mãos dadas. Pelo menos é isso que mostra o Ministério da Saúde. Em meados de 2006, o então presidente Luiz Inácio da Silva, quando se preparava para a campanha pela reeleição, disse, sem se incomodar com a veracidade de suas palavras, que a saúde públcia no Brasil estava a um passo da perfeição. Tempos mais tarde, o mesmo Lula sugeriu que o presidente Barack Obama, dos Estados Unidos, adotasse o modelo do SUS, que na opinião do petista é muito barato e de qualidade.

Que Lula abusa da sua capacidade de convencimento todos sabem, mas nesta quinta-feira (1) o Ministério da Saúde mostrou que o ex-presidente é freqüentador assíduo do universo da mitomania.
Criado pelo governo federal, Índice de Desempenho do SUS (IDSUS) revela que apenas 1,9% da população brasileira vive nos 347 municípios cujos serviços públicos de saúde têm notas acima de 7,0, informou o Ministério da Saúde.

O grupo dos que têm os melhores serviços públicos, segundo o IDSUS, é menor que o dos 5,7 milhões de brasileiros que vivem nas 132 cidades com os piores serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), ou seja, com notas inferiores a 3,9. A média nacional do índice é 5,4.

“O país passou raspando, na nossa avaliação”, disse Paulo de Tarso Ribeiro de Oliveira, diretor do Departamento de Monitoramento e Avaliação do SUS.

De acordo com o Ministério da Saúde, o índice, que será atualizado a cada três anos, medirá a avaliação do desempenho dos serviços oferecidos pelo SUS nos municípios brasileiros.

O ministro Alexandre Padilha, durante o lançamento do novo índice, disse que a iniciativa faz parte de uma “obsessão” do governo em avaliar seus serviços e atribuiu à presidente Dilma Rousseff essa cobrança. “O SUS não pode forma alguma temer o processo de avaliação. [...] Muito pelo contrário: tem que ser algo visto como fundamental para que a gente dê conta de avançar no SUS”, declarou o ministro.

Perguntado sobre uma nota ideal para a saúde pública do País, Padilha evitou citar números, mas lembrou nem a nota 10 se aprocima da excelência.

Contundo, na última terça-feira (28), durante entrevista para esclarecimento sobre os critérios do IDSUS, técnicos do Ministério da Saúde afirmaram que a nota 7,0 era um grau tido como meta do governo.

“De 7,0 em diante é a nota que o SUS deveria ter”, afirmou na ocasião Paulo de Tarso Ribeiro de Oliveira, diretor do Departamento de Monitoramento e Avaliação do SUS.
Já o ministro Padilha alegou que não existe parâmetro internacional que se adeque ao cenário brasileiro. Em outras palavras, qualquer meta está descartada.

Fonte: Ucho.Info

quinta-feira, 1 de março de 2012

MIDIA VENDIDA MINIMIZA DESEMPREGO

Fora da lógica – Os jornalistas que rezam pela cartilha do Palácio do Planalto trataram de minimizar, nesta quarta-feira (29), os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), realizada pela Fundação Seade e pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), que apontam um crescimento da taxa de desemprego em janeiro.

De acordo com a pesquisa, no primeiro mês do ano o desemprego ficou em 9,5%, ante 9,1% registrado em dezembro passado. Os amestrados escribas se baseiam no fato de que o aumento do desemprego se deve à expansão da população economicamente ativa. Ou seja, para esses defensores dos donos do poder mais pessoas procuraram emprego, o que fez com que o índice subisse.

Se por um lado essa estatística obtusa tenta explicar o inexplicável, por outro os comunicólogos “chapa-branca” preferem não analisar os dados da pesquisa pelo largo espectro. Se de fato mais pessoas procuraram emprego e não encontraram, o rombo da Previdência Social está fadado a aumentar, pois enquanto novos contribuintes não ingressam no mercado de trabalho, outro tanto de brasileiros se aposenta na outra ponta. E sem contribuição nova não há como honrar o compromisso com os aposentados e pensionistas, a não ser com injeção de dinheiro arrancado a fórceps do bolso do cidadão.

Outro dado que não está sendo levado em conta é o que aponta o maior número de contratações no setor de serviços e o de demissões na indústria. Isso mostra que, a exemplo do que alertou o ucho.info há anos, o Brasil passa por um preocupante processo de desindustrialização. Na verdade, o País está se transformando em uma nação de prestadores de serviços, ao mesmo tempo em que a indústria está sendo devorada lenta e continuamente pela invasão de produtos estrangeiros, cada vez mais baratos por conta da valorização do Real frente à moeda norte-americana.

Fonte: Ucho.Info