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sábado, 14 de julho de 2012

BESTEIROL DA DILMA



Tudo outra vez – De novo a presidente Dilma Rousseff apelou para o “Febeapá” – festival de besteiras que assola o país, inventado pelo saudoso Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta) – para camuflar a incompetência de um governo que perdeu a mão no controle da economia. Depois de dizer que a grandeza de um país não se mede pelo desempenho da economia, Dilma disse, durante evento na Bahia, que a economia brasileira está em “outro caminho”.

“Esse caminho nós viemos construindo desde quando o presidente Lula assumiu o governo em 2003. Agora, em 2011, 2012, nós atingimos uma nova fase. Qual é a fase que nós atingimos? Nós estamos modificando algumas condições do Brasil que eram entraves ao crescimento econômico sustentável do país. A primeira grande mudança tem sido a redução dos juros”, afirmou a presidente. “Os juros desse país estão num nível que nunca antes, como diria o presidente Lula, ‘na história desse país’, eles atingiram”, completou.

Dilma, em seu discurso, ressuscitou um termo usado com largueza durante a plúmbea era brasileira – “é preciso primeiro aumentar o ‘bolo’ (da renda nacional) para depois reparti-lo” – para mostrar que agora o Brasil divide a renda à medida que é gerada.

Pois bem, Dilma precisa decidir qual discurso adotará de agora em diante, pois esse palavrório dual serve apenas para ludibriar os desavisados, pois a massa pensante sabe muito bem distinguir uma fala de outra.

A redução das taxas de juro não significa que a economia está avançando aos bolhões, mas pelo contrário. A procura por crédito, depois da intervenção do governo no mercado financeiro, ficou aquém das expectativas. E quem buscou crédito o fez para renegociar dívidas anteriores com juro mais baixo. Afirmar que a redução das taxas de juro estimulou a economia é irresponsabilidade, pois é latente nas pesquisas sobre consumo que os brasileiros estão arredios em relação às compras.
Outra inverdade proferida pela presidente Dilma Rousseff refere-se à geração de renda e sua imediata distribuição. Dois terços da população brasileira ganham menos do que dois salários mínimos mensais, segundo o IBGE. De acordo com a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, a renda per capta da classe média brasileira está entre R$ 219 e R$ 1.019.

Diante desses números faz-se necessário lembrar que até hoje os palacianos comemoram a proeza (sic) de terem arremessado 40 milhões de novos consumidores na chamada classe média (ou classe C), o que aconteceu longe da geração de riqueza, mas por meio do crédito fácil, fator responsável pelo endividamento recorde das famílias brasileiras e a disparada da inadimplência. Em termos comparativos, já que a esquerda nacional insiste em manter os ataques ao modelo econômico norte-americano, nos Estados Unidos um cidadão considerado pobre ganha por mês mais do que um integrante da classe média brasileira.

Como sempre afirma o ucho.info, Dilma, assim como qualquer brasileiro, pode dizer o que bem quiser, pois afinal ainda vivemos em uma democracia, mas enganar a opinião pública é covardia desmedida.

Fonte:Ucho.Info 

sábado, 23 de junho de 2012

VIVA O STANISLAW!

PAULO BONATES

O eterno Stanislaw Ponte Preta, codinome do jornalista e escritor Sérgio Porto, autografou denúncias seriamente bem-humoradas no genial Festival de Besteira que Assola o País, o Febeapá. Descia o humor nos atos da ditadura de plantão. Aliás, besteira é o que não falta neste Brasil. Celebrizou-se, entre tantos semelhantes, o projeto de um deputado mineiro que instituía a nota 4,5 em vez de 5 como suficiente para aprovação de alunos. (Hoje evoluímos, não precisa tirar nota nenhuma que o aluno é empurrado não se sabe para onde). Outro, propunha uma ponte sobre um rio em sua cidadezinha natal. Lembraram ao nobre parlamentar que não existia rio ali. Não perdeu a viagem: "A gente constrói um". E por aí vai.

O bom Stanislaw está dando voltas no túmulo. Imaginem que está sendo avaliada a proposta de uma dessas raras inteligências. o de fixar em uma hora o máximo de espera por uma consulta médica em plano de saúde. Dirá a senhora que a excelência em questão está preocupada com o povo, já que alguns médicos conseguem abolir a Lei de Newton que dispõe não haver possibilidade de dois corpos ocuparem o mesmo lugar no espaço. Surge o tristemente "encaixe", um espaço que não existe.

Até aí nada demais. Acontece que uma consulta envolve diferentes procedimentos e, consequentemente, tempos diferentes. É uma situação cujo tempo é imprevisível por definição. A não ser que a exemplo de um edil do tempo do Febeapá que propôs revogar a lei da gravidade, fosse proposta a lei de revogação da urgência e emergência médica.

Enquanto isso o país que menos investe em saúde pública da América Latina deixa jogados pelos corredores dos mal equipados hospitais os miseráveis tupiniquins. O SUS é uma graça. Filas e mortes intermináveis exclusivamente por falta de investimento em ações preventivas, deixando a medicina para as emergências e urgências que na minha singela opinião é o objeto de trabalho e estudo da categoria.

Respeitável público, os planos de saúde já são um privilégio para uma classe média flutuante cheia de automóveis. A proposta do parlamentar não atinge – pasmem – o SUS.

Não custa lembrar que um médico da rede federal, concursado, com 35 anos ralando em pronto-socorros mal equipados, mestrado e doutorado tenha um salário, somados todos os penduricalhos, em torno de R$ 6 mil. Não é considerada uma carreira especial.

Passe a vista no festival de grana que é desperdiçada e na falta de isonomia salarial para os diferentes cargos públicos. Nobilíssimo parlamentar, vossa senhoria acaba de ressuscitar de uma maneira brilhante o Febeapá. Parabéns.

Paulo Bonates é médico e diretor cultural da Associação Médica do ES

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

FEBEAPÁ 2011





Estimadíssimos leitores, 2011 est mort, viva ano novo que já desponta.
2011 foi o ano em que os ditadores se ralaram, e isso já faz dele um ano ímpar, desculpem o trocadilho horroroso. Eu gosto muito de ver ditadores virando fumaça, não sei como os leitores se sentem. Mas ao ver o Kadafi nunca mais podendo usar aqueles modelitos que deusdocéu, saber que o Mubarak não vai mais enfeiar o Egito com aquela cara de quem vive em pirâmide há quatro mil anos, saber que o Kim Jong Il não passa de alimento de bactérias, como diria o Machado de Assis, simplesmente, faz bem.

Nos anos 60, Stanislaw Ponte Preta criou o Samba do Crioulo Doido, que muitos conhecem e pouquíssimos sabem cantar (o degas aqui, sabe, motivo para jactância na Mansão Carneiro da Cunha). Ele também criou o conceito de Febeapá, o Festival de Besteiras que Assolam o País. Stanislaw pode ter passado, mas o Febeapá continua, lindo, firme e forte, com a diferença de que ele hoje, mesmo se abatendo sobre o nosso país, em um planeta globalizado, tem as suas besteiras produzidas em qualquer canto.

Febeapá hoje é mundial.

Das besteiras que marcaram 2011, lembro de algumas, espero que os leitores colaborem lembrando as demais. A que encerra o ano está nos jornais e sites dessa semana, que é Jader Barbalho assumindo sua vaga no Senado, por conta da besteira nada acidental que derrubou a Ficha Limpa.

A besteira Hourse Concours ficou por conta do nosso bravo e inútil PCdoB, lançando a nota de pêsames pelo passamento do grande líder Kim Jong-Il, que recebeu do pai a Coreia do Norte em situação lamentável, trabalhou duro e a repassa ao filho em condições desastrosas. A nota do PCdoB louva o ditador por ter conduzido a sociedade coreana para o socialismo e a prosperidade. Talvez prosperidade tenha outro sentido em pcdobês, só pode ser isso. Espero que a nota tenha sido enviada em papel, assim o pessoal de lá poderá comer alguma coisa.

Entre as besteiras de maior porte tivemos o Rock in Rio, que se caracteriza por não ser uma coisa nem outra. Nem Clauddia Leitte é rock, nem a Barra da Tijuca fica no Rio, portanto, noves fora, zero.
O Estados Unidos finalmente desinvadiram o Iraque, besteira criada há quase nove anos. Invadiram uma ditadura, e deixam pra trás uma tranqueira a ser disputada entre sunitas e xiitas, e a briga não vai ser resolvida no tapa. No campo das besteiras, eles são quase insuperáveis, ao menos no calibre.

O Japão demonstrou toda a segurança das centrais nucleares deixando Fukushima defendida por um quebra-mar e com geradores de energia no mesmo nível dos reatores. Ou seja, molhou um, molhou tudo. E falam da gente.

No Rio de Janeiro, onde o movimento Febeapá começou e de onde se estendeu para o mundo, bueiros seguiram explodindo e um bondinho de Santa Teresa provou do que somos capazes, quando se trata de fazer manutenção com arames e superpovoar meios de transporte com o dobro dos passageiros permitidos. Não foi o maior acidente com mortes do ano, mas deve ter sido o mais desnecessário e tolo, bem ao gosto do governo de lá. Lá também a Chevron deixou a sua marca no Febeapá, com trágicas consequências para o meio-ambiente, e nenhuma para a Chevron, como imaginávamos.

Adriano, o Imperador, não poderia deixar o ano passar sem a sua, digamos, marca, aplicada a tiros na mão de uma garota que estava no mesmo carro que o nosso César. Nero não teria feito pior.
O Santos foi até o outro lado do mundo mostrar de quantas besteiras é feito o nosso desmiolado futebol. Em continuando assim na Seleção, e tudo indica que vai, a coisa em 2014 não vai ser uma besteira, e sim uma tragédia.

A Infraero se mostrou a mesma Infraero de sempre, criando puxadinhos onde deveria haver terminais de passageiros. Se a moda pega, nossos problemas acabaram, mas os aeroportos vão mesmo virar rodoviárias, no sentido que somente chegaremos a qualquer lugar dentro deles usando ônibus.

O cinema nacional fez a sua parte, e as maiores bilheterias ficaram com as besteiras Assalto ao Banco Central, Bruna Surfistinha, e De Pernas pro Ar. A música contribuiu com praticamente nada. Se não houve grandes besteiras, não houve mais muita coisa, mas no ano que vem teremos a volta dos Los Hermanos e o índice Febeapá vai dar um soluço legal.

A literatura pode ser pródiga em besteiras, mas o ano teve grandes livros, sobre os quais sou suspeitérrimo pra falar porque são de amigos meus. O que prova que eu posso errar em quase tudo, mas não na escolha dos amigos.

Tivemos o besteirol ecoinsustentável daquele vídeo dos globais contra Belo Monte, tivemos a bancada evangélica no Congresso sendo ela mesma, tivemos o show dos 80 anos do João Gilberto cancelado pela besteira dos produtores que acharam que os brasileiros pagam qualquer coisa por qualquer coisa. Isso é quase sempre verdade, mas, pelo visto, nem sempre.

Tivemos essa notícia engraçada de que, apesar do nosso grande e histórico Febeapá chegamos ao posto de 6ª economia mundial. Isso não prova nada, a não ser que se pode ser uma grande economia apesar das nossas grandes e enormes besteiras, além de sugerir que temos virtudes por aí, escondidas sob o grande tapete da nossa baixa auto-estima.

E, no meu cardeninho assim foi o Febeapá 2011 nos seus melhores momentos. É bom lembrarmos que 2012 somente acontecerá se aquela previsão maia não passar de uma, mais uma, tolice com nos presenteiam astrólogos, numerólogos e homeopatas, os nossos grandes besteirólogos de sempre. Como mais uma vez eles errarão em cheio, um ótimo 2012 para todos, e que ele não deixe de nos surpreender com essa incrível capacidade humana de se superar sempre que o assunto somos nós mesmos, e o tema, as nossas besteiras.

Até lá, logo ali, e vamos em frente.

Marcelo Carneiro da Cunha

Comento: Concordo com o Marcelo em quase tudo, infelizmente ele esqueceu da maior besteira dita este ano, sim , esse cara se superou, vejamos, "O câncer que vem atingindo os líderes da América Latina é coisa de uma macabra invenção dos americanos, ainda desconhecida por nós". INSUPERÁVEL.