Estamos vivendo um momento sem precedentes da jovem democracia brasileira. O respeito ao jogo e às regras democráticas permitiu, para admiração global, que um metalúrgico ascendesse à presidência da maior economia da América Latina, de um país continental, dono de uma das maiores desigualdades sociais do mundo. Ao derrotar o monstro inflacionário e implantar diretrizes econômicas e de controle dos gastos públicos, com o regime de metas da inflação, do câmbio flutuante e da lei de responsabilidade fiscal entre outros, o Presidente Fernando Henrique Cardoso cumpriu seu papel na história e com espírito republicano, respeito às leis e bela festa da democracia, passou a faixa presidencial a seu legítimo sucessor.
Dono de carisma incontestável e grande pragmatismo político, o Presidente Lula, contrariando segmentos mais radicais da esquerda brasileira,manteve as diretrizes do Governo Social Democrata e tratou de consolidar e ampliar as conquistas sociais e de distribuição de renda, no que foi bem sucedido, justamente possíveis em função da estabilidade econômica e do bom momento da economia mundial. Usando do dispositivo da reeleição, que tanto criticou, conquistou democraticamente o direito ao segundo mandato.
Ao ver todos seus prováveis candidatos à sua sucessão, da base aliada, caírem em desgraça por envolvimento em escândalos sucessivos, resolveu, passando por cima de todos, inclusive de seu partido, fabricar uma candidata, assumindo a responsabilidade e o comando do processo sucessório na base governista. Logo percebeu, com sua experiência e tino político que sua pupila seria incapaz de caminhar com as próprias pernas. Sem carisma,experiência eleitoral passado duvidoso e discutíveis conhecimentos das questões regionais, envolveu-se em ações polêmicas, como o episódio da visita ao túmulo de Tancredo Neves, fazendo acender a luz de alerta no comando de campanha e no seu criador. Sem poder voltar atrás, e mesmo que tivesse outras opções viáveis, não o faria até por uma questão de orgulho, passou a usar sua imensa popularidade e artifícios que o Poder lhe confere , para transgredir repetidas vezes a Lei Eleitoral, na obsessão de tornar viável as chances de sua insossa candidata ao cargo maior da República.
Ignorando e ironizando as multas irrisórias impostas pela Justiça Eleitoral, o Presidente Lula dá péssimo exemplo de cidadania e estimula a desobediência civil, já que “ se o Presidente não respeita as leis, por que o cidadão comum teria que fazê-lo?”, tornando obrigatório a seguinte reflexão: O Presidente corre o risco, pela repetição do delito, ser processado por abuso do poder político. Após ter rejeitado a tese do terceiro mandato, o que justificaria essa obsessão, colocando em risco sua biografia de um dos Presidentes de maior sucesso e sem dúvida o mais popular da história brasileira? Por último, se vitoriosa, conseguirá Dilma Roussef comandar e manter o País no rumo democrático?
Tudo que acontecer no futuro, para o bem ou para o mal, estará colocado na conta do Presidente.
Vale o risco?
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domingo, 16 de maio de 2010
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