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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

"ATENTAI BEM, Ó MAGNO MALTA!"



Dita branda – Eleito senador pelo Espírito Santo, Magno Malta, um gazeteiro conhecido no Congresso Nacional, acredita estar acima da lei e intimida jornalistas que buscam informações acerca dos gastos de seu gabinete. Como muitos sabem, os gastos de diversos gabinetes do Congresso são verdadeiras caixas pretas, porque não dizer que muitas vezes são verdadeiras caixas de Pandora.
Há quinze anos em Brasília, ex-correspondente de “A Gazeta” e atualmente de “A Tribuna”, o jornalista capixaba Marcos Rosetti, editor do site Agência Congresso, recorreu ao Sindicato dos Jornalistas do Espírito Santo (Sindijornalistas)para preservas seus direitos e dar um basta na ousadia de Magno Malta.

O Sindicato condena a truculência do parlamentar, já denunciado ao longo de sua carreira por diversas irregularidades e ações semelhantes, que acionou a Polícia Federal para tentar impedir que notícias sobre gastos do seu gabinete fossem colhidas por Rosetti, um profissional reconhecidamente competente e profundo conhecedor da política capixaba.

Por considerar que os direitos do profissional estão ameaçados, a agressão foi imediatamente comunicada a organismos internacionais de imprensa, como a Conferência Latino Americana. Desde o momento da comunicação, o nome de Magno Malta passou a integrar a “lista negra” do jornalismo latino-americano.

É importante destacar que Magno Malta, assim como todos os parlamentares, não é senador, mas está como tal apenas e exclusivamente pelo voto do povo, a quem deve explicações detalhadas do dinheiro público que é mensalmente despejado em seu gabinete. O grande problema da extensa maioria dos políticos brasileiros é pegar carona na fatídica frase “você sabe com quem está falando?” e estar acostumado a dar as indefectíveis carteiradas, como se estivessem acima da lei e fossem melhores do que qualquer cidadão brasileiro.

O Sindijornalistas lembra que a organização internacional Repórteres Sem Fronteiras (RSF) divulgou recentemente relatório que coloca o Brasil entre os cinco países em que mais morrem jornalistas em circunstâncias covardes, muitas vezes não esclarecidas. Os outros quatro países são Síria, Somália, Paquistão e México

Magno Malta deveria repensar suas atitudes, pois mesmo com a prerrogativa de foro privilegiado essa e outras tantas confusões podem acabar nos tribunais. Reza a Constituição Federal que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. E não serão um bottom na lapela e um diploma da Justiça Eleitoral que farão de Magno Malta alguém diferente e melhor.

Como dizia o saudoso e folclórico ex-senador Mão Santa quando se instalava na tribuna do Senado para seus longos discursos, “atentai bem, ó Magno Malta!”.

Fonte: Ucho.Info 

sexta-feira, 20 de julho de 2012

SOBRE LULA, GOLBERY E O BRUCUTU


 Muitas décadas atrás faziam extraordinário sucesso as tiras em quadrinhos estreladas pelo “Brucutu”, simpático troglodita que através da fantástica máquina do tempo do professor Papanatas passeava pelos principais acontecimentos da História. Ora nosso herói estava em Roma, aconselhando Julio César, ora na Idade Média, participando da invasão da Inglaterra por Guilherme o Conquistador, sem esquecer suas aventuras com os piratas do Caribe ou nas guerras de Frederico o Grande.

Também esteve na Revolução Francesa e na Independência dos Estados Unidos. Em todos os episódios, era o Brucutu que do alto de sua ingenuidade orientava e definia os rumos da Humanidade.

Por que lembramos daqueles tempos felizes onde a imaginação das crianças permitia a absorção de capítulos inteiros da História?

Porque está faltando um dr. Papanatas na atual realidade brasileira, capaz de levar-nos, se possível junto com o Brucutu, até acontecimentos fundamentais do passado brasileiro que precisam ser elucidados. O maior deles refere-se à exata participação do Lula no processo político-sindical dos anos do regime militar. Seria verdadeira a versão de ter o hoje primeiro-companheiro sido manipulado pelo general Golbery do Couto e Silva para desenvolver o sindicalismo de resultados, renegando a revolução popular e até congelando as reformas sociais mais profundas?

Serviu, o Lula, de instrumento para neutralizar Leonel Brizola e, ao mesmo tempo, isolar os comunistas e outros radicais? Prestou-se ao papel de inocente útil, algoz do Partido Trabalhista em favor do Partido dos Trabalhadores? Teve consciência de estar sendo usado ou usou aquela oportunidade para afirmar-se no cenário político? Passou o bruxo-general para trás ou foi passado por ele? Também valeu-se da Igreja, ou de seus setores mais progressistas naquele início de caminhada, pouco se importando depois com o desembarque de bispos frustrados?

Continua obscura aquela gestação de tudo o que se verificou depois, com a ida do Lula para o poder. A chave para se entender os dias de hoje repousa no fundo do poço de onde ele emergiu, claro que por seus próprios méritos e por sua capacidade de conduzir o novo processo em marcha.

Como o dr. Papanatas deve ter-se aposentado e o Brucutu perdeu-se nos meandros da História, a solução seria o Lula revelar o que seus inúmeros biógrafos não descobriram. Terá sido uma criação de Golbery ou Golbery, contrariando sua natureza, deixou-se enganar por um torneiro-mecânico?

Carlos Chagas