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sábado, 20 de abril de 2013

FINALMENTE CONSELHO ELEITORAL DA VENEZUELA CONCORDA EM AMPLIAR AUDITORIA DE VOTOS




Demorou, mas aconteceu – O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela anunciou nesta sexta-feira (19) que acatou o pedido do candidato da oposição nas eleições presidenciais, Henrique Capriles, e que será feita a auditoria de 100% dos votos eletrônicos das eleições do último domingo. Inicialmente rechaçada pelo CNE, a recontagem dos votos foi decidida depois de Nicolás Maduro ser anunciado como presidente eleito e reconhecido oficialmente como tal por governos latino-americanos que apoiam o chavismo.

“Depois de uma grande discussão para analisar o pedido, concordamos em estender a auditoria da verificação dos votos aos 46% que não foram auditados no dia da eleição”, disse a presidente do CNE, Tibisay Lucena. Ela justificou a decisão com a situação política excepcional que vive o país.
Minutos depois do anúncio do CNE, Capriles disse que apoia a decisão, que qualificou como um êxito dos seus eleitores. “Com isso, estamos onde queremos. O Comando Simón Bolívar [da campanha da oposição] aceita o que o CNE anunciou”, assinalou o candidato opositor. A auditoria do CNE, porém, não deverá ser tão completa quanto a exigida pela oposição.

“Com a auditoria, poderemos mostrar a verdade ao país”, disse o governador de 40 anos, lembrando que a análise das 12 mil caixas com comprovantes das urnas eletrônicas “com problemas” provará suas alegações. Ele pediu a seus seguidores que mantenham a calma e troquem as panelas usadas nos protestos por música.

A eleição de Maduro se deu à sobra da violação da Constituição venezuelana e de fraudes em diversos pontos do país sul-americano. Após o horário de encerramento da votação, algumas zonas eleitorais continuaram funcionando por algumas horas. Em outras localidades, o fornecimento de energia foi interrompido e, horas depois, algumas urnas foram queimadas.

É importante lembrar que no Palácio de Miraflores há um séquito de agentes cubanos a serviço de do governo de Havana, os quais atuaram de forma covarde nos bastidores da campanha presidencial e da eleição. Como a ditadura castrista precisa dos petrodólares venezuelanos, não deve descartar o uso de manobras sórdidas para garantir a vitória do chofeur bolivariano.

O presidente eleito da Venezuela, o chavista Nicolás Maduro, tomou posse nesta sexta-feira, em Caracas, com a presença das presidentes do Brasil, Dilma Rousseff; da Argentina, Cristina Kirchner; e dos presidentes do Uruguai, José Mujica; e da Bolívia, Evo Morales.

Maduro, que derrotou o rival Capriles por uma vantagem inferior a dois pontos percentuais, já foi reconhecido pela quase totalidade dos países latino-americanos. (Com informações do DW)

sábado, 13 de abril de 2013

O PONTO FRACO DE MADURO

O Estado de S.Paulo

Se as urnas deste domingo confirmarem as mais recentes pesquisas eleitorais na Venezuela, o herdeiro político de Hugo Chávez e presidente interino desde a morte do caudilho, em 5 de março último, obterá uma vitória com sabor de fracasso. Pelas sondagens, a diferença entre ele e o opositor Henrique Capriles não será "abismal", como gostaria - e necessita -, mas inferior a 10 pontos porcentuais, pouco aquém da vantagem de Chávez sobre o mesmo adversário na última disputa presidencial regular no país, em outubro do ano passado. O retrocesso será ainda maior quando se levam em conta os resultados das eleições estaduais de dezembro, já sob o impacto da recidiva do câncer que levou o caudilho a se tratar em Havana. A oposição perdeu 4 dos 7 governos que controlava, em um total de 23. Além disso, entre o início e o fim da campanha de menos de um mês encerrada na quinta-feira, Maduro perdeu 5 pontos - sinal de que não conseguiu encarnar o antecessor que o nomeara vice para depois ungi-lo como seu preferido se sobreviesse o pior.

E não foi por falta de tentar. Buscou por todos os meios identificar-se com o chefe endeusado, a ponto de dizer, grotescamente, que o seu espírito o visitara sob a forma de um passarinho canoro e de atribuir ao falecido a escolha do primeiro papa latino-americano, por sua sugestão ao ficar "cara a cara com Cristo". Ao mesmo tempo, desencadeou contra o "burguesito" Capriles uma ofensiva sórdida mesmo para os padrões chavistas, insinuando que o outro era homossexual e que um de seus assessores era o seu "mais íntimo amigo". Esforçou-se desesperadamente para parecer carismático, como se pudesse emular o El Comandante da noite para o dia, sem ter nem ao menos uma fração de seu dom. Anunciou que aumentaria o salário mínimo em 45% e prometeu "um novo modelo de governo itinerante, de rua". Capriles, por sua vez, tratou de assegurar que não desmancharia as realizações sociais da era Chávez, "mas não conseguiu apresentar nada de novo", na avaliação do cientista político venezuelano Oscar Reyes. Tampouco Maduro, exceto por abordar o problema da criminalidade no país - assunto tabu para o bolivariano.

Caso o candidato oficial de fato não se eleja com uma votação consagradora, os seus rivais em potencial na cúpula do regime, a começar do presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello - que, pela lei, é quem deveria ocupar interinamente o Palácio Miraflores entre a morte de Chávez e a posse do presidente eleito -, mais do que depressa o responsabilizarão pelo resultado insatisfatório. Porque a parte deles terá sido feita - às escâncaras. Para ter ideia, Rafael Ramirez, presidente da PDVSA, a estatal do petróleo com 120 mil funcionários, que carreia para o país 96% de suas divisas, disse numa entrevista recente, citada no Brasil pelo jornal Valor, que "nossos trabalhadores farão isso (arregimentar votos para Maduro), não tem como ser diferente", porque "têm os seus direitos políticos intactos, assim como têm os soldados, os membros das nossas Forças Armadas...". Não bastasse a mobilização do ultra-aparelhado Estado venezuelano, que de há muito não se distingue do PSUV, o partido chavista, a própria data do pleito parece ter sido fixada para favorecer Maduro.
Em 14 de abril de 2002, Chávez reassumiu o poder do qual um golpe o havia destituído três dias antes. Naturalmente, os derradeiros comícios de Maduro concentraram-se no episódio. De um lado, associando Capriles aos golpistas; de outro, celebrando o triunfo do caudilho há 11 anos. O dia da eleição, bradou o candidato, "será um dia de ressurreição, porque Maduro vai ganhar e Chávez voltará".

Por mais que mova céus e terras, porém, ele não é Chávez - e essa é a sua fraqueza talvez irremediável diante dos olhos da população cansada da escassez de produtos, carestia e violência. Na Venezuela, onde o voto é facultativo, um fator crítico será o comparecimento às urnas. Segundo as pesquisas, 93% dos eleitores chavistas se dizem propensos a votar, ante apenas 66% entre os simpatizantes de Capriles. Se esse quadro mudar à última hora, a margem da provável vitória de Maduro se estreitará ainda mais.